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Uma intensa onda de frio que afeta a Europa resultou na morte de pelo menos cinco pessoas na França e causou grandes problemas nos sistemas de transporte nesta terça-feira, pelo segundo dia seguido. Nevadas, formação de gelo nas vias e temperaturas negativas resultaram no fechamento de aeroportos, na suspensão de trens e em alertas meteorológicos em vários países do continente. 
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De acordo com autoridades locais, três pessoas perderam a vida em acidentes causados pelo gelo no sudoeste da França. Um taxista faleceu após perder o controle do carro, sair da pista e cair no rio Marne, localizado na região leste de Paris. Uma outra vítima fatal foi registrada em uma colisão entre veículos a leste da capital francesa. 
A nevasca deixou as calçadas escorregadias, forçando os pedestres a andar pelas ruas na capital francesa. A vista de Paris coberta de neve era “realmente extraordinária”, declarou a guia turística Valeria Pitchouguina. Mas o gelo complicou sua tentativa de conduzir um grupo pelas escadarias íngremes até Montmartre. 
— Quando está assim, com neve e gelo, é outra coisa; parece menos subir Montmartre e mais escalar o Mont Blanc — declarou Pitchouguina à AFPTV. 
No Reino Unido, os termômetros registraram mínimas de -12,5 °C em Norfolk, no leste da Inglaterra, durante a madrugada. O serviço meteorológico do Reino Unido anunciou que foi a noite mais gelada do inverno até o momento, com quase todo o país em alerta para neve e gelo. Os Países Baixos também registraram temperaturas abaixo de -10 °C que paralisaram os trens na manhã desta terça-feira. 
No setor aéreo, uns voltam, outros seguem fechados
No setor aéreo, aeroportos de Liverpool e Aberdeen retomaram as operações após fechamentos temporários. Na França, terminais regionais tiveram atividades suspensas, enquanto os aeroportos parisienses de Orly e Charles de Gaulle permaneceram abertos. Ainda assim, companhias aéreas deverão cancelar parte dos voos nesta quarta-feira devido à previsão de nova nevasca, informou o ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot.  
Montagem com a neve em Amsterdã
Reprodução/Redes sociais/X
Já no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, nos Países Baixos, as operações foram totalmente suspensas devido ao acúmulo de neve nas pistas, de acordo com o serviço de controle de tráfego aéreo do país. Centenas de voos foram cancelados ou desviados. 
Estradas intransitáveis em vários países 
De acordo com a Reuters, na região da Île-de-France, foi estabelecido um limite de velocidade de 80 km/h, e os engarrafamentos atingiram aproximadamente 1.000 quilômetros. A RATP suspendeu várias linhas de ônibus, mas os metrôs e trens suburbanos continuaram em operação. 
A Espanha também sofre consequências graves. Em Cádiz, na área de Campo de Gibraltar, a passagem do furacão Francis e o aumento do nível da represa de Guadarranque resultaram na evacuação de 271 famílias. Em Cuenca, a neve levou ao fechamento de aproximadamente dez ruas. 
Na Áustria, o serviço meteorológico GeoSphere Austria emitiu alertas para o oeste e o sul do país, onde os termômetros chegaram a -26 °C na Alta Áustria e devem permanecer abaixo de -20 °C nos próximos dias.  
A onda de frio também atinge o leste europeu. Na Hungria, estradas e ferrovias seguem intransitáveis pelo segundo dia consecutivo, especialmente no nordeste do país, ampliando os impactos do inverno rigoroso sobre a mobilidade e os serviços essenciais.  
A Sérvia emitiu avisos de neve e chuva congelante, o que resultou em atrasos no aeroporto de Belgrado. Na Bósnia e Herzegovina, tempestades de neve deixaram até 40 centímetros de acúmulo em Sarajevo e provocaram o cancelamento de voos. E Montenegro está enfrentando chuvas fortes e ventos intensos, de acordo com autoridades locais. 
As previsões apontam que a frente fria seguirá causando transtornos nos transportes e riscos à população em grande parte da Europa nos dias seguintes, mantendo as equipes de emergência e autoridades em alerta.
Pelo menos 27 manifestantes, incluindo cinco menores de idade, morreram desde o início dos protestos no Irã, no final de dezembro, segundo um balanço divulgado nesta terça-feira pela ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. A IHR acusa as forças de segurança de terem matado pelo menos seis pessoas em um único incidente no sábado, quando abriram fogo contra manifestantes no distrito de Malekshahi, na província de Ilam, no oeste do país.
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“Pelo menos 27 manifestantes morreram por disparos ou outras formas de violência perpetradas pelas forças de segurança em oito províncias”, escreveu a organização em seu site após dez dias de protestos, acrescentando que mais de mil pessoas foram presas.
A organização relata que, no domingo, as forças de segurança invadiram um hospital em Ilam para onde manifestantes feridos de Malekshahi haviam sido levados e prenderam várias pessoas.
Em todo o país, os protestos se espalharam por pelo menos 26 das 31 províncias do Irã, com manifestações de estudantes em mais de 20 universidades, segundo a IHR. De acordo com comunicados oficiais divulgados pela mídia iraniana, pelo menos 12 pessoas morreram desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança.
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“A República Islâmica tem um histórico documentado de repressão sangrenta e assassinatos em massa de manifestantes em levantes anteriores”, disse Mahmod Amiry Moghadam, diretor da IHR.
A ONG já confirmou mais de 550 mortes durante a repressão ao movimento de protesto de 2022-2023 no Irã.
“Considerando que o regime está agora mais instável do que nunca e teme seriamente por sua sobrevivência, há grande preocupação de que a escala da repressão desta vez possa ser ainda mais violenta e generalizada do que antes”, acrescentou.
Irã vive grave crise política e financeira
Divulgação
O movimento de protesto, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro, em Teerã, e desde então se espalhou para o restante do país, com reivindicações políticas. Os protestos atingem ou já atingiram, em diferentes graus, ao menos 45 cidades, principalmente pequenas e médias, localizadas sobretudo no oeste do país, de acordo com a AFP, levando em consideração comunicados oficiais e informações vindas da imprensa.
A agência de notícias Fars escreveu nesta segunda-feira que “a tendência observada na noite de domingo é uma diminuição significativa do número de concentrações e de sua extensão geográfica em relação às noites anteriores”.
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A imprensa iraniana informou, nos últimos dias, sobre atos de violência e danos materiais, registrados principalmente no oeste do país, a várias centenas de quilômetros de Teerã. Ao menos 12 pessoas morreram desde 30 de dezembro em confrontos, incluindo integrantes das forças de segurança, segundo um balanço baseado em comunicados oficiais.
Os incidentes não são noticiados de forma detalhada, o que dificulta a avaliação dos fatos. Vídeos das mobilizações circulam nas redes sociais, mas nem todos conseguem ser verificados. E a moeda nacional, o rial, perdeu mais de um terço de seu valor em relação ao dólar em um ano, e uma inflação de dois dígitos vem enfraquecendo há anos o poder de compra da população iraniana.
O governo de Cuba divulgou nesta terça-feira os nomes de 32 militares cubanos mortos nos ataques dos Estados Unidos em Caracas, operação que culminou na captura do então líder venezuelano, Nicolás Maduro. A informação foi confirmada um dia após autoridades da Venezuela anunciarem a morte de 23 militares, cujos corpos teriam sido localizados após os bombardeios americanos.
No domingo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que a equipe de segurança de Maduro foi assassinada “a sangue frio” pelas tropas americanas, que bombardearam a capital e três outros estados do país.
A mídia oficial da ilha publicou uma lista dos militares cubanos mortos: 21 pertencentes ao Ministério do Interior, incluindo três oficiais de alta patente (dois coronéis e um tenente-coronel). Os 11 soldados restantes eram membros das Forças Armadas Revolucionárias, em sua maioria.
Do lado venezuelano, o Exército publicou obituários em sua conta do Instagram na segunda-feira para 23 militares, incluindo almirantes, 16 sargentos de diversas patentes e dois soldados.
Pelo menos cinco pessoas morreram nesta terça-feira (6) em confrontos entre as forças governamentais e curdas na cidade de Aleppo, no norte da Síria. Ambos os lados se acusam mutuamente de iniciar os combates.
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Os avanços para implementar um acordo alcançado em março para integrar a administração semiautônoma curda e suas forças militares ao novo governo islamista da Síria estão estagnados.
As tensões que surgiram desde então ocasionalmente resultam em confrontos, particularmente em Aleppo, que possui dois bairros de maioria curda.
A agência de notícias estatal Sana informou que as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, “atacaram a área próxima à rotatória de Shihan, matando um membro do Ministério da Defesa”.
Mais tarde, a agência noticiou que “três civis, incluindo duas mulheres, morreram em um bombardeio das FDS contra prédios residenciais no bairro de Al Midan, em Aleppo”.
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Em um comunicado divulgado antes das reportagens da mídia estatal, as FDS alegaram que grupos ligados ao governo “atacaram o bairro de Sheikh Maqsud com um drone de reconhecimento, matando um morador e ferindo outros dois”.
Os bairros de maioria curda de Sheikh Maqsud e Ashrafiyeh, em Aleppo, permanecem sob o controle de unidades curdas ligadas às FDS, apesar de os combatentes curdos terem concordado em se retirar dessas áreas em abril.
Enquanto isso, as FDS acusaram facções afiliadas ao Exército sírio de atacarem a localidade de Deir Hafer, cerca de 50 quilômetros ao leste de Aleppo e próxima à estratégica represa de Tishreen, a nordeste da cidade.
A força liderada pelos curdos reafirmou seu direito de “responder legitimamente a esses ataques”.
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou em uma alegação duvidosa sobre o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que o governo Trump promoveu no ano passado ao preparar o terreno para removê-lo do poder: acusá-lo de liderar um cartel de drogas chamado Cartel de los Soles. Isso remonta a uma acusação do grande júri de 2020 contra o líder chavista, redigida pelo próprio Departamento de Justiça. Em julho de 2025, copiando a linguagem da acusação, o Departamento do Tesouro designou o Cartel de los Soles como uma organização terrorista. Em novembro, Marco Rubio, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional do presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que o Departamento de Estado fizesse o mesmo.
Antes: EUA classificam Cartel de los Soles como grupo terrorista; medida deve ampliar pressão militar e econômica sobre Maduro
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Mas especialistas em questões relacionadas ao crime e às drogas na América Latina afirmaram que, na verdade, trata-se de uma gíria inventada pela mídia venezuelana na década de 1990 para se referir a autoridades corrompidas pelo dinheiro do tráfico de drogas. E no sábado, após o governo capturar Maduro, o Departamento de Justiça divulgou uma acusação reescrita que parecia admitir tacitamente esse ponto.
Os promotores ainda acusaram Maduro de participar de uma conspiração de tráfico de drogas, mas abandonaram a alegação de que o Cartel de los Soles era uma organização real. Em vez disso, a acusação revisada afirma que se refere a um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” alimentada pelo dinheiro do tráfico de drogas.
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Enquanto a antiga acusação faz 32 referências ao Cartel de los Soles e descreve Maduro como seu líder, a nova menção faz duas vezes e afirma que ele, assim como seu antecessor, o presidente Hugo Chávez, participou, perpetuou e protegeu esse sistema de clientelismo.
Os lucros do tráfico de drogas e a proteção dos parceiros do tráfico de drogas “fluem para funcionários civis, militares e de inteligência corruptos, que operam em um sistema de clientelismo dirigido por aqueles no topo — conhecido como Cartel de los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes dos oficiais militares venezuelanos de alto escalão”, afirma a nova acusação.
Entenda: Mesmo classificado pelos EUA como grupo terrorista chefiado por Maduro, Cartel de los Soles não existe como organização real, dizem especialistas
A retirada coloca em questão a legitimidade da designação do Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira pelo governo Trump no ano passado. Os porta-vozes da Casa Branca e dos Departamentos de Justiça, Estado e Tesouro não responderam aos pedidos de comentários.
Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group, disse que a descrição do Cartel de los Soles na nova acusação é “exatamente fiel à realidade”, ao contrário da versão de 2020.
— Acho que a nova acusação está correta, mas as designações ainda estão longe da realidade — disse ela. — As designações não precisam ser comprovadas em tribunal, e essa é a diferença. Claramente, eles sabiam que não poderiam provar isso em tribunal.
Ainda assim, Rubio voltou a referir-se ao Cartel de los Soles como um cartel real numa entrevista ao programa “Meet the Press” da NBC no domingo, um dia após a divulgação da acusação revista.
“Continuaremos a reservar-nos o direito de atacar os barcos que transportam drogas para os Estados Unidos e que são operados por organizações criminosas transnacionais, incluindo o Cartel de los Soles”, afirmou. “É claro que o líder desse cartel está agora sob custódia dos EUA e enfrentando a justiça americana no Distrito Sul de Nova York. E esse líder é Nicolás Maduro.”
A Avaliação Nacional de Ameaças às Drogas, realizada anualmente pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), que detalha as principais organizações de tráfico, nunca mencionou o Cartel de los Soles. O mesmo ocorre com o Relatório Mundial sobre Drogas, publicado anualmente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.
Mas a acusação de 2020, que apresentou uma longa narrativa sobre uma conspiração que durou anos, retratou o Cartel de los Soles como uma organização de tráfico de drogas, liderada por Maduro. Ela afirmou que o grupo tomou medidas como fornecer armas às FARC, um grupo rebelde marxista na Colômbia que financiou suas atividades militantes com o tráfico de drogas, e tentar “inundar” os Estados Unidos com cocaína “como arma”.
A elaboração da acusação de 2020 foi supervisionada por Emil Bove III, então promotor da unidade de terrorismo e narcóticos internacionais em Nova York. Bove dirigiu o Departamento de Justiça nos primeiros meses do segundo mandato de Trump e teve um mandato turbulento, que incluiu a demissão de dezenas de funcionários e a ordem de arquivamento das acusações de suborno contra Eric Adams, então prefeito de Nova York. Trump posteriormente nomeou Bove para um cargo vitalício em um tribunal federal de apelações.
Embora os especialistas em questões relacionadas ao crime e às drogas na América Latina tenham elogiado a correção sobre o Cartel de los Soles, alguns também criticaram outros aspectos da acusação revisada.
Por exemplo, a acusação acrescentou como réu — e suposto co-conspirador do Sr. Maduro — o chefe de uma gangue prisional venezuelana chamada Tren de Aragua. A conexão descrita na acusação é fraca: ela diz apenas que o líder da gangue, em telefonemas em 2019 com alguém que ele pensava ser um funcionário venezuelano, ofereceu serviços de escolta para proteger carregamentos de drogas que passavam pela Venezuela.
No ano passado, Trump declarou que Maduro estava dirigindo as atividades do Tren de Aragua, embora a comunidade de inteligência dos EUA acredite que o oposto seja verdadeiro.
Jeremy McDermott, cofundador do InSight Crime, um think tank sobre crime e segurança na América Latina, disse que a inclusão do líder do Tren de Aragua como co-conspirador acusado com Maduro em uma conspiração de tráfico de drogas “reflete a retórica do presidente Trump”, mas é enganosa. Ele apontou para a análise do seu think tank sobre o Tren de Aragua, que afirma que a gangue não tem propriedade sobre grandes carregamentos de cocaína.
Trabalhar como jornalista hoje na Venezuela significa trabalhar num cenário de guerra. A afirmação é da jornalista Patricia Rodríguez, diretora do veículo digital Notícias Ya, e membro da Associação de Imprensa Estrangeira no país. Um dia após a detenção de 14 jornalistas que tentaram cobrir a posse da presidente interina Delcy Rodríguez, na Assembleia Nacional na segunda-feira, o clima dentro do país está se tornando cada vez mais adverso para jornalistas venezuelanos e estrangeiros.
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— Trabalhar na Venezuela implica altíssimo risco. É um cenário de guerra — frisou a jornalista, que confirmou a deportação de pelo menos um jornalista estrangeiro na segunda-feira. — Ele estava entre os que tentaram cobrir a posse de Delcy, foi detido e depois deportado. Tem cidadania italiana.
O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, na sigla em espanhol) denunciou a detenção dos 14 jornalistas e informou que 13 deles trabalham em agências e meios internacionais. Na noite da mesma segunda-feira, 13 dos 14 detidos foram liberados, após terem seus celulares e equipamentos revistados. Durante o procedimento, informou o sindicato, foram rastejadas comunicações dos jornalistas e mensagens escritas por eles em suas redes sociais.
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O SNTP também reportou a detenção de outros dois correspondentes internacionais na fronteira com a Colômbia, que também foram libertados após horas incomunicáveis, resultando em um total de 16 prisões.
A imprensa foi submetida a uma “revisão de equipamentos, desbloqueio de celulares, rastreamento de ligações e mensagens em plataformas de comunicação e redes sociais”, acrescentou o SNTP em nota.
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Mais de 400 veículos de comunicação, ainda de acordo com o SNTP, fecharam nos últimos 20 anos sob os governos de Maduro e de seu antecessor Hugo Chávez.
A ação no Parlamento coincidiu com uma manifestação chavista para exigir a libertação do líder chavista Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram capturados em uma megaoperação dos Estados Unidos no último sábado. Agora, eles enfrentam acusações de narcotráfico e terrorismo em Nova York.
A presença policial e militar aumentou durante a sessão no Parlamento, que terminou à noite com o registro de disparos perto do palácio presidencial, o Miraflores. As autoridades explicaram que dispararam contra um drone que sobrevoava sem autorização.
(Com AFP)
O representante permanente do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador Benoni Belli, classificou como inaceitáveis os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a detenção do presidente Nicolás Maduro. Em reunião do Conselho Permanente do organismo, nesta terça-feira, ele reforçou a posição brasileira, que considera que o ataque à Venezuela “ultrapassa uma linha inaceitável”.
Belli destacou que o ato constitui uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. Segundo ele, trata-se de um precedente extremamente perigoso, que ameaça a ordem internacional e enfraquece o multilateralismo ao substituir o direito pela força.
— Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios — disse, ao advertir que esse raciocínio abre espaço para que os mais fortes imponham sua vontade aos mais fracos, em detrimento da autodeterminação dos povos.
Em sua intervenção, Belli afirmou que a Carta das Nações Unidas e as obrigações hemisféricas foram claramente violadas e lembrou resolução recente da Comissão Jurídica Interamericana que reafirma a proibição do uso da força nas relações internacionais, salvo em casos estritamente previstos pela Carta da ONU.
Para o diplomata, a ação contra a Venezuela — os bombardeios foram seguidos da captura do então presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores — remete aos piores momentos de interferência externa na América Latina. Disse que o contraria o compromisso regional com a paz.
— Se perdermos o edifício multilateral, perderemos não só a independência, mas também a dignidade nacional — afirmou, ao sustentar que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos e livre de ingerências externas, pode levar a uma solução que respeite a vontade popular e a dignidade humana no país.
Libertação se presos políticos
JÁ o representante permanente dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto,  abriu sua intervenção exigindo a libertação imediata de cerca de mil presos políticos na Venezuela. Ele afirmou que esse é um passo indispensável para qualquer avanço democrático no país.
Segundo o embaixador, Washington está “exigindo a liberação imediata dos presos políticos” e apoia o pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para realizar uma visita aos centros de detenção, além de defender que a OEA ofereça apoio técnico ao povo venezuelano no campo eleitoral.
Em sua fala, Rizzuto negou que tenha havido uma invasão americana e sustentou que a operação teve caráter limitado e direcionado.
— Os Estados Unidos não invadiram a Venezuela. Essa foi uma ação bem direcionada para retirar um campo conspirador a fim de que pudesse enfrentar a justiça nos Estados Unidos.
Ele disse que Nicolás Maduro — que será julgado nos EUA por tráfico de drogas e outros crimes — teria recebido diversas oportunidades que recusou. Para o diplomata, a ação não configurou interferência na democracia venezuelana, mas sim a remoção de um obstáculo a ela, ao argumentar que Maduro “não representa a ordem democrática” e que sua atuação estaria associada a crimes como corrupção, tráfico de narcóticos e outras atividades ilícitas com impacto em toda a região.
Divisão regional
Como esperado, a reunião da OE|A
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela na madrugada do último sábado deixou instalações militares em Caracas com graves danos materiais, além de ter provocado a morte de ao menos 32 pessoas, em sua grande maioria agentes de segurança cubanos. O GLOBO teve acesso através de fontes que se comunicam com militares ativos venezuelanos a fotos que mostram a destruição dentro da base militar de La Carlota e no Forte Tiuna, espécie de Pentágono venezuelano, onde, segundo confirmou o jornal The Washington Post, foram capturados o presidente Nicolás Maduro e a primeira dama, Cilia Flores.
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As imagens mostram a dimensão de um ataque que foi condenado por vários países, entre eles o Brasil, em reunião realizada na segunda-feira no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Carros e caminhões queimados, caminhonetes com buracos de bala, corpos no chão, em alguns casos cobertos com lençóis, prédios destruídos.

A ação militar americana foi rápida e eficiente. Houve resistência do lado venezuelano, como também confirmam as fotos, mas ela foi incapaz de impedir a captura de Maduro e Flores, assim como de proteger um dos principais fortes militares do país.
Parte das imagens também mostra os danos em La Carlota, principal base da Força Aérea venezuelana em Caracas. O ataque a La Carlota foi um dos primeiros em ser confirmado na madrugada de sábado. O objetivo dos EUA, segundo fontes, foi impedir que aviões venezuelanos — em sua maioria comprados da Rússia — usassem a pista de La Carlota, localizada numa região central da capital venezuelana.
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Nas últimas horas, há rumores em Caracas de que a presidente interina, Delcy Rodríguez, poderia fazer mudanças na cúpula militar. Uma das razões seria justamente o absoluto fracasso da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) na madrugada de sábado. Existe dúvidas sobre o futuro do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, já que ele é uma figura central do regime chavista, conhecido por sua lealdade incondicional.
Em 2019, setores da oposição tentaram convencer Padrino a derrubar o governo Maduro, chegando a oferecer, confirmaram fontes opositoras, até mesmo o comando de um período de transição. Padrino recusou, depois de ter conversado e enrolado opositores e americanos.

Para a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, não restam dúvidas, um ataque dos Estados Unidos a um país da Otan(a Organização do Tratado do Atlântico Norte) seria o fim da aliança militar. O posicionamento da dinamarquesa surge na esteira de uma nova leva de ameaças por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexação da Groenlândia, alegando ser um território vital para a segurança americana. Conhecida como “tesouro do Ártico” por suas riquezas naturais e posição geoestratégica, a maior ilha do mundo tem um governo autônomo, mas faz parte do Reino da Dinamarca, que, assim como os EUA, é sócio-fundador da aliança militar ocidental baseada nos princípios de defesa coletiva e assistência mútua.
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O flerte expansionista de Trump, com isso, seja ele real ou bravata, esbarra mais uma vez em algo maior e mais complexo: a Otan. Fundada em 1949, a organização conta hoje com 32 membros, que desde a Segunda Guerra Mundial nunca se enfrentaram militarmente — em 2020, Grécia e Turquia tiveram uma tensa disputa de fronteira, mas a questão foi resolvida no âmbito diplomático. A postura de Trump traz um cenário inédito para o grupo transatlântico.
O Artigo 5 da Otan determina que um ataque contra um de seus integrantes deve ser considerado uma ofensiva contra toda a aliança, o que pressupõe uma reação conjunta. O dispositivo não faz referência direta a situações nas quais a agressão parte de um próprio membro, nem estabelece distinção clara entre ameaças internas e externas. Na prática, o tratado não inclui uma previsão específica para conflitos entre aliados, deixando esse cenário aberto a leituras e interpretações.
“Como o próprio Tratado não tem disposições explícitas sobre como gerir uma guerra entre aliados da Otan, as consequências de tais ações não são perfeitamente claras”, diz Soner Korucu, professor do departamento de Direito da Universidade de Groningen, na Holanda, em artigo. “Entretanto, o Tratado dá diretrizes que poderiam fornecer uma resposta potencial, porém discutível.”
A aliança militar transatlântica
Editoria de Arte
De acordo com Korucu, um ataque de um país da Otan contra outro, em tese, poderia levar à ativação do Artigo 5. No entanto, os desdobramentos dependeriam de qual Estado fosse reconhecido como o “agressor”, isto é, o responsável por iniciar o confronto. Ele ressalta que, na prática, identificar quem deu início às hostilidades nem sempre é simples para os próprios envolvidos no embate.
França e Alemanha, também membros-fundadores da Otan, alertaram Trump contra o que classificaram como ameaças “às fronteiras soberanas” da Groenlândia, após as declarações do líder americano provocarem “incompreensão” dentro da União Europeia. A Rússia, por sua vez, afirmou estar “acompanhando de perto” as reivindicações relativas ao território dinamarquês no Ártico.
França e Alemanha, que também são sócios-fundadores da Otan, advertiram Trump contra as ameaças “às fronteiras soberanas” da Groenlândia depois que as declarações do líder americano há um ano desataram “incompreensão” na União Europeia. A própria Rússia declarou “seguir de perto” as reivindicações sobre o território dinamarquês no Ártico
Especialistas destacaram, à época, a possível intenção de Trump de desequilibrar a Dinamarca e a Groenlândia visando algum tipo de negociação sob pressão. Estima-se que a região do Ártico abrigue até 90 bilhões de barris de petróleo, 47,2 bilhões de metros cúbicos de gás natural e 44 bilhões de barris de gás natural liquefeito (GNL), segundo o Serviço Geológico dos EUA. Também é rica em terras raras, que podem ser aproveitadas na fabricação de chips de última geração, um mercado hoje dominado pela China.
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Há anos, Trump reclama da falta de investimento em defesa por parte do Canadá e dos países europeus, e durante o seu primeiro mandato ameaçou se retirar da aliança se os demais membros não aumentassem os gastos militares. Também disse durante a campanha presidencial de 2024 que não seguiria a cláusula de defesa coletiva se os sócios da aliança militar ocidental não cumprissem as metas de desembolso, afirmando que incentivaria a Rússia a fazer “o que diabos quiser” com a Ucrânia.
Ao longo da História, os Estados Unidos têm arcado com mais de 60% do orçamento da Otan. Durante muitos anos, poucos integrantes cumpriram a meta de destinar 2% do PIB à defesa — em 2014, apenas três países atingiam esse patamar. Esse quadro mudou em 2024: após dois anos de guerra na Ucrânia, 23 membros passaram a cumprir o objetivo.
Os defensores da aliança reconhecem que a Europa se beneficiou de décadas de gastos militares reduzidos, o que permitiu priorizar políticas de bem-estar social em vários países. Ao mesmo tempo, argumentam que Washington também foi favorecido pelo compartilhamento do esforço de segurança, pela queda nos custos de vigilância em meio ao mais longo período de paz do continente e pelo fortalecimento de sua posição como principal potência na Europa.
Segundo Giuseppe Spatafora, pesquisador associado do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, a política externa de Trump transforma o compromisso dos EUA com seus aliados tradicionais em uma relação essencialmente transacional. Ou seja, o apoio americano passa a depender do que o ex-presidente considera ser o interesse e a prioridade de Washington — como a agenda de reindustrialização dos EUA, que entra em choque com a concorrência chinesa.
— Isso não significa que os EUA irão necessariamente abandonar seus aliados, mas sim que, com Trump, os europeus deixam de ser essenciais e passam a ser secundários — afirmou o especialista em relações transatlânticas em entrevista ao GLOBO há um ano. — Não é uma política externa totalmente isolacionista, mas cria a sensação de que o relacionamento transatlântico tradicional, baseado em valores compartilhados e em um sentimento comum que não pode ser quebrado não existe mais.
Na visão do cientista político alemão Benedikt Franke, os países europeus avançaram muito nos últimos anos, mas ainda há um “longo e difícil” caminho a percorrer para garantirem sua própria segurança, disse ele ao GLOBO.
— Teremos eleições em vários países europeus nos próximos meses, e estamos em um momento de crescimento econômico lento. [Para criar uma força europeia] é preciso fazer escolhas, definir prioridades, que nem toda a população vai entender ou simpatizar com elas, causando mais tensão política — avalia o vice-presidente e CEO da Conferência de Segurança de Munique, realizada desde 1963. — Portanto, em teoria, [a criação de uma força europeia] é possível, mas será difícil de vender para parte da população e [é] um caminho difícil de percorrer.
Os Estados Unidos planejam interceptar ainda nesta semana um petroleiro sancionado por Washington e ligado à Venezuela que, após tentar escapar do bloqueio naval americano, passou a operar sob bandeira da Rússia — movimento que pode gerar tensão entre Washington e Moscou. Originalmente chamado de Bella 1, o petroleiro foi sancionado pelo Departamento de Tesouro dos EUA em 2024 por operar em uma “frota paralela” de navios que transportavam petróleo ilícito. A informação foi revelada pela emissora americana CBS News e confirmada pela rede CNN, que ouviu quatro fontes familiarizadas com o caso.
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Inicialmente, o navio se dirigia à Venezuela, mas retornou para evitar a apreensão pela Guarda Costeira dos EUA no mês passado, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou um “bloqueio total” a petroleiros sancionados que tentassem entrar ou sair da Venezuela, como forma de pressionar economicamente o regime do então líder venezuelano, Nicolás Maduro. Após a captura do líder chavista em uma megaoperação americana no último sábado, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington continuará a aplicar o bloqueio como “moeda de pressão” sobre o governo interino venezuelano, agora liderado por Delcy Rodríguez.
O petroleiro estava no Atlântico Norte há dois dias, navegando para nordeste próximo à costa do Reino Unido, de acordo com dados de código aberto da Kpler, uma empresa de inteligência comercial. Em determinado momento durante a perseguição, a tripulação do petroleiro pintou uma bandeira russa em seu casco e alegou estar navegando sob proteção do Kremlin. Pouco depois, a embarcação apareceu no registro oficial de navios da Rússia com um novo nome: Marinera.
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Também no mês passado, o jornal americano New York Times noticiou que a Rússia apresentou um pedido diplomático formal exigindo que os EUA parassem de perseguir o navio.
De acordo com a CBS, o plano dos EUA é apreender e afundar o Bella 1 nesta semana, em uma operação que poderia ser semelhante à realizada no dia 11 de dezembro, quando fuzileiros navais americanos e a Guarda Costeira apreenderam o Skipper, um grande petroleiro com bandeira da Guiana, depois que a embarcação deixou o porto da Venezuela.
‘Skipper’: como é o petroleiro apreendido pelos EUA na costa da Venezuela?
Divulgação / Vessel Finder
O Marinera era um navio anteriormente registrado no Panamá e foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 2024, durante o governo de Joe Biden, devido ao seu envolvimento anterior no comércio de petróleo iraniano. Agora, porém, o navio navega sob bandeira russa, o que pode complicar as delicadas negociações entre os Estados Unidos e a Rússia sobre o fim da guerra na Ucrânia.
Leia também: Trump anuncia bloqueio total a navios petroleiros da Venezuela e diz que país está ‘cercado’
Na segunda-feira, o New York Times revelou que, pelo menos, 16 petroleiros tentaram burlar o bloqueio naval dos EUA disfarçando suas localizações ou desligando seus GPS. Washington, de acordo com a CNN, também planeja interceptar outros petroleiros sancionados, além do Bella 1, que tentam escapar.
O governo Trump acusa o regime Maduro de usar diversas embarcações para transportar drogas para o norte, em direção à costa americana. Maduro, por sua vez, rejeita as alegações e acusa os Estados Unidos de saque aos recursos venezuelanos.
Caso o Bella 1 seja interceptado pelas forças americanas, será o terceiro petroleiro apreendido pelos Estados Unidos desde o início de sua campanha contra a Venezuela, no início de setembro, com uma grande mobilização militar no mar do Caribe.

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