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O acidente com um jatinho que caiu na Bolívia, nesta segunda-feira (13), após voar por cerca de duas horas em círculos, trouxe à tona um fenômeno pouco conhecido fora do setor aéreo: o chamado “voo fantasma”. O termo é utilizado quando uma aeronave segue em operação sem comando consciente da tripulação.
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A análise da trajetória do avião reforça a hipótese de que os pilotos tenham perdido a consciência ainda durante o voo. Mesmo sem intervenção humana, sistemas automáticos permitem que a aeronave mantenha altitude e direção por longos períodos, o que explicaria o comportamento registrado antes da queda.
Um dos principais sinais desse tipo de ocorrência é a ausência total de comunicação. No caso boliviano, segundo a imprensa internacional, não houve pedido de socorro nem acionamento de emergência, o que levanta dúvidas sobre as condições da tripulação ainda nas fases iniciais do incidente.
Hipóxia é a principal suspeita
Especialistas apontam a hipóxia como a causa mais provável para o acidente. A condição ocorre quando há redução do nível de oxigênio no organismo, afetando diretamente o funcionamento do cérebro. De acordo com a Federal Aviation Administration (FAA), o quadro pode comprometer funções cognitivas e levar à perda de consciência, especialmente em grandes altitudes.
O problema pode evoluir de forma silenciosa. Mesmo respirando normalmente, a oxigenação do corpo diminui progressivamente até provocar um “apagão”. Nesse estágio, o piloto perde a capacidade de reconhecer a situação e de adotar medidas de emergência, o que ajuda a explicar a falta de comunicação nesses casos.
O fenômeno já foi registrado em outros episódios da aviação. Um dos mais conhecidos é o Voo Helios Airways 522, ocorrido em 2005, na Grécia. Na ocasião, uma falha de pressurização levou à incapacitação da tripulação, e a aeronave seguiu em voo até cair após o esgotamento do combustível.
A causa oficial do acidente na Bolívia ainda será determinada. Ainda assim, especialistas destacam que o padrão observado é compatível com situações em que a tripulação perde a consciência, evidenciando que, apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano continua sendo determinante para a segurança na aviação.
O que um hipopótamo estaria fazendo no País de Gales há 120 mil anos? A resposta começou a surgir a partir de uma descoberta considerada excepcional por arqueólogos que escavam uma caverna sob o Castelo de Pembroke, onde foram encontrados ossos do animal pré-histórico, um achado descrito como algo que “só acontece uma vez na vida”.
As escavações na Caverna Wogan, realizadas nos últimos anos, revelaram um sítio arqueológico incomum, com vestígios que vão muito além do período medieval associado ao castelo. Além do hipopótamo, os pesquisadores identificaram restos de mamutes-lanosos e evidências da presença de humanos primitivos, possivelmente incluindo neandertais.
Segundo o arqueólogo Rob Dinnis, da Universidade de Aberdeen, responsável pelas pesquisas iniciais, trata-se de um local sem paralelo na Grã-Bretanha. “Não existe outro sítio arqueológico como este, é uma descoberta que acontece uma vez na vida”, afirmou nesta semana à imprensa local.
Um arquivo raro da pré-história
A relevância do sítio foi reforçada após a identificação de diferentes camadas de ocupação humana. Há indícios tanto de Homo sapiens primitivos quanto de grupos mais antigos, o que pode permitir aos cientistas reconstruir uma longa sequência de presença humana na região.
Os ossos de hipopótamo, por exemplo, remontam ao último período interglacial, cerca de 120 mil anos atrás, quando o clima era significativamente mais quente do que hoje. Já os vestígios humanos mais recentes podem datar de cerca de 11,5 mil anos, logo após a última Era do Gelo.
Apesar de a caverna ser conhecida há séculos, acessível por uma escada em espiral a partir do castelo e possivelmente escavada na era vitoriana, acreditava-se que restava pouco material relevante. Essa percepção mudou após escavações limitadas realizadas entre 2021 e 2024, que revelaram sedimentos amplamente preservados e ricos em achados.
O novo conjunto de descobertas garantiu financiamento para um projeto de pesquisa mais amplo, com duração prevista de cinco anos. A expectativa é aprofundar o estudo das transformações ambientais e entender como diferentes espécies humanas se adaptaram às mudanças climáticas ao longo de mais de 100 mil anos.
Para Jon Williams, gerente do Castelo de Pembroke, a descoberta representa um marco. Ele destacou que a caverna revela uma história completamente distinta da tradicional narrativa medieval do local e que há interesse em preservar e compartilhar esse patrimônio com o público.
Novas escavações estão programadas para começar no fim de maio. Arqueólogos avaliam que a Caverna Wogan pode se tornar um dos mais importantes arquivos da pré-história britânica.
Uma casa considerada uma das mais isoladas do Reino Unido foi colocada à venda por £925 mil (cerca de R$ 6 milhões) na remota ilha de Soay, na Escócia. O imóvel, com dois quartos, ocupa uma área de 1.546 acres e tem como vizinhança mais próxima a ilha de Skye, a cerca de 130 quilômetros de distância, sendo acessível apenas por barco a partir da vila de Elgol.
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A propriedade pertenceu ao naturalista escocês Gavin Maxwell, que a vendeu em 1952 ao caçador de tubarões Ted Geddes. Geddes viveu na ilha, localizada no arquipélago das Hébridas Interiores, até sua morte, em 1998.
Segundo o censo de 2022, a população residente habitual da ilha era de apenas três pessoas. Além dos poucos moradores, o território é habitado por cervos-vermelhos e pelas ovelhas Soay, uma raça antiga que vive na região há milhares de anos, desde a Idade da Pedra. O nome da ilha deriva do nórdico antigo “Sauða-ey”, que significa “ilha das ovelhas”.
A casa fica às margens de Camus nan Gall e, de acordo com a imobiliária responsável pela venda, precisa de modernização completa. Construído em pedra e ardósia, o imóvel tem um andar e meio, com dois cômodos no térreo e dois quartos e um banheiro no piso superior.
— A propriedade residencial, desvinculada de atividades agrícolas tradicionais, está situada na costa e oferece uma oportunidade para projetos ambientais e de manejo florestal, além de aproveitar o potencial natural da área — informou um porta-voz da empresa responsável pelo anúncio.
A ilha conta com diversos lagos, que atraem interessados em pesca de trutas, além de um porto natural que favorece atividades de navegação.
O crescimento contínuo da população de hipopótamos, uma herança de um projeto audacioso do traficante Pablo Escobar, tem gerado preocupações sobre seus efeitos nos ecossistemas, na biodiversidade e nas comunidades locais, especialmente em regiões onde sua presença se expandiu. A espécie, originária da África, é exótica no país latino-americano, e não tem predadores naturais, o que fez com que não houvesse impeditivo para sua reprodução.
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Segundo estimativas recentes, existem atualmente 169 hipopótamos vivendo no país. Essa espécie é considerada o terceiro maior mamífero terrestre do mundo e tem uma expectativa de vida média de até 50 anos. A Colômbia tenta enviar ao menos alguns dos indivíduos para outros países, mas somente conseguiu recusas até agora.
Atualmente, a distribuição dessa população abrange aproximadamente 43.342 quilômetros quadrados, principalmente na bacia do rio Magdalena e nos complexos pantanosos da depressão de Momposina.
A maior concentração de indivíduos encontra-se em Napolés, com 114 exemplares, e em Cocorná, com 31, embora também estejam presentes em outros municípios. Nestas áreas, foram relatados impactos como restrições à circulação em estradas rurais, ataques a embarcações e perdas de gado.
O governo nacional tem pensado em alternativas para tentar frear o crescimento populacional. Intervenções em hipopótamos, no entanto, têm se mostrado um desafio, tanto quando dizem respeito à esterilização, como ao sacrifício de alguns dos exemplares.
Impactos na biodiversidade
Um dos principais efeitos da presença do hipopótamo é a competição por recursos com as espécies nativas.
Esse fenômeno pode deslocar mamíferos herbívoros semiaquáticos, como o peixe-boi, a lontra e a capivara, além de afetar herbívoros terrestres, como o veado. Sua presença também causa perturbações nas cadeias alimentares devido à competição por alimento.
Nos ecossistemas aquáticos, essa espécie influencia a dinâmica do plâncton e das plantas. Esses indivíduos ainda aumentam a densidade de cianobactérias, promovendo a proliferação de algas nocivas e processos de eutrofização em corpos d’água, o que representa um risco para as espécies nativas.
Descendentes de um pequeno rebanho introduzido por Pablo Escobar, esses hipopótamos vivem na natureza, em um lago próximo ao parque temático Hacienda Nápoles, antigo zoológico particular do narcotraficante, em Doradal, Colômbia
Alberto Gonzalez / AFP
Consumo de flora e efeitos sobre a vegetação
Um hipopótamo pode consumir até 50 quilos de grama por dia. Estima-se que sua dieta inclua aproximadamente 200 espécies de flora, sendo pelo menos três endêmicas.
Embora seu padrão de alimentação na Colômbia não seja conhecido com precisão, a busca intensiva por alimento pode afetar a vegetação nativa e os serviços ecossistêmicos associados.
O hipopótamo (Hippopotamus amphibius) é portador de doenças como tuberculose, paratuberculose e brucelose. Além disso, pode atuar como vetor de transmissão para humanos, animais domésticos e espécies selvagens, principalmente através da contaminação de fontes de água.
Transformações do ambiente físico
Devido ao seu tamanho — até três metros de comprimento e um peso próximo de 3,2 toneladas —, seu movimento entre a água e a terra gera transformações nas margens dos rios, abertura de novos canais e alterações na dinâmica hidrológica.
Também foram identificados processos de compactação do solo, perda da cobertura vegetal e erosão.
Os excrementos de hipopótamos em corpos d’água contribuem com grandes quantidades de matéria orgânica, o que afeta a qualidade da água e as espécies associadas.
Esse processo aumenta a eutrofização, o aumento de nutrientes no solo e alterações na produtividade primária dos ecossistemas.
Após retornar da Lua, Christina Koch acordou de suas primeiras noites na Terra com a sensação de ainda estar flutuando. A tripulação da Artemis II ainda se reacostuma à gravidade, uma semana após o fim da missão. Apesar de vários contratempos, Christina considera a nave Orion segura e acredita que ela está em condições de retornar ao espaço. Os quatro astronautas da missão — três americanos e um canadense — fizeram algumas revelações nesta quinta-feira, no Centro Espacial Johnson, localizado na cidade americana de Houston.
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“Nos primeiros dias após o retorno, quando eu acordava, achava realmente que estava flutuando, e tinha que me convencer de que não”, descreveu Christina, que já havia participado, em 2019, de uma missão à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
“Mesmo depois de passar 328 dias no espaço durante minha missão anterior, nunca me ocorreu achar que um objeto fosse flutuar na minha frente. Por algum motivo, isso aconteceu neste retorno. Por exemplo, eu jogava uma camiseta para cima e me surpreendia”, descreveu a astronauta.
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A tripulação ainda passa por exames médicos e não teve tempo para relaxar ou refletir, disse o comandante da missão, Reid Wiseman.
Preocupações na nave
Wiseman contou que houve um vazamento na pressão dos sistemas de combustível da nave, além dos contratempos com o banheiro e com um detector de fumaça que ligava e desligava no penúltimo dia da missão, o que preocupou os astronautas.
“Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos, até conseguirmos reconfigurar as coisas. Mas o que martelamos em nossas cabeças antes do lançamento foi: nada de movimentos precipitados. Vamos avaliar esta máquina, ver o que a máquina e Houston estão nos dizendo, e então tomar uma decisão em conjunto”, descreveu o comandante.
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Wiseman elogiou o desenho da nave, que, embora “precise de melhorias, poderiam colocar a cápsula Orion da missão Artemis III na plataforma amanhã mesmo e lançá-la, e a tripulação estaria em excelentes condições”.
“Temos que estar dispostos a correr um pouco mais de risco do que estávamos dispostos no passado, e simplesmente acreditar que encontraremos a solução em tempo real”, acrescentou o canadense Jeremy Hansen.
Salto de um arranha-céu
O piloto Victor Glover descreveu a reentrada na atmosfera terrestre, onde o escudo térmico da nave os protegeu de temperaturas superiores a 2.700°C enquanto eles viajavam a 40.000 km/h, como “13 minutos e 36 segundos muito intensos”. Glover disse que se lembra de ter sentido um “efeito ioiô” no momento da abertura dos paraquedas.
“Nunca saltei de paraquedas, mas, se você se jogasse de costas de um arranha-céu, essa foi a sensação durante cinco segundos. Depois, os paraquedas principais se abriram e foi magnífico.”
A Artemis II foi a primeira missão tripulada do programa Artemis, da Nasa, cujo objetivo é levar americanos novamente à Lua, dessa vez para estabelecer uma base e se preparar para futuras missões a Marte. Os tripulantes expressaram confiança na capacidade da agência espacial americana de alcançar esse objetivo nos próximos anos. Os Estados Unidos trabalham para realizar um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.
“Se tivessem nos dado as chaves do módulo de pouso, teríamos aterrissado na Lua. É absolutamente factível”, afirmou Wiseman.
Durante a missão Artemis II, que deu a volta na Lua e bateu recorde de distância da Terra feita por uma missão tripulada, foi comum lermos e ouvirmos o termo astronauta para se referir aos quatro tripulantes da cápsula Orion. No entanto, esta palavra é usada apenas nas expedições espaciais da Nasa e dos Estados Unidos. Na Rússia, se usa cosmonauta. E, na China, eles são chamados de taikonautas. O motivo é simples: a “guerra de padrão linguístico” ou uma “batalha cultural” que corre paralelamente à corrida espacial.
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No século XX, a disputa entre Estados Unidos e União Soviética pelas conquistas espaciais dominou o cenário político da Guerra Fria e foi usada para mostrar os poderes militares das duas potências. Por isso, o primeiro homem a ir para o espaço foi o cosmonauta Yuri Gagarin. Já o primeiro homem a pisar na Lua foi o astronauta Neil Armstrong. A briga também acontecia em outro universo, o linguístico, e era para pautar como os termos que seriam usados.
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Nasa
O que é um cosmonauta?
O prefixo “cosmo” vem do grego, assim como “astro”. Enquanto o primeiro significa universo, o segundo se refere a estrelas. Já “nautas”, também do grego, é designado para falar de navegadores ou marinheiros, já que os antigos ainda não tinham a tecnologia da aviação, obviamente. Portanto, numa interpretação livre, os soviéticos brigaram para chamar estes agentes de “navegadores do universo”, enquanto os americanos preferiam “navegadores das estrelas”. Vale lembrar que os soviéticos partiram na frente e mantiveram a dianteira na corrida espacial durante bastante tempo, até os americanos equilibrarem o jogo com as missões Apollo.
O termo cosmonauta foi cunhado pelo engenheiro espacial soviético Mikhaíl Tikhonravov, que morreu ainda em 1974.
Cosmonautas no centro de treinamento Gagarin, em Moscou.
Gagarin Cosmonaut Training Center/AFP
O que é um taikonauta?
Já no século XXI, quem assumiu o lugar de principais adversários dos Estados Unidos na corrida espacial foi a China. Potência tecnológica também em outras áreas, os chineses começaram o seu programa espacial em 2003, quando tiveram também o seu primeiro taikonauta, Yang Liwei, que viajou a bordo da missão Shenzhou-5. Em chinês, taikong se refere a espaço. Portanto, os orientais também usam um termo próximo a “navegadores do espaço”, priorizando os seus fonemas.
Atualmente, a China tem um projeto espacial bastante ambicioso, no qual pretende ter uma base na Lua até o ano de 2030. Eles já apresentam conquistas como o fato de conseguirem um sinal de comunicação em cápsulas do lado escuro da Lua, algo que os americanos ainda não possuem. Como podemos ver, os astronautas da Artemis II ficaram por 40 minutos sem comunicação com a Terra, momento em que circundavam o astro.
Decolagem do Long March 2F levando a missão Shenzhou 16 com os taikonautas Jing Haipeng, Zhu Yangzhu, & Gui Haichao para a Estação Espacial Chinesa
Reprodução Twitter
O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial anunciaram nesta quinta-feira que restabeleceram suas relações com a Venezuela. Nos últimos dias, o Fundo consultou seus membros sobre se consideravam Delcy a dirigente legítima da Venezuela. O Banco Mundial seguiu rapidamente o FMI no reconhecimento do atual governo venezuelano.
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“Guiada pelas opiniões dos membros do Fundo Monetário Internacional que representam a maioria do poder de voto total do FMI e, em consonância com a prática de longa data, a diretora-gerente, Kristalina Georgieva, anunciou hoje que o FMI passa agora a tratar com o governo da Venezuela, sob a administração da presidente interina Delcy Rodríguez”, indicou a organização em comunicado.
“Guiado pelo resultado do processo de consulta do FMI, o Grupo Banco Mundial anunciou hoje que retoma as suas negociações com o governo da Venezuela”, indicou. Horas depois, Delcy comentou a decisão: “Retomamos a representação da Venezuela neste organismo internacional. Estamos dando normalização a todos os processos que envolvem direitos da Venezuela no organismo”, acrescentou.
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O reconhecimento do governo de Delcy Rodríguez abre caminho para que o FMI comece a coleta formal de dados econômicos e possa oferecer apoio financeiro, caso a Venezuela o solicite. As relações entre essas duas instituições financeiras e a Venezuela foram rompidas em março de 2019, quando o FMI reconheceu a oposição — que controlava o parlamento — como o governo legítimo da nação sul-americana.
Delcy exercia a vice-presidência da Venezuela até o início de janeiro, quando forças dos Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro em uma operação noturna. Posteriormente, ela foi nomeada presidente interina.
O anúncio chega durante a reunião de primavera (no hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial em Washington. Nos bastidores do encontro de autoridades, economistas e investidores, os Estados Unidos pediram um maior engajamento com a Venezuela de Delcy Rodríguez.
Na terça-feira, Washington suavizou as sanções sobre o Banco Central da Venezuela. Nesse mesmo dia, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o FMI estava trabalhando “para reincorporar a Venezuela, para fazer com que se pareça mais com uma economia normal”.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos não fizeram “nenhum pedido novo” de ajuda relacionado ao Irã, após o presidente Donald Trump dizer que estava “insatisfeito com a Austrália”.
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Aliada de Washington em questões de segurança, Camberra ressaltou que não está envolvida no conflito com o Irã, mas que tem interesse na reabertura do Estreito de Ormuz para o envio de combustível.
Trump fez várias críticas à Austrália por não ajudar na guerra contra o Irã. Albanese disse que o presidente americano deixou claro que tem a situação sob controle no que diz respeito àquele país.
“Não houve absolutamente nenhum pedido novo.”
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A Austrália conversa com França, Reino Unido e Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, destacou nesta sexta-feira seu ministro da Defesa, Richard Marles.
No mês passado, Camberra recebeu um pedido de Washington para colaborar na defesa dos países do Golfo, e respondeu com o envio de um avião de vigilância e mísseis para proteger os Emirados Árabes, segundo autoridades australianas.
A cobrança de pedágios de cerca de US$ 2 milhões (o equivalente a aproximadamente R$ 9,98 milhões) por embarcação para garantir a travessia pelo Estreito de Ormuz colocou o Irã no centro de uma disputa legal e geopolítica, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, ameaçam interceptar navios que paguem a taxa enquanto impõe um bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a agência de notícias Reuters, a prática levanta questionamentos sobre o direito internacional marítimo e amplia o risco de escalada militar em uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ao mesmo tempo em que economistas tentam avaliar os efeitos da guerra de EUA e Israel contra o Irã à economia global, milhões de iranianos já enfrentam os efeitos de um conflito que, embora sob cessar-fogo temporário, parece longe do fim. Analistas dizem que o PIB pode ter contração de até 10% em 2026, a inflação está perto dos três dígitos, milhões de empregos estão em xeque, e os planos de contenção, apresentados como garantia a uma guerra prolongada, têm prazo de validade limitado.
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Em artigo publicado na última segunda-feira pela Fundação Bourse & Bazaar, que estuda a economia do Irã, o economista Hadi Kahalzadeh afirma que os 39 dias de bombardeio danificaram 125 mil estruturas civis, incluindo 20 mil unidades industriais. Muitos negócios, incluindo aqueles que não têm relação direta com o aparato militar, foram fechados. Os setores mais afetados foram o siderúrgico, de construção civil, petroquímico e o de serviços, pilares da economia. Cadeias de suprimentos foram abaladas ou completamente interrompidas, impactando áreas como transportes e manufaturas.
Segundo economistas consultados pelo New York Times, a reconstrução civil pode custar entre US$ 300 bilhões e US$ 1 trilhão, e levar anos até ser concluída, prazo que se torna incerto se as sanções econômicas permanecerem em vigor.
— O caminho para o desenvolvimento econômico do Irã foi fechado por esta guerra — afirmou ao New York Times Esfandyar Batmanghelidj, diretor executivo do centro da Bourse & Bazaar. — A realidade é que o Irã terá muita dificuldade em reconstruir ou revitalizar infraestruturas críticas se permanecer sob sanções.
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Muito antes do conflito, a economia do Irã se encontrava em frangalhos, resultado de anos de sanções, problemas estruturais e má gestão. A moeda local, o rial, é uma das mais desvalorizadas do planeta, e a inflação elevada, hoje em torno de 70% ao ano, reduz o já restrito poder de compra da população.
— É praticamente uma estagnação total — disse um vendedor de ferramentas no Bazar de Teerã à rede al-Jazeera. — Recebemos hoje novas listas de preços de alguns produtos dos atacadistas; tudo está cerca de 20% a 30% mais caro.
Semanas antes da “Operação Fúria Épica”, o descontentamento dos iranianos transbordou em uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos, que colocaram o regime nas cordas e que foram respondidas com violência desmedida, deixando dezenas de milhares de mortos. Com os bombardeios, a situação já crítica se tornou insustentável para muitos. Neil Shearing, pesquisador do centro de estudos Chatham House, destaca que o PIB pode ter retração de até 10% em 2026.
— Com ou sem guerra, parece que estamos mortos há muito tempo. Não só as nossas vozes são silenciadas, como temos de lutar para satisfazer as nossas necessidades básicas — disse à al-Jazeera um produtor de conteúdo iraniano, que preferiu não se identificar.
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Pelas projeções de Kahalzadeh, que por oito anos atuou na Organização de Seguridade Social do Irã, a destruição no setor metalúrgico e os problemas nas cadeias de suprimentos ameaçam 1,8 milhão de empregos na indústria e 3,8 milhões na construção civil.
— Não tivemos nenhuma venda desde o início da guerra; estamos produzindo e armazenando, mas não tenho certeza de quanto tempo conseguiremos sobreviver — disse Amir, sócio de uma fábrica de blocos de concreto, ao New York Times, sem revelar seu sobrenome.
Os danos a instalações petroquímicas e empresas farmacêuticas põem em risco outros 1,2 milhão de postos. A corrosão imposta pela inflação aos orçamentos familiares reduziu a demanda e fez com que setores ligados a bens de consumo reduzissem a produção, com demissões. O comércio, que emprega 17% da força de trabalho do país, cortou vagas, assim como empresas de tecnologia e comunicação, vitimadas também pelo prolongado bloqueio da internet.
— Esse apagão da internet reduziu praticamente a zero todas as nossas futuras rendas mensais e não sabemos o que vai acontecer — desabafou Sepehr, um músico que depende da internet para compartilhar músicas e vídeos, ao New York Times.
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Segundo Kahalzadeh, até 12 milhões de empregos, ou 50% da força de trabalho do Irã, estão em risco. E mesmo que um cenário relativamente otimista se concretize, com a perda de 3 milhões de vagas, já seria a maior contração no mercado de trabalho na História moderna, incluindo o período da guerra contra o Iraque (1980-1988).
“Essas estimativas sequer incluem os 22% dos lares iranianos que dependem de salários do setor público”, afirma o economista. “Como tantas vezes acontece em guerras, os custos mais altos recaem sobre aqueles menos protegidos pelos benefícios sociais do Estado.”
Oficialmente, as autoridades dizem que não há risco de escassez de produtos básicos (desde alimentos até insumos para a construção civil), e garantem ter planos de contingência para uma guerra de até seis meses. O modelo descentralizado de defesa distribuiu as capacidades de produção e uso de mísseis, drones e outros armamentos, em tese viabilizando uma operação prolongada contra EUA e Israel (e contra alvos no Golfo Pérsico). Uma frota de petroleiros longe do Golfo Pérsico, com cerca de 160 milhões de barris para pronta entrega, é apresentada como uma garantia de renda, ainda mais diante de um bloqueio dos portos iranianos anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
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E há um arsenal econômico interno composto por incentivos fiscais, empréstimos a baixo custo e um seguro-desemprego equivalente a 55% do salário ou ao salário mínimo, hoje de 166,5 milhões de riais (R$ 640). Kahalzadeh questiona se, a curto prazo, o Estado conseguiria cumprir suas promessas diante de um cenário de rápida deterioração.
“Fornecer de 3 a 4 milhões de auxílios-desemprego por seis meses, por exemplo, exigiria quase 5 quatrilhões de riais (R$ 18,7 bilhões). Uma contração de 15% no mercado de trabalho também significaria uma queda de 25% a 30% na receita da Organização de Seguridade Social, o maior fundo de pensão do Irã”, explica. “No total, o ônus financeiro do desemprego induzido pela guerra consumiria pelo menos 20% do orçamento público do Irã, que já apresenta um grande déficit.”
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No último fim de semana, uma maratona diplomática entre EUA e Irã terminou sem acordo, com o anúncio do bloqueio americano e a iminência da retomada dos bombardeios. Nas conversas, os iranianos tentaram obter um compromisso pelo fim das sanções e pela liberação de bilhões de dólares em bens e depósitos congelados no exterior. Não há previsão para novas conversas ou para um acordo de paz, deixando o futuro do país, e de seus 90 milhões de habitantes, em suspenso.
— Até agora, não sei quando poderei reabrir. Tudo depende de quando isso realmente terminar — disse Arash, dono de uma confecção em Tabriz que demitiu 12 funcionários e suspendeu a produção, à agência Reuters.

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