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Em retaliação aos ataques dos EUA e Israel realizados no sábado, a Guarda Revolucionária do Irã reivindicou neste domingo a autoria dos ataques a três petroleiros supostamente americanos e britânicos, segundo a agência de notícias semioficial Mehr. Registros marítimos indicam, no entanto, que dois desses navios, o Skylight e o MKD Vyom, não têm ligações com os EUA ou o Reino Unido. O Skylight chegou a ser alvo de sanções dos Estados Unidos em dezembro de 2025 por seus laços com Teerã. A identidade do terceiro petroleiro que teria sido atacado hoje ainda não foi divulgada.
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Vídeos verificados pelo New York Times que circulam nas redes sociais mostram um petroleiro com bandeira de Palau, o Skylight, em chamas enquanto ancorado perto de Omã. É um dos três navios no Golfo Pérsico que iranianos relataram ter atacado hoje. Os vídeos, combinados com imagens de satélite, mostram um incêndio na lateral esquerda da embarcação, próximo à ponte de comando e à casa de máquinas. De acordo com a empresa de dados marítimos Kpler, o navio não transportava derivados de petróleo no momento do ataque.
“Três petroleiros dos EUA e do Reino Unido, que violaram as normas, foram atingidos por mísseis e estão em chamas”, dizia um comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica divulgado pela mídia iraniana.
Petroleiro pega fogo no Golfo Pérsico após alegações de ataque do Irã a três embarcações
A empresa V.Ships Asia, gestora do navio-tanque MKD VYOM, com bandeira das Ilhas Marshall, confirmou que um projétil atingiu a embarcação na costa de Omã e que um membro da tripulação morreu por conta do incidente.
“A embarcação sofreu uma explosão e um incêndio subsequente após ser atingida por um projétil suspeito enquanto navegava na costa de Mascate, Omã, em 1º de março”, anunciou a empresa responsável em um comunicado. “É com grande tristeza que confirmamos o falecimento de um membro da tripulação, que estava na sala de máquinas no momento do incidente”.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) emitiu um alerta informando que dois navios foram atingidos na região, e relataram que um “projétil desconhecido” “explodiu muito próximo” de um terceiro. O UKMTO disse ainda que “vários incidentes de segurança” foram relatados no Golfo Arábico e no Golfo de Omã, e aconselhou navios a “transitarem com cautela”. Um quarto incidente na área também foi relatado ao UKMTO, que disse envolver a evacuação da tripulação, mas a causa não está clara.
Trump: ‘Morte de líder supremo é maior chance de povo iraniano recuperar seu país’
A empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech disse à BBC que incidentes — que correspondem aos detalhes fornecidos pelo UKMTO — foram relatados, envolvendo navios sinalizados com bandeiras de Gibraltar, Palau, Ilhas Marshall e Libéria.
— Por causa das ameaças do Irã, o estreito está efetivamente fechado — disse Homayoun Falakshahi, da Kpler, à BBC. — Os navios tomaram uma medida de precaução para não entrar, pois os riscos são muito altos e seus custos de seguro dispararam.
Para o especialista, os EUA provavelmente tentarão proteger as rotas de navegação a fim de evitar um aumento no preço do petróleo, mas se o estreito permanecer fechado por um longo período, os preços poderiam ficar “muito, muito mais altos”.
USS Abraham Lincoln
Mais cedo, as forças de Teerã também alegaram que atingiram o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln no Golfo Pérsico neste domingo, informação negada pelo Pentágono.
Gráfico com as informações do porta-aviões americano USS Abraham Lincoln
Arte GLOBO
Em mais um capítulo da escalada militar iniciada após os ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos que resultaram na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, as forças iranianas haviam informado que a embarcação americana teria sido atingida por quatro mísseis balísticos. E advertiu que “a terra e o mar se tornarão cada vez mais o cemitério dos agressores”, prometendo ampliar a resposta contra interesses americanos na região.
“Mentira. O Lincoln não foi atingido. Os mísseis lançados nem sequer chegaram perto”, sinalizou o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) em sua conta no X. “O Lincoln continua enviando aeronaves em apoio à campanha implacável do Centcom para defender o povo americano, eliminando as ameaças do regime iraniano”.
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Também neste domingo, o presidente americano Donald Trump afirmou que ataques militares dos Estados Unidos afundaram nove navios da Marinha iraniana e destruíram parcialmente o quartel-general da Marinha do Irã. Segundo ele, a ofensiva faz parte da campanha em curso contra alvos estratégicos do país.
“Acabei de ser informado de que destruímos e afundamos 9 navios da Marinha iraniana, alguns deles relativamente grandes e importantes”, escreveu Trump em sua rede social Truth. “Vamos atrás do resto — eles logo estarão boiando no fundo do mar também! Em um ataque diferente, destruímos grande parte do Quartel-General da Marinha deles. Tirando isso, a Marinha deles está indo muito bem!”
(Com New York Times)
Lideranças europeias adotaram a cautela ao comentar o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã no sábado, evitando discutir a legalidade do conflito e concentrando palavras duras à República Islâmica, que atacou países do Oriente Médio como retaliação. Tom distinto do adotado sobre outra invasão com poucas bases legais ou justificativas militares: a guerra iniciada há quatro anos pela Rússia na Ucrânia.
— Agora não é o momento de dar lições aos nossos parceiros e aliados, apesar de todas as dúvidas, compartilhamos muitos dos seus objetivos, embora não sejamos capazes de os alcançar nós mesmos — disse o chanceler alemão, Friedrich Merz, em entrevista coletiva neste domingo em Berlim.
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Na véspera, o E3, grupo formado por Alemanha, Reino Unido e França voltado à diplomacia com o Irã, declarou ter alertado o regime a encerrar o programa nuclear — acusado de ter finalidades militares —, a restringir o desenvolvimento de mísseis balísticos e a suspender “a terrível violência e repressão contra o seu próprio povo”. Os países disseram que não participaram dos ataques, e reiteraram o “compromisso com a estabilidade regional e com a proteção da vida civil”, ao mesmo tempo em que condenaram as retaliações do Irã.
“Condenamos veementemente os ataques iranianos contra países da região. O Irã deve abster-se de ataques militares indiscriminados. Apelamos ao retorno das negociações e instamos a liderança iraniana a procurar uma solução negociada”, diz o comunicado, emitido dois dias depois de uma rodada de negociações entre EUA e Irã em Genebra, na qual diplomatas relataram avanços importantes.
Israel ataca base da Guarda Revolucionária em Teerã
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), chamou a situação de “alarmante” e disse que está em contato com lideranças da região, o que não inclui representantes do regime em Teerã.
“O regime iraniano já matou milhares de pessoas. Seus programas de mísseis balísticos e nuclear, juntamente com o apoio a grupos terroristas, representam uma séria ameaça à segurança global”, escreveu Kallas na rede social X. “A proteção de civis e o direito internacional humanitário são prioridades.”
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Kallas atacou as retaliações iranianas contra países da região, sem citar o bombardeio contra uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, que deixou 153 mortos, segundo autoridades locais.
Uma das raras críticas ao conflito veio do premier espanhol, Pedro Sánchez.
“Rejeitamos a ação militar unilateral dos Estados Unidos e de Israel, que representa uma escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil. Rejeitamos igualmente as ações do regime iraniano e da Guarda Revolucionária”, escreveu Sánchez no X. ”Exigimos uma desescalada imediata e o pleno respeito ao direito internacional. É hora de retomar o diálogo e alcançar uma solução política duradoura para a região.”
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Até o momento, o governo americano não deu uma justificativa clara sobre o que levou o presidente Donald Trump a declarar guerra contra um país soberano diante da rejeição da maioria dos americanos ao conflito e atuando sem o aval do Congresso ou do Conselho de Segurança da ONU.
O termo “guerra ilegal” circula sem restrições em Washington, e o senador democrata Mark Warner, membro da Comissão de Inteligência da Casa, afirmou que as informações disponíveis sugerem que não havia “nenhuma ameaça iminente” vinda do Irã. Republicanos dizem que Trump agiu dentro da lei ao bombardear o território iraniano, e citam uma lei de 1973 que dá ao presidente o poder de mobilizar as Forças Armadas. Contudo, a oposição aponta que a medida só pode ser invocada em caso de “emergência nacional decorrente de um ataque aos Estados Unidos”. o que não aconteceu.
“O ataque militar de Donald Trump e Benjamin Netanyahu contra o Irã é um ato ilegal de agressão. Não há justificativa legal para ele”, afirmou, em artigo no jornal britânico Guardian, Kenneth Roth, ex-diretor da Human Rights Watch. “Não é diferente da invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin ou da invasão da República Democrática do Congo pelo presidente ruandês Paul Kagame.”
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Tal como Trump, Putin até hoje não deu explicações ou um casus belli aceitável para sua guerra, que completou quatro anos na semana passada. A “desnazificação” do governo de Kiev é um conceito tão vago quanto as alegações de “russofobia” ou os questionamentos sobre o direito de existir do Estado ucraniano. Mas os europeus, que veem Moscou como uma ameaça existencial, não economizam palavras contra os russos.
“[O texto] reitera que a guerra de agressão ilegal, não provocada e injustificada da Rússia contra a Ucrânia constitui uma violação flagrante do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, bem como um ataque sem precedentes à arquitetura de segurança europeia”, diz uma resolução adotada pelo Parlamento Europeu na terça-feira passada.
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Em 2022, durante sua intervenção na sessão de debates da Assembleia Geral da ONU, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a Rússia, “através de um ato de agressão, invasão e anexação, quebrou nossa segurança coletiva ao deliberadamente violar a Carta da ONU e o princípio da soberania dos Estados”.
— Eles (russos) estão errados. Estão cometendo um erro histórico. Aqueles que se calam hoje são, de certa forma, cúmplices da causa de um novo imperialismo que está atropelando a ordem vigente — disse o presidente francês, que no sábado pediu o retorno à diplomacia e exigiu que o regime iraniano aceite “o fim de seus programas nuclear e de mísseis balísticos”.
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A própria Ucrânia, invadida por uma potência nuclear, saiu em defesa da nova guerra de Trump, citando o fornecimento de drones e armas de Teerã para os aliados russos.
— Portanto, é justo dar ao povo iraniano a chance de se livrar do regime terrorista. De se livrar e garantir a segurança de todas as nações que sobreviveram ao terrorismo originário do Irã — afirmou o presidente Volodymyr Zelensky, sem economizar nos elogios aos EUA. — É importante que os Estados Unidos se mantenham firmes. E sempre que há determinação americana, os políticos globais enfraquecem.
Para a Rússia, o ataque americano ao Irã, tal como na Venezuela em janeiro, foi uma demonstração de como os EUA não veem mais o sistema internacional do pós-Segunda Guerra Mundial como escrito em pedra. Vozes ligadas ao Kremlin acreditam que o conflito serve também como um alerta para as futuras negociações sobre a Ucrânia.
“Em resumo, o Irã abandonou seu programa nuclear. Fez concessões unilaterais e, em essência, capitulou na mesa de negociações. E apenas algumas horas depois, o primeiro ataque com mísseis foi lançado contra o país”, escreveu, em artigo no portal da agência Ria Novosti, o cientista político e propagandista Alexander Nosovitch. “Ao longo das negociações, as críticas da Rússia em relação ao futuro da Ucrânia após o conflito discutiram inabaláveis. E se alguém pensou que o próprio princípio das negociações pressupõe flexibilidade e concessões, o Irã declarou na prática como os americanos lidam com aqueles que demonstram fraqueza.”
A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) e a comunidade de inteligência de Israel vinham monitorando há meses os movimentos do alvo mais importante do principal adversário estratégico em comum: o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, a CIA recebeu a informação de que Khamenei teria uma reunião de cúpula com autoridades do regime teocrático em um complexo oficial em Teerã no sábado. A constatação que fez os aliados adaptarem e anteciparem planos que vinham sendo traçados a portas fechadas e lançarem o ataque à capital iraniana em plena luz do dia — uma “surpresa tática” que contribuiu para o sucesso da operação, que matou o líder da República Islâmica e alguns de seus principais assessores, segundo a imprensa oficial do país.
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O ataque conjunto que resultou na morte do aiatolá revelou a estreita colaboração e a capacidade de coordenação entre as forças americanas e israelenses, bem como a adaptabilidade dos militares de ambos os países. Fontes com conhecimento dos bastidores das ações no sábado, ouvidas pela mídia americana sob condição de anonimato, detalharam o passo a passo do ataque final a Khamenei, no mais duro golpe desferido contra o regime dos aiatolás desde a sua fundação.
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Da captação de inteligência à decisão
A CIA recebeu a informação sobre o paradeiro de Khamenei a partir de uma rede construída desde o ano passado, segundo um ex-funcionário da agência ouvido pelo New York Times. De acordo com o ex-funcionário, a fonte de informação utilizada é a mesma que fez o presidente americano, Donald Trump, afirmar que os EUA sabiam onde o aiatolá estava durante os bombardeios de junho de 2025, porém decidiram poupar-lhe a vida naquela ocasião.
Os EUA compartilharam a informação com Israel com um selo de “alta fidedignidade”. A inteligência do Estado judeu, usando suas próprias fontes, confirmou a informação sobre a reunião no sábado, e mais: recebeu confirmação de que a alta cúpula militar estaria presente no mesmo local, incluindo o ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh; o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour; e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, almirante Ali Shamkhani. Todos tiveram as mortes confirmadas por fontes iranianas neste domingo.
Infográfico mostra o alta escalão iraniano e os membros mortos nos ataques
Arte GLOBO
O evento raro fez a liderança política dos dois países tomarem uma decisão definitiva: a hora de um ataque ao Irã há muito discutido havia chegado. Militares de alta patente das Forças Armadas de Israel se reuniram nos últimos meses em Washington para discutir opções para uma ação conjunta, e mais recentemente, desde o envio pelos EUA do maior poderio bélico para o Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com Trump para discutir uma ação decisiva contra os programas de mísseis e nuclear iranianos.
A janela de oportunidade no plano tático encontrou alinhado o momento político — uma vez que, após a última negociação diplomática entre EUA e Irã, o negociador americano, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, afirmaram ao presidente que Teerã não tinha a intenção de abrir mão de suas pretensões nucleares ou de tratar sobre as preocupações relacionadas ao seu programa de mísseis.
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Ataque avassalador
O ataque de sábado mostrou a adaptabilidade e o nível de integração das forças dos EUA e de Israel. O plano inicial para uma ofensiva ao Irã, desenvolvida em conjunto, previa um bombardeio noturno, a fim de minimizar os riscos de identificação. O cronograma apertado alterou o plano, que foi executado da mesma forma.
Jatos de combate armados com munições de longo alcance e de alta precisão decolaram de bases em Israel por volta das 6h (1h em Brasília) do sábado. Duas horas e cinco minutos depois da decolagem, por volta das 9h40 em Teerã (2h40 em Brasília), os mísseis de longo alcance atingiram o complexo administrativo iraniano.
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Ao todo, 30 cargas explosivas foram lançadas sobre o complexo de Khamenei, que segundo os relatos estava em um prédio do complexo, enquanto os altos funcionários de segurança se reuniam em outro edifício. Além do ataque de precisão, uma grande campanha de bombardeio foi lançada sobre a nação persa. Uma fonte consultada pelo jornal americano Wall Street Journal afirmou que Israel focou em autoridades de alto valor e ligadas ao programa de mísseis do Irã, enquanto os EUA miraram neste primeiro momento a infraestrutura de mísseis e alvos militares.
Até a noite, cerca de 200 caças israelenses haviam atingido perto de 500 alvos diferentes, segundo as fontes israelenses, na maior campanha aérea isolada da história do país. Os ataques continuaram no domingo, com o anúncio das Forças Armadas de que “alvos no coração de Teerã” foram atingidos.
Fontes israelenses afirmaram que o ataque durante o dia acabou por se converter em uma “surpresa tática” que contribuiu para o sucesso da operação. Em junho de 2025, a operação americana Martelo da Meia-Noite, contra instalações nucleares do país, e os bombardeios de Israel foram lançados de forma preferencial durante a noite. (Com NYT)
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No segundo dia da guerra lançada pelos EUA e por Israel contra o Irã, o regime iraniano tenta demonstrar que, em meio às bombas, ainda está no controle do país. As autoridades devem anunciar em breve o nome do sucessor do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado, e ampliaram as ações de retaliação contra alvos americanos e israelenses, além de ataques contra as monarquias do Golfo.
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Neste domingo, o aiatolá Alireza Arafi foi selecionado para o Conselho de Liderança Interino, responsável pelo controle da República Islâmica até que um novo líder supremo seja escolhido.
Arafi, membro do Conselho dos Guardiões e da Assembleia dos Especialistas, é um dos pesos-pesados do meio religioso iraniano, mesclando posições conservadoras com a defesa do uso da tecnologia na República Islâmica. Para analistas, a escolha dele para o conselho foi um aceno à Guarda Revolucionária e ao establishment político local, sugerindo que não haverá guinadas a curto ou médio prazo. Além do clérigo, a junta interina é composta pelo presidente, Masoud Pezeshkian, e por Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, chefe do Poder Judiciário.
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Segundo fontes ouvidas pela rede Iran International, a Guarda Revolucionária pressiona para que um novo líder supremo seja escolhido o quanto antes, de forma a garantir a continuidade do regime e passar uma imagem de resiliência ao exterior, especialmente aos EUA. Ao anunciar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um de seus objetivos era criar condições para que a população derrubasse o regime dos aiatolás, apostando no desmoronamento das estruturas criadas e aperfeiçoadas ao longo de quase cinco décadas.
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À exceção de atos pontuais e celebrações pela morte de Khamenei, não há sinais de grandes manifestações, distúrbios internos ou deserções nas forças de segurança.
Apesar da pressa, não está claro como a sucessão acontecerá.
De acordo com a Constituição, o líder supremo precisa ser confirmado pela Assembleia dos Especialistas, um órgão formado por 88 membros eleitos pelo voto popular, e que hoje é dominado pela ala conservadora. Contudo, com bombardeios direcionados a lideranças do governo, reunir seus membros presencialmente não parece cabível, afirmaram as fontes ouvidas pela Iran International.
A lista de possíveis candidatos traz os nomes de Arafi e Mohseni-Ejei, que integram o conselho provisório de governo; de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto e que há anos é citado como possível sucessor; de Mohammad Mehdi Mirbagheri, um clérigo radical conhecido por suas visões anti-Ocidente; e por Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica e que tem visões mais moderadas sobre o governo e o regime.
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A sucessão do líder supremo é há décadas um dos temas mais quentes e pouco claros no meio político do Irã. Na única vez em que aconteceu, o processo começou a ser desenhado anos antes com a aprovação inicial do nome do aiatolá Ali Montazeri, em 1985, quatro anos antes da morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Mas as críticas de Montazeri, um progressista, à repressão contra a população o afastaram da linha sucessória. Ele foi preso em 1997 e morreu em 2009.
Com a morte do aiatolá, em junho de 1989, a Assembleia dos Especialistas rejeitou uma proposta de um conselho de liderança, formado por três integrantes, e a candidatura de Mohammad Reza-Golpaygani. Mas com dois terços dos votos, aprovou o nome do então presidente, Ali Khamenei, apesar do clérigo não ter na época as credenciais religiosas necessárias para o posto, algo resolvido com uma mudança na Constituição.
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Enquanto a República Islâmica tenta encontrar um novo líder, os sinais de que essa não será uma guerra rápida ao redor do Oriente Médio. Neste domingo, Israel lançou novos bombardeios contra Teerã, atingindo uma base da Guarda Revolucionária (Sarallah) que abriga unidades responsáveis pela repressão a protestos. O local havia sido atingido pelos israelenses durante o conflito de 12 dias em junho do ano passado, e imagens de satélite confirmaram obras nos arredores dos prédios.
Israel ataca base da Guarda Revolucionária em Teerã
No sul iraniano, uma corveta da Marinha foi atingida pelos EUA e afundou, informou o Pentágono. A embarcação, em operação desde 2010, tinha capacidade de levar até 120 pessoas e levava a bordo mísseis antiaéreos, torpedos e canhões. Em Mehran, perto da fronteira com o Iraque, 43 membros das forças de segurança morreram em um ataque aéreo contra uma base. Segundo a agência Mehr, “este ato hostil foi realizado por agentes dos Estados Unidos e do regime sionista”, como o Irã se refere a Israel na imprensa.
Em entrevista à rede Fox News, Trump disse que 48 lideranças do regime morreram na guerra, uma lista que inclui Khamenei, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o chefe do serviço de inteligência da polícia, Gholamreza Rezaei — neste domingo, surgiram relatos sobre a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas sem confirmação oficial.
— Está avançando. Está avançando rapidamente. Tem sido assim há 47 anos — declarou. —Está avançando rapidamente. Ninguém consegue acreditar no sucesso que estamos tendo, 48 líderes caíram de uma vez. E está avançando rapidamente.
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Ao portal The Atlantic, Trump afirmou que quer conversar com as novas lideranças iranianas, replicando uma estratégia adotada após a captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro.
— Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles. Eles deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter apresentado algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais — acrescentou.
Dois dias antes da guerra, iranianos e americanos se reuniram em Genebra para discutir um novo acordo focado no programa nuclear do Irã, acusado de ter fins militares. Diplomatas afirmaram que houve avanços, citando uma proposta do Irã para não armazenar urânio enriquecido e diluir o material existente para patamares adequados ao uso civil. O chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, que atua como mediador nas conversas, afirmou que Teerã está aberto a “esforços sérios para desescalar” a situação.
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O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, que há décadas aponta o Irã como uma ameaça existencial, disse que seus militares ainda não estavam atacando “com força total”.
— Dei instruções para a continuação da campanha… Nossas forças estão agora atacando o coração de Teerã com grande poder, e isso só irá se intensificar nos próximos dias — declarou o premier em pronunciamento.
Vista do Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos
Filipe Vidon
No domingo, o Irã lançou novos ataques contra Israel, deixando nove mortos em uma cidade próxima de Jerusalém. Bombas também atingiram Tel Aviv, maior cidade do país, demonstrando mais uma vez que os sistemas de defesa israelenses não são impenetráveis. Houve bombardeios contra os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Omã, onde uma pessoa ficou ferida em um ataque com drones contra o porto de Duqm, e embarcações foram atingidas perto do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. Dezenas de navios estão ancorados na área, e países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e associados (Opep+) concordaram em ampliar a produção de petróleo a partir de abril, de forma a amenizar impactos da guerra nos preços do barril.
Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estreito no Ormuz
AFP
Em comunicado, o Comando Central dos EUA confirmou a morte de três militares, as primeiras baixas americanas da guerra, sem detalhar onde e como eles morreram. Bases dos EUA ao redor do Oriente Médio são alvos preferenciais, assim como embarcações de combate. A imprensa iraniana chegou a afirmar que o porta-aviões Abraham Lincoln, que está no Golfo Pérsico, havia sido atingido, informação negada pelo Pentágono.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que concordou em conversar com a nova liderança do Irã, segundo entrevista concedida à revista The Atlantic.
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De acordo com a revista, o presidente norte-americano declarou que o novo governo iraniano manifestou interesse em dialogar com sua administração e que ele aceitou a proposta.
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“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles”, disse ele, segundo a publicação.
O presidente também afirmou que o contato poderia ter ocorrido antes. “Eles deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter dado o que era muito prático e fácil de fazer antes. Eles esperaram demais”, acrescentou.
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Questionado sobre quando a conversa acontecerá, ele não comentou a respeito, segundo a The Atlantic.
O tráfego de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima estreita na fronteira sul do Irã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das artérias marítimas mais vitais do mundo, desacelerou drasticamente no sábado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, segundo especialistas da indústria e dados marítimos analisados pelo New York Times.
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A plataforma de rastreamento de navios MarineTraffic registrou uma queda de 70% no tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz até o final da noite no Irã, de acordo com Dimitris Ampatzidis, analista sênior de riscos e conformidade da Kpler, empresa-mãe da MarineTraffic. A maioria dos navios na área fez inversão de rumo, desviou para rotas alternativas ou começou a ficar inativa no Golfo de Omã, acrescentou ele.
“A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Catar são os mais expostos”, disse Ampatzidis, “pois a maior parte de suas exportações de petróleo bruto e gás natural liquefeito por via marítima passa por Ormuz”.
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Alguns navios, no entanto, continuaram a atravessar a via marítima, segundo dados de rastreamento da MarineTraffic e da Pole Star Global, outra empresa de dados.
“Minha suposição é que eles estão tentando sair enquanto ainda há uma chance melhor”, disse David Tannenbaum, ex-funcionário de conformidade com sanções do Tesouro dos EUA.
O exército iraniano advertiu os navios no sábado para evitar o estreito, afirmando que a passagem por ele era “atualmente insegura”, segundo a Tasnim, uma agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária Islâmica.
Um oficial americano disse que não há evidências de que o Irã esteja tentando impor um bloqueio militar à via marítima.
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Fechar completamente o Estreito de Ormuz seria difícil para o Irã, pois exigiria uma presença militar contínua. Isso reduziria a capacidade do Irã em outras operações, disse Ampatzidis. “Historicamente, vimos mais frequentemente assédio, apreensões e alvos seletivos de navios em vez de um fechamento absoluto e prolongado do tráfego”, acrescentou ele.
O presidente Donald Trump sinalizou que os EUA mirariam a capacidade do Irã de projetar poder no mar. “Vamos aniquilar sua marinha”, disse ele em um vídeo postado no X e na Truth Social logo após o início dos ataques.
Segundo a TankerTrackers.com, empresa que monitora remessas globais de petróleo, 55 petroleiros permanecem em águas iranianas — 18 carregados com petróleo bruto e 37 vazios. A crise no estreito ameaça os suprimentos globais de petróleo e as próprias exportações de petróleo do Irã.
As maiores companhias de navegação do mundo estão evitando o Golfo Pérsico, e a DP World suspendeu as operações em seu principal porto em Dubai em meio à ampliação do conflito entre a aliança EUA-Israel e o Irã, que se espalhou por vários países do Oriente Médio.
A maior empresa de navegação do mundo, a italo-suíça MSC, ordenou neste domingo que todos as suas embarcações no Golfo se colocassem em segurança e suspendeu os carregamentos com destino ao Oriente Médio.
“Como medida de precaução, a MSC instruiu todos os navios que operam atualmente na região do Golfo, e aqueles que se dirigem para essa zona, que vão para zonas de refúgio seguras até novo aviso”, anunciou a companhia em comunicado.
“A MSC suspendeu todas as reservas de carga mundial com destino à região do Oriente Médio até nova ordem”, acrescentou.
A companhia de navegação dinamarquesa Maersk também anunciou que, devido à deterioração da situação resultante do conflito no Irã suspenderá o trânsito de seus navios pelo Estreito de Ormuz “até novo aviso”.
“A segurança de nossas equipes, navios e mercadorias dos clientes é a nossa prioridade número um. Suspendemos todo o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz até novo aviso”, informou a empresa em um comunicado em seu portal na internet.
A alemã Hapag-Lloyd, 5ª maior empresa de navegação do mundo, também suspendeu todas as travessias pelo Estreito de Ormuz.
Já a DP World, empresa líder global em logística e gestão portuária, suspendeu as operações no porto de Jebel Ali, em Dubai, segundo um comunicado enviado a clientes e visto pela Bloomberg no domingo.
Depois dos ataques realizados pelo Irã e Israel contra o Irã, no sábado, a República Islâmica retaliou contra países de toda a região, incluindo interesses dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein. As hostilidades também retardaram o movimento de navios, incluindo aqueles que transportam petróleo e gás, entrando e saindo do Estreito de Ormuz, em meio a avisos para evitar a estreita via navegável.
Jebel Ali, o porto de contêineres mais movimentado do mundo fora da Ásia, registrou um incêndio em um de seus decks de atracação causado pela queda de destroços de uma interceptação aérea, informou anteriormente o Escritório de Mídia de Dubai na rede X. Equipes da Defesa Civil tentavam conter as chamas, segundo a publicação feita no início da manhã de domingo.
As interrupções logísticas representam um duro golpe para a região, onde centros de negócios como Dubai dependem do comércio, do turismo, do transporte e das finanças, além da reputação de porto seguro em uma vizinhança turbulenta.
As duas maiores companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos interromperam voos, e aeroportos foram danificados por destroços de ataques após o início do conflito no fim de semana.
A Força Aérea de Israel afirmou ter atingido o quartel-general das Forças Armadas do Irã em Teerã, segundo vídeo publicado nas redes sociais. De acordo com a emissora americana, as imagens mostram o que Israel alega ser um ataque contra a sede das forças armadas iranianas na capital do país.
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Ao divulgar o vídeo, a Força Aérea israelense incluiu a legenda: “A destruição do quartel-general do regime terrorista iraniano no coração de Teerã.”
Israel ataca base da Guarda Revolucionária em Teerã
*Esta matéria está em atualização
Quando concorreu pela primeira vez à presidência em 2016, Donald J. Trump repudiou o aventurismo militar dos anos recentes, declarando que a mudança de regime é um fracasso comprovado e absoluto. Ele prometeu “parar de correr para derrubar regimes estrangeiros”.
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Irã: Incertezas após a morte de Khamenei
Quando Trump concorreu à presidência em 2024, ele se gabou de não ter iniciado “novas guerras” e afirmou que, se Kamala Harris vencesse, “ela nos levaria à Terceira Guerra Mundial garantida”, enviando os “filhos e filhas” dos americanos “para lutar em uma guerra em um país que você nunca ouviu falar”.
Mal um ano depois, Trump está correndo para derrubar regimes estrangeiros e enviando filhos e filhas americanos para travar outra guerra no Oriente Médio. O autoproclamado “presidente da paz” optou por se tornar o presidente da guerra, afinal, liberando todo o poderio militar dos EUA contra o Irã com o objetivo explícito de derrubar seu governo.
Enigma sem solução
O que o Donald Trump de 2016 pensaria do Donald Trump de 2026 nunca será conhecido. Mas são figuras marcadamente diferentes no que tange à intervenção no exterior. Uma década após impulsionar-se ao mais alto cargo prometendo focar em “América em primeiro lugar”, o Trump tem se mostrado cada vez mais disposto a exercer poder no exterior.
A morte do aiatolá Ali Khamenei não muda as incertezas sobre o futuro do Irã e o equilíbrio das forças políticas no Oriente Médio
KHAMENEI.IR / AFP
O bombardeio ao Irã no sábado foi a oitava vez que ele ordenou ação militar em seu segundo mandato, mesmo após decapitar o governo da Venezuela e ameaçar derrubar o ditador de Cuba.
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No vídeo em rede social postado no meio da noite “anunciando o início dessa nova guerra”, Trump apresentou um catálogo de acusações contra o Irã remontando há quase meio século, incluindo sua busca por armas nucleares e mísseis balísticos, apoio a grupos terroristas que atacaram americanos e aliados, a tomada da Embaixada dos EUA em Teerã em 1979 e o recente massacre de manifestantes iranianos. Mas ele nunca explicou por que essas agressões exigiam ação agora, e não antes, ou por que seu pensamento mudou visivelmente.
Cada vez mais longe
Tampouco reconciliou suas declarações conflitantes sobre o status da ameaça iraniana. Após se juntar a Israel no ataque ao Irã no verão passado, ele disse que havia “obliterado” o programa nuclear do país. Repetiu essa alegação no discurso sobre o Estado da União na semana passada e novamente em seu vídeo da madrugada de sábado. Mas não esclareceu por que era necessário atacar um programa já obliterado.
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No entanto, ele foi mais longe do que nunca ao tornar a mudança de regime o objetivo explícito, convocando os iranianos a derrubar seus líderes. “Quando terminarmos, tomem o controle do seu governo”, disse Trump. “Será de vocês para tomar.” Ele repetiu isso em uma postagem na rede social no sábado, anunciando que o ataque matara o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo — “uma das pessoas mais malignas da História”, nas palavras dele.
Mas como os iranianos deveriam proceder para tomar o controle permaneceu incerto. Trump escreveu que policiais e forças da Guarda Revolucionária deveriam “se fundir pacificamente aos Patriotas Iranianos e trabalhar juntos como uma unidade para trazer o País de volta à Grandeza que merece” — uma noção notável sugerindo que autoridades de segurança iranianas se aliarem de alguma forma às mesmas pessoas que elas alvejavam nas ruas semanas antes.
Mais contradições
“Seu objetivo declarado aqui, mudança de regime, é exatamente o que ele combateu em 2016”, disse Brandan P. Buck, pesquisador em estudos de política externa no Instituto Cato, de orientação liberal. “Anteriormente, o presidente usava ataques aéreos, raids e poder militar encoberto quando acreditava que poderia alcançar fins discretos com boa imagem e baixo custo. Este ataque ao Irã quebrou essa fórmula e constitui um salto para o desconhecido.”
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Os críticos de Trump rapidamente ressuscitaram suas declarações passadas para acusá-lo de abandonar suas próprias promessas, circulando clipes de vídeos de comícios de campanha e citações em redes sociais em que ele atacava Barack Obama, George W. Bush e Kamala Harris como belicistas.
Incoerências em série
Trump, 2012: “Agora que os números de Obama estão em queda livre — preparem-se para ele lançar um ataque na Líbia ou no Irã. Ele está desesperado.”
Trump, 2013: “Lembrem que eu predisse há muito tempo que o presidente Obama atacará o Irã por causa de sua incapacidade de negociar adequadamente — não é habilidoso!”
Trump, 2016: “Vamos parar a política imprudente e custosa de mudança de regime.”
Trump, noite da eleição 2024: “Não vou começar guerras. Vou parar guerras.”
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E havia muitas citações de assessores como Stephen Miller, agora chefe de gabinete adjunto da Casa Branca (“Kamala = III Guerra Mundial. Trump = Paz,” 1 de novembro de 2024), e o secretário de Defesa Pete Hegseth (“O Departamento de Guerra não será distraído por construção de democracia, intervencionismo, guerras indefinidas, mudança de regime,”6 de dezembro de 2025).
Entre os que atacaram Trump no sábado estavam não apenas liberais, mas também proeminentes líderes do movimento Make America Great, que reclamaram que ele havia sido capturado pelos neoconservadores que outrora repudiava, com críticas lideradas pelo podcaster de direita Tucker Carlson e a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, republicana da Geórgia.
“Sempre é uma mentira e sempre é América em último lugar”, escreveu Greene, que renunciou ao cargo no mês passado após romper com Trump, “em rede social”. “Mas parece a pior traição desta vez porque vem do próprio homem e da administração que todos acreditávamos ser diferente e que disse ‘não mais’.”
O deputado Marlin Stutzman, republicano de Indiana, argumentou que o ataque de Trump ao Irã afastaria uma ameaça pior no futuro e pavimentaria o caminho para um novo Oriente Médio mais amigável aos EUA. “Para aqueles que dizem: ‘Bem, o presidente Trump disse que não nos levaria a guerras’, ele está nos mantendo fora de guerras a longo prazo”, disse ele à CNN.
Mudanças entre mandatos
Defensores de ação contra o Irã disseram que Trump ainda não se comprometera totalmente a mudar o governo em Teerã, deixando isso ao povo iraniano. “O discurso de Trump não foi um discurso de mudança de regime — e eu gostaria que tivesse sido”, disse Mark Dubowitz, CEO da Fundação para a Defesa das Democracias, grupo que há muito pressiona por política mais dura contra o Irã.
“A única ‘solução duradoura’, acrescentou ele, não é um ataque militar que atrase o programa de armas nucleares iranianas por meses ou anos, mas o fim do regime. “Mas isso não é exatamente o que Trump priorizou esta noite”, disse Dubowitz, “e precisamos ser honestos sobre o que ele disse, e não disse.”
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A crescente disposição de Trump para empregar força militar sublinha a mudança mais ampla entre seu primeiro e segundo mandatos. Ele está muito mais à vontade para usar os instrumentos de poder do que da última vez, tanto em casa quanto no exterior.
O que ele às vezes ameaçava ou considerava fazer em seu primeiro período na Casa Branca, agora age com mais prontidão, seja enviando forças federais às ruas americanas, processando inimigos percebidos, purgando o governo de desleais ou impondo tarifas a países ao redor do mundo.
A equipe que ele reuniu nos primeiros quatro anos incluía republicanos convencionais ou oficiais militares de carreira que frequentemente refreavam seus impulsos mais radicais. Mas desta vez não há John F. Kelly, Jim Mattis, Mark T. Esper ou Mark A. Milley. Em vez disso, cercou-se de conselheiros mais agressivos e “quebrem-a-china”, impulsionando ações mais ambiciosas, e figuras como Hegseth, o secretário de Estado Marco Rubio e Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, que veem seus cargos como facilitadores dos desejos do presidente em vez de dissuadi-lo deles.
Uma jornada irregular
A jornada de Trump como comandante-em-chefe tem sido irregular. Ele não tinha experiência militar ou em cargo público quando chegou ao Salão Oval em janeiro de 2017. Promoveu uma guerra mais agressiva contra o Estado Islâmico, mas às vezes hesitava em usar força, em certo momento cancelando um ataque retaliatório ao Irã com minutos de antecedência, julgando que as baixas não valeriam a pena.
Ele estava decidido a recuar do mundo, buscando trazer tropas americanas de volta de lugares como Coreia do Sul, Alemanha e Síria. Negociou um acordo de paz com o Talibã para retirar todas as forças americanas do Afeganistão, um acordo executado por seu sucessor, o presidente Joe Biden, em uma operação desastrosa.
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Mas ele também foi encorajado quando um ataque dos EUA em 2020 alvejou e matou o major-general Qassim Suleimani do Irã sem provocar as retaliações devastadoras ou guerra regional prolongada que alguns críticos previram. Da mesma forma, neste segundo mandato, a bem-sucedida operação que capturou o presidente Nicolás Maduro da Venezuela também energizou Trump.
Sua postura pública, no entanto, oscilou muito no último ano. Em um momento, ele se apresenta como um pacificador histórico, formando um suposto Conselho da Paz e reclamando por não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz enquanto se gaba, inexatamente, de ter encerrado oito guerras — incluindo uma com o Irã. No momento seguinte, ameaça tomar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá, estrangular Cuba e até ir atrás do presidente da Colômbia como fez com o da Venezuela.
Charles Kupperman, que foi assessor adjunto de segurança nacional de Trump no primeiro mandato do presidente, disse que não achava que Trump tivesse evoluído em seu pensamento sobre ameaças estrangeiras. Mas, no caso do Irã, disse Kupperman, o presidente se colocou em uma posição ao investir em um esforço diplomático sempre condenado ao fracasso, deixando pouca alternativa senão ação militar.
Teatro kabuki
“É difícil determinar o processo decisório de Trump dada a séria redução do papel do N.S.C. e sua formulação de políticas”, disse ele sobre o Conselho de Segurança Nacional. “Quais opções foram desenvolvidas e apresentadas a Trump e o processo para gerá-las são questões-chave.” Mas ele acrescentou que “o esforço diplomático para engajar o Irã nunca renderia os resultados que Trump buscava. Teatro puro de Kabuki.”
O resultado do risco geopolítico de Trump dependerá não apenas de como a operação militar prossegue, mas do que vem depois. O sucesso tem o jeito de fazer os eleitores esquecerem promessas quebradas. Há pouco amor pelo regime de Teerã, e vídeos mostraram iranianos nas ruas aplaudindo relatos da morte do aiatolá Khamenei. Se Trump conseguir empurrar o governo remanescente para fora do poder, terá algo para se gabar que nenhum de seus predecessores ousou tentar.
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Diferentemente das chamadas guerras eternas no Afeganistão e Iraque que ajudaram a impulsionar sua ascensão política, Trump não fez nenhum grande compromisso de tropas terrestres no Irã e parece determinado a se ater ao poder aéreo, evitando o tipo de guerra de guerrilha de guerras passadas.
Ainda assim, como o próprio Trump alertou em seu vídeo da madrugada, pode haver baixas americanas. E se o governo de Teerã cair, poderia resultar em um substituto ainda hostil aos EUA, ou em caos fratricida, como aconteceu na Líbia após Muammar el-Qaddafi ser deposto e morto em 2011.
De um jeito ou de outro, seus aliados já falavam disso como um momento de legado para Trump. Que tipo de legado ainda não está claro. Mas não será o que ele originalmente prometeu.
Antes de as bombas americanas e israelenses começarem a cair no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o centro autoritário do regime teocrático por quase 40 anos, havia planejado uma transição de poder em caso de sua morte.
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Khamenei, de 86 anos, liderava o Irã desde 1989 e detinha amplos poderes como líder supremo. Era ao mesmo tempo reverenciado por seguidores como representante de Deus e, como comandante em chefe das Forças Armadas, tinha a palavra final em todos os principais assuntos de Estado.
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Desde que sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, o pai fundador da revolução islâmica, Khamenei governou com mão de ferro e recusou apelos por mudanças, reprimindo dissidências e ordenando a morte de manifestantes que desafiaram seu governo nas ruas. Acima de tudo, Khamenei se via como o guardião da revolução, responsável por salvaguardar a sobrevivência da república islâmica, e havia identificado possíveis substitutos para assumir esse papel após ele.
Agora, parece que seus planos serão postos à prova.
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O governo iraniano informou no domingo que ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã mataram Khamenei, horas depois de o presidente Donald Trump ter anunciado a morte de Khamenei. Pouco tempo depois, a agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente do Irã, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões estariam encarregados durante o período de transição, sem detalhar o que vem a seguir.
Em junho, durante a guerra de 12 dias com Israel, quando Khamenei estava escondido, ele nomeou três candidatos que poderiam ser rapidamente designados para sucedê-lo. O líder supremo deve ser um clérigo xiita e estudioso sênior nomeado por um comitê de clérigos conhecido como a Assembleia dos Peritos.
Os três candidatos que Khamenei disse preferir para o cargo de líder supremo, com base em entrevistas com seis autoridades iranianas de alto escalão e dois clérigos que não quiseram ser identificados ao discutir informações sensíveis, são o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, um clérigo moderado da facção política reformista que é neto de Khomeini.
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O Exército israelense informou que Hejazi foi morto.
O filho de Khamenei, Mojtaba, que tem sido uma figura poderosa nos bastidores, é favorecido por algumas facções, mas Khamenei disse a seguidores que não queria que o posto de líder supremo fosse hereditário.
O que acontece agora no Irã é incerto.
As divisões do país ficaram evidentes até o fim do sábado. Em alguns bairros de Teerã, opositores de Khamenei foram vistos comemorando, dançando e gritando em celebração às notícias de sua morte, segundo mais de uma dúzia de moradores da capital, contatados por telefone e mensagens de texto.
“Você consegue ouvir os gritos e os aplausos? Olha, fogos de artifício no meu quarteirão”, disse Ali, um empresário, em uma chamada de vídeo do Irã.
Antes dos ataques aéreos de sábado, Khamenei tomou precauções para preparar o país e o regime para sobreviver. Ele delegou a condução do país a um de seus aliados mais próximos, o político veterano Ali Larijani, que é o chefe do Conselho de Segurança Nacional e efetivamente deixou de lado o presidente Masoud Pezeshkian.
“Faremos os criminosos sionistas e os americanos desonrosos se arrependerem”, disse Larijani nas redes sociais no sábado. “Os bravos soldados e a grande nação do Irã darão aos tiranos internacionais que estão indo para o inferno uma lição inesquecível.”
Khamenei também autorizou um pequeno círculo de aliados políticos e militares a tomar decisões caso ele fosse morto ou ficasse incomunicável durante uma guerra, e nomeou quatro níveis de sucessão para figuras militares e políticas de alto escalão que ele próprio designa, segundo seis autoridades iranianas de alto escalão.
Eles incluem seu chefe de gabinete, Hejazi; o general de brigada Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária; e seu principal assessor militar e ex-comandante-chefe da Guarda, general Yahya Rahim Safavi.
Não estava claro no início do domingo quem estava no comando.
Dias antes, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse à mídia iraniana que, em caso de guerra com os Estados Unidos, “podemos ter perdido alguns de nossos líderes, mas isso não é um grande problema.”
“Não temos limites na defesa de nós mesmos”, afirmou.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

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