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As duas fortalezas medievais estão frente a frente, em margens opostas do rio que separa a Estônia da Rússia. Em Narva, uma cidade apreensiva diante de seu poderoso vizinho, a “Ponte da Amizade”, outrora símbolo de cooperação, está hoje repleta de cercas de arame farpado e obstáculos antitanque.
Medidas: União Europeia prevê nova rodada de sanções contra a Rússia
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“O nome é um tanto irônico”, comenta à AFP Eerik Purgel, alto funcionário da guarda de fronteira da Estônia. Segundo ele, talvez fosse preciso mudar o nome da ponte, que hoje aparece como uma metáfora das agudas tensões geopolíticas entre a Rússia e a Otan neste canto da Europa Oriental. Ou “talvez não devesse haver ponte nenhuma”, sugere.
Onde antes se formavam longas filas de veículos para cruzar o rio Narva e fazer compras ou visitar familiares na Rússia, agora nenhum carro passa. Apenas algumas pessoas, a pé e arrastando malas, atravessam a ponte. A poucas semanas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, Narva vive um clima pesado. Alguns temem que essa cidade russófona da Estônia, com pouco mais de 50 mil habitantes, se torne o próximo alvo do presidente russo, Vladimir Putin.
“Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente”, destaca a prefeita Katri Raik, na Prefeitura da cidade. “Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias” e “todos nos perguntamos o que vai acontecer depois”, afirma.
“Período mais difícil”
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Estônia, membro da União Europeia e da Otan, reforçou suas defesas, assim como os outros países bálticos. O Exército da Estônia, ex-república soviética com 1,3 milhão de habitantes, é pequeno. O Ministério da Defesa afirma que, em caso de necessidade, pode mobilizar cerca de 44 mil soldados, além de 2 mil militares de países aliados da Otan estacionados no país.
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As autoridades prometeram reforçar a segurança nacional com medidas legislativas, incluindo a retirada do direito de voto em eleições locais de cidadãos russos e apátridas residentes no país. Além disso, em 2024, o estoniano passou a ser a única língua de ensino nas escolas, uma medida que afetou muitos moradores de Narva.
Essas reformas, combinadas com desemprego, aumento das contas de energia, colapso das relações com a Rússia e temor de um conflito, criaram uma “tempestade perfeita” na cidade.
“Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos”, afirma Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal. “Vemos como estão nos tratando”, diz o veterano da política local. “A isso se soma o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, econômica e social muito difícil”, explica.
Nacionalidade russa
Ao longo de sua história, Narva esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano. A cidade sofreu danos significativos durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se majoritariamente russófona durante o período soviético. Trinta e cinco anos após a independência da Estônia, Narva ainda busca entender sua identidade. Muitos moradores se sentem presos entre dois mundos, diz Vladimir Aret, gerente de hotel e vereador.
“Sou europeu, mas às vezes brincamos dizendo que não sabemos muito bem o que é uma pátria-mãe”, afirma.
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Embora muitos se declarem patriotas, há também quem exalte Vladimir Putin. Alguns residentes falam apenas russo, assistem à televisão russa e lembram com nostalgia da União Soviética. Cerca de metade da população da cidade tem nacionalidade estoniana, um terço possui cidadania russa e cerca de 7 mil são apátridas desde 1991. Segundo o censo de 2021, 95% da população tem o russo como língua materna.
“Loucura russofóbica”
A Rússia critica com frequência o governo estoniano. Em um relatório publicado em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a “crescente loucura russofóbica da Estônia” e políticas “neonazistas”. O grande número de apátridas é apontado como um problema grave. Alguns moradores concordam.
“Nós, russófonos, somos discriminados”, afirma uma mulher de cerca de 50 anos, que pediu anonimato. Mas Olga Kolesnikova, apátrida de 64 anos, discorda. “Não me sinto prejudicada”, diz a padeira aposentada, mãe de quatro filhos. Aleksandr Gruljov, pedreiro de 59 anos, considera renunciar à cidadania russa. “Aqui ninguém oprime ninguém”, garante. Ainda assim, especialistas alertam que algumas reformas carecem de perspectiva.
“Porta de entrada perfeita”
Proibir cidadãos russos de votar em eleições locais seria “uma porta de entrada perfeita para a propaganda russa”, afirma o cientista político Carlo Masala.
“Como no Donbass, a Rússia pode alegar que os direitos de suas minorias no exterior estão ameaçados, o que lhe daria um motivo para protegê-las, inclusive por meios militares, se necessário”, explica.
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Em seu livro “A guerra de depois: Rússia frente ao Ocidente”, Masala imagina um cenário em que tropas russas tomam Narva em 2028 para atacar outros Estados bálticos. Segundo ele, cidades como Kirkenes, na Noruega, ou Daugavpils, na Letônia, também poderiam ser vulneráveis. A invasão da Ucrânia reacendeu o debate sobre a lealdade da minoria russófona.
“Uma das questões fundamentais que os estonianos colocam sobre a minoria russófona é a do patriotismo e da lealdade”, apontava um estudo europeu de 2023.
“Definitivamente patriotas”
Segundo esse estudo, 65% dos russófonos da Estônia se declararam “mais ou definitivamente patriotas da Estônia”, contra 28% que afirmaram o contrário. Jelissei Soloviev, jovem de 18 anos do Kaitseliit, organização de defesa voluntária, não hesita.
“Estamos prontos para defender nosso país, não temos medo”, afirma.
Masala avalia que Narva hoje parece uma “fortaleza”, o que tornaria qualquer ação militar mais difícil. Ainda assim, autoridades fronteiriças descartam que a cidade seja especialmente vulnerável.
“Se você tem um pretexto, também pode invadir Berlim”, comentou Egert Belitsev, chefe do serviço fronteiriço. O agente da guarda de fronteira estoniana Eerik Purgel concorda. “Com as ferramentas certas, é possível explorar qualquer coisa. Não importa se é Narva, Tallin ou os Estados Unidos”, afirma. Mas conclui: “Este é o nosso povo, nós o protegeremos com nossas vidas”.
As duas fortalezas medievais se encaram frente a frente, em margens opostas do rio que separa a Estônia da Rússia. Em Narva, uma cidade apreensiva diante de seu poderoso vizinho, a “Ponte da Amizade”, outrora símbolo de cooperação, está hoje repleta de cercas de arame farpado e obstáculos antitanque.
— O nome é um tanto irônico — comenta à AFP Eerik Purgel, alto funcionário da guarda de fronteira da Estônia.
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Segundo ele, talvez fosse preciso mudar o nome da ponte, que hoje aparece como uma metáfora das agudas tensões geopolíticas entre a Rússia e a principal aliança militar do Ocidente, a Otan, neste canto da Europa Oriental. Ou “talvez não devesse haver ponte nenhuma”, sugere.
Onde antes se formavam longas filas de veículos para cruzar o rio Narva e fazer compras ou visitar familiares na Rússia, agora nenhum carro passa. Apenas algumas pessoas, a pé e arrastando malas, atravessam a ponte. A poucas semanas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, Narva vive um clima pesado.
Alguns temem que essa cidade russófona da Estônia, com pouco mais de 50.000 habitantes, se torne o próximo alvo do presidente russo, Vladimir Putin.
— Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente — destaca a prefeita Katri Raik, na Prefeitura de Narva. — Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias, Nos perguntamos o que vai acontecer depois..
Pessoas caminham às margens de rio na divisa entre Estônia e Rússia, em Narva
AFP
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Estônia, membro da União Europeia (UE) e da Otan, reforçou suas defesas, assim como os outros países bálticos.
O Exército da Estônia, ex-república soviética com 1,3 milhão de habitantes, é pequeno. O Ministério da Defesa afirma que, em caso de necessidade, pode mobilizar cerca de 44.000 soldados, além de 2 mil militares de países aliados da Otan presentes no país.
As autoridades prometeram reforçar a segurança nacional com medidas legislativas, incluindo a retirada do direito de voto em eleições locais de cidadãos russos e apátridas residentes no país. Além disso, em 2024, o estoniano passou a ser a única língua de ensino nas escolas, uma medida que afetou muitos moradores de Narva.
Essas reformas, combinadas com desemprego, aumento das contas de energia, colapso das relações com a Rússia e temor de um conflito, criaram uma tempestade perfeita.
— Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos. Vemos como estão nos tratando — afirma Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal. — A isso se soma o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, econômica e social muito difícil.
Posto de fronteira entre Rússia e Estônia em Narva, fechado à travessia de veículos
AFP
Ao longo de sua história, Narva esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano. A cidade sofreu danos significativos durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se majoritariamente russófona durante o período soviético. Trinta e cinco anos após a independência da Estônia, Narva ainda busca entender sua identidade. Muitos moradores se sentem presos entre dois mundos, diz Vladimir Aret, gerente de hotel e vereador.
— Sou europeu, mas às vezes brincamos dizendo que não sabemos muito bem o que é uma pátria-mãe.
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Embora muitos se declarem patriotas, há também quem exalte Vladimir Putin.
Alguns residentes falam apenas russo, assistem à televisão russa e lembram com nostalgia da União Soviética. Cerca de metade da população da cidade tem nacionalidade estoniana, um terço possui cidadania russa e cerca de 7 mil são apátridas desde 1991. Segundo o censo de 2021, 95% têm o russo como língua materna.
A Rússia critica com frequência o governo estoniano. Em um relatório publicado em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a “crescente loucura russofóbica da Estônia” e políticas “neonazistas”. O grande número de apátridas é apontado como um problema grave.
Alguns concordam.
— Nós, russófonos, somos discriminados — afirma uma mulher de cerca de 50 anos, que pediu anonimato.
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Mas Olga Kolesnikova, apátrida de 64 anos, discorda.
— Não me sinto prejudicada — diz a padeira aposentada, mãe de quatro filhos.
Aleksandr Gruljov, pedreiro de 59 anos, considera renunciar à cidadania russa.
— Aqui ninguém oprime ninguém — garante.
Ainda assim, especialistas alertam que algumas reformas carecem de perspectiva. Proibir cidadãos russos de votar em eleições locais seria “uma porta de entrada perfeita para a propaganda russa”, afirma o cientista político Carlo Masala.
— Como no Donbass (região no leste da Ucrânia, com forte presença étnica russa), a Rússia pode alegar que os direitos de suas minorias no exterior estão ameaçados, o que lhe daria um motivo para protegê-las, inclusive por meios militares, se necessário — explica.
Professora dá aulas de estoniano para crianças cuja língua materna é o russo em Narva, na Estônia
AFP
Em seu livro “A guerra de depois: Rússia frente ao Ocidente”, Masala imagina um cenário em que tropas russas tomam Narva em 2028 para atacar outros Estados bálticos. Segundo ele, cidades como Kirkenes, na Noruega, ou Daugavpils, na Letônia, também poderiam ser vulneráveis.
A invasão da Ucrânia reacendeu o debate sobre a lealdade da minoria russófona.
— Uma das questões fundamentais que os estonianos colocam sobre a minoria russófona é a do patriotismo e da lealdade — apontava um estudo europeu de 2023.
Bandeira russa em fortaleza do outro lado da fronteira com a Estônia
AFP
Segundo esse estudo, 65% dos russófonos da Estônia se declararam “mais ou definitivamente patriotas da Estônia”, contra 28% que afirmaram o contrário.
Jelissei Soloviev, jovem de 18 anos do Kaitseliit, organização de defesa voluntária, não hesita.
— Estamos prontos para defender nosso país, não temos medo — afirma.
Masala avalia que Narva hoje parece uma “fortaleza”, o que tornaria qualquer ação militar mais difícil. Ainda assim, autoridades fronteiriças não descartam que a cidade seja especialmente vulnerável.
— Se você tem um pretexto, também pode invadir Berlim — comentou Egert Belitsev, chefe do serviço fronteiriço.
O agente da guarda de fronteira estoniana Eerik Purgel concorda.
— Com as ferramentas certas, é possível explorar qualquer coisa. Não importa se é Narva, Tallinn ou os Estados Unidos — opina.— Este é o nosso povo, nós o protegeremos com nossas vidas.
O cidadão francês Camilo Castro, de 41 anos, descreve como um “calvário” os cinco meses que passou detido em prisões venezuelanas, onde afirma ter sido acusado de espionagem e ameaçado de tortura por agentes do Estado. Em liberdade desde novembro, o professor de ioga relatou à agência AFP as experiências vividas no período em que esteve sob custódia das forças de segurança do país, descrevendo os momentos detido como de “nojo, ódio e rancor”, mas também de “amor, esperança e compaixão por um povo inteiro”. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Rumo ao espaço, a bagagem dos astronautas da Nasa poderá ganhar um item até então inédito de ser levado para o espaço. Trata-se de uma aparelho eletrônico que, ao menos na Terra, tem se mostrado cada vez mais indispensável: os smartphones.
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Até hoje as tripulações não podem embarcar e levar para o espaço telefones celulares, desde missões na Estação Espacial Internacional (EEI), caso da Crew-12, a próxima a embarcar com esse destino, e para a Lua, como na viagem da Artemis II.
Segundo a agência espacial dos Estados Unidos, a mudança ocorre devido a uma necessidade operacional identificada pela Nasa no âmbito de seus voos tripulados. Os smartphones devem ser “de última geração”.
— Estamos equipando nossas equipes com as ferramentas necessárias para capturar momentos especiais para suas famílias e compartilhar imagens e vídeos inspiradores com o mundo — disse o chefe da NASA, Jared Isaacman, ao anunciar a medida.
Astronautas da missão Crew-11 fazem pouso de emergência no Pacífico após problema médico
O site especializado Ars Technica destaca que a aprovação de cada aparelho não deve ser simples, seguindo padrões rígidos da agência. Entre as etapas constarão testes de radiação, térmicos e mecânicos de chips e baterias. O uso da tecnologia no espaço será possível após a revisão de procedimentos já estabelecidos, conta Isaacman:
— Essa urgência operacional será de grande benefício para a Nasa, à medida que conduzimos pesquisas e ciência de alto valor em órbita e na superfície lunar. Este é um pequeno passo na direção certa.
A Crew-12 é a missão que levará quatro astronautas para a Estação Espacial Internacional, a bordo da espaçonave SpaceX Dragon. O lançamento tem como data prevista 11 de fevereiro.
Já a Artemis II é a primeira missão tripulada de sobrevoo da Lua em mais de 50 anos, que também contará com quatro astronautas. A última com esse destino foi a Apollo 17, em 1972. Por uma série de problemas, o lançamento não deve ocorrer antes de 6 de março deste ano.
A novidade sobre os celulares gerou reações entre ex-astronautas . Clayton Anderson, ex-membro da Nasa, lembrou que, durante o período em que esteve na agência, não lhe foi permitido levar um iPod para a Estação Espacial Internacional.
“Quanta coisa mudou! Não me deixaram levar meu iPod do ônibus espacial para a Estação Espacial porque ‘não era certificado’ para voar lá. É ridículo. Também não pude levar meu traje espacial azul a bordo… não era certificado, então tive que usar a versão russa”, escreveu Anderson em uma publicação na rede social X.
Isaacman respondeu a este comentário com uma palavra: “progresso”.
Com informações de El Tiempo e Agência EF.
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Nas primeiras declarações após a publicação em suas redes sociais de um vídeo racista retratando o ex-presidente dos EUA Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, o atual morador da Casa Branca, Donald Trump, afirmou que viu “apenas o início” do vídeo, e disse que não pedirá desculpas, como exige boa parte do meio político em Washington.
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Em declarações a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump dise que “viu o início do vídeo, e que estava tudo bem”, alegando que se tratava de um conteúdo sobre supostas fraudes em máquinas de votação, jamais comprovadas, mas que alimentam sua retórica política há anos.
— Eu não vi tudo; acho que no final tinha alguma coisa que as pessoas não gostaram. Eu também não gostaria. Mas eu não vi, só dei uma olhada na primeira parte. Aí mostrei para o pessoal. Geralmente eles veem tudo, mas acho que alguém não viu e postou, e a gente tirou do ar — disse. — Ninguém sabia que aquilo estava no final. Certamente, se tivessem prestado atenção, teriam visto e provavelmente teriam tido a sensatez de removê-lo.
O presidente disse que não fará demissões relacionadas ao caso — segundo a Casa Branca, um funcionário fez a publicação “de maneira errônea” — e que não se desculpará.
— Não, eu não cometi nenhum erro — disse a um jornalista.
O vídeo, com cerca de um minuto, promovia teorias da conspiração sobre a eleição presidencial de 2020 e incluía imagens em que os rostos de Barack e Michelle Obama eram sobrepostos a corpos de macacos, ao som da música “The Lion Sleeps Tonight” — da banda “The Tokens”, popularizada no filme “O Rei Leão”.
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A peça audiovisual fazia parte de uma blitz de mais de 30 postagens do presidente, entre a noite de quinta e a madrugada desta sexta, que reiteravam falsas alegações de que o pleito em que ele foi derrotado por Joe Biden em 2020 foi roubado.
Inicialmente, a Casa Branca, através da porta-voz, Karoline Leavitt, disse se tratar de “um vídeo viral da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens do Rei Leão”, e sugeriu aos jornalistas que “parem com essa indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano”.
Mas pouco depois, quando as críticas eram numerosas, a publicação foi deletada, e surgiu a versão “final” para o caso: um representante da Casa Branca explicou que a publicação do conteúdo ocorreu “erroneamente”, culpando um funcionário. Não houve maior explicação sobre a defesa prévia da secretária de Imprensa e tampouco um pedido de desculpas — como Trump disse que não haverá.
‘A coisa mais racista que já vi’
A publicação do vídeo com uma das expressões mais antigas e repudiadas do racismo pelo presidente dos Estados Unidos a milhões de seguidores não recebeu as mesmas palmas que outras de suas ações questionáveis receberam em Washington. Dentro do Partido Republicano, deputados e senadores pediram que se retratasse publicamente o quanto antes — em menos de 9 meses, muitos enfrentarão as urnas, defendendo um presidente que já enfrenta problemas ligados à economia e à repressão migratória que deixou dois cidadãos americanos mortos em Minnesota
“Rezo para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca. O presidente deveria remover isso”, afirmou Tim Scott, o único senador repúblicano negro, em suas redes sociais.
Com esse tom bem-humorado, Barack Obama rebateu, de forma irônica, os insistentes rumores de crise em seu casamento com Michelle Obama.
Getty Images/AFP
Brian Fitzpatrick, deputado pela Pensilvânia, disse que “seja intencional ou por descuido, esta publicação representa uma grave falha de julgamento e é absolutamente inaceitável vinda de qualquer pessoa — especialmente do presidente dos Estados Unidos”. Katie Britt, senadora republicana do Alabama e trumpista de primeira linha, declarou que o vídeo foi “removido corretamente” e “nunca deveria ter sido publicado”.
Entre os democratas, o tom das críticas foi ainda mais duro. Gavin Newsom, apontado como possível candidato democrata à Presidência em 2028 e um dos críticos mais proeminentes de Trump, escreveu em suas redes que esse foi um “comportamento asqueroso por parte do presidente”, e que “cada republicano deve denunciá-lo”. Outros foram especialmente incisivos.
— F…-se Donald Trump e seu comportamento vil, racista e maligno — disse o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, um parlamentar negro. — Esse cara é um verme desequilibrado.
Quatro astronautas voarão na próxima semana para repor o pessoal da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), informou a Nasa nesta sexta-feira (6), após a evacuação médica de emergência da tripulação anterior.
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A Nasa anunciou que a nova missão, Crew-12, decolará a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX na manhã de quarta-feira, 11, com o lançamento “previsto para não antes das 6h01” locais (8h01 em Brasília).
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A confirmação traz um pouco de certeza para a Crew-12, que teve problemas de última hora com o foguete e mudanças de pessoal.
No início da semana, a SpaceX manteve em terra seus foguetes Falcon 9 enquanto investigava o que a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) descreveu como uma “falha de ignição do motor no segundo estágio”.
“O veículo Falcon 9 está autorizado a voltar a voar”, disse um porta-voz da FAA à AFP nesta sexta.
A pausa temporária por parte da SpaceX causou preocupação de que o voo da Crew-12 tivesse que ser adiado.
A missão substituirá a Crew-11, que retornou à Terra em janeiro, um mês antes do previsto, durante a primeira evacuação médica da história da plataforma orbital.
A China revogou a condenação à morte de um cidadão canadense acusado de tráfico de drogas, informou nesta sexta-feira (6) uma fonte governamental do Canadá à AFP, em um possível sinal de distensão diplomática entre os dois países.
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O Canadá “está ciente de uma decisão emitida pelo Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso do senhor Robert Schellenberg”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Thida Ith, em um comunicado enviado à AFP.
A condenação à morte de Robert Lloyd Schellenberg por suposto tráfico de drogas foi imposta em 2019, durante um período de fortes tensões diplomáticas após a prisão, em Vancouver, da diretora financeira da empresa Huawei, Meng Wanzhou, em cumprimento a um mandado dos Estados Unidos.
A prisão de Wanzhou enfureceu Pequim, que deteve dois canadenses — Michael Spavor e Michael Kovrig — sob acusações de espionagem. Ottawa condenou essas prisões como represália.
Schellenberg foi detido por acusações de narcotráfico em 2014. Posteriormente, as autoridades chinesas o condenaram à morte, considerando branda sua pena inicial de 15 anos de prisão.
Após a revogação da condenação, Ith afirmou que o ministério “continuará prestando serviços consulares ao senhor Schellenberg e à sua família”.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, visitou a China em janeiro como parte de seu esforço global para ampliar os mercados de exportação do Canadá e reduzir a dependência comercial dos Estados Unidos em meio às tensões com o presidente Donald Trump.
O governo canadense não comentou se a diplomacia durante a visita de Carney influenciou a decisão do tribunal chinês no caso de Schellenberg.
Wanzhou, Spavor e Kovrig foram libertados em 2021.
O julgamento contra Luigi Mangione, jovem acusado de matar a tiros o CEO de uma empresa de seguros de saúde em Nova York em 2024, começará em 8 de junho, informaram meios de comunicação nos Estados Unidos, incluindo a ABC e a NBC, nesta sexta-feira (6).
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Entenda: Como homem se passou por agente do FBI para tentar libertar Luigi Mangione, acusado de matar CEO nos EUA?
O juiz responsável pelo caso, Gregory Carro, considerou que o julgamento por homicídio no tribunal de Manhattan deveria ser realizado antes de 8 de setembro, data em que começará outro julgamento federal por atos de assédio relacionados ao assassinato do executivo.
Em ambos os casos, Mangione, de 27 anos, pode ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. As duas acusações poderiam ter acarretado a pena de morte solicitada pelo governo do presidente Donald Trump. No entanto, essa possibilidade foi rejeitada pela juíza Margaret Garnett no fim de janeiro.
Mangione, cuja família vive em Baltimore (Maryland), é acusado de ter atirado a sangue frio contra o diretor da UnitedHealthCare, Brian Thompson, de 50 anos, em uma rua de Manhattan em 4 de dezembro de 2024.
O acusado fugiu, mas cinco dias depois foi detido em um restaurante McDonald’s, na Pensilvânia, a cerca de 370 quilômetros do local do crime. Desde então, o caso se tornou um símbolo da insatisfação dos americanos contra as empresas de seguros de saúde.
Mangione — que possui uma base de seguidores, a maioria mulheres que frequentemente comparecem às suas audiências — declarou-se inocente de todas as acusações.
Sem pena de morte
O juiz distrital dos EUA, Margaret Garnett, decretou há uma semana, que Luigi Mangione não poderá ser condenado à pena de morte no processo pelo assassinato do CEO da gigante de seguros UnitedHealthcare, Brian Thompson, em dezembro de 2024, em Midtown Manhattan.
O magistrado acolheu argumentos da defesa e concluiu que a principal acusação de assassinato — que poderia ter levado à pena de morte — tinha falhas técnicas e, por isso, foi descartada. Com isso, apenas as acusações de “stalking” (perseguição) e outros crimes relacionados permanecem na esfera federal, com pena máxima de prisão perpétua, e não mais a pena capital.
Além do processo federal, Mangione também enfrenta uma ação no âmbito estadual em Nova York, onde acusações de terrorismo foram abolidas em setembro de 2025 por um juiz estadual por considerá-las insuficientes sob a lei local, embora a acusação de assassinato em segundo grau e outros crimes sigam em pé.
O caso voltou a ganhar destaque na semana passada quando um homem de Minnesota, identificado como Mark Anderson, foi preso por se passar por agente do FBI na tentativa de liberar Mangione da prisão federal em Brooklyn com documentos falsos.
Um tribunal da Nigéria determinou que o governo britânico pague 420 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 2,9 bilhões) às famílias de 21 mineiros mortos por autoridades coloniais há quase 80 anos, informou nesta sexta-feira à AFP o advogado das vítimas.
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O episódio ocorreu em 18 de novembro de 1949, quando a polícia abriu fogo contra trabalhadores que realizavam uma sentada em protesto contra as condições de trabalho e salários atrasados na mina do vale de Iva, no estado de Enugu, no sudeste do país. Outras 51 pessoas ficaram feridas no ataque, que intensificou os crescentes apelos pela independência da Nigéria, alcançada em 1960.
O caso foi apresentado ao tribunal de Enugu pelo ativista nigeriano de direitos humanos Mazi Greg Ono. Na sentença proferida na quinta-feira, o juiz Anthony Onovo determinou que o governo britânico pague 20 milhões de libras esterlinas a cada uma das famílias das vítimas.
O advogado das famílias, Yemi Akinseye-George, afirmou à AFP que, assim que tiverem uma cópia da decisão, solicitarão ao procurador-geral e ao Ministério das Relações Exteriores da Nigéria que notifiquem Londres e iniciem “os trâmites diplomáticos para seu cumprimento”.
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Segundo o letrado, as autoridades britânicas se recusaram a comparecer ao julgamento, “apesar da devida notificação”.
Em precedente citado no processo, o Reino Unido concordou, em 2013, em indenizar mais de 5.000 quenianos que foram vítimas de tortura e maus-tratos durante a revolta Mau Mau, na década de 1950.
A coroa da Imperatriz Eugênia, cujo marido, Napoleão III, governou a França no século XIX, foi um dos nove valiosos ornamentos reais roubados por ladrões durante o audacioso assalto ao Louvre em outubro do ano passado. Foi, porém, o único destes que acabou deixado para trás. Os ladrões largaram a peça real, adornada com oito águias douradas esculpidas e ricamente decorada com esmeraldas e diamantes, na calçada em frente ao museu antes de fugirem.
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Mais de três meses depois, o Louvre publicou fotografias que mostram a extensão dos danos. Os arcos da coroa, cravejados de diamantes e semelhantes a palmas de palmeira, foram arrancados ou dobrados, a cruz adornada com joias está tombada para um lado e uma das águias douradas desapareceu.
O Louvre anunciou que em breve convidará restauradores a apresentarem propostas para o reparo da coroa, um processo que será supervisionado por um comitê de especialistas recém-formado. O diretor de artes decorativas do museu, Olivier Gabet, afirmou que a equipe do museu não sabia quanto custaria a restauração, mas começou com uma estimativa de 40.000 euros (cerca de R$ 246 mil). Como quase todas as peças foram encontradas, o custo real estará nas horas de trabalho delicado de restauração, disse ele.
O Louvre, o maior e mais visitado museu do mundo, ainda se recupera do arrombamento ocorrido 30 minutos após a abertura, que revelou falhas no sistema de segurança obsoleto e na infraestrutura precária do museu. O ministro da Cultura da França nomeou um especialista externo para investigar as deficiências do museu, e greves dos sindicatos do Louvre forçaram o fechamento total ou parcial do prédio cerca de uma dúzia de vezes. A Galeria Apollo, onde as joias da coroa eram guardadas, permanece fechada ao público.
Mais de três meses depois, o Louvre publicou fotografias que mostram a extensão dos danos na coroa da Imperatriz Eugênia
Thomas Clot/Musée du Louvre
Uma investigação criminal que envolveu mais de 100 policiais resultou na acusação de cinco pessoas por envolvimento no roubo. Mas, além da coroa da imperatriz, nenhuma das joias foi encontrada. A coroa de Eugénie é uma das poucas joias da coroa francesa que ainda permanecem em posse do Estado. Muitas foram roubadas após o início da Revolução Francesa em 1789, e a maior parte do restante foi leiloada pelo Estado francês em um fervor republicano em 1887. A coroa de Eugénie foi adquirida pelo museu em 1988.
A coroa era metade de um conjunto encomendado por Napoleão III, o último imperador da França e sobrinho de Napoleão, para que ele e sua mulher usassem na abertura da “Exposição Universal” de 1855 em Paris. Supervisionada pelo joalheiro oficial do imperador, ela foi confeccionada com 1.354 diamantes, 1.136 diamantes lapidados em rosa e 56 esmeraldas, de acordo com o Louvre.
Após Napoleão III ser capturado pela Prússia e perder o controle da França, a Imperatriz Eugênia fugiu para a Inglaterra, abandonando a coroa. Mas ela processou com sucesso a República Francesa para recuperá-la e, posteriormente, a legou à sua afilhada, a Princesa Maria Clotilde Napoleão, que vivia na Bélgica.
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Um relatório de especialistas do Louvre afirmou que a coroa provavelmente foi esmagada quando os ladrões a puxaram por uma pequena fenda aberta em sua caixa de vidro reforçado durante o roubo, e ainda mais danificada pelo impacto da queda durante a fuga. No processo, quatro de suas palmas, decoradas com diamantes e esmeraldas, se desprenderam, e uma caiu no chão. Cerca de 10 dos 1.354 diamantes estão desaparecidos, segundo o relatório do Louvre, juntamente com a águia dourada, que “provavelmente está em algum lugar com as outras peças roubadas, e talvez a encontremos um dia”, acrescentou Gabet.
Gabet disse que espera que a coroa, que se tornou um símbolo de esperança desde seu roubo e recuperação “milagrosa”, seja restaurada até o final do ano e apresentada ao público, “no Louvre, obviamente”.

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