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Uma empresa ucraniana de defesa desenvolveu um novo míssil balístico que, segundo seus criadores, poderá atingir Moscou ainda este ano. O armamento, chamado FP-9, está em fase de testes e pode tornar-se operacional até o início do verão no hemisfério norte, de acordo com a fabricante Fire Point.
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Em entrevista ao canal Army TV, administrado pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, o proprietário e engenheiro-chefe da empresa, Denys Shtilierman, afirmou que o novo sistema terá grande capacidade de penetração nas defesas aéreas russas.
Empresa ucraniana desenvolve míssil balístico capaz de atingir Moscou ‘facilmente’
“O FP-9 vai conseguir atingir alvos em Moscou com facilidade porque tem uma velocidade de impacto muito elevada. Por exemplo, o Iskander tem uma velocidade de cerca de 800 metros por segundo. A essa velocidade já consegue atingir o alvo. O nosso vai atingir mais de 1.200 metros por segundo, por isso conseguiremos ultrapassar as defesas antiaéreas com muito mais facilidade. Sim, algo poderá interferir, mas cerca de 25% ou algo assim deverá conseguir passar e atingir o alvo”, disse Shtilierman.
Segundo o engenheiro, o projeto também busca oferecer uma alternativa mais barata aos sistemas ocidentais. “Será semelhante ao ATACMS (míssil fabricado pela americana Lockheed Martin), provavelmente com uma ogiva maior, mas custará pelo menos duas vezes e meia menos”, afirmou.
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Shtilierman acrescentou que a elevada velocidade na fase final do voo dificulta a interceptação do míssil. “Os mísseis de cruzeiro e drones atualmente não conseguem atingir nada significativo em Moscou; há um anel denso de defesas aéreas ali”, disse.
Questionado sobre o estágio atual do programa, o engenheiro afirmou que os testes ocorrerão “em breve” e que a empresa pretende “testá-los nos vizinhos”.
O FP-9 faz parte de uma nova linha de armamentos desenvolvida pela Fire Point, que inclui também o míssil balístico FP-7. A empresa apresentou os projetos durante a feira internacional de defesa MSPO, na Polônia.
O míssil FP-9, da empresa ucraniana Fire Point
Reprodução: militarny.com
De acordo com as especificações divulgadas, o FP-7 terá alcance de até 200 quilômetros, velocidade máxima de 1.500 metros por segundo e ogiva de 150 quilos, com precisão estimada de 14 metros. Já o FP-9 poderá alcançar até 855 quilômetros, atingir velocidade de até 2.200 metros por segundo, carregar uma ogiva de 800 quilos e voar a uma altitude máxima de 70 quilômetros, com precisão de cerca de 20 metros.
Segundo representantes da empresa, o foco atual do desenvolvimento militar ucraniano está em sistemas balísticos e de defesa aérea, considerados essenciais para ampliar a capacidade de atingir alvos em profundidade no território inimigo.
O que você faria se pudesse transformar um avião em um bunker? A pergunta ganhou as redes sociais depois que um engenheiro britânico viralizou ao mostrar um projeto inusitado: converter a fuselagem de um jato comercial em um abrigo subterrâneo para emergências.
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Dave Billings, de 44 anos, está transformando a carcaça de um Boeing 737, avaliada em cerca de £4 mil, cerca de R$ 27,7 mil, m um bunker de aproximadamente 20 mil libras. A estrutura será enterrada no jardim de sua casa em Hilton, no condado de Derbyshire, na Inglaterra. A família vive em uma antiga base militar, onde o engenheiro já havia construído um primeiro abrigo subterrâneo em 2015.
Veja:
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Segundo Billings, a ideia surgiu tanto por interesse pessoal quanto pela percepção de que o cenário internacional se tornou mais tenso. Ele afirma que, em caso de uma explosão a cerca de 16 quilômetros de distância, a estrutura poderia ajudar a proteger contra efeitos da radiação.
— É um bom lugar para estar se as coisas derem errado. Aconteça o que acontecer, o melhor é estar preparado — disse ele, ao comentar o projeto, segundo o The Sun.
Abrigo, sala de festas ou bar temático
Apesar da função de segurança, o engenheiro afirma que o espaço também pode ter um uso bem mais descontraído. O plano é conectar a fuselagem do avião ao bunker nuclear que já existe no terreno, criando um ambiente amplo e multifuncional.
— Se não for um abrigo antinuclear, pode virar um bar ou uma sala de festas com temática de bunker, equipada com tudo o que é necessário para que você não fique entediado lá embaixo — afirmou.
O interior ainda será decorado com ajuda especial do filho Oliver, de sete anos, que ficará responsável por escolher parte dos detalhes do espaço.
Billings diz que encara o projeto mais como um hobby do que como uma preparação para um cenário apocalíptico. Segundo ele, se estivesse realmente se preparando para o pior, aceleraria a construção.
— Faço essas coisas porque são legais. Gosto disso. Este projeto é interessante e também pode ser funcional — explicou.
Apesar do tom bem-humorado, o engenheiro afirma não acreditar que sua região seja alvo de ataques. Ainda assim, diz que prefere manter o plano pronto.
— Não acho que alguém vá bombardear os vales de Derbyshire — disse. — Mas, se a situação piorar, posso acelerar o processo.
O Papa Leão XIV disse em um canal oficial de comunicação com a Santa Sé que está acompanhando com preocupação a guerra no Oriente Médio e expressou “profunda tristeza por todas as vítimas dos atentados” na região, segundo o Vatican News.
O pontífice disse que entre os mortos estavam “muitos inocentes, incluindo muitas crianças”, bem como “aqueles que os ajudavam, como o padre Pierre El-Rahi”. O sacerdote maronita foi morto na segunda-feira após um ataque israelense em Qlayaa, no Líbano, que atingiu uma casa na área da sua paróquia e deixou uma pessoa ferida.
Como contou o franciscano padre Toufic Bou Merhi à mídia vaticana, padre Pierre correu com outras dezenas de jovens para socorrer o paroquiano. Naquele momento, houve outro bombardeio na mesma casa e o pároco ficou ferido. Levado a um hospital da região, ele não resistiu aos ferimento
O papa disse ainda que “reza para que toda hostilidade cesse o mais rápido possível”, informou a agência de notícias.
Na terça-feira, o Líbano pediu ajuda à Santa Sé pedindo para proteger e preservar a presença dos cristãos no sul do país, na fronteira com Israel. A região tem sido atingida por bombardeios constantes que causaram uma enorme crise humanitária.
Youssef Raggi, ministro das Relações Exteriores libanês, informou através de sua conta na rede social X que teve uma conversa telefônica com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário vaticano das Relações com os Estados e Organizações Internacionais. O diálogo entre os dois foi confirmado também pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.
Durante a conversa, eles “trocaram opiniões sobre os últimos acontecimentos no Líbano e sobre a difícil situação das aldeias fronteiriças no sul”. “Pedi à Santa Sé que interviesse e mediasse para ajudar a preservar a presença cristã nessas aldeias, cujos habitantes sempre apoiaram o Estado libanês e suas instituições militares oficiais e nunca falharam nesse compromisso”, disse Raggi.
No momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que a guerra contra o Irã está perto do fim, a intensidade dos bombardeios contra o país e a ainda resiliente capacidade de retaliação de Teerã sugerem um rumo diferente para o conflito. Décadas atrás, os iranianos começaram a adotar uma doutrina militar, conhecida como “Defesa Descentralizada do Mosaico”, ou “Estratégia do Mosaico”, focada no enfrentamento de uma força invasora e em espalhar os processos de tomada de decisão. Mas ao mesmo tempo em que parece garantir a sobrevivência do regime a curto prazo, para espanto dos comandantes americanos, ela também abre espaço para perigosos erros de cálculo.
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Como lideranças de todos os envolvidos — EUA, Irã e Israel — destacaram numerosas vezes desde o dia 28 de fevereiro, a nova guerra no Golfo foi planejada em paralelo às décadas de animosidade entre Washington e Teerã. Pelo lado americano (e israelense), alvos foram estabelecidos, cenários traçados e figuras centrais do regime identificadas.
No ano passado, a Operação Martelo da Meia Noite, que encerrou um conflito de doze dias entre Irã e Israel com ataques a centrais nucleares iranianas, serviu de prelúdio, com o assassinato de comandantes, políticos e cientistas nucleares. A morte do líder supremo, Ali Khamenei, nos primeiros atos da Operação Fúria Épica, confirmou que era uma ação de eliminação das cadeias de comando e controle, e de destruição de instalações políticas, econômicas e militares. Em mais de uma ocasião, o presidente americano, Donald Trump, citaou a intervenção na Venezuela, em janeiro, que terminou com a captura de Nicolás Maduro e a adesão do chavismo à cartilha dos EUA.
Estrategistas do Pentágono e de Israel passaram anos debruçados sobre planos contra um inimigo comum. O mesmo ocorreu no Irã, com uma abordagem distinta e lições do passado.
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Os “bombardeios de precisão” no Afeganistão demonstraram a necessidade de não concentrar suas principais capacidades — humanas e militares — em poucos lugares. A Guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988, tornou claro o papel dos mísseis balísticos como elemento de retaliação. O colapso relâmpago do regime de Saddam Hussein após a invasão dos EUA do Iraque, em 2003, confirmou a vulnerabilidade da concentração de poder em tempos de guerra.
“A eficácia das forças militares americanas contra as tropas de Saddam Hussein surpreendeu os governantes do Irã, que temiam um possível ataque dos EUA, possivelmente começando com uma campanha aérea para decapitar a liderança principal e interromper o comando e controle”, escreveu Nicholas Carl, especialista em questões de segurança interna do Irã, em relatório para o American Enterprise Institute, em 2023.
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Ao lado de medidas políticas, incluindo a sinalização de que o país havia abandonado seus planos de construir uma bomba atômica, a Guarda Revolucionária começou a implementar uma estratégia para descentralizar processos de decisão em combate, uma doutrina de defesa anunciada em 2005, a “Estratégia do Mosaico”. Seu cerne é a divisão do país em 31 centros separados de comando.
— Cada província é um mosaico, e os comandantes têm a capacidade e o poder de tomar decisões — disse Farzin Nadimi, especialista em defesa do Instituto de Washington, à Rádio Europa Livre, ligada ao governo dos EUA. — Portanto, mesmo isolados de seu comando em Teerã, eles ainda podem funcionar como uma força militar coesa.
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AFP
Pelo modelo organizado por Mohammad Ali Jafari, comandante da Guarda Revolucionária entre 2007 e 2019, as forças de segurança do Estado — Guarda, milícias Basij e as Forças Armadas —, sabem o que fazer caso se vejam isoladas e como empregar as capacidades militares à mão. Barcos de ação rápida intimidam petroleiros que tentam cruzar o Estreito de Ormuz. Brigadas lançam drones ao redor da região e mísseis contra Israel, bases e radares operados pelos americanos, e outras unidades mantêm a produção das aeronaves “kamikaze”.
Milícias no Iraque, Iêmen e Líbano atuam como forças auxiliares e garantem que o conflito não fique restrito ao território iraniano. Elas respondem à Força Quds, um dos braços da Guarda Revolucionária, e que teve a base em Teerã e 16 aeronaves de transporte atingidas por bombas israelenses.
A resistência se torna um conjunto de forças regulares e guerrilha irregular, para causar o maior estrago possível e estender o conflito até extrair uma trégua. A sobrevivência da República Islâmica se sobrepõe à defesa da capital ou seus líderes.
“Tivemos duas décadas para estudar as derrotas das Forças Armadas dos EUA a leste e a oeste de nossas fronteiras. Incorporamos essas lições”, escreveu Abbas Araghchi, chanceler iraniano, na rede social X, no domingo. “Bombardeios em nossa capital não afetam nossa capacidade de conduzir uma guerra. A Defesa Descentralizada do Mosaico nos permite decidir quando — e como — a guerra terminará.”
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Apesar de Trump afirmar que as capacidades militares iranianas foram dizimadas, e do Pentágono afirmar que o volume de projéteis cruzando o Golfo caiu quase 90% em relação ao início da guerra, os mísseis, foguetes e drones ainda causam estragos — refinarias na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos suspenderam operações, e a malha aérea ainda tenta se reerguer. Pela lógica iraniana, esses ataques compartilham o custo da guerra com nações que não estão diretamente envolvidas.
Países como Catar e Omã, atingidos nos últimos dias, discutem nos bastidores caminhos para o cessar-fogo, enquanto outros analisam reduzir investimentos no exterior. O bloqueio do Estreito de Ormuz fez com que a cotação do barril disparasse, e pode servir para que grandes importadores, como a China, busquem protagonismo para acelerar negociações.
— Teerã conta com o tempo para manter seu poder — disse Nico Lange, ex-chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa alemão, ao Wall Street Journal. — Os EUA, por outro lado, ficarão sob pressão imediata para encontrar maneiras de sair ou, pelo menos, limitar a operação, caso a Guarda Revolucionária continue a manter sua capacidade de agir.
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A Estratégia do Mosaico surpreendeu comandantes militares dos EUA. Em entrevista coletiva, Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, reconheceu que “eles estão se adaptando”, e que “estamos observando o que eles estão fazendo e nos adaptando mais rapidamente”.
— Eles estão lutando, e eu respeito isso. Não acho que sejam mais formidáveis ​​do que pensávamos — completou Caine.
Pete Hegseth, secretário de Defesa, disse que as retaliações são um “grande erro” e demonstram “o desespero do regime”. Mas ele reconheceu nas entrelinhas que a escala da resposta iraniana contra as monarquias do Golfo o surpreendeu.
— Não posso dizer que previmos necessariamente que essa seria exatamente a reação deles, mas sabíamos que era uma possibilidade — disse Hegseth. — Eles ainda acreditam que a saída é alienar ainda mais seus parceiros árabes, que, por sua vez, decidiram vir até nós e se mostraram dispostos a partir para a ofensiva.
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Mas a saída iraniana para a guerra tem seus riscos. A descentralização abre espaço para decisões sem respaldo estratégico e para erros de cálculo. Nos últimos dias, dois mísseis foram interceptados no espaço aéreo da Turquia, um país membro da Otan. Drones também atingiram um aeroporto no enclave de Nakhchivan, controlado pelo Azerbaijão. Nos dois casos, Teerã disse não ser responsável, e acusou Israel de tentar arrastar os países para o conflito. Já o ataque contra um porto em Omã, que vinha atuando como mediador das conversas entre Irã e EUA, foi criticado até dentro do governo.
— O que aconteceu em Omã não foi uma escolha nossa. Já dissemos às nossas Forças Armadas para terem cuidado com os alvos que escolhem — disse Araghchi à rede al-Jazeera, no dia 1º de março. — Esta é uma guerra que nos foi imposta pelos Estados Unidos e por Israel. Espero que eles (países árabes) entendam que o que está acontecendo na região não é culpa nossa, não foi escolha nossa.
Quando Israel e os Estados Unidos lançaram as primeiras bombas sobre Teerã, sua cidade natal, Aryan ficou eufórico. Ele estava convencido de que estava testemunhando o fim de quase cinco décadas de uma teocracia brutal. Uma semana após o início do ataque, ele viu o céu da meia-noite iluminar-se sob um bombardeio feroz e presenciou o amanhecer escurecer enquanto uma fumaça negra e tóxica sufocava a capital iraniana e queimava sua pele. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na segunda-feira que a guerra contra o Irã “vai acabar em breve”, o governo israelense divulgou nesta terça-feira uma declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reafirmando a continuidade das ações militares contra Teerã. Em um momento em que as consequências do conflito aprofundam suas dimensões globais e os custos políticos se revelam para Washington e para as capitais do Oriente Médio, os aliados demonstram que a estreita coordenação no plano tático-militar não se repete com o mesmo nível de precisão no campo político — em que cada um parece ter um nível diferente de tolerância à permanência em estado de guerra e um cálculo estratégico para perseguir o que se mostrou uma lista de objetivos frouxa, fatores que podem dificultar o fim definitivo das ações.
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— Nossa aspiração é que o povo iraniano se liberte do jugo da tirania. Em última análise, depende deles [povo iraniano]. Mas não há dúvida de que, com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando os ossos deles [regime teocrático] e ainda não terminamos — disse Netanyahu durante uma visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde na noite de segunda-feira, apesar da fala só ter sido divulgada nesta terça em um comunicado, após entrevistas ambíguas de Trump, em que evitou estimar a data, mas sugeriu que a campanha militar se encaminhava para o fim.
A divergência entre um flerte com a desescalada e o desejo pela continuidade aponta que, mesmo em um alinhamento que foi capaz de planejar e executar o letal ataque que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no primeiro dia de conflito, há limitação no campo material. Embora Israel e EUA sempre tenham demonstrado o interesse em transformar Teerã em um ator regional em sintonia com o Ocidente, e que tanto Trump quanto Netanyahu tenham justificado a ação, para além de razões de segurança, na libertação do povo iraniano de um regime opressivo, o preço que cada um se mostra disposto a pagar para atingir o objetivo final é diferente — sobretudo em um momento em que a estrutura da Revolução Islâmica demonstra capacidade de manter suas funções usuais e realizar a sucessão da liderança sob intenso fogo inimigo.
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— Há menos divergências entre os objetivos finais almejados por EUA e Israel do que propriamente quanto aos possíveis impactos que outro resultado [que não uma mudança de posição do regime] teria nos respectivos países — afirmou o professor de Relações Internacionais Rodrigo Amaral, que leciona na PUC-SP. — Para Israel, o Irã representa uma inimizade terrena, em sua região. Os objetivos contemporâneos do Irã, de solidificar o seu Estado e garantir uma ordem hegemônica regional através de suas alianças diverge do objetivo israelense, que é fazer com que os Estados reconheçam sua existência e garantir sua segurança.
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Pesos e custos
As opções para encerrar o conflito parecem mais viáveis para Trump do que para seus sócios em Israel. Autoridades americanas retiraram das declarações públicas, após o discurso do presidente no dia inicial da ofensiva, menções à queda do regime. Também passaram a listar objetivos militares que, em grande parte, podem ser alcançados por meio da campanha de bombardeios aéreos e navais, como a destruição da Marinha iraniana e das capacidades de mísseis, além do fim das supostas pretensões de Teerã de desenvolver uma bomba atômica.
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Retirar-se cumprindo os objetivos militares também abafaria para Trump o que se tornou uma frente de pressão interna, uma vez que a maior parte da população americana se mostra contra o conflito — uma pesquisa Quinnipiac feita no fim de semana indicou que 53% dos eleitores registrados desaprovam a guerra — em ano de eleições parlamentares.
Em Israel, o cálculo é diferente. A ação contra o Irã conta com o apoio de 93% da população judia do Estado, segundo pesquisa recente do Instituto Democracia Israel. O apoio a Netanyahu também subiu com a ação contra o rival que culpou, em última instância, pelo ataque terrorista lançado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. O premier prometeu refundar os parâmetros de segurança do país após a falha que permitiu a morte de mais de 1,2 mil cidadãos.
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Ao contrário do cenário para Trump nos EUA, o conflito por si só reforça a posição do primeiro-ministro antes das eleições parlamentares agendadas para outubro, segundo Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, que aponta a vitória nas urnas como preocupação existencial para Netanyahu — réu em uma série de processos na Justiça e alvo de investigações policiais. A tendência para o líder israelense seria manter a ofensiva.
— Do ponto de vista de Netanyahu, essa guerra tem que continuar. E Israel pode continuar, se tiver o apoio de armamentos e financeiro dos EUA — avaliou o professor, projetando um cenário sem ataques diretos por parte de Washington. — As Forças Armadas do país podem continuar lutando sozinhas e teriam meios de continuar fazendo essa campanha aérea como mostrou a guerra dos 12 dias. Resta saber qual seria o interesse de Trump, considerando toda a pressão sobre o setor do petróleo e no Estreito de Ormuz.
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Entre cálculos e bombardeios
A breve incongruência nos discursos oficiais não interrompeu as ações no campo de batalha nesta terça-feira. Os EUA lançaram o que o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou como “dia mais intenso” de ataque contra alvos iranianos, enquanto Israel anunciou uma nova onda de bombardeios que teria, entre outros pontos de impacto, dizimado a infraestrutura das forças Basij na província de Ilam (sudoeste iraniano).
Ainda assim, diferenças foram marcadas. Em entrevista coletiva no Pentágono, Hegseth disse que o recente ataque israelense contra depósitos de combustível iranianos não era “necessariamente” um objetivo americano. Perguntado sobre o caso, que causou polêmica mesmo entre republicanos — que viram risco de prejuízo à imagem interna da ofensiva —, o secretário indicou que Israel “perseguiria” seus próprios “objetivos diferentes”. O secretário também voltou a rejeitar que os americanos estejam agindo por influência israelense e se negou a estimar a duração da ofensiva.
— [Trump] controla o acelerador. É ele quem decide — disse Hegseth. — Não cabe a mim dizer se é o começo, o meio ou o fim.

Trump disse recentemente que a ofensiva com o Irã duraria quatro ou cinco semanas. Apesar de ter reforçado a mensagem de que os EUA estão “ganhando a guerra”, ele demonstrou contrariedade pela ascensão do filho de Khamenei, Mojtaba, como novo líder supremo — uma indicação de que não está em curso uma mudança estrutural no regime. Na segunda, disse a apoiadores que a ofensiva era uma “excursão curta”.
— Parece-me que Trump acreditou que conseguiria uma queda do regime relativamente fácil — disse Rudzit. — Que diante da demonstração de força ao matar Khamenei, alguém mais moderado seria eleito para negociar a paz, que até poderia continuar, desde que fosse moderado. Com a negativa, sobretudo da Guarda Revolucionária do Irã, eles parecem agora estar decidindo o que fazer.
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Em entrevista à rede americana PBS News, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira que EUA e Israel falharam em alcançar o objetivo inicial de forçar uma mudança de regime. O principal diplomata da nação persa disse duvidar que os inimigos tenham um plano de fato.
— Eu não acredito que eles tenham nenhum objetivo final realista em suas mentes, porque estamos diante de algo caótico — disse Araghchi. — Suas palavras e ações, eles apenas começaram a nos atacar de maneira indiscriminada.
A Guarda Revolucionária Iraniana, em uma declaração separada, afirmou que a organização decidiria quando se daria o fim do conflito, e não os inimigos.

Murib Zaman trabalhou como motorista nos Emirados Árabes Unidos (EAU) por duas décadas, vivendo a mais de 1.600 km de sua família no noroeste do Paquistão e enviando US$ 300 (cerca de R$ 1.500) por mês para casa. Abu Dhabi, capital dos Emirados, parecia muito mais segura do que sua remota aldeia, onde militantes talibãs paquistaneses vagavam. Agora, os pais dele receberam a notícia de que o filho havia sido morto em uma guerra distante — atingido por destroços que caíram de um míssil iraniano interceptado, segundo comunicado do governo dos EAU. Dezenas de milhões de pessoas como Zaman formam a espinha dorsal da economia dos Estados do Golfo Pérsico, ricos em petróleo e gás natural que dependem fortemente de mão de obra estrangeira. Desde o início do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, os persas dispararam centenas de mísseis e drones em retaliação aos vizinhos. São os migrantes que estão pagando o preço mais alto. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em Santiago, na capital chilena, quando José Antonio Kast atravessar o pátio de La Moneda hoje para iniciar seu governo, a cena vai marcar uma virada já em andamento na história política do país. A posse formal ocorre em Valparaíso, cidade litorânea sede do Legislativo, mas é naquele prédio, bombardeado em 1973 para derrubar o governo de Salvador Allende e dar início à ditadura de Augusto Pinochet, que o Chile deixará de se explicar politicamente pelo plebiscito de 1988 e passará a operar com outro marco recente, formado no ciclo constituinte de 2019 a 2022 e finalizado agora, com o ultradireitista Kast. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Ministério de Relações Exteriores anunciou na noite desta terça-feira que o primeiro voo com brasileiros partindo do Catar desde o início da guerra no Oriente Médio deverá ser realizado na quarta-feira. A aeronave partirá de Doha com destino a São Paulo.
“Após gestões do Ministro Mauro Vieira junto ao Primeiro-Ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, foi anunciado que, em 12/3, partirá o primeiro voo Doha-São Paulo desde o início das hostilidades, ampliando as opções de retorno seguro a brasileiros e sul-americanos”, diz a nota divulgada pelo Itamaraty.
O anúncio ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei, e desencadearam uma guerra.
Desde então, Teerã tem respondido com ataques a bases militares e infraestruturas ligadas a aliados de Washington na região, entre eles Israel, Iraque, Arábia Saudita, Catar e Omã.
A troca de ataques entre Israel e Irã entrou em sua segunda semana, com bombardeios e lançamentos de mísseis em diferentes pontos do Oriente Médio.
A escalada já provocou impactos diretos no tráfego aéreo internacional. Diversos países fecharam temporariamente seus espaços aéreos e companhias aéreas suspenderam rotas na região, o que deixou milhares de passageiros retidos em aeroportos do Golfo.
As autoridades argentinas anunciaram nesta terça-feira a identificação dos restos mortais de doze vítimas da última ditadura militar (1976-1983), localizados no terreno do antigo centro de detenção clandestino “La Perla”, na província de Córdoba (região central da Argentina). As descobertas foram feitas durante escavações conduzidas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), uma organização de renome internacional dedicada à identificação de indivíduos por meio de análises de DNA e restos mortais.
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Essas identificações são resultado de “análises antropológicas e genéticas realizadas pela EAAF nos restos mortais recuperados na Guarnição Militar de La Calera”, onde La Perla funcionava, segundo um comunicado da organização.
O tribunal responsável pelo caso deve informar as famílias das vítimas sobre as descobertas. Somente então, e se as famílias assim o desejarem, as identidades dos indivíduos serão reveladas ao público. A identificação dos restos mortais, encontrados em 2025, coincide com o 50º aniversário do golpe de Estado de 24 de março de 1976.
Organizações de direitos humanos estimam que cerca de 30 mil pessoas foram detidas e desapareceram durante a ditadura, e todos os anos, em 24 de março, centenas de milhares de pessoas em todo o país saem às ruas para exigir justiça para as vítimas e saber seu paradeiro, informação que centenas de ex-militares se recusam sistematicamente a revelar.
“La Perla”, localizada a poucos quilômetros da cidade de Córdoba, operava sob o controle do Exército e foi palco de assassinatos em massa. Centenas de outros centros de detenção como este existiram em todo o país.
Entre 2.500 e 3.000 pessoas passaram por La Perla, que funcionou entre 1976 e 1978, segundo estimativas do Arquivo Provincial da Memória de Córdoba.

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