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Rodeada por dezenas de cartazes de campanha, a vendedora Elizabeth López confessa sua perplexidade com as promessas dos 36 candidatos à presidência do Peru para as eleições de 12 de abril. A profunda crise política do país, que já teve oito presidentes em 10 anos — o último nomeado há apenas duas semanas —, levou grande parte do eleitorado a encarar estas eleições, que contam com um número recorde de candidatos, com decepção.
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Entre os candidatos, encontram-se um foragido da justiça por alegada corrupção, um humorista de televisão, um ex-jogador da seleção nacional de futebol e ex-militares. Mais de vinte outros nomes aparecem na categoria “outros” das pesquisas.
“Não tenho fé em nenhum deles”, porque quem quer que ganhe “não fará nada por nós”, diz uma decepcionada Elizabeth, uma mãe de 43 anos, em frente a uma estação de metrô em Lima, onde vende bebidas geladas em pleno verão.
Assim como ela, de acordo com uma pesquisa recente da consultoria Ipsos, 28% dos peruanos já decidiram não votar em nenhum dos candidatos que aparecerão em uma cédula inédita de 65 centímetros de comprimento.
“Há candidatos demais. Já conhecemos alguns e sabemos que são um desastre”, diz a médica Solange León, de 29 anos, em uma praça movimentada no centro da capital, que tem 10 milhões de habitantes. Para o eleitorado, é muito difícil encontrar um candidato que os convença. “Os mais conhecidos enfrentam muita rejeição”, e os demais “são desconhecidos”, explicou o sociólogo David Sulmont à AFP.
Os favoritos atuais para avançar para o segundo turno são o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, que lidera com 10%, e Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, com 9%, de acordo com a mesma empresa de pesquisas. Entre os dois, eles não chegam nem a um quinto das preferências.
“Não tenho esperança”
O atual presidente interino, o esquerdista José María Balcázar, que substituiu o deposto José Jerí em meados de fevereiro, não pode ser candidato. A fragmentação do cenário político significa que existem “muitas dificuldades” em “representar os interesses sociais” e que há uma desconexão “entre as demandas da cidadania e o sistema político”, de acordo com Sulmont. Além disso, ele afirma que a fragmentação “quebrou o equilíbrio de poder entre o Parlamento e o Executivo”.
No Peru, com um Parlamento muito dividido e sem um grande bloco partidário, os presidentes são constantemente ameaçados pela possibilidade de impeachment. Desde 2016, o Congresso destituiu quatro. Dois renunciaram antes de enfrentar o mesmo destino, e apenas um completou seu mandato interino.
Walter Chávez, um advogado de 59 anos, está dividido entre quatro opções de voto. Mesmo assim, permanece cético. “Não tenho esperança” de que estas eleições tragam alguma mudança, afirma. “Os atores políticos fizeram um trabalho perfeito ao destruir a confiança do público” na democracia peruana, afirma Guillermo Loli, diretor de estudos de opinião da Ipsos.
“Estamos à procura de um candidato”
Acostumados a um congresso unicameral, os peruanos elegerão representantes nacionais e regionais, bem como senadores, pela primeira vez desde 1990. Uma cédula com cinco colunas só aumentará sua perplexidade. De acordo com uma reportagem da rádio RPP, pelo menos 252 candidatos a todos os cargos em disputa têm antecedentes criminais.
“Vai ser muito complicado para os cidadãos”, alerta Sulmont.
As ruas cobertas de cartazes, as estrondosas caravanas de campanha e os meios de comunicação repletos de jingles semeiam ainda mais incerteza.
“Estamos procurando um candidato que se pareça com o que queremos”, mas ainda não encontramos nenhum, diz Antony Cotrina, um administrador de 36 anos.
A desconfiança surge após anos de instabilidade, falta de resultados por parte das autoridades, corrupção e uma percepção geral de ineficiência. O único consolo para os eleitores é que, apesar da crise política, o Peru continua sendo uma das economias mais estáveis ​​da América Latina. Em 2025, registrou a menor taxa de inflação da região (1,5%).
“Escândalos de corrupção […] mantêm as pessoas focadas em suas vidas cotidianas, na luta constante. Elas não têm tempo a perder com política”, diz Loli.
Eduardo Goytisolo, um comerciante de 48 anos, concorda. Ele diz que não pretende ler as 36 propostas presidenciais.
“Os peruanos são assim. Trabalham e não precisam do Estado”, observa ele.
Um grupo de astrônomos identificou uma galáxia extremamente tênue que pode ser composta em 99,9% por matéria escura, uma das substâncias mais difíceis de estudar no universo. A descoberta, feita com dados do Telescópio Espacial Hubble e de outros observatórios, abre uma nova frente para investigar como se distribui esse componente invisível que domina a estrutura cósmica.
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A galáxia foi identificada como Candidata a Galáxia Escura-2 (CDG-2) e, segundo os pesquisadores, pode se tornar um dos objetos com maior proporção conhecida de matéria escura caso futuras observações confirmem os resultados, informou a CNN.
O estudo foi liderado por Dayi Li, pesquisador de pós-doutorado em estatística e astrofísica da Universidade de Toronto, e publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
A matéria escura é considerada o componente dominante do universo. Cientistas estimam que ela seja cinco vezes mais abundante que a matéria visível — aquela que compõe estrelas, planetas e galáxias —, mas até agora não pôde ser observada diretamente. Sua presença é inferida a partir dos efeitos gravitacionais que exerce sobre a matéria comum.
A CDG-2, situada a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra, no Aglomerado de Perseu, parece se aproximar do limite do que os astrônomos consideram uma galáxia escura.
O que são galáxias de baixo brilho superficial
Na maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea, a matéria escura constitui parte significativa de sua massa. No entanto, existem objetos extremamente fracos nos quais a quantidade de matéria visível é mínima. Esses sistemas são conhecidos como galáxias de baixo brilho superficial, caracterizadas por terem poucas estrelas e emitirem muito pouca luz.
No caso da CDG-2, a equipe a descreve como uma galáxia “quase escura”, ressaltando que sua descoberta demonstra que podem existir sistemas muito mais fracos do que se imaginava.
Como a galáxia CDG-2 foi detectada
Para identificar a galáxia, a equipe analisou dados do Telescópio Espacial Hubble, do observatório espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia, e do telescópio Subaru, localizado no Havaí. Em vez de buscar diretamente o brilho da galáxia, os pesquisadores identificaram aglomerados globulares — agrupamentos compactos de estrelas muito antigas. Esses aglomerados podem ser observados mesmo quando a galáxia ao redor é quase invisível.
Os cientistas detectaram quatro dessas estruturas no Aglomerado de Perseu e, posteriormente, observaram um halo tênue ao seu redor, indicando a possível presença de uma galáxia.
Uma galáxia que perdeu o material para formar estrelas
Segundo a equipe de pesquisa, a escassez de estrelas na CDG-2 sugere que a maior parte de sua massa é composta por matéria escura.
Uma das explicações propostas é que, após a formação inicial dos aglomerados globulares, galáxias maiores nas proximidades teriam removido o gás hidrogênio necessário para a formação de novas estrelas.
Adiado para data indeterminada, o funeral de Ali Khamenei, que governou o Irã durante quase quatro décadas, teria início na noite desta quarta-feira (tarde, no horário de Brasília). O rito fúnebre foi suspenso devido à previsão de “uma participação sem precedentes”, segundo informações da TV estatal. Khamenei foi morto no sábado, aos 86 anos, horas após os primeiros ataques das forças dos EUA e de Israel no território iraniano.
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“A cerimônia de despedida do imã mártir foi adiada (…) diante da previsão de uma participação sem precedentes”, afirmou a televisão estatal. A nova data será “comunicada posteriormente”, acrescentou.
Como será o funeral?
A sequência de cerimônias fúnebres voltadas ao líder iraniano devem se estender por três dias, e começariam com uma homenagem nesta quarta-feira.
O corpo de Khamenei deve ser velado na Grande Mesquita Imã Khomeini. O enterro, porém, acontece na cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, onde ele nasceu.
Manifestante em Teerã segura imagem do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques de Israel e EUA neste sábado
ATTA KENARE / AFP
A morte do líder supremo desencadeou cenas opostas de luto e celebração no país e uma onda de protestos em diferentes partes do Oriente Médio, do sul da Ásia e da Europa.
Segundo relatos de veículos como o The Guardian, o The New York Times e a CNN, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Teerã e de outras cidades iranianas após a confirmação de que Khamenei foi morto durante uma série de ataques coordenados atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.
Reações diversas
No centro de Teerã, multidões vestidas de preto e carregando fotos do ex-líder entoavam palavras de ordem como “morte à América” e “morte a Israel”. Ao mesmo tempo, em outros bairros da capital e em cidades como Shiraz e Isfahan, grupos celebravam nas ruas, dançando, soltando fogos de artifício e gritando “liberdade, liberdade”.
Multidão lota praça em Teerã para homenagear Ali Khamenei
ATTA KENARE / AFP
Vídeos mostraram homens e mulheres dançando e gritando “Woohoo, hurrah”, enquanto motoristas buzinavam e música persa ecoava pelas ruas.
Iranianos comemoram em Karaj após relatos da morte de Khamenei.
Sara, 53 anos, moradora de Teerã, relatou ao The New York Times que, ao ouvir a notícia, “gritou e pulou para cima e para baixo”. Segundo ela, “corremos para fora e gritamos com todas as nossas forças e rimos e dançamos com nossos vizinhos”. Ela afirmou que, um mês antes, havia participado de protestos contra o governo e que forças de segurança a agrediram com cassetetes e gás lacrimogêneo.
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Em um vídeo publicado pela BBC, um homem gritou do alto de um telhado: “Khamenei foi para o inferno”. Já em Abdanan, cidade curda no oeste do país, jovens circularam de carro fazendo sinais de vitória. “Hoje à noite, 28 de fevereiro, parabéns pela nossa liberdade”, diz a narração de um dos vídeos verificados pelo Times. Em outro registro, um homem exclama: “Estou sonhando? Ah! Olá para o novo mundo. Ah!”.
Apesar das celebrações, apoiadores de Khamenei, que o consideravam uma figura religiosa reverenciada, expressaram tristeza nas redes sociais, mas estiveram pouco presentes nas ruas. O aiatolá, que tinha a palavra final nas decisões de governo, havia ordenado pessoalmente, segundo o jornal, o uso de força letal contra manifestantes em janeiro, em uma repressão que, de acordo com grupos de direitos humanos, matou ao menos 7 mil pessoas.
As comunicações por telefone fixo e celular foram interrompidas em várias regiões do Irã, dificultando a avaliação precisa do sentimento popular em um país com mais de 90 milhões de habitantes. Relatos iniciais indicam que mais de 100 pessoas teriam morrido na primeira onda de ataques.
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A morte do líder também provocou repercussões internacionais. No Iraque, o governo anunciou três dias de luto oficial. O porta-voz Bassem al-Awadi declarou, em nota, que “com profunda tristeza, estendemos nossas condolências ao nobre povo do Irã e a todo o mundo muçulmano” após Khamenei ser morto em “um ato flagrante de agressão”.
Em Bagdá, manifestantes tentaram invadir a fortificada Zona Verde, onde fica a embaixada dos Estados Unidos. Já em Karachi, no Paquistão, centenas de jovens tentaram invadir o consulado americano. Segundo a rede Al-Jazeera, ao menos nove pessoas morreram em confronto com agentes de segurança e outras 20 ficaram feridas. Vídeos mostram manifestantes quebrando janelas do edifício enquanto a bandeira americana tremulava sobre o complexo.
Muçulmanos xiitas se reúnem durante um protesto anti-EUA e anti-Israel em Skardu, na região de Gilgit-Baltistão, no Paquistão
AHMAD AL-RUBAYE / AFP
Protestos também foram registrados na Caxemira administrada pela Índia. Em Londres, milhares de pessoas — muitas da diáspora iraniana — se reuniram no norte da cidade para celebrar a morte de Khamenei. Manifestantes exibiam a bandeira do “leão e do sol”, símbolo do período monárquico anterior à Revolução Islâmica, além de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.
Quase quatro décadas após assumir o poder, a morte de Khamenei representa uma mudança histórica para o regime teocrático iraniano. Ainda não está claro qual será o próximo passo político no país — se haverá transição para um novo sistema de governo ou se o poder será transferido a sucessores previamente indicados pelo líder supremo. Enquanto isso, o Irã e a região enfrentam um cenário de incerteza e tensão crescente.
Washington anunciou nessa quarta-feira (4) que um primeiro voo charter partiu do Oriente Médio, região de onde mais de 17.500 americanos retornaram por causa da guerra contra o Irã provocada por Estados Unidos e Israel.
O Departamento de Estado indicou que o primeiro voo charter saiu da região na quarta-feira, mas não deu detalhes, ao alegar motivos operacionais.
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“O número de voos será incrementado em toda a região”, indicou o departamento em comunicado, no qual pediu aos americanos em Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita que se inscrevam pela internet.
Apenas na terça-feira, cerca de 8.500 americanos retornaram a seu país, declarou o subsecretário de Estado, Dylan Johnson.
O Departamento de Estado enfrenta críticas de viajantes e legisladores por não oferecer vias mais rápidas para sair da região depois que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra no sábado com um ataque conjunto contra o Irã.
Desde então, o Irã lançou ataques com mísseis e drones por toda a região, abalando as habitualmente estáveis monarquias árabes do Golfo.
Johnson indicou que o Departamento de Estado tinha oferecido assistência a quase 6.500 pessoas, mas a maioria dos norte-americanos saiu por conta própria e praticamente todos através de voos comerciais.
Os Estados Unidos aconselharam seus cidadãos a deixarem imediatamente todo o Oriente Médio, desde o Egito até o leste, apesar de o tráfico aéreo na região ter diminuído drasticamente.
Horas depois dos primeiros bombardeios de EUA e Israel serem lançados sobre o Irã, marcando o início da “Operação Fúria Épica”, mísseis, drones e foguetes iranianos cruzaram os céus do Golfo Pérsico rumo ao território israelense, bases americanas e a países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã. Uma retaliação desenhada pelo líder supremo, Ali Khamenei, meses antes de morrer em um bombardeio em Teerã, para compartilhar os custos da guerra, forçar um cessar-fogo e preservar o regime. Uma aposta de alto risco, encarada como o último recurso dos aiatolás.
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Segundo o jornal britânico Financial Times (FT), que revelou a existência do plano, a estratégia começou a ser montada por Khamenei e seus principais comandantes e aliados após a guerra de 12 dias com Israel, em junho de 2025, que culminou com um bombardeio dos EUA a centrais nucleares.
Para a cúpula do regime, um novo ataque era questão de tempo — segundo o jornal New York Times, Israel planejava bombardear o Irã no segundo semestre —, e a visão predominante era pela coletivização dos custos da guerra, não apenas entre os envolvidos, mas também para toda a região. O caos, afirma o FT, seria a principal arma.
— Não tivemos escolha a não ser intensificar e iniciar um grande incêndio para que todos vissem — disse um representante do regime ao jornal britânico. — Quando nossas linhas vermelhas foram cruzadas em violação de todas as leis internacionais, não pudemos mais aderir às regras do jogo.
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Os ataques atingiram cidades israelenses, bases e instalações americanas — seis militares morreram no Kuwait — e cidades como Riad, Abu Dhabi, Doha e Manama, outrora consideradas ilhas de estabilidade em uma região repleta de crises. Hoteis de luxo, como os de Palm Jumeirah, em Dubai, sofreram impactos de mísseis, e os aeroportos da região, e um dos espaços aéreos mais movimentados do planeta está praticamente vazio, no maior impacto à aviação desde a pandemia da Covid-19. Uma base usada pelos britânicos no Chipre, um país da União Europeia, teria sido atingida por um foguete lançado pelo Hezbollah, milícia aliada do Irã no Líbano, e um míssil balístico foi abatido pela Turquia, que integra a Otan, nesta terça-feira, acendendo alertas na aliança militar.
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Outro alvo preferencial era o Golfo Pérsico, um dos principais centros globais de produção e exportação de petróleo e gás. Refinarias e unidades de extração foram atingidas por drones, suspendendo operações — como em Ras Tanura, operada pela gigante petrolífera Aramco — e causando incertezas nos mercados internacionais.
A ordem da Guarda Revolucionária para fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo, repetiu uma estratégia usada durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), e provocou uma queda de 90% no tráfego de petroleiros. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que navios da Marinha poderiam proteger os navios, mas poucos parecem dispostos a correr esse risco. Operadores suspenderam viagens, e seguradoras cancelaram coberturas envolvendo riscos de guerra.
— Isso vai continuar e haverá uma escalada ainda maior —disse a fonte do regime ao FT. — O que eles esperavam? Se o chefe da República Islâmica for alvo, eles acham que nada vai acontecer?
Mapa mostra onde fica localizado o Estreito de Ormuz
Arte O GLOBO
O cálculo reside na pouca tolerância das monarquias do Golfo a uma guerra que não é delas, em fissuras na imagem de prosperidade de emirados como Dubai e Abu Dhabi e nas perdas impostas aos setores de energia e marítimo. Teerã aposta em uma pressão sobre os EUA pelo fim das hostilidades e pelo início do diálogo com as autoridades no Irã — segundo a agência Bloomberg, Catar e Emirados Árabes Unidos acionaram emissários para atuar junto à Casa Branca. No fim de semana, o Conselho de Cooperação do Golfo emitiu um duro comunicado condenando as retaliações, mas países da região ainda mantêm canal aberto com Teerã.
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O regime também parece ter se preparado para uma guerra longa, como mencionou o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani. Os americanos alegam ter eliminado boa parte dos arsenais balísticos do regime, mas as bombas continuam a cair. Além de mísseis balísticos, drones “kamikaze” mais simples e baratos estão em operação, e se mostram um desafio estratégico para os sistemas de defesa dos EUA. Oficiais do Pentágono revelaram ao New York Times que Teerã pode manter os atuais níveis de ataque “por mais alguns dias”.
“O plano do governo — baseado numa visão exagerada da relativa fragilidade do Irã — era que a teocracia iraniana entraria em colapso logo após o assassinato do líder supremo. Na manhã de segunda-feira, antes da abertura dos mercados, a guerra deveria ter terminado e Trump estaria celebrando mais uma gloriosa vitória, provando que todos os seus críticos estavam errados”, escreveu, em artigo, Trita Parsi, analista político iraniano. “Mas tal colapso não ocorreu. Nem vemos sinais de que isso seja provável em curto prazo.”
Pentágono divulgou vídeo com momento do torpedeamento de fragata da Marinha do Irã
Reprodução/ X/ Pentágono
Em termos operacionais, como aponta o FT, Khamenei determinou a descentralização do processo de tomada de decisões militares, outra lição aprendida com a guerra de junho de 2025. Dessa forma, a morte de um comandante não impactaria a execução de planos previamente estabelecidos. Segundo a fonte ouvida pelo jornal, “as forças em campo já sabem o que devem fazer, mantendo total coordenação com os centros de comando”. Hoje, a Guarda Revolucionário está a cargo das operações de combate, e a rápida sucessão no comando da organização após a morte do comandante, Mohammad Pakpour, no sábado, serviu como demonstração de resiliência.
— Nossas unidades militares agora são, de fato, independentes e um tanto isoladas, e estão agindo com base em instruções gerais que lhes foram dadas com antecedência — declarou, no domingo, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, à rede al-Jazeera.
O plano, como mostrou o FT, é o último recurso de um regime em busca de sobrevivência. EUA e Israel parecem dispostos a estender por algumas semanas a ofensiva, com armamentos mais pesados e com maior poder de destruição. Erros de cálculo, como um ataque com estragos e vítimas em países da Otan (como quase ocorreu na Turquia), podem forçar países ocidentais a se juntarem à guerra. E as monarquias do Golfo podem se cansar das retaliações e escolher um caminho menos pacífico.
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Segundo a imprensa americana, a CIA, principal agência de inteligência dos EUA, está conversando com grupos curdos no Iraque e Irã, e cogita fornecer armamentos para uma ação terrestre que, nos melhores cenários para Washington, abra caminho para uma insurreição contra o regime. Em resposta, a Guarda Revolucionária reforçou posições na fronteira com o Iraque, e a Força Aérea realizou bombardeios contra bases curdas.
— Assim que a poeira baixar, será muito difícil lidar com todas as questões que surgirão. [Mas a ideia de que] o sistema irá desaparecer ou desmoronar é um erro — afirmou Maha Yahya, diretora do Centro Carnegie para o Oriente Médio, à al-Jazeera. — Não vimos nenhuma fissura no setor de segurança [ou] na elite política. Todos se uniram de forma muito forte para defender o sistema.
Em um dos ataques aéreos mais recentes ao Irã, na madrugada de quarta-feira, as Forças Armadas de Israel anunciaram ter atingido infraestruturas das forças Basij, grupo paramilitar que ganhou fama pela repressão contra manifestações críticas ao governo dos aiatolás. A ação foi apenas uma dentre vários bombardeios direcionados contra bases policiais, centros de detenção, escritórios de inteligência e todo o aparato repressor que deu sustentação à teocracia iraniana nas últimas cinco décadas — em um movimento tático que pode indicar uma estratégia mais abrangente traçada por EUA e Israel para reduzir a capacidade de resposta e facilitar uma mudança de regime. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Três anos após a popularização da inteligência artificial (IA) generativa, a tecnologia chegou aos campos de batalha. O conflito no Oriente Médio ficará marcado como o primeiro grande evento militar com papel fundamental dos grandes modelos de linguagem (LLM), o mesmo tipo de tecnologia que alimenta chatbots comerciais, como o ChatGPT. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) na Guerra do Iraque, iniciada em 2003. Cerca de 4 mil militares americanos morreram no conflito e outros 30 mil se suicidaram depois de voltar aos EUA, segundo levantamento da Universidade Brown (o número inclui veteranos do Iraque e Afeganistão). Centenas de milhares de iraquianos também foram mortos como resultado da violência após a invasão americana. O país foi destruído. Mais de uma década depois da queda de Saddam Hussein, o antes inexistente grupo terrorista Estado Islâmico chegou a controlar enormes porções do território, incluindo Mossul, segunda maior cidade iraquiana. Quem é o principal parceiro comercial de Bagdá? Não são os EUA. É a China. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A comissão de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira a favor da intimação da secretária de Justiça, Pam Bondi, para depor sobre a atuação do Departamento de Justiça no caso contra Jeffrey Epstein e a polêmica divulgação de seus arquivos. A intimação ocorre em meio à crescente pressão de republicanos e democratas sobre a condução da investigação e a divulgação desorganizada de documentos pelo Departamento de Justiça, marcada pela ocultação de nomes de suspeitos de cumplicidade e pela exposição de nomes, fotos e dados pessoais de vítimas do criminoso sexual.
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A votação, com 24 votos a favor e 19 contra, incluindo cinco republicanos e todos os democratas, representou um caso raro em que uma comissão liderada por republicanos obrigou um membro do Gabinete do presidente a depor. A moção foi apresentada pela deputada Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul.
Quando compareceu perante uma comissão do Congresso pela última vez, em fevereiro, Bondi obstruiu os democratas por cinco horas, ironizando os parlamentares democratas e se esquivando das acusações, além de exigir que os democratas pedissem desculpas ao presidente Donald Trump. Uma estratégia similar foi usada na primeira vez, em outubro, num depoimento que durou mais de quatro horas.
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Durante seu discurso de abertura, Bondi disse se estar “profundamente arrependida” pelo sofrimento das vítimas de Epstein, algumas das quais presentes na sessão. Sem pedir desculpas explicitamente pelos erros na divulgação dos arquivos, afirmou que o Departamento de Justiça retirou os documentos ao identificar o problema e que a equipe agiu “dentro do prazo legal”.
Uma lei de transparência, aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente Trump após pressões do Partido Republicano, obrigou o Departamento de Justiça a publicar todos os documentos do caso Epstein. A legislação exigia manter sob sigilo os nomes ou outras informações pessoais identificáveis das vítimas de Epstein, que somavam mais de 1.000 segundo o FBI. Mas as figuras poderosas — incluindo políticos como Trump e vários magnatas empresariais — que eram próximas de Epstein não podiam ser protegidas, segundo a lei.
Para os republicanos, o fiasco interminável de Epstein definiu o mandato da secretária. Entre as fileiras do Partido Democrata, também causa incômodo a forma com que a secretária apenas executa ordens de Trump — levando a frente casos duvidosos contra seus adversários, e agindo com menos energia quando se trata de medidas que desagradam o presidente, como nos casos de cidadãos americanos mortos durante protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).
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A atuação do Departamento de Justiça dos EUA a partir da obtenção dos documentos na investigação é alvo de críticas por parte de figuras de ambos os partidos, de ativistas e das vítimas por não ter levado ao indiciamento de nenhum suspeito de ter colaborado ou se beneficiado da suposta rede de tráfico sexual montada por Epstein — a exceção da principal cúmplice do magnata, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena. Teorias sobre acobertamento se tornaram populares, sobretudo pelo perfil das pessoas citadas nos documentos.
Com NYT.
A maioria do Senado dos Estados Unidos aprovou, na noite desta quarta-feira, a campanha militar do presidente Donald Trump contra o Irã. Os parlamentares votaram para bloquear uma resolução bipartidária que visava interromper a guerra no Oriente Médio e exigir que quaisquer hostilidades contra Teerã fossem autorizadas pelo Congresso. O resultado da votação foi de 52 a 47 contra o avanço da resolução sobre os poderes de guerra.
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Mesmo que a medida tivesse avançado, enfrentaria uma batalha árdua no Capitólio, porque precisaria passar por um processo completo de emendas no Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados, e então por um provável veto presidencial que exige dois terços dos votos no Legislativo para ser derrubado.
A decisão dos senadores republicanos de proteger o presidente ocorre depois que Trump criticou duramente os cinco membros do partido que votaram a favor de uma resolução anterior sobre poderes de guerra para uma ação militar na Venezuela. Desses cinco, apenas um votou novamente para limitar os poderes do presidente. A Câmara dos Deputados deve votar sobre o mesmo assunto na quinta-feira.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que 43% dos americanos desaprovam os ataques, enquanto apenas cerca de um em cada quatro entrevistados disse apoiar as ações conjuntas dos EUA e de Israel. A pesquisa entrevistou mais de 1.200 adultos americanos e foi realizada durante o fim de semana, nos dois primeiros dias de ataques à República Islâmica.
Uma pesquisa separada da CNN, conduzida pela SSRS entre 28 de fevereiro e 1º de março, constatou uma oposição ainda maior, com quase seis em cada dez americanos desaprovando a decisão de realizar uma ação militar no Irã. Quarenta e um por cento disseram aprová-la.
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A pesquisa da CNN também revelou que cerca de seis em cada dez entrevistados não acreditam que Trump tenha um plano claro para lidar com a situação, enquanto 39% disseram que os EUA não fizeram esforços diplomáticos suficientes antes de usar a força militar.
A pesquisa mostrou uma forte divisão partidária: 82% dos democratas e 68% dos independentes desaprovaram os ataques, em comparação com 23% dos republicanos.
*Em atualização

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