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Mais de um mês depois de lançar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, se vê sem respaldo ao exigir o apoio dos países da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, nos bombardeios contra Teerã e em uma força-tarefa para reabrir o Estreito de Ormuz. Em uma série de queixas públicas, chamou seus aliados de “covardes”, os mandou “buscarem o próprio petróleo” e, reciclando uma velha ameaça, disse que considera sair da organização, liderada pelos próprios EUA.
— Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e [o presidente da Rússia, Vladimir] Putin também sabe disso — afirmou Trump, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira.
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Apesar de poucos países criticarem abertamente a ofensiva no Oriente Médio — a Espanha foi uma rara exceção — e de todos atacarem as retaliações iranianas, ninguém se voluntariou para bombardear Teerã. Nações como a Itália negaram o acesso de aeronaves envolvidas na “Operação Fúria Épica” às suas bases, e a proposta de uma força-tarefa naval para Ormuz, como quer Trump, segue no campo das ideias. Revoltado, o republicano disse, na terça-feira, que os britânicos “deveriam buscar o próprio petróleo” no Golfo Pérsico.
— Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles — disse Trump, em entrevista à agência Reuters, nesta quarta-feira. — Nunca pedimos muito a eles, é uma via de mão única.
Sede da Otan em Bruxelas
Simon Wohlfahrt / AFP
O desdém de Trump à Otan não é novo. Em 2018, em seu primeiro mandato, dizia não ver mais sentido na organização, e se queixava do que considerava ser um desequilíbrio nos gastos militares, no qual os EUA seriam os maiores prejudicados. Na ocasião, membros do governo o demoveram da ideia.
“Os países da Otan devem pagar MAIS, os Estados Unidos devem pagar MENOS. Muito injusto!”, escreveu Trump em 2018 na rede social X, então Twitter, chamando seus aliados de “inadimplentes” e a aliança de “obsoleta”.
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Em seu retorno à Casa Branca, em 2025, mencionou os bilhões gastos pelos EUA para apoiar a Ucrânia contra a Rússia como pretexto para exigir maiores compromissos financeiros. Empoderado pela vitória nas urnas e diante de uma Europa fragilizada, obteve o compromisso quase unânime dos membros de elevar de 2% para 5% do PIB os investimentos em Defesa. Em uma reunião de cúpula, no ano passado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defensor do republicano, o chamou de “papai”. Trump não se incomodou.
— [Rutte] gosta de mim. Acho que ele gosta de mim. Se não gostar, eu te aviso. Volto e bato nele com força, tá bom? Ele disse isso de um jeito bem carinhoso: “Papai, você é meu papai” — afirmou o republicano em entrevista coletiva, ao ser perguntado se considerava os demais países da aliança como seus filhos.
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Mas ao contrário da ameaça de saída de 2018, baseada no dinheiro, hoje o republicano parece guiado pela visão de que está sendo injustiçado. Ele com frequência cita o apoio dado à Ucrânia (que sofreu mudanças desde sua posse), a presença americana em solo europeu, incluindo os mísseis nucleares no continente, e os investimentos militares na região. Em janeiro, em meio às ameaças de anexar a Groenlândia, disse que “fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação, e a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos”. A guerra contra o Irã, quando seus apelos por apoio militar não foram atendidos, foi uma nova gota d’água.
— Se a Otan se resume a defendermos a Europa de ataques, mas eles nos negam o direito de usar nossas bases quando precisamos delas, então não é um bom acordo — afirmou, em entrevista à rede al-Jazeera, o secretário de Estado, Marco Rubio. — Tudo isso terá que ser reexaminado.
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Nos seus dois caóticos mandatos, Trump retirou os EUA de acordos cruciais — como o JCPOA, que estabelecia regras para o programa nuclear iraniano —, organizações internacionais — como a Organização Mundial da Saúde (OMS) — e promoveu mudanças controversas na máquina federal, especialmente ligadas à educação e a programas de ajuda externa. Mas afastar os EUA de uma organização criada na Guerra Fria e que é principal pilar defensivo da Europa e América do Norte é mais complexo e certamente envolverá batalhas políticas e judiciais.
Em julho de 2023, o senador democrata Tim Kaine e o então senador republicano Marco Rubio apresentaram um projeto exigindo que uma decisão presidencial de deixar a aliança fosse respaldada por dois terços do Senado, ou por um ato do Congresso, para ser válida. O texto está em vigor desde 2024, mas analistas afirmam que Trump pode passar por cima do Legislativo, alegando ter a palavra final sobre política externa.
— Não se trata de uma questão simples, o Congresso está dizendo que eles não podem fazer isso, e se ignorarem o Congresso, terão que enfrentar os tribunais — afirmou ao portal Politico, em novembro de 2024, Scott Anderson, pesquisador do centro de estudo Brookings, acrescentando que, em sua opinião, a legislação tem algumas brechas. — Mas é um terreno jurídico muito controverso e não está 100% claro.
Congresso dos EUA, em Washington
Kevin Dietsch/Getty Images/AFP
Jamais o Congresso acionou a Justiça para contestar a decisão de um presidente de abandonar uma organização internacional ou um tratado, e não está claro como isso aconteceria.
— Para que a questão seja levada à Justiça, seria necessário que alguém tivesse legitimidade para processar — disse o professor Curtis Bradley, da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, ao Politico — A única parte que consigo imaginar que teria legitimidade seria o próprio Congresso, mas não está claro se os republicanos apoiariam tal ação.
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Mesmo que consiga o apoio do Legislativo ou dos tribunais, o processo não é imediato. Pelo Artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte, que rege a organização, o interessado em deixar a aliança deve enviar uma comunicação legal aos Estados Unidos — Estado depositário do acordo — e esperar um ano até a confirmação. Mesmo que não se concretize, a insistência do presidente é um sinal de que o modelo de compromisso mútuo de defesa, cravado no Artigo 5, já não é mais o mesmo.
— O presidente dos Estados Unidos não pode se retirar da Otan. Dito isso, o presidente pode envenenar a aliança. O presidente pode torná-la funcionalmente inoperante se quiser — disse à rede ABC o senador republicano Thom Tillis, em fevereiro. — Seria difícil encontrar um motivo, porque isso acarreta um risco enorme. Vidas americanas foram salvas pela aliança da Otan, e muitas vidas americanas serão perdidas sem ela.
Em um pronunciamento na noite de quarta-feira, o primeiro desde o início da guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, esperava vender aos americanos a sua lógica para o conflito, e talvez aumentar seus níveis de aprovação, afetados pela alta dos preços dos combustíveis e pela pouca disposição do país para uma nova aventura militar. O resultado não poderia ser pior: o republicano reciclou argumentos, deu prazos estimados para o fim dos bombardeios e falou em vitórias no campo de batalha, sem explicar a motivação da guerra, tampouco o que espera dela.
— Nossas Forças Armadas obtiveram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha […] Nunca na história da guerra um inimigo sofreu perdas tão claras e devastadoras em larga escala em questão de semanas — declarou. — Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas.
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Desde o início da “Operação Fúria Épica” Trump aposta em declarações hiperbólicas, sem muitos detalhes e na maior parte dos casos divulgadas em suas redes sociais, indo na contramão da comunicação de lideranças em tempos de guerra. Não raro, suas falas (e a de seus subordinados) soam como propaganda e nem sempre dialogam com a realidade
Alegações de que o regime em Teerã estaria devastado após a morte de lideranças, como o aiatolá Ali Khamenei, deparam-se com um sistema abalado, mas ainda funcional. Os anúncios, por vezes em letras garrafais, de que o país não tem mais a mesma capacidade de lançar mísseis são confrontados por ataques violentos contra as monarquias do Golfo e Israel (parceiro nos bombardeios ao Irã). As declarações de que venceu a guerra se assemelham ao discurso do presidente George W. Bush do dia 1º de maio de 2003, quando afirmou que a missão no Iraque “estava cumprida”. O conflito se estendeu até 2011, deixando centenas de milhares de mortos e uma nação à beira do colapso.
Presidente dos EUA, George W. Bush, anuncia o fim das operações militares de grande porte no Iraque, em maio de 2003
Stephen JAFFE/AFP
Não se sabe exatamente os argumentos que convenceram o presidente a optar pela guerra. Talvez sejam conhecidos em alguns anos, quando seus ex-funcionários firmarem acordos milionários para livros sobre os bastidores do governo. Mas os impactos da “Operação Fúria Épica” são difíceis de esconder. O apoio dos americanos é baixo: na última pesquisa Ipsos/Reuters, de 27 a 29/3, só 35% queriam a guerra, e mesmo entre os republicanos, os índices caíram para 74%. No Congresso, a base governista promete retaliar caso ele decida por uma invasão terrestre (o que parece iminente). Nos postos de gasolina, as bombas foram reajustadas algumas vezes, elevando a inflação a poucos meses de uma eleição que tem no custo de vida um tema central.
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A doutrina maximalista não é seguida só por Trump. O Pentágono, comandado pelo ex-apresentador da Fox News Pete Hegseth, aposta em falas confusas, ameaças aos críticos e em um ideário religioso. Na Casa Branca, a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, não economiza nos adjetivos pomposos ao chefe. Não raro, evoca em alguns jornalistas veteranos a lembrança de outro notório porta-voz, Mohammad Said al-Sahhaf, representante do regime de Saddam Hussein no Iraque, que repetia frases que só encontravam respaldo dentro dos muros de Bagdá.
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O mito dos 90%
No dia 5 de março, o chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, afirmou que o número de ataques com mísseis iranianos caíra 90% desde o início da guerra, e que o de drones fora 83% menor. A contagem foi repetida por Trump no dia 13 de março e acompanhada por outra fala recorrente: a de que a ofensiva “avançava mais rapidamente do que o previsto”. No dia 19 de março, 14 dias depois da primeira estimativa, Hegseth citou, mais uma vez, os 90%, e Trump escreveu na rede Truth Social que “o Irã foi, essencialmente, dizimado”. Embora reflita a escala dos danos à capacidade ofensiva do Irã, a estatística esconde uma mudança de estratégia em Teerã. Em vez de ataques com centenas de projéteis de uma só vez, os militares passaram a escolher melhor seus alvos, com mísseis menos numerosos, mas com maior poder de destruição. Segundo a agência Reuters, os EUA só conseguem confirmar a destruição de um terço do arsenal balístico iraniano, citando fontes da Inteligência local. Nas recentes declarações à imprensa, o percentual de 90% não foi atualizado.
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‘Nós temos estoques ilimitados’
No quarto dia da guerra, em 3 de março, Trump disse que o Irã estava ficando sem lançadores de mísseis, citando o Pentágono, e declarou que os Estados Unidos “têm estoques ilimitados”. Quase um mês depois, analistas apontam para uma redução crítica nos arsenais de bombas de precisão e, especialmente, mísseis de interceptação, usados em sistemas antiaéreos. Os Patriots, usados por aliados na região, foram empregados à exaustão, e a escassa disponibilidade global pode afetar outras guerras, como na Ucrânia, onde Kiev depende do sistema. Há duas semanas, a Casa Branca pediu ao Congresso mais US$ 200 bilhões em verbas para o setor militar, especialmente para recuperar os estoques de munições, mísseis e bombas.
‘Essa guerra já foi vencida’
No dia 11 de março, em um comício no Kentucky, Trump cantou vitória pela primeira vez: “Deixem-me dizer, nós vencemos”. Em 20 de março, afirmou nos jardins da Casa Branca que “acha que vencemos”. Quatro dias depois, quando declarou que o Irã “foi varrido militarmente”, voltou a dizer que “essa guerra foi vencida”. Hoje, nenhum dos lados envolvidos — Irã, Israel e, especialmente, EUA — considera que o conflito está encerrado, ainda em meio a bombardeios, retaliações e do fechamento do Estreito de Ormuz, que estrangulou a oferta global de petróleo e gás. O presidente americano não ofereceu um caminho claro para o cessar-fogo e deu sinais de que poderá aprovar uma ofensiva terrestre. Ao mesmo tempo, tenta obter um acordo com Teerã (o que não deve ser simples) e se mostra inquieto com a extensão das hostilidades e seus impactos dentro dos EUA.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
‘COVARDES, e nós nos LEMBRAREMOS!’
Se Trump não conseguiu apoio para a guerra em casa, a adesão foi ainda menor entre os aliados da Otan, a principal aliança militar do Ocidente. Ninguém atendeu aos apelos para se juntar aos bombardeios ou à coalizão para liberar Ormuz, que estava aberto antes da “Operação Fúria Épica”. Alguns dizem que a guerra é ilegal e negaram às forças americanas o acesso às suas bases. Se os arroubos trumpistas, como o do dia 20 de março, quando chamou seus aliados de “covardes”, refletem sua conhecida aversão à Otan, a resistência europeia (e de outras nações) demonstra a fragilidade dos argumentos dos EUA e faz com que alguns repensem as próprias políticas de Defesa.
‘Eles estão implorando por um acordo’
Dias antes da guerra, Trump esteve perto de obter um acordo do Irã com concessões ainda mais amplas do que o plano de 2015, rasgado por ele tem 2018. Depois das bombas, o republicano insiste em uma plano maximalista, de 15 pontos, já rejeitado pelos iranianos. No dia 26 de março, sem dar detalhes, disse que Teerã estava “implorando por um acordo” e que as conversas estavam bem encaminhadas, mesmo que de forma indireta. Além de adiar um ultimato para que Ormuz fosse reaberto, sob ameaça de ataques contra instalações de energia, ele declarou que a permissão para que dez navios paquistaneses cruzassem o estreito era “um presente a Washington”, quando na verdade foi uma concessão a Islamabad, que atua como mediador.
O presidente dos EUA, Donald Trump: em busca de saída para guerra contra o Irã
Nathan Howard/AFP
‘Nós já conseguimos a mudança do regime’
Derrubar a República Islâmica era uma das metas de Trump, mas a falta de sinais de que o governo rival está prestes a ruir fez com que redefinisse a expressão “mudança de regime”. Ao contrário de uma quebra brusca, como a queda de Saddam Hussein no Iraque, em 2003, ou do xá Reza Pahlevi no Irã, em 1979, o republicano declarou no domingo que, uma vez que as principais lideranças foram eliminadas, ele considera que há um novo regime em Teerã. Na terça-feira, Hegseth usou o mesmo conceito em entrevista coletiva. Apesar das mortes na cúpula do poder, os principais cargos estão ocupados por nomes leais à cartilha da Revolução Islâmica, inclusive o de líder supremo — à Fox News, no dia 27 de março, Trump disse ter sido informado pela inteligência americana que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é homossexual, sem dizer como isso influencia na estratégia de guerra.
‘O Irã acaba de pedir um CESSAR-FOGO’
Horas antes do pronunciamento na TV, Trump foi às redes sociais dizer que “o novo presidente do regime iraniano, menos radicalizado e mais inteligentes do que seus antecessores”, havia pedido aos EUA um cessar-fogo. O republicano acrescentou que só aceitaria a proposta caso Ormuz fosse reaberto — caso contrário, seguiria bombardeando o Irã “até que voltem à Idade da Pedra”. As declarações foram prontamente rejeitadas pelos iranianos, e não se sabe exatamente de quem Trump estava falando. O atual presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, no poder desde 2024, não mencionou a demanda em uma publicação na rede social X, mas perguntou se “os interesses do povo americano estão sendo verdadeiramente atendidos por esta guerra”.
‘Estamos fazendo isso em nome no mundo livre’
Na terça-feira, Hegseth disse que uma das melhores formas de obter um acordo era atingir repetidamente quem está do outro lado da mesa, e que os EUA atacaram o Irã “em nome do mundo livre”, reciclando um conceito dos tempos da Guerra Fria. Tal como Trump, queixou-se que nenhum governo o parabenizou pelo conflito que lançou todo o planeta em uma crise energética, acrescentando que, “quando pedimos ajuda adicional recebemos perguntas, encontramos obstáculos ou hesitações”. Os lamentos não mudaram opiniões entre aliados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz em instantes seu primeiro pronunciamento na TV desde o início da guerra contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, no momento em que a Casa Branca alterna ameaças de “obliteração” com mensagens positivas sobre negociações de um cessar-fogo. De acordo com a imprensa americana, citando fontes do governo, o presidente deve reiterar que o conflito vai acabar em até três semanas (como sinalizou nos últimos dias), criticar a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, e fazer alguns autoelogios.
— Hoje (quarta-feira) à noite, farei um pequeno discurso às nove horas, e basicamente direi a todos o quão ótimo eu sou, o ótimo trabalho que fiz, o trabalho fenomenal que fiz — disse Trump durante um almoço na Casa Branca. — Mas falando sério, se vocês não tivessem a mim, se tivessem um presidente diferente, vocês não teriam Israel.
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Uma marca da “Operação Fúria Épica” é a confusão sobre o que exatamente quer Donald Trump com uma guerra que incendiou o Oriente Médio e envolveu direta e indiretamente todo o mundo.
Em público, Trump insiste que há negociações em curso com os iranianos, e chegou a dizer que “a nova presidência do regime” havia pedido um cessar-fogo, sem dizer exatamente a quem se referia, condicionando o fim dos bombardeios à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado desde o começo do mês passado — hoje, há cerca de 400 navios aguardando para fazer a travessia. O Irã nega que haja conversas diretas e diz que não fez qualquer comunicação sobre a suspensão dos combates. Segundo fontes ouvidas pela rede CNN, o vice-presidente, JD Vance, relatou aos países que servem como intermediários entre Teerã e Washington que Trump está “impaciente” por um acordo .
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Em uma carta ao povo americano, publicada nesta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, perguntou se os seus interesses estavam sendo atendidos com a ofensiva de Trump, citando os ataques a hospitais, escolas e infraestruturas vitais e as ameaças do presidente dos EUA.
“Além de constituírem um crime de guerra, tais ações acarretam consequências que se estendem muito além das fronteiras do Irã”, afirmou Pezeshkian. “Elas geram instabilidade, aumentam os custos humanos e econômicos e perpetuam ciclos de tensão, semeando ressentimentos que perdurarão por anos. Isso não é uma demonstração de força; é um sinal de perplexidade estratégica e de incapacidade de alcançar uma solução sustentável.”
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Na terça-feira, a China, maior compradora de petróleo do Golfo Pérsico, e o Paquistão, principal mediador entre os beligerantes, lançaram uma proposta de cessar-fogo de cinco pontos, a começar pela suspensão imediata das hostilidades e medidas para que o conflito não se espalhe ainda mais. Além do Golfo, Israel abriu uma frente de batalha no Líbano, centrada no grupo Hezbollah, mas que se encaminha para uma ocupação de parte do território do país árabe.
A proposta estabelece o início de negociações de paz assim que possível, focadas na “soberania, integridade territorial, independência nacional e segurança” do Irã e dos países da região; a proteção a alvos não militares; a garantia de segurança às vias de transporte naval, especialmente o Estreito de Ormuz;. e a primazia da Carta das Nações Unidas.
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Em outra frente, Trump voltou a ameaçar deixar a Otan, diante da recusa dos demais membros em se juntarem à guerra contra o Irã e a uma força-tarefa naval para desbloquear Ormuz. Nesta quarta-feira, ele chamou a organização de “tigre de papel”, e seu secretário de Estado, Marco Rubio, dissera na véspera que a relação com a aliança seria reavaliada após o fim do conflito.
— Tivemos alguns aliados muito bons por lá. Tivemos alguns aliados muito ruins na Otan. Fizemos alguns pedidos, e você sabe, gastamos trilhões de dólares na Otan… para ser honesto, eu estava perguntando porque queria ver o que eles fariam — disse Trump no almoço na Casa Branca.
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Na segunda-feira, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, vai a Washington conversar com Trump, mas poucos acreditam que a maior potência militar do planeta buscará a porta de saída. O Congresso afirma que tal decisão depende do apoio da maioria absoluta do Senado, o que é improvável hoje, e se o presidente decidir seguir em frente, uma batalha judicial inédita no país estaria prestes a começar. Ao ser ouvido pela rede CNN, um diplomata europeu citou ameaças anteriores, mencionando o filme “Feitiço do Tempo”, quando o personagem de Bill Murray vive o mesmo dia indefinidamente.
Um forte terremoto de magnitude 7,4 atingiu o leste da Indonésia na quinta-feira (ainda noite de quarta-fira no Brasil), informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), com um centro de monitoramento americano emitindo um alerta de possíveis “ondas de tsunami perigosas” em um raio de 1.000 quilômetros (621 milhas) do epicentro.
O terremoto, inicialmente registrado com magnitude 7,8, ocorreu às 6h48 (horário local, 22h48 GMT) no Mar das Molucas, informou o USGS.
O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico, com sede no Havaí, afirmou que ondas de tsunami perigosas eram possíveis “em um raio de 1.000 km do epicentro” ao longo das costas da Indonésia, Filipinas e Malásia.
A Nasa lançou nesta quarta-feira a missão Artemis II, enviando a primeira tripulação em direção à Lua num intervalo de mais de cinco décadas. A espaçonave Orion deve realizar um sobrevoo ao redor do satélite natural da Terra, com quatro tripulantes, em uma missão de cerca de dez dias.
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Sob a espaçonave, chamas intensas marcaram a decolagem, acompanhadas por um estrondo potente enquanto o foguete ganhava o céu, deixando um rastro de fumaça para trás. No local, o público reagiu com aplausos e comemorações à medida que a nave subia rapidamente.
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O lançamento ocorreu após o abastecimento do foguete com hidrogênio e oxigênio líquidos, elevando o peso total do conjunto a mais de 2.600 toneladas. Na última hora antes da decolagem, a Nasa precisou lidar com dois problemas técnicos: um na bateria do sistema de aborto de lançamento e outro em um mecanismo de segurança a bordo, ambos resolvidos a tempo.
Os tripulantes não vão, desta vez, pousar na Lua, mas a viagem é uma etapa de preparação para finalmente astronautas botarem os pés em solo lunar de novo, em missões subsequentes. O GLOBO preparou uma animação interativa mostrando como será a viagem, que pode ser um feito histórico.
Confira abaixo:
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Se tiver sucesso, a Artemis II pode não apenas reaproximar o programa espacial dos EUA do feito que mais lhe deu notoriedade, mas também fazer frente ao avanço do programa espacial da China, que promete tentar um pouso tripulado na Lua em 2030. A Artemis II vai fazer essencialmente o que a missão Apollo VIII da Nasa fez em 1968, dando a volta na Lua e voltando em uma trajetória de “retorno livre”, auxiliada pela própria gravidade lunar.
Como a trajetória planejada prevê uma passagem em grande altitude em torno do satélite natural da Terra, diferentemente do que era feito no programa Apollo, há uma chance de que esta seja a viagem tripulada mais distante da história. A tecnologia usada será a de veículos espaciais em diferentes estágios, com um se desacoplando após o outro, de modo muito similar ao que se fazia nas missões Apollo, mas com tecnologia aprimorada.
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A Orion foi lançada a bordo do foguete Space Launch System (um conjunto que possui 98 metros de altura), que se desprende por total em órbita. No espaço, os astronautas devem fazer testes de manobrabilidade da espaçonave, validar seus sistemas de suporte à vida e realizar ainda alguns experimentos científicos que lhes foram encomendados.
Clique no menu da animação acima para entender quem são os integrantes da tripulação, como é montado o veículo que os levará à Lua e qual será sua trajetória.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a retirada de sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a destituição de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida por Washington. A decisão marca um novo capítulo na relação entre os dois países, em meio a mudanças políticas e econômicas implementadas pelo novo governo venezuelano.
Defesa teve pedido rejeitado pela Justiça: Maduro diz estar ‘bem’ em primeira mensagem após prisão nos EUA e julgamento em Nova York
O GLOBO responde: ‘Por que, apesar de venezuelano, Maduro está sendo julgado nos EUA?’
O nome de Rodríguez foi retirado da “Lista de Nacionais Especialmente Designados”, conforme publicação no site da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
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Essa lista reúne indivíduos e entidades considerados hostis pelos EUA e impede que mantenham relações econômicas ou financeiras com empresas norte-americanas.
Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez (C), e o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino (D), cumprimentando membros de autoridades cubanas durante uma cerimônia em homenagem aos soldados mortos na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, pelas forças americanas em Caracas
Divulgação / Assessoria de Imprensa de Miraflores / AFP
Rodríguez, de 56 anos, era uma das principais aliadas de Maduro desde 2018 e havia sido incluída na lista de sanções em setembro daquele ano. Em janeiro de 2026, assumiu interinamente a presidência após a captura de Maduro por forças norte-americanas.
Desde que assumiu o cargo, sob pressão de Washington, a presidente interina adotou uma série de medidas, incluindo a abertura do setor de hidrocarbonetos ao investimento estrangeiro, com o objetivo de reativar a economia do país .
Além disso, promoveu uma anistia política voltada a presos por motivos políticos, iniciativa que resultou na libertação de centenas de detidos e foi apresentada como parte de um processo de reconciliação nacional .
Delcy Rodríguez: Presidente interina da Venezuela destitui ministro da Defesa ligado a Maduro
Rodríguez também realizou mudanças na estrutura do governo e no aparato de segurança do Estado, com substituições em ministérios e reorganização administrativa após a crise institucional desencadeada pela operação militar dos EUA .
A retirada das sanções ocorre em um contexto de reaproximação entre Caracas e Washington, após anos de isolamento e tensões diplomáticas.
A presença inédita de uma mulher, de um astronauta negro e de um não americano marca a tripulação da Artemis II, missão da NASA que levou quatro pessoas a um sobrevoo da Lua mais de meio século após o programa Apollo. A decolagem ocorreu nesta quarta-feira, na Flórida, com duração aproximada de dez dias.
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Artemis II: Missão retoma corrida à Lua com foco em ciência e disputa com a China
A missão não prevê pouso no satélite, mas repetirá um feito semelhante ao da Apollo 8, em 1968, ao contornar a Lua e retornar à Terra. Além do comandante, o americano Reid Wiseman, a tripulação será formada por Victor Glover, um homem negro; Christina Koch, uma mulher; e o canadense Jeremy Hansen, primeiro não-americano em uma missão da agência.
Victor Glover
Victor J. Glover
Divulgação/Administração Nacional da Aeronáutica no Espaço (Nasa)
Designado como piloto, Victor Glover foi selecionado pela Nasa em 2013 e já esteve na Estação Espacial Internacional na missão SpaceX Crew-1, integrando a Expedição 64. Aviador naval e piloto de testes, acumulou 3.500 horas de voo, experiência em mais de 40 aeronaves e mais de 400 pousos em porta-aviões, além de 24 missões de combate.
Com formação em Engenharia Geral e mestrados em áreas como Engenharia de Testes de Voo, Engenharia de Sistemas e Ciências Operacionais Militares, Glover será, na Artemis II, o primeiro negro a viajar tão longe no espaço.
Christina Koch
Christina Hammock Koch, especialista de missão da Ártemis II
Nasa
Única mulher da tripulação, Christina Koch também foi selecionada em 2013 e atuará como especialista de missão. Engenheira de voo nas Expedições 59, 60 e 61 da Estação Espacial Internacional, ela detém o recorde de permanência contínua mais longa no espaço por uma mulher, com 328 dias.
Formada em Engenharia Elétrica e Física, participou das primeiras caminhadas espaciais exclusivamente femininas e ganhou projeção ao registrar uma “selfie espacial” com a Terra ao fundo, em 2019. Em missões futuras, pode se tornar a primeira mulher a pisar na Lua.
Jeremy Hansen
Canadense Jeremy Hansen, especialista de missão da Ártemis II
Nasa
Representante da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen será o primeiro canadense a viajar até a região lunar. Ex-piloto de caça e instrutor, ele integra a equipe que realizará o sobrevoo, incluindo a passagem pelo lado oculto da Lua.
Além de Victor, Christina e Jeremy, que inauguram um novo perfil nas missões da agência, no comando da tripulação está o americano Reid Wiseman. Selecionado como astronauta da Nasa em 2009, Gregory Reid Wiseman foi convidado para a missão Artemis II há três anos.
Natural de Baltimore, no estado de Maryland, ele é formado em Engenharia de Computação e tem mestrado em Engenharia de Sistemas. Wiseman serviu como engenheiro de voo a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) para a Expedição 41, de maio a novembro de 2014. Ele também atuou como chefe do Escritório de Astronautas da Nasa entre 2020 e 2022.
Missão marca estreia do foguete SLS e mira base lunar
O voo também marcará a estreia tripulada do foguete SLS (Space Launch System), peça central da estratégia americana para futuras explorações lunares. O objetivo de longo prazo é estabelecer uma base permanente na Lua, que serviria como ponto de partida para missões mais distantes, incluindo Marte.
— Estamos voltando à Lua porque é o próximo passo em nossa jornada rumo a Marte — afirmou o comandante da missão, Reid Wiseman.
Batizado em referência à deusa Artemis, irmã gêmea de Apolo na mitologia grega, o programa busca testar tecnologias necessárias para viagens humanas mais longas e complexas. A Lua é tratada como etapa intermediária antes de uma eventual missão ao planeta vermelho.
A iniciativa ocorre em meio a novos movimentos internacionais. A China pretende enviar humanos à Lua até 2030, com foco no polo sul lunar, região considerada promissora em recursos naturais. Ainda assim, especialistas relativizam a comparação com a corrida espacial da Guerra Fria.
Para Matthew Hersch, da Universidade de Harvard, aquela rivalidade foi “única” e “não se repetirá por muito tempo”. Segundo ele, os chineses não estão “de fato competindo com ninguém, mas consigo mesmos”.
Apesar dos avanços tecnológicos, os riscos permanecem elevados. A nave ainda não foi testada com humanos, e a distância até a Lua — mais de 384 mil quilômetros — é cerca de mil vezes maior do que a da Estação Espacial Internacional. A própria Nasa reconhece os desafios da operação.
Ex-chefe de astronautas da agência, Peggy Whitson diz que “nada que não seja perfeito” é aceito.
— Caso contrário, estamos aceitando um risco maior — afirmou: — Esse é um processo importante que todos devem adotar para que possamos realmente ter sucesso, porque precisamos conviver com a consciência, por nossa história em voos espaciais, de que, quando ocorrem acidentes, pessoas morrerão.
Cronograma prevê sobrevoo lunar e futuras missões com pouso
Antes de seguir rumo à Lua, a missão realizará verificações e manobras próximas à Terra para reduzir riscos. Em seguida, a nave seguirá até o satélite, incluindo um sobrevoo do lado oculto, quando haverá interrupção das comunicações com a Terra.
A expectativa é que a tripulação ultrapasse a marca da Apollo 13 e se torne a que mais se afastou do planeta. O principal objetivo técnico é validar o desempenho do foguete e da nave para permitir, no futuro, uma missão com pouso lunar — prevista para 2028.
O cronograma, no entanto, depende de avanços ainda em desenvolvimento, como o módulo de pouso que será fornecido por empresas privadas ligadas a Elon Musk e Jeff Bezos. O programa Artemis já enfrenta atrasos e aumento de custos.
A nova missão também carrega peso simbólico. Em 1968, a Apollo 8 levou três astronautas à órbita lunar na véspera de Natal, em uma transmissão assistida por cerca de um bilhão de pessoas. A tripulação ficou associada à imagem “Earthrise” e recebeu crédito por ter “salvado 1968”.
Em um cenário atual descrito como de divisão e incerteza, a Artemis II surge com a ambição de repetir, ao menos em parte, esse impacto.
Uma delegação do FBI está em Cuba para participar das investigações sobre o confronto entre uma lancha armada procedente da Flórida e forças de guarda-costeira cubanas, ocorrido em 25 de fevereiro de 2026. O incidente deixou cinco mortos e seis feridos, segundo informou uma fonte da embaixada dos Estados Unidos em Havana.
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“Uma equipe técnica do Bureau Federal de Investigações (FBI) viajou a Cuba como parte de sua investigação exaustiva e independente sobre o incidente marítimo de 25 de fevereiro de 2026”, confirmou nesta quarta-feira à AFP, sob condição de anonimato, uma funcionária da embaixada norte-americana.
A fonte detalhou que a delegação do FBI chegou a Cuba na terça-feira.
Havana afirmou, em março, que Washington estava disposto a colaborar nas investigações do caso, ocorrido em um contexto de tensões crescentes entre os dois países.
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“Há uma cooperação com as contrapartes norte-americanas e estamos à espera de um grupo de especialistas do FBI para seguir avançando nesta investigação”, declarou em 13 de março o presidente Miguel Díaz-Canel, em entrevista à televisão estatal.
Díaz-Canel também confirmou, na mesma ocasião, que Cuba mantém conversas com os Estados Unidos para buscar “soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais”.
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De acordo com a versão oficial cubana, o incidente ocorreu quando uma embarcação da guarda-costeira se aproximou da lancha, que tinha matrícula norte-americana, para solicitar identificação. Os ocupantes teriam reagido abrindo fogo.
Embarcação das Tropas Guardafronteiras de Cuba
Governo de Cuba
O Ministério do Interior de Cuba informou que, no confronto, quatro passageiros da lancha morreram no local e outros seis ficaram feridos. Um dos feridos morreu posteriormente em um hospital cubano.
Durante o tiroteio, um agente das forças de guarda-fronteira de Cuba também ficou ferido.
Entre os dez ocupantes da lancha interceptada, dois tinham cidadania norte-americana.
Citando o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a fonte da embaixada afirmou que “a maioria dos fatos que estão sendo relatados publicamente provém das informações fornecidas pelos cubanos”.
“Nós verificaremos isso de forma independente” e “vamos apurar exatamente o que aconteceu aqui e, posteriormente, responderemos em conformidade”, acrescentou.
Segundo o Ministério do Interior, foram encontradas a bordo da lancha armas de diferentes calibres, incluindo 14 fuzis, 11 pistolas e quase 13 mil munições.
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Os sobreviventes da embarcação foram formalmente acusados de “terrorismo”, de acordo com o Ministério Público cubano.
Infiltrações de comandos armados vindos do sul da Flórida para realizar atentados em Cuba foram frequentes após o triunfo da Revolução Cubana.
A administração de Donald Trump não esconde o interesse em promover uma mudança de regime em Cuba, país que considera uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos Estados Unidos devido às suas relações com Rússia, China e Irã.
Quando chegarem ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, os quatro astronautas que estarão na missão espacial Artemis II, que parte possivelmente nesta quarta-feira (1) em direção à Lua, vestirão um traje laranja. Diferentemente das roupas brancas que o grande público habituou-se a ver nos agentes, o chamado laranja internacional foi adotado pela Nasa somente em 1986, quando a agência passou a adotar uma série de medidas de segurança. Segundo informações do jornal The New York Times, ele foi desenhado especificamente para se destacar sobre as tonalidades de azul do céu e do oceano.
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A cor oficialmente chama-se AMS Standard 595 n.° FS 12197, segundo a norma do governo federal americano para tintas, mais denso que o laranja fluorescente, por exemplo. Além da cor chamativa, o uniforme também conta com listras azul-celeste que são refletoras. Elas formam um V no tronco e circundam as coxas e a parte superior dos braços. Além de contrastar com o laranja, o V indica as alças externas para fixação do equipamento de resgate.
O laranja internacional já é usado na indústria marítima há mais de um século, mas foi em 1947 que a Marinha dos Estados Unidos o adotou para a pintura da fuselagem de aeronaves. Foi um avião-foguete Bell X-1 de Chuck Yeager pintado de laranja internacional que quebrou a barreira do som aquele mesmo ano. No entanto, a Força Aérea americana só passou a usá-lo na década de 1970.
Foguete da missão Artemis II tem lançamento previsto para 1º de abril
Joe Raedle / Getty Images North America / Getty Images via AFP
Os trajes também possuem tecnologia avançada para dar suporte aos astronautas em condições inóspitas. Os astronautas podem viver com eles por até 144 horas.
A missão Artemis II marcará o retorno de uma expedição tripulada à Lua pouco mais de 53 anos da Apollo 17. Ela levará a espaçonave Orion para a primeira viagem tripulada ao redor do satélite natural da Terra desde então. A decolagem, no entanto, depende de condições meteorológicas favoráveis no dia do lançamento, que pode ocorrer nesta quarta. Caso algo aconteça e a missão não seja lançada, as próximas janelas de oportunidade ficarão abertas até a próxima segunda-feira, 6 de abril.
Os astronautas serão os americanos Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista de missão) e o canadense Jeremy Hansen (especialista de missão).
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Um homem de 36 anos foi preso e acusado de agressão sexual após apalpar uma mulher que trabalhava fantasiada de coelho da Páscoa em um shopping na Pensilvânia, nos Estados Unidos. O caso ocorreu durante uma sessão de fotos com crianças e famílias e gerou indignação pela violência em um ambiente voltado ao público infantil.
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Segundo a polícia, o suspeito, identificado como Bera Shivakrishna, aproximou-se da funcionária no South Hills Village Mall, em Pittsburgh, e iniciou uma conversa com perguntas incomuns, como se o personagem era “menino ou menina”. Ao ser orientado a falar com um assistente, ele se recusou e passou a tocar a vítima. Em seguida, ele apalpou braços e seios da mulher por cima da fantasia e chegou a inserir os dedos nas aberturas do traje, como nariz e boca do personagem.
Após o ocorrido, a vítima e uma testemunha acionaram a segurança do shopping. Imagens de câmeras ajudaram a identificar o suspeito, que foi encontrado pouco depois dormindo em uma sala de cinema próxima e acabou detido.
Durante a abordagem, o homem teria questionado os policiais sobre o caso e afirmou que acreditava se tratar de “uma boneca”.
— É uma boneca, certo? — teria dito, segundo o boletim. Ao ser informado de que havia uma pessoa dentro da fantasia, alegou que o contato foi acidental.
Ele foi formalmente acusado de agressão e assédio. O caso não teria sido presenciado por crianças, apesar de ter ocorrido em uma área pública do shopping destinada a fotos de Páscoa.
Moradores da região classificaram o episódio como “repugnante” e inadequado para um ambiente familiar, destacando o choque causado pela situação em um espaço frequentado por crianças.

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