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A Casa Branca publicou nas redes sociais um vídeo promocional das operações militares dos Estados Unidos contra o Irã que mistura imagens reais de ataques com cenas do videogame Call of Duty: Modern Warfare 3, provocando críticas e perplexidade entre usuários da internet.
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O vídeo, divulgado na conta oficial da Casa Branca na rede social X, começa com a animação de uma sequência de ataques do jogo conhecida como “MGB” (“Bombas Guiadas em Massa”, do inglês), um recurso secreto ativado por jogadores que conseguem eliminar 30 adversários sem morrer.
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Após a animação, a gravação passa a exibir uma montagem de imagens reais de operações militares recentes, incluindo jatos de combate, navios de guerra e mísseis sendo lançados contra alvos. Entre os registros aparecem imagens desclassificadas de ataques atingindo um navio, veículos e o que parece ser um complexo militar.
A publicação foi acompanhada da legenda: “Courtesy of the Red, White & Blue”, ou “Cortesia do Vermelho, Branco e Azul”, em referência às cores da bandeira americana.
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A divulgação ocorreu no mesmo dia em que milhares de pessoas participaram no Irã de um funeral coletivo em homenagem a cerca de 175 civis mortos em bombardeios que destruíram uma escola primária. A Casa Branca nega responsabilidade direta por esse ataque específico, mas afirmou que o caso está sendo investigado, segundo o jornal britânico The Guardian.
Ainda não está claro se a desenvolvedora do jogo, Activision, ou sua controladora, Microsoft, autorizaram o uso das imagens na publicação oficial do governo americano.
Nos últimos anos, a Microsoft tem enfrentado críticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Reportagem do The Guardian apontou que a agência militar de vigilância de Israel utiliza amplamente serviços de computação em nuvem e a plataforma Azure da empresa para monitorar palestinos. A companhia negou as acusações e afirmou em um comunicado que realizou revisões internas e externas e “não encontrou evidências até o momento de que as tecnologias Azure e de inteligência artificial da Microsoft tenham sido usadas para atingir ou prejudicar pessoas no conflito em Gaza”.
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A publicação da Casa Branca também provocou reação negativa nas redes sociais. Muitos usuários classificaram o vídeo como insensível e compararam a montagem a um videogame.
“Cara, eu não sou politizado, mas fazer memes sobre matar toneladas de civis é insanamente sem noção e distópico’, escreveu um usuário no X.
Houve ainda comparações com a série distópica Black Mirror. “A Casa Branca fazer vídeos exaltando guerras e postá-los nas redes sociais oficiais é o nível de distopia no qual vivemos hoje em dia”, escreveu um comentário. “Black mirror não conseguiria fazer um episódio mais louco”, concluiu.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, informou à agência de notícias AFP que cerca de 20.000 marinheiros e 15.000 passageiros estão retidos no Golfo Pérsico, consequência da guerra no Oriente Médio e a paralisação do Estreito de Ormuz.
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— A OMI está pronta para colaborar com todas as partes interessadas para contribuir para garantir a segurança e o bem-estar dos marinheiros — afirmou o panamenho Domínguez.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou na quarta-feira ter o controle “total” do Estreito de Ormuz, um corredor marítimo estratégico por onde passa um quinto do petróleo bruto mundial. Desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no sábado, a OMI reportou sete incidentes envolvendo navios no estreito. Ao todo, duas pessoas morreram e seis ficaram feridas.
— Além do impacto econômico desses ataques alarmantes, esta é uma questão humanitária. Nenhum ataque contra marinheiros inocentes se justifica. Reitero meu apelo a todas as empresas de navegação para exercerem a máxima cautela ao operar na região afetada — disse Domínguez.
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Consequências do bloqueio iraniano
Diante das tensões afloradas por conta da guerra do Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz — controlado pela Guarda Revolucionária do Irã, que ameaçou incendiar “qualquer navio que passar pelo local” — grandes empresas de navegação suspenderam suas viagens com destino ao Golfo.
O tráfego no Estreito de Ormuz — por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) — sofreu uma queda de 90%, segundo dados divulgados na quarta-feira pela Kpler, empresa internacional de análise de dados sobre energia e transporte marítimo.
O Estreito de Ormuz, o Golfo e o Golfo de Omã foram classificados como “zona de guerra” pelo setor marítimo, após reunião entre sindicatos e empregadores globais. Essa medida garante direitos extras aos marinheiros, que passam a ter permissão para exigir repatriação custeada pelas empresas operadoras.
O presidente americano, Donald Trump, declarou na terça-feira que a Marinha de seu país poderia escoltar petroleiros “se necessário” pelo estreito.
Os Estados Unidos solicitaram à Ucrânia apoio para ajudar na defesa de aliados do Golfo contra drones iranianos, segundo afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. De acordo com ele, parceiros internacionais vêm procurando Kiev para discutir formas de cooperação, inclusive com pedidos feitos “do lado americano”. O Pentágono não comentou o assunto.
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Zelensky, porém, deixou claro que qualquer ajuda dependerá de duas condições: que a defesa ucraniana não seja enfraquecida e que haja ganhos diplomáticos ou militares para o país. Entre as possibilidades mencionadas está uma troca de recursos militares — drones interceptadores produzidos pela Ucrânia por mais sistemas de defesa aérea Patriot fornecidos pelos Estados Unidos, usados para derrubar mísseis balísticos russos.
A guerra no Oriente Médio aumentou o receio de que a Ucrânia possa acabar prejudicada caso seus aliados desviem atenção ou recursos para outros conflitos. Também há preocupação com a eventual escassez de mísseis interceptadores e com o impacto da alta do preço do petróleo — importante fonte de receita para financiar o esforço de guerra da Russia.
Mesmo reconhecendo esses riscos, Zelensky parece disposto a transformar a crise em oportunidade estratégica para Kiev. Nas últimas semanas, ele manteve conversas com líderes de países do Golfo, como United Arab Emirates, Qatar, Bahrain, Jordan e Kuwait. Segundo o presidente, a Ucrânia pode oferecer “passos concretos” para ajudar na proteção de bases militares e infraestrutura civil contra ataques com drones iranianos.
“Está claro qual é o principal pedido deles à Ucrânia”, escreveu Zelensky nas redes sociais. “Quem já enfrentou ataques iranianos sabe que se trata de um desafio sério — os Shaheds são difíceis de interceptar sem conhecimento técnico e armamentos adequados.”
Os drones Shahed — aeronaves não tripuladas de ataque baseadas em tecnologia iraniana — têm sido amplamente utilizados pela Rússia em ataques contra território ucraniano desde o início da guerra. Por isso, a possibilidade de Washington recorrer à experiência ucraniana chamou atenção em Kiev, sobretudo diante das mudanças na política externa do presidente americano Donald Trump.
Embora o governo Trump tenha suspendido a ajuda militar direta à Ucrânia, os Estados Unidos continuam fornecendo inteligência considerada crucial para detectar drones e mísseis, além de apoiar operações contra alvos russos. Agora, após anos em que Kiev pedia assistência, a situação se inverte parcialmente.
A Ucrânia também vê na iniciativa uma chance de fortalecer relações diplomáticas no Oriente Médio. Países do Golfo mantêm laços históricos com Moscou e, em muitos casos, têm evitado tomar posição clara no conflito europeu. Delegações da região já viajaram a Kiev para negociações, e autoridades britânicas estudam formas de colaborar com o Catar.
Outro objetivo seria evitar que aliados utilizem mísseis Patriot — caros e escassos — para derrubar drones relativamente baratos. Segundo Zelensky, cerca de 800 mísseis Patriot PAC-3 teriam sido utilizados recentemente no Oriente Médio, número superior ao total que a Ucrânia recebeu durante toda a guerra. O presidente sugeriu um arranjo discreto entre parceiros
“Gostaríamos de trabalhar silenciosamente com países — alguns que podemos citar e outros que não — para obter parte dos mísseis que faltam para nossos sistemas Patriot e transferir o número correspondente de interceptadores de drones.”
Ainda assim, qualquer cooperação externa dependerá de aprovação política em Kiev. O chefe do Conselho da Indústria de Defesa da Ucrânia, Ihor Fedirko, afirmou à BBC que o país poderia ampliar a produção de drones interceptadores para até 10 mil unidades por mês. Ele alertou, no entanto, que fornecer equipamentos é apenas parte do desafio.
“As armas são apenas plástico e metal sem ensino e treinamento”, disse. “Podemos enviar o equipamento, mas quem vai ensinar a usá-lo? Nossos centros de treinamento estão totalmente ocupados pelas forças armadas e por civis ucranianos.”
Uma viagem a trabalho levou o jornalista Filipe Vidon a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, poucos dias antes de Estados Unidos e Israel deflagrarem a “Operação Fúria Épica”, bombardeando o Irã e matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. O ataque desencadeou uma reação imediata do Irã, que também passou a bombardear países vizinhos no Oriente Médio, e Dubai foi um dos alvos.
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No vídeo abaixo, o repórter relata os dias tensos vividos em sua viagem da maior cidade dos Emirados, onde estava a convite da Uber, que apresentava à imprensa seu “carro voador”, até Istambul, na Turquia, para conseguir voltar em segurança para o Brasil.
Vivi para contar
Leia o relato de Filipe Vidon na íntegra:
Cheguei em Dubai para acompanhar um evento a convite da Uber, com outros 100 jornalistas e influenciadores de dezenas do mundo todo. A apresentação da empresa incluiu novos veículos evtol, conhecido como carros voadores, e os robotaxis que já circulam pra cidade sem motoristas humanos.
No final, sair da cidade deixou de representar o fim de uma viagem a trabalho e virou uma operação de extração. Com a intensificação dos ataques nos Emirados Árabes, a orientação inicial foi fechar todas as malas o mais rápido possível e descer para o primeiro andar do hotel, onde o grupo se reuniu para avaliar a situação.
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Fizemos uma reunião virtual que contou com a participação do CEO da empresa e outros executivos que estavam avaliando a crise dos Estados Unidos. Eles explicaram que por se tratar de uma viagem a convite, não havia nenhuma possibilidade de permanecer em Dubai. Logo em seguida, uma equipe avançada de segurança, habituada a operações de extração de pessoas em zonas de emergência e proteção de autoridades, chegou para nos orientar.
O time de segurança, presente na sala de reunião do hotel em que estávamos hospedados, deixou claro que a prioridade total era garantir a segurança de todos durante o processo de extração do Oriente Médio. A previsão era que o conflito escalasse, e o grupo sob responsabilidade da empresa deveria sair do país o quanto antes. Mas, fomos informados de que não era seguro se movimentar naquela noite, com mísseis, drones e destroços caindo por toda parte.
A estradas do país registravam vários vários pontos de bloqueio causados justamente por esses destroços, e a fronteira com os países jvizinhos á estava fechada. Ficar preso no meio do caminho seria infinitamente pior do que continuar abrigado no hotel em Dubai. Um detalhe que trazia um leve alento era que o nosso prédio ficava relativamente próximo à Embaixada do Irã, o que nos levava a supor que aquele local não seria alvo direto dos ataques.
A expectativa da equipe de segurança era de que a fronteira fosse reaberta na manhã seguinte e as estradas fossem limpas durante a madrugada. A aposta principal era o Omã, país considerado a “Suíça” do Oriente Médio por sua tradicional neutralidade, e que muito provavelmente seria o primeiro país a reabrir seu espaço aéreo.
Como estávamos sob a responsabilidade da empresa americana, a embaixada dos EUA reforçou as diretrizes para que permanecêssemos dentro do hotel, longe do telhado e das janelas. Parte do grupo optou por dormir junto em uma sala de reuniões no andar mais baixo do edifício, onde camas improvisadas foram montadas, já que não havia bunkers apropriados para esse tipo de situação.
Aeroporto Internacional de Dubai
Filipe Vidon / O Globo
O novo plano era passar a noite ali e partir às 6h da manhã, por terra, rumo a um hotel próximo à fronteira para reavaliarmos as condições de seguir viagem. Passei a noite praticamente em claro. Enquanto reorganizava a mala, via da janela mísseis rasgando o céu de Dubai, seguidos pelos estrondos das interceptações e bolas de fogo alaranjadas na escuridão. O momento de maior pânico, no entanto, veio perto da 1h da manhã: todos os aparelhos eletrônicos da sala começaram a apitar simultaneamente, com um som estridente.
O alerta era uma mensagem do governo dos Emirados Árabes Unidos ordenando que todos buscassem abrigo imediatamente, pois os radares haviam rastreado um novo ataque que teria como alvo a região da Palm Jumeirah, a apenas alguns quilômetros de onde estávamos. Foi ali, na icônica ilha artificial em formato de palmeira, que um hotel de luxo havia sido atingido horas antes, provocando um incêndio e deixando quatro feridos.
Domingo, 1º de março
Após uma madrugada sem descanso, sob a tensão dos barulhos lá fora, um comboio com sete veículos chegou ao nosso hotel pontualmente às 6h. Meia hora antes de iniciarmos a jornada, o primeiro carro saiu em missão de batedor para garantir que a via estava livre e segura. Às 7h, nosso grupo de cerca de 25 pessoas embarcou. Em cada veículo, um segurança a bordo.
As ruas de Dubai, uma metrópole que praticamente não dorme, estavam completamente vazias. O silêncio absoluto reforçava o clima assustador, compondo um cenário digno de filme distópico. O destino era Al Ain, uma das últimas cidades nos Emirados Árabes antes da fronteira com o Omã. O trajeto durou cerca de uma hora e meia, com todos em estado máximo de alerta.
Ao chegarmos, fomos acomodados em um hotel de trânsito. O objetivo era nos alimentarmos e nos prepararmos para o trecho seguinte, bem mais longo e incerto, já que dependíamos das fronteiras abertas para sair do país e seguir até Mascate, capital do Omã. Deu tempo de tomar um banho, trocar de roupa e me alimentar.
Incêndio toma comta do Hotel Fairmont, atingido no ataque iraniano a Dubai nos Emirados Árabes.
Reprodução
Neste intervalo, a equipe de segurança fez uma varredura da rota que faríamos logo depois para checar se conseguiríamos cruzar a divisa — que operava com instabilidade desde os ataques, abrindo e fechando sem aviso prévio.
Para cada passo, havia um plano A e B. Se não passássemos, havia outro hotel reservado a poucos metros da barreira. Se cruzássemos e a situação piorasse em Omã, havia outro recuo planejado. O alvo, claro, era Mascate, nossa última parada antes de deixar o Oriente Médio.
Após três horas de espera em Al Ain, recebemos o sinal verde: a fronteira havia reaberto. Foi o momento mais tenso de toda a jornada. Chegamos ao posto de controle e a atmosfera era hostil, repleta de soldados fortemente armados.
Embarcamos em um ônibus autorizado a circular em Omã. Ao estacionar no posto de imigração para recebermos o carimbo de saída dos Emirados, ficamos retidos no veículo por cerca de 30 minutos. Todos sabíamos que havia algo de errado, mas ninguém comentava sobre.
O chefe da segurança retornou com a pior notícia possível: a fronteira havia sido fechada novamente cinco minutos antes da nossa chegada. As autoridades haviam travado nossa passagem, e ele precisaria de mais tempo para negociar a nossa saída.
Mais 20 angustiantes minutos se passaram até ele voltar com a notícia que nos fez respirar de novo: haviam conseguido uma exceção. Suas instruções, no entanto, deixavam claro que o clima era de risco. Fomos divididos em pequenos grupos e caminhamos em silêncio absoluto, ladeados pelos seguranças e por dois homens locais que atuaram também na negociação.
Com passaporte e cartão de crédito nas mãos para pagar a taxa de saída, entramos no precário posto de controle. Lá dentro, a confusão imperava. O processo para todo o grupo durou uma hora, mas deu certo. Tínhamos o carimbo de saída.
Agora, precisávamos enfrentar a imigração do Omã. Por lá, ficou evidente que não éramos os únicos usando aquela rota de fuga. O ambiente era de pressa, incerteza e pouco protocolo. Quando o último membro do grupo finalmente conseguiu o visto, embarcamos no ônibus esgotados, mas imensamente aliviados.
O último susto nos aguardava a poucos quilômetros dali. Dez minutos após entrarmos em território omani, fomos parados pela polícia, obrigados a descer do ônibus e tivemos nossos pertences revistados. O medo de morrer na praia bateu forte, mas o procedimento foi rápido e, logo em seguida, fomos liberados.
Misturando tensão e exaustão física e mental, percorremos os 350 quilômetros até Mascate. Já era fim de noite quando chegamos ao hotel, vizinho ao aeroporto internacional, nosso portal para o fim do pesadelo.
Segunda-feira, 2 de março
O plano original era fretar um jatinho particular para evitar o caos dos voos comerciais. A rota inicial seria Atenas, depois Cairo. Mas aprendi da pior forma que, em extrações de zonas de conflito, o cenário muda a cada hora — um tormento para os ansiosos. Passamos a segunda inteira aguardando esse jato, que estava retido no Egito esperando autorizações de voo. No fim do dia, veio o banho de água fria: o avião conseguiu os documentos, mas seguia imobilizado no chão devido a operações militares.
A incerteza voltou a reinar. Já estávamos há mais de 24 horas no hotel, em uma dinâmica que lembrava os piores dias da pandemia. Presos nos quartos, longe de janelas, refeições isoladas e, ocasionalmente, rápidos “banhos de sol” na área externa do hotel apenas para respirar um ar puro.
Foi só no fim do dia que começamos a costurar o nosso plano C. O espaço aéreo reabriu e alguns poucos voos comerciais começaram a decolar de Mascate. A primeira opção viável foi uma passagem para Istambul, na Turquia, para a tarde do dia seguinte. Compramos sem pensar duas vezes e começamos a organizar nossa volta para casa.
Com as passagens em mãos, seguimos para o Aeroporto Internacional de Mascate. O cenário por lá era de uma tranquilidade quase irreal, explicada pelo fato de que pouquíssimos voos ainda tinham autorização para decolar. No entanto, nas filas do check-in, a gravidade do que estava acontecendo do lado de fora ficava evidente. Era nítido que, conforme a guerra apertasse, aquele aeroporto se consolidaria como um dos principais hubs de evacuação do Oriente Médio.
Havia ali pessoas de todas as nacionalidades e idades. Vi mães abraçadas a bebês de colo, idosos em cadeiras de rodas, famílias inteiras aguardando o voo que deixaria o caos para trás. Todos ali, assim como o nosso grupo, haviam optado pela rota de fuga mais rápida e segura.
O momento da decolagem foi catártico. Quando o avião finalmente tirou as rodas do chão, o alívio deixou de ser uma sensação individual. Era um sentimento palpável, comum e compartilhado entre os 162 passageiros a bordo que partiam em direção a Istambul, deixando a zona de conflito para trás.
Já longe do espaço aéreo conflagrado, mais calmos e com o passaporte carimbado na Turquia, traçamos nosso caminho de volta para casa. Precisamos passar uma noite de conexão em Istambul, até que, na noite do dia 4 de março, finalmente embarcamos no voo direto para São Paulo.
Um tiroteio ocorrido durante um chá de bebê deixou três menores hospitalizados em Anaheim, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Quatro pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no ataque, incluindo um jovem de 18 anos identificado como Zine Jassim, informou a polícia do município que integra a Região Metropolitana de Los Angeles.
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De acordo com o Departamento de Polícia de Anaheim, o caso aconteceu no dia 28 de fevereiro, por volta das 19h15, em uma residência na região da S. Sprague Lane. Segundo as autoridades, o episódio foi classificado como um “tiroteio relacionado a gangues”.
“Investigadores determinaram que quatro membros de gangue confrontaram membros de uma gangue rival que participavam de um chá de bebê e abriram fogo, atingindo três menores e um adulto que estava no local. As vítimas juvenis foram levadas ao hospital e estão em condição estável. A vítima adulta foi atendida no local”, informou a polícia em comunicado.
Entre os suspeitos estão três menores de idade, cujas identidades não foram divulgadas, além de Jassim. Dois deles foram presos no domingo, 1º de março, em Whittier, também na Califórnia, onde os agentes apreenderam um rifle do modelo AR e uma pistola que, segundo a polícia, teriam sido usados no ataque.
Polícia da Califórnia apreende armas que foram usadas em tiroteio em chá de bebê
Reprodução: Facebook (@AnaheimPD)
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Os outros dois suspeitos foram detidos na segunda-feira, 2 de março, em Santa Ana, na mesma região.
O chefe da polícia de Anaheim, Manny Cid, elogiou a atuação dos investigadores. “Tenho orgulho da resposta rápida e profissional demonstrada por nossa equipe na identificação, localização e prisão segura dos responsáveis. Continuaremos a buscar justiça com determinação e firmeza. Aqueles que ameaçam a segurança da nossa comunidade serão responsabilizados”, afirmou em comunicado divulgado nas redes sociais.
Segundo a polícia, os quatro suspeitos enfrentam várias acusações relacionadas ao caso, incluindo tentativa de homicídio, conspiração, agressão, violações da legislação sobre armas e agravantes por ligação com gangues. A investigação segue em andamento.
Israel utilizou um míssil balístico pouco conhecido, capaz de sair da atmosfera terrestre antes de atingir o alvo, para matar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em um ataque surpresa contra Teerã. O armamento, chamado Blue Sparrow, tem alcance aproximado de 2 mil quilômetros e foi projetado para atingir alvos altamente protegidos.
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Cilindros metálicos longos, considerados destroços do míssil, foram encontrados no oeste do Iraque, ao longo do que seria sua rota de voo até o território iraniano. O Blue Sparrow integra uma série de mísseis lançados do ar — que inclui também os modelos Black Sparrow e Silver Sparrow — originalmente desenvolvidos para simular os mísseis Scud utilizados pelo Iraque contra Israel durante a Guerra do Golfo de 1991.
Mísseis Sparrow, usados por Israel
Reprodução: rafael.co.il
Com cerca de 6,5 metros de comprimento e peso aproximado de 1,9 tonelada, o Blue Sparrow foi criado inicialmente como míssil-alvo para testes de sistemas de defesa aérea. Posteriormente, foi adaptado para uso ofensivo como munição ar-superfície, graças à sua alta velocidade e trajetória quase balística.
A capacidade de sair e reentrar na atmosfera terrestre dificulta sua interceptação e reduz o tempo de reação do alvo, tornando-o adequado para atingir objetivos estratégicos e sensíveis em ambientes altamente protegidos, sem expor aeronaves tripuladas.
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Autoridades americanas também confirmaram o uso de novos sistemas de armas durante a operação. O Pentágono divulgou imagens da primeira utilização em combate do Precision Strike Missile, um míssil de alcance ampliado de cerca de 500 quilômetros.
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Segundo uma fonte informada sobre a operação, o ataque contra o Irã vinha sendo planejado havia meses. O cronograma foi alterado quando os serviços de inteligência descobriram que Khamenei participaria pessoalmente de uma reunião na manhã de sábado.
Durante mais de duas décadas, a unidade de inteligência cibernética israelense Unit 8200 monitorou os guarda-costas do líder iraniano e invadiu câmeras de trânsito ao redor de seu complexo em Teerã.
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Nos últimos meses, Khamenei vinha passando grande parte das noites em um bunker subterrâneo — tão profundo que, segundo relatos, levava cerca de cinco minutos para chegar até ele. O regime iraniano acreditava que Israel atacaria à noite.
O cálculo se mostrou errado.
Caças israelenses F-15 e outras aeronaves decolaram por volta das 7h30 (horário local do Irã) e chegaram à posição de ataque menos de duas horas depois. Às 9h40 começaram os bombardeios, incluindo o lançamento de mísseis Blue Sparrow. Pelo menos 30 ataques de precisão foram direcionados diretamente ao complexo do líder supremo.
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Simultaneamente, Israel interrompeu o serviço telefônico na área do complexo, impedindo que assessores pedissem ajuda. Ainda assim, rapidamente surgiram relatos de ataques aéreos na capital iraniana.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça se elevando de vários pontos de Teerã, incluindo a área do complexo do líder supremo. Até as 18h, já era evidente que os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel haviam causado danos significativos, com ao menos seis edifícios atingidos.
Na manhã seguinte, às 5h no horário local, a mídia estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei.
Além dos mísseis Blue Sparrow, Israel afirmou ter lançado cerca de 2 mil bombas nas primeiras 30 horas de guerra. Os Estados Unidos, por sua vez, dispararam mísseis de cruzeiro Tomahawk — incluindo uma nova variante preta — e foguetes HIMARS, atingindo mais de mil alvos nas primeiras 24 horas.
O número de ataques continuou a crescer. O general Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA, afirmou na terça-feira que forças americanas já haviam destruído 2 mil alvos dentro do Irã, além de 17 embarcações iranianas.
Israel também segue realizando ondas de ataques contra alvos no Irã e contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano.
O custo humano do conflito, porém, tem sido elevado. Segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), o número de mortos no Irã chegou a quase 1.100 até terça-feira, incluindo ao menos 181 crianças com menos de 10 anos.
No Líbano, o Ministério da Saúde informou que ataques aéreos israelenses já deixaram pelo menos 50 mortos. Enquanto isso, os combates continuam sem sinais de desaceleração.
A liderança do movimento xiita Hezbollah ordenou o retorno da Força Radwan — unidade de elite do grupo armado — ao sul do Líbano, a fim de combater uma nova incursão do Exército israelense contra o território do país. A movimentação de tropas foi apontada por fontes libanesas citadas pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, em um momento em que o conflito regional ganha intensidade na frente voltada para Beirute.
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A agência de notícias britânica reportou ter ouvido três fontes libanesas familiarizadas com a ordem repassada à Força Radwan. As tropas, disseram, foram instruídas a retornar ao sul do Rio Litani — de onde haviam se retirado após o cessar-fogo de 2024 com Israel — para se juntar à batalha contra os soldados e tanques israelenses. As fontes consultadas citaram em particular um deslocamento para a região de Khiyam, uma das áreas onde múltiplas fontes confirmam a entrada por terra dos militares de Israel.
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A Força Radwan era apontada por autoridades militares e do setor de inteligência de Israel como a ameaça mais significativa e imediata na fronteira do país, após o atentado terrorista do Hamas e a eclosão da guerra em Gaza. Mesmo antes da abertura do front no Líbano, forças israelenses foram enviadas ao norte, preparadas para impedir ou retardar uma invasão que alguns estrategistas viam como iminente.
A unidade se notabilizou em operações de sequestro de soldados israelenses, que contribuíram para a eclosão da Segunda Guerra do Líbano, em 2006. Na última década, teve experiência real de combate na Síria, apoiando a luta contra o Estado Islâmico (EI) ao lado das forças de Bashar al-Assad, membros da coalizão pró-Irã conhecida como “Eixo da Resistência”. As tropas também realizaram nos últimos anos exercícios militares, incluindo atividades de invasão simulada ao território de Israel.
Entenda: O que é a Força Radwan, unidade de elite do Hezbollah
Os principais combatentes do Hezbollah estavam longe da fronteira desde o frágil cessar-fogo que interrompeu as altercações entre Israel e os militantes em 2024. O grupo disse ter respeitado o acordo que estabelecia o sul do Líbano como uma área livre de armas que pudessem ameaçar Israel, mas não aceitou uma deposição completa de armas e entrega ao governo. Estima-se que 5 mil combatentes da unidade morreram no último confronto com as forças do Estado judeu.
O retorno da Força Radwan ao front acontece em um momento em que Israel intensifica a campanha em direção ao Líbano, combinando ataques aéreos e ações por terra, a fim de estabelecer uma zona-tampão entre os dois países. O confronto não está restrito ao sul, com fortes bombardeios de Israel atingindo cidades ao norte, como Beirute e Trípoli.
Bombeiros extinguem incêndio em bairro do sul de Beirute após bombardeio israelense na quarta-feira
AFP
Em uma nova sequência de bombardeios nesta quinta-feira, as Forças Armadas de Israel disseram ter atingido redutos do Hezbollah no sul da capital, no bairro de Daniyeh. Após a leva de ataques, Israel emitiu um alerta de retirada sem precedentes para toda a região sul de Beirute — levando centenas de milhares de moradores do distrito a fugirem em pânico.
Autoridades libanesas afirmam que 102 pessoas morreram no país desde a segunda-feira, quando o Hezbollah lançou ataques retaliatórios contra Israel pela morte do aiatolá Ali Khamenei. Outras 83 mil estavam deslocadas — antes do alerta a Beirute. (Com AFP)
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta quinta-feira que seu governo já havia colocado o país em “estado de alerta elevado” em janeiro diante da possibilidade de um conflito envolvendo o Irã e, desde então, iniciou um plano defensivo com pré-desdobramento militar no Oriente Médio, principalmente no Chipre e Catar. Em discurso à nação, Starmer anunciou o envio de quatro caças Typhoon adicionais para o Catar em um esforço que, segundo ele, busca “defender nossos interesses e proteger nossos aliados” na região. Londres já havia deslocado o destróier HMS Dragon para o Mediterrâneo e helicópteros antidrone para o Chipre, que chegarão nesta sexta-feira.
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— Começamos o pré-desdobramento defensivo na região em janeiro e fevereiro, particularmente no Chipre e no Catar, e isso incluiu caças, mísseis contra ataques aéreos, radares avançados e sistemas antidrone — afirmou Starmer, após ser questionado por jornalistas se o Reino Unido decepcionou seus aliados e seu povo no Oriente Médio pelo tempo de resposta depois do início da guerra. — Fizemos isso em conjunto com os Estados Unidos e com nossos aliados.
Avião Typhoon da RAF, visto decolando do Reino Unido para operações no Oriente Médio no início deste mês
Divulgação / Ministério da Defesa do Reino Unido
Segundo o premier, quando os ataques coordenados de EUA e Israel contra o Irã começaram no último sábado, as forças britânicas já estavam em posição. Caças britânicos foram imediatamente colocados no ar e conseguiram interceptar drones que se dirigiam a bases que abrigam militares do Reino Unido.
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— Quando os ataques começaram, colocamos imediatamente esses jatos no ar e eles conseguiram abater vários drones, pelo menos um dos quais se dirigia para uma base com presença de militares britânicos — disse.
Starmer afirmou que o Reino Unido continuará reforçando suas capacidades na região, incluindo o reabastecimento constante de caças e estoques de mísseis, além de responder a pedidos de apoio de aliados no Oriente Médio.
— Manteremos essa proteção sobre o povo britânico na região e sobre nossos aliados.
Relação com os EUA
O discurso ocorreu em meio a críticas do presidente americano, Donald Trump, que recentemente afirmou que Starmer “não era Winston Churchill” e questionou a postura britânica diante da guerra.
Perguntado por jornalistas se suas decisões teriam prejudicado a chamada “relação especial” entre Reino Unido e EUA, o premier rejeitou a avaliação.
— Veja bem, a relação especial está em funcionamento neste momento — disse Starmer, citando a cooperação entre os dois países em bases conjuntas e no compartilhamento de inteligência.
— Cabe ao presidente Trump tomar as decisões certas para os Estados Unidos, e cabe a mim tomar decisões que sejam do melhor interesse do Reino Unido. Não há nada de controverso nisso.
O governo britânico também permitiu que os EUA utilizassem aeródromos britânicos para operações defensivas, segundo Starmer, embora Londres tenha recusado o uso dessas bases para ataques ofensivos.
Decisão de não participar dos ataques
No discurso, Starmer voltou a defender sua decisão de não participar dos ataques iniciais de EUA e Israel contra o Irã, argumentando que a posição britânica de longa data é buscar uma solução diplomática para a crise nuclear iraniana.
— A posição britânica sempre foi que o melhor caminho para o regime e para o mundo é um acordo negociado com o Irã, no qual ele abandone suas ambições nucleares — afirmou.
— Foi por isso que tomei a decisão de que o Reino Unido não participaria do ataque inicial. Essa decisão foi deliberada. Era do interesse nacional. E eu a mantenho.
O premier afirmou ainda que seu objetivo tem sido manter “uma liderança calma e ponderada”, mesmo diante da pressão internacional.
— Embora a região tenha mergulhado no caos, meu foco tem sido proporcionar uma liderança calma e ponderada no interesse nacional — disse. — Isso significa ter a força para nos mantermos firmes em nossos valores e princípios, independentemente da pressão para fazermos o contrário.
Durante as perguntas dos jornalistas, Starmer foi questionado sobre se o Reino Unido decepcionou seus aliados e seu povo no Oriente Médio, com alguns criticando a rapidez da resposta britânica.
Conflito pode se prolongar
Starmer alertou que a guerra pode se estender por mais tempo e que o Reino Unido continuará mobilizando recursos para proteger seus cidadãos no exterior.
— O conflito pode continuar por algum tempo — afirmou.
Para ele, assim que o Irã começou a retaliar, a situação mudou.
— Nossa prioridade número um é proteger nosso povo, incluindo os milhares de britânicos que vivem no Oriente Médio.
Segundo ele, o governo britânico trabalha diariamente para fortalecer a segurança na região e retirar cidadãos britânicos do Golfo, enquanto reforça suas posições militares no Mediterrâneo Oriental e no Oriente Médio.
Países europeus na guerra
Em entrevista à emissora espanhola TVE, também nesta quinta-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Irã afirmou que os países da União Europeia vão “pagar o preço, cedo ou tarde” se eles continuarem em silêncio em meio à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel.
Um zoológico premiado do Reino Unido anunciou o nascimento de quatro filhotes de guepardo-do-norte, uma das espécies de felinos mais raras do mundo. Os animais nasceram no Yorkshire Wildlife Park, em 14 de fevereiro, e fazem parte de um programa internacional voltado à conservação da espécie, cuja população na natureza sofreu um declínio acelerado nas últimas décadas.
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Os filhotes são filhos de Darcy e Brooke, dois exemplares mantidos no parque. Segundo a direção do zoológico, em publicação no Facebook, levará ainda algumas semanas até que os recém-nascidos sejam apresentados ao público.
Esforço de conservação
De acordo com a diretora de animais do parque, a veterinária Charlotte MacDonald, o nascimento representa um avanço importante para a preservação do guepardo-do-norte. A espécie enfrenta diversas ameaças em seu habitat natural, principalmente a perda de território e a caça furtiva.
— Estamos muito felizes em receber mais uma ninhada de filhotes de guepardo no parque — afirmou MacDonald. — Darcy já havia dado à luz Kendi e Tafari em 2024 e demonstrou novamente ser uma mãe muito tranquila, lidando naturalmente com os cuidados dos filhotes.
A especialista explicou que o acasalamento entre Darcy e Brooke ocorreu por recomendação do programa de reprodução da espécie. Após o nascimento, o macho foi separado da fêmea, prática comum no manejo do animal em cativeiro. Na natureza, as fêmeas vivem sozinhas e os machos não participam da criação dos filhotes.
O guepardo-do-norte-africano vive atualmente em pequenas populações dispersas principalmente na Argélia e no Níger, além de registros mais raros no Mali, no Chade e no norte da República Centro-Africana. Diferentemente de outros guepardos da África subsaariana, esses animais costumam ser menores, têm pelagem mais clara e não apresentam as típicas marcas escuras em forma de “lágrima” no rosto.
Segundo MacDonald, a nova ninhada também tem um papel importante na sensibilização do público. Kendi e Tafari, nascidos em 2024, foram os primeiros guepardos a nascer no parque e ajudaram a ampliar a conscientização sobre a situação crítica da espécie. “Esperamos que estes quatro filhotes também contribuam para chamar atenção para a necessidade de proteger o guepardo-do-norte”, afirmou.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara a divulgação de cerca de 50 mil documentos considerados “desaparecidos” relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein. Segundo o jornal inglês Telegraph, os arquivos passaram por uma nova revisão e devem ser publicados até o fim da semana pelo Departamento de Justiça.
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Entre os documentos estão anotações de um depoimento dado ao Federal Bureau of Investigation (FBI) em 2019 por uma mulher que acusou Trump de tentar forçá-la a fazer sexo oral no início dos anos 1980, quando ela teria cerca de 13 anos. A denúncia afirma que o encontro teria ocorrido após uma apresentação feita por Epstein. As alegações, no entanto, nunca foram comprovadas e não há evidências de que Trump conhecesse Epstein naquele período.
O United States Department of Justice (DoJ) afirmou que alguns dos arquivos contêm “alegações falsas e sensacionalistas” contra o presidente e que os documentos haviam sido enviados ao FBI antes das eleições de 2020. A pasta também ressaltou que as acusações contra Trump são consideradas infundadas.
Uma porta-voz do departamento disse ao jornal The Wall Street Journal que 47.635 arquivos estavam temporariamente offline para revisão e devem ser republicados nos próximos dias. O caso voltou ao centro do debate político em Washington após parlamentares acusarem o governo de reter ilegalmente parte dos documentos do caso Epstein.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, foi intimada a prestar depoimento no Congresso após uma iniciativa da deputada republicana Nancy Mace. A proposta foi aprovada pelo comitê de supervisão da Câmara por 24 votos a 19, com apoio de democratas e republicanos.
Antes da votação, Mace acusou o Departamento de Justiça de proteger figuras poderosas em vez de garantir transparência.
— Ainda não temos toda a verdade. Vídeos estão desaparecidos, áudios estão desaparecidos, registros estão desaparecidos — disse a congressista em redes sociais.
O democrata Robert Garcia, que integra o comitê, afirmou que os americanos “merecem transparência” e que sobreviventes do caso Epstein “merecem justiça”.
O Departamento de Justiça é legalmente obrigado a divulgar cerca de seis milhões de documentos relacionados ao caso Epstein, com exceções para proteger a identidade de vítimas e investigações em andamento.
Até agora, porém, apenas cerca de três milhões de arquivos foram tornados públicos.

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