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Um homem residente no norte da Suécia é suspeito de ter facilitado a venda de serviços sexuais prestados por sua esposa a mais de 100 homens, informou nesta segunda-feira o Ministério Público sueco à AFP.
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O sexagenário foi detido no fim de outubro, após denúncia feita pela própria mulher à polícia, e permanece em prisão preventiva desde então, segundo a promotora responsável pelo caso, Ida Annerstedt.
“É suspeito de ter facilitado, ou de ter lucrado financeiramente com a venda de serviços sexuais da demandante”, afirmou a promotora.
A legislação sueca sobre prostituição proíbe apenas a compra de serviços sexuais, e não a venda. O homem foi colocado em prisão preventiva por “proxenetismo”, informou Annerstedt, sem detalhar outras possíveis acusações. A promotora também não esclareceu se a mulher, na faixa dos 50 anos, teria sido obrigada a se prostituir.
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De acordo com as autoridades, os fatos teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e a data da prisão do acusado. A promotoria deve apresentar formalmente as acusações no dia 13 de março.
Cerca de 120 indivíduos foram identificados como compradores dos serviços sexuais da mulher, mas nem todos serão alvo de investigação, segundo a promotora.
O homem nega as acusações. Segundo a emissora pública SVT, ele já foi condenado anteriormente por diversas infrações, incluindo agressões.
Centenas de milhares de alemães participam nesta segunda-feira dos tradicionais desfiles de “Rosenmontag” em várias cidades do país, levando às ruas o humor ácido e a crítica política que marcam o carnaval alemão. Em Düsseldorf, no oeste do país, foliões fantasiados acompanham carros alegóricos com caricaturas de líderes como Vladimir Putin e Donald Trump.
As esculturas gigantes de papel machê são tradição anual e, neste ano, voltam a ter como destaque as criações do mais famoso caricaturista do país, Jacques Tilly. O artista responde a um processo na Rússia por supostamente difundir informações falsas sobre o Exército russo e será julgado à revelia em 26 de fevereiro, em Moscou.
Em entrevista à AFP, em dezembro, Tilly classificou as acusações como “ridículas” e prometeu voltar a atacar o líder russo em suas obras. “A cultura do debate pode ser polêmica, mas isso não é compreendido na Rússia de Putin”, afirmou.
O presidente do Parlamento do estado da Renânia do Norte-Vestfália, André Kuper, manifestou apoio ao artista em comunicado divulgado nesta segunda-feira. “O procedimento penal iniciado na Rússia por difamação devido às suas caricaturas demonstra que apenas as democracias garantem a liberdade e o Estado de direito”, declarou.
Entre as esculturas que desfilaram pelas ruas está a de Putin vestido com uniforme militar, cravando uma espada em um bobo da corte com um chapéu onde se lê “sátira”. Outra obra mostra o presidente russo, também de uniforme, pilotando um drone com as cores da Alternativa para a Alemanha, partido de extrema direita considerado pró-Rússia e que se tornou a principal força de oposição no país.
As críticas, no entanto, não se restringem ao Kremlin. Uma das alegorias retrata Trump lutando boxe contra uma figura de Jesus que veste uma camiseta com a inscrição “Amor e Humanidade”.
Desfile de carnaval em Dusseldorf, na Alemanha, mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, dando um soco em Jesus Cristo
Ina Fassbender / AFP
O chanceler alemão Friedrich Merz também virou alvo de deboche. Em uma das esculturas, ele aparece montado sobre o esqueleto de um dinossauro, símbolo da indústria automobilística alemã em crise, em referência aos seus esforços para rever a proibição da venda de veículos novos não elétricos prevista para 2035 na Europa.
Com humor mordaz e tradição centenária, o “Rosenmontag” reafirma o carnaval alemão como espaço de crítica política aberta — mesmo diante de pressões internacionais.
Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o financista Jeffrey Epstein demonstrava fixação pela filha adolescente de sua ex-namorada, a modelo sueca Eva Dubin, com quem manteve relacionamento nas décadas de 1980 e 1990.
Segundo os arquivos, Epstein teria dito a amigos, em 2014, que a jovem — então com 19 anos — era “a única pessoa com quem queria se casar”. A declaração foi classificada por um porta-voz da família como um “comentário isolado”, e os Dubin afirmam que desconheciam qualquer intenção desse tipo.
A jovem citada nos e-mails é Celina Dubin, hoje com 30 anos e médica residente no hospital Mount Sinai Hospital, em Nova York. Ela se formou com distinção em Harvard em 2017 e posteriormente concluiu o curso de Medicina.

Os documentos indicam que Celina mantinha contato com Epstein desde a adolescência, período em que o chamava de “Uncle F” (“Tio F”) em mensagens. E-mails também mostram que ele se ofereceu para comprar roupas descritas como “sensuais” quando ela tinha 16 anos.
Ainda de acordo com os registros, fotos da jovem teriam sido encontradas entre os pertences de Epstein. A família afirmou que não há justificativa para envolver Celina em uma controvérsia pública relacionada ao financista.

Epstein foi condenado em 2008 por solicitar prostituição de menor. Mesmo após o caso, segundo os arquivos, ele teria sido convidado por Eva Dubin para visitar a família em 2010 e para assistir a eventos esportivos da filha.

A União Europeia fez um apelo nesta segunda-feira para que Israel revogue uma medida recém-aprovada pelo Estado judeu que abriu espaço para o registro de terras do território palestino da Cisjordânia como “propriedade do Estado”. Os europeus denunciaram o caso como uma “nova escalada” dentro do processo de ocupação da região, que viu uma expansão de assentamentos israelenses nos últimos anos — apesar de serem considerados ilegais à luz do direito internacional. Países árabes também denunciam o novo desdobramento como uma violação.
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— Isto constitui uma nova escalada após medidas recentes já destinadas a ampliar o controle israelense [na Cisjordânia ocupada] — disse o porta-voz das Relações Exteriores da UE, Anouar El Anouni. — Reiteramos que a anexação é ilegal segundo o direito internacional. Pedimos a Israel que reverta esta decisão.
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O posicionamento europeu é uma resposta ao processo de registro de terras aprovado pelo Gabinete de Segurança de Israel no domingo — o primeiro desde a ocupação de 1967, segundo a rádio militar israelense. O novo mecanismo será aplicado à chamada Área C da Cisjordânia, que corresponde a cerca de 60% do território e abriga uma população estimada entre 180 mil e 300 mil palestinos, além de uma população de colonos de pelo menos 325,5 mil pessoas, segundo o grupo israelense de Direitos Humanos B’Tselem.
A medida foi criticada por grupos israelenses de defesa dos Direitos Humanos e da coexistência pacífica com os palestinos na região. O Paz Agora, uma das organizações mais tradicionais do campo em Israel, afirmou que o processo oficial estabelecido exige que os palestinos donos de terras comprovem a propriedade de maneiras praticamente impossíveis para a maioria, e que se eles não conseguirem, a terra será automaticamente registrada como propriedade do Estado.
Ainda na noite de domingo, Autoridade Nacional Palestina (ANP), Egito e Catar denunciaram as medidas como uma violação ao direito dos palestinos na Cisjordânia. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da ANP declarou à imprensa que as novas medidas “juridicamente inválidas” e equivalentes ao “início de fato de um processo de anexação”.
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“[Condenamos] veementemente [essa decisão] e [rejeitamos] qualquer tentativa de designar terras da Cisjordânia como ‘território público’ sob o controle da força de ocupação”, indicou o comunicado da organização.
O Cairo também emitiu um posicionamento oficial, afirmando condenar veementemente o anúncio, e afirmando que se tratam de uma “escalada perigosa com o objetivo de consolidar o controle israelense” na Cisjordânia e uma violação de acordos internacionais. Da mesma forma, a diplomacia do Catar denunciou as medidas em comunicado, que equivalem a “uma expansão dos projetos [israelenses] para privar o povo palestino de seus direitos”.
Há uma semana, Israel provocou indignação ao aprovar uma série de medidas que facilitam a compra de terras por colonos israelenses, incluindo a revogação de uma lei que proibia judeus de comprar terras diretamente na Cisjordânia. As medidas também permitem que as autoridades israelenses administrem certos locais religiosos, mesmo quando estes se encontram em áreas sob controle da Autoridade Palestina.
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O Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu a legalidade das medidas aprovadas no domingo em comunicado, afirmando que elas buscam “organizar os procedimentos de registro de propriedade” e “resolver disputas legais”.
A Comissária Europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, viajará a Washington nesta semana para a reunião inaugural do “Conselho da Paz” de Donald Trump. Bruxelas afirmou nesta segunda-feira que não vai aderir ao órgão — acusado de concorrer com a ONU, desafiando a ordem internacional —, mas a emissária irá apresentar a posição do bloco na quinta-feira.
— Ela participará da reunião do Conselho da Paz na parte específica dedicada a Gaza. Quero enfatizar que a Comissão Europeia não se tornará membro do Conselho da Paz — declarou o porta-voz da UE, Guillaume Mercier. (Com AFP)
A Guarda Revolucionária do Irã deu início nesta segunda-feira a uma série de exercícios militares no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o escoamento das produções de gás natural e petróleo dos países do Golfo Pérsico. O treinamento ocorre às vésperas de uma nova rodada de negociações entre o regime teocrático de Teerã e os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear — e após Washington reforçar a pressão militar com o envio de um novo porta-aviões para a região.
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O objetivo do treinamento é preparar o corpo de elite das Forças Armadas iranianas — apontado como o braço mais ideológico entre os militares — para “potenciais ameaças à segurança”, informou a mídia estatal. Os exercícios são supervisionados pelo chefe da Guarda, o general Mohammad Pakpour, com foco no fortalecimento da capacidade de reagir rapidamente. Não está claro quanto tempo irá durar a mobilização.
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Políticos linha-dura iranianos têm ameaçado repetidamente bloquear o estreito, uma via navegável estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Em uma declaração no mês passado, em meio à escalada da pressão militar americana na região, altos oficiais fizeram uma ameaça expressa de bloquear a via — o que não se concretizou até o momento.
A repercussão em Ormuz de um ataque ao Irã foi apontado por analistas americanos como uma das razões que fazem a administração do presidente americano, Donald Trump, manter a cautela. Uma instabilidade regional prejudicaria aliados importantes de Washington, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, importantes produtores de petróleo.
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Trump ainda flerta com uma ação militar na região. Na semana passada, o republicano confirmou o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, para a região — aumentando ainda mais as capacidades ofensivas da frota já posicionada nas imediações do Irã (conheça em detalhes aqui).
Apesar da escalada de tensões, esforços diplomáticos continuam em curso. Os exercícios ocorrem enquanto Teerã e Washington se preparam para uma nova rodada de negociações em Genebra, na terça-feira, com mediação de Omã.
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A primeira rodada, realizada em Mascate, terminou com avaliações positivas das duas partes sobre o engajamento e o formato das discussões, mas sem um avanço real sobre termos. O lado iraniano diz que apenas a questão nuclear será discutida, enquanto aliados americanos — principalmente Israel — esboçaram a Trump a necessidade de incluir limitações ao programa de mísseis da nação persa.
Em momentos passados, autoridades americanas listaram os dois pontos como urgências com relação ao Irã, acrescentando também a rede de alianças no exterior — conhecida como “Eixo da Resistência”, que foi amplamente enfraquecida por Israel nos últimos anos. Não está claro nesta altura das negociações se Washington está disposto a pressionar para que todos os pontos estejam em discussão na mesa de debates ou se aceitariam, ao menos inicialmente, fechar um acordo que limitasse a capacidade de Teerã de produzir armas nucleares. (Com AFP)
A capital da Groenlândia, Nuuk, registrou neste ano o mês de janeiro mais quente da sua história e superou um recorde de mais de um século, informou nesta segunda-feira o Instituto Meteorológico da Dinamarca.
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Enquanto a Europa e a América do Norte sofriam com uma onda de frio em janeiro, Nuuk registrou uma temperatura média mensal de 0,1°C, nada menos que 7,8°C acima da média para o mês de janeiro das últimas três décadas.
Este registro está 1,4 graus acima do recorde anterior de Nuuk, que datava de 1917, há 109 anos. No dia mais quente de janeiro em Nuuk, os termômetros subiram até os 11,3°C.
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Desde o extremo sul da Groenlândia até a costa oeste, numa distância de mais de 2.000 quilômetros, a temperatura em janeiro estabeleceu recordes, indicou o instituto de meteorologia.
Em Ilulissat, na baía de Disko, a média de janeiro foi de -1,6°C, 1,3 graus a mais que o recorde anterior de 1929 e 11 graus mais quente que o normal para janeiro, assinalou o instituto.
Ocasionalmente, o ar mais quente varre a Groenlândia e traz temperaturas mais amenas durante um ou dois dias, mas um recorde de calor tão prolongado numa área tão extensa é “uma clara indicação de que algo está mudando”, disse o pesquisador climático Martin Olesen.
“Sabemos e podemos ver claramente que o aquecimento global está em pleno curso, o que, como era de se esperar, leva a mais recordes no extremo quente da escala de temperaturas e gradualmente a menos recordes no extremo frio”, assinalou.
A região ártica está na linha de frente do aquecimento global: aquece quatro vezes mais rápido que o resto do planeta desde 1979, segundo um estudo de 2022 publicado na revista científica Nature.
Quando Xi Jinping celebrou a chegada do ano novo em Pequim, ele convocou a China a se lembrar do legado de Yan’an — o bastião rural onde Mao Tsé-Tung transformou guerrilheiros revolucionários em uma força disciplinada sob seu comando, que viria a conquistar o país. Pode ter sido um indício do que estava por vir.
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Yan’an também foi onde Mao lançou a primeira grande “retificação” do partido, uma campanha de terror político que eliminou rivais e cimentou sua autoridade absoluta sobre a legenda. Três semanas após o discurso de Xi, a China efetivamente expurgou o principal comandante do Exército, o general Zhang Youxia, que outrora fora visto como um confidente de Xi.
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Assim como Mao, Xi busca uma espécie de renovação espiritual do partido e dos militares que comanda, o que ele chama de constante “autorrevolução”. E, tal como Mao, isso tomou a forma de um expurgo constante de inimigos, aliados e, agora, também daqueles em seu círculo íntimo. É um novo nível de recrudescimento para um homem que já concentrou o poder em si mesmo em um grau não visto desde Mao.
Nos últimos três anos, Xi destituiu essencialmente cinco dos seis generais do principal órgão militar da China, a Comissão Militar Central, que controla as Forças Armadas do país. Restam apenas dois membros: o próprio Xi e um vice-presidente que supervisionou os expurgos de Xi.
— É algo bastante surpreendente – disse Yue Gang, coronel reformado do Exército de Libertação Popular.
Ao longo de seus 13 anos no poder, Xi citou frequentemente Yan’an — a principal base revolucionária do Partido Comunista até 1948 — como inspiração para sua própria depuração de quadros, bem como uma forma de sinalizar sua suprema autoridade no partido, na tradição de Mao. Após Xi garantir um terceiro mandato como chefe do partido, rompendo com o precedente, ele visitou a cidade com seus principais assessores.
Cinco de seis membros da Comissão Militar Central a China foram expulsos ou estão sob investigação
Editoria de Arte / O Globo
Ele e Zhang também fizeram a peregrinação a Yan’an em 2024 para uma reunião, carregada de simbolismo, sobre o “trabalho político” nas Forças Armadas chinesas. Xi exortou os oficiais militares de alto escalão — que incluíam outros três generais seniores que ele mais tarde também expurgaria — a se lembrarem de sua missão revolucionária original.
Ao visitar as antigas residências de líderes revolucionários como Mao e Zhou Enlai naquela viagem, ele declarou a importância da “liderança absoluta do partido sobre o Exército”.
— Para Xi Jinping, ele vê esse legado e esse tipo de campanha como um dos maiores tesouros do partido. Ele quer voltar à História e usar esses métodos — disse Joseph Torigian, historiador estudioso do Partido Comunista Chinês na American University, em Washington. — Ele acha que pode fazer isso da maneira certa.
Garantir o controle sobre o Exército de Libertação Popular tem sido o desafio fundamental de todos os líderes desde Mao, que imortalizou sua importância ao declarar que “o poder político nasce do cano de uma espingarda”. Yue argumentou que o predecessor de Xi, Hu Jintao, teve dificuldades para gerir os militares e foi superado por dois vice-presidentes da comissão.
Turistas vestidos com uniformes do Exército Vermelho visitam uma estátua de Mao em Yan’an, na província de Shaanxi, China, em 18 de junho de 2021
Gilles Sabrié/The New York Times
— Já tivemos essa lição antes — disse Yue, argumentando que Zhang pode ter tentado e falhado em enfraquecer o controle de Xi sobre os militares. A queda “suave” de Zhang, segundo ele, mostra como é “impossível abalar a liderança de Xi Jinping”. — A tentativa de minar o poder não teve sucesso. Em vez disso, resultou em um desfecho desastroso.
Desde que Xi chegou ao poder em 2012, ele supervisionou uma intensa campanha para limpar as Forças Armadas, onde a corrupção vinha aumentando desde as reformas de mercado na década de 1980 e conforme os gastos militares disparavam. Ele vê a lealdade absoluta como vital para um de seus principais objetivos: construir uma força do século 21, pronta para o combate e capaz de defender os interesses da China — como sua reivindicação sobre Taiwan.
E, à medida que Pequim compete mais diretamente com os Estados Unidos, garantir a lealdade militar em tempos de crise e possível conflito torna-se ainda mais crucial.
— O partido deve sempre comandar as armas, nunca o contrário — disse o especialista militar chinês Song Zhongping.
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Quando Xi fala sobre o espírito de Yan’an, ele omite detalhes do expurgo de milhares de membros do partido em Yan’an por meio de sessões psicologicamente brutais de autocrítica que levaram alguns ao suicídio. Xi utiliza alguns desses métodos de doutrinação política, incluindo a obrigatoriedade de sessões de estudo de sua doutrina personalizada, o “Pensamento de Xi Jinping”, e o incentivo à denúncia de colegas ou superiores por violação dos editos de Xi, de acordo com Wen-Hsuan Tsai, estudioso de política de elite chinesa no Instituto de Ciência Política da Academia Sinica, em Taiwan.
— Isso transforma todo o partido em um julgamento de denúncias mútuas, de modo que ninguém é confiável: nem seus pais, nem seus superiores, ninguém — disse Tsai. — O regime dele precisa de inimigos e expurgos constantes para manter o medo.
A campanha de retificação de Xi, embora não seja tão sangrenta ou extrema quanto a de Mao, estende-se por todo o aparato do partido, visando tanto a corrupção quanto a percepção de deslealdade. No ano passado, 983 mil funcionários foram punidos por violar as regras do partido, o número mais alto já registrado, de acordo com dados divulgados pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar, o órgão anticorrupção interno do partido.
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A remoção repentina de altos funcionários sem explicação tornou-se uma marca registrada do governo de Xi, inspirando incerteza e medo entre as autoridades chinesas. Analistas dizem que isso é um sinal de sua crescente paranoia ou uma tática para manter tanto inimigos quanto aliados em estado de dúvida.
Em vez de aposentar Zhang discretamente na próxima transição de liderança, em 2027, Xi optou por renegá-lo pública e ruidosamente.
— Este expurgo manifesta uma posição de força — disse Yun Sun, diretora do Programa China no Stimson Center, em Washington. — Xi pode mover o dedo e remover o líder mais poderoso das Forças Armadas chinesas.
O Kremlin qualificou como “infundada” a acusação apresentada por cinco países europeus de que o líder opositor Alexei Navalny, morto em uma prisão na Sibéria em 2024, foi assassinado pelo Estado russo, com uso de uma toxina rara, presente em uma rã nativa da América do Sul. A morte do opositor voltou a receber atenção no fim de semana, após a apresentação das conclusões de uma investigação com base em amostras coletadas no corpo de Navalny.
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— Naturalmente, não aceitamos tais acusações. Não estamos de acordo com elas. As consideramos tendenciosas e infundadas — afirmou o principal porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa.
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Alemanha, França, Holanda, Reino Unido e Suécia emitiram um comunicado conjunto no sábado, em meio à Conferência de Segurança de Munique, acusando a Rússia de ter assassinado Navalny, que estava sob custódia do sistema prisional russo. Os países afirmaram que uma “análise de amostras” detectou a presença da toxina epibatidina, extraída da pele de rãs-flecha. A conclusão dos europeus foi de que “apenas o Estado russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade de utilizar essa toxina letal para atacar Navalny durante seu encarceramento”.
A morte de Navalny completou dois anos nesta segunda-feira. Considerado o maior adversário do presidente Vladimir Putin em determinado momento, o ativista sofreu uma dura perseguição por parte de Moscou nos últimos anos. Antes de ser preso e morrer na Sibéria, o opositor chegou a ser envenenado com Novichok, um agente nervoso desenvolvido na antiga União Soviética — o caso foi confirmado durante o tratamento médico que ele recebeu na Alemanha.
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Em um memorial em Moscou para marcar a data de morte do ativista, a mãe de Navalny, Lyudmila Navalnaya, afirmou que se sentiu “vingada” com as revelações apresentadas pelos países europeus e pediu justiça e responsabilização pelo assassinato do filho.
— Isso confirma o que sabíamos desde o início. Sabíamos que nosso filho não morreu simplesmente na prisão, ele foi assassinado — disse Lyudmila a repórteres do lado de fora do cemitério em que o ativista está enterrado em Moscou. — Acho que vai levar algum tempo, mas vamos descobrir quem fez isso. É claro que queremos que isso aconteça em nosso país e que a justiça prevaleça.
Dezenas de pessoas visitaram seu túmulo na manhã de segunda, incluindo diplomatas estrangeiros. Alguns dos presentes usavam máscaras ou lenços cobrindo o rosto.
Mulher deposita flores no túmulo de Alexei Navalny, morto há dois anos em prisão na Sibéria
Hector Retamal/AFP
Arma química
A toxina epibatidina, presente na pele de rãs-flecha, é usada há séculos por povos amazônicos para auxiliar a caça de alguns animais. Etnias como os povos emberá, da Colômbia, extraiam o veneno para embeber dardos, que posteriormente eram disparados a partir de zarabatanas. O veneno é estudado por pesquisadores ocidentais desde os anos 1970, e foi descoberto que o coquetel de substâncias presentes em sua composição tem um efeito similar ao de opióides. Atualmente ela é sintetizada em laboratório.
Algumas pesquisas apontam que apenas um indivíduo adulto de rã-flecha, cujos indivíduos costumam ter entre 2,5 cm e 5 cm, pode ter veneno suficiente para matar dez humanos adultos.
Ainda no sábado, quando acusaram o Estado russo pela morte de Navalny, os países europeus apresentaram também uma denúncia contra a Rússia na Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), afirmando que a descoberta justifica a preocupação com o fato de “a Rússia não ter destruído todas as suas armas químicas”. (Com AFP)
A apresentadora de TV Savannah Guthrie fez um novo apelo público pela libertação da mãe, Nancy Guthrie, de 84 anos, desaparecida há duas semanas no estado do Arizona. Em vídeo divulgado nas redes, ela se dirigiu a “quem quer que esteja com ela ou saiba onde ela está”, afirmando que “nunca é tarde para fazer a coisa certa”.
Nancy desapareceu na madrugada de 1º de fevereiro, em Tucson. As autoridades acreditam que ela tenha sido sequestrada.
O FBI informou que recuperou uma luva em um campo a cerca de três quilômetros da casa da idosa. Segundo os investigadores, o item parece corresponder ao modelo usado por um suspeito flagrado por uma câmera de campainha na noite do desaparecimento.
A agência recolheu cerca de 16 luvas na região, mas a maioria teria sido descartada por voluntários que participavam das buscas. A luva que contém um perfil genético distinto está agora sob análise. O FBI já obteve resultados preliminares de DNA e aguarda confirmação oficial antes de inserir o perfil de “homem desconhecido” em seu banco de dados.
Imagens divulgadas mostram um homem mascarado, usando luvas e mochila, aproximando-se da porta da residência. Ele tenta cobrir a câmera com a mão e, em seguida, utiliza galhos do jardim para bloquear a visão do equipamento.
Após análise forense do vídeo, o FBI estima que o suspeito tenha entre 1,75m e 1,77m de altura, porte físico mediano, e carregava uma mochila modelo “Ozark Trail Hiker Pack”, com capacidade de 25 litros.
A mãe do opositor russo Alexei Navalny pediu “justiça” nesta segunda-feira, data que marca o segundo aniversário da morte do ativista, após uma investigação conduzida por cinco países europeus concluir que ele foi “envenenado” com uma toxina.
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— Isso confirma o que sabíamos desde o início. Nosso filho não morreu simplesmente na prisão, ele foi assassinado — afirmou à imprensa, próximo ao túmulo de Navalny, em Moscou.
Ela acrescentou que espera que os responsáveis sejam identificados.
— Já disse que aqueles que deram essa ordem são conhecidos no mundo todo. Queremos que os envolvidos sejam identificados e responsabilizados.
Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Países Baixos divulgaram no sábado as conclusões de uma investigação que aponta que Navalny teria sido envenenado com uma “toxina rara” encontrada em rãs-dardo do Equador.
Navalny morreu em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos, enquanto cumpria pena em uma prisão russa. As circunstâncias da morte continuam sendo contestadas e cercadas de controvérsia.
Dezenas de pessoas se reuniram nesta segunda-feira perto de sua sepultura para prestar homenagem ao ativista anticorrupção, considerado o principal opositor do presidente Vladimir Putin.

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