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A China deve evitar pressionar o Irã, seu parceiro no Oriente Médio, mesmo diante da escalada da guerra e da crise energética global. Apesar do aumento da pressão internacional, há pouco que Pequim possa ou queira fazer para influenciar Teerã a aceitar termos que ponham fim ao conflito. Desde que os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, a estratégia chinesa tem sido manter distância de uma guerra à qual se opôs desde o início e sobre a qual tem capacidade limitada de intervenção. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na última semana, um drone de vigilância da Marinha dos Estados Unidos , o MQ-4C Triton, desapareceu quando sobrevoava o Estreito de Ormuz, zona estratégica na guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Ele chegou a emitir um sinal de socorro antes de retornar à base de origem na Estação Aeronaval de Sigonella, na Itália. Um incidente semelhante com um drone do mesmo modelo aconteceu em fevereiro deste ano, mas com desfecho positivo para os americanos. Mas o que este equipamento militar de alto valor é capaz de fazer?
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De acordo com relatos do site The War Zone, no dia 9 de abril, a aeronave não tripulada pode chegar a custar US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) e só 20 unidades foram produzidas. O equipamento militar não foi projetado para ter poder de fogo, mas sim de monitoramento estratégico e agilidade no compartilhamento de informações.
Drone militar americano de R$ 1 bilhão desaparece após emergência sobre Estreito de Ormuz; entenda
Reprodução: Northrop Grumman
Capacidades do drone
Para além da tecnologia de ponta, uma das principais características dessa aeronave não tripulada é o seu valor — durante aquisição em 2024, a Marinha americana desembolsou US$ 187 milhões por drone (quase R$ 1 bilhão). Ainda assim, de acordo com a revista Forbes, seu custo de aquisição não representa o preço total que, em 2024, teve custo bruto estimado em US$ 243 milhões para cada MQ-4C (cerca de R$ 1,2 bilhão).
Criado pela americana Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é uma evolução do RQ-4C Global Hawk da Força Aérea americana. Foi projetado para missões estratégicas de vigilância de longa duração, especialmente em áreas sensíveis como rotas marítimas, em grandes altitudes.
Mapa de ação do drone americano MQ 4C desaparecido no golfo pérsico
Reprodução: FlightRadar
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Diferentemente de aeronaves convencionais, o modelo é capaz de operar por mais de 24 horas a altitudes superiores a 15 mil metros, com alcance de aproximadamente 13,7 mil quilômetros. Ele detecta, rastreia e classifica alvos e objetos de forma mais rápida, além de compartilhar essas informações com mais agilidade.
De acordo com o site da Northrop Grumman, um MQ-4C Triton pode oferecer quatro vezes mais a cobertura ISR (sigla em inglês para inteligência, vigilância e reconhecimento) do que outras aeronaves não tripuladas, sem perder altitude, alcance ou autonomia.
Até 2025, a Marinha dos EUA contava com cerca de 20 unidades do Triton, com planos de ampliar a frota. Apesar do valor atual, o Triton foi projetado originalmente para ser um auxiliar de baixo custo para plataformas tripuladas. Ele atua em conjunto, por exemplo, com aeronaves de patrulha P-8A Poseidon, fabricado pela Boeing, funcionando como plataforma de observação de grande altitude.
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O exército libanês acusou Israel, na sexta-feira, de cometer “atos de agressão” e bombardeios contra supostos alvos do Hezbollah no Líbano, violando o cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor à meia-noite no país. O Hezbollah, por sua vez, anunciou ter atacado soldados israelenses em retaliação.
Em sua conta no Twitter, o exército citou “diversas violações do acordo, com vários atos de agressão israelense registrados, além de bombardeios esporádicos que atingiram várias aldeias”. O movimento pró-Irã Hezbollah, por sua vez, anunciou que, em retaliação, “bombardeou uma concentração de soldados israelenses perto da cidade de Khiam”, no sul do Líbano.
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O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que Israel concordou com um cessar-fogo temporário de dez dias no Líbano, medida que pode retirar um grande obstáculo das negociações para um acordo de paz entre os EUA e o Irã. Segundo o anúncio, feito por Trump na rede Truth Social, a trégua entrará em vigor nesta noite, enquanto o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio trabalharão com autoridades israelenses e libaneses para tentar alcançar uma “paz duradoura”.
Em publicação separada, o líder americano acrescentou que o movimento xiita libanês Hezbollah está contemplado no acordo, enquanto o deputado libanês Ibrahim al-Musawi, representante do braço político do grupo xiita, disse à AFP que a organização respeitaria a trégua caso Israel interrompesse os ataques.
*Em atualização
Durante uma de suas pregações religiosas no Pentágono, na quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, falou sobre a operação de resgate dos pilotos cuja aeronave foi abatida no Irã, e mencionou uma oração que diz ser popular entre os aviadores. Mas a prece era praticamente igual à declamada em um momento nada pacífico do filme “Pulp Fiction” do cineasta Quentin Tarantino.
— Então a oração é CSAR 25:17 e diz, e orem comigo, por favor: “O caminho do aviador abatido é cercado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia o perdido pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o protetor das crianças perdidas — declamou Hegseth.
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O trecho foi apresentado como uma versão de passagem do Livro de Ezequiel, mas na verdade era uma cópia quase exata de uma fala do personagem Jules Winnfield, o matador de aluguel interpretado por Samuel L. Jackson em “Pulp Fiction”.
Secretário de Estado dos EUA ‘reza’ citando trecho de ‘Pulp Fiction’
Ao invés de um palco ou do interior de uma aeronave, Winnfield declamou sua “prece” antes de matar um homem, em uma das cenas mais emblemáticas do filme de 1994. Segundo a revista Variety, o monólogo foi adaptado não da Bíblia, mas de um trecho de um filme japonês de artes marciais — gênero marcante na obra de Tarantino — dos anos 1970, chamado “Guarda-costas Kiba”.
O vídeo da fala, ao lado do trecho de “Pulp Fiction”, rapidamente ganhou as redes, mas Pentágono tentou eximir o secretário de Defesa de culpa, embora reconheça a referência à obra de Tarantino. O cineasta, que no mês passado teve que desmentir a informação de que havia morrido em um bombardeio em Israel, não se pronunciou.
“O secretário Hegseth na quarta-feira compartilhou uma oração personalizada, referenciada como a oração CSAR, usada pelos bravos combatentes de Sandy-1 que lideraram a missão de resgate diurno de Dude 44 Alpha para fora do Irã, que obviamente foi inspirada pelo diálogo em Pulp Fiction”, escreveu o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, na rede social X.”Qualquer um que diga que o secretário errou na citação de Ezequiel 25:17 está vendendo notícias falsas e é ignorante da realidade.”
O trecho a que se refere Parnell fala da vingança divina contra os filisteus.
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Um dos mais vocais membros do Gabinete de Donald Trump, Pete Hegseth impõe ao Departamento da Defesa (agora renomeado Departamento da Guerra) uma visão pautada pela religiosidade extrema, pela projeção da masculinidade e pela promoção da violência no campo de combate e contra qualquer um que veja como inimigo. Inclusive a imprensa, comparada por ele aos fariseus, povo que, segundo a Bíblia, rejeitou Jesus Cristo.
— Eu estava sentado na igreja e pensei: nossa imprensa é exatamente como os fariseus. Não todos vocês, não todos, mas a imprensa tradicional que odeia Trump. A animosidade política de vocês contra o presidente Trump praticamente os cega para o brilhantismo de nossos guerreiros americanos — disse Hegseth, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira. — Os fariseus examinavam cada boa ação em busca de uma violação.
Ouvido pelo portal The Hill, o ex-estrategista de Trump Steve Bannon recomendou que Hegseth modere as referências religiosas, especialmente sobre questões estratégicas, como a guerra no Irã.
— Tudo o que a grande mídia está cobrindo agora é o comentário inicial de Pete sobre o Evangelho de Marcos e a referência aos fariseus, o que eu acho ótimo. A questão é: quando você deve fazer isso (referências bíblicas)? Eu não faria, porque isso desvia a atenção do que é importante — disse Bannon. — Deveríamos moderar isso e focar, quando tivermos o Pentágono, no briefing militar.
O governo do ultradireitista José Antonio Kast anunciou no Chile, nesta quinta-feira, um limite para a gratuidade universitária, ao estabelecer um prazo a partir do fim do ensino médio, no marco do megapacote legislativo para impulsionar a economia. A restrição, se aprovada, permitirá aos chilenos o acesso gratuito à universidade até 12 anos depois de concluírem o ensino médio.
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Foram necessários 35 anos e intensas jornadas de protestos sociais para que, a partir de 2016, os universitários pudessem voltar a estudar gratuitamente no país, uma política que havia sido desmantelada pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A medida beneficia hoje cerca de 615 mil estudantes, quase metade da matrícula do ensino superior, segundo o Ministério da Educação.
— A restrição específica é 12 anos após a conclusão do ensino médio — disse o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, em coletiva de imprensa na qual deu detalhes da ampla reforma legislativa anunciada na véspera por Kast. Em seu discurso, o presidente não mencionou essa limitação.
Se aprovada no Congresso, a mudança deixará de fora do benefício a maioria daqueles acima dos 30 anos, considerando que o ensino médio termina, em geral, aos 18 anos. Segundo o ministro Quiroz, o objetivo do limite etário é reduzir o gasto fiscal.
— O gasto com gratuidade escapou de qualquer projeção e foi o dobro do inicialmente previsto — afirmou.
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Kast assumiu em 11 de março com a promessa de reduzir fortemente o gasto público para equilibrar as contas fiscais, que se deterioraram na última década, e impulsionar a economia, que em sua avaliação está “estagnada”.
Na noite de quarta-feira, anunciou uma reforma legislativa com mais de 40 medidas, entre elas uma redução significativa do imposto sobre as empresas, rejeitada pela oposição de esquerda. Também outros benefícios tributários, como uma redução transitória do imposto sobre a venda de imóveis novos e incentivos à repatriação de capitais.
Além da limitação à gratuidade na universidade, o plano prevê outras medidas de contenção de gastos, como o aumento de incentivos à aposentadoria de servidores públicos. Segundo Kast, a meta é que, ao fim de seu mandato em 2030, o desemprego tenha caído para 6,5% e a economia crescido cerca de 4% ao ano (ante os 2,5% registrados em 2025).
A ação rápida do diretor Kirk Moore, à frente da Pauls Valley High School, evitou uma tragédia na escola quando um homem armado entrou no saguão com uma pistola em mãos. O profissional vem sendo chamado de herói após derrubar e desarmar Victor Lee Hawkins, de 20 anos, que desejava realizar um massacre.
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Imagens de câmeras de segurança que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o diretor da escola americana enfrenta o atirador. O caso ocorreu no último dia 7 mas as imagens só foram liberadas nesta terça-feira.
Imagens circulam nas redes sociais
Reprodução/X
Herói de Pauls Valley
A atitude de Moore, segundo amigos, colegas e ex-alunos da escola, foi condizente com sua personalidade.
— Ele faria qualquer coisa para salvar aquelas crianças — disse Madison Knighten, ex-aluna, à mídia americana. Spencer Flinn, também ex-aluno, disse que “se algum estudante fosse ferido, ele definitivamente levaria uma bala por ele”.
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De acordo com a investigação, Hawkins é ex-aluno da escola e teria declarado não gostar do diretor. Promotores afirmam que ele manifestou o desejo de realizar um ataque semelhante ao massacre de Columbine, ocorrido em 1999, no Colorado. O suspeito também admitiu ter levado as armas do pai sem autorização, com a intenção de matar alunos e funcionários, além de planejar assassinar Moore antes de tirar a própria vida.
Segundo um amigo de infância do diretor, Moore é “um herói” que agiu “pensando nas crianças”. Madison Knighten, que se formou na mesma turma do atirador, relatou ser difícil compreender por que alguém atacaria uma pessoa “tão altruísta” como o educador.
— Ele me ajudou com saúde mental. Quando eu estava passando por momentos muito difíceis, ele me ajudava em qualquer coisa que eu precisasse. Toda vez que eu o procurava, ele sempre oferecia ajuda — disse.
No confronto com Hawkins, Moore foi atingido e precisou ser hospitalizado. Em declaração após o episódio, ele afirmou estar “saudável e se recuperando” e agradeceu pela “enorme demonstração de amor e apoio”. O educador disse ainda que pretende retornar ao trabalho o mais breve possível.
No episódio, o atirador teria ordenado que estudantes se deitassem no chão e tentou atirar em um deles, mas a arma falhou. Após destravá-la, disparou contra outro aluno, sem atingi-lo. Segundo os investigadores, os dois estudantes chegaram a implorar por suas vidas e foram liberados pelo agressor pouco antes de Moore agir para contê-lo.
Sindicalistas e trabalhadores protestaram nesta quinta-feira em frente à Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, pedindo novas eleições e melhorias salariais, ao se completarem mais de 100 dias da deposição do presidente Nicolás Maduro.
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Maduro foi capturado em 3 de janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas e levado ao país para responder a acusações, em uma ação que alterou drasticamente o cenário político venezuelano.
Um opositor do governo da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez entra em confronto com a polícia durante uma manifestação em Caracas
JUAN BARRETO / AFP
Após a queda do líder, Delcy Rodríguez assumiu o comando interno do governo. Ela governa sob forte pressão do presidente americano, Donald Trump, que afirma ter influência sobre a condução política e sobre a comercialização do petróleo venezuelano.
Os manifestantes se concentraram em uma área abastada da capital e seguiram até a embaixada americana, cuja sede diplomática retomou suas atividades após o restabelecimento das relações entre Washington e Caracas, interrompidas por sete anos.
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— Queremos agradecer ao governo americano por ter nos dado um pouquinho de ar para respirar, mas que terminem o trabalho — disse o sindicalista Víctor Pereira a um funcionário local da embaixada.
Durante o ato, os participantes entregaram uma lista de reivindicações, incluindo aumento salarial, libertação de presos políticos e a convocação de eleições livres. — Precisamos rapidamente de eleições — afirmou à AFP Carlos Salazar, coordenador de uma coalizão sindical.
A oposição venezuelana também pressiona Rodríguez para convocar eleições, alegando “ausência absoluta” de Maduro, que responde a acusações de narcotráfico em Nova York, após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição.
Uma mulher envolta na bandeira nacional venezuelana segura uma placa com os dizeres ‘Eleições Não, e desta vez eles não poderão nos enganar’ durante um protesto na Praça Alfredo Sadel, em Caracas
AFP
— Agora mesmo o governo venezuelano está sob a tutela dos americanos. Então, vamos falar com os americanos” para que gritem “uma ponte” com Rodríguez e “responda nossas sugestões — explicou Laura Rada, sindicalista de 70 anos.
Com bandeiras da Venezuela e dos Estados Unidos, cerca de 200 pessoas haviam se reunido anteriormente em uma praça próxima à embaixada para apoiar as reivindicações.
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As manifestações vinham sendo raras no país após uma onda de prisões desencadeada pela contestada reeleição de Maduro, em 28 de julho de 2024. Desde sua captura, no entanto, os protestos voltaram a ganhar força.
— A Venezuela está tutelada pelos Estados Unidos agora. Simples assim — afirmou Adriana Farnetano, aposentada de 62 anos, segurando uma pequena bandeira americana e enrolada no tricolor venezuelano.
— Está o negócio do petróleo e tudo isso, mas isso nós não vemos agora. Nós não vendemos nada do petróleo, nem do ouro, nem de nada — criticou a falta de resultados concretos na economia.
Pouco mais de um mês depois do início da ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano, que deixou mais de dois mil mortos e deslocou um milhão de pessoas, teve início às 18h (horário de Brasília) desta quinta-feira um cessar-fogo temporário, mediado pelos EUA, como parte das tratativas para um acordo definitivo. Apesar da pausa, que deu aos civis algum respiro após semanas de ataques, os obstáculos para a paz são consideráveis e sem solução fácil.
“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi (Benjamin) Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um CESSAR-FOGO de 10 dias às 17h (18h pelo horário de Brasília)”, escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua rede social, o Truth Social.
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Segundo os termos anunciados pelo Departamento de Estado, Israel concordou com uma trégua de dez dias, que poderá ser prorrogada “caso haja progresso nas negociações e o Líbano demonstre efetivamente sua capacidade de exercer sua soberania”. Israel tem “o direito de tomar todas as medidas necessárias para sua legítima defesa”, mas veta ataques contra “alvos libaneses, incluindo alvos civis, militares e outros alvos estatais, dentro do território do Líbano, por terra, ar ou mar”.
“Israel e Líbano afirmam que os dois países não estão em guerra e se comprometem a participar de negociações diretas e de boa-fé, facilitadas pelos Estados Unidos, com o objetivo de alcançar um acordo abrangente que garanta segurança, estabilidade e paz duradouras entre os dois países”, conclui o comunicado do Departamento de Estado.
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O plano temporário, assim como as primeiras palavras do governo americano (e a ausência de certos detalhes), dão pistas sobre o grau de dificuldade das conversas.
O texto afirma que as forças de segurança têm “a responsabilidade exclusiva pela soberania e defesa nacional do Líbano”, e que “nenhum outro país ou grupo pode reivindicar ser garantidor da soberania do Líbano”. Netanyahu já declarou que suas tropas continuarão em uma área próxima à fronteira, de 10 km de largura, dentro do território libanês, durante o cessar-fogo. O comunicado do Departamento de Estado diz esperar que os dois lados resolvam questões em aberto, incluindo “incluindo a demarcação da fronteira terrestre internacional”.
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Embora as divisas libanesas tenham sido definidas há mais de um século, Israel ocupou o sul do país entre 1982 e 2000, e lideranças locais querem uma “zona tampão” entre a atual fronteira e o rio Litani. Horas antes do anúncio do cessar-fogo, o portal israelense Ynet relatou que o Exército se prepara para uma “ocupação total” da área.
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E há o ponto mais sensível da trégua: o que fazer com o Hezbollah, o grupo político-militar apoiado pelo Irã que, em tese, é o principal alvo de Israel na atual ofensiva. A organização não participou das negociações do cessar-fogo, é contra o diálogo com Israel, mas se comprometeu a respeitar a pausa nos ataques, provavelmente a pedido de Teerã, que vê a trégua como crucial para as suas próprias negociações de paz com os EUA.
De acordo com os termos anunciados pelo Departamento de Estado, o “governo libanês tomará medidas significativas para impedir que o Hezbollah e todos os outros grupos armados não estatais que operam em território libanês realizem qualquer ataque, operação ou atividade hostil contra alvos israelenses”. Logo após o início do cessar-fogo, balas traçantes cruzaram os céus dos subúrbios ao sul da capital libanesa, base da organização xiita, em aparente comemoração.
Hoje, ninguém em Beirute arrisca dizer como isso será feito. Em novembro de 2024, um outro acordo, que encerrou uma ofensiva israelense contra o Hezbollah ligada à guerra em Gaza, exigiu o desarmamento do grupo xiita, mas até hoje o governo libanês não conseguiu implementar a tarefa. O Hezbollah, uma das mais poderosas forças militares não estatais do planeta, rejeita abandonar suas armas, e embora tenha perdido boa parte de sua capacidade balística e muitos de seus líderes nos últimos anos, demonstrou ainda ser capaz de provocar danos em território israelense.
— Temos duas exigências fundamentais para estas negociações de paz: Primeiro, o desarmamento do Hezbollah. Segundo, um acordo de paz sustentável, paz através da força — afirmou Netanyahu em pronunciamento.
Bombardeio israelense atinge sul do Líbano nesta terça-feira
Kawnat Haju/AFP
Diante de jornalistas na Casa Branca, Trump celebrou o acordo e sugeriu que o incluirá em sua lista de “guerras resolvidas”. Ele disse que “nos próximos quatro ou cinco dias” Netanyahu e Aoun podem se encontrar em Washington, no primeiro encontro entre líderes dos dois países em quatro décadas.
Pelos sinais que antecederam a trégua, a reunião pode não ser exatamente cordial. Na manhã desta quinta-feira, Aoun se recusou a conversar por telefone com Netanyahu sem que um cessar-fogo tivesse sido confirmado. O premier israelense, por sua vez, não submeteu o plano ao seu Gabinete de segurança, e seus ministros e assessores ficaram sabendo pela imprensa — segundo o jornal israelense Haaretz, Netanyahu disse que a pausa nos combates era fato consumado e que não precisava do aval deles. Uma pesquisa divulgada na terça-feira mostrou que 70% dos israelenses são favoráveis à continuidade da operação militar no Líbano.
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Enquanto a diplomacia trabalha, os civis libaneses veem a trégua como uma oportunidade para respirar. Desde o mês passado, mais de 2,1 mil pessoas morreram e cerca de 7 mil ficaram feridas, muitas em áreas urbanas. Os novos danos se somam à destruição ainda visível do conflito de 2024, e os reparos custarão alguns bilhões de dólares aos cofres do depauperado Estado libanês.
— Somos a favor das negociações se elas servirem aos interesses do Líbano, se resolverem as questões, encerrarem a guerra e nos permitirem viver em paz — disse Kamal Ayad, trabalhador da construção civil em Beirute, à AFP. — Queremos paz e esperamos que o Irã não a obstrua. Estamos extremamente cansados. Vivemos muitas guerras e queremos descanso.
Para os deslocados internos — mais de um milhão — a pausa não significa que poderão retornar para casa imediatamente. O Exército libanês recomendou que as pessoas não sigam para suas cidades e vilas no sul do país, e o Hezbollah fez um pedido semelhante.
“Compreendemos a intensidade do vosso desejo de regressar às vossas aldeias e casas, e agradecemos a paciência e a firmeza que demonstraram perante o mundo inteiro. Contudo, por preocupação com a vossa segurança e com as vossas preciosas vidas, apelamos a que sejam pacientes e perseverem”, acrescentou o comunicado do grupo xiita.
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O cumprimento da trégua também é crucial para as negociações entre Irã e EUA sobre a guerra iniciada no dia 28 de fevereiro, mediadas pelo Paquistão. Quando Trump anunciou a pausa nos ataques, na semana passada, os iranianos afirmaram que a frente libanesa deveria ser incluída no plano, mas americanos e israelenses negaram, criando um impasse que por pouco não fez os esforços diplomáticos desmoronarem. O início do cessar-fogo foi tratado como uma vitória no Irã.
“Como eu disse ontem (quarta-feira) à noite, o cessar-fogo só foi resultado da extraordinária firmeza dos heróis do Hezbollah e da unidade do Eixo da Resistência”, disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher-Ghalibaf, na rede social X. “Lidaremos com este cessar-fogo com cautela e permaneceremos unidos até a plena conquista da vitória.”
Nesta quinta-feira, Donald Trump afirmou que um acordo com Teerã está muito perto, e que os dois lados “concordaram em quase tudo”. O Irã não comentou.
Aos jornalistas, ele disse que os iranianos concordaram em não buscar uma bomba nuclear (o Irã sempre negou ter esse objetivo) e que poderiam entregar os estoques de urânio enriquecido aos americanos, um ponto que, ao menos em público, era rejeitado por Teerã. O presidente sugeriu que uma nova rodada de negociações poderá ocorrer no fim de semana, e disse que se um acordo for obtido, poderá viajar ao Paquistão para firmá-lo.
— Eles querem que eu vá — disse Trump, sem dizer a quem se referia.
Enquanto a apuração da eleição presidencial segue para seu quinto dia no Peru após enfrentar problemas logísticos no último domingo, pelo menos dois candidatos seguem disputando uma vaga no segundo turno, que será realizado em junho, contra Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori — condenado por violações de direitos humanos —, que lidera a contagem preliminar com 17,06% dos votos. Participam da disputa acirrada pelo segundo lugar o candidato de esquerda Roberto Sánchez e o candidato de ultradireita Rafael López Aliaga, com 11,97% e 11,93% de votos respectivamente, com 93% das urnas apuradas. Após ser ultrapassado na contagem de votos por Sánchez na última quarta-feira, López Aliaga passou a pedir a anulação do pleito, com referência ao atraso nos votos de pelo menos 60 mil pessoas em Lima, que só conseguiram participar da eleição na segunda-feira.
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Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo — preso por tentativa de golpe em 2022 —, que até então ocupava o sexto lugar na apuração preliminar, ultrapassou López Aliaga à medida em que os votos rurais começaram a ser contabilizados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Diante disso, o ultradireitista, que é apoiador do presidente americano, Donald Trump, chegou a questionar se os eleitores das áreas rurais têm instrução suficiente para processar uma cédula eleitoral.
Em coletiva de imprensa, Sánchez alertou que convocará uma mobilização caso “alguns atores políticos” insistam na narrativa de suposta fraude, apesar de não possuírem qualquer prova de que tenha havido condução ilegal do pleito, em referência às acusações de López Aliaga.
— Convocamos todo o Peru, todas as forças sociais, a estarem vigilantes e atentas ao nosso apelo. No momento em que houver qualquer indício de que o voto dos cidadãos não será respeitado, convocaremos uma mobilização, uma defesa democrática, uma defesa social. Conclamamos a comunidade internacional a nos acompanhar e a vigiar para garantir que o voto dos cidadãos seja respeitado de forma sagrada. Sem narrativas de fraude como as do processo anterior. O voto andino, amazônico e rural será respeitado — afirmou Sánchez.
As eleições enfrentaram sérios problemas de organização, incluindo atrasos na instalação das seções eleitorais e uma prorrogação sem precedentes até segunda-feira em Lima, onde mais de 60 mil pessoas não conseguiram votar no domingo. Apesar disso, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia descartou qualquer fraude. Tanto o Ministério Público quanto a Ouvidoria do Peru chegaram à mesma conclusão.
Assim como o voto rural, o voto no exterior é um dos últimos a ser apurado. Segundo o El País, este é um grupo de votos que geralmente não é decisivo, mas nestas eleições tão acirradas, pode ser. Com 45,9% das urnas desta seção apuradas, López Aliaga lidera as pesquisas com quase 40 mil votos, enquanto Sánchez aparece em oitavo lugar, bem atrás, com 3.225 votos.
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Fujimori, única candidata com vaga garantida no segundo turno, questionou as ações de López Aliaga e enfatizou que “a democracia se fortalece com ações, não com retórica”.
— Não responderei aos insultos do Sr. López Aliaga, aos quais ele infelizmente nos acostumou, mas o que não podemos permitir é a incitação a uma insurgência… Hoje, responsabilidade e maturidade política são necessárias — declarou.
Mesmo assim, a filha de Alberto Fujimori anunciou que seu partido, Fuerza Popular, colocaria sua equipe de representantes à disposição de López Aliaga para investigar quaisquer possíveis irregularidades.
O acordo de cessar-fogo de 10 dias de Israel no Líbano prevê suspensão de operações ofensivas, mediação dos EUA e medidas do governo libanês para conter o Hezbollah. A trégua, anunciada por Washington, tem início previsto para esta quinta-feira e pretende abrir caminho para “negociações de boa-fé rumo a um acordo permanente de segurança e paz”, segundo o Departamento de Estado americano.
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De acordo com o comunicado divulgado pelos EUA, durante o período inicial, Israel manterá o direito à autodefesa diante de ameaças iminentes ou em curso, mas se compromete a não realizar ações militares ofensivas contra alvos libaneses por terra, ar ou mar.
O governo do Líbano, por sua vez, deverá adotar “medidas significativas” para impedir ataques do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, contra Israel. O acordo também reforça que apenas as forças oficiais de segurança libanesas estão autorizadas a portar armas no país, em linha com uma antiga exigência israelense pelo desarmamento do grupo.
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Segundo o documento divulgado, Israel e Líbano solicitaram ainda que os EUA atuem como mediadores de novas negociações diretas, com o objetivo de resolver questões pendentes, como a delimitação de fronteiras e a construção de um acordo de paz duradouro. Até o momento, não houve confirmação pública desse pedido por parte dos dois países.
A trégua poderá ser estendida mediante consentimento mútuo, desde que o Líbano demonstre capacidade de exercer sua soberania no território. O governo libanês enfrenta dificuldades históricas para conter o Hezbollah, frequentemente considerado mais poderoso do que as próprias forças armadas nacionais.
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O que o acordo prevê
Início imediato: cessação das hostilidades a partir de 16 de abril, às 17h (horário de Washington), meia-noite no horário local;
Duração inicial: 10 dias, com possibilidade de extensão caso haja avanços nas negociações;
Atuação de Israel: o país mantém o direito à autodefesa, mas suspende operações ofensivas contra alvos no Líbano;
Responsabilidades do Líbano: deve agir para impedir ataques do Hezbollah e de outros grupos armados não estatais;
Segurança interna: apenas forças oficiais libanesas poderão portar armas no país;
Mediação dos EUA: Washington irá facilitar negociações diretas entre Israel e Líbano.
(Com New York Times)

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