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Após a divulgação dos milhões de arquivos sobre o caso Jeffrey Epstein, contas nas redes sociais favoráveis ao governo russo divulgaram a ideia de que os documentos revelariam que a Ucrânia era um centro mundial de tráfico sexual. Segundo algumas das contas, os arquivos mostram que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria tentado salvar crianças ucranianas de uma rede ligada ao falecido criminoso sexual. Os perfis aproveitaram o real envolvimento de figuras importantes de todo o mundo para propagar acusações contra Kiev, segundo investigações da AFP e um relatório do Instituto para o Diálogo Estratégico (ISD) publicado nesta quinta-feira.
Veja: Epstein construiu laços com autoridades e empresários russos e tentou marcar encontro com Putin, mostram arquivos
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Uma publicação recente no X, que teve mais de 3 milhões de visualizações, afirmou que os arquivos do caso Epstein “confirmam que Putin não havia sequestrado crianças na Ucrânia, mas que as havia retirado para protegê-las de serem vendidas no tráfico sexual infantil”.
As afirmações dispararam nas redes sociais, após a divulgação mais recente dos documentos, com mais de 15 mil publicações no X em dois dias, segundo o ISD, que tem sede em Londres.
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Embora não exista nenhuma prova de que o governo russo esteja ligado a estas publicações, a divulgação dos documentos do caso Epstein “serve aos seus interesses”, estima uma das autoras do relatório do ISD, Liana Sendetska.
— Simplesmente tentam saturar o espaço informativo com tudo isto para ver se pega — disse Olga Tokariuk, outra autora do relatório.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia deportou ou deslocou à força cerca de 20 mil crianças ucranianas, segundo o governo de Kiev. No entanto, Moscou afirma que os transportou para protegê-los dos combates. Em 2023, por exemplo, o Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de prisão contra Putin pela “deportação ilegal” de crianças das zonas ocupadas da Ucrânia para a Rússia.
Laços com empresários russos e encontro com Putin
Os documentos, divulgados pelo Departamento de Justiça no dia 30 de janeiro, indicam que Epstein manteve relações com autoridades e empresários russos e buscou, por anos, organizar um encontro com Putin. O material amplia o alcance internacional dos contatos do financista, morto em 2019, e detalha trocas de mensagens, convites para eventos oficiais e pedidos de intermediação política e pessoal.
Segundo os arquivos, Epstein manteve correspondências diretas com russos de alto escalão e recorreu a intermediários para tentar viabilizar uma reunião com Putin ao longo da década de 2010. Não há, porém, evidência de que esse encontro tenha ocorrido. O nome do presidente russo aparece mais de mil vezes nos documentos, em sua maioria em recortes de imprensa e boletins informativos recebidos por Epstein.
Em e-mails privados, Epstein tentou repetidamente obter uma audiência com Putin, muitas vezes por meio do ex-primeiro-ministro da Noruega Thorbjørn Jagland (1996-1997). Em uma mensagem de 2013 ao ex-premier de Israel Ehud Barak (1999-2001), Epstein afirmou ter sido convidado para o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, evento anual que conta com a presença de Putin, mas disse ter recusado. Sobre o presidente russo, escreveu: “Se ele quiser se encontrar, terá de reservar tempo real e privacidade”.
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Correspondências com Jagland mostram Epstein pedindo que a possibilidade de um encontro fosse mencionada em visitas a Moscou: “Sei que você vai se encontrar com Putin no dia 20. Ele está desesperado para atrair investimento ocidental para o país… eu tenho a solução dele”, escreveu Epstein. E-mails posteriores indicam que não houve avanço. Mais tarde, Epstein reclamou que não recebeu resposta.
O Kremlin, por sua vez, reagiu minimizando o caso.
— As alegações de laços entre Epstein e a inteligência russa não merecem nada além de piadas — disse um porta-voz, acrescentando que o tema não justificava comentários sérios.
O presidente Donald Trump concordou em encerrar as amplas operações federais de imigração em Minnesota, segundo anunciou nesta quinta-feira o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan. A decisão marca um recuo em uma missão que resultou em detenções em massa, protestos e na morte de dois cidadãos americanos.
— Eu propus, e o presidente Trump concordou, que essa operação de reforço seja concluída — afirmou Homan em coletiva de imprensa, realizada simultaneamente a uma audiência no Senado dos EUA sobre fiscalização migratória. De acordo com ele, uma retirada significativa de agentes já começou nesta semana e continuará na próxima.
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A ofensiva, batizada de Operação Metro Surge, foi lançada em dezembro e concentrou-se na região metropolitana de Minneapolis–St. Paul, conhecida como Twin Cities. Segundo autoridades federais, as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) resultaram na prisão de mais de 4 mil pessoas.
A administração Trump classificou os detidos como “imigrantes ilegais criminosos perigosos”. No entanto, entre os que foram levados sob custódia havia pessoas sem antecedentes criminais, incluindo crianças e cidadãos americanos.
A operação também gerou controvérsia após agentes da Patrulha de Fronteira e do ICE atirarem e matarem Alex Pretti e Renee Good. Os episódios foram gravados em vídeo e desencadearam protestos em Minneapolis e em outras cidades do país.
Inicialmente liderada por Greg Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos EUA, a operação passou ao comando de Homan no fim de janeiro, após o segundo ataque a tiros fatal e em meio ao aumento das críticas políticas e questionamentos sobre a condução das ações.
Na semana passada, Homan anunciou que 700 agentes federais deixariam Minnesota imediatamente. Ainda assim, mais de 2 mil permaneceram nas ruas do estado — número superior aos cerca de 150 agentes que seriam considerados o efetivo normal. Segundo ele, um contingente reduzido continuará no local por um período para concluir os trabalhos e transferir o comando de volta ao escritório regional.
— Como resultado dos nossos esforços aqui, Minnesota agora é menos um estado-santuário para criminosos — afirmou Homan. — Vimos uma grande mudança nas últimas semanas, e são todas mudanças positivas.
O governador democrata de Minnesota, Tim Walz, disse esperar que o encerramento da operação ocorresse em “dias, não semanas ou meses”. Ele afirmou estar em modo de “confiar, mas verificar” e classificou a ofensiva como uma “ocupação” e uma “campanha de retaliação” contra o estado.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, informou ter tido uma “reunião positiva” com Homan na segunda-feira e discutido a possibilidade de uma retirada adicional de agentes federais.
A decisão ocorre em meio à queda na taxa de aprovação de Trump na área de imigração. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research mostrou que 62% dos entrevistados consideram que o envio de agentes federais para cidades “foi longe demais”. Segundo o levantamento, 54% avaliam que o presidente Trump foi além ao restringir a imigração legal, e 52% afirmam o mesmo em relação aos esforços para deportar imigrantes que vivem ilegalmente nos EUA.
No Congresso, a ofensiva também desencadeou um embate. Democratas no Senado se opõem a uma medida de financiamento do Departamento de Segurança Interna sem mudanças nas políticas de fiscalização migratória, o que eleva o risco de uma paralisação parcial do governo. Republicanos afirmam que as propostas democratas, como exigir mandados judiciais para que agentes entrem em residências e estabelecimentos comerciais, comprometeriam a atuação federal.
Mesmo em caso de interrupção no financiamento, as atividades de fiscalização migratória não seriam suspensas, e os agentes devem continuar sendo pagos com recursos previstos na lei tributária e de gastos aprovada por Trump.
Em atualização.
Nos últimos anos, as Forças Armadas dos Estados Unidos avançaram rapidamente na construção de um arsenal de armas, mísseis, lasers e bloqueadores capazes de abater drones. No entanto, o progresso tem sido muito menor na definição das regras e procedimentos necessários para o uso seguro dessas tecnologias em um espaço aéreo civil congestionado.
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Essa desconexão causou o fechamento repentino e inesperado do espaço aéreo sobre El Paso na noite da última terça-feira. Há relatos divergentes sobre o que levou a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) a fechar o espaço aéreo. No dia seguinte, o governo de Donald Trump afirmou que uma incursão repentina de drones de cartéis de drogas mexicanos exigiu uma resposta militar. Outros disseram que o fechamento foi motivado pelo uso de uma nova tecnologia militar antidrone e por preocupações com os riscos que ela poderia representar para outras aeronaves na área.
Washington está numa corrida para construir armas antidrone há uma década, desde que combatentes do Estado Islâmico começaram a usá-las para atacar tropas americanas. Ataques surpresa como os que a Ucrânia lançou contra aeródromos russos no ano passado mostraram que mesmo bases americanas distantes de zonas de conflito estão em risco.
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O Departamento de Defesa agora possui sistemas guiados por radar armados com lasers que podem incinerar drones no ar; equipamentos lançados por foguetes que podem sobrevoar e atacar em enxames para derrubá-los; e poderosos dispositivos de micro-ondas que emitem um pulso de energia para fritar seus componentes eletrônicos.
O arsenal, em rápida expansão, colocou as Forças Armadas americanas em uma situação delicada, pois elas sabem que precisam proteger suas bases, mas a maioria das armas antidrone que desenvolveram destina-se apenas a zonas de guerra.
Segundo Stacie Pettyjohn, especialista em drones do Centro para uma Nova Segurança Americana, ainda não há, porém, informações sobre como elas podem ser usadas com segurança no espaço aéreo doméstico, repleto de aeronaves civis.
— Se você disparar um laser contra um drone, ele pode viajar uma longa distância e atingir outra aeronave — disse ela. — Mesmo defesas aparentemente inofensivas, como bloqueadores de rádio, projetados para interferir sinais de navegação GPS ou interromper as comunicações entre um drone e seu controlador, podem ser extremamente perigosas se influenciarem nos controles de um avião comercial.
O Aeroporto Internacional de El Paso fica bem ao lado da Base Aérea do Exército Biggs, em Fort Bliss, no Texas. Para Pettyjohn, é possível que as autoridades civis tenham detectado um dispositivo de interferência ou outra ameaça representada pelas defesas do Exército e, por isso, suspenderam todos os voos.
O aeroporto ficou fechado por menos de oito horas, das 23h30 de terça-feira às 7h de quarta-feira, o que causou o desvio de voos.
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Seja qual for a causa, ainda de acordo com a especialista, o problema representado pelos drones e pelos sistemas criados para neutralizá-los provavelmente só vai piorar. E como se trata de um problema que exige a colaboração de burocracias militares e civis de diversas agências, a solução não será fácil.
— Mas precisamos fazer isso agora, pois, em algum momento, pode haver drones armados cruzando a fronteira em direção a civis ou instalações militares dos EUA. E quando isso acontecer, não haverá tempo para descobrir o que fazer — concluiu.
O Ministério da Defesa da Índia aprovou, nesta quinta-feira, a compra de US$ 39 bilhões (202 bilhões de reais) em equipamentos militares, incluindo caças Rafale franceses, poucos dias antes da visita do presidente francês, Emmanuel Macron, ao país. Uma fonte do Ministério da Defesa disse à AFP que a autorização deu sinal verde para a aquisição de 114 caças Rafale, que serão adicionados às dezenas já em serviço na Força Aérea Indiana (IAF).
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Essas compras “fortalecerão significativamente as capacidades de dissuasão da IAF”, afirmou o Ministério da Defesa indiano em comunicado. A aprovação pelo conselho de aquisições de defesa — composto por altos oficiais militares e pelo ministro da Defesa — é um primeiro passo importante para qualquer compra de equipamentos militares no país.
“A maioria das aeronaves de combate polivalentes a serem adquiridas será fabricada na Índia”, especificou o comunicado.
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FRED TANNEAU / AFP
A Índia tem feito esforços significativos na última década para reduzir sua dependência da Rússia, seu principal fornecedor tradicional de equipamentos militares. Seguindo essa tendência, a Índia aumentou suas importações de equipamentos militares dos Estados Unidos, França e Israel. Macron tem uma visita agendada à Índia em 17 de fevereiro.
Desde 2015, a Índia comprou 26 aviões Rafale por aproximadamente 8,7 bilhões de dólares (45 bilhões de reais na cotação atual) e, em abril, anunciou um novo acordo bilionário para a aquisição de mais 26 aeronaves.
O diretor de um canal regional da televisão estatal do Irã foi demitido após um jornalista da emissora falar frases contra o líder supremo do país, Ali Khamenei . O incidente ocorreu na última quarta-feira, em meio a cobertura das celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica na província de Sistão-Baluchistão (sudeste).
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Musab Rasulizad, jornalista, descrevia ao vivo o fluxo de partidários nas celebrações e repetia os slogans entoados pela multidão, entre eles “Allah Akbar” (Deus é grande). Em seguida, continuou com um “Morte a Khamenei”, em vez “Morte aos Estados Unidos” ou “Morte a Israel”, expressões habituais em concentrações desse tipo. Depois, em vídeo, o apresentador se desculpou e chamou o caso de “lapso” e um “erro”.
A demissão do diretor de programação veio imediatamente após o ocorrido. Em informe, a televisão falou em “um erro ocorrido na rede”.
“O operador de transmissão e o responsável pela emissão foram suspensos, enquanto outros membros da equipe considerados responsáveis foram enviados a uma comissão disciplinar”, informou a rede.
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O poder iraniano enfrenta uma onda de protestos sem precedentes iniciada no fim de dezembro, que reprimiu no início de janeiro, provocando milhares de mortes, segundo ONGs de defesa dos direitos humanos.
Autoridades iranianas reconhecem que mais de 3 mil pessoas morreram nas manifestações, mas afirmam que a maioria são membros das forças de segurança ou transeuntes “assassinados por terroristas” que atuam a mando dos Estados Unidos e de Israel.
O Vaticano ordenou na quinta-feira que representantes de uma comunidade católica tradicionalista parem de ordenar novos bispos por conta própria, sob a ameaça de serem considerados cismáticos. Em 2 de fevereiro, a Fraternidade São Pio X, com sede na Suíça, anunciou sua intenção de prosseguir com as consagrações episcopais em 1º de julho, justificando suas ações ao afirmar que havia solicitado uma audiência com o Papa em agosto e recebido recentemente uma resposta que considerou insatisfatória.
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Nesta quinta-feira, representantes da Fraternidade se reuniram com o Cardeal Victor Manuel Fernandez, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e guardião do dogma católico, e ambas as partes analisaram uma série de documentos, segundo um comunicado divulgado pelo Dicastério após a reunião.
O cardeal argentino lembrou que “a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre”, o Papa Leão XIV, “implicaria uma ruptura decisiva na comunidade eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo”.
“A possibilidade de dar continuidade ao diálogo iniciado hoje pressupõe que a Fraternidade suspenda sua decisão sobre as ordenações episcopais anunciadas”, acrescentou o comunicado.
O Superior da Fraternidade, Padre Davide Pagliarani, indicou que apresentará a proposta ao Conselho e dará sua resposta ao Dicastério, acrescentou o Vaticano. Fundada em 1970 em Écône, na Suíça, pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X defende a Missa Tridentina, celebrada em latim por um sacerdote de costas para a assembleia.
Um rito abandonado após o Concílio Vaticano II (1962-1965), que estabeleceu como norma a celebração de missas na língua vernácula e com o sacerdote voltado para a assembleia.
O Parlamento da Venezuela inicia nesta quinta-feira o debate final para aprovar uma lei de anistia geral sobre os 27 anos do chavismo, medida que pode resultar na libertação em massa de presos políticos. A Secretaria da Assembleia Nacional informou que o único ponto da ordem do dia será a discussão do projeto de Lei de Anistia para a Convivência Democrática.
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A proposta foi impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos EUA. Delcy governa sob pressão de Washington e do presidente americano, Donald Trump, a quem cedeu o controle do petróleo venezuelano.
Poucos dias depois de assumir o cargo, ela anunciou um processo de libertações que concedeu liberdade condicional a mais de 400 presos políticos. Especialistas estimam que a anistia poderá levar à soltura de um número ainda maior de prisioneiros, sem imposição de condições. No entanto, organizações de direitos humanos apontam que ainda não houve divulgação detalhada dos critérios que serão adotados para conceder o benefício, o que alimenta a desconfiança entre a oposição.
A lei de anistia proposta excluiria aqueles que cometeram graves violações de direitos humanos, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, homicídio doloso, tráfico de drogas “com pena mínima aplicável superior a nove anos de prisão” e “crimes contra o patrimônio público”. O texto em discussão tem sido descrito por interlocutores do governo como “ambicioso” e capaz de marcar “um ponto de virada”.
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O debate ocorre no mesmo dia em que o país celebra o Dia da Juventude, data em que tradicionalmente são convocadas manifestações. Estudantes da Universidade Central da Venezuela, a maior do país e crítica do chavismo, convocaram uma concentração no campus. Já o partido do governo anunciou uma “grande marcha” em Caracas.
Na semana passada, os deputados aprovaram o projeto no primeiro dos dois debates previstos. A segunda discussão estava marcada para terça-feira, mas foi suspensa em meio à consulta pública pela qual passam os projetos de lei. Participaram juristas, líderes da oposição e familiares de presos políticos. O procurador-geral Tarek William Saab também compareceu, ao lado de outros membros do Poder Judiciário.
— Merecemos paz, que tudo seja debatido por meio do diálogo — disse ele entrevista à AFP, acrescentando que acredita que a anistia deve levar, consequentemente, a um gesto dos Estados Unidos para libertar o deposto Maduro e sua esposa, presos em Nova York.
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Delcy também determinou o fechamento da prisão do Helicoide, apontada pela oposição e por ativistas de direitos humanos como centro de tortura. O irmão dela, Jorge Rodríguez, que preside o Parlamento, antecipou na semana passada que a aprovação da lei resultará na libertação de todos os presos políticos.
— Sendo aprovada a lei, no mesmo dia saem todos — afirmou Jorge Rodríguez nos arredores de um dos centros de detenção da Polícia Nacional, em Caracas, conhecido como Zona 7.
A tensão, no entanto, aumentou após a nova prisão do dirigente opositor Juan Pablo Guanipa, 61, poucas horas depois de ter sido libertado. O episódio foi interpretado por analistas como um sinal de que, apesar dos discursos de reconciliação, o controle político permanece rígido. Acusado de conspiração, o ex-parlamentar passou quase nove meses detido.
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Nas quase 12 horas em que esteve livre no domingo, visitou familiares de presos políticos, percorreu Caracas em uma caravana, gritou palavras de ordem em frente à temida prisão do Helicoide e exigiu novas eleições. Pouco antes da madrugada, foi novamente detido. Na terça, ele foi levado para sua residência, onde cumprirá prisão domiciliar.
Autoridades o acusaram de violar as condições de sua liberdade condicional ao pedir eleições durante uma visita ao Helicoide, onde participou de uma manifestação com familiares de presos políticos. Guanipa é aliado próximo da ganhadora do Nobel da Paz e líder opositora María Corina Machado.
María Corina esteve na clandestinidade por mais de um ano antes de deixar a Venezuela para viajar a Oslo e receber o prêmio. Ela denunciou a nova prisão do aliado como um sequestro. Em publicação na noite de domingo, a opositora afirmou que Guanipa tinha sido levado por homens fortemente armados, criticando o que disse ser uma ação truculenta.
— Medo todos temos, mas precisamos continuar lutando para que possamos falar e viver em paz — declarou o filho de Guanipa a jornalistas, na porta de sua casa, em Maracaibo.
Em meio a toda onda de repercussão sobre o caso Jeffrey Epstein, um episódio antigo de Os Simpsons voltou a circular com força nas redes sociais. Internautas afirmam que a série teria feito, ainda em 2000, uma referência indireta à ilha privada associada ao financista, reacendendo a fama do desenho de “prever” acontecimentos futuros.
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A série criada por Matt Groening consolidou, ao longo dos anos, uma fama curiosa na cultura pop: a de antecipar acontecimentos do mundo real. Episódios antigos passaram a ser revisitados por fãs sempre que algum evento contemporâneo parece dialogar, ainda que vagamente, com situações retratadas na animação.
Confira:
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O foco da discussão é o episódio The Computer Wore Menace Shoes, da 12ª temporada. Nele, Homer Simpson cria um blog sob o pseudônimo “Mr. X” e passa a espalhar boatos na internet. Como consequência, é sequestrado e levado a uma ilha secreta, descrita como o destino de pessoas que “sabem demais” sobre negócios obscuros. Trechos dessa trama passaram a circular amplamente nas redes, onde usuários traçam paralelos com as ilhas Little Saint James e Great Saint James, associadas a Jeffrey Epstein.
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Comentários em plataformas como o X reforçam a leitura conspiratória. “Os Simpsons previram que Epstein poderia ser a coisa que finalmente quebraria o meu cérebro”, escreveu um usuário. Outro afirmou: “Enquanto novos nomes surgem nos arquivos Epstein, Os Simpsons já tinham avisado em 2000”.
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A repercussão ganhou novos contornos com menções ao próprio criador da série. Matt Groening teve seu nome citado em documentos judiciais relacionados a Epstein em 2019. Na ocasião, Virginia Giuffre afirmou que, aos 16 anos, teria feito uma massagem nos pés de Groening a bordo do jato privado de Epstein, descrevendo-o, segundo registros, como “educado” e sem relatar outras condutas inadequadas. Mais recentemente, um documento do Departamento de Justiça também mencionou Groening em um e-mail sobre a possibilidade de apresentá-lo ao economista Muhammad Yunus para uma eventual participação na série.
Embora não haja qualquer comprovação de intenção premonitória, a circulação do episódio evidencia como conteúdos antigos ganham novos significados na era das redes sociais, especialmente quando se cruzam com temas sensíveis e casos de grande repercussão pública.
Cerca de um ano e meio após a renúncia da primeira-ministra Sheikh Hasina e de sua fuga para a Índia, Bangladesh realiza nesta quinta-feira seu primeiro processo eleitoral desde os protestos liderados pela Geração Z, que mexeram com as bases políticas do país asiático. Mais de 120 milhões pessoas foram habilitadas a votar para escolher os próximos representantes, bem como para participar do referendo que propõe mudanças estruturais na organização do Estado. A contagem manual dos votos começou após o fechamento das urnas, às 16h30 (07h30 em Brasília), com os primeiros resultados parciais previstos para a noite.
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O pequeno país vizinho da Índia, lar de mais de 175 milhões de pessoas, foi palco de uma perturbação social de grandes proporções a partir de julho de 2024, quando protestos estudantis tomaram as ruas, inicialmente contra um sistema de reserva de vagas de emprego para descendentes de combatentes da libertação do país. A frustração pela falta de empregos e pela corrupção endêmica explodiu em indignação depois que Hasina — uma liderança que ficou 15 anos no poder e sufocou a oposição — ordenou uma violenta repressão. Ela foi condenada à morte por crimes contra a Humanidade em 2025, por atos durante a repressão aos protestos.
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Um governo interino foi estabelecido, liderado pelo vencedor do Nobel da Paz Muhammad Yunus, que estabilizou as tensões políticas para o processo eleitoral desta quinta-feira, que correu sem grandes perturbações até o momento — embora o período de campanha tenha registrado ao menos cinco mortes e 600 feridos, segundo registros policiais, e quase 1 milhão de agentes de segurança tenham sido mobilizados para acompanhar a votação.
Mais de 50 partidos lançaram candidatos, mas duas forças despontam como favoritas para chegar à cadeira de primeiro-ministro. De um lado, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), a maior sigla do país, que por vezes boicotou eleições nos anos de governo Hasina, sob a liderança de Tarique Rahman. Do outro, uma coalizão liderada pelo maior partido muçulmano do país, o Jamaat-e-Islami, que conta com o apoio do Partido Nacional Cidadão (NCP) — nova legenda na vida política do país, fundado por líderes dos protestos estudantis de 2024. O líder da coalizão é Shafiqur Rahman, de 67 anos, um ex-preso político. A Liga Awami, partido da ex-líder Hasina, foi impedido de concorrer.
Analistas afirmam que o Jamaat-e-Islami ganhou influência explorando a indignação popular com a demonização dos muçulmanos, particularmente por movimentos de direita hindu na vizinha Índia, e que muitos estudantes envolvidos nos protestos de 2024 ficaram descontentes com a aliança do NCP com a sigla, uma vez que desejam um país mais secular, moderado e inclusivo.
Funcionário eleitoral abre urna enquanto a contagem de votos começa em Daca
Sajjad Hussain/AFP
Prova para os jovens
O processo eleitoral desta quinta-feira é o primeiro resultado concreto da onda dos protestos liderados por integrantes da geração Z — o que pode oferecer um vislumbre para jovens do Nepal, Peru e outros países, que também estiveram a frente de processos disruptivos recentemente. A chance de participar de uma eleição diretamente foi apontada por otimismo por muitos, em um país com média de idade de 25 anos, em que grande parte não teve oportunidade de votar durante os 15 anos de governo Hasina.
— Este foi meu primeiro voto — disse Shithi Goswami, de 21 anos, estudante da Daca City College. — Espero que, depois de tudo o que passamos nos últimos anos, agora seja a hora de algo positivo.
Manifestantes antigovernamentais exibem a bandeira nacional de Bangladesh enquanto invadem o palácio da primeira-ministra Sheikh Hasina em Daca
K M ASAD / AFP
Khalid Muhammad Khan Abir, um estudante de 23 anos que participou dos protestos em 2024 descreveu as eleições desta quinta como um desdobramento positivo.
— Esta é uma grande oportunidade para eu mostrar meu direito, minha capacidade e minha escolha — disse.
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Por outro lado, muitos dos jovens que participaram das manifestações demonstram descrença de que o processo leve a uma transformação real, apontando um esgarçamento da unidade conquistada nos meses de protesto. Muitas das demandas foram diluídas ao longo do processo liderado pelo governo interino, e alguns duvidam que uma mudança de fato vá ocorrer com um processo guiado por políticos tradicionais.
— O sacrifício deles não pode ser em vão — disse Majedur Rahman, de 25 anos, estudante de matemática aplicada na Universidade de Daca. — [Se esta eleição não entregar um sistema justo] teremos que nos levantar novamente.
Referendo e polêmicas
Quando o governo interino assumiu o controle do país, os estudantes apresentaram suas demandas: eleições para entregar um governo mais inclusivo; limitação de mandatos para o primeiro-ministro e um judiciário mais independente; responsabilização para corrupção e pelas execuções extrajudiciais realizadas durante os protestos; e melhores oportunidades econômicas para a população jovem. Em julho, o governo interino de Bangladesh, juntamente com dezenas de partidos políticos, adotou um documento de consenso chamado Carta de Julho, que continha uma visão coletiva para o futuro do país e propostas específicas sobre como alcançá-la — o que foi a votação nesta quinta.
As propostas incluem medidas para garantir maior participação política das mulheres e a criação de uma legislatura bicameral, onde a Câmara Alta teria assentos baseados na porcentagem de votos obtidos na Câmara Baixa — uma estrutura destinada a servir como freio ao controle parlamentar.
Líder do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) e candidato às eleições, Tarique Rahman (C), vota em uma seção eleitoral durante as eleições gerais de Bangladesh
Monzur Morsed Ricky/AFP
Uma das propostas mais importantes aumentaria a participação das mulheres na política. Isso foi especialmente significativo porque as mulheres tiveram grande destaque no movimento de protesto. A Carta de Julho pede que pelo menos 10% dos candidatos indicados para a proposta Câmara Alta sejam mulheres, e estabelece um roteiro para a representação feminina na Câmara Baixa, passando de 5% para 33% ao longo de várias eleições — na votação desta quinta, 300 parlamentares serão eleitos por voto direto, e 50 mulheres escolhidas por meio de listas partidárias.
A participação feminina gerou uma dura repreensão do Jamaat-e-islami, partido parceiro da sigla estudantil. Na semana passada, uma postagem na conta do X do líder do Jamaat comparou o emprego de mulheres à prostituição. Após a postagem viralizar, representantes do partido disseram que a conta de Rahman havia sido hackeada.
Shafiqur Rahman (C), líder do partido Jamaat-e-Islami de Bangladesh, chega para votar em uma seção eleitoral durante as eleições gerais de Bangladesh
Mohd Rasfan/AFP
Taposhi Rabeya, uma ativista estudantil que participou dos protestos, disse estar chocada com os comentários e desanimada com o fato de os partidos políticos terem indicado tão poucas candidatas para a eleição. Ela disse que esperava um novo tipo de política, onde dinheiro, força bruta e intimidação não determinassem os resultados.
— Nossos líderes políticos não foram capazes de deixar essas práticas para trás — disse.
Dos 2.028 candidatos, apenas 81 são mulheres, incluindo independentes. (Com NYT e AFP)
Imagens divulgadas nos chamados “arquivos Epstein” reacenderam a controvérsia envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, ao serem exibidas durante audiência da Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em Washington.
Além de Luciana Gimenez, Izabel Goulart rebate acusações ligadas a Epstein; entenda o caso
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As fotos mostram Andrew agachado ao lado de uma mulher não identificada na mansão de Jeffrey Epstein, em Nova York. O contexto em que os registros foram feitos não é conhecido.
Durante a sessão, o deputado democrata Ted Lieu afirmou que a mulher retratada seria vítima de tráfico sexual, enquadrada na Lei Federal de Proteção às Vítimas do Tráfico de Pessoas. Ele questionou a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, sobre o motivo de Andrew nunca ter sido processado.
— Estas duas fotos são prova de um crime e mais do que suficientes para justificar uma investigação contra o ex-príncipe Andrew — declarou Lieu, de acordo com o jornal inglês Daily Mail.
Pam Bondi confirmou que o rosto da mulher foi ocultado em conformidade com as leis de proteção às vítimas, mas negou que as imagens, por si só, comprovem qualquer crime. O Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais de três milhões de documentos relacionados a Epstein, mas nunca apresentou acusações formais contra Andrew.
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Não há confirmação pública de que Lieu tenha tido acesso a versões não editadas dos arquivos, embora parlamentares americanos tenham recebido material adicional sob confidencialidade.
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