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Um jovem se declarou culpado no primeiro caso julgado na Austrália sob uma nova lei nacional que criminaliza a criação e distribuição de pornografia deepfake, prática que envolve a manipulação de imagens com uso de inteligência artificial. William Hamish Yeates, de 19 anos, admitiu quatro acusações após acordo com o Ministério Público, que retirou parte das 20 acusações federais iniciais, segundo a BBC.
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O acusadonão comentou ao deixar o tribunal e deverá retornar para nova audiência em abril.
As acusações incluem a criação ou alteração de material sexual sem consentimento, a distribuição desse conteúdo e o uso de serviços de comunicação de forma ofensiva ou assediadora.
O tribunal ouviu que Yeates utilizou várias contas na plataforma X para disseminar imagens manipuladas sem autorização da vítima.
A legislação aplicada prevê pena máxima de até sete anos de prisão e marca a primeira aplicação de uma norma nacional voltada especificamente à manipulação de imagens sexuais.
Um porta-voz dos promotores federais confirmou que se trata do primeiro processo desse tipo, embora alguns estados australianos já possuam leis próprias sobre deepfakes.
Crescimento do problema
Especialistas apontam que a pornografia deepfake é uma nova forma de abuso de imagem, gerada por inteligência artificial, que afeta principalmente mulheres e meninas.
A autoridade reguladora da internet na Austrália, a eSafety Commission, já havia alertado sobre o crescimento desse tipo de conteúdo e adotado medidas para proibir aplicativos que “desnudam” pessoas por meio de manipulação digital.
Dados apresentados pela comissária de Segurança Eletrônica Julie Inman Grant indicam a dimensão do problema:
— Há dados convincentes e preocupantes de que os deepfakes explícitos aumentaram na internet em até 550% ao ano desde 2019 — explica.
Ela também destacou que “é um pouco chocante notar que vídeos pornográficos representam 98% do material deepfake atualmente online e 99% dessas imagens são de mulheres e meninas.”

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Ruas arrasadas, casas e lojas demolidas, incluindo um café popular. Isso é o que restou da cidade de Bint Jbeil, a poucos quilômetros da fronteira israelense, quase dois meses depois de Israel ter relançado sua ofensiva terrestre no sul do Líbano. A destruição desta cidade, um reduto do Hezbollah, se repete inúmeras vezes no sul do Líbano, uma região exuberante de paisagens onduladas, onde Israel arrasou vilarejos na fronteira como parte de um esforço para preparar o terreno para uma ocupação maior. A abordagem, segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, foi inspirada nas táticas usadas pelos militares em Gaza, onde as forças israelenses reduziram bairros, prédios e ruas inteiras a escombros. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viaja a Pequim nesta terça-feira para uma rodada de reuniões com autoridades chinesas, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos. A visita ocorre a poucos dias da ida do presidente americano, Donald Trump, à China, onde ele deve se reunir com o líder Xi Jinping nos dias 14 e 15 de maio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em um desafio sem precedentes, a China intensificou sua disputa com os Estados Unidos sobre o petróleo do Irã ao ordenar que as empresas do país ignorem as sanções americanas, segundo a agência Bloomberg e o Wall Street Journal. A medida eleva a tensão entre as duas maiores economias do mundo e ameaça colocar um vasto setor bancário no meio do fogo cruzado, às vésperas de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os dias 14 e 15 de maio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um terço dos americanos afirma já ter rompido relações com amigos ou familiares por razões políticas. É o que indica pesquisa divulgada nesta semana por uma dupla de psicólogos da Universidade da Califórnia. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Reunião desta terça-feira do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).

Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.

Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.

Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.

Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.

As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Apreciação de pareceres. Dep. Zé Trovão (PL - SC)
Deputado Zé Trovão

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”

Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.

O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Apreciação de pareceres. Dep. Marcel van Hattem (NOVO - RS)
Deputado Marcel van Hattem

Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.

Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Colecionadores, Atiradores Desportivos e CACs. Dep. Marcos Pollon (PL-MS)
Deputado Marcos Pollon

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.

Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.

Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.

Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.

Mais de 20 pessoas morreram nesta terça-feira em bombardeios russos na Ucrânia, cujo presidente, Volodymyr Zelensky, denunciou o “cinismo absoluto” de Moscou ao buscar uma trégua para comemorar, em 9 de maio, a vitória de 1945 sobre a Alemanha nazista. Os ataques, que tiveram como alvo as cidades de Zaporíjia (sul), Kramatorsk (leste), Dnipro (centro) e Nikopol (centro-leste), ocorreram enquanto a Ucrânia anunciava seu próprio cessar-fogo a partir da meia-noite desta terça-feira (18h em Brasília), o qual instou Moscou a respeitar.
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No entanto, pouco antes de sua entrada em vigor, um ataque ucraniano com drones contra a Crimeia ocupada deixou cinco mortos na localidade de Dzhankoi, segundo as autoridades russas. Já na Ucrânia, pelo menos 21 civis morreram em ataques russos em todo o país. Em Zaporíjia, 12 pessoas morreram em uma ação que Zelensky descreveu como “sem qualquer justificativa militar”.
Além disso, cinco civis morreram em Kramatorsk e quatro em Dnipro, segundo o mandatário, e outra morte foi registrada em Nikopol. Com pouco avanço diplomático mais de quatro anos depois do início da invasão, a Rússia anunciou unilateralmente um cessar-fogo para os dias 8 e 9 de maio, a fim de comemorar no sábado, em Moscou, seu desfile do Dia da Vitória. O Exército russo ameaçou lançar “um ataque maciço de mísseis” contra a Ucrânia em caso de violação de sua trégua.
‘Cinismo absoluto’
“É de um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para realizar comemorações propagandísticas, enquanto lançam ataques todos os dias com mísseis e drones”, denunciou Zelensky no Bahrein, onde está de visita. “Precisamos que cessem esses ataques e todos os demais do mesmo tipo todos os dias, e não apenas durante algumas horas em algum lugar, em nome das ‘celebrações'”, acrescentou.
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Zelensky não estabeleceu uma duração ao declarar sua trégua e também advertiu que suas forças responderiam “de maneira recíproca” a qualquer violação. Uma mensagem que Moscou ignorou, pois pouco antes de 01h30 da quarta-feira (horário local, 19h30 de terça-feira em Brasília), alertas aéreos voltaram a soar nas regiões de Kharkiv e Donetsk, no leste da Ucrânia. Até o momento, não há informações de uma resposta ucraniana.
“Apenas algumas horas após a entrada em vigor da proposta de cessar-fogo da Ucrânia, a Rússia não mostra nenhum sinal de preparação para pôr fim às hostilidades. Pelo contrário, Moscou intensifica o terror”, assinalou na terça-feira o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, na rede social X.
Manobra tática
Segundo o analista político ucraniano Volodimir Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos “informacional e político”.
“Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o seu. Isso anula a iniciativa de Putin”, estima Fessenko, em declarações à AFP. Segundo ele, é “quase certo” que nenhuma suspensão das hostilidades seja plenamente respeitada.
Essas tréguas deveriam acontecer mais de três semanas depois de um cessar-fogo de 32 horas, durante a Páscoa ortodoxa, que foi violado repetidamente, embora tenha sido respeitada uma suspensão dos ataques aéreos de longo alcance.
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Há tempos a Ucrânia pede uma trégua prolongada no front para facilitar as negociações e chegar a um acordo que ponha fim à guerra, desencadeada pela invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Moscou se nega, ao argumentar que uma suspensão mais ampla das hostilidades permitiria a Kiev reforçar suas defesas.
Em resposta à intensificação dos bombardeios russos nas últimas semanas, a Ucrânia vem multiplicando seus ataques com drones. Um desses aparelhos, inclusive, destruiu a fachada de um edifício residencial de luxo no oeste de Moscou. Os anúncios chegam quando os Estados Unidos desviaram sua atenção para a guerra no Oriente Médio, após seus esforços para pôr fim ao conflito na Ucrânia.
Também chegam em um contexto delicado para o Exército russo no front. A zona controlada pelos russos na Ucrânia foi reduzida em cerca de 120 km² em abril, algo que não acontecia desde a contraofensiva ucraniana do verão boreal de 2023, segundo uma análise da AFP dos dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).
Em paralelo, Zelensky destacou perante as autoridades do Golfo a experiência da Ucrânia contra os drones projetados pelo Irã, que Moscou utiliza em sua ofensiva. O dirigente ucraniano afirmou nesta terça-feira que propôs ao Bahrein um acordo sobre esses drones, após um encontro com o rei Hamad bin Isa al Khalifa.
O presidente Donald Trump anunciou nesta terça-feira a suspensão da operação militar americana de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, após apenas um dia, numa tentativa de chegar a um acordo com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio. O chamado “Projeto Liberdade” de Trump, para ajudar os navios a deixarem o Estreito de Ormuz, a passagem do Golfo que o Irã assumiu o controle em resposta ao ataque dos EUA e de Israel, começou na segunda-feira.
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Mas o líder americano afirmou em sua rede social Truth Social que está suspendendo as negociações após um pedido do mediador Paquistão e de outros países, já que “grandes progressos foram feitos rumo a um acordo completo e definitivo” com Teerã.
“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, o Projeto Liberdade (…) será suspenso por um curto período de tempo para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, disse Trump.
Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos numa tentativa de pressionar o Irã a chegar a um acordo para pôr fim à guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro. As tensões aumentaram após a operação em Ormuz, com os Estados Unidos alegando ter afundado sete embarcações iranianas, enquanto vários navios civis foram atacados, supostamente pelo Irã.
Mais cedo, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que o “Projeto Liberdade” é uma iniciativa temporária e defensiva, separada da Operação Fúria Épica — como foi batizada a ofensiva contra o Irã, em parceria com Israel.
— O Projeto Liberdade tem natureza defensiva, escopo focado e duração temporária, com uma única missão: proteger a navegação comercial inocente da agressão iraniana — afirmou Hegseth. — Forças americanas não vão precisar entrar em águas territoriais iranianas ou no espaço aéreo. Não é necessário. Não estamos buscando briga, mas o Irã também não pode ser autorizado a bloquear países inocentes e seus bens em águas internacionais.
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O início da operação na segunda-feira levou à maior escalada de tensões na região desde o início da trégua entre os dois países. O Irã confirmou ter feito disparos de alerta com mísseis, foguetes e drones contra navios de guerra americanos que desafiaram o bloqueio estabelecido por Ormuz, enquanto os EUA afirmaram ter afundado seis lanchas rápidas iranianas, que supostamente ameaçavam barcos mercantes. Ataques também voltaram a atingir a região, incluindo um porto e um navio dos Emirados Árabes Unidos.
A troca de hostilidades na véspera foi considerada “insuficiente” pelas autoridades americanas para ameaçar o cessar-fogo temporário. Ao lado de Hegseth, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou que desde a entrada em vigor da trégua, Teerã atacou as forças americanas mais de 10 vezes. Classificou, porém, as ações como “abaixo do limiar necessário para o reinício de grandes operações de combate neste momento”.
Hegseth, por sua vez, afirmou que as forças do país permanecem de prontidão, “carregados e com a mira travada”, para responder em caso de ameaça imediata. Ele também desaconselhou a liderança em Teerã a autorizar ataques em resposta à missão.
— Se vocês [Irã] atacarem tropas americanas ou embarcações comerciais inocentes, vocês vão enfrentar o poder de fogo esmagador e devastador americano.
Em entrevista coletiva, horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, repetiu o discurso de Hegseth, declarando que “esta não é uma operação ofensiva”, mas sim” uma operação defensiva”.
— O que isso significa é muito simples: não haverá disparos a menos que sejamos alvejados primeiro — disse Rubio. — Muitas nações, em privado e algumas publicamente, já pediram aos Estados Unidos que ajudem a libertar seus navios e a restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e nesta artéria crucial do comércio global.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
Ele confirmou que, ao menos na visão da Casa Branca, a “Operação Furia Épica” chegou ao fim, uma manobra jurídica anunciada na semana passada por Trump antes do fim do prazo legal para que obtivesse o aval do Congresso para seguir com a mobilização militar no Oriente Médio.
— A operação terminou. A “Fúria Épica”, como o presidente notificou ao Congresso, nós concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação — disse Rubio. — Agora estamos focados no “Projeto Liberdade”. O que isso pode acarretar no futuro é especulação.
No fim de semana, o presidente rejeitou uma proposta apresentada pelos iranianos, que, segundo detalhes obtidos pela rede al-Jazeera, oferecia o congelamento do programa nuclear por até 15 anos, mas exigia a liberação dos portos iranianos e navios de bandeira do país.
Controle de Ormuz
As lideranças do Pentágono apresentaram o início do Projeto Liberdade como uma prova de que o Irã não detém o controle de Ormuz, conforme alardeado pelas autoridades em Teerã. Duas embarcações mercantes americanas cruzaram a rota navegável na segunda-feira e, segundo Hegseth, centenas já estão à espera para seguir o mesmo caminho.
Em uma disputa de narrativas, autoridades iranianas afirmam que ainda mantêm capacidades e que o bloqueio naval permanece. A TV estatal iraniana afirmou nesta terça-feira que o controle sobre a região se “intensificou”, e que navios aguardavam a autorização das autoridades do país para seguirem pela passagem.
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Especialistas apontam que ainda há um impasse na região. Enquanto a Marinha do Irã foi duramente comprometida, minas navais ainda ameaçam a navegação civil na rota, que também fica ao alcance das capacidades iranianas — incluindo uma série de projéteis, que põem em risco sobretudo ativos civis. Embora os EUA aleguem ter iniciado uma operação de garantia de segurança, a percepção é de que parte dos obstáculos permanece.
— Uma operação naval e aérea realmente sofisticada teria que ser implementada de forma quase constante para fornecer proteção aos navios que transitam pelo estreito — afirmou o diretor de segurança marítima da consultoria Control Risks, Cormac McGarry, a um programa da cadeia britânica BBC, apontando que a circulação confirmada é uma fração mínima do tráfego normal. — A triste realidade para os americanos é que o Estreito de Ormuz é um pesadelo tático para eles.
No período anterior à guerra, cerca de 130 navios faziam a travessia diariamente.
Missão global
A instabilidade em Ormuz desde o início da guerra reacendeu um questionamento global sobre a rota naval e seu status legal. Teerã se apresenta como detentor do estreito, apresentando-o como uma questão de soberania. Nações ao redor do mundo afirmam que o país viola a lei marítima internacional ao bloquear a livre navegação conforme seus interesses.
Em Washington, Hegseth afirmou que embora os EUA estivessem assumindo a dianteira na iniciativa para liberar o tráfego de navios — o que apresentou como um “presente ao mundo”, embora a guerra tenha dado início a disrrupção atual —, outros países deveriam se apresentar para garantir a aplicação da lei internacional.
— Nós estamos estabilizando a situação para que o comércio possa ser retomado, mas nós esperamos que o mundo se apresente — disse o secretário. — No momento apropriado, e logo, nós entregaremos a responsabilidade de volta para vocês. (Com NYT e AFP)
Um ex-motorista de entregas que se declarou culpado pelo assassinato da menina Athena Strand, de 7 anos, foi condenado à morte por um júri nesta terça-feira (5), nos Estados Unidos. O caso ocorreu em 2022 no Texas. O julgamento de Tanner Lynn Horner, atualmente com 34 anos, teve início no mês passado, e ele se declarou culpado, em 7 de abril, por homicídio qualificado e sequestro agravado.
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Ele fez a declaração de culpa pouco antes do início do julgamento, que prosseguiu para que os jurados pudessem decidir entre prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, e pena de morte. O júri chegou ao veredito após cerca de 3 horas de deliberações, segundo o site People.
Tanner Horner, que trabalhava como entregador, admitiu ter sequestrado e matado a criança após realizar uma entrega na casa da família. Inicialmente, o motorista afirmou ter atropelado acidentalmente a menina, colocando-a dentro do veículo e decidindo matá-la para evitar que o caso fosse denunciado. Essa versão foi desmentida no curso da investigação.
A vítima foi estrangulada e teve o corpo abandonado próximo a um rio, que fica a cerca de dez quilômetros da casa de seu pai, segundo o advogado que representa a mãe da menina. O corpo da criança foi encontrado dois dias depois do relato de seu desaparecimento.
Instantes antes de a menina ser levada, Horner fez uma entrega na casa dela. No dia do sequestro ele entregou uma caixa de Barbies com a frase “Você pode ser tudo o que quiser”, que era um presente de Natal para Athena, lembra o jornal The New York Times.
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Em suas alegações finais nesta terça-feira, Steven Goble, advogado de Horner, disse ao júri que a promotoria deveria ter havaliado se seu cliente continuaria representando uma ameaça à sociedade para a decisão da pena. Ele sustentou que não houve apresentação de provas que sustentassem a decisão nesse sentido. Segundo Goble, o ex-motorista havia cooperado, levando os policiais até o corpo de Athena.
— Você não recebe pena de morte por mentir — disse o advogado, referindo-se à alegação inicial de Horner de que ele havia atropelado Athena com seu caminhão, destaca o New York Times. A defesa argumentou que o réu sofre de problemas mentais.
Durante o julgamento, a promotoria apresentou provas consideradas perturbadoras, incluindo imagens da criança ainda viva dentro da van, visivelmente assustada momentos antes da morte.
Os promotores também afirmam que há indícios de premeditação e possível violência sexual, com base em evidências de DNA e no comportamento do acusado antes do crime. Técnicos do Departamento de Segurança do Texas afirmaram que DNA masculino foi encontrado no corpo de Athena, enquanto sêmen e sangue também foram encontrados em várias peças de roupa pertencentes a Horner.
A Equal Employment Opportunity Commission (Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego) entrou com uma ação federal de direitos civis contra o The New York Times, acusando o veículo de adotar “práticas ilegais de emprego” e discriminar um funcionário branco que não obteve uma promoção disputada. O processo foi apresentado nesta terça-feira no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York.
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Segundo a ação, as “metas declaradas de representação baseadas em raça e sexo” do jornal “influenciaram a decisão de não avançar” a candidatura do funcionário para o cargo de editor adjunto de imóveis em 2025.
“O New York Times rejeita categoricamente as alegações politicamente motivadas apresentadas pela E.E.O.C. da administração Trump”, afirmou Danielle Rhoades Ha, porta-voz do jornal. “Nossas práticas de emprego são baseadas em mérito e focadas em recrutar e promover os melhores talentos do mundo. Vamos nos defender vigorosamente.”
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O processo é resultado de uma rápida escalada de uma investigação iniciada no ano passado, quando o funcionário apresentou uma queixa à comissão em Nova York. De acordo com a ação, o trabalhador, que não foi identificado, atuava como editor desde 2014 e se candidatou à vaga em 2025.
A denúncia cita relatórios recentes de diversidade e inclusão do jornal, incluindo um “Chamado à Ação” de 2021 que estabelecia metas para aumentar o número de funcionários negros e latinos. Segundo o documento, esses relatórios “detalhavam os esforços explícitos do NYT para tomar decisões de emprego com base em raça e sexo para alcançar seus objetivos demográficos desejados”. “Uma diminuição na porcentagem de homens brancos (seja entre novas contratações, funcionários atuais ou cargos de liderança, conforme apropriado) foi uma consequência necessária para que o NYT alcançasse esses resultados.”
A ação também menciona trocas de mensagens na plataforma Slack entre líderes da redação sobre tendências de diversidade nas contratações, além de comunicações internas relacionadas ao processo seletivo. Segundo a denúncia, o funcionário foi entrevistado, mas não avançou para a etapa de painel.
“Os quatro candidatos que avançaram para a fase de entrevista em painel correspondiam às características de raça e/ou sexo que o NYT buscava aumentar em sua liderança”, afirma o processo. Ainda de acordo com o texto, o grupo final era composto por “uma mulher branca, um homem negro, uma mulher asiática e uma mulher multirracial”. A denúncia sustenta que o funcionário branco era mais qualificado do que a pessoa escolhida.
A porta-voz do jornal afirmou que a investigação da comissão “se desviou de sua prática padrão”. “A alegação se concentra em uma única decisão de pessoal entre mais de 100 cargos de adjunto na redação, mas o processo da E.E.O.C. faz afirmações amplas que ignoram os fatos para se encaixar em uma narrativa predeterminada”, disse. “Nem raça nem gênero desempenharam papel nessa decisão — contratamos a candidata mais qualificada, e ela é uma excelente editora.”
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A E.E.O.C., responsável por aplicar as leis federais de direitos civis no ambiente de trabalho, tem atuado, sob a nova gestão do presidente Donald Trump, em casos alinhados às prioridades políticas do governo, incluindo questionamentos a programas de diversidade que, segundo seus dirigentes, podem discriminar homens brancos.
Após meses de investigação, a comissão iniciou em abril um processo de “conciliação”, descrito como uma mediação voluntária. Em 21 de abril, porém, interrompeu as negociações e encaminhou o caso para possível ação judicial. Segundo a denúncia, o jornal não apresentou uma solução aceitável.
O processo pede indenização, incluindo pagamento retroativo ao funcionário, e solicita que o New York Times deixe de “discriminar funcionários com base em raça ou sexo” e “elimine os efeitos de suas práticas ilegais de emprego, passadas e presentes”.
A ação ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra organizações que considera hostis, incluindo empresas de mídia. Na semana passada, reguladores determinaram a revisão de licenças de emissoras da ABC após investigação sobre políticas de diversidade da rede.
O governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação de direitos civis contra o Smith College para apurar se a admissão de estudantes transgênero viola leis federais antidiscriminação. A apuração foi anunciada pelo Departamento de Educação e marca a primeira vez que a política de admissões de uma faculdade feminina entra na mira da atual gestão.
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A investigação é conduzida pelo Escritório de Direitos Civis do Departamento e questiona se permitir a matrícula de mulheres trans — bem como o acesso a espaços exclusivos, como dormitórios, banheiros e vestiários — fere proteções legais destinadas a mulheres. Até então, as ações do governo vinham se concentrando principalmente em políticas ligadas à participação de atletas trans em esportes femininos e ao uso de banheiros.
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Em nota, a secretária assistente interina para direitos civis, Kimberly Richey, afirmou que “uma faculdade exclusivamente feminina perde seu significado se admitir homens biológicos” e que a presença dessas pessoas em espaços destinados a mulheres levanta preocupações sobre privacidade, equidade e conformidade com a legislação federal. “O governo Trump continuará a aplicar a lei e a restaurar o bom senso”, disse.
O Smith College, localizado em Northampton, Massachusetts, declarou que está ciente da investigação e reiterou seu compromisso com seus valores institucionais e com o cumprimento das leis de direitos civis.
A apuração foi aberta após uma denúncia apresentada pela Defending Education, grupo fundado em 2021 e ligado ao movimento de “direitos dos pais”, que tem pressionado por maior controle sobre políticas educacionais. Nos últimos meses, outras queixas da organização também motivaram investigações federais.
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Com cerca de 2.500 estudantes, o Smith College aceita estudantes transgênero desde 2015, assim como outras faculdades femininas de prestígio. A mudança ocorreu após um caso de 2013, quando uma candidata trans foi rejeitada porque sua identidade de gênero não correspondia aos documentos financeiros apresentados.
Desde então, a maioria das instituições desse tipo atualizou suas políticas para incluir pessoas trans. Uma exceção é o Sweet Briar College, que não admite estudantes trans e orienta transferências durante processos de transição.
Segundo dados da Society for Evidence-Based Gender Medicine, cerca de 4,7% dos estudantes universitários se identificam como transgênero.
A investigação faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra políticas de proteção a estudantes trans. Em 2025, a atual administração resolveu 30% menos denúncias de direitos civis em escolas em comparação com o ano anterior, durante o governo Joe Biden — a maior queda anual em pelo menos três décadas. Ao mesmo tempo, abriu mais de 40 investigações contra instituições educacionais que adotam medidas inclusivas.
O Departamento de Educação também tem revertido acordos firmados por gestões anteriores para proteger estudantes trans e moveu ações judiciais contra estados como Califórnia e Minnesota por permitirem a participação de atletas trans em competições escolares.

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