O petroleiro russo Arctic Metagaz, alvo de sanções, está à deriva no Mar Mediterrâneo, sem tripulação e com um grande rombo no casco, levantando alertas de risco iminente de desastre ambiental. A embarcação transporta gás natural liquefeito (GNL) e permanece fora de controle, segundo autoridades europeias.
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Uma autoridade italiana ligada a um grupo de nove países da União Europeia classificou o navio como uma “bomba ambiental”. O grupo enviou uma carta conjunta à Comissão Europeia pedindo medidas diante da situação.
O Arctic Metagaz foi gravemente danificado no início do mês em um suposto ataque com drone naval próximo às águas de Malta. A Ucrânia não comentou as informações sobre possível envolvimento.
Após o incidente, o navio passou a se deslocar em direção ao sul, afastando-se das águas italianas e da ilha de Lampedusa, com rumo à Líbia. Autoridades da Itália e de Malta monitoram o trajeto.
Risco de explosão e poluição
O secretário do Conselho de Ministros da Itália, Alfredo Mantovano, afirmou que os riscos são “enormes” e que a embarcação pode “explodir a qualquer momento”.
Além do GNL, o navio transporta cerca de 450 toneladas de óleo combustível e 250 toneladas de diesel, ampliando o potencial de incêndio e poluição. Na tarde de terça-feira, estava a 83 quilômetros das águas territoriais italianas e a 40 quilômetros da zona de busca e resgate atribuída à Líbia.
A embarcação havia partido do porto russo de Murmansk em fevereiro. No início de março, foi atingida por explosões e pegou fogo. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou o episódio como um “ataque terrorista” e atribuiu a responsabilidade à Ucrânia.
‘Frota fantasma’ e ataques recentes
Segundo a Ucrânia, embarcações desse tipo integram uma “frota fantasma” que transporta petróleo e gás russos sob sanções, muitas vezes com transponders desligados para driblar restrições. O país considera esses navios alvos legítimos, alegando que a receita obtida financia a guerra.
O texto também menciona ataques russos contra infraestrutura energética civil ucraniana, que deixaram parte da população sem água quente e aquecimento durante o inverno.
Nos últimos meses, houve aumento de ataques com drones contra petroleiros russos. Em dezembro, o serviço de inteligência ucraniano afirmou ter inutilizado três embarcações em duas semanas, incluindo o Dashan, que sofreu “danos críticos”. Outro caso citado envolve o petroleiro Quendil, atingido no Mediterrâneo.
Alerta ambiental máximo
A tripulação do Arctic Metagaz foi resgatada pela guarda costeira da Líbia após o ataque, deixando o navio sem operadores. Autoridades portuárias líbias chegaram a informar que a embarcação havia afundado, o que não se confirmou.
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) declarou estar em “alerta máximo” diante do risco de vazamento. A área onde o navio se encontra é considerada de “valor ecológico excepcional” e abriga diversas espécies protegidas.