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Segundo um jornalista da AFP, os ativistas presos, em sua maioria cidadãos de países europeus, embarcaram em quatro ônibus no porto de Atherinolakkos, no sudeste de Creta. Escoltados pela guarda costeira grega, eles seguiriam para Heraklion, a capital da ilha, de acordo com a mídia local. Enquanto isso, os navios da flotilha que não foram interceptados na quinta-feira estão a caminho da cidade cretense de Ierapetra.
Entre os que desembarcaram em Creta, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Israel, não estão o ativista brasileiro Thiago Ávila, membro do comitê organizador da Flotilha Global Sumud, nem o hispano-palestino Saif Abu Keshek.
Em um comunicado, o ministério israelense afirmou que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem fornecer mais detalhes, e Abu Keshek é “suspeito de ligação com uma organização terrorista”. Ambos “serão levados a Israel para interrogatório”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.
— Todos os ativistas da flotilha estão agora na Grécia, com exceção de Saif Abu Keshek e Thiago Ávila — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, sem especificar o paradeiro deles.
Thiago Ávila participou da flotilha humanitária “Nossa América”, que chegou a Havana no final de março, em solidariedade ao governo cubano, afetado pelo bloqueio energético imposto pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Acompanhado pela ativista sueca Greta Thunberg e pela ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, Ávila também participou, no ano passado, de outra flotilha com destino a Gaza, que também foi interceptada por Israel.
Além dele, outros dois brasileiros também foram detidos por Israel. São eles Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, militante pelo PSTU, parte da liga internacional dos trabalhadores e pré-candidata ao cargo de deputada federal por São Paulo, e Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro da Petrobras Transporte, diretor do SindiPetro-RJ e da Federação Nacional de Petroleiros.
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O governo espanhol exigiu a “libertação imediata” de Abu Keshek nesta sexta-feira e prometeu fornecer-lhe “proteção total”.
“Diante das informações sobre a detenção e possível transferência de um cidadão espanhol, Saif Abu Keshek, membro da flotilha, para Israel”, o governo espanhol pede respeito aos “seus direitos” e “exige sua libertação imediata”, afirmou o ministério em comunicado à imprensa.
O Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, “está em contato constante com seus homólogos em Israel e na Grécia para reunir todas as informações e exigir o respeito ao direito internacional e aos direitos” do ativista espanhol-palestino, declarou o ministério. A Espanha oferecerá “total proteção ao cidadão espanhol assim que ele puder chegar a território israelense, bem como aos demais espanhóis afetados” na flotilha, acrescentou.
O governo espanhol do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, expressou sua “mais veemente condenação” à captura da flotilha na quinta-feira. Sánchez é um dos críticos mais veementes na Europa da administração de Benjamin Netanyahu desde que Israel lançou sua ofensiva contra Gaza em resposta à ofensiva do Hamas em 7 de outubro de 2013.
Netanyahu elogiou a apreensão dos tripulantes da flotilha.
— Nenhum navio e nenhum apoiador do Hamas chegou ao nosso território, e nem mesmo às nossas águas territoriais — escreveu ele no X, acrescentando: — Eles continuarão a ver Gaza no YouTube.
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Mais de 50 barcos
Na quinta-feira, Israel informou que os ativistas a bordo de cerca de vinte barcos foram interceptados perto de Creta, no Mediterrâneo Oriental. As autoridades israelenses inicialmente disseram que os ativistas iriam para Israel. Mas, na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, esclareceu que um acordo havia sido firmado com o governo grego para permitir que os passageiros da flotilha desembarcassem na costa grega.
A flotilha era composta por mais de 50 barcos que partiram nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália). A AFP confirmou, com base em informações fornecidas pelos organizadores, que as embarcações foram interceptadas na zona econômica exclusiva (ZEE) da Grécia.
O Ministério das Relações Exteriores da Grécia, no entanto, disse que a operação de Israel ocorreu em águas internacionais fora de Creta sem consulta prévia com Atenas, e pediu “contenção e respeito universal ao direito internacional”, acrescentando que não tinha jurisdição para intervir fora dos cenários de busca e resgate.
Ativistas da flotilha acusam o governo da Grécia de ajudar ou permitir que Israel realize a operação na costa do país.
— Você não pode fazer algo assim tão perto das águas nacionais de um país europeu — disse o jornalista italiano Alessandro Mantovani, que estava a bordo de um navio de flotilha que não foi apreendido, ao Haaretz.
Do outro lado, o porta-voz do governo grego, Pavlos Marinakis, disse na quinta-feira que a operação naval israelense não foi coordenada com seu país. Segundo ele, navios de guerra israelenses navegaram em águas internacionais a noroeste de Creta, fora das águas territoriais da Grécia. Ele alegou ainda que não houve consulta prévia com as autoridades gregas sobre a operação e que autoridades gregas “não podem intervir em águas internacionais que não sejam para fins de busca e resgate”.
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Marinakis acrescentou que um navio da guarda costeira grega respondeu a uma chamada de socorro que recebeu da flotilha e chegou imediatamente ao local. Além disso, ele revelou que as autoridades israelenses informaram às gregas, na manhã de quinta-feira, que os navios interceptados pelas forças israelenses permaneciam em águas internacionais e que os participantes da flotilha estavam seguros a bordo de navios israelenses.
— Os capitães da flotilha declararam que não estavam em perigo e que não estavam interessados na assistência das autoridades gregas — declarou.
A operação israelense também atraiu críticas internacionais. Em uma declaração conjunta, uma dúzia de países, incluindo Brasil, Espanha, Turquia e Paquistão, denunciaram as “flagrantes violações do direito internacional” por parte de Israel. Madri convocou o encarregado de negócios de Israel na Espanha.
O governo dos EUA apoiou Israel e criticou seus aliados europeus, de cujos territórios os barcos partiram, por apoiarem “essa manobra política inútil”. Os ativistas nesse comboio alegaram que queriam romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino, cujo acesso permanece fortemente restrito, apesar de um frágil cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas, em vigor desde outubro.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, na sexta-feira, classificou os ativistas como “provocadores profissionais” e os acusou de fazer o jogo do Hamas. O comunicado também afirmou que “a atividade humanitária na Faixa de Gaza está sendo gerenciada pelo Conselho de Paz”, uma organização promovida a critério do presidente dos EUA, Donald Trump, que assume poderes de resolução de conflitos.
A Flotilha Global Sumud declarou na quinta-feira, em comunicado à imprensa, que seus barcos foram abordados “por embarcações militares” e que seus ocupantes “apontaram lasers e armas de assalto semiautomáticas” e “ordenaram que os participantes se reunissem na proa dos barcos e se ajoelhassem”. Além disso, alegaram que as forças israelenses haviam desligado os motores e sistemas de navegação das embarcações, e que os ativistas haviam sido deixados no mar. O Ministério das Relações Exteriores de Israel negou essa alegação.
(Com AFP)







