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Novos mapas e gráficos de quando e onde ocorrerá o eclipse lunar total foram divulgados pela Nasa. O fenômeno da “Lua de Sangue” ocorrerá no dia 3 de março. O fenômeno foi batizado dessa forma porque ocorrerá um eclipse lunar total, quando a Terra se coloca entre o Sol e a Lua, projetando sobre o satélite sua sombra mais escura.
O material veiculado pela agência espacial americana lista as fases e horários exatos para cada fuso nos Estados Unidos. África e Europa não verão o eclipse.
No Brasil, assim como em grande parte da América do Sul e da Ásia Central, o eclipse será apenas parcial. Ainda assim, como o Brasil tem proporções continentais, a expectativa é que quase ninguém consiga prestigiá-lo. A sorte, talvez, fique restrita a alguns moradores do oeste da região amazônica. Ainda assim, não será a Lua de Sangue, mas apenas o começo da fase parcial.
Apesar disso, será possível acompanhar o fenômeno ao vivo pelo YouTube.
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A lua cheia será a terceira e última do inverno no hemisfério norte. Por isso, o fenômeno acaba recebendo também outro nome: lua de minhoca, em referência ao degelo do solo e reaparecimento das minhocas no início da primavera.
Apesar da lua nascer no entardecer do dia 2 de março, o fenômeno atingirá seu ápice nas primeiras horas do dia 3 de março. Durante a madrugada, a lua passará completamente pela sombra escura da Terra, o que irá provocar o eclipse lunar total.
O evento irá durar cerca de cinco horas, mas o momento em que a lua ficará vermelha durará cerca de 58 minutos — por volta das 6h04 local, o ápice ficará visível para a maior parte dos estados americanos. Os espectadores poderão acompanhar tudo a olho nu com binóculo ou telescópio, já que o fenômeno é totalmente seguro.
Por que a lua fica vermelha?
A coloração avermelhada surge porque, mesmo bloqueada, parte da luz solar consegue atravessar a atmosfera da Terra. Nesse caminho, as cores azuladas se dispersam, enquanto os tons vermelhos passam e iluminam a Lua com uma aura dramática.
São quantas etapas?
O eclipse se desenrolará em cinco etapas:
Penumbral: quando a lua começa a entrar na sombra da Terra
Parcial: a lua avança pela sombra da terra
Total: a lua está totalmente na sombra da Terra, chamada de “umbra”
Volta para a fase parcial
Fecha com a fase penumbral
Há algo além da lua para ficar atento?
A Nasa informa que, à medida que a sombra da Terra escurece a superfície lunar, também será possível observar com mais facilidade as constelações. No momento do eclipse, a Lua estará na constelação de Leão, sob suas patas traseiras.
Poucos dias após o eclipse, em 8 de março, será possível observar também a junção de Vênus e Saturno. Ou seja, esses planetas ficarão próximos um do outro no céu.
Quando acontece o próximo eclipse?
Outro eclipse, mas desta vez solar, é esperado para o dia 12 de agosto, segundo a Nasa. Ele será visível para o Canadá, Groenlândia, Atlântico Norte e Europa Ocidental. Novamente, o Brasil não estará na faixa de observação.
Diferentemente do eclipse lunar, o eclipse solar ocorre quando a lua passa entre o sol e a terra, bloqueando total ou parcialmente a luz solar em algumas áreas.
A Nasa informa ainda que um outro eclipse lunar é esperado para o dia 27 e 28 de agosto, mas parcial. Depois do dia 3 de março, o próximo eclipse lunar total só ocorrerá em 26 de junho de 2029.
Erupções solares — conhecidas por provocar auroras e afetar satélites e comunicações — podem também influenciar a ocorrência de terremotos. É o que sugere um estudo publicado em 3 de fevereiro no International Journal of Plasma Environmental Science and Technology. A proposta, porém, é considerada controversa e ainda carece de comprovação empírica robusta.
Segundo os autores, quando uma erupção solar atinge a Terra, partículas carregadas reorganizam a ionosfera — camada da alta atmosfera rica em gases ionizados. Essa reorganização poderia alterar o equilíbrio elétrico entre a ionosfera e a crosta terrestre, modificando forças eletrostáticas em regiões frágeis onde se originam falhas tectônicas.
O modelo teórico descreve a crosta terrestre e a ionosfera como os polos de uma espécie de bateria com vazamento. Fissuras profundas na crosta, sob alta tensão e contendo fluidos supercríticos ricos em íons, funcionariam como um “capacitor” capaz de armazenar energia elétrica.
De acordo com a hipótese, partículas vindas do Sol deslocariam elétrons para altitudes mais baixas da ionosfera, formando uma camada de carga negativa. Isso aumentaria a força eletrostática sobre cargas na crosta, provocando pequenas variações de pressão.
Os pesquisadores afirmam que essas forças poderiam ser comparáveis a influências já conhecidas sobre falhas geológicas, como marés e gravidade. Em tese, esse aumento de pressão poderia atuar como gatilho adicional para o deslocamento de uma falha tectônica e desencadear um terremoto.
Como exemplo, o estudo cita o terremoto de 2024 na Península de Noto, no Japão, ocorrido durante um período de intensa atividade solar. Para os autores, a coincidência reforça a plausibilidade do modelo.
A hipótese enfrenta resistência. O United States Geological Survey (USGS) sustenta há décadas que não há evidência consistente de que terremotos acompanhem o ciclo solar de 11 anos.
Além disso, tanto erupções solares quanto terremotos são eventos relativamente frequentes, o que aumenta a probabilidade de coincidências estatísticas sem relação causal.
Victor Novikov, geofísico da Academia Russa de Ciências, afirmou ao Live Science que o modelo apresentado é simplificado. Segundo ele, os autores não consideraram adequadamente a resistência elétrica das diferentes camadas rochosas, fator que poderia dissipar o campo elétrico antes que este alcançasse uma falha tectônica.
— Os resultados das observações não corroboram a ideia proposta — disse Novikov.
Os próprios autores reconhecem que validar empiricamente a interação elétrica entre ionosfera e crosta é um desafio técnico significativo. Medições precisas exigiriam dados mais detalhados e monitoramento simultâneo de fenômenos solares e tectônicos em grande escala.
Em mais um movimento para reforçar sua imagem de capital global do luxo, Dubai anunciou a criação da primeira rua do mundo pavimentada com ouro. A via ficará no tradicional Zoco de Ouro, área histórica que abriga um dos mercados de joias mais antigos do emirado e que deve ser reconfigurada como o novo “Distrito Dourado”.
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A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar o emirado como principal destino mundial para o comércio de ouro e joias, além de fortalecer sua posição como polo global do mercado imobiliário de alto padrão. Nos últimos anos, a cidade se tornou um dos destinos preferidos de grandes fortunas internacionais para investir.
A criação do ‘Distrito Dourado’
Segundo comunicado divulgado no fim de janeiro, o Distrito Dourado nasce com o objetivo de “elevar a posição de Dubai como destino líder mundial de ouro e joias” e reforçar a reputação da cidade como um dos mercados mais confiáveis para o setor.
— Com este lançamento, iniciamos um novo capítulo significativo no cenário do ouro e da joalheria da cidade. Ao unir patrimônio, escala e oportunidade, o Distrito reúne um ecossistema diverso de comerciantes, investidores, varejistas e marcas globais — afirmou Issam Galadari, CEO da Ithra Dubai, empresa responsável pelo projeto.
Ahmed Al Khaja, representante do Departamento de Economia e Turismo de Dubai, acrescentou que o novo distrito “deve desempenhar papel central na atração de visitantes internacionais e no estímulo a investimentos”, além de “reforçar a imagem do emirado como um dos principais destinos globais para viver, visitar e trabalhar”.
Apesar do anúncio, ainda não foram divulgados detalhes sobre a execução da obra nem o prazo para conclusão.
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Por que Dubai atrai investidores
A escolha de Dubai como destino estratégico para investimentos não é casual. A cidade ocupa posição geográfica privilegiada entre Europa, Ásia e África, funcionando como uma base natural para negócios e turismo internacional. O Aeroporto Internacional de Dubai esteve entre os mais movimentados do mundo por uma década e atualmente figura entre os líderes em fluxo total de passageiros.
Além disso, os elevados investimentos em infraestrutura e tecnologia colocaram os Emirados Árabes Unidos entre os países mais bem avaliados em infraestrutura no relatório de competitividade de 2023 do Fórum Econômico Mundial. A combinação entre estabilidade, conectividade global e qualidade de vida sustenta o crescimento econômico e fortalece o apelo junto a investidores estrangeiros.
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Ícones da arquitetura e do luxo
No centro da cidade está o Burj Khalifa, arranha-céu mais alto do mundo, inaugurado em 2010 e considerado símbolo da inovação arquitetônica local. Inspirado na flor Hymenocallis, o edifício ultrapassa 160 andares e reúne residências de alto padrão, escritórios, restaurantes e o hotel Armani.
O emirado também é conhecido por seus empreendimentos hoteleiros de grande porte. Entre eles está o Ciel, arranha-céu de 82 andares cuja inauguração está prevista para 2025. O projeto inclui a piscina mais alta do mundo, localizada no 76º andar, e já recebeu prêmios internacionais de arquitetura, como os concedidos pelo International Property Awards.
Com a nova rua pavimentada em ouro, Dubai reforça sua estratégia de unir turismo, luxo e mercado imobiliário em projetos de forte apelo simbólico, mantendo-se na vanguarda da ostentação urbana global.
Uma das democracias mais antigas da América Latina enfrenta um novo ciclo de instabilidade às vésperas das eleições deste ano. Sob pressão de poderosas organizações criminosas e diante de uma caçada a três chefes de guerra procurados pelo presidente Donald Trump por tráfico de drogas, candidatos na Colômbia têm reduzido drasticamente suas agendas públicas. O cenário levanta temores de que a violência comprometa o processo eleitoral antes de os colombianos irem às urnas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O abraço entre Narendra Modi e Luiz Inácio Lula da Silva ontem selou uma espécie de relançamento das relações entre Índia e Brasil. Para autoridades dos dois países, o momento geopolítico instável e o espaço para crescimento das trocas econômicas levaram os dois países a buscar o que alguns veem como um “novo patamar” na relação bilateral. Para Lula, que trouxe a Nova Délhi uma das maiores comitivas nas viagens internacionais do atual mandato, com 12 ministros, o abraço sinaliza a tentativa de manter a autonomia em meio à crescente competição entre China e Estados Unidos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quando Vladimir Putin lançou a maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, no dia 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo esperava tomar Kiev em dois dias. Um ataque relâmpago para mostrar ao mundo a força de uma Rússia que retornava ao seu lugar entre as grandes potências e que daria força ao discurso neoimperial do Kremlin. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou que seria “aceitável” se o Estado judeu assumisse o controle de uma vasta faixa do Oriente Médio, incluindo territórios que, segundo interpretação bíblica mencionada em entrevista, se estenderiam do Nilo ao Eufrates. As declarações foram feitas ao comentarista conservador Tucker Carlson e provocaram reação imediata de países árabes e de organizações regionais neste sábado.
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Durante a entrevista, Carlson afirmou que, de acordo com o Antigo Testamento, os descendentes de Abraão teriam direito a terras que abrangeriam “basicamente todo o Oriente Médio”, incluindo áreas que hoje fazem parte do Egito, da Síria e do Iraque. Em seguida, perguntou diretamente ao embaixador: “Israel tem direito a essa terra?”.
— Não tenho certeza se iríamos tão longe. Seria uma grande extensão de terra — respondeu ele inicialmente, antes de afirmar, diante da insistência de Carlson na pergunta: — Seria aceitável se tomassem tudo. [Mas] não acho que seja disso que estamos falando aqui hoje.
O entrevistador, então, questionou se o embaixador acreditava que seria “aceitável” o Estado de Israel assumir o controle de toda Jordânia. Huckabee afirmou que o governo israelense não está tentando assumir o controle de países vizinhos, mas que “quer proteger seu povo”. O embaixador acrescentou que, em sua avaliação, a discussão não se trata de expandir fronteiras para além do que o Estado judeu já controla:
— Acho que você está deixando algo passar, porque eles não estão pedindo para voltar e tomar tudo isso, mas estão pedindo ao menos para manter a terra que agora ocupam, onde vivem, que possuem legitimamente, e que é um refúgio seguro para eles — declarou.
‘Violação flagrante’
As falas provocaram reação de Egito e Jordânia, além da Organização da Cooperação Islâmica e da Liga dos Estados Árabes. Em notas separadas, as declarações foram classificadas como extremistas, provocativas e em desacordo com a posição oficial dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores do Egito afirmou que os comentários representam “violação flagrante” do direito internacional e que “Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado nem sobre outras terras árabes”.
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A Liga dos Estados Árabes, por sua vez, disse que “declarações desse tipo — extremistas e desprovidas de qualquer base sólida — servem apenas para inflamar sentimentos e despertar emoções religiosas e nacionais”. O Ministério das Relações Exteriores palestino também criticou Huckabee, afirmando que suas palavras “contradizem fatos religiosos e históricos, o direito internacional e a posição expressa pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rejeita a anexação da Cisjordânia”.
Em novembro de 2024, pouco depois de ser anunciado como indicado para o cargo pelo presidente Trump, Huckabee declarou apoio à anexação da Cisjordânia ocupada. À Rádio do Exército de Israel, afirmou: “Não serei eu a formular a política, executarei a política do presidente. Mas (Trump) já demonstrou, em seu primeiro mandato, que nunca houve um presidente americano mais disposto a garantir o reconhecimento da soberania de Israel”.
Em setembro passado, no entanto, Trump disse que não permitiria a anexação da Cisjordânia por Israel, enfatizando que “isso não vai acontecer”. Sugerir apoio, ainda que nominal, à soberania israelense sobre grande parte do Oriente Médio representa um afastamento sem precedentes da política externa americana e vai além do que parte significativa da extrema direita israelense defende publicamente.
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Desde sua criação, em 1948, Israel não possui fronteiras plenamente reconhecidas. Seus limites com vizinhos árabes foram alterados ao longo de guerras, anexações, cessar-fogos e acordos de paz. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel capturou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia, Gaza e a Península do Sinai do Egito e as Colinas de Golã da Síria. Depois, retirou-se do Sinai como parte de um acordo de paz com o Egito após a guerra de 1973 e deixou Gaza unilateralmente em 2005.
Nos últimos meses, Israel ampliou a construção em assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, legalizou postos avançados e promoveu mudanças administrativas em suas políticas no território. Palestinos defendem há décadas a criação de um Estado independente na Cisjordânia e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital, posição apoiada por grande parte da comunidade internacional.
Sob o cessar-fogo atual em Gaza, Israel retirou tropas para uma zona-tampão, mas ainda controla mais da metade do território, sem que o acordo estabeleça um cronograma para novas retiradas.
Agências de inteligência dos Estados Unidos concluíram que entre 15 mil e 20 mil pessoas, incluindo afiliados do Estado Islâmico (EI), estão agora foragidas na Síria, após um êxodo de um campo que mantinha familiares de jihadistas, disseram autoridades americanas familiarizadas com o assunto ao Wall Street Journal (WSJ).
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Há anos, especialistas em segurança alertam que as esposas de combatentes do EI vinham, na prática, criando a próxima geração de militantes nas amplas instalações de al-Hol. Nas últimas semanas, porém, a estrutura de vigilância do campo ruiu, depois que o governo sírio derrotou as Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos EUA, responsáveis pela guarda do local. O colapso reacendeu o temor de que pessoas potencialmente radicalizadas tenham sido soltas.
Localizado no deserto oriental da Síria e com dimensão comparável à de uma pequena cidade, o campo chegou a abrigar mais de 70 mil pessoas após forças apoiadas pelos EUA destruírem, em 2019, o o que restava do autoproclamado califado do EI no país. Em 2025, mais de 23 mil pessoas permaneciam no local, segundo relatório do Pentágono.
A vasta maioria deixou al-Hol depois que o governo sírio assumiu o controle da área, no mês passado. Diplomatas ocidentais em Damasco estimaram que mais de 20 mil pessoas fugiram em poucos dias, em meio a tumultos e a uma onda de tentativas de fuga. Ao Wall Street Journal, um diplomata disse sob anonimato, que apenas entre 300 e 400 famílias permaneciam no campo no início desta semana.
Avaliação dos EUA
A avaliação dos Estados Unidos atribuiu as fugas à má gestão do governo sírio e à ausência de vigilância rigorosa ao longo do vasto perímetro de segurança. A administração síria, liderada pelo presidente Ahmed al-Sharaa, ex-jihadista, reconheceu que muitos deixaram o campo rumo a outras regiões do país e afirmou que pretende monitorar possíveis extremistas e reintegrá-los à sociedade.
Mulheres e crianças no campo de detenção de al-Hol, no nordeste da Síria, em 5 de fevereiro de 2026; retirada de forças curdas apoiadas pelos EUA deixou o sistema em caos.
Nanna Heitmann/The New York Times
Autoridades do governo, porém, responsabilizaram as Forças Democráticas Sírias pelo caos, alegando que as tropas abandonaram o local na ofensiva de janeiro, deixando-o sem vigilância por horas e dificultando a retomada do controle. A administração informou nesta semana que está transferindo as últimas famílias remanescentes do campo, situado em uma área próxima à fronteira com o Iraque, para outro centro de deslocados no noroeste da Síria.
A dissolução desordenada de al-Hol reacendeu questionamentos dentro do governo americano, no Congresso e entre analistas de segurança sobre a decisão da gestão do presidente Donald Trump de repassar rapidamente aos novos líderes sírios os esforços de contraterrorismo, em meio à retirada das forças dos Estados Unidos do país.
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Embora Sharaa, um ex-líder rebelde que comandou a derrubada do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024, tenha se distanciado de grupos extremistas e combatido o EI por anos, suas forças militares e de segurança incluem islamistas de linha dura. Ignorando as advertências dos EUA, ele seguiu com uma ofensiva relâmpago que levou ao fim de uma zona controlada por curdos que representava um desafio aos seus esforços para consolidar o controle nacional.
O braço de inteligência do Pentágono concluiu que o governo de Sharaa demonstrou disposição para cooperar com os EUA no combate a grupos terroristas, mas ressaltou limitações. Segundo relatório publicado em 19 de fevereiro pelo inspetor-geral do Departamento de Defesa americano, os esforços de Damasco são “limitados pela falta de pessoal treinado e qualificado pelo estado incipiente das instituições de segurança”.
— Eles têm algum tipo de experiência e infraestrutura para isso — disse Alexander McKeever, analista independente baseado em Damasco, ao WSJ. — Mas definitivamente não para 20 mil pessoas, e uma parcela significativa delas sendo não sírias.
‘Praticamente vazio’
Além de familiares de combatentes, o campo também abrigava civis comuns que acabaram detidos no caos que marcou o fim do domínio do Estado Islâmico, segundo uma autoridade de defesa dos EUA e especialistas. Um estudo das Nações Unidas publicado em outubro apontou que até um quarto dos detidos não tinha vínculos com o grupo.
Os suspeitos considerados mais perigosos em al-Hol permaneciam em um anexo separado e em uma rede de prisões espalhadas por todo o país. Após a retomada do nordeste pelo governo, em janeiro, militares americanos transferiram cerca de 5.700 prisioneiros afiliados ao Estado Islâmico de campos de detenção na Síria para o Iraque.
Prisão de Shaddadi vazia após fuga em massa de detentos do Estado Islâmico, em al-Shaddadi, Síria, em 7 de fevereiro de 2026, após retirada de forças curdas apoiadas pelos EUA
Nanna Heitmann/The New York Times
No início do mês, protestos e tumultos dentro do campo deixaram um trabalhador humanitário ferido. Também houve aumento no contrabando e abertura de buracos na cerca que delimitava a área.
O chefe da agência global de refugiados da ONU na Síria, Gonzalo Vargas Llosa, afirmou na sexta-feira que a organização ajudou a coordenar o retorno de 191 iraquianos de al-Hol ao Iraque, enquanto prosseguem os esforços para retirar famílias remanescentes.
“O campo de al-Hol agora estará praticamente vazio”, escreveu ele nas redes sociais.
No último dia de sua viagem à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da parceria estratégica do Brasil com o país asiático, afirmando que ela fortalece o Sul Global e contribui para afastar o espectro de “mais uma guerra fria”.
Ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a fala de Lula ocorre em meio a uma visita de Estado que, na visão da diplomacia brasileira, eleva a relação bilateral a um novo patamar.
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Ainda não está claro como isso se traduzirá em resultados práticos, mas os primeiros passos foram dados com a assinatura de oito atos entre os dois países, em várias áreas. O destaque, segundo deixaram transparecer membros da comitiva brasileira nos últimos dias, são a parceria digital e o memorando de entendimento sobre terras raras e minerais críticos.
Narendra Modi também ressaltou os dois em seu discurso, proferido em hindi com a adição de algumas palavras de cortesia em português.
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Ambos os países têm buscado meios de criar alternativas autossuficientes para o processamento desses minerais, fundamental para a fabricação de produtos tecnológicos e altamente concentrado pela China.
— O acordo firmado sobre minerais críticos e terras raras é um passo importante para a construção de cadeias de suprimentos resilientes — disse Modi.
Diante do momento geopolítico instável vivido pelo mundo, Lula ecoou desde que chegou ao país a ênfase dada por Modi ao fortalecimento do multilateralismo e do Sul Global. O presidente brasileiro foi um dos convidados de honra da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, sediada esta semana na capital indiana, a primeira organizada por um país em desenvolvimento.
Um cenário global turbulento exige que os dois países “aprofundem o diálogo estratégico”, disse Lula, que também lembrou os esforços para ampliar o acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia.
Vários de nossos problemas são similares, nossos conhecimentos científicos e tecnológicos estão próximos e, se nós trabalharmos juntos, a gente vai fortalecer a relação Brasil-Índia, a gente vai fortalecer o Mercosul e a gente vai fortalecer o Sul Global, para que a gente não entre nunca mais numa guerra fria entre duas potências — disse Lula.
O foco nas relações econômicas é um dos eixos da aproximação maior que o presidente buscou nesta visita. O fluxo bilateral de comércio atingiu US$ bilhões no ano passado, quando os dois países estabeleceram a meta de chegar a US$ 20 bilhões até 2030. Para Lula, porém, há motivos para confiar que o ritmo de crescimento irá superar essa cifra.
— Estamos avançando tão rápido que deveríamos revisitar nosso objetivo para chegar a US$ 30 bilhões de intercâmbio — disse o presidente brasileiro. — O encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos. Não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo.
* O repórter viajou a convite da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)
A transformação da casa onde Adolf Hitler nasceu em uma delegacia de polícia gerou controvérsia em sua cidade natal austríaca, onde moradores parecem incomodados com a decisão.
“É uma faca de dois gumes”, disse Sibylle Treiblmaier em frente à casa em Braunau am Inn, perto da fronteira com a Alemanha.
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Embora o projeto possa ajudar a impedir que extremistas de direita se reúnam no local, a assistente de escritório, de 53 anos, afirmou que a casa poderia ter sido “mais bem aproveitada” ou que algo “diferente” poderia ter sido feito com ela.
A alocação de uma delegacia no local faz parte de uma estratégia do governo para “neutralizar” o local, para evitar seu uso como ponto de peregrinação neonazista. Em 2016, aprovou uma lei para assumir o controle do prédio deteriorado, que era de propriedade privada.
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A Áustria, anexada pela Alemanha nazista em 1938, foi duramente criticada por não reconhecer plenamente sua responsabilidade pelo Holocausto, no qual seis milhões de judeus europeus foram assassinados.
No ano passado, duas ruas em Braunau am Inn que homenageavam nazistas foram renomeadas, algo que grupos ativistas exigiam há anos.
Fascismo nunca mais
A casa onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 e morou por um curto período em sua juventude está localizada no centro da cidade, em uma rua estreita repleta de lojas.
Em frente à casa, há uma pedra com a inscrição: “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”.
Nesta semana, uma equipe de operários estava trabalhando nos retoques finais na fachada renovada. Segundo o Ministério do Interior, a delegacia deverá estar em funcionamento “no segundo trimestre de 2026”.
Para Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa as vítimas do Holocausto, “uma delegacia de polícia é problemática porque a polícia (…) é obrigada, em todos os sistemas políticos, a proteger o que o Estado deseja”.
Outra ideia que foi apresentada, de transformar a casa em um local de encontro para debater a promoção da paz, “recebeu muito apoio”, afirmou.
Para Jasmin Stadler, dona de loja no bairro, teria sido interessante colocar o local de nascimento de Hitler em um “contexto histórico”, oferecendo mais informações sobre o imóvel.
A mulher, de 34 anos, natural de Braunau, também criticou o custo da reforma, que foi de € 20 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões de reais).
Mas também há quem apoie o novo destino dado ao prédio. Anos atrás, o Ministério do Interior a alugou e ela abrigou um centro para pessoas com deficiência, até que, com o tempo, foi abandonada.
Wolfgang Leithner, um engenheiro de 57 anos, expressou a esperança de que o projeto “traga um pouco de tranquilidade” para a região e impeça que a casa se torne um local de veneração para extremistas de direita.
“Faz sentido usar o prédio e cedê-lo à polícia e às autoridades públicas”, afirmou. O gabinete do prefeito, conservador, não se manifestou sobre o assunto.
Ferida histórica
O debate sobre como lidar com a história do Holocausto não é novo na Áustria; ele ressurge periodicamente.
Durante o regime nazista, aproximadamente 65 mil judeus austríacos foram assassinados e cerca de 130 mil foram forçados ao exílio.
O Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita e fundado por ex-nazistas, lidera atualmente as pesquisas de opinião no país. Em 2024, pela primeira vez, obteve a maioria dos votos nas eleições legislativas, mas não conseguiu formar governo.

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