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Um dos criminosos mais procurados da Colômbia, com duas ordens de captura internacionais por casos de homicídio e desaparecimento forçado, foi detido após uma troca de tiros na Bolívia, informou a polícia local nesta terça-feira. Jorge Isaac Campaz, líder máximo do grupo armado Los Espartanos, que opera violentamente na cidade portuária colombiana de Buenaventura, foi detido junto com outras 13 pessoas, 11 delas colombianas e duas bolivianas, durante uma operação na cidade de Santa Cruz, na qual não houve feridos.
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“Ele tem notificação vermelha internacional por crimes de associação criminosa, fabricação, tráfico e porte de armas, homicídio e outras infrações”, afirmou o coronel da polícia Pompeo Sánchez, em declarações à emissora de TV Red Uno.
O governo regional de Valle del Cauca, na Colômbia, confirmou em separado, nas suas redes sociais, a detenção e identificou Campaz, conhecido como “Mapaya”, como o “líder máximo” da rede criminosa, sobre quem pesavam duas ordens de prisão internacionais.
“Ele vinha praticando atividades criminosas há 14 anos”, indicou a instituição.
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O grupo Los Espartanos mantém uma violenta disputa territorial com outro grupo denominado Los Shottas pelo controle territorial do porto de Buenaventura, o mais importante do país por seu comércio e pesca, situado na região de Valle del Cauca.
Esta facção tentou firmar um acordo de paz para renunciar às armas com o governo de Gustavo Petro e diminuir a violência no país. Este processo segue em andamento, apesar dos percalços. O governo boliviano não informou que decisão vai tomar sobre Campaz.
O presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edgar Stuardo Ralón, afirmou nesta terça-feira, em entrevista à AFP, que existem elementos para classificar práticas realizadas nas missões médicas internacionais de Cuba como trabalho forçado e tráfico de pessoas. Em relatório divulgado nesta terça, a CIDH denuncia violações de direitos humanos nesses programas, como a retenção de salários dos participantes, ameaças de penas de até oito anos de prisão para quem abandoná-los e confisco de passaportes.
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Essas práticas contêm “elementos conectivos para dizer que aqui existe trabalho forçado e tráfico de pessoas”, disse Ralón. “É uma situação de impotência dramática que desconhece o conceito de trabalho e tratamento dignos, como se os participantes fossem tratados de forma totalmente abusiva, obrigados a seguir regras, convertidos em entes que não têm o mínimo inerente a toda pessoa.”
Criadas na década de 1960 pelo governo de Fidel Castro, com um propósito de solidariedade e promoção no exterior, as missões médicas tomaram um rumo mais lucrativo a partir dos anos 1990, e hoje são a principal fonte de receita da ilha, destaca a CIDH em seu relatório. Para Ralón, embora Cuba seja o principal responsável por essa situação, os países que recebem os profissionais de saúde também têm responsabilidade:
“O Estado receptor não pode dizer: ‘Como se trata de um convênio, eu me isento de verificar o respeito aos direitos humanos.'”
Também relator da CIDH para Cuba, Ralón apontou que os abusos documentados tendem a se agravar em países com garantias institucionais menores e restrições aos direitos fundamentais. Segundo ele, desde o começo da elaboração do relatório, três ou quatro países latino-americanos decidiram deixar de recorrer às missões cubanas, entre eles Guatemala e El Salvador. Ralón ressaltou que as práticas denunciadas no relatório se inserem em um contexto de ausência de direitos em Cuba.
“O aspecto central é que não existe na ilha democracia, respeito às liberdades básicas, e isso cria as condições de violações sistemáticas.”
Diante de um governo cubano que não coopera com os mecanismos interamericanos, Ralón disse que o relatório busca ao menos manter viva a agenda sobre a ilha e dar voz aos que defendem os direitos humanos dentro e fora dela.
“Como internamente isso não é possível, que essas vozes influenciem os tomadores de decisão, para permitir o funcionamento dos mecanismos do direito internacional e uma transição democrática”, destacou o relator.
Entre 8 e 9 de abril, o Rio de Janeiro receberá a IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS). O evento celebra os 40 anos de um dos projetos mais originais — e mais negligenciados — da política externa brasileira. Vale a pena parar e perguntar: o que a Zona realizou, o que deixou de realizar, e por que ela importa mais hoje do que em qualquer outro momento de sua história? Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Dos programas Mercury (1958–1963), Gemini (1963–1966) e Apollo (1969–1972) até o atual Artemis, a exploração espacial dos Estados Unidos é marcada por uma tradição que mistura ciência, política e simbolismo. Em 1º de abril de 2026, essa trajetória ganhou um novo capítulo com o lançamento da missão Artemis II, o primeiro voo tripulado ao redor da Lua desde 1972. A operação, iniciada no Centro Espacial Kennedy, leva quatro astronautas a bordo da cápsula Orion em uma jornada de cerca de dez dias que busca testar sistemas essenciais para futuras missões à superfície lunar e, posteriormente, a Marte. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Senado realiza nesta quarta-feira um esforço concentrado para analisar indicações de embaixadores feitas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e que estavam paradas desde 2025. A movimentação ocorre após pressão do Palácio do Planalto para destravar a fila de nomeações mantidas sob a condução do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Ao todo, 18 indicações seguem pendentes de deliberação. A maior parte está represada há meses, o que levou à vacância de postos diplomáticos considerados estratégicos, como Austrália, Polônia, Coreia do Sul e Grécia, além de representações na África, Ásia e Caribe.
A análise dos nomes pelo Senado é etapa obrigatória antes da nomeação formal dos embaixadores e passa por sabatina na Comissão de Relações Exteriores, seguida de votação em plenário.
Nos bastidores, a avaliação no governo é que o esforço concentrado desta semana deve destravar apenas parte da fila, mas inaugura uma nova dinâmica de votações, com rodadas sucessivas de sabatinas nas próximas semanas para reduzir o estoque acumulado desde o ano passado.
No Planalto, a aposta é que, uma vez retomado o fluxo, o Senado passe a avançar também sobre outras indicações travadas — não só diplomáticas, mas para cargos estratégicos em diferentes órgãos.
Entre elas, a do próprio advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. A análise ainda não foi encaminhada e virou símbolo do impasse entre governo e cúpula do Congresso.
No dia 15 de janeiro, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, deu de presente ao presidente dos EUA, Donald Trump, a medalha do Nobel da Paz , recebida por ela semanas antes, uma honraria a qual sempre se disse um justo merecedor. Exatos 82 dias depois, o mesmo Trump disse que se o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz até o fim desta terça-feira, “toda uma civilização morrerá”, adotando uma retórica que se encaixa em definições de crimes de guerra. Um cessar-fogo temporário acabou firmado menos de duas horas antes do fim do prazo, e não se sabe até quando a diplomacia estará em sua lista de opções.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu na rede Truth Social..
A ameaça foi suspensa, ao menos por duas semanas, mas ao fazê-la Trump rasgou, de uma vez por todas, a roupagem de “presidente da paz” que foi base para sua vitória na última eleição.
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Durante a campanha para voltar à Casa Branca, em 2024, prometeu acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia “em 24 horas” e atacou o acordo nuclear com o Irã firmado por Barack Obama em 2015 (rasgado por ele três anos depois), afirmando que poderia obter um texto “ainda melhor” de Teerã. Também disse que um cessar-fogo em Gaza seria facilitado com seu retorno à Casa Branca — a pausa temporária nos combates veio dias antes da posse, mas foi quebrada semanas depois. A era das guerras intermináveis, repetia, estava encerrada.
— Assim como em 2017, construiremos novamente as Forças Armadas mais poderosas que o mundo já viu. Mediremos nosso sucesso não apenas pelas batalhas que vencermos, mas também pelas guerras que encerrarmos e, talvez o mais importante, pelas guerras em que nunca entrarmos — disse em seu discurso de posse, em janeiro de 2025.
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No primeiro ano de novo mandato, alegou ter encerrado oito conflitos, como entre Armênia e Azerbaijão; Tailândia e Camboja; e Ruanda e República Democrática do Congo. Alguns por meio de negociações, outros por pressão econômica, e outros com palavras vagas que, na prática, arrastaram uma definição para o futuro. Em outubro passado, um cessar-fogo em Gaza foi obtido, mas o território palestino segue parcialmente ocupado por forças israelenses, ainda sob ataques frequentes e sem qualquer perspectiva futura.
Mas havia duas grandes lacunas. Na Ucrânia, a Rússia não estava interessada em um cessar-fogo e exige termos como a cessão de territórios ocupados, limitações à capacidade de autodefesa de Kiev e o fim de sanções. Trump não esconde a admiração pelo líder russo, Vladimir Putin, a quem recebeu no Alasca em agosto passado, lhe dando um palanque no Ocidente sem contrapartidas. Por Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, não esconde um desdém que vai além da política.
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Com o Irã, a condescendência não estava à mesa. Os contatos iniciais com Teerã para um novo acordo destinado a evitar a militarização de seu programa nuclear foram feitos no começo de 2025. Em junho passado, quando as conversas pareciam avançar, Israel decidiu atacar o território iraniano, em um conflito de 12 dias que chegou ao fim depois de um inédito bombardeio americano contra o país. Trump contabilizou a pausa nas hostilidades em sua lista de “vitórias diplomáticas”.
“Partindo do pressuposto de que tudo correrá como deveria, o que certamente acontecerá, gostaria de parabenizar ambos os países, Israel e Irã, por terem a resistência, a coragem e a inteligência para pôr fim ao que deveria ser chamado de ‘GUERRA DOS 12 DIAS’”, disse Trump na rede Truth Social no dia 23 de junho de 2025. “Esta é uma guerra que poderia ter durado anos e destruído todo o Oriente Médio, mas não durou e jamais durará!”
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Mas um observador atento da política americana percebe que a retórica do pacificador contrasta com a política de militarização radical dos Estados Unidos. O Trump 2.0, em vez de “presidente da paz”, se mostra o “presidente da guerra”.
Internamente, ele defende uma expansão histórica do Orçamento de Defesa, que em 2027 pode chegar a US$ 1,5 trilhão. O republicano quebrou um tabu interno e ampliou a presença de tropas nas ruas, desde o policiamento da capital americana até o controle de protestos contra suas políticas migratórias. Em seu aniversário, ordenou que fosse realizada uma parada militar em Washington, como não se via há décadas — na ocasião, a Casa Branca disse que a escolha da data foi uma coincidência.
Presidente dos EUA, Donald Trump (C), faz saudação a tropas durante parada militar em Washington
Andrew Harnik/Getty Images/AFP
A nova Estratégia de Segurança Nacional ressuscitou a Doutrina Monroe, estabelecendo a América Latina como zona de controle dos EUA. A operação contra barcos acusados de estarem à serviço do narcotráfico levou um contingente militar sem precedentes à região e afundou mais de 20 embarcações, deixando dezenas de mortos. Até hoje, não foram dados detalhes sobre a ofensiva.
Em janeiro, lançou um inédito ataque a um país da América do Sul, invadindo a capital venezuelana, Caracas, capturando o presidente Nicolás Maduro e o levando para Nova York, onde está preso aguardando julgamento. A vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder, e o chavismo passou a seguir a cartilha da Casa Branca. Cuba, desde os anos 1960 sob embargo e agora som bloqueio naval, deve ser o próximo alvo.
Comando Sul das Forças Armadas dos EUA divulgaram imagens de novas ações contra lanchas no Caribe e Pacífico
Reprodução/ X/ SouthCom
A relativa facilidade com que virou a mesa na Venezuela e com que convenceu Havana a conversar lhe deu confiança para avançar sobre o Irã, há 47 anos um algoz de presidentes americanos de ambos partidos. No começo de janeiro, em meio à repressão aos protestos nas ruas, disse que poderia ajudar, e por pouco não lançou seus mísseis. No final de fevereiro, quando os iranianos pareciam perto de fazer concessões sobre seu programa nuclear, optou pela guerra total.
— Este regime logo aprenderá que ninguém deve desafiar a força e o poderio das Forças Armadas dos Estados Unidos. Eu construí e reconstruí nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato e não existe nenhuma força militar no mundo que sequer se aproxime de seu poder, força ou sofisticação — disse na madrugada do dia 28 de fevereiro, ao confirmar o início da “Operação Fúria Épica”.
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O “Cenário Venezuela” não se confirmou. O regime sofreu duras baixas, mas segue no controle. As retaliações não se restringiram às forças dos EUA e Israel e atingem as monarquias árabes do Golfo Pérsico. O fechamento do Estreito de Ormuz provocou impactos globais. As autoridades iranianas hoje querem impor aos americanos um acordo amplo para encerrar as hostilidades, incluindo o fim das sanções e o direito ao enriquecimento de urânio.
A chance de se tornar mais uma das “guerras eternas” criticadas por ele no passado assusta Trump. A forte objeção interna, impulsionada por seu discurso vago e pela alta dos combustíveis, pode lhe render uma derrota nas eleições legislativas de novembro. A falta de um caminho de saída ajuda a explicar a crescente agressividade em suas declarações. Como a desta terça-feira, quando ameaçou “eliminar a civilização iraniana” caso Ormuz não fosse reaberto até as 21h desta terça-feira (pelo horário de Brasília) — uma fala interpretada como um potencial crime de guerra.
“Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer. Quem sabe?”, escreveu na Truth Social. “Quarenta e sete anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim.”
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Mas o regime em Teerã não dava sinais de que cederia. Tampouco se sabia o que Trump tinha em mente. Daria aos iranianos mais tempo, como o fez em duas ocasiões? Atacaria as instalações de geração de energia e o setor petrolífero? Adotaria uma estratégia de terra arrasada, como a do Bombardeio a Tóquio, de março de 1945? Daria início a uma ofensiva terrestre, rejeitada até por seus aliados? Ou declararia a vitória unilateralmente?
— Somente Trump sabe a situação final e o que ele fará — disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, no começo da terça-feira.
A menos de duas horas do fim do prazo, Trump anunciou a suspensão “dos bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas”, um cessar-fogo condicionado à reabertura de Ormuz, e que estava em negociações com Teerã sobre um “um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio”. Mas a faceta pacificadora pode ter prazo de validade.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, ele anunciou há pouco nas redes sociais, com a condição de que o Irã reabra imediatamente o Estreito de Ormuz para o trânsito seguro de qualquer embarcação. Os iranianos, no entanto, ainda não confirmaram o aceite da proposta, intermediada por autoridades paquistanesas. Após os últimos adiamentos, Trump havia programado para a noite desta terça-feira o fim do ultimato para que a República Islâmica chegasse a um acordo com a Casa Branca pela reabertura do Estreito de Ormuz. Reiterando suas ameaças contra Teerã, o presidente americano chegou a declarar no início do dia que “uma civilização inteira vai morrer esta noite”, horas antes do prazo estabelecido, que se encerra às 21h (em Brasília)
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“Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo bilateral”, escreveu o líder americano em sua plataforma Truth Social.
Trump afirmou ainda que acreditar que a proposta de 10 pontos formulada pelo Irã “constitui uma base viável para a negociação”. “Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o Acordo seja finalizado e consolidado”, acrescentou em sua publicação.
Mediador na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, o Paquistão havia pedido a Trump que aumentasse o prazo estabelecido pelo presidente americano para que os iranianos fechem um acordo que reabra o Estreito de Ormuz, por onde passavam um quinto do petróleo comercializado no mundo até o início do conflito. O apelo foi feito diretamente pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que também pediu a reabertura da rota marítima ao regime iraniano.
Em seu anúncio de cessar-fogo, o presidente americano disse novamente que os EUA “já cumpriram e superaram todos os objetivos militares” da guerra no Golfo Pérsico, apesar de ter declarado repetidamente que o grande objetivo da ação militar contra a Teerã era impedir que a República Islâmica tenha acesso a armas nucleares. Ainda que não tenha sido provado publicamente que esta ameaça, como referenciado pelo Pentágono, fosse real, Washington também não anunciou a realização de nenhum ataque que deixasse claro o sucesso em relação a este ponto. Além disso, Trump declarou que os EUA estão “muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio”.
Os novos episódios do conflito na região ocorrem em um momento em que autoridades políticas, incluindo aliadas dos EUA, e especialistas em direito internacional expressam temores de que as ações americanas configurem crimes de guerra, e enquanto novos ataques atingem o território iraniano. Em resposta à ameaça mais recente de Trump, o embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, falou que as declarações do presidente americano sobre destruir o seu país e matar a população “constituem incitação a crimes de guerra e potencial genocídio” e que Teerã irá tomar “medidas recíprocas imediatas e proporcionais”.
*Em atualização
O vice-presidente americano, JD Vance, foi às redes sociais para reforçar as ameaças contra o Irã, durante a escalada do conflito nesta terça-feira. O republicano ressaltou que as negociações estão quentes, ao publicar um vídeo da emissora Fox News, alinhada ao governo de Donald Trump. Vance, no entanto, mostrou que não sabe o que acontecerá com o país ao fim do prazo estabelecido por Trump para que o Irã faça um acordo que inclua a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passavam um quinto do petróleo comercializado no mundo, até o início do conflito.
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Alternativa: Países da Ásia garantem acordos com o Irã para que seus navios atravessem o Estreito de Ormuz, enquanto Trump eleva ameaças por acordo
“O Irã está se mobilizando nos bastidores, tentando desesperadamente evitar as consequências de 47 anos de agressão. O tempo está se esgotando. Rezem pela paz, mas preparem-se para a força”, escreveu ele, em sua conta no X, referindo-se à Revolução Iraniana e à tomada do poder pelo regime dos aiatolás. “A poucas horas do prazo final das 20h (21h, no horário de Brasília), o presidente Trump acaba de confirmar que está em “negociações quentes” com o regime iraniano. Trump tem todas as cartas. Só ele sabe exatamente qual é a situação atual e o que acontecerá a seguir”.
Nesta terça-feira, o conflito no Oriente Médio teve uma escalada que ainda não havia sido vista, desde que Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques ao país persa. Durante a manhã, Trump escreveu que ‘uma civilização inteira vai morrer esta noite’, em publicação nas redes sociais. O mandatário de Washington também disse que poderia destruir todas as pontes do Irã em questão de horas e reduzir todas as usinas de energia a escombros, além de ameaçar “apagar o país do mapa”.
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Em resposta, o embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir-Saeid Iravani, disse que as ameaças feitas por Trump “constituem incitação a crimes de guerra e potencial genocídio” e que Teerã irá tomar “medidas recíprocas imediatas e proporcionais” se os Estados Unidos lançarem os ataques devastadores prometidos.
Após o novo ultimato, o Paquistão, mediador na guerra, pediu a Trump que aumentasse o prazo em duas semanas, para que os iranianos fechassem um acordo. O apelo foi feito diretamente pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que também pediu a reabertura da rota marítima ao regime iraniano. O Exército de Israel, por sua vez, alertou para um possível “aumento nos ataques de mísseis” do Irã contra o país e apelou à população para que ficasse vigilante.
O dia ainda foi marcado ainda pelo veto de Rússia e a China a uma resolução de autoria do Bahrein, no Conselho de Segurança da ONU, que incentivava esforços defensivos e coordenados para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Ataques à Ilha Kharg
Durante a manhã, o Irã foi atingido por ataques contra a Ilha Kharg, polo estratégico do setor petrolífero do país. Trump ainda prometeu bombardear instalações de eletricidade, pontes e outros alvos essenciais não militares, onde jovens iranianos fizeram correntes humanas horas depois.
As ameaças de Trump confirmam uma escalada retórica que se consolidou nos últimos dias de conflito com o ultimato do presidente americano ao Irã. Adotando um tom agressivo e com viés religioso em algumas de suas mensagens, o republicano afirmou que atacaria alvos civis em território iraniano, incluindo pontes, infraestrutura do setor elétrico, entre outros. No sábado, quando mudou o prazo final para um acordo ou reabertura unilateral do Estreito de Ormuz, afirmou que desataria “todo o inferno” sobre o país.
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça “lançar o inferno” sobre o território iraniano caso a República Islâmica não chegue a um acordo com Washington pela liberação do Estreito de Ormuz, diversos países da Ásia já asseguraram a passagem de seus navios pelo canal marítimo por meio de acordos firmados diretamente com o Irã. Entre as nações que tiveram sucesso nas negociações com os iranianos estão alguns de seus principais aliados, como China e Rússia — também amplamente reconhecidos como rivais de Washington pela hegemonia do poder global — além de países que mantêm relações diplomáticas equilibradas com potências de ambos os hemisférios, como a Índia, e outros que chegaram a declarar estado de emergência energética por conta da queda brusca nos estoques de combustível, como as Filipinas, que dependem quase exclusivamente do petróleo que sai do Oriente Médio.
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Apesar dos anúncios públicos de liberação da passagem, os termos dos acordos entre empresas de navegação e o governo iraniano não foram divulgados. Portanto, ainda não está claro nem confirmado se esses países pagaram uma taxa para garantir a travessia de seus navios ou se o gesto das autoridades iranianas foi conquistado apenas por meio de negociações diplomáticas.
Especialistas e analistas internacionais avaliam que, independente de qual tenham sido os detalhes, o regime teocrático do país persa implementou uma espécie de “sistema de pedágio”, seja pago em dinheiro ou em acordo político, numa via que deveria ser regimentada pelas leis marítimas internacionais e no momento está sendo controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês). Apesar deste cenário, a França e a Itália iniciaram conversas com o Irã no mês passado.
Alguns analistas consideram ainda que o controle rigoroso do estreito vai além de uma tática de guerra, mas expõe planos de longo prazo do regime iraniano. Para eles, o bloqueio da passagem marítima pode criar uma oportunidade para que Teerã se reintegre à economia global e à diplomacia internacional após anos de isolamento impostos por sanções globais.
Liu Jia, pesquisadora do Instituto do Oriente Médio da Universidade Nacional de Singapura, disse em entrevista à revista Time que “se o Irã adotar uma estratégia de fechamento seletivo — visando os Estados Unidos, Israel e seus aliados, enquanto permite a passagem de países amigos”, países do Golfo “podem buscar reparar as relações com o Irã ou desenvolver rotas de exportação alternativas, o que poderia aumentar os custos no curto e médio prazo”.
A especialista acrescentou que os países do Golfo que sofreram ataques retaliatórios do Irã também podem ser “compelidos a reavaliar suas estratégias de defesa”, incluindo se “hospedar bases militares americanas aumenta sua segurança ou, inversamente, aumenta sua exposição a ataques” por parte de adversários dos EUA.
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Suficientemente amigáveis
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a nomear publicamente há duas semanas os países considerados suficientemente amigáveis ​​para garantirem a liberação da passagem de seus navios no estreito. Eram eles China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão.
“Muitos das empresas e dos países proprietários dessas embarcações, entraram em contato conosco e solicitaram que garantíssemos sua passagem segura pelo estreito. Para alguns desses países que consideramos amigáveis, ou em casos em que decidimos fazê-lo por outros motivos, nossas forças armadas garantiram a passagem segura”, afirmou Araghchi em entrevista à TV estatal iraniana.
Na ocasião, ele anunciou que o plano de restringir a passagem a embarcações aliadas “continuará no futuro, mesmo depois da guerra”.
“Estamos em estado de guerra. A região é uma zona de guerra e não há razão para permitir a passagem de navios de nossos inimigos e seus aliados. Mas ela permanece aberta a outros”, acrescentou o chanceler iraniano.
A Índia foi um dos primeiros países a garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, disse ao Financial Times em março que a autorização para travessia de seus petroleiros foi resultado de diplomacia. Na semana passada, a embaixada do Irã em Nova Déli chegou a publicar nas redes sociais que “nossos amigos indianos” estavam “em boas mãos”.
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A China, que é a maior compradora de petróleo do Irã, confirmou também na semana passada que alguns de seus navios navegaram pelo estreito, mas não forneceu detalhes. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores declarou apenas que “após coordenação com as partes relevantes, três embarcações chinesas transitaram recentemente pelo Estreito de Ormuz”. O conselheiro de política externa do Kremlin, Yury Ushakov, declarou que “para nós, o Estreito de Ormuz está aberto”, considerando que a Rússia é uma das maiores aliadas de Teerã.
Na mesma linha, sem se aprofundar nos termos do acordo, o ministro dos Transportes da Malásia, Anthony Loke, disse que seu país obteve garantias de passagem segura através de uma “boa relação diplomática com o governo iraniano”. Aproximadamente dois terços das importações de petróleo da Malásia provêm do Golfo. A embaixada iraniana no país do Sudeste Asiático adotou o mesmo tom do escritório na capital indiana e afirmou na segunda-feira que, após o primeiro navio malaio atravessar o estreito desde o início da guerra, que “o Irã não se esquece de seus amigos”.
As Filipinas, que importam 98% de seu petróleo do Oriente Médio, foram o primeiro país a declarar estado de emergência energética por conta do bloqueio de Ormuz. Apesar de seus laços estreitos com os EUA, o país se tornou na quinta-feira a mais recente nação asiática a garantir um acordo com o Irã, que a secretária de Relações Exteriores, Theresa Lazaro, descreveu como “uma conversa telefônica muito produtiva” com Teerã.
O Paquistão, que tem feito a intermediação de mensagens entre Washington e Teerã, anunciou em 28 de março que o Irã concordou em permitir a passagem de 20 de seus navios pelo estreito. Diante disso, Islamabad passou a abordar empresas internacionais de comércio de commodities para que registrassem temporariamente seus navios sob a bandeira paquistanesa, a fim de aproveitar a liberação da passagem, segundo publicou a Bloomberg.
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“Este é um gesto bem-vindo e construtivo por parte do Irã e merece reconhecimento”, disse o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar. “Diálogo, diplomacia e medidas como essa, que visam a construção de confiança, são o único caminho a seguir”.
A Tailândia, que chegou a ter um navio graneleiro atacado por projéteis iranianos em março, também estabeleceu um pacto com o regime iraniano. O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, anunciou o acordo em 25 de março, e um petroleiro tailandês cruzou a fronteira posteriormente sem pagar taxas, de acordo com o jornal britânico The Independent.
O Iraque, rico em petróleo, que faz fronteira com o Irã, também foi isento do bloqueio. No fim de semana, o Comando Militar Conjunto Khatam al-Anbiya, do Irã, anunciou a liberação, e Bagdá agradeceu pelo gesto. A lista de nações autorizadas a atravessar o estreito em segurança conta ainda com Japão, Indonésia e Turquia.
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Pedra no sapato de Trump
O bloqueio do importante canal, por onde normalmente saem do Golfo Pérsico cerca de 20% das exportações de petróleo e gás do mundo, tem sido uma pedra no sapato do líder americano desde o início da guerra. Dias após os primeiros bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã fechou a passagem com ameaças de atacar embarcações que tentassem cruzá-la, e chegou a bombardear algumas delas.
Apesar de declarar publicamente que os EUA não precisam importar combustível da região, Trump sabe que a ameaça iraniana sobre o estreito e a queda brusca na circulação de navios pela rota tem efeitos graves em todo o comércio mundial, não apenas no setor petrolífero.
Mesmo após ter tentado dividir a responsabilidade pela liberação do estreito ao sugerir que aliados enviassem navios de guerra à região e não ter seu pedido atendido por nenhum deles, Trump segue adiando e ampliando o prazo dos ultimatos contra o Irã e chegou a declarar na segunda-feira que “uma civilização inteira” morreria na noite desta terça-feira caso Teerã siga sem fechar um acordo com seu governo.
Neste momento, o presidente americano tenta elevar as ameaças contra o regime dos aiatolás para garantir a passagem livre de todo e qualquer navio pela via marítima, principalmente de seus aliados ocidentais, que não fazem parte da lista de beneficiados por acordos com Teerã.

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