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Uma tentativa incomum de contato direto com Donald Trump partiu do entorno do ex-presidente cubano Raúl Castro, cujo neto recorreu a um empresário de Havana para entregar pessoalmente uma carta à Casa Branca fora dos canais diplomáticos tradicionais, mas o mensageiro foi detido ao chegar aos Estados Unidos e a operação foi interrompida, segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal (WSJ), com base em um funcionário atual e um ex-funcionário do governo americano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No mesmo dia em que anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz, ainda longe da liberdade de navegação vista antes do início da guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã está muito perto, e que Teerã concordou com todas suas demandas sobre o programa nuclear. Termos amplos, ousados e que, caso implementados, seriam uma derrota colossal e existencial para a República Islâmica.
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Em entrevista à rede News Nation, o presidente disse que os iranianos “concordaram com tudo”, se referindo ao enriquecimento de urânio, e que não estava surpreso com a concessão. Ele repetiu a alegação à agência Bloomberg, acrescentando que a suspensão das atividades nucleares seria por prazo indeterminado. Esse é um dos objetivos apresentados por ele e seus aliados para a guerra.
No Truth Social, sua rede social que também serve como Diário Oficial, disse que iria “recuperar a poeira nuclear”, uma referência confusa aos 440 kg de urânio enriquecido a graus mais elevados, como 60%, em instalações iranianas. À agência Reuters, afirmou que a retirada ocorreria “em parceria com o Irã”, e que o material seria levado aos EUA. Para completar a “volta olímpica”, garantiu que não haverá qualquer tipo de contrapartida aos iranianos, negando uma informação divulgada nesta sexta-feira pelo portal Axios sobre um pagamento de US$ 20 bilhões para facilitar um consenso.
“ESSE É UM DIA GRANDIOSO E BRILHANTE PARA O MUNDO!”, bradou no Truth Social, acrescentando que novas conversas podem acontecer “em um ou dois dias” no Paquistão, país que atua como mediador.
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Pouco depois da maratona midiática trumpista, representantes de Teerã disse que não era bem assim. À agência Reuters, um membro do governo disse que “nenhum acordo foi obtido quanto aos detalhes de questões nucleares”. Ao mesmo tempo, expressou otimismo quanto a um acerto preliminar, de forma a “criar espaço para mais negociações sobre o levantamento das sanções contra o Irã e a garantia de indenização por danos de guerra”.
— Em troca, o Irã fornecerá garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear — declarou o representante iraniano à Reuters. — [Qualquer outra] narrativa sobre as negociações em curso é uma deturpação da situação.
Esmail Baghaei, porta-voz da Chancelaria iraniana, negou a transferência do urânio enriquecido.
— Transferir urânio para os Estados Unidos não é uma opção. Assim como o solo iraniano é sagrado, o urânio enriquecido também o é — disse à agência Tasnim.
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No livro que define seu ethos empresarial e político, “A Arte da Negociação”, de 1987, Trump diz que “almeja muito alto e continua insistindo, insistindo e insistindo até conseguir o que quer”. Ele já aplicou essa norma em seus dois mandatos,com alguns sucessos , mas ao anunciar a total submissão iraniana pode ter dado um passo ousado demais.
Desde o começo do século, quando surgiram evidências sobre planos para uma possível militarização do programa nuclear iraniano — que antecede a República Islâmica —, Teerã jamais cogitou abrir mão de seu direito a atividades atômicas. Uma fatwa (decreto religioso) emitida pelo antigo líder supremo, Ali Khamenei, vetava o uso e desenvolvimento de armas de destruição em massa. Mesmo quando o Irã se sentou à mesa e aceitou controles externos, como no acordo de 2015, o desmantelamento de centrífugas, reatores e instalações análogas nunca esteve em pauta.
— Na minha opinião, o programa nuclear do Irã é um meio para um fim: o país quer ser reconhecido como uma potência regional, acredita que o conhecimento nuclear traz prestígio e poder — disse, em 2003, o então chefe da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed el-Baradei.
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Dez anos depois, Hassan Rouhani, presidente que firmou o acordo de 2015, rasgado por Trump, escreveu no jornal Washington Post que o domínio do ciclo nuclear significava a diversificação “de nossos recursos energéticos” e a definição “de quem somos como nação iraniana”. Em 2022, Ebrahim Raisi, sucessor de Rouhani, disse que não recuaria “nem um iota nos direitos nucleares do povo iraniano”, ao mesmo tempo em que acelerava o enriquecimento de urânio. Em comum, os dois — assim como o establishment político — garantiam que o país não busca uma arma nuclear.
— O líder religioso de uma sociedade não pode mentir — disse o atual presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se referindo à fatwa de Khamenei, dois dias antes do início da guerra. — Quando ele anuncia que não teremos armas nucleares, significa que não as teremos. Mesmo que eu quisesse, não posso, por causa das minhas crenças.
Antes da guerra, protestos ligados às condições de vida da população evoluíram para atos contra a República Islâmica, e a repressão deixou dezenas de milhares de mortos. No final de fevereiro, a ofensiva de americanos e israelenses impôs duros golpes às Forças Armadas e causou estragos bilionários à infraestrutura e à economia. A transição na cúpula do poder, motivada pelas mortes de lideranças como Ali Khamenei, tampouco afastou o ódio de boa parte dos iranianos ao sistema moldado pela Revolução Islâmica de 1979.
Neste cenário, abrir mão do programa nuclear, atendendo a todas as demandas de Trump, soaria como uma derrota existencial para o regime, colocando ganhos estratégicos, como o fechamento do Estreito de Ormuz, em xeque, e fortalecendo uma percepção de fragilidade. Afinal, como explicar que, quase cinco décadas depois da queda da monarquia pró-Ocidente, o “Grande Satã” venceu?
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No passado, muitas das alegações de Trump não se confirmaram. Seus recuos, ironizados na sigla Taco (algo como “Trump sempre amarela”) se acumularam na atual guerra, como na ameaça que fez contra toda a civilização iraniana, na semana passada. Pelas declarações de diplomatas envolvidos nas negociações, um acordo final mencionará o programa nuclear iraniano, mas em termos menos maximalistas do que desejam a Casa Branca, Israel ou o lobby anti-Irã em Washington. Um potencial desfecho já previsto na “Arte da Negociação” do republicano.
“Às vezes, me contento com menos do que buscava, mas, na maioria dos casos, acabo conseguindo o que quero.”
Enquanto esperam pela reabertura do Estreito de Ormuz e por uma normalização da principal rota para exportações a partir do Oriente Médio, as monarquias do Golfo Pérsico observam com atenção as negociações entre EUA e Irã, com a expectativa de que as tratativas diplomáticas impeçam o retorno de um conflito que se alastrou por toda a região. Sob fogo iraniano que provocou mortes e destruição em seus territórios, os países da região optaram por não responder aos ataques e ampliar as tensões externas — um contraste com as medidas adotadas internamente, que intensificaram a censura e o controle à informação, com a prisão e intimidação de centenas de pessoas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na sexta-feira, o cessar-fogo de 10 dias acordado entre o Líbano e Israel parecia estar sendo respeitado, mas uma das duas partes em conflito estava ausente do acordo: o Hezbollah, a milícia libanesa apoiada pelo Irã e que estava sendo combatida pelas forças armadas israelenses. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O acesso cada vez mais facilitado e simplificado às ferramentas de inteligência artificial generativa tem provocado aumento da carga de trabalho de checadores de conteúdo ao redor do mundo. Dados coletados pela Agência Lupa — em análise de quase 1.300 checagens publicadas desde 2015 — mostram que mais de 80% dos casos de desinformação com IA surgiram nos últimos dois anos, o que comprova não apenas o avanço acelerado da tecnologia, mas o seu uso crescente e em ritmo veloz na criação de conteúdos de desinformação. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Mulheres e meninas foram mortas em um ritmo mais intenso do que o registrado em conflitos anteriores na Faixa de Gaza e já representam mais da metade das vítimas da guerra, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela ONU Mulheres. Ao longo do conflito, ao menos 47 morreram por dia, em média, de acordo com a agência. Mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, as mortes continuaram, embora ainda faltem dados detalhados por gênero para dimensionar o impacto mais recente.
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O levantamento aponta que mais de 38 mil mulheres e meninas morreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2025 — sendo mais de 22 mil mulheres e 16 mil meninas —, período que abrange a escalada mais recente do conflito. O total representa mais da metade das cerca de 71 mil mortes registradas nesse intervalo.
— Mulheres e meninas representaram uma proporção de mortes muito superior à observada em conflitos anteriores em Gaza — afirmou Sofia Calltorp, chefe de ação humanitária da agência, a jornalistas em Genebra. — Eram pessoas com vidas e sonhos.
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Segundo ela, o grupo continua mergulhado “em um sofrimento angustiante” mesmo após o cessar-fogo.
O acordo de cessar-fogo interrompeu dois anos de guerra em larga escala, mas não encerrou completamente a violência. Nos últimos seis meses, mais de 730 palestinos foram mortos e mais de 2 mil ficaram feridos, segundo médicos locais, enquanto militantes mataram quatro soldados israelenses. Israel e o Hamas trocam acusações sobre violações do acordo.
Atualmente, tropas israelenses mantêm o controle de uma zona despovoada que corresponde a mais da metade do território de Gaza, enquanto o Hamas permanece no poder na estreita faixa costeira restante. Israel afirma que suas operações têm como objetivo impedir ataques do grupo e de outras facções armadas.
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Além das mortes, “cerca de 11 mil mulheres e meninas sofreram ferimentos muito graves” e passaram a viver com deficiências permanentes, segundo Calltorp.
O impacto humanitário sobre o grupo também segue amplo. Cerca de 1 milhão estão deslocadas dentro do território, de acordo com a ONU Mulheres, e enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos.
— Os danos extensos à infraestrutura tornaram quase impossível para mulheres e meninas em Gaza acessar necessidades básicas, como serviços de saúde — disse Calltorp.
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Segundo a agência, muitas delas foram deslocadas diversas vezes ao longo do conflito, e cerca de 790 mil enfrentam níveis críticos ou catastróficos de insegurança alimentar.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 500 mil mulheres não têm acesso a serviços essenciais, como cuidados pré-natais e pós-natais e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis.
Diante desse cenário, a agência da ONU defende que mulheres e meninas estejam no centro das respostas humanitárias, em meio às dificuldades também de acesso a água, alimentos, assistência médica e ajuda internacional.
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Em paralelo, a situação das crianças também preocupa organismos internacionais. O Unicef informou que ao menos 214 crianças morreram nos últimos seis meses, mantendo um nível de violência considerado alarmante mesmo após o cessar-fogo.
No cenário internacional, a África do Sul move uma ação contra Israel na Corte Internacional de Justiça, acusando o país de cometer genocídio em Gaza. Em decisão preliminar de janeiro de 2024, o tribunal pediu que Israel adotasse medidas para evitar atos que possam ser enquadrados como genocídio, citando risco “real e iminente” de danos irreparáveis aos palestinos.
(Com AFP)
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta sexta-feira que seu estoque de urânio enriquecido não será transferido “para lugar nenhum”, apesar da alegação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia antes de que Teerã havia concordado em entregá-lo.
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“O urânio enriquecido do Irã não será transferido para lugar nenhum”, disse o porta-voz do ministério, Esmail Baqai, à televisão estatal.
— Eles concordaram em nos devolver o pó nuclear — disse o presidente americano na quinta-feira a repórteres na Casa Branca, usando seu termo para se referir aos estoques de urânio enriquecido, acrescentando: — Há uma grande chance de chegarmos a um acordo.
Trump tem usado essa expressão para descrever o estoque de urânio enriquecido próximo ao grau necessário para bombas nucleares que o Irã acumulou nos últimos anos, estimado pela Agência Internacional de Energia Atômica em cerca de 440 quilos. Esse estoque tem sido um ponto crucial nas negociações pelo fim do conflito no Oriente Médio.
Os Estados Unidos querem que o Irã transfira o material para fora do país, mas autoridades do regime iraniano não concordaram publicamente em fazê-lo. Também não está claro qual será o destino de toneladas adicionais de urânio enriquecido a níveis mais baixos que também fazem parte do estoque iraniano.
*Em atualização
O Papa Leão XIV criticou nesta sexta-feira o uso da inteligência artificial (IA) para fomentar “a polarização, os conflitos, os medos e a violência”, durante visita a Camarões marcada por discursos de forte teor social, críticas à exploração econômica e apelos à paz. No mesmo dia, o Pontífice celebrou uma missa para mais de 120 mil fiéis em Duala, onde também condenou a atuação de “tiranos que devastam o mundo”.
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A declaração sobre a IA foi feita durante um discurso na Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, capital do país. Segundo o Papa, os impactos dessas tecnologias vão além da inovação e levantam questões profundas sobre a própria percepção da realidade.
— O desafio imposto por esses sistemas é mais profundo do que parece; não se trata apenas do uso de novas tecnologias, mas da substituição progressiva da realidade pela sua simulação — afirmou.
Estudantes universitários, empunhando bandeiras dos Camarões e do Vaticano, aplaudem antes da chegada do Papa Leão XIV à Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Alberto PIZZOLI / AFP
O Pontífice alertou ainda para os efeitos sociais dessa transformação, com a disseminação de conteúdos simulados.
— Quando a simulação se torna norma, vivemos como dentro de bolhas impermeáveis umas às outras, e passamos a nos sentir ameaçados por qualquer pessoa que seja diferente — afirmou. — É assim que se espalham a polarização, os conflitos, os medos e a violência. Não está em jogo apenas o risco de erro, mas uma transformação da própria relação com a verdade.
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As falas ocorrem em meio a críticas ao uso político de conteúdos gerados por IA. Após o Papa se manifestar sobre a guerra no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem em que aparece retratado como um santo, inspirada na iconografia cristã, posteriormente apagada.
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Reprodução
Em Yaoundé, o Pontífice também incentivou estudantes a priorizarem “a alteridade das pessoas de carne e osso” em vez das “respostas funcionais” de chatbots, cujo uso tem se popularizado entre os jovens.
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Além disso, Leão XIV relacionou o avanço tecnológico a impactos ambientais e sociais, criticando a “busca frenética” por terras raras, essenciais para a produção de equipamentos e servidores, que, segundo ele, têm provocado “devastações ambientais e sociais”.
A inteligência artificial depende, por exemplo, da extração de minerais como o cobalto, usados em servidores que consomem grande quantidade de energia. Segundo o Papa, essa atividade impõe um alto custo à África, tanto do ponto de vista ambiental quanto social e humano.
Missa em Duala
O Papa Leão XIV (ao centro) acena à multidão a partir do Papamóvel ao chegar para presidir à Santa Missa na zona em frente ao Estádio Japoma, em Duala, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Alberto PIZZOLI / AFP
Mais cedo, em Duala, capital econômica de Camarões, o Pontífice foi recebido por uma multidão na esplanada do estádio de Japoma, no terceiro dia de sua viagem ao país. Segundo o Vaticano, mais de 120 mil pessoas participaram da celebração, número inferior à estimativa do governo local, que esperava até um milhão de fiéis.
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Sob temperaturas de cerca de 32°C, milhares aguardaram por horas para ver o líder da Igreja Católica. Muitos vestiam roupas estampadas com sua imagem, agitavam bandeiras do Vaticano e carregavam “ramos da paz”, enquanto gritavam “Viva o Papa” durante a chegada do papamóvel.
Entre os presentes, a fiel Marguerite Tedga, de 72 anos, passou a noite no local ao lado de amigas para garantir um bom lugar.
— É o auge de toda uma vida cristã. Quando eu era pequena, pensava que não poderíamos ver o Papa com nossos próprios olhos — relatou.
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Na homilia, proferida em francês, Leão XIV reforçou sua mensagem contra a violência e convocou os camaroneses a assumirem protagonismo na construção do futuro.
— Sejam atores do futuro e rejeitem toda forma de abuso e violência — declarou.
Troca de críticas
Ao longo da viagem, o Papa tem adotado um tom mais firme do que o habitual, especialmente em meio a críticas recentes feitas por Trump, que o atacou por defender o fim da guerra no Oriente Médio. O republicano afirmou que o Pontífice “pode dizer o que quiser”, mas deveria compreender as realidades de um “mundo cruel”.
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Sem citar diretamente o presidente americano, Leão XIV tem respondido com discursos contundentes em defesa da paz. Em Bamenda, no noroeste anglófono do país, região marcada por um violento conflito separatista, ele criticou lideranças globais que alimentam instabilidade.
— O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs solidários — afirmou.
O Pontífice também denunciou a exploração de recursos naturais no continente africano. Segundo ele, atores externos e elites locais se apropriam das riquezas da região, enquanto parte significativa dos lucros é direcionada à compra de armamentos.
— Aqueles que roubam os recursos de sua terra geralmente investem grande parte do lucro em armas, perpetuando assim um ciclo interminável de desestabilização e morte — disse.
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Na véspera, o Papa já havia criticado “o mal causado a partir do exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam apoderando-se do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo”.
Camarões possui abundantes recursos naturais, como petróleo, madeira, cacau, café e algodão, além de vastas reservas minerais que há décadas atraem interesses estrangeiros e elites locais. Cerca de 37% dos quase 30 milhões de habitantes do país são católicos, e a Igreja mantém uma ampla rede de hospitais, escolas e obras sociais.
Desde sua chegada, na quarta-feira, Leão XIV tem sido recebido com entusiasmo popular, com milhares de pessoas reunidas ao longo das estradas para saudá-lo com cânticos e danças.
Fiéis assistem à Santa Missa presidida pelo Papa Leão XIV na zona em frente ao Estádio Japoma, em Duala, no quinto dia de uma viagem apostólica de 11 dias a África, em 17 de abril de 2026
Patrick MEINHARDT / AFP
Após a missa em Duala, o Pontífice seguiu para visitar o hospital católico Saint Paul. A viagem ao país será encerrada neste sábado, com uma nova celebração.
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Camarões é a primeira etapa de uma agenda mais ampla do Papa na África. Após deixar o país, ele seguirá para Angola e Guiné Equatorial, onde permanecerá até o dia 23 de abril.
Alejandrina Guasorna só descobriu já adulta que ao nascer tinha sido submetida a uma mutilação genital, prática pouco conhecida na Colômbia que persiste em algumas comunidades indígenas e que provocou a morte de muitas bebês por hemorragia ou infecções.
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Nas montanhas cafeeiras do departamento de Risaralda (oeste), território ancestral dos povos Embera Chamí e Katío, a ablação do clitóris afeta centenas de meninas.
Embora a origem do costume não seja conhecida com certeza, acredita-se que esteja ligado a crenças enraizadas na África e transmitidas para algumas comunidades indígenas durante o colonialismo.
Em quartos fechados, as parteiras usam uma navalha ou um prego em água fervente. Assim, realizam a mutilação genital em recém-nascidas, contam à AFP mulheres do território indígena Embera Chamí de Pueblo Rico, território sob jurisdição indígena.
Guasorna soube que havia sido vítima da mutilação quando começou a ouvir rumores. Falar sobre o assunto é um tabu, embora tenha crescido rodeada de mulheres ligadas a esta prática.
“Traziam meninas mortas a todo momento”. Pensávamos “que era normal”, conta esta agricultora de 74 anos que atuava como parteira, principalmente para mulheres de sua família, mas que não realizava mutilações genitais.
Para erradicar a prática, algumas líderes Embera e parlamentares apresentaram pela primeira vez um projeto de lei que está sendo discutido atualmente no Congresso.
Seu objetivo é proibir a mutilação, embora sem penas de prisão para as parteiras, que são consideradas vítimas da “falta de informação”.
Indígenas colombianos fazem mutilação nas meninas recém nascidas
Diana Sanchez / AFP
A iniciativa contempla especialmente planos de prevenção. Não enfrenta oposição, mas corre contra o relógio: precisa passar por seu último debate no Senado antes de 20 de junho, quando termina o período legislativo.
Apenas entre 2020 e 2025 foram realizadas 204 mutilações genitais na Colômbia, único país da América Latina onde são praticadas, segundo a ONG Equality Now. Oficialmente, não existem dados consolidados.
Enterradas sem registro
Nas comunidades onde são realizadas, ainda se acredita que as meninas sem mutilação serão “fáceis” com os homens ou que o clitóris crescerá até se transformar em um pênis, explicam as Embera.
Sem este órgão, cuja função é o prazer, as relações sexuais são, às vezes, associadas ao sofrimento.
Etelbina Queragama tem o rosto adornado com desenhos tradicionais. Esta dona de casa de 63 anos conta que “nunca sentiu nada” durante as relações sexuais, apenas dores. Um de seus sete filhos traduz suas palavras do embera para o espanhol.
A remoção total ou parcial do clitóris provoca graves danos à saúde, pode causar a morte e viola os direitos fundamentais das meninas, segundo a OMS.
A distância das comunidades e o sigilo que envolve a mutilação genital dificultam a contagem dos casos na Colômbia.
“Há uma subnotificação incrível”, explica Sarita Patiño, médica de um dos hospitais que recebe mais casos de ablação, em Pueblo Rico. Este ano, o total já chega a seis.
Ela atendeu a última em fevereiro: uma bebê de seis meses que chegou com febre.
“A menina tinha uma mutilação no clitóris, parecia pequena, como se fosse uma queimadura”, relata.
Francia Giraldo, líder Embera, diz que muitas meninas morrem sem sequer chegar ao hospital, sem registro de nascimento, nem de óbito.
Elas “sangram até morrer” e “algumas (mães) não as levam ao hospital, as enterram”, disse.
Indígenas colombianos fazem mutilação nas meninas recém nascidas
Diana Sanchez / AFP
Giraldo foi a primeira mulher governadora de sua comunidade e é um dos rostos mais visíveis do projeto de lei.
Seu desejo é que “mulheres que defendem os direitos das mulheres” cheguem aos territórios mais remotos para sensibilizar contra a mutilação.
Silêncio sobre o assunto
Ao abordar o tema, muitas desviam o olhar ou se calam, visivelmente desconfortáveis.
Sob a jurisdição indígena, a mutilação é punida com o cepo (um instrumento de tortura física), mas os casos são mantidos em sigilo.
Para Carolina Giraldo, congressista criadora do projeto de lei e historiadora, a teoria mais sólida sustenta que a prática veio da África, onde, segundo a ONU, ocorre em 33 países.
O órgão calculou, em 2024, que haviam 230 milhões de mulheres submetidas à mutilação.
Estas características culturais “ficaram aqui primeiro na população afro, mas depois também foram transmitidas à população indígena”, afirma.
Francia Giraldo alega que as parteiras apenas seguem um costume e defende um plano estatal de formação pedagógica nas comunidades indígenas.
“Me dói muito quando somos rotuladas como assassinas, como ignorantes”, afirma.

O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito, na manhã desta sexta-feira (17), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em meio a uma sessão com tentativas de obstrução. No plenário, dos 45 parlamentares presentes à votação, 44 foram a favor e uma abstenção.

Os partidos de oposição PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL ficaram de fora da sessão por discordarem da realização do pleito por voto aberto. A alegação era de que parlamentares poderiam sofrer pressões e retaliações políticas e, por isso, defendiam a votação secreta.

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Ao todo, 25 deputados estaduais não participaram da votação. A abstenção foi do deputado Jari Oliveira (PSB).

Mesmo sendo da oposição, Oliveira participou da votação por meio remoto, mas apenas para votar em Dr Deodalto para 2º secretário da mesa diretora. Deodalto foi eleito com 45 votos.

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A intenção dos partidos de oposição tinha sido derrubada, quando em decisão desta quinta-feira (16), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou o pedido do PDT para que a sessão fosse com votação secreta.

“Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, disse o deputado Guilherme Delaroli (PL).

Delaroli estava no exercício da presidência da Casa, desde o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar, que chegou a ser preso por vazar informações sigilosas da Operação Unha e Carne, que investiga o ex-deputado estadual TH Joias por ligações com o Comando Vermelho.

Em março 27 de março deste ano, Bacellar voltou a ser preso pela Polícia Federal. Antes disso, em dezembro de 2025, já havia sido levado à prisão, mas foi solto por decisão do plenário da Alerj.

>>STF tem maioria para manter cassação do ex-deputado Rodrigo Bacellar

Douglas Ruas

Em discurso após assumir a presidência da Alerj, Douglas Ruas, restringiu as suas críticas ao PSD e ao PDT por tentarem impedir a votação aberta, considerada por ele como mais democrática.

O novo presidente da Alerj disse ainda que o Rio de Janeiro, nos últimos dias, passava por um cenário jamais visto com interinidade nos três poderes.

“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou.

Ruas disse ainda que será presidente dos 70 deputados que compõem o quadro de parlamentares da Alerj. “Agradeço a cada um dos senhores e senhoras deputados e deputadas que confiaram a mim essa missão, que não é uma missão individual e, sim, coletiva, construída através do diálogo, buscando sempre as soluções em favor da população do estado do Rio de Janeiro”, disse.

Ruas já tinha sido eleito para o cargo em votação rápida da Alerj, mas em decisão da presidente em exercício do TJRJ, a eleição foi anulada por considerar que o processo eleitoral só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos nos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.

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