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Em um apartamento de Minneapolis, as cortinas estão fechadas e uma mesa com quatro computadores serve como substituto rudimentar de uma sala de aula para três crianças. Esmeralda, Kevin e Carlos deixaram de ir à escola, ao menos presencialmente, desde que agentes de imigração fizeram incursões na cidade americana do estado de Minnesota.
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— Se eu saio, é só ali fora, no corredor — conta Kevin, de 12 anos, à AFP.
Assim como muitos outros jovens e crianças imigrantes de Minneapolis, Kevin passou a ter aulas virtuais, uma prática que as escolas acreditavam ter deixado para trás após os piores dias da pandemia de coronavírus.
O ensino on-line voltou a se tornar uma necessidade, já que muitos permanecem em casa para evitar a campanha de deportações em massa impulsionada pelo presidente Donald Trump.
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Após uma operação de agentes de imigração na escola de ensino médio de Esmeralda, há cerca de um mês, sua mãe, Abril, decidiu que nenhum de seus filhos sairia de casa. Ela ainda não sabe quando voltarão a pisar na rua.
Como os demais membros da família, Abril falou com a AFP sob um pseudônimo.
A família chegou aos Estados Unidos vinda do México há um ano e meio para solicitar asilo, mas ainda aguarda uma decisão judicial.
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Pessoas em situações semelhantes têm sido alvo de operações de agentes de imigração depois que o governo Trump iniciou uma revisão do status legal dos cerca de 5.600 refugiados em Minnesota que ainda não receberam a residência permanente (green card).
No fim do mês passado, um juiz federal bloqueou temporariamente as detenções de refugiados que aguardam a residência permanente no estado.
“Estranho” e “estressante”
Em uma manhã recente de fevereiro, os três irmãos acordam para assistir às aulas de casa.
— A gente acorda e vai para a aula. E depois, mais aulas e mais aulas. Depois almoçamos e ficamos mais um pouco aqui no computador fazendo mais trabalhos e tarefas (…) — diz Esmeralda, de 14 anos, no meio de uma aula sobre fósseis.
Para a adolescente, transformar a mesa em sala de aula e a casa em uma espécie de bunker é “estranho”, “estressante” e “entediante”.
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Kevin conta que sente falta dos amigos e professores.
— A gente pode se ver, mas não estamos exatamente juntos. Não é a mesma coisa estar em uma videochamada do que estar com eles — afirma.
Já Carlos, o mais novo, diz que durante as aulas presenciais na escola podia “ir ao parque”.
Abril e o marido, Rigoberto, estão cada vez mais preocupados com a forma como os filhos lidam com esse confinamento autoimposto.
— Eles perguntam por que isso está acontecendo (…) por que, se não fizemos nada de errado, estamos nos escondendo — comenta Rigoberto, que trabalha como mecânico e não vai à oficina há mais de um mês, embora ela fique a apenas um quarteirão de casa.
Medo constante
Centenas de agentes federais de imigração chegaram a Minneapolis em dezembro e, desde então, a presença de oficiais fortemente armados e mascarados tornou-se comum.
Abril diz que, quando sabem que os agentes estão próximos de casa, pedem aos filhos que desliguem a televisão e não façam barulho.
— Eles nem são livres para rir — comenta a mãe.
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Tudo isso tem afetado Abril, que quase não dorme. A última vez que saiu de casa foi em 3 de dezembro.
— Nem para jogar o lixo fora eu saio — diz a mulher, que sente falta de ir à igreja ou levar os filhos para tomar um sorvete.
Com Abril, que trabalha como empregada doméstica, e o marido desempregado, é uma vizinha quem ajuda com as compras.
— Como chefe da família, para mim é muito, muito difícil não poder fazer nada por eles — explica Rigoberto.
Algum dia, eles poderão voltar a sair na rua, “mas não será mais a mesma coisa” e “sempre teremos medo”.
O governo de Cuba anunciou medidas de emergência nesta sexta-feira, entre elas a semana de trabalho de quatro dias nas empresas estatais e restrições à venda de combustíveis, diante da crise energética enfrentada pela ilha sob pressão dos Estados Unidos.
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— (As políticas de pressão do presidente Donald Trump) nos levam a aplicar um conjunto de decisões, em primeiro lugar para garantir a vitalidade do nosso país, dos serviços fundamentais, sem renunciar ao desenvolvimento — disse o vice-primeiro-ministro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, em um programa da TV estatal.
O dirigente, também ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, destacou que as medidas anunciadas foram aprovadas ontem em reunião do Conselho de Ministros e buscam “proteger e assegurar os serviços básicos à população”.
Entre as medidas, que entrarão em vigor na segunda-feira, estão a restrição da venda de combustível, a redução das viagens de ônibus e trem entre províncias e o fechamento temporário de alguns hotéis e empresas estatais. Além disso, também estão previstas a redução da semana de trabalho para quatro dias (de segunda a quinta) e a adoção do teletrabalho.
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Os horários escolares também serão reduzidos e as universidades aplicarão um sistema de aulas semipresenciais.
Trump intensificou suas ameaças contra Cuba desde o ataque de 3 de janeiro à Venezuela, com o qual depôs Nicolás Maduro, principal aliado da ilha, e assumiu o controle do setor petrolífero venezuelano.
Além de cortar o fluxo de petróleo da Venezuela, assinou na semana passada um decreto que ameaça impor tarifas adicionais a qualquer país que forneça petróleo à ilha, e disse na segunda-feira que o México, que fornece petróleo a Cuba desde 2023, deixaria de fazê-lo.
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Segundo Pérez-Oliva Fraga, o governo priorizará as atividades “que geram divisas”, e “o combustível [existente] é destinado à proteção dos serviços essenciais da população e às atividades econômicas imprescindíveis”.
No entanto, ele garantiu que serão mantidos os investimentos em energias renováveis, e que o país continuará seus esforços para aumentar a produção nacional de petróleo, que representa 30% do seu consumo.
O Pentágono cortará todos os seus vínculos acadêmicos com a Universidade de Harvard, o que encerrará a educação militar, as bolsas de estudo e os programas de certificação, informou a entidade em um comunicado na sexta-feira. A medida é o capítulo mais recente da disputa do governo do presidente Donald Trump com a prestigiada instituição de ensino da Ivy League, à qual acusa de promover a ideologia “woke”, um termo pejorativo usado pela direita radical para as políticas de diversidade.
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“Por tempo demais, este Departamento enviou nossos melhores e mais brilhantes oficiais para Harvard, esperando que a universidade compreendesse e valorizasse melhor nossa classe guerreira”, disse o secretário de Defesa, Pete Hegseth, no boletim.
“Em vez disso, muitos de nossos oficiais voltaram parecidos demais com Harvard: com a cabeça cheia de ideologias globalistas e radicais que não melhoram nossas fileiras de combate”, acrescentou.
O Pentágono indicou que a ruptura dos laços começará no ano letivo de 2026–2027 e que os militares que estiverem com estudos em andamento poderão concluí-los.
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Em outra publicação na rede social X, Hegseth usou seu termo preferido para o Departamento de Defesa: “Harvard é ‘woke’; o Departamento de Guerra, não”.
O secretário afirmou que o Pentágono revisará seus vínculos com todas as universidades da Ivy League para formação e educação militar.
A pressão do governo Trump sobre estas instituições levou funcionários do ensino superior a manifestar preocupação com a possibilidade de erosão da liberdade acadêmica.
O secretário da Marinha dos Estados Unidos, John Phelan, consta como passageiro de um voo realizado em 2006 no avião particular do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, segundo documentos divulgados recentemente por autoridades americanas. De acordo com um levantamento da CBS News, os novos arquivos revelam ainda que o atual secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, foi sócio de Epstein em diversos negócios, ampliando a lista de integrantes do alto escalão do governo Donald Trump citados nos registros.
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Segundo a CNN, o nome de Phelan aparece em um manifesto de voo encontrado entre milhões de documentos relacionados a Epstein, liberados nos últimos meses. O registro indica que ele viajou em 3 de março de 2006 de Londres para Nova York a bordo de um dos jatos particulares do financista, meses antes de Epstein ser formalmente indiciado na Flórida por solicitação criminosa de prostituição.
O documento indica que Phelan estava entre os 13 passageiros a bordo da aeronave, incluindo o próprio Epstein e, aparentemente, Jean-Luc Brunel, agente de modelos francês com atuação no mercado internacional de moda e associado como próximo do criminoso sexual. Brunel enfrentava acusações de agressão sexual e estupro de menor quando foi encontrado morto em sua cela, em 2022. No manifesto, seu nome aparece grafado incorretamente como “Jean Luk Brunnel”. Seis nomes de passageiros foram suprimidos.
De acordo com detalhes do arquivo, a aeronave que fez o voo, o Boeing 727, era um dos aviões notórios pertencentes a Epstein.
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Procurado por meio de um porta-voz da Marinha, Phelan se recusou a comentar. Um amigo próximo confirmou à imprensa que ele estava a bordo do voo, mas afirmou que essa teria sido a única interação de Phelan com Epstein. Segundo essa fonte, o convite para a viagem partiu do então presidente-executivo do banco Bear Stearns, Jimmy Cayne, morto em 2021.
Ainda de acordo com o amigo, Phelan, que atuava no setor financeiro naquela época, só soube que viajaria no avião de Epstein ao chegar ao local. Durante o voo, Epstein teria apresentado a outros financistas um conceito tributário que não despertou o interesse de Phelan, que não voltou a manter contato com ele depois disso.
O documento cita ainda outros três passageiros com vínculos aparentes com o setor financeiro. Não há indícios de que Phelan tivesse conhecimento de crimes cometidos por Epstein ou seus associados no momento da viagem.
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Empresário sem histórico de serviço militar, Phelan foi fundador e presidente da Rugger Management LLC, empresa privada de investimentos criada em 2022. Ele foi confirmado como secretário da Marinha em março de 2025.
O manifesto integra um amplo lote de documentos divulgado no ano passado pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes. Segundo o Departamento de Justiça, responsável por hospedar os arquivos, as supressões visam proteger a identidade de vítimas e informações sensíveis.
Na semana passada, cerca de três milhões de novos documentos relacionados a Epstein foram tornados públicos.
Além de Phelan, os arquivos citam outros nomes ligados ao atual governo Trump e a administrações anteriores. Entre eles estão: o próprio presidente dos EUA, Donald Trump; o secretário do Comércio, Howard Lutnick; o ex-secretário do Trabalho, Alexander Acosta; o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon; e o empresário Elon Musk, que comandou por alguns meses o Departamento de Eficiência Governamental.
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Os documentos que atrelam o nome de Lutnick a Epstein mostram que o secretário americano manteve relações empresariais com o financista, contrariando as declarações públicas nas quais ele afirmava ter cortado laços com o criminoso sexual. Registros relacionados a contratos de negócios em 2012 indicam que ambos assinaram acordos em conjunto, e e-mails posteriores revelam trocas de mensagens e tentativas de encontro mesmo após a condenação de Epstein.
As autoridades afirmam que nenhuma das pessoas mencionadas nos arquivos foi acusada de irregularidades.
Phelan e sua esposa são conhecidos colecionadores de arte e arrecadaram milhões de dólares para a campanha de Trump, incluindo a organização de um jantar de arrecadação de alto valor em agosto de 2024. Trump anunciou a indicação de Phelan para o cargo em novembro daquele ano, elogiando sua trajetória profissional e afirmando que ele colocaria “os interesses da Marinha dos Estados Unidos acima de tudo”.
Os Estados Unidos fretaram, em janeiro deste ano, ao menos dois voos privados para deportar palestinos detidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) para a Cisjordânia. As aeronaves utilizadas pertencem ao magnata imobiliário Gil Dezer, amigo do presidente Donald Trump e seu parceiro em projetos imobiliários, segundo investigação conjunta do jornal britânico The Guardian e do portal palestino-israelense +972 Magazine.
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De acordo com os veículos, os voos integram uma rede pouco transparente de aeronaves privadas empregadas na campanha de deportações em massa intensificada pela Casa Branca desde o início do atual governo republicano. Registros analisados pela organização Human Rights First (HRF), que monitora operações de deportação aérea, indicam que o avião de Dezer foi usado repetidamente pelo governo americano.
Segundo informações divulgadas pelo jornal El País, o primeiro voo partiu em 20 de janeiro de um aeroporto próximo a um centro de deportação em Phoenix, no Arizona, com oito palestinos algemados a bordo. A aeronave fez escalas na Irlanda e na Bulgária antes de pousar, no dia seguinte, em Tel Aviv. De lá, os deportados foram levados a um posto de controle militar nos arredores de Ni’lin, na Cisjordânia, onde foram libertos após terem documentos pessoais e celulares confiscados. Um segundo voo, com número não divulgado de palestinos, aterrissou em Tel Aviv dias depois, aparentemente com o mesmo destino.
As operações chamaram atenção após a divulgação, pelo jornal israelense Haaretz, de uma foto mostrando homens com roupas de presidiários, de cabeça baixa, descendo de um jato privado sob vigilância de agentes de segurança à paisana. Moradores da região onde os palestinos foram deixados relataram surpresa.
— O Exército israelense normalmente não liberta detidos naquele posto de controle — afirmou Mohamed Kanaan, professor que acolheu o grupo em sua casa por horas até que conseguissem contatar suas famílias.
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Segundo Kanaan, algumas famílias acreditavam que os homens estavam desaparecidos após longos períodos de detenção sem comunicação.
— Uma mãe começou a gritar e a chorar ao telefone — relatou.
Famílias separadas
A investigação aponta que vários dos deportados tinham vínculos profundos com os Estados Unidos. Alguns possuíam green card, documento que garante residência permanente legal, viviam há anos no país ou haviam constituído famílias com filhos que permaneceram em solo americano.
— Tudo o que sei e vivi está nos Estados Unidos — disse Maher Awad, de 24 anos, que passou quase uma década estudando e trabalhando em Michigan. Ele foi deportado sem conhecer o filho recém-nascido, que nasceu enquanto ele estava detido pelo ICE. Awad hoje vive em Ramun, perto de Ramala, de onde saiu aos 15 anos.
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Outro deportado, Sameer Zeidan, de 47 anos, trabalhava como comerciante na Luisiana. Sua esposa e seus cinco filhos, todos cidadãos americanos, permaneceram nos EUA.
— Toda a família dele está lá — lamentou um tio, que vive próximo a Ramala.
O voo que transportou Awad e Zeidan foi realizado em um jato Gulfstream GIV, avaliado em mais de 20 milhões de euros. Dezer, proprietário da aeronave, é herdeiro de um império imobiliário na Flórida, financiador das campanhas de Trump, com doações superiores a um milhão de euros, e integrante de uma associação que arrecada fundos para o Exército de Israel. Seu pai possui cidadania israelense.
Ao The Guardian, Dezer afirmou desconhecer o uso de sua aeronave, frequentemente descrita por ele como seu “brinquedo preferido”, quando fretada pela empresa Journey Aviation, sediada na Flórida e contratada com frequência pelo governo americano.
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Em seu site oficial, o ICE afirma realizar “missões fretadas de alto risco” para deportar pessoas que não podem ser transportadas por companhias aéreas comerciais, seja pelo destino ou por razões de segurança.
O custo dessas operações varia entre 6 mil e 22 mil euros por hora. Especialistas ouvidos pelo The Guardian estimam que um voo de ida e volta entre os EUA e Israel pode custar cerca de 400 mil euros, aproximadamente 50 mil euros por deportado no primeiro voo.
Dados da Human Rights First indicam que o mesmo avião foi usado desde outubro em pelo menos outras quatro deportações para países como Quênia, Libéria, Guiné e Essuatíni.
A organização acusa o governo americano de promover uma agenda de deportações “sem precedentes”, com métodos “legalmente questionáveis e indiscutivelmente cruéis”. Para Savi Arvey, diretora de pesquisa da HRF, trata-se de um sistema opaco que ignora o devido processo legal, separa famílias e opera sem transparência.
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Especialistas afirmam não haver precedentes conhecidos para voos desse tipo. O advogado israelense de direitos humanos Michael Sfard disse ao El País que nem mesmo em casos humanitários é comum permitir o pouso no aeroporto Ben-Gurion antes de seguir para a Cisjordânia. Segundo ele, a operação sugere um interesse específico, ou de Israel, ou para atender a demandas do governo Trump. O governo israelense não comentou o caso.
Após o primeiro voo, o Haaretz informou que os EUA solicitaram formalmente a deportação dos palestinos, aprovada pela agência de inteligência israelense Shin Bet após avaliação de segurança.
Awad foi preso após ligar para denunciar um roubo em sua residência. A detenção estaria relacionada a uma acusação anterior de violência doméstica, posteriormente retirada, segundo ele e sua companheira. Ao deixar a delegacia, foi entregue a agentes do ICE. Já Zeidan perdeu o direito à residência por não renová-la após cumprir pena de prisão há cerca de dez anos.
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Segundo a +972 Magazine, a ausência de reconhecimento do Estado palestino pelos EUA faz com que agentes migratórios classifiquem palestinos como israelenses, jordanianos ou cidadãos de países por onde passaram antes de chegar aos EUA, o que dificulta deportações, já que esses governos se recusam a recebê-los.
No passado, esse impasse levou o Departamento de Segurança Interna (DHS) a prolongar detenções. Agora, a postura parece ter mudado.
— Se um juiz determinar que um imigrante ilegal não tem direito de permanecer neste país, nós o expulsaremos. Ponto — afirmou um porta-voz do DHS.
O diretor e proprietário de uma funerária no Colorado, nos Estados Unidos, foi condenado a 40 anos de prisão na última sexta-feira (6), por abuso de quase 200 corpos ao longo de quatro anos. Segundo as investigações, Jon Hallford, de 46 anos, manteve os cadáveres armazenados de forma inadequada no estabelecimento, o que fez com que estivessem em decomposição, e entregava cinzas falsas às famílias enlutadas.
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Hallford foi preso em novembro de 2023, junto com a mulher, Carie Hallford, de 49 anos, sob suspeita de abuso de cadáver, roubo, lavagem de dinheiro e falsificação. Em dezembro do ano passado, o casal se declarou culpado separadamente em seus casos criminais estaduais, que estão sendo processados no Condado de El Paso. Carie se declarou culpada em agosto no tribunal federal e tem audiência marcada para sua sentença para abril, com estimativa de pena de 25 a 35 anos de prisão. As informações são do New York Times.
O caso começou a ser investigado no final de 2023, após relatos de um cheiro desagradável vindo da instalação da funerária em Penrose. No local onde funcionava a funerária Return to Nature Funeral Home, os detetives encontraram 189 corpos em decomposição e dois corpos enterrados de forma inadequada.
A funerária operava com a proposta de sepultamentos “verdes”, tidos como uma alternativa ambientalmente sensível aos funerais que exigem fluidos de embalsamamento e caixões elaborados. Segundo os promotores, o casal entregava às famílias urnas cheias de poeira ou concreto seco, como acreditam os investigadores, quando eram solicitadas cremações, ou corpos errados para sepultamentos. O caso geral revolta entre as famílias que, em alguns casos, alegaram “violência psicológica” ao verem seus entes queridos tratados como “lixo”.
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Os corpos foram identificados ao longo de meses com impressões digitais, DNA e outros métodos.
— Toda vez que abordo este caso, fico novamente impressionado com a enormidade do dano que foi infligido — disse Eric Bentley, juiz do tribunal distrital do Colorado, durante a sentença, destacou o New York Times. — Isso não é um dano comum.
Parentes dos mortos ainda relataram sofrerem com pesadelos recorrentes sobre carne em decomposição e larvas desde que o caso foi descoberto. Muitos chamaram Jon Hallford de “monstro” durante o julgamento. O pedido era para que fosse aplicada pena máxima de 50 anos, destacou o jornal inglês The Guardian.
Entre as dezenas de corpos, um dos recuperados era de um ex-sargento do exército de primeira classe, que não teve a identidade revelada, que se acreditava ter sido enterrado em um cemitério de veteranos, segundo relatou um agente do FBI. Na exumação do caixão no cemitério foi constatado que, na verdade, foram enterrados restos mortais de uma pessoa de gênero diferente. Posteriormente foi feito um funeral com honras militares completas no cemitério nacional de Pikes Peak, ressaltou a agência AP.
Ainda segundo as investigações, os cuidados com os corpos, como era esperado, como de cremação, não eram feitos para que a verba do pagamento recebido pela famílias fosse desviada. O casal também responde por acusações federais de fraude, em que ambos se declararam culpados. Jon Hallford foi condenado a 20 anos de prisão nesse caso, e a sentença de Carie Hallford está pendente, de acordo com a AP.
Dada as condições do prédio pelo armazenamento errado dos corpos, que estavam em decomposição, e os riscos que oferecem à saúde, foi solicitada a demolição.
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, solicitaram que seu depoimento perante o Congresso sobre seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein seja prestado em público, para evitar que os republicanos politizem o assunto.
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Os Clintons foram intimados a depor a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga as conexões do falecido financista com figuras poderosas e como as informações sobre seus crimes foram tratadas.
Hillary Clinton irá depôr em 26 de fevereiro e Bill Clinton no dia seguinte, informou o Comitê de Supervisão em um comunicado.
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Divulgação / Departamento de Justiça dos EUA
Os democratas afirmam que a investigação está sendo usada como arma para atacar os oponentes políticos do presidente Donald Trump — ele próprio um ex-associado de Epstein que não foi convocado a depor — em vez de realizar uma supervisão legítima.
Os republicanos da Câmara ameaçaram votar por desacato ao tribunal caso o influente casal democrata não comparecesse para depor, o que eles acabaram aceitando. Mas Bill Clinton disse que realizar o depoimento a portas fechadas seria como ser julgado em um “tribunal irregular”.
“Vamos parar de brincar e fazer direito: em uma audiência pública”, disse o ex-presidente democrata no X.
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Hillary Clinton disse que já haviam informado ao Comitê de Supervisão, liderado pelos republicanos, tudo o que sabiam.
— Se eles querem essa briga… que seja em público — disse ela na quinta-feira.
O Departamento de Justiça divulgou na semana passada o último lote dos chamados Epstein Files: mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação sobre Epstein, que morreu em 2019, em um caso considerado suicídio enquanto estava sob custódia.
Bill Clinton aparece com frequência nos arquivos, mas nenhuma evidência surgiu que implique qualquer um dos Clintons em atividades criminosas.
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O ex-presidente admitiu ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000 para trabalho humanitário relacionado à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein, onde ele supostamente promovia festas sexuais.
Hillary Clinton, que concorreu contra Trump nas eleições presidenciais de 2016, afirmou que não tinha nenhum relacionamento significativo com Epstein, nunca voou em seu avião e nunca visitou a ilha.
Após uma breve trégua da passagem da tempestade Leonardo, Espanha e Portugal temem os efeitos de um novo temporal, chamado Marta, neste sábado, em regiões já devastadas por fortes inundações. Os serviços meteorológicos de ambos os países já haviam alertado para a chegada da tempestade à Península Ibérica.
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As chuvas extraordinárias que caíram desde terça-feira deixaram uma pessoa morta em Portugal e uma mulher desaparecida após pular em um rio para tentar salvar seu cachorro na região espanhola da Andaluzia. As autoridades encontraram um corpo na sexta-feira e acreditam ser o da mulher. A confirmação forense ainda está pendente.
A Península Ibérica está na linha de frente das mudanças climáticas e vem sofrendo com ondas de calor cada vez mais longas há anos, começando antes mesmo do verão, e episódios cada vez mais frequentes de chuvas intensas.
A vasta região da Andaluzia é atualmente a mais afetada na Espanha, com cerca de 8 mil pessoas evacuadas de suas casas por precaução, inúmeras estradas fechadas e serviços ferroviários interrompidos.
Como sinal da perigosa subida do nível da água, a famosa Ponte Romana de Córdoba, que cruza o rio Guadalquivir perto da sua renomada Mesquita-Catedral, foi fechada ao trânsito de pedestres, já que os carros não conseguiam atravessá-la.
— Estamos todos sobrecarregados por estas chuvas implacáveis ​​e pelo solo, que já não consegue absorver mais água — declarou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante uma visita à área afetada.
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Após sobrevoar a área de helicóptero e conversar com as equipes de resgate, o líder socialista pediu cautela, prevendo “dias complexos” pela frente, com “condições meteorológicas muito adversas, muito perigosas e muito delicadas”.
O porta-voz da agência meteorológica espanhola (Aemet), Rubén del Campo, alertou para a nova tempestade, que trará “muita chuva novamente”, podendo cair “em áreas já severamente afetadas pelas fortes chuvas dos dias anteriores”.
Isso poderá causar “novamente inundações, enchentes repentinas e deslizamentos de terra”, alertou.
Na sexta-feira, o tempo deu uma trégua, como previsto pela Aemet, com ventos fortes, mas sem chuvas “extraordinárias”.
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Mais chuva
Em Portugal, país vizinho, as autoridades trabalhavam para atenuar os efeitos da tempestade Leonardo, enquanto se preparavam para a chegada de Marta. Em três dias, as barragens do país libertaram “um volume de água equivalente ao consumo anual do país”, indicou na sexta-feira à tarde o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado.
A situação registou “uma ligeira melhoria” em termos de precipitação nesse dia, afirmou o comandante da Defesa Civil, Mário Silvestre, numa conferência de imprensa.
Mas a tempestade que se aproxima “trará chuva forte, especialmente na noite de sexta-feira e no sábado”, com “rajadas que poderão atingir os 100 km/h”, especificou.
No município de Alcácer do Sal, no sul do país, um dos mais afetados, o nível da água começou a baixar, permitindo que as equipas de resgate ajudassem os moradores a esvaziar porões e os comércios inundados.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, que visitou a área na sexta-feira, afirmou que os danos “ultrapassaram os 4 mil milhões de euros (4,7 mil milhões de dólares)”, segundo uma estimativa preliminar.
Mais de 26.500 socorristas estão mobilizados em todo o país e cerca de 900 pessoas foram evacuadas em várias regiões, de acordo com as autoridades de proteção civil. Portugal tem vindo a sofrer uma série de fenómenos meteorológicos particularmente intensos. Na semana passada, a tempestade Kristin deixou cinco mortos.
O segundo turno das eleições presidenciais será realizado no domingo, apesar da “crise devastadora” causada pelas chuvas, segundo Luís Montenegro. Contudo, três municípios gravemente afetados, incluindo Alcácer do Sal, irão adiar a votação por uma semana.
Uma equipe de pesquisadores solucionou um enigma histórico que persistia desde o fim do século XVIII na vila de I Casoni, em Montopoli di Sabina, na Itália. A descoberta de um antigo aqueduto e de uma complexa rede de túneis subterrâneos esclareceu como a propriedade era abastecida com água, confirmando referências feitas por estudiosos ao longo de mais de 200 anos.
A pesquisa foi coordenada pela Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio para a área metropolitana de Roma e a província de Rieti, em parceria com o Grupo Espeleológico-Arqueológico Vespertilio. O uso da tecnologia LiDAR foi decisivo para a criação de um mapa tridimensional do sistema subterrâneo e para a compreensão de sua ligação com estruturas ainda visíveis na superfície.
Confirmação de fontes históricas e avanço científico
Desde 1790, autores como Sperandio, Marocco, Guattani e Nardi mencionavam a possível existência de um aqueduto e da chamada Fonte Varrone, citada também por arqueólogos mais recentes, como Lugli. Até agora, porém, a localização exata e o funcionamento do sistema permaneciam incertos. A nova identificação permitiu reconstruir com precisão o método de abastecimento hídrico utilizado pela vila.
Construída durante o período da República Romana, I Casoni era organizada em dois terraços. O inferior abrigava jardins, um ninfeu e uma piscina circular, enquanto o superior concentrava o núcleo residencial, com criptopórtico, cubículos e o tablinum. Novos levantamentos de campo e técnicas avançadas levaram à localização tanto do aqueduto quanto das nascentes originais.
Segundo Cristiano Ranieri, presidente do Grupo Vespertilio, o sistema consiste em túneis escavados a cerca de 300 metros da vila, aproveitando o conglomerado natural da região. A água das nascentes seguia até uma cisterna que funcionava também como tanque de decantação, onde impurezas se depositavam antes da distribuição para banhos, fontes ornamentais e áreas domésticas.
A análise arquitetônica e dos materiais indica que o complexo pode ser anterior à romanização da Sabina, sugerindo ligação com um assentamento sabino mais antigo. Dados obtidos durante a exploração espeleológica reforçam essa hipótese e renovam o interesse pelo desenvolvimento tecnológico desses povos.
“A identificação deste aqueduto constitui uma oportunidade excepcional para entendermos o abastecimento hidráulico de uma das vilas mais importantes da região da Sabina”, afirmou a arqueóloga Nadia Fagiani, da Superintendência, que coordenou o estudo. O projeto contou ainda com especialistas como Giorgio Pintus, Fabrizio Marincola, Riccardo Bertoldi, Vincenzo Ridolfi, Giulia Petroni, Maria Piro, Arianna Armeni e Paola Massardi, cuja atuação foi decisiva para a localização final do sistema.
A cooperação entre instituições de patrimônio, equipes especializadas e a comunidade local foi apontada como fundamental para o avanço da pesquisa, que amplia a compreensão sobre a história, a engenharia e a organização social dos antigos assentamentos da região da Sabina.
As duas fortalezas medievais estão frente a frente, em margens opostas do rio que separa a Estônia da Rússia. Em Narva, uma cidade apreensiva diante de seu poderoso vizinho, a “Ponte da Amizade”, outrora símbolo de cooperação, está hoje repleta de cercas de arame farpado e obstáculos antitanque.
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“O nome é um tanto irônico”, comenta à AFP Eerik Purgel, alto funcionário da guarda de fronteira da Estônia. Segundo ele, talvez fosse preciso mudar o nome da ponte, que hoje aparece como uma metáfora das agudas tensões geopolíticas entre a Rússia e a Otan neste canto da Europa Oriental. Ou “talvez não devesse haver ponte nenhuma”, sugere.
Onde antes se formavam longas filas de veículos para cruzar o rio Narva e fazer compras ou visitar familiares na Rússia, agora nenhum carro passa. Apenas algumas pessoas, a pé e arrastando malas, atravessam a ponte. A poucas semanas do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, Narva vive um clima pesado. Alguns temem que essa cidade russófona da Estônia, com pouco mais de 50 mil habitantes, se torne o próximo alvo do presidente russo, Vladimir Putin.
“Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente”, destaca a prefeita Katri Raik, na Prefeitura da cidade. “Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias” e “todos nos perguntamos o que vai acontecer depois”, afirma.
“Período mais difícil”
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Estônia, membro da União Europeia e da Otan, reforçou suas defesas, assim como os outros países bálticos. O Exército da Estônia, ex-república soviética com 1,3 milhão de habitantes, é pequeno. O Ministério da Defesa afirma que, em caso de necessidade, pode mobilizar cerca de 44 mil soldados, além de 2 mil militares de países aliados da Otan estacionados no país.
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As autoridades prometeram reforçar a segurança nacional com medidas legislativas, incluindo a retirada do direito de voto em eleições locais de cidadãos russos e apátridas residentes no país. Além disso, em 2024, o estoniano passou a ser a única língua de ensino nas escolas, uma medida que afetou muitos moradores de Narva.
Essas reformas, combinadas com desemprego, aumento das contas de energia, colapso das relações com a Rússia e temor de um conflito, criaram uma “tempestade perfeita” na cidade.
“Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos”, afirma Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal. “Vemos como estão nos tratando”, diz o veterano da política local. “A isso se soma o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, econômica e social muito difícil”, explica.
Nacionalidade russa
Ao longo de sua história, Narva esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano. A cidade sofreu danos significativos durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se majoritariamente russófona durante o período soviético. Trinta e cinco anos após a independência da Estônia, Narva ainda busca entender sua identidade. Muitos moradores se sentem presos entre dois mundos, diz Vladimir Aret, gerente de hotel e vereador.
“Sou europeu, mas às vezes brincamos dizendo que não sabemos muito bem o que é uma pátria-mãe”, afirma.
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Embora muitos se declarem patriotas, há também quem exalte Vladimir Putin. Alguns residentes falam apenas russo, assistem à televisão russa e lembram com nostalgia da União Soviética. Cerca de metade da população da cidade tem nacionalidade estoniana, um terço possui cidadania russa e cerca de 7 mil são apátridas desde 1991. Segundo o censo de 2021, 95% da população tem o russo como língua materna.
“Loucura russofóbica”
A Rússia critica com frequência o governo estoniano. Em um relatório publicado em dezembro, o Ministério das Relações Exteriores russo denunciou a “crescente loucura russofóbica da Estônia” e políticas “neonazistas”. O grande número de apátridas é apontado como um problema grave. Alguns moradores concordam.
“Nós, russófonos, somos discriminados”, afirma uma mulher de cerca de 50 anos, que pediu anonimato. Mas Olga Kolesnikova, apátrida de 64 anos, discorda. “Não me sinto prejudicada”, diz a padeira aposentada, mãe de quatro filhos. Aleksandr Gruljov, pedreiro de 59 anos, considera renunciar à cidadania russa. “Aqui ninguém oprime ninguém”, garante. Ainda assim, especialistas alertam que algumas reformas carecem de perspectiva.
“Porta de entrada perfeita”
Proibir cidadãos russos de votar em eleições locais seria “uma porta de entrada perfeita para a propaganda russa”, afirma o cientista político Carlo Masala.
“Como no Donbass, a Rússia pode alegar que os direitos de suas minorias no exterior estão ameaçados, o que lhe daria um motivo para protegê-las, inclusive por meios militares, se necessário”, explica.
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Em seu livro “A guerra de depois: Rússia frente ao Ocidente”, Masala imagina um cenário em que tropas russas tomam Narva em 2028 para atacar outros Estados bálticos. Segundo ele, cidades como Kirkenes, na Noruega, ou Daugavpils, na Letônia, também poderiam ser vulneráveis. A invasão da Ucrânia reacendeu o debate sobre a lealdade da minoria russófona.
“Uma das questões fundamentais que os estonianos colocam sobre a minoria russófona é a do patriotismo e da lealdade”, apontava um estudo europeu de 2023.
“Definitivamente patriotas”
Segundo esse estudo, 65% dos russófonos da Estônia se declararam “mais ou definitivamente patriotas da Estônia”, contra 28% que afirmaram o contrário. Jelissei Soloviev, jovem de 18 anos do Kaitseliit, organização de defesa voluntária, não hesita.
“Estamos prontos para defender nosso país, não temos medo”, afirma.
Masala avalia que Narva hoje parece uma “fortaleza”, o que tornaria qualquer ação militar mais difícil. Ainda assim, autoridades fronteiriças descartam que a cidade seja especialmente vulnerável.
“Se você tem um pretexto, também pode invadir Berlim”, comentou Egert Belitsev, chefe do serviço fronteiriço. O agente da guarda de fronteira estoniana Eerik Purgel concorda. “Com as ferramentas certas, é possível explorar qualquer coisa. Não importa se é Narva, Tallin ou os Estados Unidos”, afirma. Mas conclui: “Este é o nosso povo, nós o protegeremos com nossas vidas”.

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