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O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, fará uma visita de Estado ao Brasil na próxima segunda-feira, confirmaram fontes diplomáticas brasileiras e bolivianas à coluna. O governo do presidente Lula continua firme em sua intenção de manter boas relações com governos de direita e, no caso da Bolívia, de centro-direita da região. O objetivo é claro: não deixar o espaço livre para as candidaturas de direita na eleição presidencial brasileira.
No Chile, onde participa nesta quarta-feira da posse do novo presidente do país, José Antonio Kast, o chefe de Estado boliviano afirmou, perguntado por sua relação com o Brasil, que “é lógico que nos demos bem e juntos possamos crescer”. Paz minimizou a ausência de Lula na posse de Kast.
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Essa ausência alimentou rumores sobre a suposta incomodidade do presidente brasileiro com a presença na cerimônia de posse chilena de Flávio Bolsonaro. Fontes do Palácio do Planalto negaram essas versões e afirmaram que “Lula já esteve com Kast no Panamá em janeiro, e há muito a fazer no Brasil”.
A visita de Paz confirma que o governo brasileiro continuará apostando no que assessores de Lula chamam de “regionalismo possível”. Em outras palavras, relações pragmáticas com governos com os quais o Brasil de Lula tem expressivas diferenças políticas e ideológicas.
No caso da Bolívia, há enorme interesse por parte do governo de Paz em que a Petrobras retome investimentos no país. O assunto, disseram fontes diplomáticas, estará na pauta. “Energia, em geral, será um tema central da pauta”.
No Chile, o Brasil foi representando pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que levou ao novo presidente chileno uma carta de Lula convidando Kast para uma visita ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone na manhã desta quarta-feira com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Um dos pontos tratados, de acordo com interlocutores, foi a preocupação dos governos sul-americanos com a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Segundo relatos de integrantes do governo brasileiro, o tema da segurança regional e os possíveis desdobramentos desse enquadramento estiveram no centro da conversa entre os dois presidentes. Em Brasília, há apreensão de que a eventual classificação de grupos como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas possa abrir caminho para novas medidas jurídicas e operacionais por parte de Washington.
O governo brasileiro tem acompanhado com cautela o debate em curso nos Estados Unidos e defende que o combate ao crime organizado seja intensificado por meio da cooperação internacional, mas preservando a soberania dos países da região. A preocupação em Brasília é que a classificação dessas organizações como terroristas produza efeitos jurídicos e políticos mais amplos nas relações entre os países e na agenda de segurança da América Latina.
Em nota, o Palácio do Planalto informou que a conversa foi voltada aos preparativos da próxima Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para 21 de março, em Bogotá. Segundo o governo brasileiro, os dois líderes trataram da integração latino-americana e caribenha.
Durante a conversa, Lula e Petro ainda confirmaram presença na quarta edição do evento Em Defesa da Democracia, organizado pelo governo da Espanha e programado para 18 de abril, em Barcelona.
Como forma de retaliação aos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel, o Irã fechou o Estreito de Ormuz no segundo dia da guerra e ameaçou incendiar qualquer navio que tentasse passar pelo local, que é uma rota vital para o transporte mundial de petróleo e gás. Agora, enquanto os produtores de petróleo do Golfo, da Arábia Saudita ao Iraque, reduzem a produção e buscam novas rotas que contornem o Estreito, Teerã continua operando normalmente, inclusive com mais exportação do que antes da guerra, segundo a empresa de rastreamento de petroleiros Kpler.
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Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, sete navios carregaram petróleo na costa iraniana, segundo a Kpler. Desses, pelo menos dois eram do Golfo Pérsico. Nos últimos seis dias, ainda de acordo com a Kpler, os cargueiros levaram uma média diária de 2,1 milhões de barris de petróleo iraniano, número superior às exportações do Irã em fevereiro.
A ameaça da Guarda Revolucionária Islâmica de atacar qualquer navio que tentasse cruzar o Estreito afastou embarcações que transportavam petróleo e mercadorias entre o resto do mundo e o Golfo Pérsico, região responsável por cerca de um terço da produção mundial do óleo. A crise, então, gerou temores e caos na economia global, com milhões de barris de petróleo sendo retirados do mercado todos os dias.
Caso o Estreito permaneça bloqueado por duas semanas, o fornecimento de petróleo do Golfo poderá ser reduzido em cerca de 3,8 milhões de barris por dia, segundo o banco JPMorgan, um dos maiores dos EUA, o que representa mais de 3% da produção global.
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Segundo dados da Kpler, grande parte do petróleo iraniano que atravessa o Estreito ou se dirige para ele tem como destino a China, transportado por cargueiros que fazem parte da chamada frota paralela. Trata-se de antigos petroleiros utilizados pelo Irã e pela Rússia, frequentemente alvo de sanções dos EUA, para o transporte clandestino de petróleo bruto.
— Quase todos os navios que atravessam o Estreito estão ligados ao Irã ou à China — afirmou Christopher Long, chefe de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Neptune P2P Group, em entrevista ao Wall Street Journal. — Estamos aconselhando todos a não atravessarem.
Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo bruto da Kpler, afirmou que somente escoltas militares, um cessar-fogo ou uma capitulação iraniana levariam os exportadores a retomar o trânsito no Estreito.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz, mas até agora não houve tal assistência. Na ocasião, Ali Reza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, alertou contra essas escoltas. “Qualquer passagem da frota dos EUA e seus aliados será interrompida pela rede de mísseis iranianos e drones suicidas”, escreveu Tangsiri no X.
Navio de bandeira tailandesa Mayuree Naree em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico
Marinha Real da Tailândia/AFP
As Forças Armadas do Irã intensificaram, nesta quarta-feira, os ataques contra navios-petroleiros e de transporte de carga no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Ao menos quatro navios foram atacados nesta quarta, um dia após Trump ameaçar com “consequências militares de uma magnitude sem precedentes” ameaçasse o comércio marítimo na região com a instalação de minas navais.
Na terça-feira, a rede americana CNN revelou que a Guarda Revolucionária começou a instalar minas navais na região do Estreito de Ormuz. De acordo com a CNN, dezenas de minas foram instaladas nos últimos dias, cobrindo uma área relativamente pequena da passagem que leva do Mar da Arábia ao Golfo Pérsico. O Exército ideológico do Irã possui capacidade considerável de ação naval na área, com lanchas de ataque rápido, mísseis em áreas costeiras e barcos para instalar novas minas. Teerã, por sua vez, não confirmou a informação.
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Já segundo a Lloyds List Intelligence, uma empresa de inteligência naval, cerca de 15 navios cruzaram o Estreito desde o início da guerra, sendo que a maioria das embarcações clandestinas estavam transportando petróleo iraniano para a China e a Índia. Muitos são pequenos petroleiros chineses que comunicam sua presença e origem à Guarda Revolucionária por meio de alto-falantes.
“Somos um navio chinês. Estamos passando; somos amigáveis”, transmitem os navios chineses para a Guarda Revolucionária, segundo o Wall Street Journal.
Aposta calculada
Na semana passada, segundo a Kpler, um navio-tanque chamado Skywave, com destino à China, carregou petróleo na ilha iraniana de Kharg, um pequeno enclave no extremo noroeste do Golfo Pérsico, para onde é exportada a maior parte do petróleo bruto do Irã. Na última terça-feira, o navio, sob uma bandeira falsa de Comores, estava perto de cruzar o Estreito de Ormuz, segundo o Marine Traffic.
A embarcação pertence a uma empresa de fachada indiana que foi sancionada pelos EUA no ano passado como parte de uma rede que, segundo Washington, financiava diretamente as Forças Armadas iranianas por meio de bilhões de dólares em alocações de petróleo bruto.
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Outro navio com destino à China, o Cume, pertence a uma entidade de Dubai sancionada pelos EUA e ostenta uma bandeira falsa da Guiana, segundo o banco de dados Equasis da União Europeia. Ele carregou 2 milhões de barris de petróleo bruto iraniano em 19 de fevereiro, cruzou o Estreito de Ormuz na semana passada e está atualmente no Golfo de Omã, de acordo com Kpler.
A decisão dos petroleiros da frota paralela de atravessar o Estreito de Ormuz continua sendo uma aposta calculada, mesmo que transportem petróleo iraniano. Pelo menos dois petroleiros dessa frota paralela já foram atingidos pelo Irã.
As Forças Armadas do Irã afirmaram nesta quarta-feira que não permitirão que “nem um único litro de petróleo” transite pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo, reiterando o já anunciado fechamento da via navegável, que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ordenou após o início da guerra com EUA e Israel. O controle da passagem tem importância estratégica tanto na tática de resistência iraniana quanto nos planos israelense e americano, com seu impacto sendo sentido ao redor do globo.
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O Estreito de Ormuz é o acidente geográfico que divide o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. A costa norte é controlada em sua totalidade pelo Irã, enquanto o sultanato de Omã controla a margem sul, quase na fronteira com os Emirados Árabes Unidos. As águas por onde navegam os petroleiros e cargueiros que costumam transitar pela rota — antes do conflito, a média diária era de 129 navios (ver gráfico abaixo) — são consideradas internacionais pelo Direito Internacional e pela ONU. O status confere uma série de proteções à livre navegação e vedações a ações unilaterais — que têm sido violadas.
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A Guarda Revolucionária iraniana confirmou nesta quarta-feira o bombardeio a duas embarcações — um navio-graneleiro de bandeira da Tailândia e um navio de bandeira da Libéria, que acusaram ser de propriedade de Israel. Há relatos de ao menos quatro navios atingidos por projéteis nesta quarta. As forças iranianas afirmaram que qualquer embarcação que pretenda passar pela via marítima deve pedir autorização, sob risco de afundamento.
A agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO) apresentou um balanço nesta quarta-feira, em que contabiliza 14 incidentes contra navios na região desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Trânsito diário de navios pelo Estreito de Ormuz
Arte/O GLOBO
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Um corredor ainda mais curto
Embora tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre as margens norte e sul, a parte transitável para os gigantescos petroleiros e navios de carga que cruzam diariamente Ormuz é consideravelmente menor. As embarcações percorrem dois corredores marítimos definidos, chamados de canais de tráfego, estabelecidos internacionalmente para organizar o fluxo e evitar acidentes.
Cada um dos canais tem apenas três quilômetros de largura, com uma faixa de separação de outros três quilômetros entre eles. Um corredor é usado para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico, em um sistema de mão dupla semelhante a uma estrada. Ou seja, todo o tráfego comercial global fica ali, naquele trecho, comprimido em seis quilômetros.
A área reduzida e a previsibilidade sobre o trânsito das embarcações torna toda a região vulnerável às ações iranianas, cujos mísseis e drones são capazes de cortar toda a extensão do Golfo, e que tem a capacidade de instalar minas navais, capazes de avariar severamente e afundar embarcações de uso militar e civil.
Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz
Arte O Globo
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Como o Irã bloqueia a rota naval?
Há décadas o regime iraniano se prepara para uma eventual guerra com seus adversários regionais. O país investiu em um extenso programa de mísseis balísticos ao fim da guerra com o Iraque (1980-88), e evoluiu nos últimos anos a produção de drones de baixo custo, usados sobretudo para ataques nos chamados “enxames”. Teerã também conta com um volumoso arsenal de minas navais, que poderiam transformar a região em um campo minado.
O Irã conta com um estoque de minas navais que varia de 2 mil a 6 mil unidades, segundo avaliação do Soufan Center, uma organização sediada em Nova York especializada em questões de segurança. Os apetrechos são considerados pequenos, silenciosos e difíceis de detectar, e podem ser posicionadas por meio de submarinos, navios ou até helicópteros. O Pentágono afirmou ter afundado 16 navios da Marinha iraniana especializados na instalação das minas, na terça-feira.
O regime iraniano não parece ter recorrido à tática — o que significaria uma escalada de difícil reversão — até o momento. Uma fonte militar ouvida pelo jornal americano Wall Street Journal afirmou que as estimativas são de que apenas cerca de 10 dispositivos tenham sido instalados.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA mostra disparo de mísseis Tomahawk contra navios lançadores de mina do Irã
Reprodução/CENTCOM/X
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A indicação da Guarda Revolucionária nesta quarta-feira também parece ser a de uma estratégia de “controle reversível” — uma vez que ao menos sinaliza que, com autorização, o trânsito poderia ser liberado. A medida pode indicar uma tentativa de controlar a tensão já elevada com países produtores de petróleo Golfo, alvos de ataques constantes nos últimos 12 dias.
Para os ataques direcionados, Teerã dispõe de um amplo arsenal de mísseis e drones, que desde a guerra de 12 dias, em junho do ano passado, mostraram ter capacidade de alcance para atingir os mais variados alvos na região. O Irã mantém ao longo da costa baterias móveis de mísseis antinavio — incluindo modelos como o Noor e o Khalij Fars, com capacidade de atingir alvos durante a navegação. Com uma topografia costeira montanhosa, essas plataformas podem ser deslocadas e escondidas com facilidade, dificultando a neutralização
Forças americanas e israelenses afirmam ter explodido grande parte do arsenal de mísseis e drones iranianos desde o início da guerra, mas os ataques mais recentes mostram que Teerã ainda dispõe de formas de provocar dano. Analistas apontam uma estratégia de disparos “com parcimônia”, a fim de fazer durarem os estoques em um ritmo que mantenha os movimentos ofensivos.
Relação entre preço do petróleo e dos alimentos
Arte/ O GLOBO
Oposição pede cautela: Irã diz que vai tratar manifestantes como ‘inimigos’
Outras táticas também são possíveis. Embora os EUA tenham declarado como um objetivo central de sua ofensiva a destruição da Marinha iraniana, com o afundamento confirmado de embarcações de importância estratégica na Armada persa, a Guarda Revolucionária é famosa por sua frota de lanchas rápidas, que têm capacidade de cercar embarcações maiores, intimidar e até executar ataques em coordenação com drones.
A tática é sobretudo preocupante quando os alvos são navios comerciais, com capacidades restritas para resistir a ataques com equipamentos militares.
Foto de arquivo mostra navio da Marinha iraniana em exercício naval na região do Estreito de Ormuz
EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO
Ainda sob repressão do regime: Iranianos veem esperança de mudança se despedaçar sob bombardeios de EUA e Israel
Gargalo estratégico
A importância econômica da passagem estratégica é um aspecto central na tática de resistência do Irã. Ciente da incapacidade prática de vencer uma guerra convencional contra uma sociedade militar formada por EUA e Israel, a coerção econômica por meio da perturbação do mercado internacional de hidrocarbonetos é a melhor chance que o regime iraniano vislumbra de impor pressão sobre os governos rivais e forçar um fim das hostilidades contra o seu território.
Parte dos maiores produtores de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Kuwait e o próprio Irã. Em menos de duas semanas de conflito, a instabilidade já afetou o preço do petróleo, com o barril de petróleo chegando a ser negociado em um patamar próximo a US$ 120 em alguns mercados asiáticos na segunda-feira. O preço registrou queda, mas o patamar segue elevado nas principais bolsas do mundo.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã
Reprodução/Nasa
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— A estratégia do Irã é pressionar Washington provocando a ira dos Estados do Golfo e elevando os preços do petróleo, gás e outras matérias-primas — explicou Burcu Özçelik, especialista em segurança do centro britânico RUSI.
A comunidade internacional está mobilizada e discute formas de diminuir o impacto das ações militares no comércio global de petróleo. Alemanha e Japão anunciaram que liberariam reservas estratégicas para aumentar a demanda e controlar os preços, enquanto os países do G7 discutem fazer o mesmo. Trump anunciou que estaria disposto a “escoltar” com navios da Marinha americana os navios mercantes na região — uma solução que do ponto de vista militar e de custos é alvo de questionamentos. (Com AFP e NYT)
Um levantamento feito pela Organização Não Governamental (ONG) Justiça 11J, elaborado entre janeiro de 2025 e os primeiros dias de março deste ano, revelou que 46 pessoas detidas nos protestos cubanos ocorridos em julho de 2021 — contra o regime revolucionário do país — morreram por falta de atendimento médico. O relatório foi entregue em forma de denúncia na última audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizada na última terça-feira.
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Segundo a diretora da organização, Camila Rodríguez, as pessoas presas estavam falecendo nas prisões ou em hospitais, após serem transferidas às unidades já em “condições irreversíveis”. Ainda de acordo com Rodríguez, os dados utilizados no levantamento foram retirados de monitoramentos de grupos da sociedade civil. O documento divulgado dava conta de um total de 294 casos de pessoas detidas, entre elas, as 46 pessoas que faleceram
— Até o momento, não temos conhecimento de investigações independentes, nem de agentes penitenciários que tenham sido responsabilizados por estas mortes sob custódia estatal — disse Rodríguez.
Cristian Jiménez, representante da Anistia Internacional (AI), afirmou que a privação de liberdade em Cuba segue sendo uma política de punição à liberdade daqueles que protestam de forma pacífica por melhorias no país.
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— Esta é uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto — pontuou Jiménez.
Protestos em Cuba
Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos foram às ruas com gritos de “temos fome” e “abaixo a ditadura”. Este era um protesto inédito, que não ocorria desde a revolução de 1959. Na época, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel pediu que seus apoiadores tomassem as ruas, em resposta às manifestações feitas por opositores. Canel também chegou a atribuir a crise enfrentada pela ilha — que segue presente até hoje — ao embargo promovido pelos Estados Unidos.
— A ordem de combate está dada: os revolucionários devem ir para as ruas — disse o presidente em julho de 2021.
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Em contexto de pandemia do coronavírus, ainda predominante em todo o mundo naquele ano, os cubanos se revoltaram pelas más condições de controle da doença, com subida elevada dos casos e colapsos em centros de saúde. Outros fatores, como a grave crise econômica e a falta de acesso à internet, foram apontados, à época, como motivadores das manifestações do povo de Cuba.
O preço do petróleo costuma ser a maior preocupação sempre que surge um conflito no Oriente Médio. Mas, desde o primeiro ataque dos Estados Unidos ao Irã, na madrugada de 28 de fevereiro, o que se observa é uma ampliação do conflito para uma escala regional, com investidas de ambos os lados contra infraestruturas ligadas à produção e à distribuição de petróleo e gás, além do fechamento do Estreito de Ormuz, que tem um enorme efeito sobre a logística desse mercado, já que por lá passam 20% do petróleo consumido globalmente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A “Operação Fúria Épica”, iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro com o objetivo de derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei , morto naquele mesmo dia, tem efeitos que vão além do impacto imediato nos países do Oriente Médio. O que significa a troca de poder no Irã? Há riscos de um conflito global?
Convidamos nossos leitores a enviar perguntas sobre o tema. As questões selecionadas pela Redação foram respondidas pelo repórter Filipe Barini, da editoria Mundo do GLOBO.
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Veja abaixo as perguntas dos leitores e as respostas:
Por que os EUA atacaram o Irã? Quem deve se responsabilizar pelas mortes? (por Fernando Pereira)
Essa é a pergunta de um bilhão de dólares (custo estimado de um dia de guerra). Desde os primeiros bombardeios, Donald Trump alegou que os iranianos estavam prestes a atacar os EUA e Israel; que estavam perto de obter uma bomba nuclear; que era uma operação de mudança de regime; que tentava fomentar um levante popular contra a República Islâmica; e que queria destruir as capacidades militares em prol da segurança regional. O presidente americano parece ter sido influenciado pelo premier de Israel, Benjamin Netanyahu, que planejava lançar uma guerra, com ou sem os EUA, ainda no primeiro semestre, mas Trump tem reiterado que a palavra final foi sua. Por enquanto, a resposta mais simples, embora frustrante, é: apenas Trump sabe por que o Golfo Pérsico está diante de uma guerra de grande porte. Já sobre a responsabilidade pelas mortes, as respostas são mais claras. No Irã, quase 1,3 mil pessoas morreram nos ataques americanos e israelenses — apesar de a Casa Branca não assumir, perícias independentes mostram que um míssil dos EUA atingiu uma escola no sul do Irã, deixando quase 170 mortos, incluindo crianças e adolescentes. As retaliações iranianas causaram mortes em sete países, e a ofensiva de Israel contra o Hezbollah (aliado do Irã) no Líbano devastou partes do país e deixou quase 400 mortos. 
Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz
Giuseppe Cacace/AFP
Quais as consequências desta guerra? (por Maria Alzira Vilar Ferreira)
Para grande parte do planeta, o bolso sentirá o primeiro impacto. O barril do petróleo deu um salto após o virtual fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global, e consumidores na Europa já pagam quase 50% a mais pelo gás natural. As palavras de Trump sugerindo que a guerra está perto do fim ajudaram a derrubar a cotação inicialmente, mas seus comandantes sugerem que um cessar-fogo não será imediato ou simples. Os ataques iranianos contra refinarias e unidades de produção no Oriente Médio também levaram a cortes na extração, reduzindo o volume disponível de petróleo no mercado. Politicamente, mesmo diante de 10 dias de ataques incessantes, o regime em Teerã segue vivo e no comando, mas com caras novas. O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei é aliado da Guarda Revolucionária, que hoje dá as cartas no país, e pouco aberto a reformas. No Golfo, as retaliações contra as monarquias árabes não ajudaram os iranianos a ganharem novos amigos, e devem marcar o início de uma relação mais distante e pragmática, e uma provável aproximação com os americanos. Para Israel, o conflito é apresentado como o enfrentamento a uma ameaça existencial, e mesmo se um cessar-fogo for obtido, a possibilidade de novos embates é elevada. Para Trump, uma guerra longa (e impopular) traz os riscos de novas mortes de militares americanos, de impactos à inflação e de uma derrota nas eleições de novembro, quando a Câmara e parte do Senado serão renovados, algo que pode marcar decisivamente seus últimos anos no cargo.
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Quantos militares americanos já morreram ou foram feridos (incluindo os que estão no hospital da Alemanha) na Operação Fúria Épica? (por Fernando Antonio Barreiros)
Segundo o Comando Central dos EUA, responsável por operações militares no Oriente Médio, sete militares morreram desde o início da guerra, seis deles em um ataque com drones contra um centro de operações no porto de Shuaiba, no Kuwait. Na segunda-feira (dia 9/3), o Pentágono confirmou a morte de mais um militar, que havia sido ferido em um ataque contra posições americanas na Arábia Saudita, no dia 1º de março. Uma oitava morte foi confirmada também na segunda-feira, mas as causas não foram reveladas: segundo o Comando Central, se tratou de um “incidente de saúde”, não ligado a combates, e que está sob análise. O Pentágono ainda anunciou que nove militares estão internados em estado grave por ferimentos ligados a ataques iranianos. Desde o início do conflito, o Departamento de Defesa suspendeu alguns atendimentos (como partos) no hospital militar localizado na base de Rammstein, na Alemanha, para onde os feridos mais graves são levados, informou o portal Military Times na semana passada.
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Fumaça subindo do local de um ataque aéreo israelense que atingiu o bairro de Haret Hreik, nos subúrbios do sul de Beirute, em 4 de março de 2026. Israel lançou novos ataques contra o Irã e o Líbano, onde a mídia estatal noticiou que um prédio residencial foi atingido em 4 de março, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter bloqueado uma das rotas marítimas mais vitais do mundo para o transporte de energia.
AFP
Existe o risco de o conflito no Oriente Médio se tornar uma Terceira Guerra mundial? (por Lucy Jambo Torres)
É praticamente consenso que não. As grandes forças militares, incluindo Europa, China e Rússia, parecem mais interessadas em ver o fim da guerra no Golfo do que expandi-la para seus domínios, e temem os efeitos econômicos prolongados. Tampouco parece haver disposição de outros países para se juntarem em uma aliança liderada por americanos e israelenses — as monarquias árabes da região, por exemplo, não atacaram o Irã mesmo depois de serem bombardeadas. E existe a noção de que um novo conflito global provavelmente envolveria os arsenais nucleares: como disse o cientista Carl Sagan, um conflito atômico seria similar a “dois inimigos jurados, com gasolina até a cintura, um com três fósforos e o outro com cinco”, e hoje ninguém está disposto a bancar um incêndio sem vencedores. Mas isso não significa que é possível respirar tranquilamente. A falta de justificativas claras para a guerra no Irã, assim como suas retaliações, mostra que governos estão menos dispostos a seguir as regras do sistema internacional desenvolvido depois da Segunda Guerra Mundial, algo evidenciado há quatro anos na invasão russa da Ucrânia.
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Um zoológico japonês que cuida de um filhote de macaco que se tornou uma sensação na internet foi forçado a emitir um comunicado negando que ele estivesse sendo maltratado, após uma onda de preocupação online.
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Filhote de macaco que comoveu internet agarrado a pelúcia é finalmente aceito por grupo em zoológico japonês; vídeo
Punch, um filhote de macaco de sete meses, foi abandonado pela mãe e ganhou fama depois de começar a se agarrar a um brinquedo de pelúcia de orangotango da IKEA em busca de conforto no Zoológico da Cidade de Ichikawa, nos arredores de Tóquio.
Mas depois que o zoológico publicou no X, no mês passado, que Punch “havia sido repreendido muitas vezes por outros macacos”, vídeos que o mostram sendo perseguido por membros do grupo se espalharam online, juntamente com alegações de que ele estava sofrendo bullying.
“Como resultado, recebemos muitas manifestações de preocupação de pessoas tanto no Japão quanto no exterior”, disse o zoológico em um comunicado na terça-feira.
A instituição acrescentou que Punch estava se tornando menos dependente do brinquedo de pelúcia de orangotango porque um número crescente de macacos estava cuidando dele ou brincando com ele.
“Embora os indivíduos dominantes possam demonstrar ações disciplinares em relação aos seus subordinados, como os macacos fazem naturalmente, essas ações na sociedade dos macacos ‘diferem dos abusos humanos'”, afirmou o zoológico.
“Punch passa a maior parte do dia em paz”, acrescentou.
O zoológico também alertou que “Punch se acostumou a viver neste grupo, portanto separá-lo agora criaria o risco de que ele nunca mais pudesse retornar ao grupo e tivesse que continuar vivendo dessa forma pelo resto da vida”.
Rejeitado pela mãe, Punch foi criado em um ambiente artificial após nascer em julho e começou o treinamento para se reintegrar ao seu grupo no início deste ano.
A situação de Punch despertou grande interesse online e criou uma base de fãs dedicada sob a hashtag #HangInTherePunch (“Aguente firme, Punch”, em tradução livre), enquanto grandes multidões lotavam o zoológico e as vendas de seu brinquedo de orangotango da IKEA disparavam.
No entanto, o grupo de direitos dos animais Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) afirmou que a situação de Punch evidenciou a crueldade dos zoológicos e pediu sua transferência para um “santuário de boa reputação, onde ele possa viver em um ambiente mais natural”.
Pode faltar diesel no Brasil no fim de março ou início de abril, alerta Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadoras de Combustíveis (Abicom). Segundo ele, as importações de combustíveis estão paradas desde 28 de fevereiro, diante da grande defasagem entre os preços internacionais e os valores praticados pela Petrobras. Essa diferença chegou a 85% no caso do diesel, embora hoje esteja em torno de 48%, refletindo a forte volatilidade das cotações. No caso da gasolina, o levantamento da Abicom indica defasagem de 25% nesta quarta-feira. A guerra no Oriente Médio — com ataques a estruturas de produção e o fechamento do Estreito de Ormuz — tem provocado forte oscilação no preço do barril de petróleo, que chegou a se aproximar de US$ 120 na segunda-feira e vem variando de acordo com os desdobramentos do conflito. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Imagens divulgadas, nesta semana, pelo Zoológico de Edimburgo, na Edimburgo, mostram pinguins-gentoo compartilhando pequenas pedras coloridas para marcar o início da temporada de reprodução. O gesto faz parte de um comportamento natural da espécie, conhecido como “pebbling”, no qual machos presenteiam suas parceiras com seixos que serão usados na construção do ninho.
As pedras utilizadas neste ano foram pintadas por crianças apoiadas pela Edinburgh Children’s Hospital Charity (ECHC). A atividade integra um programa anual que busca aproximar pacientes internados da natureza. Como tradição do projeto, a primeira pedra é colocada no recinto por uma das crianças participantes.
Confira:
Pinguins se divertem com pedrinhas pintadas no início da temporada de reprodução
Pacientes do hospital acompanham regularmente transmissões ao vivo da colônia de pinguins-gentoo e puderam assistir, em tempo real, ao momento em que as aves escolhem os seixos coloridos.
Segundo Roslyn Neely, diretora-executiva da instituição beneficente, iniciativas como essa ajudam a manter o vínculo das crianças com o mundo natural durante o período de internação. “Mesmo em momentos difíceis para as famílias, atividades assim oferecem uma distração positiva e fortalecem conexões por meio do amor pelos animais”, afirmou.
De acordo com porta-voz do zoológico, os seixos foram levados ao Royal Hospital for Children and Young People durante sessões interativas conduzidas por educadores da Royal Zoological Society of Scotland (RZSS). A iniciativa faz parte de uma parceria contínua que aproxima jovens pacientes dos animais do zoológico e do Highland Wildlife Park.
O zoológico abriga mais de 100 pinguins-gentoo, espécie conhecida por utilizar pedras como elemento essencial na construção de ninhos — motivo pelo qual os seixos costumam desempenhar papel importante nos rituais de corte e acasalamento.

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