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Às vésperas da decisiva reunião marcada para esta quinta-feira em Genebra para discutir os termos de um acordo nuclear com o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu um único elemento novo para explicar a atual escalada de tensões com Teerã. Em seu discurso sobre o Estado da União, diante do Congresso dos EUA, o republicano afirmou que o regime iraniano estaria perto de desenvolver um míssil capaz de atingir o território americano — o que representaria o tipo de ameaça direta que já fundamentou ações militares preventivas em outros momentos da História americana.
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O comentário de Trump ocorreu mais de uma hora e meia após o início do discurso. Após afirmar que não deixaria de confrontar ameaças ao país em qualquer lugar do mundo, o presidente repetiu algumas das críticas costumeiras sobre o Irã, incluindo que o regime dos aiatolás espalhou “terrorismo, morte e ódio” desde a queda do xá, em 1979, condenou a repressão aos atos antigoverno iniciados em dezembro e citou os bombardeios americanos ao programa nuclear iraniano em junho do ano passado. Só então passou para o que considera a ameaça atual.
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— Eles [o Irã] já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que alcançarão em breve os EUA. Após a Operação Martelo da Meia-Noite, eles foram advertidos a não fazerem mais nenhuma tentativa de reconstruir o programa de armas, em particular armas nucleares, mas continuam. Eles estão recomeçando — afirmou.
Embora não tenha se preocupado em apresentar qualquer base para suas alegações, Trump incluiu no cerne da disputa entre os países o programa de mísseis iraniano, que é um pilar central na estratégia de poder e dissuasão projetada pelos aiatolás desde o fim da Guerra Irã x Iraque em 1988.
O desenvolvimento da tecnologia bélica nacional alcançou um nível de sofisticação surpreendente, sobretudo em um país que há décadas atravessa dificuldades econômicas e embargos internacionais. A capacidade exata dos projéteis não é de todo conhecida — centros de estudo dedicados a acompanhar o programa iraniano divergem muitas vezes sobre quais modelos estão em operação ou ainda estão em fase de desenvolvimento, incluindo no alcance efetivo de cada um —, mas, em demonstrações recentes, as forças iranianas se mostraram capazes de atingir alvos com precisão no Oriente Médio, além de aplicar táticas como os “enxames de drones”, que se popularizaram na guerra na Ucrânia.
Evidências recentes e informações de inteligência apontam que a reconstrução do programa de mísseis após os ataques dos EUA no ano passado foi uma prioridade para o governo iraniano, superando inclusive a atenção dada a instalações nucleares. Uma análise realizada pelo New York Times no começo do mês, com base em imagens de satélite, constatou que mais de dez locais do programa atingidos por Israel ou Washington passaram por obras, incluindo locais de produção de mísseis. Um dos locais reconstruídos foi a instalação de testes de mísseis de Shahroud, considerada por estudiosos a maior e mais nova fábrica de produção de mísseis de propelente sólido do Irã.
Arsenal de mísseis do Irã
Arte/O GLOBO
Entre a retórica e o alcance
O regime iraniano reagiu às declarações de Trump na manhã de quarta-feira, afirmando que o líder dos EUA reproduzia “grandes mentiras” sobre o programa nuclear, de mísseis e a repressão do governo aos protestos no país. Não houve comentário específico da autoridade iraniana sobre o míssil com alcance para atingir o território americano — que, para tal, provavelmente se trataria de um míssil balístico intercontinental.
Fontes ocidentais afirmam que o Irã já conta com plataformas de lançamento capazes de transportar uma ogiva nuclear — embora reconheçam que o país ainda não possua uma arma atômica. Entre os diferentes tipos de projétil que teriam alcance para além da região, segundo fontes como o Missile Defense Project, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, e o Iran Watch, um monitor americano das capacidades bélicas iranianas do Wisconsin Project on Nuclear Arms Control, estariam o Sejjil, supostamente capaz de atingir um alvo a 2 mil km de distância, suficiente para ameaçar Israel, Arábia Saudita e mesmo o sul da Europa, e o Soumar, um míssil de cruzeiro de lançamento do solo, desenvolvido a partir do míssil russo Kh-55, com alcance até 3 mil Km.
Mesmo com o poder de fogo estimado pelos relatórios, o caminho para um míssil intercontinental que chegue aos EUA não parece ter sido percorrido. Publicações asiáticas, citando as agências iranianas Fars e Tasnim, noticiaram que o Irã teria realizado seu primeiro teste de um míssil do tipo nos últimos dias. O portal indiano Wion News chegou a mencionar que o projeto objetiva alcançar um modelo com alcance final de 10 mil km — o que chegaria à Costa Leste dos EUA. Não há informações sobre o quão próximo o modelo estaria de ser concluído — ou mesmo o nome do protótipo, embora autoridades da política iraniana tenham sido citadas comentando sobre o pretenso teste.
Alcance do poder de fogo do Irã
Arte/ O GLOBO
Expectativas para Genebra
A menção de Trump ao programa de mísseis iraniano também parece cumprir parte de uma estratégia mais ampla de pressão total de Washington antes do encontro desta quinta. O presidente, que já havia dito na sexta-feira que estava avaliando um possível ataque direto ao Irã caso as negociações não progredissem, autorizou novas sanções por meio do Departamento do Tesouro dos EUA a mais de 30 indivíduos, entidades e embarcações ligadas ao que classificam como “venda ilícita de petróleo iraniano” e a produção de armas no país.
“O Irã explora o sistema financeiro para vender petróleo ilícito, lavar dinheiro, adquirir componentes para seus programas de armas nucleares e convencionais e apoiar seus grupos terroristas”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em um comunicado.
Fontes americanas também declararam a veículos de comunicação nos últimos dias que o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff fariam uma avaliação decisiva sobre o real interesse do Irã em colaborar por meio de negociações com os objetivos americanos. Uma impressão negativa levaria a autorização de um ataque, especularam as fontes.
Teerã tentou reagir com normalidade e contundência às últimas ameaças. Autoridades prometeram uma reação “feroz” em caso de ataque direto dos EUA, ao mesmo tempo em que expressaram otimismo com um possível desfecho para o acordo. Em declarações nesta quinta-feira, o presidente Masoud Pezeshkian disse que há uma “perspectiva favorável” para as negociações — retomando a mensagem do chanceler Abbas Araghchi, que lidera a delegação do país nesta quinta, que apontou para a rodada como uma “oportunidade histórica”. (Com AFP e NYT)
O homem que comandou a Procuradoria-Geral da Venezuela por cerca de uma década e era apontado como um dos principais executores da política de repressão do presidente Nicolás Maduro, capturado e preso em janeiro, Tarek William Saab, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, mas sem se afastar por completo do regime agora alinhado aos Estados Unidos.
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Em mensagem ao Parlamento, Saab disse que deixava o cargo “depois de ter cumprido com retidão e honra este cargo em meio a uma circunstância histórica de excepcional desafio para o presente e o futuro”, sem fazer menção às acusações de abusos contra oposicionistas.
Em um movimento aparentemente orquestrado, Alfredo Ruiz, chefe da Defensoria do Povo, órgão cuja função é a promoção dos direitos humanos, também renunciou, alegando motivos pessoais, e Saab foi indicado como seu sucessor interino. Ele já ocupou o posto entre 2014 e 2017. As movimentações foram chanceladas pela Assembleia Nacional, que ainda aprovou o nome do advogado Larry Devoe como procurador-geral interino. Atual chefe do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Devoe tem um passado de atritos com órgãos internacionais e está desde 2019 na lista de sanções do governo do Canadá.
Durante a sessão em que foram analisadas as movimentações, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, afirmou que, de acordo com a Constituição, será criado um comitê para avaliar a sucessão nos órgãos, que serão comandados interinamente por Saab e Devoe.
— É uma afronta que (…) a pessoa responsável pela perseguição e pela judicialização esteja agora a dirigir-se à Defensoria — disse o parlamentar da oposição Henrique Capriles no final da sessão.
Já o influente ministro do Interior, Diosdado Cabello, não poupou elogios.
— Ele foi um procurador extraordinário, um defensor extraordinário, e está retornando às suas origens. Não temos dúvidas de que ele se sairá muito bem — disse Cabello em seu programa de televisão.
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De origem libanesa, advogado de formação e poeta, Saab foi indicado à Procuradoria-Geral em 2017, depois que sua antecessora, Luisa Ortega Díaz, foi destituída do cargo após um embate com o chavismo. Embora se declare um paladino dos direitos humanos, sua gestão foi marcada por críticas internas e externas, além de acusações de violações dos direitos humanos, perseguição de opositores e por fazer vista grossa à prática de tortura.
Em 2024, diante da relutância do governo brasileiro em aceitar os resultados da eleição presidencial divulgados pelo chavismo, que apontavam Maduro como vencedor, Saab acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser um “agente da CIA”, assim como o então presidente do Chile, Gabriel Boric. Recentemente, pediu à ONU que investigasse os ataques dos EUA contra barcos supostamente ligados ao narcotráfico no Caribe e Oceano Pacífico.
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Após a captura de Maduro, no começo de janeiro, disse que o líder venezuelano tinha “imunidade diplomática”, exigiu que fosse libertado e que cessassem “todas as violações dos direitos humanos cometidas contra o presidente, sua esposa (Cilia Flores, também presa pelos EUA) e, obviamente, contra o povo venezuelano”.
Em comunicado, Juanita Goebertus, diretora para as Américas da Human Rights Watch, questionou a ida de Saab para a Defensoria.
“Tarek William Saab desempenhou um papel fundamental na perseguição sistemática de críticos e opositores na Venezuela. Sua renúncia ao cargo de procurador-geral é promissora, mas sua nomeação como defensor é uma afronta às vítimas. Uma reforma significativa exige a nomeação de um novo procurador-geral independente, que cesse a perseguição à dissidência e esteja comprometido em garantir a libertação e a anistia de todos os presos políticos”, afirmou Gobertus.
Não está claro se a movimentação está ligada à virada de chave liderada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, desde a captura de Maduro em janeiro. Outrora uma das mais leais figuras do regime, Delcy passou a falar na mesma frequência do líder americano, Donald Trump. Ela avançou em planos para a abertura do mercado de petróleo, para a libertação de presos políticos, através de uma questionada lei da anistia, aprovada na semana passada (e que tinha Saab entre seus defensores), mas ainda sem um cronograma para eleições gerais e livres.
O príncipe Harry e Meghan Markle chegaram nesta quarta-feira à Jordânia, onde se encontraram com refugiados sírios no campo de Zaatari e com crianças palestinas evacuadas da Faixa de Gaza. O filho mais novo do Rei Charles III e sua mulher “encontraram jovens refugiados […] e participaram de atividades com crianças, como futebol, arte e música”, disse a agência da ONU para refugiados, Acnur, em uma publicação no Facebook.
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A Jordânia inaugurou o campo de Zaatari, localizado ao norte de Amã, em 2012, um ano após o início da guerra na vizinha Síria, para acolher pessoas que fugiam do conflito. Hoje, abriga cerca de 45 mil refugiados. A ONU afirma que cerca de 680 mil sírios foram registrados na Jordânia a partir de 2011, embora o reino diga ter acolhido 1,3 milhão.
Cerca de 200 mil sírios retornaram ao seu país após a deposição do ex-presidente Bashar al-Assad no final de 2024. A convite da Organização Mundial da Saúde, Harry e Meghan também visitaram um hospital em Amã, na Jordânia, onde se encontraram com crianças evacuadas de Gaza por motivos médicos, região devastada por mais de dois anos de guerra entre Israel e o Hamas.
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O gabinete do casal afirmou que a visita de dois dias “terá como foco a resposta humanitária na área da saúde, a saúde mental e o apoio às comunidades vulneráveis ​​afetadas por conflitos e deslocamentos”.
Em um comunicado divulgado pela OMS, o Príncipe Harry afirmou: “Continuamos profundamente comprometidos em promover a conscientização, reduzir o estigma e ampliar o acesso ao apoio à saúde mental para todos os afetados por conflitos e crises”.
Meghan e Harry se afastaram de seus deveres reais e se mudaram para a Califórnia em 2020 devido a desentendimentos com a família real e preocupações com o tratamento dado a Meghan pela imprensa britânica, que Harry há muito culpa pela morte de sua mãe, Diana.
O número de mortes de profissionais da imprensa bateu recorde em 2025, de acordo com levantamento do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado nesta quarta-feira. O estudo aponta que das 129 mortes registradas no ano passado, 86 foram atribuídas a Israel. O número de baixas na imprensa foi o maior desde o início dos registros do CPJ, em 1992.
— Jornalistas estão sendo assassinados em números recordes em um momento em que o acesso à informação é mais importante do que nunca — disse Jodie Ginsberg, CEO do CPJ, criado em 1981 para defender a liberdade de imprensa e os jornalistas e liderado por um conselho composto por membros da imprensa e da sociedade civil.
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De acordo com a organização, a maior parte das mortes atribuídas a Israel ocorreu na Faixa de Gaza, 60% do total, onde apesar de um cessar-fogo estar em vigor, confrontos e bombardeios ocorrem com temerária frequência.
“Embora a cobertura de guerras seja inerentemente perigosa, Israel mudou o paradigma ao atacar jornalistas de forma deliberada e ilegal”, afirma o relatório.
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Os militares israelenses são acusados pelas mortes de 70 profissionais da imprensa, e a CPJ lembra que “o assassinato deliberado de jornalistas por qualquer força militar, que tem a obrigação de proteger civis segundo o direito internacional, constitui um crime de guerra”.
“No contexto do crescente conflito mundial, o desrespeito de Israel pela vida dos jornalistas — e pelas leis internacionais destinadas a protegê-los — não tem paralelo. Israel já matou mais jornalistas do que qualquer outro governo desde que o CPJ começou a coletar dados em 1992, tornando a guerra Israel-Gaza (que engloba as mortes em Gaza, bem como os ataques letais no Líbano, Iêmen e Irã) a mais sangrenta já registrada para jornalistas”. diz o relatório.
Com frequência, autoridades militares israelenses acusam profissionais da imprensa de serem militantes do Hamas em Gaza, um argumento que, dentro de sua lógica, justificaria os assassinatos. Foi o caso do correspondente da rede al-Jazeera Anas al-Sharif, apontado como agente do grupo palestino e ameaçado pelo porta-voz militar de Israel Avichay Aderee — em 10 de agosto, ele e outros seis colegas foram mortos em um ataque do lado de fora do Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza.
No mesmo mês, cinco jornalistas morreram em um bombardeio contra o Hospital Nasser, também na Faixa de Gaza, que deixou outros quinze mortos. Uma investigação da agência Reuters, empregadora de um dos profissionais mortos, apontou que o alvo era uma câmera posicionada há meses no local, responsável por transmitir imagens ao vivo.
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As ações não se restringiram a Gaza. Em setembro, 31 jornalistas e produtores morreram em bombardeios israelenses contra jornais estatais no Iêmen, no segundo maior ataque contra profissionais da imprensa já registrado pelo CPJ. Na ocasião, as Forças Armadas israelenses disseram que os alvos eram “militares” e “responsáveis por distribuir e disseminar mensagens de propaganda nos meios de comunicação”.
— Ninguém é responsabilizado por esse número recorde de jornalistas mortos — disse, em declarações ao jornal israelense Haaretz, Carlos Martínez de la Serna, diretor de programas do CPJ. — Não vemos justiça nesses casos em todos os países, e muito poucos casos são transparentes. No geral, a contínua falha dos líderes governamentais em responsabilizar os agressores cria as condições para mais assassinatos, inclusive em países que não estão em guerra, como o México ou as Filipinas.
As Forças Armadas israelenses afirmaram, em comunicado ao Haaretz, que “não têm jornalistas como alvo intencional”, que operam “exclusivamente contra alvos militares, em conformidade com o direito internacional”, e que “qualquer ação tomada contra jornalistas foi estritamente resultado de suas atividades militares, e por nenhum outro motivo”.
“O relatório se baseia em afirmações genéricas, dados de fontes não divulgadas e conclusões predeterminadas, sem levar em conta as complexidades do combate ou os esforços das IDF para mitigar danos a não combatentes”, conclui o texto.
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Em um mundo de conflitos de grande porte, o CPJ aponta que o número de jornalistas mortos por drones deu um salto em 2025: 39 vítimas. Em 2023, foram dois casos. No ano passado, 28 mortes foram atribuídas a drones de Israel, cinco às chamadas Forças de Ação Rápida, envolvidas na guerra civil no Sudão, e quatro à Rússia, em meio à invasão da Ucrânia. Outras duas mortes ainda em investigação estão ligadas a drones da Turquia e dos houthis no Iêmen.
Além da guerra, o crime organizado e autoridades corruptas vêem o jornalismo como um inimigo mortal. No México, as seis mortes de profissionais da imprensa no ano passado seguem sem solução. O caso mais conhecido foi o de Calletano de Jesús Guerrero, editor-executivo de um jornal que denunciava a atuação do crime organizado no estado do México, na região central do país. Ele estava sob proteção policial desde 2014, e foi assassinado em janeiro do ano passado. Casos semelhantes foram registrados nas Filipinas, Índia, Nepal, Bangladesh, Peru, Colômbia, Guatemala e Paquistão.
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Na Arábia Saudita, Turki al-Jasser, um colunista condenado por traição, colaboração com estrangeiros, financiamento ao terrorismo e por ameaçar a segurança nacional foi executado em junho após sete anos preso— as acusações foram questionadas por organizações de defesa dos direitos humanos e consideradas frágeis. Esta foi a primeira morte documentada de um jornalista saudita desde o assassinato e o esquartejamento de Jamal Khashoggi em 2018, no consulado do país em Istambul.
— Ataques à imprensa são um forte indicador de ataques a outras liberdades, e muito mais precisa ser feito para prevenir esses assassinatos e punir os perpetradores. Todos corremos risco quando jornalistas são mortos por reportarem as notícias — apontou Ginsberg.
Um ex-DJ venezuelano foi condenado nesta segunda-feira a quatro anos e oito meses de prisão no Reino Unido por vender dezenas de milhares de peças de motores de avião com documentação falsificada a companhias aéreas globais, em um esquema que levantou alertas de segurança e resultou em prejuízos milionários para o setor.
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Segundo a investigação do Serious Fraud Office (SFO) britânico, José Alejandro Zamora Yrala, de 38 anos, dirigiu a empresa AOG Technics Ltd. de sua casa em Surrey, nos arredores de Londres, entre 2019 e julho de 2023, comercializando mais de 60 mil componentes de motor — como parafusos, anéis e juntas — com certificados de autenticidade forjados.
A maioria dessas peças era destinada a motores CFM56, amplamente usados em aeronaves Airbus A320 e Boeing 737. Os documentos apresentados como garantia de conformidade foram criados em um computador doméstico e frequentemente acompanhados de identidades e e-mails de funcionários fictícios, segundo o SFO.
— A operação de Zamora colocou a segurança pública em risco em escala global, de uma forma que desafia qualquer crença. Tenho orgulho de termos usado nossas habilidades e expertise especializadas para levá-lo à Justiça e desmantelar essa operação criminosa o mais rápido possível — disse, em nota, a Diretora de Operações do SFO, Emma Luxton.
A fraude só veio à tona em 2023, quando um parafuso fornecido à TAP Air Portugal não se encaixou corretamente, levando técnicos a questionar a autenticidade do certificado anexado. A fabricante do motor identificou a falsificação e alertou as autoridades, desencadeando uma série de verificações que levaram autoridades de aviação do Reino Unido, dos Estados Unidos e da União Europeia a emitir alertas de segurança e a imobilizar aeronaves para inspeções.
O esquema gerou um impacto financeiro estimado em mais de £39 milhões (cerca de R$ 290 milhões) em custos para as companhias aéreas, incluindo gastos com inspeções, substituições de peças e tempo em solo de aeronaves. Dentre as afetadas estão Ethiopian Airlines, que comprou mais de 5,6 mil peças com documentação fraudulenta, e American Airlines, que identificou partes falsificadas em vários de seus motores, embora não tenha comprado diretamente da AOG.
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Durante o julgamento, o juiz Simon Picken classificou a operação de Zamora Yrala como uma violação grave do sistema regulatório que garante a segurança aérea — um padrão fundamental para a confiança nos voos comerciais.
Além da pena de prisão, ele foi impedido de atuar como diretor de empresa por oito anos e enfrentará procedimentos para a recuperação de valores relacionados ao crime.
Investigadores destacam que o caso expõe fragilidades no rastreamento e verificação de peças na cadeia global de fornecimento de componentes aeronáuticos — um setor altamente regulamentado e crítico para a segurança de passageiros e tripulantes.
As autoridades da Colômbia realizaram nesta quarta-feira uma operação de busca e apreensão em um depósito da guerrilha ELN em Bogotá destinado à fabricação de explosivos com potencial para gerar “ações terroristas” nas eleições deste ano, informou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez. O Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou nesta semana um cessar-fogo unilateral para as eleições parlamentares e presidenciais, marcadas pela pressão violenta dos grupos armados e pelo assassinato a tiros, em 2025, do senador e aspirante presidencial de direita Miguel Uribe, entre outras agressões contra políticos. As eleições legislativas serão em 8 de março e as presidenciais, em 31 de maio.
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“Esses artefatos poderiam vir a ser destinados a ações terroristas durante a jornada eleitoral”, disse nesta quarta-feira o ministro na rede social X, em uma publicação na qual incluiu fotografias de morteiros e munições apreendidas.
As autoridades prenderam duas pessoas durante a operação no sul de Bogotá, da qual participaram grupos de elite que arrombaram a porta metálica de uma casa onde se encontrava o depósito. A operação foi realizada pelo Exército e pela polícia, em colaboração com a Administração para o Controle de Drogas (DEA) dos Estados Unidos, acrescentou o ministro, que aponta um “plano” do ELN para atentar contra as eleições.
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O depósito tinha capacidade para fabricar cerca de 70 artefatos explosivos improvisados, disse Sánchez. Segundo um relatório da Defensoria do Povo, o órgão estatal que zela pelos direitos humanos na Colômbia, o ELN é uma “fonte de ameaça” contra as eleições, especialmente em zonas rurais com escassa presença do Estado.
Durante o período pré-eleitoral foram registradas 457 ameaças de morte contra líderes sociais e políticos, segundo a Defensoria. Quase um terço do território da Colômbia se encontra sob risco de violência para estas eleições, assegura a Missão de Observação Eleitoral (MOE), uma organização civil colombiana.
“Não permitiremos que os criminosos intimidem a democracia, nem que o medo silencie o voto”, sentenciou Sánchez.
Guarda-costeiros cubanos mataram nesta quarta-feira quatro pessoas que estavam a bordo de uma lancha com registro do estado da Flórida, em águas territoriais da ilha, informou o Ministério do Interior de Cuba (Minint). Segundo o governo, a embarcação não obedeceu à ordem de parada e abriu fogo contra uma patrulha marítima.
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No “confronto”, que ocorre em um contexto de forte pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, “quatro agressores foram abatidos e seis ficaram feridos, sendo evacuados e recebendo atendimento médico”, afirmou o comunicado oficial. O comandante da embarcação das Tropas Guarda-Fronteiras cubanas também ficou ferido, de acordo com a nota.
De acordo com o jornal El País, o ministério informou que “a lancha rápida” procedente dos EUA se aproximou a cerca de uma milha náutica a nordeste do canal El Pino, em Cayo Falcones, no município de Corralillo, província de Villa Clara. As autoridades não divulgaram as identidades, nacionalidades ou as possíveis motivações dos ocupantes da lancha.
Em nota, o governo cubano declarou que “ratifica sua vontade de proteger as águas territoriais”, afirmando que a defesa nacional é um “pilar fundamental” da soberania e da estabilidade regional. O comunicado acrescenta que as investigações seguem em andamento para o “total esclarecimento dos fatos”.
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Histórico de incidentes
Casos semelhantes foram registrados nos últimos anos. Em 2022, uma lancha rápida proveniente dos Estados Unidos teria disparado contra forças guarda-fronteiras perto de Villa Clara, deixando um oficial cubano ferido. Em outro episódio, em Bahía Honda, no oeste da ilha, uma embarcação também procedente dos EUA colidiu com uma patrulheira do Ministério do Interior, resultando no naufrágio da lancha e na morte de parte de seus tripulantes.
Autoridades cubanas relatam ainda a apreensão frequente de lanchas rápidas abandonadas ou capturadas na costa norte do país, em províncias como Ciego de Ávila, Villa Clara e Havana, supostamente usadas para transporte irregular de migrantes. O governo classifica essas ações como “violações territoriais e tráfico humano”.
(Com AFP)
Onze homens sul-africanos que teriam sido aliciados para lutar pelas forças russas na Ucrânia retornaram ao seu país de origem nesta quarta-feira. Eles faziam parte de um grupo de 17 pessoas que solicitaram ajuda de Pretória em novembro, pois estavam presos no epicentro dos combates na região de Donbass, na Ucrânia, depois de terem sido enganados e forçados a se juntar a forças mercenárias.
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Quatro dos homens desembarcaram em Joanesburgo na semana passada, enquanto dois permaneceram na Rússia, onde um deles está hospitalizado, de acordo com o governo sul-africano. Repórteres da AFP viram os homens — incluindo um em cadeira de rodas — saindo do aeroporto de Durban, na província costeira de KwaZulu-Natal, com suas bagagens e escoltados pela polícia até uma área de detenção.
A televisão local noticiou que os familiares que aguardavam no aeroporto desabaram em lágrimas ao verem os homens desembarcarem. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou na terça-feira que as investigações sobre “as circunstâncias que levaram ao recrutamento desses jovens para atividades mercenárias” ainda estão em andamento.
Sul-africanos faziam parte de grupo que solicitou ajuda de Pretória em novembro, pois estavam presos no epicentro dos combates na região de Donbass, na Ucrânia
Rajesh Jantilal/AFP
A guerra desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 atraiu mercenários de ambos os lados, inclusive de vários países africanos. A Ucrânia afirmou nesta quarta-feira que mais de 1.780 cidadãos de 36 países africanos foram identificados entre as fileiras da Rússia e que alguns deles foram capturados.
Segundo relatos da mídia sul-africana, os homens teriam sido enviados à Rússia para treinamento de segurança pelo partido de oposição MK, liderado pelo ex-presidente Jacob Zuma, que governou a África do Sul entre 2009 e 2018. Uma das filhas de Zuma, Duduzile Zuma-Sambudla, renunciou ao parlamento após alegações de que estaria envolvida no recrutamento de homens para se juntarem às forças russas.
O Parlamento israelense aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que busca fortalecer a autoridade dos rabinos ultraortodoxos sobre o Muro das Lamentações e que pode levar à eliminação da área de oração mista. O Muro das Lamentações está localizado na Cidade Velha de Jerusalém, área ocupada por Israel em 1967 e é o último vestígio remanescente do Segundo Templo, destruído pelos romanos, e o local mais sagrado onde o rabinato permite a oração judaica.
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O local possui três áreas de oração: a maior, destinada aos homens; outra, às mulheres; e uma terceira, mista, mas que não possui a aprovação do rabinato israelense, dominado pelos ultraortodoxos. O projeto de lei passou por sua primeira leitura parlamentar nesta quarta-feira, com 56 votos a favor e 47 contra. A iniciativa, apresentada pelo parlamentar de extrema-direita Avi Maoz, busca conceder ao Rabinato Chefe plena autoridade sobre todas as seções do Muro das Lamentações.
De acordo com essa legislação, qualquer atividade contrária às diretrizes do rabinato, incluindo formas não ortodoxas de culto, seria definida como “profanação”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não estava presente na votação. No centro da disputa está a área de oração criada para acomodar o culto misto.
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Diversos movimentos judaicos não ortodoxos — predominantes entre as comunidades judaicas nos Estados Unidos, mas minoria em Israel — praticam o culto nessa área, mas reclamam que o acesso é difícil e o layout é inadequado.
Na tentativa de apaziguar a comunidade judaica americana, o governo anterior de Netanyahu votou em 2016 pela criação da área mista, mas voltou atrás no ano seguinte sob pressão de seus aliados ultraortodoxos. Isso significou que a área de uso misto foi criada, mas não desenvolvida. O projeto de lei apresentado nesta quarta-feira é a mais recente reviravolta no impasse entre o governo de coalizão de Netanyahu, um dos mais direitistas da história de Israel, e a Suprema Corte, cujos poderes o governo tenta restringir.
Na semana passada, a Suprema Corte ordenou ao governo e à prefeitura de Jerusalém que implementassem planos, há muito atrasados, ​​para desenvolver e melhorar a área de uso misto, incluindo a emissão de alvarás de construção que estavam paralisados ​​há quase uma década.
O astronauta que enfrentou um problema de saúde na Estação Espacial Internacional (EEI) em janeiro, o que levou à sua evacuação do laboratório orbital, afirmou estar “muito bem”, em comunicado divulgado na quarta-feira pela agência espacial dos Estados Unidos.
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Mike Fincke, de 58 anos, disse estar “muito bem” e acrescentou que “sigo com a reabilitação padrão pós-voo” na sede da NASA, em Houston, no Texas. Anteriormente, a agência havia se recusado a identificar o astronauta que havia sofrido um “evento médico”, deixando uma aura de curiosidade sobre o que motivou o retorno antecipado. A de Fincke foi a primeira evacuação médica a partir da EEI.
Em razão da situação, a NASA encurtou a missão Crew-11, composta pelos astronautas americanos Fincke e Zena Cardman, pelo japonês Kimiya Yui e pelo cosmonauta russo Oleg Platonov. Fincke explicou que, em 7 de janeiro, passou por uma situação médica — sem dar detalhes — que exigiu “atenção imediata dos meus incríveis companheiros de tripulação”.
— Graças à resposta rápida deles e à orientação dos nossos médicos de voo da NASA, meu estado se estabilizou rapidamente — afirmou.
Ele insistiu que o retorno antecipado não ocorreu por uma emergência, mas para “aproveitar técnicas avançadas de imagem médica que não estão disponíveis na estação espacial”. A tripulação amerissou em frente à costa da Califórnia em 15 de janeiro.

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