Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Pelo menos 15 pessoas morreram após o desabamento de dois prédios residenciais na cidade de Tripoli, no norte do Líbano, informaram autoridades locais neste domingo. As construções vieram abaixo no bairro de Bab al-Tabbaneh, uma das regiões mais pobres da cidade, provocando cenas de desespero entre moradores e equipes de resgate.
Arquivos de Epstein revelam vítima de 9 anos e reacendem acusações de acobertamento nos EUA
Justiça dos EUA bloqueia lei da Califórnia que proibia agentes migratórios de usar máscaras em operações
Segundo o jornal inglês The Sun, socorristas passaram horas vasculhando montanhas de concreto pulverizado em busca de sobreviventes. Testemunhas relataram o resgate de um menino de 13 anos, retirado com vida dos escombros — um dos oito sobreviventes levados às pressas para hospitais da região.
Os prédios que colapsaram eram vizinhos e formados por dois blocos de seis apartamentos cada. Segundo o chefe do conselho municipal de Trípoli, Abdel Hamid Karimeh, ainda não era possível confirmar quantas pessoas permaneciam desaparecidas. A Defesa Civil libanesa informou que 22 moradores viviam nos edifícios.
O episódio reacende o alerta sobre a precariedade das construções em Trípoli. Este foi o segundo desabamento fatal na cidade em apenas uma semana, segundo autoridades locais. Após a tragédia, protestos e carreatas de motociclistas tomaram as ruas durante a noite, além de manifestações em frente às casas de figuras políticas.
Karimeh declarou Trípoli como “cidade atingida por desastre”, afirmando que milhares de moradores vivem sob risco iminente.
— Anos de negligência colocaram nossa população em perigo. A situação ultrapassa a capacidade da prefeitura — disse.
De acordo com o prefeito, muitos prédios da cidade têm 60 a 70 anos, já ultrapassaram sua vida útil estrutural e nunca passaram por manutenção adequada. Entre os fatores apontados estão irregularidades na construção, fiscalização frágil, falta de investimentos e leis rígidas de controle de aluguel, que desestimulam proprietários a realizar reparos.
A análise de documentos não editados sobre o financista Jeffrey Epstein revelou a existência de uma vítima de apenas nove anos de idade, segundo relataram parlamentares americanos nesta semana. A informação veio à tona durante a revisão de milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e reacendeu críticas sobre suposto acobertamento de nomes influentes ligados ao esquema de abuso sexual comandado por Epstein.
Jeffrey Epstein: o que se sabe sobre escândalo que causou crise política e atingiu elites na Europa e nos EUA?
De Michael Jackson a Mick Jagger: Quem são as celebridades citadas nos arquivos de Epstein
A revelação foi feita pelo deputado democrata Jamie Raskin, que afirmou ter identificado referências a vítimas cada vez mais jovens nos documentos analisados.
— Você lê sobre meninas de 15, 14, 10 anos. Hoje vi a menção a uma menina de nove anos. Isso é simplesmente escandaloso — disse Raskin a jornalistas, de acordo com o jornal inglês The Sun.
Segundo parlamentares, a revisão dos arquivos também indica que identidades de homens poderosos teriam sido protegidas sem justificativa clara. O deputado republicano Thomas Massie afirmou que um dos documentos cita um indivíduo que ocupa um cargo “bastante alto em um governo estrangeiro”, cujo nome teria sido ocultado.
Já o democrata Ro Khanna questionou por que rostos e imagens de pessoas públicas aparecem censurados, enquanto não há explicações formais para essas omissões.
Os parlamentares analisam cerca de três milhões de arquivos liberados pelo Department of Justice no mês passado. Estima-se, no entanto, que o governo americano ainda detenha outros três milhões de documentos relacionados ao caso.
Em resposta às críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que parte das censuras foi retirada recentemente. Segundo ele, os trechos ocultados envolviam, em muitos casos, nomes de vítimas, que permanecem protegidos por lei.
— Revelamos todos os nomes que não eram de vítimas. O Departamento de Justiça está comprometido com a transparência — disse Blanche, em publicação nas redes sociais.
O avanço das investigações ocorre em paralelo ao silêncio da ex-companheira e cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual. Convocada a depor sob juramento em uma prisão no Texas, Maxwell invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA e se recusou a responder às perguntas do Comitê de Supervisão da Câmara.
Entre os documentos que tiveram censuras parcialmente removidas, um deles menciona um e-mail enviado a Epstein com a frase “adorei o vídeo de tortura”. O nome do remetente, segundo Blanche, aparece sem ocultação nos arquivos e seria do empresário emiradense Sultan Ahmed Bin Sulayem, que já havia sido citado anteriormente nos autos.
Uma juíza federal dos Estados Unidos bloqueou, nesta segunda-feira, a aplicação de uma lei da Califórnia que proibiria agentes federais — incluindo os de imigração — de cobrir o rosto durante operações. A magistrada, no entanto, determinou que esses agentes devem exibir identificação e número de placa.
Trump diz que Xi Jinping visitará os EUA ‘no final do ano’: ‘Países mais poderosos do mundo’
Leia também: Trump quer acordo para encerrar guerra na Ucrânia até junho, revela Zelensky
O uso de máscaras por integrantes fortemente armados do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), no contexto da política de repressão migratória do presidente Donald Trump, vinha sendo alvo de críticas de líderes locais em cidades governadas por democratas.
Na decisão, a juíza Christina Snyder considerou que a norma assinada em setembro, conhecida como “Lei contra a polícia secreta”, é discriminatória por não se aplicar também a agentes de segurança estaduais. Segundo ela, a proibição proposta “discrimina ilegalmente os agentes federais”.
Após o Departamento de Justiça contestar a lei, suspendendo sua entrada em vigor, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, comemorou a decisão nas redes sociais.
“Continuaremos lutando e vencendo nos tribunais pela agenda de lei e ordem do presidente Trump e sempre apoiaremos nossos grandes agentes federais”, afirmou em comunicado.
Apesar do bloqueio parcial, a juíza manteve a exigência de que os agentes exibam identificação visível. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, destacou esse ponto para reivindicar uma vitória parcial.
“Um tribunal federal acaba de manter a lei da Califórnia que exige que os agentes federais se identifiquem. A Califórnia continuará defendendo os direitos civis e nossa democracia” escreveu na rede social X.
Initial plugin text
Na decisão, Snyder sugeriu que a proibição ao uso de máscaras poderia ser considerada constitucional caso fosse ampliada para incluir também forças de segurança estaduais. O senador democrata Scott Wiener, coautor da proposta, afirmou que pretende alterar o texto e apresentar uma nova versão que contemple todos os agentes estaduais.
Quase sete anos após a morte por suicídio em uma prisão de Nova York, o financista Jeffrey Epstein continua a comprometer carreiras e reputações de pessoas que mantiveram contato com ele. Membros da realeza europeia, diplomatas e ex-chefes de governo voltam ao centro de controvérsias que misturam poder, sexo e dinheiro. Alguns enfrentam investigações criminais; outros, ligados à elite corporativa americana e ao meio político, têm sido pressionados a prestar esclarecimentos.
De Michael Jackson a Mick Jagger: Quem são as celebridades citadas nos arquivos de Epstein
Leia também: Por que os ricos e poderosos não conseguiram dizer ‘não’ a Jeffrey Epstein
A menção na nova leva de cerca de 3,5 milhões de documentos, e-mails, fotos e vídeos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 30 de janeiro não implica, por si só, conduta ilícita, mas pode trazer danos reputacionais.
Crise no governo britânico
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta questionamentos sobre sua autoridade após ter nomeado, em 2024, Peter Mandelson como embaixador no país.
Mandelson aparece milhares de vezes nos documentos. Segundo os registros, ele manteve contato com Epstein depois de afirmar ter rompido relações e pode ter recebido transferências de dinheiro. Destituído do cargo de embaixador em setembro, ele passou a ser alvo de investigação policial e deixou a Câmara dos Comuns na semana passada.
De informações confidenciais vazadas a foto de cueca: o que revelam novos arquivos do caso Epstein sobre ex-embaixador britânico nos EUA?
Reprodução
Na Eslováquia, Miroslav Lajčák renunciou ao posto de assessor de segurança nacional após vir à tona que, quando era chanceler, trocou mensagens com Epstein sobre mulheres.
Initial plugin text
Desgastes na realeza
Andrew Mountbatten-Windsor, já privado dos títulos de príncipe e duque de York por seus vínculos com Epstein, volta a ser implicado nas novas revelações, entre elas uma fotografia em que aparece ajoelhado sobre uma mulher deitada.
Príncipe Andrew e o magnata Jeffrey Epstein
Reprodução
A polícia britânica também investiga possível má conduta relacionada ao vazamento de documentos confidenciais ao financista quando Andrew atuava como enviado comercial do governo. Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, surge novamente associada a Epstein.
Na Noruega, a princesa Mette-Marit, futura rainha e esposa do príncipe herdeiro Haakon, teve a reputação afetada pela revelação de centenas de e-mails íntimos trocados com Epstein entre 2011 e 2014, após a primeira condenação do financista por incitação à prostituição de menores.
“Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein”, afirmou em comunicado. Pesquisas recentes indicam resistência de parte da população norueguesa à sua futura ascensão ao trono.
Renúncias e investigações
Autoridades norueguesas abriram investigação contra o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland por suspeita de corrupção agravada ligada a seus vínculos com Epstein, além da diplomata Mona Juul e de seu marido, Terje Rød-Larsen, por possível cumplicidade.
Os investigadores analisam a relação de Jagland com o financista quando presidia o Comitê do Nobel e exercia o cargo de secretário-geral do Conselho da Europa.
Juul, cujos contatos com Epstein remontam ao período em que atuava no Ministério das Relações Exteriores, deixou no domingo a embaixada da Noruega no Iraque e na Jordânia.
Veja vídeos: Vítimas de Jeffrey Epstein exibem anúncio durante intervalo do Super Bowl e cobram liberação total de arquivos
O Fórum Econômico Mundial também apura mensagens e encontros entre seu diretor-geral, Børge Brende, e Epstein. Brende, assim como o ex-ministro francês da Cultura Jack Lang, afirma desconhecer as atividades criminosas do financista.
Lang renunciou à presidência do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, enquanto sua filha, a produtora Caroline Lang, deixou a chefia de um sindicato do setor cinematográfico após a divulgação de seus vínculos com Epstein.
Na Suécia, Joanna Rubinstein deixou o cargo de responsável por captação de recursos do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) depois que se revelou uma viagem com a família à ilha de Epstein, no Caribe, em 2012.
Repercussão nos Estados Unidos
O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton aceitaram depor diante de um comitê do Congresso após ameaça de ação por desacato.
Bill Clinton nega qualquer conduta imprópria além de ter viajado no jato privado de Epstein. Hillary afirma não ter mantido contatos significativos com o financista.
Primeira parte dos documentos do caso Epstein teve destaque para o ex-presidente democrata Bill Clinton
Divulgação / Departamento de Justiça dos EUA
O presidente Donald Trump é citado milhares de vezes nos arquivos, mas sustenta ser vítima de uma “conspiração” e não ter sido acusado por nenhuma das vítimas.
Também mencionado com frequência, o fundador da Microsoft, Bill Gates, declarou lamentar “cada minuto” de convivência com Epstein. Sua ex-esposa, Melinda French Gates, afirmou que ele deve explicações após documentos indicarem que o financista teria organizado encontros com mulheres para o empresário.
O ex-secretário do Tesouro Larry Summers deixou a presidência da Universidade Harvard antes da divulgação dos documentos. Brad Karp renunciou à chefia do escritório de advocacia Paul Weiss, e David Ross deixou a direção do Museu de Arte Americana de Nova York.
O bilionário Elon Musk também aparece nos arquivos, mas afirma ter recusado convites de Epstein para visitar sua ilha no Caribe.
Em meio a alertas cada vez mais frequentes sobre a aceleração da extinção de espécies, uma iniciativa de escala inédita tenta responder a uma pergunta incômoda: o que ainda pode ser salvo se a natureza falhar? A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou a criação de um gigantesco repositório genético que vem sendo apelidado de “cofre do fim do mundo”, concebido para preservar material biológico de milhares de espécies animais.
Astronauta vai levar coelho de pelúcia da filha em missão de oito meses à Estação Espacial Internacional: ‘Espero que a inspire’
Desabamento de brinquedo em parque de diversões na Índia deixa uma pessoa morta e 13 feridos
O projeto prevê o armazenamento de DNA, células vivas e tecidos de até 10 mil espécies, incluindo animais ameaçados de extinção e até espécies já desaparecidas da natureza. A proposta é funcionar como uma espécie de “backup da vida”, reunindo informações genéticas que, em tese, poderiam ser usadas no futuro para pesquisas científicas, programas avançados de conservação ou intervenções biotecnológicas ainda em desenvolvimento.
O cofre será instalado em Dubai, dentro do Museum of the Future, em parceria com autoridades dos Emirados Árabes Unidos. O local foi escolhido tanto pela infraestrutura tecnológica quanto pelo simbolismo: um museu dedicado ao futuro abrigando um projeto pensado para um cenário de colapso ambiental.
O que, exatamente, será preservado
Diferentemente de bancos tradicionais de sementes ou coleções zoológicas, o cofre da Colossal pretende reunir material genético em nível molecular. As amostras incluem sequências completas de DNA, células reprodutivas, tecidos congelados e dados genômicos associados a cada espécie.
Esses materiais serão mantidos em ambientes criogênicos, sob temperaturas extremamente baixas, e catalogados em um banco de dados digital. Segundo a empresa, o objetivo é criar um acervo acessível a pesquisadores e instituições de conservação ao redor do mundo, permitindo estudos comparativos, monitoramento genético e desenvolvimento de novas estratégias para preservar a biodiversidade.
A iniciativa parte de uma constatação pragmática: diante de fatores como mudanças climáticas, desmatamento, poluição e expansão urbana, nem todas as espécies conseguirão ser protegidas apenas com a preservação de seus habitats naturais.
Desextinção e controvérsia
O anúncio do cofre não pode ser dissociado do histórico da Colossal. A empresa ganhou projeção internacional ao investir em projetos ligados à chamada desextinção, um campo controverso que busca reintroduzir características genéticas de espécies extintas em animais vivos geneticamente próximos.
Entre os exemplos mais conhecidos estão pesquisas para recriar traços do mamute-lanoso a partir do DNA do elefante asiático, além de experimentos que simulam espécies pré-históricas por meio de edição genética. O novo cofre ampliaria significativamente o material disponível para esse tipo de pesquisa.
Especialistas, no entanto, fazem ressalvas. Para muitos cientistas, o termo “desextinção” é impreciso: os organismos criados até hoje não seriam réplicas fiéis de espécies extintas, mas híbridos geneticamente modificados que reproduzem apenas algumas de suas características originais.
É nesse ponto que o projeto desperta maior controvérsia. Críticos argumentam que iniciativas desse tipo podem transmitir a ideia de que a tecnologia será capaz de reparar, no futuro, os danos ambientais causados no presente. O temor é que grandes investimentos em biotecnologia acabem desviando recursos de ações consideradas mais urgentes, como a preservação de ecossistemas, o combate ao desmatamento e a redução das emissões de carbono.
Quem eram aquelas duas crianças que chegaram sozinhas a Nova York após a maior tragédia marítima do século XX? Quando o navio Carpathia recolheu os primeiros botes salva-vidas do Titanic, em abril de 1912, dois meninos pequenos, de cabelos escuros e olhos atentos, chamaram a atenção da tripulação. Enrolados em cobertores e incapazes de se comunicar em inglês, eles não sabiam dizer quem eram nem onde estavam seus pais.
Registrados provisoriamente como “Louis” e “Lolo”, os irmãos passaram a ser conhecidos pela imprensa internacional como os “órfãos do Titanic”, apesar de ninguém confirmar, à época, se eram de fato órfãos. Fotografias das crianças circularam em jornais como The New York Times, Le Figaro e La Vanguardia, alimentando a comoção pública e o mistério em torno de sua origem.
Uma fuga interrompida pelo naufrágio
Os meninos eram Michel Marcel Navratil, de três anos, e Edmond Navratil, de dois. Filhos de um alfaiate de origem eslovaca, Michel Navratil, e da italiana Marcelle Caretto, viviam no sul da França, onde os pais enfrentavam uma separação conturbada. Após perder a guarda, o pai decidiu fugir com as crianças. Na Páscoa de 1912, sob o pretexto de um passeio, vendeu bens, obteve documentos com nomes falsos e comprou passagens de segunda classe para o Titanic, embarcando em Southampton como “Louis M. Hoffman”, supostamente viúvo.
Na noite de 14 de abril, após a colisão com o iceberg, Michel Navratil colocou os filhos em um bote salva-vidas, obedecendo à ordem de “mulheres e crianças primeiro”. Ele não sobreviveu. Seu corpo foi identificado dias depois por documentos encontrados no casaco, segundo registros oficiais do resgate.
Resgatados pelo Carpathia, os irmãos permaneceram sob custódia das autoridades americanas. A identificação só ocorreu quando a mãe, na França, reconheceu os filhos em uma fotografia publicada nos jornais e acionou a Cruz Vermelha. Após um processo burocrático, comprovado por cartas e certidões, Marcelle viajou a Nova York para o reencontro, ocorrido de forma discreta no píer da cidade.
De volta à França, os meninos cresceram longe dos holofotes. Michel Marcel tornou-se professor e doutor em filosofia, refletindo ao longo da vida sobre trauma e memória; Edmond seguiu carreira no setor financeiro e morreu jovem, em 1953. Décadas depois, Michel Marcel revisitou a história do pai em entrevistas e cerimônias memoriais do Titanic, afirmando que sobreviveu graças ao último gesto de proteção paterna.
O que pode existir sob as nuvens espessas que escondem Vênus há décadas? Cientistas anunciaram uma resposta inédita: a confirmação da primeira caverna vulcânica do planeta. A descoberta, baseada na reanálise de dados coletados entre 1990 e 1992 pela sonda Magellan, da NASA, marca um ponto de inflexão na exploração venusiana ao demonstrar, pela primeira vez, a existência de um tubo de lava vazio sob sua superfície.
Pesquisa da Nasa amplia indícios sobre possível vida no passado de Marte
Entenda: Sequência rara de erupções solares de classe X é registrada pela Nasa e pode provocar auroras na Terra
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, com financiamento da Agência Espacial Italiana (ASI), e publicado nesta segunda-feira (9) na revista Nature Communications. A equipe conseguiu identificar e caracterizar uma estrutura subterrânea formada por fluxos de lava que se solidificaram externamente, deixando um conduto oco, um fenômeno já observado na Terra, na Lua e em Marte, mas até então apenas hipotetizado em Vênus.
Um mundo impenetrável começa a se revelar
A análise concentrou-se na região vulcânica de Nyx Mons, onde imagens de radar indicavam um colapso localizado na superfície. Segundo Lorenzo Bruzzone, coordenador da pesquisa e diretor do Laboratório de Sensoriamento Remoto da Universidade de Trento, técnicas avançadas de imageamento permitiram reconstruir a geometria do conduto subterrâneo a partir dessa depressão visível. “A identificação de uma cavidade vulcânica é de particular importância, pois nos permite validar teorias que por muitos anos foram apenas hipóteses”, afirmou o pesquisador.
Os resultados indicam um tubo de lava com quase um quilômetro de diâmetro, teto com pelo menos 150 metros de espessura e um vazio interno de não menos de 375 metros de profundidade. As dimensões colocam a estrutura entre as maiores já identificadas no sistema solar, superando a maioria dos tubos terrestres e se aproximando do limite superior previsto para formações lunares.
As condições físicas de Vênus ajudam a explicar essa escala. A gravidade menor que a da Terra e a atmosfera extremamente densa favorecem a formação rápida de uma crosta sólida sobre a lava, permitindo que o material fundido continue fluindo por baixo e crie condutos mais largos e estáveis. A presença desse tipo de estrutura reforça a ideia de que o planeta teve, e possivelmente ainda tem, uma atividade vulcânica intensa e prolongada.
Embora os dados confirmem apenas a porção próxima à claraboia visível, a morfologia do terreno e a existência de outras depressões semelhantes sustentam a hipótese de que o sistema subterrâneo possa se estender por até 45 quilômetros. A confirmação dessa extensão dependerá de novas observações, previstas em missões como a Envision, da Agência Espacial Europeia (ESA), e a Veritas, da NASA, ambas equipadas com radares capazes de sondar o subsolo venusiano com maior precisão.
Além de aprofundar o entendimento sobre a evolução geológica de Vênus, a descoberta redefine as possibilidades de investigação de um dos planetas mais enigmáticos do sistema solar. “Esse resultado abre novas perspectivas para o estudo do planeta”, resumiu Bruzzone. Sob um céu permanentemente encoberto, Vênus começa, enfim, a revelar o que esconde em suas profundezas.
A missão científica que buscava perfurar a área mais instável e menos acessível da geleira Thwaites, na Antártida Ocidental, terminou de forma frustrante. Instrumentos essenciais ficaram presos no gelo, forçando pesquisadores a abandonar o experimento antes da conclusão. Ainda assim, os cientistas afirmam que os dados obtidos representam um avanço relevante para entender os riscos associados ao possível colapso da chamada “Geleira do Juízo Final”.
O que está em jogo? Cientistas vão perfurar a parte mais frágil da ‘Geleira do Juízo Final’, na Antártida
Conduzida por equipes do British Antarctic Survey (BAS) e do Instituto Coreano de Pesquisa Polar (KOPRI), a expedição passou mais de uma semana acampada sobre o gelo, desde o início do mês de fevereiro, tentando alcançar a base do tronco principal da geleira, uma região remota, marcada por fendas profundas e até então pouco estudada. A Thwaites tem dimensões semelhantes às do Reino Unido e, caso entre em colapso, pode provocar uma elevação global do nível do mar de cerca de 65 centímetros.
Dados inéditos sob o tronco principal
Usando água aquecida a cerca de 80 °C e bombeada sob alta pressão, os pesquisadores conseguiram perfurar um poço de aproximadamente mil metros de profundidade e 30 centímetros de diâmetro. Por ele, foi instalado um conjunto temporário de sensores, responsáveis pelas primeiras medições já feitas sob o tronco principal da geleira. Os dados iniciais indicam condições oceânicas turbulentas e a presença de água relativamente quente, capaz de provocar um derretimento significativo na base do gelo, segundo o BAS.
Confira:
Missão na ‘Geleira do Juízo Final’ termina com perda de equipamentos, mas traz novidades
O passo seguinte seria a instalação de um sistema de amarração permanente, projetado para permanecer sob o gelo por até dois anos e transmitir informações via satélite. Durante a descida, porém, o equipamento ficou preso no poço. Com a aproximação de mau tempo, a redução no fornecimento de água quente e a necessidade de desmontar o acampamento antes da saída do navio de pesquisa Araon da Antártida, a equipe foi obrigada a desistir do procedimento e abandonar os instrumentos sob o gelo.
O oceanógrafo e engenheiro de perfuração Keith Makinson, do BAS, afirmou que o trabalho de campo na Antártida envolve riscos constantes. “Há uma janela de tempo muito pequena em que tudo precisa funcionar”, disse. A equipe acredita que o furo pode ter congelado rapidamente ou se deformado devido ao movimento acelerado da geleira, que em alguns pontos avança até nove metros por dia.
Fracasso parcial, avanço científico
Embora o objetivo principal não tenha sido alcançado, os pesquisadores destacam que a missão conseguiu algo inédito. Tentativas anteriores, como a realizada em 2022, sequer haviam conseguido chegar ao local. Desta vez, as observações sob o gelo confirmaram que o calor do oceano desempenha um papel central na perda de massa da Thwaites.
“Sabemos que o calor sob a geleira está causando a perda de gelo”, afirmou Peter Davis, do BAS. “Essas observações representam um avanço importante, mesmo com a frustração por não termos conseguido implementar todo o projeto.” Para o cientista-chefe da expedição, Won Sang Lee, do KOPRI, os resultados reforçam a necessidade de retornar. “Isto não é o fim. Os dados mostram que este é exatamente o local certo para estudar”, disse.
Considerada uma peça-chave para a estabilidade da camada de gelo da Antártida Ocidental, a geleira Thwaites vem recuando de forma acelerada desde a década de 1970. Estudos indicam que seu colapso poderia elevar o nível do mar entre um e dois metros ao longo do tempo, com impactos globais. Mesmo incompleta, a missão reforça o alerta: entender o que acontece sob a geleira é urgente, antes que as mudanças se tornem irreversíveis.
O que leva milhares de mulheres a enfrentar chuva, frio e ruas tomadas pela lama para ocupar o espaço público? Em 9 de fevereiro de 1907, há exatos 119 anos, essa resposta começou a ser dada no coração de Londres, quando mais de três mil manifestantes marcharam pelo direito ao voto feminino, em um dos atos mais simbólicos da história política do Reino Unido.
Quase 50 anos depois: o maior roubo de arte do mundo, quando 119 pinturas de Picasso sumiram em um ‘crime perfeito’
Seis vezes pior que o Titanic: o naufrágio do Wilhelm Gustloff, a maior tragédia marítima da história
Conhecida depois como a Marcha da Lama, a manifestação foi organizada pela União Nacional das Sociedades de Sufrágio Feminino (NUWSS), liderada por Millicent Garrett Fawcett. Defensora de uma estratégia pacífica e institucional, Fawcett apostava na mobilização ordeira como forma de pressionar o Parlamento e tornar incontornável uma reivindicação básica: o reconhecimento das mulheres como cidadãs com plenos direitos políticos.
A coluna saiu de Hyde Park Corner e percorreu cerca de quatro quilômetros até o Exeter Hall, sob chuva intensa e vento cortante. Professora­s, operárias, escritoras, aristocratas e empregadas domésticas caminharam lado a lado, acompanhadas por lideranças do movimento sufragista e apoiadores como Keir Hardie, fundador do Partido Trabalhista. A organização ficou a cargo de Philippa Strachey, que garantiu disciplina e coesão à marcha.
Da lama à agenda política
A imagem das manifestantes avançando em meio à lama teve forte impacto simbólico e imediato. A imprensa britânica destacou o caráter pacífico, numeroso e respeitável do protesto, exatamente o efeito buscado pela NUWSS. Pela primeira vez, o sufrágio feminino deixou de ser tratado como uma excentricidade e passou a ser reconhecido como uma força política organizada.
Embora não tenha resultado em mudanças legislativas imediatas, a marcha consolidou o movimento sufragista moderado e forçou o Parlamento a incluir o tema do voto feminino em seus debates. A partir dali, a pressão só aumentaria, culminando na conquista parcial do direito ao voto em 1918 e na igualdade plena em 1928.
Ao completar 119 anos, a Marcha da Lama permanece como um marco histórico: a demonstração de que direitos não são concedidos espontaneamente. Eles são conquistados, mesmo que seja preciso dar os primeiros passos em meio à chuva e à lama.
O presidente Donald Trump ameaçou bloquear a inauguração de uma ponte entre os Estados Unidos e o Canadá, afirmando que seu país deveria ser proprietário de “pelo menos metade” da infraestrutura.
“Não permitirei que esta ponte seja inaugurada até que os Estados Unidos sejam totalmente compensados ​​por tudo o que lhes demos, e também até que o Canadá trate os Estados Unidos com a justiça e o respeito que merecemos”, escreveu Trump em seu site, Truth Social.
“Iniciaremos as negociações IMEDIATAMENTE”, acrescentou.
Trump diz que Canadá só ‘vive graças aos EUA’ ao criticar discurso de premier Carney em Davos: ‘Deveria ser grato’
Premier canadense responde a comentário de Trump e diz que Canadá ‘não existe por causa dos Estados Unidos’
A ponte será batizada em homenagem à lenda canadense do hóquei no gelo, Gordie Howe. Ela ligará Detroit, no estado norte-americano de Michigan; a Windsor, em Ontário, Canadá. A construção sobre o rio Detroit começou em 2018 e tem um custo estimado de US$ 4,7 bilhões. Sua inauguração está prevista para este ano.
De acordo com um documento informativo divulgado pela empresa contratada para a construção da ponte, ela foi financiada integralmente pelo Canadá e será de propriedade conjunta dos governos canadense e do estado de Michigan.
Guga Chacra: Insano com uns, racista com outros
Desde seu retorno à Casa Branca em 2015, Trump tem entrado em conflito com o Canadá, particularmente em questões comerciais.
Washington ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá após a visita do primeiro-ministro, Mark Carney, à China no mês passado, durante a qual ele assinou um acordo comercial preliminar com Pequim.
Em diversas ocasiões, Trump afirmou que o Canadá deveria ser o “51º estado dos Estados Unidos”, embora tenha abandonado essa afirmação nos últimos meses.
Por sua vez, Carney, falando no Fórum Econômico Mundial em Davos, no mês passado, alertou que o sistema de governança global enfrenta “um colapso”, aludindo a Trump sem mencioná-lo diretamente, o que irritou profundamente os presidente dos EUA.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress