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Ellen Roome, mãe do adolescente Jools, de 14 anos, morto em abril de 2022, juntou-se a outras três famílias britânicas em um processo histórico contra o TikTok nos Estados Unidos. Ela afirma suspeitar que o filho tenha morrido ao tentar reproduzir um chamado “desafio do apagão”, visto na plataforma. O caso será analisado nesta semana por um tribunal de Delaware e pode obrigar a empresa a entregar dados da conta do jovem antes de sua morte.
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Segundo informações exclusivasdo tabloide britânico The Sun, Ellen, de 49 anos, é a primeira britânica a processar formalmente uma empresa de redes sociais pela morte de um filho. O TikTok, avaliado em bilhões de dólares, teria se recusado a fornecer os dados do perfil de Jools e de outras crianças envolvidas em casos semelhantes, alegando políticas de proteção de dados.
Pressão judicial e política
Além da ação nos EUA, a mãe conseguiu que a polícia de Gloucestershire, no Sudoeste da Inglaterra, reabrisse a investigação sobre a morte do filho, após a apresentação de novas informações. Parlamentares de diferentes partidos também passaram a apoiar a criação da chamada Lei de Jools, que obrigaria empresas de tecnologia a preservar e fornecer dados digitais quando um menor morre em circunstâncias suspeitas.
Em entrevista ao The Sun, Ellen disse que o objetivo sempre foi esclarecer os fatos. Ela também relatou as últimas palavras do filho — “eu te amo” — poucas horas antes de encontrá-lo sem vida em seu quarto. De acordo com a família, Jools não apresentava histórico de depressão ou automutilação.
O processo coletivo reúne ainda pais de outras três crianças britânicas que morreram após suposto contato com conteúdos perigosos em redes sociais. O advogado das famílias, Matthew P. Bergman, do Social Media Victims Law Center, sustenta que as plataformas devem ser responsabilizadas não apenas pelo conteúdo publicado, mas pelos algoritmos que o impulsionam até crianças.
Debate sobre regulação e resposta do TikTok
O caso ganhou força em meio a discussões políticas no Reino Unido sobre restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, nos moldes do que já ocorre na Austrália. A baronesa Beeban Kidron apresentou uma emenda no Parlamento para incorporar a Lei de Jools à legislação em tramitação, garantindo a preservação automática de dados digitais em casos de morte infantil.
Procurado, o TikTok afirmou, em nota, que lamenta profundamente as mortes e que proíbe conteúdos que incentivem comportamentos perigosos. A empresa declarou remover a maioria das violações antes mesmo de denúncias, cumprir as leis de proteção de dados do Reino Unido e manter ferramentas de segurança específicas para adolescentes.
Para Ellen, porém, as medidas são insuficientes. Ela defende verificações rigorosas de idade e maior atuação do regulador britânico, a Ofcom. “Se fosse qualquer outro produto perigoso, ele seria retirado de circulação até se tornar seguro”, afirmou ao The Sun. Enquanto a batalha judicial avança nos EUA, a mãe diz esperar que o caso ajude outras famílias a não enfrentarem as mesmas barreiras na busca por respostas.
Dois homens foram encontrados desorientados, nesta quinta-feira, em um veleiro que navegava pelo Rio da Prata, na altura de Buenos Aires, na Argentina, e precisaram ser resgatados. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, eles permaneceram por várias horas à deriva até que pessoas que circulavam pela região perceberam a situação e acionaram o socorro. A principal suspeita é de que os desmaios tenham sido provocados pela intensa onda de calor que atinge a capital argentina e parte da região metropolitana.
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De acordo com a emissora TN, outras embarcações que passavam pelo local se aproximaram ao notar que o veleiro estava parado, sem qualquer movimento. Na sequência, equipes do Sistema de Atendimento Médico de Emergências (Same) foram acionadas. Os dois homens receberam atendimento ainda no local e não precisaram ser levados a um hospital.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o veleiro imóvel no meio do rio e o momento em que outras pessoas se aproximam para prestar ajuda e solicitar assistência médica.
O jornal Crónica informou que a embarcação teria ficado à deriva por um período prolongado e que podem ter se passado cerca de 20 horas entre o momento em que os navegadores desmaiaram e a chegada do socorro.
O episódio ocorreu em meio à forte onda de calor que afeta a Área Metropolitana de Buenos Aires (Amba). O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu alertas laranja e amarelo para altas temperaturas e advertiu para um impacto “moderado a alto na saúde”. Segundo o órgão, os termômetros chegaram a superar os 33 °C.
Além das temperaturas elevadas, a situação foi agravada por um apagão de grandes proporções que atingiu ao menos 4 milhões de pessoas em diferentes áreas da capital e da região metropolitana. A falta de energia afetou principalmente os bairros de Palermo, Recoleta, Villa Urquiza, Belgrano e Núñez, além de provocar interrupções em alguns ramais de trens e linhas do metrô.
Uma ex-freira foi condenada a 15 meses de prisão por uma série de abusos contra crianças vulneráveis em lares de acolhimento administrados pela ordem católica das Irmãs de Nazaré, na Escócia. Carol Buirds, de 75 anos, foi considerada culpada por agressões e por submeter menores a tratamento cruel e degradante.
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De acordo com o jornal inglês em matéria publicada nesta quinta-feira, os crimes ocorreram entre setembro de 1975 e maio de 1981 em unidades da Nazareth House em Lasswade, em Midlothian, e em Kilmarnock, em Ayrshire, além de um local não identificado em Dunbar, East Lothian. À época, Buirds era conhecida como Irmã Carmel Rose.
Segundo o processo, a ex-freira agrediu crianças com chutes e socos, usou objetos para punições físicas e submeteu vítimas a castigos humilhantes. Em um dos episódios, uma criança foi mantida trancada em um porão escuro sem acesso a comida ou água. Relatos apontam ainda que uma das vítimas ficou sem falar por cerca de cinco anos e outra precisou de hospitalização prolongada em razão do trauma.
Buirds, residente em Wallsend, no nordeste da Inglaterra, foi condenada após um julgamento de cinco semanas no Tribunal do Xerife de Edimburgo, concluído em novembro do ano passado. Na leitura da sentença, o xerife Iain Nicol afirmou que “não havia outra punição apropriada além da prisão” diante da gravidade dos fatos.
No mesmo processo, a co-ré Eileen McElhinney, de 78 anos, conhecida como Irmã Mary Eileen, foi considerada culpada por agressões e por tratamento cruel cometidos na Nazareth House de Lasswade entre 1972 e 1975. Ela recebeu pena alternativa, com 240 horas de trabalho comunitário não remunerado e uma ordem de restrição de movimento que a obriga a permanecer em casa entre 16h e meia-noite por nove meses.
Duas bombas alemãs da Segunda Guerra Mundial encontradas em Plymouth e Exmouth, no condado de Devon, no sul da Inglaterra, levaram as autoridades a declarar um incidente grave nesta quinta-feira (15). A operação de segurança resultou na evacuação de milhares de pessoas, no fechamento de escolas e hotéis e na detonação controlada dos artefatos no mar.
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Em Plymouth, uma bomba não detonada de 50 quilos foi localizada em um canteiro de obras na manhã desta quarta-feira (14). A polícia estabeleceu inicialmente um cordão de isolamento de 100 metros, ampliado depois para 400 metros, o que levou à evacuação de uma escola, um hotel e de cerca de 800 moradores. O artefato, identificado como um modelo SC50 usado pela Luftwaffe, foi removido por equipes da Marinha Real e levado até a marina de King Point.
Operações durante a madrugada
A bomba foi colocada em uma plataforma flutuante e detonada no mar pouco antes das 3h (horário local), segundo confirmou o conselho municipal. Após a explosão controlada, os moradores puderam retornar às suas casas, embora a escola próxima tenha permanecido fechada.
No mesmo dia, uma bomba descrita como “de grandes dimensões” foi encontrada na marina de Exmouth. Cerca de 5.000 pessoas foram inicialmente evacuadas, número que aumentou após a ampliação do perímetro de segurança para 600 metros. Depois de analisado com equipamento de raios X, o artefato foi transportado até a costa e levado ao mar durante a maré alta.
A bomba foi posicionada no fundo do oceano por volta das 5h e detonada às 8h (horário local). Em comunicado, a polícia de Devon e Cornwall informou que a decisão pelo transporte marítimo foi considerada a alternativa mais segura e de menor impacto para a população.
Incidentes semelhantes têm sido registrados na região. Em 2024, uma bomba de 500 quilos da Segunda Guerra Mundial encontrada no jardim de uma residência em Plymouth provocou a maior evacuação na cidade desde o fim do conflito, antes de também ser levada ao mar e detonada.
Um casal de Minneapolis acusou agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) de usar gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra eles e seus seis filhos — o mais novo com apenas 6 meses — durante um protesto na noite de quarta-feira, no norte da cidade.
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Shawn Jackson e a esposa, Destiny, ambos de 26 anos, relataram que voltavam para casa após um jogo de basquete do filho quando acabaram presos em um confronto entre manifestantes e agentes federais em Minneapolis. Ao perceberem a tensão crescente, tentaram manobrar o carro para sair da área, mas foram cercados.
— De lado, de frente e de trás, só via agentes do ICE — disse Shawn Jackson, em entrevista nesta quinta-feira.
Segundo o casal, um agente ordenou que deixassem o local. Eles responderam que tentavam sair, mas a via estava bloqueada pelos próprios agentes. Pouco depois, afirmam, dispositivos de controle de distúrbios foram lançados contra a multidão.
Destiny Jackson contou que granadas explodiram ao redor do veículo e que uma lata de gás lacrimogêneo foi parar sob o carro. Uma explosão sacudiu o SUV, acionou os airbags e prendeu a família dentro do veículo, enquanto a fumaça se espalhava.
— Sentíamos que nossos pulmões estavam queimando — disse Shawn, afirmando que dois dos filhos sofrem de asma grave.
O casal relatou que só conseguiu retirar as crianças — com idades entre 6 meses e 11 anos — depois que Shawn forçou a abertura de uma das portas. Desorientada e com dificuldade para respirar, Destiny disse ter retirado o máximo de filhos possível, enquanto testemunhas ajudavam a família a se abrigar em uma casa próxima. O bebê de 6 meses, segundo ela, ficou brevemente preso à cadeirinha.
— Meu bebê estava completamente inconsciente, não respirava — afirmou Destiny. Ela disse ter recebido orientações por telefone para realizar manobras de primeiros socorros, enquanto pessoas no local tentavam aliviar os efeitos do gás nas outras crianças.
Após o bebê recobrar a consciência, equipes de emergência levaram o casal e três crianças ao hospital. A família voltou para casa no dia seguinte. Shawn Jackson afirmou não saber o que motivou o uso de munições contra o carro.
A comunidade de Beauregard, no estado do Alabama, nos Estados Unidos, ficou abalada após a descoberta de um grave caso de crueldade contra animais. A polícia do Condado de Lee encontrou 29 cães mortos, colocados em sacos plásticos e empilhados no quintal de uma residência, além de outros 24 animais vivos em estado crítico dentro do imóvel.
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Segundo informações da WTVM e da revista People, a investigação teve início nesta segunda-feira (12), por volta das 10h45 (horário local), após um vizinho denunciar possível abuso de animais em uma casa, de acordo com o Gabinete do Xerife do Condado de Lee. Ao chegar ao local, os agentes se depararam com os corpos de cães — entre filhotes e adultos — descartados de forma irregular no terreno.
Animais resgatados em estado crítico
No interior da residência, os policiais encontraram 24 cães vivos, visivelmente desnutridos, cobertos de fezes e em condições consideradas alarmantes. O Controle de Animais do Condado assumiu imediatamente a custódia dos sobreviventes, que foram encaminhados para atendimento veterinário. O Centro de Saúde Animal de Opelika confirmou à People que os animais chegaram gravemente debilitados, mas seguem em recuperação sob cuidados especializados.
Três moradores da casa foram presos: Curtis Dewayne Haralson, de 63 anos; Patricia Ann Sims, de 54; e Tiffany Ann Sims, de 27, conforme comunicado do Gabinete de Investigações do xerife. Segundo o xerife Jay Jones, em declarações à People e à WTVM, os detidos respondem a 111 acusações, incluindo oito por crueldade agravada contra animais e 29 por não sepultamento adequado de restos mortais. Cada um permanece preso na Cadeia do Condado de Lee, com fiança estipulada em US$ 48.700.
A legislação do Alabama determina que restos mortais de animais sejam enterrados ou cremados em até 24 horas após a morte, a uma profundidade mínima de 60 centímetros. A crueldade agravada contra animais é classificada como crime grave, enquanto o descumprimento das normas de sepultamento configura contravenção, segundo autoridades locais e a revista People. As penas podem incluir prisão e multas.
De acordo com o xerife, a residência já havia sido alvo de denúncias semelhantes em 2017, 2019 e 2021, mas nenhuma acusação foi formalizada à época. Desta vez, porém, a dimensão e a gravidade do caso levaram as autoridades a classificá-lo como um dos episódios mais chocantes de abuso animal já enfrentados no Condado de Lee.
Atualmente, o Centro de Saúde Animal de Opelika acompanha a recuperação dos 24 cães resgatados. Segundo o canal local CNAW 2, os animais têm idades que variam de cerca de dez semanas a mais de oito anos. Eles estão disponíveis para adoção, e organizações de proteção animal já manifestaram interesse em colaborar para garantir novos lares aos sobreviventes, conforme informado à People e à WTVM.
Familiares de pessoas mortas durante os protestos no Irã denunciaram que autoridades estatais e forças de segurança estariam condicionando a liberação dos corpos ao pagamento de altas quantias em dinheiro. Os relatos, obtidos principalmente pela BBC Persian, apontam para uma prática disseminada em diferentes regiões do país, em meio a uma repressão marcada por uso de força letal e severas restrições à circulação de informações.
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Segundo múltiplas fontes dentro e fora do Irã, corpos de manifestantes mortos estariam sendo mantidos em hospitais e necrotérios sob controle das forças de segurança, que se recusariam a entregá-los às famílias sem o pagamento exigido. O padrão descrito foi observado em diversas cidades, sugerindo que os casos não seriam isolados.
Ao longo de mais de duas semanas de protestos, pelo menos 2.435 pessoas teriam sido mortas em todo o país. Em Rasht, no norte do Irã, uma família afirmou que agentes de segurança exigiram 700 milhões de tomans para liberar o corpo de um parente. De acordo com o relato, o cadáver estava no necrotério do Hospital Poursina, ao lado de dezenas de outros manifestantes mortos.
Em Teerã, outro caso envolveu a família de um trabalhador curdo da construção civil contratado sazonalmente. Ao tentar recuperar o corpo, os parentes teriam sido informados de que precisariam pagar um bilhão de tomans. Sem condições financeiras para arcar com o valor, a família deixou o hospital sem o corpo do filho.
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Há também relatos de que funcionários de hospitais, em alguns casos, tentaram ajudar as famílias. Segundo as denúncias, eles teriam avisado parentes com antecedência para que buscassem os corpos antes da chegada das forças de segurança, evitando a cobrança. Um desses episódios envolveu uma mulher que só soube da morte do marido após receber uma ligação no telefone dele, feita por funcionários do hospital em 9 de janeiro. Eles a alertaram para que fosse rapidamente buscar o corpo.
Acompanhada dos dois filhos, a mulher levou o corpo do marido na carroceria de uma caminhonete e dirigiu por sete horas até a cidade natal da família para realizar o enterro.
— Eu viajei na parte de trás da caminhonete, chorando sobre o corpo dele por sete horas, enquanto meus filhos estavam sentados no banco da frente — contou ela a um parente em Londres, que contatou a BBC.
Coação
Outra prática denunciada teria ocorrido no Behesht-e Zahra, um dos principais necrotérios de Teerã. Segundo familiares, funcionários informaram que os corpos poderiam ser liberados sem cobrança caso aceitassem declarar oficialmente que seus filhos eram membros da força paramilitar Basij e que teriam sido mortos por manifestantes. Um parente descreveu a tentativa de coação em mensagem enviada à BBC:
— Fomos convidados a participar de um ato pró-governo e a retratar o corpo como o de um mártir. Não concordamos com isso — contou.
Diante do temor de que os corpos fossem retidos ou enterrados sem o conhecimento das famílias, houve episódios de desespero. Em um caso relatado em Teerã, várias famílias teriam invadido um necrotério para retirar os cadáveres. Uma fonte descreveu a cena:
— Várias famílias, temendo que as autoridades mantivessem os corpos ou os enterrassem sem o conhecimento delas, arrombaram a porta do necrotério e retiraram os corpos das ambulâncias — disse a fonte à BBC.
Ainda segundo essa fonte, após recuperar os corpos, os familiares permaneceram vigiando por horas no pátio do hospital até conseguirem ambulâncias particulares para transportá-los, numa tentativa de impedir novas intervenções das autoridades.
As denúncias surgem em um contexto de forte repressão e dificuldade de verificação independente dos fatos. Um bloqueio à internet e às comunicações limita o acesso à informação no país. Organizações internacionais de direitos humanos não têm acesso direto ao Irã, e a BBC não possui autorização do governo iraniano para operar no local.
Os protestos tiveram início em 29 de dezembro, em Teerã, após uma forte desvalorização da moeda iraniana. Com a rápida disseminação das manifestações para dezenas de cidades, as reivindicações passaram a atingir diretamente os governantes clericais.
A resposta das forças de segurança evoluiu de repressão violenta para o uso de força letal. Dados da Human Rights Activists News Agency indicam milhares de mortos e dezenas de milhares de prisões, incluindo ativistas, advogados e cidadãos comuns.
A polícia espanhola anunciou nesta quinta-feira o desmantelamento de uma rede internacional de narcotráfico que utilizava nadadores para esconder cocaína colombiana em navios porta-contêineres com destino à Europa e, em alguns casos, sequestrar embarcações em alto-mar. A ofensiva foi divulgada três dias depois de a Espanha comunicar a maior apreensão de cocaína em águas internacionais de sua história.
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De acordo com o jornal americano CBS News, a Polícia Nacional afirmou que o grupo empregava a chamada “técnica do macaco”, que recrutava “jovens bons nadadores, de famílias de baixa renda”, para acessar cargueiros em mar aberto e introduzir a droga nos contêineres. Em comunicado, a corporação informou que outros integrantes viajavam à Espanha para “saquear os contêineres”, interceptando navios antes da chegada ao Estreito de Gibraltar, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.
No ano passado, a tripulação de um navio com destino ao porto de Cádiz relatou a presença de clandestinos no convés; 1,3 tonelada de cocaína foi encontrada em um contêiner. Pouco depois, outro cargueiro que navegava por águas de Portugal acionou as autoridades após o “sequestro da embarcação” por homens armados, que descarregaram cocaína escondida na carga.
A investigação apontou que a rede também obtinha a droga por meio do arremesso de pacotes ao mar a partir de navios mercantes, recolhidos por embarcações menores e rápidas próximas à Europa. Em algumas ações, os criminosos subjugavam tripulações e extraíam a droga dos contêineres “com técnicas militares e armas de guerra”, segundo a polícia. A cocaína era então armazenada no sul da Espanha antes de seguir por terra para outros países europeus.
Ao todo, as autoridades efetuaram 30 prisões e apreenderam 2,4 toneladas de cocaína, além de armamento de uso militar, escadas para invasão de navios, veículos de luxo e dinheiro em espécie. A polícia divulgou imagens da operação nas redes sociais, com cenas da localização de pacotes de droga e de um dos cargueiros usados no esquema.
A Espanha é considerada uma das principais portas de entrada de drogas na Europa, em razão dos laços com a América Latina e da proximidade com o Marrocos, grande produtor de cannabis. Na segunda-feira, a polícia anunciou a maior apreensão de cocaína em alto-mar do país: quase 10 toneladas em um navio cargueiro no Atlântico.
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi condenado nesta sexta-feira a cinco anos de prisão por obstrução da Justiça e outras acusações, no primeiro de uma série de julgamentos relacionados à tentativa fracassada de impor a lei marcial em dezembro de 2024.
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A pena ficou abaixo dos dez anos de prisão solicitados pelo Ministério Público contra o ex-líder conservador de 65 anos, cuja ação de força contra o Parlamento desencadeou uma grave crise política e acabou levando à sua destituição do cargo.
Ex-promotor, Yoon ainda enfrenta outros sete julgamentos. Um deles, por insurreição, pode resultar em pena de morte.
Nesta sexta-feira, o Tribunal Distrital Central de Seul analisou um dos diversos desdobramentos do caso que mergulhou o país em meses de protestos em massa e instabilidade política. O ex-presidente é acusado de ter excluído membros do governo de uma reunião sobre os preparativos para a imposição da lei marcial e de ter impedido sua prisão ao se entrincheirar por semanas em sua residência oficial, em Seul, sob a proteção de sua guarda pessoal.
Ele acabou detido em janeiro do ano passado, após uma operação que durou várias horas.
“Apesar de ter o dever, acima de todos os outros, de defender a Constituição e respeitar o Estado de Direito como presidente, o acusado demonstrou, ao contrário, uma atitude que ignorava a (…) Constituição”, afirmou o juiz Baek Dae-hyun ao proferir a sentença.
“A culpabilidade do acusado é extremamente grave”, acrescentou o magistrado, ressaltando, no entanto, que Yoon não foi considerado culpado de falsificação de documentos oficiais por falta de provas.
A defesa tem prazo de sete dias para recorrer da decisão.
‘Insurreição’
A condenação ocorre dias depois de os promotores terem pedido, em outro processo, a pena capital por seu papel como o “líder de uma insurreição” na articulação da imposição da lei marcial. Segundo a acusação, Yoon merece essa punição por não demonstrar “remorso” por ações que ameaçaram a “ordem constitucional e a democracia”.
Mesmo em caso de condenação, é considerado improvável que a pena de morte seja executada, já que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre execuções desde 1997.
O ex-presidente sustenta que a decretação da lei marcial foi um exercício legítimo de sua autoridade. Na terça-feira, afirmou que “o exercício dos poderes constitucionais de emergência de um presidente para proteger a nação e manter a ordem constitucional não pode ser considerado um ato de insurreição”.
Yoon acusa o então partido de oposição de ter imposto uma “ditadura inconstitucional” por meio do controle do Poder Legislativo e argumenta que, em sua avaliação, “não havia outra opção a não ser despertar o povo, que é soberano”.
Uma equipe de cientistas da Universidade de Chicago apresentou um novo modelo para explicar a atmosfera de Júpiter, trazendo pistas relevantes sobre a formação do planeta e, por extensão, do próprio sistema solar. O estudo foi publicado na quinta-feira (8) no periódico The Planetary Science Journal e se baseia na integração de dados de missões espaciais com novas ferramentas computacionais.
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De acordo com comunicado da universidade, a análise revisita um debate antigo da ciência planetária: a quantidade de oxigênio presente em Júpiter. As estimativas indicam que o gigante gasoso possui cerca de uma vez e meia mais oxigênio do que o Sol. Essa diferença ajuda os pesquisadores a reconstruir como os planetas se formaram a partir da mesma matéria primordial que deu origem à estrela central do sistema.
“Este é um debate antigo nos estudos planetários”, afirmou Jeehyun Yang, pesquisador de pós-doutorado e autor principal do trabalho, ao destacar que a nova geração de modelos computacionais pode transformar a compreensão não apenas de Júpiter, mas também de outros planetas.
Uma atmosfera mais lenta do que o esperado
Outro resultado considerado inesperado foi a constatação de que a circulação vertical da atmosfera de Júpiter é entre 35 e 40 vezes mais lenta do que apontavam modelos anteriores. Segundo Yang, o novo modelo sugere que a difusão dos gases ocorre de forma muito mais gradual, podendo levar semanas para que uma molécula atravesse uma camada atmosférica, e não apenas algumas horas.
Essa lentidão implica processos químicos e físicos mais longos e complexos no interior do planeta, o que acrescenta novos desafios à interpretação de fenômenos já conhecidos, como as intensas tempestades e os ventos extremos. A Universidade de Chicago lembra que os céus tempestuosos de Júpiter são observados há pelo menos 360 anos, desde que astrônomos registraram a Grande Mancha Vermelha, uma tempestade duas vezes maior que a Terra que persiste há séculos.
O modelo combina medições obtidas por missões como Galileo e Juno — que permitiram analisar a atmosfera superior — com dados sobre reações químicas e o comportamento de nuvens e gotículas. Isso possibilitou estimar a presença de compostos como amônia, metano, água, monóxido de carbono e hidrossulfeto de amônio, aprofundando a visão sobre a atmosfera profunda do planeta.
Segundo os autores, o avanço só foi possível graças à colaboração entre instituições como a Universidade de Chicago e o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), com apoio da NASA e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Apesar dos progressos, Yang ressalta que muitas perguntas permanecem em aberto. “Isso mostra o quanto ainda temos a aprender sobre os planetas, mesmo em nosso próprio sistema solar”, afirmou.
Especialistas destacam que o estudo não apenas amplia o conhecimento sobre Júpiter, mas também oferece uma base para investigar a formação de outros planetas, dentro e fora do sistema solar, reforçando o papel dos gigantes gasosos como peças-chave na história cósmica.

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