Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
“Há homens casados que cumprem todos os requisitos que exigimos aos solteiros para se tornarem sacerdotes católicos”, afirma o bispo de Antuérpia, Johan Bonny, ao alertar para a crise de vocações na Bélgica. Em entrevista à Agência France-Presse (AFP), o religioso diz lançar “um grito do coração” e cobra debate na hierarquia da Igreja sobre o tema.
Declarações: Papa Leão XIV diz que Deus rejeita orações de líderes com ‘mãos cheias de sangue’ e critica uso da religião para justificar guerras
Vídeo: Papa Leão XIV recebe camisa do Flamengo durante audiência no Vaticano e saúda brasileiros na Praça São Pedro
Em Flandres, região mais populosa do país, os sacerdotes envelhecem e há cada vez menos jovens dispostos a ingressar no clero.
Segundo Bonny, o reforço com padres africanos ocorre principalmente em paróquias francófonas, por causa da língua.
— Havia pelo menos 1.500 sacerdotes na diocese de Antuérpia há 40 ou 50 anos; agora somos menos de 100 padres em atividade Socorro! Isso já não funciona — afirma.
Bispo questiona celibato e cita exceções dentro da própria Igreja
Bonny defende que homens casados possam ser ordenados, como já ocorre em ritos orientais da Igreja Católica.
— Há homens casados que cumprem todos os requisitos que exigimos aos solteiros para se tornarem sacerdotes católicos Tenho vários em minha diocese — diz.
O celibato é obrigatório na Igreja Católica latina, mas permitido em ritos orientais.
Entre os dois modelos, “nenhum é mais ou menos católico do que o outro”, argumenta o bispo.
Ele afirma que há três sacerdotes casados de rito oriental em sua diocese, dois ucranianos e um bielorrusso.
— Então, como explicar a um jovem que cresceu aqui que o que é possível para seus amigos não é para ele? É muito difícil — afirma.
Proposta mira debate global
O bispo diz que pretende levar o tema à Assembleia Eclesial de 2028, que reunirá propostas discutidas em nível mundial.
Nos próximos dois anos, afirmou em carta pastoral, fará “todo o possível” para permitir a ordenação de alguns homens casados em Antuérpia.
A Conferência Episcopal da Bélgica informou que vai discutir o tema, sem se posicionar sobre o mérito. O Vaticano não respondeu aos questionamentos da AFP.
Crise de credibilidade e escândalos pressionam Igreja
Bispo de Antuérpia há 17 anos, Bonny já criticou a Igreja por ignorar casos de pedofilia envolvendo membros do clero. Ele também defendeu, antes de mudanças recentes na posição do Vaticano, a possibilidade de abençoar casais do mesmo sexo.
— Deus ama todos os seus filhos. A benevolência de Deus para com esse casal deve poder se expressar — afirmou.
Ao defender a ordenação de homens casados, o bispo também cita o bem-estar dos sacerdotes.
— Alguns são um pouco infelizes. Ninguém foi criado para viver sozinho. É preciso sanear o clero — diz.
Queda de fiéis agrava cenário
Em Flandres, um documentário exibido em 2023, com relatos de vítimas de abusos cometidos por sacerdotes, teve forte repercussão e levou à saída de fiéis.
Naquele ano, foi registrado número recorde de renúncias ao batismo.
— Tornamo-nos uma Igreja pobre em número, pobre em credibilidade moral — afirma Bonny: — Para recuperar a confiança, precisamos de todos. Aceitar apenas homens solteiros como sacerdotes é um luxo que já não podemos nos permitir.
Autoridades de Utah, nos Estados Unidos, encerraram oficialmente um caso que permaneceu sem solução por 51 anos após o uso de nova tecnologia de análise de DNA confirmar que a vítima foi assassinada pelo serial killer Ted Bundy. A identificação encerra uma investigação que atravessou décadas.
Suspeito pode pegar perpétua: Idoso morre após ser empurrado nos trilhos do metrô em Nova York
Amarrado em terminal: Abandono cruel de cão em aeroporto coloca mulher na mira da Justiça americana
A vítima foi identificada como Laura Ann Aime, de 17 anos. Ela desapareceu após sair de uma festa de Halloween em 1974. Seu corpo foi encontrado cerca de um mês depois por caminhantes no cânion American Fork.
O Gabinete do Xerife do Condado de Utah anunciou que exames “confirmaram de forma irrefutável que as evidências de DNA recuperadas do corpo de Laura verificaram a presença de DNA pertencente a Bundy”.
Antes de ser executado em 1989, na Flórida, Bundy confessou o assassinato de Laura Ann Aime, mas não forneceu detalhes nem explicou completamente seu envolvimento. Segundo o xerife, “o Departamento do Xerife decidiu manter o caso aberto até que os investigadores pudessem provar, sem sombra de dúvida”, a responsabilidade do criminoso.
— Este caso está agora oficialmente encerrado — disse o xerife do Condado de Utah, Mike Smith, em coletiva de imprensa.
Ele acrescentou que, se Bundy ainda estivesse vivo, os promotores buscariam a pena de morte.
Histórico do serial killer e contexto do crime
Entre fevereiro de 1974 e fevereiro de 1978, Ted Bundy assassinou pelo menos 30 mulheres e foi associado a outros crimes nos Estados Unidos, com atuação no noroeste do Pacífico, Colorado, Utah e Flórida.
À época da morte de Laura, ele vivia em Salt Lake City e estudava direito na Universidade de Utah.
Segundo comunicado do xerife, Laura é lembrada como uma “jovem extrovertida e de espírito livre que gostava de atividades ao ar livre e compartilhava a paixão por andar a cavalo, caçar e cuidar de seus vários irmãos”.
Bundy era conhecido por abordar mulheres em locais públicos, ganhar sua confiança por meio de charme ou fingindo estar ferido e levá-las a áreas isoladas, onde cometia os assassinatos.
Ele foi preso em 1975 por sequestrar uma mulher e condenado a 15 anos de prisão. Em 1977, fugiu ao pular pela janela da biblioteca da prisão, foi recapturado após oito dias e escapou novamente depois disso. Continuou cometendo crimes até ser capturado em 1978 e executado em 1989, na Flórida.
Um homem de 34 anos foi formalmente acusado, nesta segunda-feira (30), de homicídio em segundo grau após empurrar um idoso nos trilhos do metrô no Upper East Side, em Nova York. A vítima, um idoso da Força Aérea de 83 anos, morreu nove dias depois em decorrência de uma hemorragia cerebral, segundo autoridades locais.
Homem é preso após apalpar mulher fantasiada de coelho da Páscoa em shopping nos EUA
Abandono cruel de cão em aeroporto coloca mulher na mira da Justiça americana
De acordo com a promotoria, o acusado teria atacado o idoso enquanto ele caminhava com auxílio de uma bengala na plataforma da estação 63rd St.-Lexington Ave., em 8 de março. Imagens de câmeras de segurança, gravações de celulares e relatos de testemunhas sustentam a acusação de que o empurrão foi feito com força suficiente para arremessar a vítima contra os trilhos.
Ataque em sequência
A investigação aponta que o episódio não foi isolado. Minutos antes, o mesmo suspeito teria empurrado outro homem, de 30 anos, que sofreu uma lesão no ombro. Após cair, essa primeira vítima conseguiu se levantar e presenciou o segundo ataque.
Testemunhas relataram que pessoas na plataforma conseguiram retirar o idoso dos trilhos antes da chegada do trem. Ele foi levado ao hospital, mas não recuperou a consciência e morreu dias depois, após permanecer em suporte de vida.
Justiça nega fiança
Durante audiência em tribunal estadual de Manhattan, a promotoria pediu que o acusado permanecesse preso sem direito a fiança, citando risco de fuga. Entre os fatores apontados estão antecedentes criminais em Nova Jersey e a situação migratória irregular do réu.
Se condenado, ele pode enfrentar pena de 25 anos à prisão perpétua pelo homicídio, além de até 15 anos adicionais por acusações relacionadas ao primeiro ataque. A próxima audiência está marcada para 22 de julho.
O caso foi classificado pelo promotor distrital como um “ataque hediondo e não provocado”. As autoridades afirmam que ainda investigam as motivações do crime.
Legado da vítima
Morador da Ilha Roosevelt há cerca de 30 anos, o idoso era descrito pela família como alguém ativo e apaixonado pela cidade. Veterano da Guerra do Vietnã, ele atuou como mecânico de aeronaves na Força Aérea e, após se aposentar, trabalhou na aviação civil.
Segundo familiares, ele havia recentemente superado problemas de saúde, incluindo câncer de próstata e leucemia, e celebrava a recuperação. Na manhã do ataque, conversou com a filha por quase uma hora e demonstrava entusiasmo em sair para aproveitar o dia.
Em nota, a família afirmou estar devastada e destacou que a perda é “imensurável”, pedindo que o caso sirva de alerta para evitar novas tragédias.
A missão Artemis II, da Nasa, tem um sistema de banheiro desenvolvido para operar em condições de ausência de gravidade, um dos principais desafios enfrentados por astronautas no espaço. O equipamento, chamado “Sistema Universal de Gestão de Resíduos”, recebeu investimento superior a US$ 23 milhões (cerca de R$ 118,6 milhões, na cotação atual).
Lançamento da missão Artemis II ganha nova data: Astronautas devem decolar em 1º de abril
Artemis II: Missão retoma corrida à Lua com foco em ciência e disputa com a China
Nesta quarta-feira, a missão saiu da base na Flórida e levou quatro astronautas em uma espaçonave para sobrevoar a Lua. Segundo a Nasa, a equipe viverá aproximadamente 10 dias no espaço. A falta de gravidade impõe, no entanto, dificuldades para atividades básicas, como o uso do sanitário. E isso exigiu soluções específicas para garantir o funcionamento adequado da estrutura.
Antes do lançamento, engenheiros chegaram a identificar um problema no novo sistema sanitário. Após análise, o equipamento foi considerado apto e liberado para uso pela tripulação. Pouco antes da decolagem, o controle da missão orientou os astronautas: “Recomendamos deixar o sistema atingir a velocidade de operação antes de adicionar fluidos”.
Como funciona o banheiro espacial da Artemis II?
O sistema foi projetado para atender homens e mulheres. No caso da urina, utiliza um funil conectado a uma mangueira, com processamento feito por meio de um fluxo de ar suave, que evita vazamentos.
Para resíduos sólidos, o equipamento também conta com um assento especializado, que suga o material para um recipiente selado.
Durante o uso, os astronautas precisam permanecer estáveis. Para isso, o sistema inclui amarras e dispositivos de fixação que impedem que o corpo flutue em ambiente de microgravidade.
Como astronautas vão ao banheiro?
Reprodução/BBC
Qual é o objetivo da missão Artemis II?
Mais de meio século após a última missão tripulada do programa Apollo, a Nasa lançou a Artemis II, que levou quatro astronautas a um sobrevoo da Lua e pode estabelecer um novo recorde de distância percorrida por humanos no espaço.
A missão não prevê pouso no satélite, mas repetirá um feito histórico semelhante ao da Apollo 8, em 1968, ao contornar a Lua e retornar à Terra. A tripulação será formada pelos americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen — grupo que inclui, pela primeira vez, uma mulher, um astronauta negro e um não americano em uma missão desse tipo.
O voo também marcará a estreia tripulada do foguete SLS (Space Launch System), peça central da estratégia americana para futuras explorações lunares. O objetivo de longo prazo é estabelecer uma base permanente na Lua, que serviria como ponto de partida para missões mais distantes, incluindo Marte.
— Estamos voltando à Lua porque é o próximo passo em nossa jornada rumo a Marte — afirmou o comandante da missão, Reid Wiseman.
O Irã ameaçou nesta quinta-feira com ataques “devastadores” aos Estados Unidos e a Israel, após o presidente americano Donald Trump anunciar que pretende bombardear a república islâmica por mais duas ou três semanas até que ela “volte à Idade da Pedra”.
Mudança de conceito: Trump afirma que houve mudança de regime no Irã e prevê acordo para encerrar conflito
Impasse interno: Suprema Corte levanta dúvidas sobre constitucionalidade de decreto de Trump que prevê vetar cidadania por nascimento
Trump afirmou que os Estados Unidos estão “muito perto” de alcançar seus objetivos, mas advertiu que intensificará os ataques caso o Irã não chegue a um acordo para encerrar a guerra.
“Nas próximas duas ou três semanas, vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem”, declarou Trump em discurso na Casa Branca.
A guerra começou há mais de um mês, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e desde então se expandiu por todo o Oriente Médio, com impactos relevantes na economia global.
Os bombardeios continuam. Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde iraniano informou danos significativos no Instituto Pasteur, centro de saúde estratégico em Teerã.
A república islâmica perdeu altos cargos políticos e militares nos ataques, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho Mojtaba, mas mantém a estrutura de poder, sem registro de deserções na cúpula.
A reação iraniana ao discurso de Trump foi imediata.
“Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e inevitável, e rendição”, afirmou o comando militar Khatam al Anbiya em comunicado divulgado pela televisão estatal.
“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e destrutivas”, acrescentou.
‘Acho que o MAGA está morrendo’: Movimento jovem dos EUA reflete sobre futuro em evento conservador
O país voltou a lançar projéteis contra Israel, que registrou quatro feridos leves na região de Tel Aviv.
A escalada obrigou moradores a buscarem abrigo, e parte da população celebrou a Páscoa judaica em bunkers.
— Esta não é minha primeira opção — disse um escritor identificado como Jeffrey, em Tel Aviv: — Mas pelo menos aqui no abrigo podemos nos sentar e esperar que passe.
Irã descarta negociação, e EUA ampliam pressão
Trump voltou a mencionar a possibilidade de um acordo para encerrar o conflito, que elevou os preços dos combustíveis e afetou sua popularidade.
O presidente afirmou considerar viável dialogar com novos dirigentes iranianos, que seriam, segundo ele, “menos radicais e muito mais razoáveis”.
O governo iraniano, no entanto, rejeitou as propostas e classificou as exigências americanas como “maximalistas e irracionais”.
“Mensagens foram recebidas por meio de intermediários, entre eles o Paquistão, mas não há negociações diretas com os Estados Unidos”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, citado pela agência ISNA.
Trump advertiu que, sem acordo, Washington tem “a mira em alvos-chave, incluindo as usinas elétricas do país”.
No Líbano, o Hezbollah afirmou ter lançado drones e foguetes contra o norte de Israel. Segundo autoridades libanesas, ataques israelenses deixaram mais de 1.300 mortos desde o início da guerra com o grupo, em 2 de março.
Países do Golfo, antes vistos como áreas de relativa estabilidade, também foram afetados pela escalada do conflito.
Trump afirmou que não abandonará aliados como Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.
O estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial, tornou-se ponto central da crise, com os Estados Unidos exigindo sua reabertura como condição para um cessar-fogo.
Os Guardiões da Revolução prometeram manter o estreito fechado aos “inimigos” do Irã.
O Reino Unido lidera nesta quinta-feira uma cúpula com 35 países para discutir a liberdade de navegação na região.
A China afirmou que os ataques “ilegais” contra o Irã são a “causa primária” do bloqueio e pediu cessar-fogo imediato.
O discurso de Trump não acalmou os mercados: os preços do petróleo subiram mais de 6%, tanto no Brent quanto no West Texas Intermediate.
O diretor-gerente do Banco Mundial, Paschal Donohoe, disse estar “extremamente preocupado” com os impactos do conflito sobre inflação, emprego e segurança alimentar.
O debate sobre extraterrestres e objetos voadores não identificados (óvnis) voltou ao centro da política americana após declarações recentes de figuras como Donald Trump, JD Vance e Barack Obama. As falas, que vão de interpretações religiosas a promessas de transparência governamental, ajudaram a impulsionar o tema nos Estados Unidos — tradicionalmente associado à cultura popular — para o debate institucional.
Por que JD Vance comparou óvnis a demônios? Entenda origem da crença
Vídeo: Cadela é resgatada após passar uma semana à espera da dona que caiu de cachoeira na Nova Zelândia
A repercussão ocorre em meio à promessa do governo americano de divulgar documentos sigilosos sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs, na sigla em inglês), além do registro de sites oficiais ligados ao tema, como “alien.gov”, o que aumentou especulações e interesse público.
Vance: “Acho que são demônios”
O vice-presidente JD Vance afirmou na última semana que acredita que os óvnis não sejam extraterrestres, mas entidades espirituais.
— Acho que são demônios. Existem coisas estranhas lá fora, difíceis de explicar — disse, ao relatar estar “obcecado” em investigar o assunto e disposto a acessar arquivos sigilosos do governo.
J.D. Vance acena durante Convenção Nacional Republicana
Brendan Smialowski/AFP
A declaração, feita em um podcast, mistura crença religiosa com uma pauta de segurança nacional — abordagem incomum para autoridades de alto escalão. Vance também afirmou que pretende aprofundar investigações oficiais sobre o tema durante seu mandato.
Obama: “São reais, mas eu não os vi”
O ex-presidente Barack Obama também voltou ao assunto em fevereiro, em tom mais irônico e cauteloso.
— Eles são reais, mas eu não os vi — disse, ao comentar a possibilidade de vida extraterrestre.
O ex-presidente Barack Obama durante comício na Geórgia
AFP
Posteriormente, Obama esclareceu que não teve acesso a provas de visitas alienígenas durante seu governo, afirmando que sua fala refletia apenas a probabilidade estatística de existência de vida no universo.
Trump: promessa de revelar arquivos
Já o presidente Donald Trump anunciou que pretende tornar públicos arquivos confidenciais sobre óvnis e vida extraterrestre. A medida inclui a ordem para que agências federais identifiquem e divulguem documentos relacionados ao tema, ampliando a política de transparência.
O presidente dos EUA, Donald Trump
Nathan Howard/AFP
A iniciativa ganhou força após o registro de domínios governamentais ligados a extraterrestres e faz parte de um movimento mais amplo de abertura de informações sobre UAPs. O governo Trump também registrou, em março, os domínios “alien.gov” e “aliens.gov”, segundo revelou um rastreador automatizado de novos sites federais. Até o momento, as páginas não estão ativas nem exibem conteúdo.
Por que o tema voltou ao debate
O interesse recente tem três principais motores, segundo análises publicadas na imprensa internacional:
1. Pressão por transparência: A promessa de Trump de divulgar arquivos e a criação de canais oficiais aumentaram a expectativa pública por revelações.
2. Segurança nacional: Autoridades americanas passaram a tratar UAPs como possível ameaça, especialmente após registros de objetos não identificados próximos a bases militares e espaço aéreo sensível.
3. Popularização do tema: Pesquisas indicam que a crença em vida extraterrestre é cada vez mais comum, o que pressiona políticos a abordar o assunto abertamente.
Apesar do aumento das discussões, relatórios oficiais dos Estados Unidos continuam sem comprovar a existência de vida extraterrestre. Especialistas apontam que muitos casos de UAPs podem ter explicações como fenômenos naturais, tecnologia humana ou limitações de dados.
Com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, o preço do petróleo tem variado em uma tendência de alta mundial. O valor do barril no mercado internacional vem oscilando e chegou a ultrapassar os US$ 100. Com o Estreito de Ormuz fechado pelos iranianos, o preço segue pressionado. Segundo a plataforma Global Petrol Prices, Israel tem a 13ª gasolina mais cara do mundo, com um valor médio de US$ 2,303 por litro de gasolina. Vários países europeus também aparecem entre os locais onde o combustível é mais caro. Já o Irã, que foi atacado com bombardeios, tem o segundo valor mais baixo, com US$ 0,029.
Saiba mais: Brasil aparece entre os países menos afetados pela guerra no Oriente Médio
Presidente fala em punição: Lula diz que há ‘gente mau caráter’ elevando preço do diesel
Futuro do combustível: Petrobras avalia meta de 100% de diesel nacional em cinco anos
A Global Petrol Prices divulgou o levantamento nesta semana. A campeã do preço baixo é a Líbia, com uma média de US$ 0,023 por litro. Já em terceiro lugar, outro alvo dos americanos, a Venezuela tem média de US$ 0,035 por litro, e é o país com as maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo.
Onde a gasolina está barata?
O Brasil aparece em 65º lugar, com um valor de US$ 1,273 médio por litro de gasolina, ou R$ 6,56. Cuba, que vem sofrendo com desabastecimento de petróleo, depois de o presidente Nicolás Maduro ser capturado por forças militares americanas, está quatro posições abaixo do Brasil, com US$ 1,295 para o litro de gasolina. Nos Estados Unidos, o valor médio é de US$ 1,141. A própria plataforma trata os americanos como exceção na venda do combustível, já que afirma que, de modo geral, os países mais ricos têm preços mais altos de gasolina, considerando o preço praticado na América do Norte como baixo para o nível global. O levantamento afirma que a variação de preço pode ocorrer por conta da política de impostos sobre o item que cada administração adota ou se o país é um produtor relevante de petróleo, como é o caso dos americanos.
No final da lista, vem Hong Kong, com US$ 4,106 por litro de gasolina, com preço bem mais alto do que o penúltimo lugar, que é Malawi, com US$ 2,858. Outro destaque é a China, que é impactada pelo conflito, já que é uma grande consumidora de petróleo e compra do Irã. Ela vem em 76º lugar de preço mais baixo, com US$ 1,334 por litro.
Veja abaixo parte do ranking divulgado pela Global Petrol Prices:
Líbia – US$ 0,023
Irã – US$ 0,029
Venezuela – US$ 0,035
Angola – US$ 0,327
Kuwait – US$ 0,339
Argélia – US$ 0,353
Turcomenistão – US$ 0,428
Egito – US$ 0,440
Cazaquistão – US$ 0,514
Catar – US$ 0,563
Arábia Saudita – US$ 0,621
Bahrein – US$ 0,622
Omã – US$ 0,622
Iraque – US$ 0,649
Butão – US$ 0,676
Sudão – US$ 0,7
Indonésia – US$ 0,731
Equador – US$ 0,763
Rússia – US$ 0,828
Etiópia – US$ 0,842
Síria – US$ 0,855
Tunísia – US$ 0,862
Níger – US$ 0,875
Belarus – US$ 0,888
Emirados Árabes – US$ 0,893
Guiana – US$ 0,91
Nigéria – US$ 0,916
Quirguistão – US$ 0,926
Vietnã – US$ 0,94
Paraguai – US$ 0,949
Afeganistão – US$ 0,954
Malásia – US$ 0,956
Bangladesh – US$ 0,979
Bolívia – US$ 1,008
Maldivas – US$ 1,035
Gabão – US$ 1,040
Lesoto – US$ 1,052
Taiwan – US$ 1,061
República Democrática do Congo – US$ 1,068
Uzbequistão – US$ 1,078
Índia – US$ 1,083
Libéria – US$ 1,090
Colômbia – US$ 1,093
Tanzânia – US$ 1,107
Japão – US$ 1,125
Haiti – US$ 1,128
El Salvador – US$ 1,135
Suazilândia – US$ 1,139
Estados Unidos – US$ 1,141
Trinidad e Tobago – US$ 1,142
Panamá – US$ 1,145
Paquistão – US$ 1,15
Madagascar – US$ 1,173
África do Sul – US$ 1,175
Togo – US$ 1,192
Líbano – US$ 1,209
Curaçao – US$ 1,209
Porto Rico – US$ 1,209
Benin – US$ 1,218
Nepal – US$ 1,229
Granada – US$ 1,236
Aruba – US$ 1,240
Ilhas Maurício – US$ 1,240
Honduras – US$ 1,246
Brasil – US$ 1,273
Geórgia – US$ 1,286
Namíbia – US$ 1,293
Suriname – US$ 1,293
Cuba – US$ 1,295
Santa Lúcia – US$ 1,302
Gana – US$ 1,305
Moçambique – US$ 1,307
Fiji – US$ 1,310
Jamaica – US$ 1,32
Armênia – US$ 1,326
China – US$ 1,334
Nicarágua – US$ 1,334
República Dominicana – US$ 1,341
Burundi – US$ 1,350
Cabo Verde – US$ 1,351
Ruanda – US$ 1,362
Quênia – US$ 1,363
Costa Rica – US$ 1,363
Mongólia – US$ 1,372
Coreia do Sul – US$ 1,383
Guatemala – US$ 1,402
Turquia – US$ 1,408
Canadá – US$ 1,418
Zambia – US$ 1,421
Uganda – US$ 1,422
Costa do Marfim – US$ 1,437
Seychelles – US$ 1,441
Sri Lanka – US$ 1443
Bahamas – US$ 1,465
Camarões – US$ 1,468
Burkina Faso – US$ 1,49
Chile – US$ 1,527
Argentina – US$ 1,532
Dominica – US$ 1,532
Mali – US$ 1,534
Ilhas Cayman – US$ 1,535
Camboja – US$ 1,546
Malta – US$ 1,548
México – US$ 1,55
Birmânia – US$ 1,568
Macedônia – US$ 1,575
Bósnia – US$ 1,577
Austrália – US$ 1,587
Filipinas – US$ 1,588
Peru – US$ 1,595
Tailândia – US$ 1,6
Senegal – US$ 1,613
Serra Leoa – US$ 1,626
Bulgária – US$ 1,634
Marrocos – US$ 1,647
Ucrânia – US$ 1,673
Moldávia – US$ 1,691
Jordânia – US$ 1,693
Eslováquia – US$ 1,769
Laos – US$ 1,779
Espanha – US$ 1,786
Hungria – US$ 1,789
San Marino – US$ 1,797
Montenegro – US$ 1,802
Croácia – US$ 1,808
Belize – US$ 1,809
Andorra – US$ 1,812
Islândia – US$ 1,824
Chipre – US$ 1,83
República Centro-Africana – US$ 1,835
Sérvia – US$ 1,851
Wallis e Futuna – US$ 1,853
Eslovênia – US$ 1,867
Nova Zelândia – US$ 1,879
Barbados – US$ 1,884
Uruguai – US$ 1,892
Polônia – US$ 1,917
República Checa – US$ 1,922
Reino Unido – US$ 1,968
Lituânia – US$ 1,993
Itália – US$ 2,024
Luxemburgo – US$ 2,031
Suécia – US$ 2,033
Letônia – US$ 2,04
Estônia – US$ 2,125
Romênia – US$ 2,129
Zimbábue – US$ 2,170
Áustria – US$ 2,171
Irlanda – US$ 2,178
Mônaco – US$ 2,185
Bélgica – US$ 2,207
Portugal – US$ 2,215
Mayotte – US$ 2,276
França – US$ 2,277
Israel – US$ 2,303
Suíça – US$ 2,329
Finlândia – US$ 2,334
Noruega – US$ 2,361
Grécia – US$ 2,364
Albânia – US$ 2,39
Liechtenstein – US$ 2,414
Alemanha – US$ 2,422
Singapura – US$ 2,545
Dinamarca – US$ 2,663
Holanda – US$ 2,736
Malawi – US$ 2,858
Hong Kong – US$ 4,106
As Forças Armadas de Israel disseram que seus sistemas de defesa aérea estavam respondendo a um ataque de mísseis iranianos nesta quinta-feira (2), pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer um pronunciamento ao público americano sobre a guerra no Oriente Médio.
Em comunicado, os militares israelenses informaram que “identificaram mísseis lançados do Irã em direção ao território do Estado de Israel” pela terceira vez em pouco mais de três horas, acrescentando que “os sistemas defensivos estão em operação para interceptar a ameaça”.
Sirenes de alerta aéreo soaram em todo o norte de Israel, segundo o Comando da Frente Interna das Forças Armadas, e não houve relatos imediatos de vítimas ou danos.
Pouco mais de um mês após o início da guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos têm obstáculos claros para enfrentar antes de encerrar a operação militar contra o Irã no Golfo Pérsico. Uma das principais preocupações americanas é liberar a passagem no Estreito de Ormuz, bloqueado desde 2 por Teerã, o que tem impactado duramente a economia global. Além deste, Trump tem outro desafio fundamental: sair do conflito com prova de vitória. E em pouco tempo.
Análise: Sem a ‘derrota decisiva’ esperada por Trump, Irã se vê mais empoderado do que antes da guerra
Irã aperta controle sobre Ormuz: Média diária cai de 135 navios antes de conflito para apenas seis em março
O Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN), André Beirão, explica que um elemento essencial de um conflito dessa escala é “neutralizar o poder”.
— Muito raramente em qualquer tipo de combate você ganha só com ações à distância — diz o especialista, referindo-se à ofensiva aérea lançado por EUA e Israel. — Em algum momento você tem que deixar claro que neutralizou o poder daquele lugar e que o assumiu.
Ele destaca que a ação militar dos EUA contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, executada em 3 de janeiro, é “a exceção que comprova a regra”, uma vez que “apenas uma ação pontual com meia dúzia de infiltrados” foi suficiente para atingir o objetivo.
Um ponto decisivo para o sucesso dessa neutralização foi a postura colaborativa de Delcy Rodríguez, que assumiu o governo em Caracas sem confrontar os planos de Washington, fator determinante para que uma operação com tropas terrestres no país sul-americano fosse descartada por não ser necessária.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Para diversos analistas, o sucesso estratégico-militar da operação em Caracas, que resultou na captura do líder chavista sem baixas entre as tropas americanas, inflou a confiança do governo Trump de que poderia executar uma ação semelhante, com mesmo grau de êxito, em Teerã.
Mas isso não tem acontecido na prática. Mesmo após a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de diversas outras autoridades de alto escalão, o regime teocrático segue operando. Diante dessas diferenças, Trump agora tem de enfrentar outro fator agravante para conseguir declarar que neutralizou o poder no Irã: o tempo.
Initial plugin text
Agenda cheia
Para o professor de Geopolítica e Oceanopolítica da EGN, Leonardo Mattos, Trump tem prazo apertado para finalizar esse conflito, visto que o governo americano tem muitos compromissos agendados para 2026. O primeiro deles, o encontro bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping — inicialmente previsto para o início de abril e adiado para meados de maio por conta da guerra — não deve ser adiado novamente, analisa Mattos.
Em junho tem início a Copa do Mundo da Fifa, sediada nos EUA, Canadá e México, que terá Nova York como palco da final, em 19 de julho. Ainda neste período, em 4 de julho, os EUA vão celebrar os 250 anos de sua independência com vários eventos importantes, inclusive militares. Poucos meses depois, o país entra em período eleitoral, com eleições legislativas — e algumas estaduais — marcadas para novembro.
Diante do calendário cheio e da falta de avanço nas negociações com o Irã, uma das opções que se apresentam é a possibilidade de uma incursão terrestre em território iraniano.
‘Sentimos falta das coisas mais simples’: Entre ataques e medo constante, civis tentam manter rotina em meio à guerra no Irã
Alternativas arriscadas na mesa
Especialistas têm destacado com ênfase que uma tomada de poder por uma ação militar terrestre em Teerã, como aconteceu no Iraque em 2003, seria quase impossível. Fatores como a geografia diferenciada do terreno, de relevo montanhoso, e a preparação intensa que o regime dos aiatolás tem executado para lidar com tal cenário diminuem substancialmente as chances de sucesso americano.
Outras opções, considerando as tropas e recursos disponíveis na região, seriam a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas e reiteradamente ameaçada por Trump, ou a invasão de outras ilhas menores, localizadas perto do Estreito de Ormuz.
Com a baixa do USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, que teve de ser enviado para reparos após enfrentar uma série de problemas, o Pentágono enviou um terceiro porta-aviões para a região e dois grupos de assalto anfíbio. Um deles, liderado pelo navio USS Tripoli, foi deslocado do Japão. Esse movimento específico, avalia Mattos, diz muito sobre a necessidade americana a esta altura do conflito.
— Esses cerca de 2.200 fuzileiros navais a bordo desse grupo são feitos para estar de prontidão contra qualquer ação da China. Então, tirá-los do Japão e mandá-los para o Oriente Médio é um sinal de que estão precisando — ressalta.
Veja mapa: Com mais tropas americanas a caminho, Irã fortalece defesas no Golfo e se prepara para invasão em terra
Somando esse reforço ao do outro grupo anfíbio, comandado pelo navio USS Boxer — deslocado desde San Diego e previsto para chegar ao Oriente Médio neste mês com mais 2.500 fuzileiros — e a 82ª Brigada, uma unidade do Exército americano especializada em ações de ataque rápido em territórios hostis, os EUA contam com cerca de 50 mil soldados na região, 10 mil a mais do que o normal.
Com a possibilidade de realizar uma invasão tradicional no território iraniano descartada, e mesmo com um contingente maior na região, os planos de tomar a ilha de Kharg ou qualquer outro terreno próximo ao estreito seriam altamente arriscados para as tropas americanas. No caso das ilhas que cercam a entrada do Golfo, como Qeshm e Kish, o risco se concentra na proximidade delas com o continente, o que deixaria os soldados muito expostos e vulneráveis a ataques iranianos.
Ilha de Kharg
Agência Espacial Europeia via AFP
A tomada da ilha de Kharg, por outro lado, garantiria uma blindagem adicional aos americanos, uma vez que Teerã não realizaria ataques descontrolados contra o local, pelo risco de destruir ou danificar a infraestrutura petrolífera da ilha.
Neste cenário, os navios americanos não entrariam no Golfo Pérsico, dada a impossibilidade de cruzar o estreito em segurança. Diante de mais esse fator limitante, Mattos explica que as tropas americanas teriam que se movimentar de helicóptero e isso também colocaria os fuzileiros em mais uma situação de vulnerabilidade.
— Se os EUA posicionarem os navios anfíbios ali no Mar da Arábia, que é mais próximo de Omã, há uma distância de cem quilômetros, mais ou menos, até o Estreito de Ormuz. Mas de lá para Kharg são de 600 a 800 quilômetros, dependendo da posição em que o navio esteja. Isso representa um tempo de voo muito grande para esses militares ficarem expostos nos helicópteros — detalha o especialista.
Um mês de guerra no Irã: Conteúdos falsos sobre o conflito nas redes focam em acusações sem provas e incentivam medo de ataque ao Brasil, aponta relatório
Custo político elevado
A perda de vidas americanas, sem garantia de que os EUA consigam neutralizar o poder do regime iraniano, representa um dos principais riscos dessas abordagens, tendo impacto político para o presidente. Esse cenário prejudicaria consideravelmente a percepção do eleitorado dos EUA sobre o governo Trump — que foi eleito sob promessa de centrar-se nos problemas internos do país — e consequentemente sobre os aliados republicanos. A decisão de realizar ou não uma incursão terrestre no Irã, destaca Beirão, envolverá danos colaterais independente da escolha que a Casa Branca faça.
— Em minutos as pessoas verão soldado americano morrendo e criança iraniana morrendo. Isso tem um custo político. E existe também o custo político de ir até lá, usar todo o poder bélico da força que se diz superior e não conseguir neutralizar o poder — diz o professor.
Para Mattos, entre os recursos conhecidamente apresentados pelos EUA, uma ação mais segura e precisa provavelmente seria conduzida pela 82ª Brigada, partindo de bases como a da Otan na Turquia ou de complexos americanos na Arábia Saudita.
Em meio às ameaças: Irã avança com plano de pedágio no Estreito de Ormuz enquanto sofre ataques e retalia contra Israel e alvos no Golfo
É diante desta teia de entraves que Washington tenta tocar negociações com Teerã por meio de mensagens repassadas via autoridades paquistanesas. Segundo o especialista, esta se apresenta como uma alternativa aos revezes políticos de colocar tropas no terreno e não conseguir neutralizar o poder local, ao mesmo tempo em que exerce pressão com o reforço da presença militar na região. Beirão ressalta que o histórico de decisões do presidente americano demonstra que “Trump não costuma blefar”.
— No instante em que ele já fez a opção de atacar o Irã eu acho pouco provável que ele recue diante de um eventual dano colateral de colocar tropas em terreno. Eu acho que ele prefere arcar com esse custo, que é alto, mas continuar garantindo a credibilidade de, que quando ele ameaça, ele vai até o fim até conseguir — pontua.
Na segunda-feira, Trump disse ao Financial Times que as forças americanas atingiram 13 mil alvos no Irã desde o começo da guerra, e ainda têm 3 mil em vista para atacar. As forças israelenses anunciaram que destruíram mais de 80% dos sistemas de defesa aérea do Irã, e o premier israelense, Benjamin Netanyahu declarou em entrevista que Israel já alcançou “mais da metade de seus objetivos” no conflito. Apesar das declarações, Beirão chama a atenção para o grau de mobilização das forças terrestres iranianas, outro ponto central desta dinâmica.
— A capacidade de defesa terrestre num país tão mobilizado para o combate corpo a corpo ainda não foi testada. E ao colocar tropas no terreno, Trump vai lidar com um ser humano que teve suas capacidades muito pouco afetadas até agora no tipo de combate que foi feito — frisa o especialista. — O combate vai ser muito mais intenso, muito mais de igual para igual. Ainda que a superioridade tecnológica americana apareça até no combate de terra, 100 formigas comem um rato, por maior que ele seja.
Mais de um mês depois de lançar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, se vê sem respaldo ao exigir o apoio dos países da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, nos bombardeios contra Teerã e em uma força-tarefa para reabrir o Estreito de Ormuz. Em uma série de queixas públicas, chamou seus aliados de “covardes”, os mandou “buscarem o próprio petróleo” e, reciclando uma velha ameaça, disse que considera sair da organização, liderada pelos próprios EUA.
— Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel, e [o presidente da Rússia, Vladimir] Putin também sabe disso — afirmou Trump, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira.
Insatisfação: ‘Não precisamos da ajuda de ninguém’, diz Trump após aliados da Otan negarem envio de navios de guerra ao estreito de Ormuz
Após pressão de Trump: Alemanha diz que guerra contra o Irã ‘não tem nada a ver com a Otan’
Apesar de poucos países criticarem abertamente a ofensiva no Oriente Médio — a Espanha foi uma rara exceção — e de todos atacarem as retaliações iranianas, ninguém se voluntariou para bombardear Teerã. Nações como a Itália negaram o acesso de aeronaves envolvidas na “Operação Fúria Épica” às suas bases, e a proposta de uma força-tarefa naval para Ormuz, como quer Trump, segue no campo das ideias. Revoltado, o republicano disse, na terça-feira, que os britânicos “deveriam buscar o próprio petróleo” no Golfo Pérsico.
— Eles não foram nossos amigos quando precisamos deles — disse Trump, em entrevista à agência Reuters, nesta quarta-feira. — Nunca pedimos muito a eles, é uma via de mão única.
Sede da Otan em Bruxelas
Simon Wohlfahrt / AFP
O desdém de Trump à Otan não é novo. Em 2018, em seu primeiro mandato, dizia não ver mais sentido na organização, e se queixava do que considerava ser um desequilíbrio nos gastos militares, no qual os EUA seriam os maiores prejudicados. Na ocasião, membros do governo o demoveram da ideia.
“Os países da Otan devem pagar MAIS, os Estados Unidos devem pagar MENOS. Muito injusto!”, escreveu Trump em 2018 na rede social X, então Twitter, chamando seus aliados de “inadimplentes” e a aliança de “obsoleta”.
Medida ‘temporária’: Otan afirma que sua missão no Iraque foi transferida para a Europa enquanto a guerra com o Irã se intensifica
Em seu retorno à Casa Branca, em 2025, mencionou os bilhões gastos pelos EUA para apoiar a Ucrânia contra a Rússia como pretexto para exigir maiores compromissos financeiros. Empoderado pela vitória nas urnas e diante de uma Europa fragilizada, obteve o compromisso quase unânime dos membros de elevar de 2% para 5% do PIB os investimentos em Defesa. Em uma reunião de cúpula, no ano passado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defensor do republicano, o chamou de “papai”. Trump não se incomodou.
— [Rutte] gosta de mim. Acho que ele gosta de mim. Se não gostar, eu te aviso. Volto e bato nele com força, tá bom? Ele disse isso de um jeito bem carinhoso: “Papai, você é meu papai” — afirmou o republicano em entrevista coletiva, ao ser perguntado se considerava os demais países da aliança como seus filhos.
Análise: Ao usar Groenlândia como arma de guerra comercial, Trump força a Europa a avaliar até onde pode reagir
Mas ao contrário da ameaça de saída de 2018, baseada no dinheiro, hoje o republicano parece guiado pela visão de que está sendo injustiçado. Ele com frequência cita o apoio dado à Ucrânia (que sofreu mudanças desde sua posse), a presença americana em solo europeu, incluindo os mísseis nucleares no continente, e os investimentos militares na região. Em janeiro, em meio às ameaças de anexar a Groenlândia, disse que “fez mais pela Otan do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação, e a Otan deveria fazer algo pelos Estados Unidos”. A guerra contra o Irã, quando seus apelos por apoio militar não foram atendidos, foi uma nova gota d’água.
— Se a Otan se resume a defendermos a Europa de ataques, mas eles nos negam o direito de usar nossas bases quando precisamos delas, então não é um bom acordo — afirmou, em entrevista à rede al-Jazeera, o secretário de Estado, Marco Rubio. — Tudo isso terá que ser reexaminado.
Antes de discurso: Trump alega que ‘novo presidente’ do Irã pediu cessar-fogo, mas chanceler iraniano nega
Nos seus dois caóticos mandatos, Trump retirou os EUA de acordos cruciais — como o JCPOA, que estabelecia regras para o programa nuclear iraniano —, organizações internacionais — como a Organização Mundial da Saúde (OMS) — e promoveu mudanças controversas na máquina federal, especialmente ligadas à educação e a programas de ajuda externa. Mas afastar os EUA de uma organização criada na Guerra Fria e que é principal pilar defensivo da Europa e América do Norte é mais complexo e certamente envolverá batalhas políticas e judiciais.
Em julho de 2023, o senador democrata Tim Kaine e o então senador republicano Marco Rubio apresentaram um projeto exigindo que uma decisão presidencial de deixar a aliança fosse respaldada por dois terços do Senado, ou por um ato do Congresso, para ser válida. O texto está em vigor desde 2024, mas analistas afirmam que Trump pode passar por cima do Legislativo, alegando ter a palavra final sobre política externa.
— Não se trata de uma questão simples, o Congresso está dizendo que eles não podem fazer isso, e se ignorarem o Congresso, terão que enfrentar os tribunais — afirmou ao portal Politico, em novembro de 2024, Scott Anderson, pesquisador do centro de estudo Brookings, acrescentando que, em sua opinião, a legislação tem algumas brechas. — Mas é um terreno jurídico muito controverso e não está 100% claro.
Congresso dos EUA, em Washington
Kevin Dietsch/Getty Images/AFP
Jamais o Congresso acionou a Justiça para contestar a decisão de um presidente de abandonar uma organização internacional ou um tratado, e não está claro como isso aconteceria.
— Para que a questão seja levada à Justiça, seria necessário que alguém tivesse legitimidade para processar — disse o professor Curtis Bradley, da Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, ao Politico — A única parte que consigo imaginar que teria legitimidade seria o próprio Congresso, mas não está claro se os republicanos apoiariam tal ação.
Com Rússia e China no radar: Otan lança operação para reforçar segurança no Ártico
Mesmo que consiga o apoio do Legislativo ou dos tribunais, o processo não é imediato. Pelo Artigo 13 do Tratado do Atlântico Norte, que rege a organização, o interessado em deixar a aliança deve enviar uma comunicação legal aos Estados Unidos — Estado depositário do acordo — e esperar um ano até a confirmação. Mesmo que não se concretize, a insistência do presidente é um sinal de que o modelo de compromisso mútuo de defesa, cravado no Artigo 5, já não é mais o mesmo.
— O presidente dos Estados Unidos não pode se retirar da Otan. Dito isso, o presidente pode envenenar a aliança. O presidente pode torná-la funcionalmente inoperante se quiser — disse à rede ABC o senador republicano Thom Tillis, em fevereiro. — Seria difícil encontrar um motivo, porque isso acarreta um risco enorme. Vidas americanas foram salvas pela aliança da Otan, e muitas vidas americanas serão perdidas sem ela.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress