A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton deve depor nesta quinta-feira, a portas fechadas, perante a Comissão de Supervisão da Câmara que investiga as atividades do empresário Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual. A expectativa é que Bill Clinton realize seu depoimento na sexta.
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O depoimento ocorre em meio a uma nova rodada de tensão política em Washington e amplia o alcance da investigação conduzida por parlamentares republicanos.
Hillary afirmou anteriormente que não se lembra de ter conversado com Epstein, embora tenha conhecido sua ex-associada, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de prisão por tráfico de menores para que fossem abusadas pelo financista.
Pressão após ameaça de desacato
Inicialmente, Hillary e o ex-presidente Bill Clinton resistiram a prestar depoimento. O casal, no entanto, concordou em comparecer após a comissão sinalizar que poderia enquadrá-los por desacato ao Congresso.
Os depoimentos devem ocorrer em Chappaqua, no estado de Nova York, onde os Clinton mantêm residência. O presidente republicano da comissão, James Comer, afirmou que as transcrições serão tornadas públicas.
Comer sustenta que Epstein visitou a Casa Branca 17 vezes durante o mandato de Bill Clinton e que o ex-presidente voou diversas vezes no avião do empresário no início dos anos 2000, já após deixar o cargo.
Fotos divulgadas recentemente pelo Departamento de Justiça mostram Bill Clinton em registros relacionados ao magnata. O ex-presidente nega qualquer irregularidade e já declarou arrependimento por ter mantido relações com Epstein.
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Hillary, candidata democrata à Presidência em 2016, acusou a comissão de tentar desviar a atenção dos laços do presidente Donald Trump com Epstein. O empresário morreu por suicídio em 2019, enquanto aguardava julgamento.
Trump também manteve convivência social com Epstein nas décadas de 1990 e 2000, antes da condenação do financista em 2008 por aliciar uma menor para prostituição. Segundo Comer, as evidências reunidas até o momento não incriminam o atual presidente.
Especialistas avaliam que o comparecimento de Bill Clinton pode criar um precedente institucional relevante.
— O fato de o presidente Clinton estar comparecendo cria um precedente para quando o presidente Trump deixar o cargo? — questionou Jonathan Shaub, professor de direito da Universidade de Kentucky.
As perguntas da comissão podem se concentrar nos possíveis vínculos de Epstein com a Fundação Clinton e com a Iniciativa Global Clinton no início dos anos 2000.
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