Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (5) a saída de Kristi Noem do comando do Departamento de Segurança Interna. A decisão foi divulgada pelo próprio republicano em sua rede social, a Truth Social, onde afirmou que a secretária deixará o cargo após “resultados espetaculares”, especialmente na área de segurança de fronteira.
Grupo de 24 estados americanos entra na Justiça contra tarifas de Trump
‘ICE de Floripa’: agente voluntário é afastado após ‘enquadro’ em morador de rua viralizar na web
Segundo Trump, Noem passará a exercer uma nova função como enviada especial para o “Escudo das Américas”, iniciativa de segurança voltada ao hemisfério ocidental que será apresentada no sábado, em Doral, na Flórida. Para substituí-la no departamento, o presidente indicou o senador republicano Markwayne Mullin, de Oklahoma, que deverá assumir o posto em 31 de março de 2026.
Kristi Noem se tornou uma das principais figuras da política migratória do governo e ganhou o apelido de “Barbie do ICE”, em referência ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), por críticos de sua atuação. Nos últimos meses, ela esteve no centro de controvérsias após operações do órgão em Minneapolis, no estado de Minnesota, nas quais dois cidadãos americanos morreram baleados por agentes federais.
Pressões e controvérsias no cargo
Antes da saída, Noem vinha enfrentando pressão política crescente. Nesta semana, ela foi questionada por parlamentares republicanos durante audiências no Congresso sobre diferentes decisões tomadas à frente do Departamento de Segurança Interna.
Entre os pontos criticados estavam a distribuição de recursos de um contrato publicitário milionário e a condução administrativa da pasta. Também gerou reação a decisão inesperada de suspender o programa TSA PreCheck, que permite inspeções mais rápidas em aeroportos para passageiros considerados de baixo risco. A medida foi revertida poucas horas depois.
Durante uma das audiências, a secretária também afirmou que Trump tinha conhecimento da campanha publicitária do departamento, declaração que irritou o presidente. O republicano nega ter autorizado a iniciativa.
Além das críticas à gestão, Noem foi alvo de rumores sobre um suposto relacionamento amoroso com um assessor próximo, o que aumentou o desgaste político dentro do governo.
Na esfera pessoal, episódios relatados em sua biografia também voltaram à tona recentemente. No livro, a ex-secretária conta que matou um cachorro de 14 meses por considerá-lo indomável e também uma cabra da fazenda da família, que descreveu como “má, nojenta e malcheirosa”. O relato gerou forte reação pública e voltou a circular nas redes sociais no fim de 2024, quando Trump formava seu gabinete para o segundo mandato, transformando Noem em alvo de memes e críticas.
Um eclipse solar total previsto para 2 de agosto de 2027 promete transformar o dia em um breve entardecer em algumas partes do planeta. Em pontos específicos da Terra, a Lua deverá encobrir completamente o Sol por até 6 minutos e 22 segundos, a maior duração registrada em terra firme no século XXI, de acordo com estimativas de astrônomos.
Quiche, chocolate, cookies e bolo: Nasa revela o que astronautas vão comer em missão histórica ao redor da Lua
Entenda: Em 1968, a União Soviética enviou duas tartarugas à Lua… e elas voltaram vivas para contar a história
O fenômeno poderá ser observado parcialmente em áreas da Europa, da África e da Ásia. Já a fase mais impressionante, chamada de totalidade — quando o disco solar fica totalmente oculto — ocorrerá apenas em uma faixa estreita do planeta.
Faixa de escuridão cruzará dez países
A chamada faixa de totalidade terá cerca de 258 quilômetros de largura e será percorrida pela sombra da Lua ao longo de mais de 15 mil quilômetros sobre a superfície terrestre. O trajeto passará por dez países: Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Arábia Saudita, Iêmen e Somália.
Ao todo, o fenômeno deve alcançar aproximadamente 2,5 milhões de quilômetros quadrados. Alguns locais são considerados especialmente favoráveis para observação, como a cidade de Tarifa, no sul da Espanha, regiões costeiras da Tunísia e a cidade egípcia de Luxor.
A longa duração do eclipse está relacionada à posição da Lua no momento do alinhamento entre os astros. Na data do evento, o satélite natural estará no perigeu, ponto de sua órbita em que fica mais próximo da Terra. Essa proximidade faz com que a sombra projetada pela Lua seja maior, permitindo que o Sol permaneça encoberto por mais tempo.
O fenômeno também faz parte da série Saros 136, um ciclo conhecido por produzir eclipses com períodos prolongados de totalidade. Astrônomos indicam que um eclipse com duração superior à prevista para 2027 só deverá ocorrer novamente em 2114.
Durante a fase de totalidade, o céu não ficará completamente escuro como à noite. A paisagem tende a se assemelhar a um crepúsculo repentino, com forte redução da luminosidade, mas ainda com visibilidade do horizonte. Isso ocorre porque parte da luz solar continua sendo espalhada pela atmosfera terrestre.
Nos últimos dias, publicações nas redes sociais passaram a afirmar que todo o planeta ficará no escuro durante o fenômeno, o que não é correto. A escuridão total só será percebida nas áreas que estiverem dentro da faixa de totalidade; nas demais regiões, o evento aparecerá apenas como um eclipse parcial.
Outra informação equivocada que circula online afirma que não haverá outros eclipses em 2027. De acordo com astrônomos, um eclipse solar parcial também está previsto para 21 de setembro do mesmo ano, visível principalmente em áreas do oceano Pacífico.
Como ocorre um eclipse solar
Um eclipse solar acontece quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz solar e projetando sua sombra sobre o planeta. Esse alinhamento não ocorre em todas as luas novas porque a órbita lunar é levemente inclinada em relação à da Terra.
Dependendo da posição relativa dos astros, o fenômeno pode assumir diferentes formas. No eclipse total, a Lua cobre completamente o Sol; no anular, permanece visível um anel luminoso ao redor do satélite; e no parcial, apenas uma parte do disco solar é encoberta.
Uma descoberta inesperada em uma biblioteca histórica de Florença pode lançar nova luz sobre a formação intelectual de um dos nomes centrais da ciência moderna. Um historiador italiano encontrou um exemplar do século XVI do Almagesto, tratado clássico de astronomia, repleto de anotações que especialistas acreditam ter sido escritas por Galileu Galilei ainda no início de sua carreira.
Entenda: Em 1968, a União Soviética enviou duas tartarugas à Lua… e elas voltaram vivas para contar a história
Diários cruzados revelam a vida silenciada de judia alemã perseguida pelo nazismo
O achado foi feito pelo historiador Ivan Malara, enquanto analisava sete edições antigas da obra na Biblioteca Nacional Central de Florença. O Almagesto, escrito no século II pelo astrônomo Cláudio Ptolomeu, descreve um universo geocêntrico, com a Terra no centro — modelo que dominou a astronomia ocidental por cerca de 14 séculos.
Durante a leitura de um dos volumes, Malara percebeu um detalhe incomum: alguém havia copiado o Salmo 145 em uma das páginas. A caligrafia chamou sua atenção e, ao examinar o livro com mais cuidado, ele encontrou margens repletas de comentários críticos. Segundo relato publicado pela revista Science, a escrita parecia muito semelhante à do célebre cientista toscano.
Naquela mesma noite, o historiador comparou a caligrafia com documentos conhecidos de Galileu. Convencido da possível descoberta, enviou um e-mail de madrugada a dois especialistas italianos no cientista. “Perdoem o horário inconveniente. Mas não consigo acreditar no que vejo”, escreveu.
Especialistas confirmam indícios
Um dos destinatários da mensagem foi Michele Camerota, pesquisador da Universidade de Cagliari. Após analisar o material, ele afirmou à revista Science considerar “totalmente segura” a atribuição das anotações a Galileu.
A conclusão é sustentada por diferentes evidências. Especialistas em caligrafia do Museu Galileu e da própria Biblioteca Nacional Central de Florença verificaram que a escrita, as abreviaturas e o estilo das notas coincidem com documentos do cientista. Além disso, alguns comentários críticos dirigidos às ideias de Ptolomeu lembram passagens presentes em obras que Galileu produziu na mesma época.
Outro detalhe chamou a atenção dos pesquisadores. O salmo copiado no livro — uma oração que exalta a grandeza de Deus — coincide com relatos históricos de que o cientista costumava rezar antes de estudar o Almagesto. Uma edição do século XVII menciona que Galileu fazia uma oração antes da leitura, informação também registrada em uma carta de 1673 do matemático Alessandro Marchetti.
Um retrato diferente do cientista
Caso a autoria seja definitivamente confirmada, o volume oferece um retrato menos conhecido de Galileu. As anotações parecem ter sido escritas por volta de 1590, cerca de duas décadas antes de suas célebres observações telescópicas da Lua e de Júpiter, que ajudariam a desafiar a visão tradicional do cosmos.
Em vez de um cientista que rompeu abruptamente com a tradição, o livro sugere um jovem estudioso profundamente imerso na astronomia clássica de Ptolomeu. Ao mesmo tempo em que demonstrava respeito pela obra, ele registrava críticas e questionamentos nas margens.
Para Malara, a descoberta pode ajudar a compreender melhor uma das transformações intelectuais mais marcantes da história da ciência: a transição de um universo centrado na Terra para um modelo em que o planeta deixa de ocupar posição privilegiada no cosmos.
Uma medusa minúscula, quase invisível no oceano, tem uma capacidade que parece saída da ficção científica: quando envelhece ou sofre danos, ela pode voltar a ser jovem novamente.
Maior semente do mundo? Conheça o coco-do-mar, espécie que pode chegar a 42 quilos
Vídeo: Tartaruga com nadadeira amputada é reabilitada por quase um ano na Califórnia e devolvida ao oceano
Conhecida cientificamente como Turritopsis dohrnii, essa espécie é frequentemente descrita por pesquisadores como “biologicamente imortal”. O motivo está em um processo incomum de reversão do ciclo de vida, no qual o animal adulto consegue transformar suas próprias células e retornar ao estágio inicial de desenvolvimento.
À primeira vista, trata-se de uma medusa comum, de tamanho diminuto e aparência discreta. No entanto, quando fica velha, doente ou sofre algum tipo de lesão, em vez de morrer como a maioria dos animais, ela pode reiniciar seu desenvolvimento biológico. Nesse processo, o organismo adulto se reorganiza e volta a um estágio semelhante ao de pólipo, fase inicial do seu ciclo de vida, podendo crescer novamente.
Os cientistas explicam que essa transformação ocorre por meio de um fenômeno chamado transdiferenciação, no qual células já especializadas mudam de função e se reorganizam para formar novos tecidos. Com isso, a medusa consegue “reiniciar” sua vida diversas vezes.
Apesar do apelido de imortal, isso não significa que ela nunca morra. Assim como outros organismos marinhos, pode ser devorada por predadores, sucumbir a infecções, sofrer com a poluição dos oceanos ou simplesmente não conseguir completar o processo de rejuvenescimento.
Outros organismos que desafiam o envelhecimento
A Hydra, um animal microscópico que vive em água doce, é outro exemplo frequentemente citado pelos cientistas. Seu corpo possui células que se renovam continuamente, substituindo células antigas por novas. Por causa desse mecanismo, o organismo não apresenta sinais claros de envelhecimento ao longo do tempo.
Em condições ambientais estáveis, a hidra pode viver indefinidamente, desde que não seja predada ou afetada por alterações no ambiente.
Outro caso curioso é o das planárias, vermes achatados que vivem em ambientes aquáticos e são conhecidos por sua impressionante capacidade de regeneração. Se o corpo do animal for dividido em partes, cada fragmento pode originar um novo indivíduo completo.
Assim como a hidra, as planárias mantêm células especiais capazes de reparar e renovar seus tecidos ao longo do tempo, o que impede o envelhecimento típico observado na maioria dos seres vivos.
Embora alguns pesquisadores considerem esses organismos exemplos de verdadeira imortalidade biológica, outros preferem descrevê-los como espécies com uma capacidade extrema de regeneração e renovação celular. De qualquer forma, todos concordam que o estudo desses animais pode ajudar a ciência a compreender melhor os mecanismos do envelhecimento e abrir caminhos para novas pesquisas sobre regeneração de tecidos e longevidade.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está “disposto a viver com o resultado” das investigações sobre o ataque a uma escola de meninas que deixou pelo menos 175 mortos, a maioria crianças, no Irã. Novos vídeos divulgados do episódio foram divulgados nesta semana e reforçaram as acusações de que um míssil Tomahawk americano teria atingido o local.
“Eu vou dizer que o Tomahawk, que é uma das armas mais poderosas por aí, é usado por, sabe, é vendido e usado por outros países, vocês sabem disso”, disse Trump nesta segunda-feira, 10, em uma conferência com jornalistas, segundo a ABC News. “E se for o Irã, que também tem Tomahawks, eles desejam ter mais, mas, mesmo que seja o Irã ou outra pessoa, o fato de um Tomahawk – um Tomahawk é bem genérico, ele é vendido para outros países. Mas isso está sendo investigado agora.”
Iranianos tentam resgate no local de um ataque a uma escola feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã.
ALI NAJAFI / ISNA / AFP
Na semana passada, o jornal New York Times já havia divulgado um conjunto de evidências — incluindo imagens de satélite, postagens em redes sociais e outros vídeos verificados — sugerindo que os EUA foram responsáveis pelo bombardeio ao prédio da escola primária Shajarah Tayyebeh, em Minas, no sul do Irã. O local foi severamente danificado por um ataque de precisão ocorrido ao mesmo tempo em que bombardeios dos EUA atingiam uma base naval operada pela Guarda Revolucionária Iraniana, ao lado da escola.
O governo de Israel declarou que não estava operando naquela área durante o bombardeio à escola.
Trump disse ainda que o ataque seria de responsabilidade do Irã, mas, pressionado sobre o assunto, o presidente americano admitiu não ter detalhes do episódio. “Eu apenas não sei o suficiente. Acho que é algo que me disseram estar sob investigação. Mas eu vou certamente, o que quer que o relatório mostre, eu estou disposto a viver com esse relatório.”
Uma menina teria sido morta em um ataque com míssil a uma escola feminina em Minab, província de Hormozgan, no sudeste do Irã. O número de mortos no ataque de 28 de fevereiro a uma escola no sul do Irã subiu para 85, segundo o site Mizan Online, do judiciário, que citou a promotoria da região, após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra a república islâmica.
FOTO AFP / CENTRO DE IMPRENSA IRANIANO
Nesta segunda-feira, um dia após a agência semioficial iraniana Mehr publicar uma gravação que reforça as acusações de que um míssil Tomahawk americano teria atingido o local, congressistas democratas pediram uma investigação “imparcial” do Pentágono sobre o episódio.
“Uma análise independente sugere de maneira plausível que o ataque pode ter sido lançado por forças americanas, o que, se for verdade, o tornaria um dos piores casos de baixas civis em décadas de intervenção militar dos Estados Unidos no Oriente Médio”, escreveram vários senadores democratas em um comunicado publicado nesta segunda-feira. “O assassinato de estudantes é ultrajante e inaceitável em qualquer circunstância”.
A instabilidade no preço internacional do petróleo, efeito colateral da guerra no Oriente Médio, tem preocupado o governo Lula, que monitora a alta da commodity energética e teme fortes subidas, que pressionariam a inflação no Brasil em ano eleitoral.
Gasolina, diesel e querosene de aviação: combustíveis sobem à medida que a guerra no Irã estrangula o fornecimento
Saiba mais: Defasagem do preço do diesel chega a 85% e da gasolina a 49%, com disparada do petróleo
Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a recente escalada dos preços do barril de petróleo e a guerra. Durante a visita oficial do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao Brasil, Lula disse que conflitos armados no Oriente Médio “produzem efeitos sobre as cadeias de energia e alimentos”, o que pune os mais vulneráveis.
— O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo — afirmou Lula em seu discurso.
De fato, a cotação do barril brent chegou aos US$ 120 na noite do último domingo (ante US$ 72,48 em 27 de fevereiro, véspera do início da guerra) e tem oscilado em meio ao conflito armado desencadeado em 28 de fevereiro com a operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, país que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Nesta segunda-feira, o barril iniciou o dia cotado em US$ 108,25 e fechou o dia em US$ 90,33.
Em resposta aos ataques militares dos EUA e de Israel, o regime iraniano tem bloqueado o transporte no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o escoamento de commodities e bens na região. Pelo local, passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Com o bloqueio, a produção do Iraque, outro grande exportador de petróleo, já caiu 70%, de 4,3 milhões de barris diários para 1,3 milhão, segundo agências internacionais.
No Brasil, a Petrobras não repassa toda a volatilidade do preço internacional ao consumidor, mas há entre aliados do governo o receio de que, ante uma eventual subida consistente nos preços do petróleo, a estatal precise reajustar os preços, o que pressionaria a inflação no país. Tudo vai depender da evolução do conflito nas próximas semanas, afirma um aliado de Lula.
Como O GLOBO noticiou, levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), considerando a abertura do mercado de segunda-feira em relação ao fechamento de sexta-feira, mostra defasagem de 85% nos preços do diesel e de 49% nos da gasolina praticados pela Petrobras, em comparação com os praticados no mercado internacional.
Poucas cidades da América Latina preservam seu passado colonial e a grandiosidade dos tempos de abundância quanto Havana. A cada pequena rua do centro histórico da cidade, casarões, palácios e fortalezas mostram como a capital cubana foi importante e rica nesta parte do Caribe. Mas anos de crises, bloqueios econômicos e redução dos investimentos estatais estão transformando a cidade em um conjunto de ruínas. A crise de combustíveis causada pelo cerco americano à ilha tem acrescentado doses dolorosas de decadência ao que já era decadente. Agora, lixo e esgoto disputam espaço com os escombros de edifícios que não resistiram ao tempo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Após especulações de que o governo dos Estados Unidos estaria planejando enviar militares por terra para capturar a Ilha de Kharg, terminal estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, os persas advertiram americanos e israelenses contra um eventual ataque. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, declarou nesta segunda-feira que o país é um “cemitério para os desejos e ilusões dos estrangeiros” quando perguntado sobre um possível interesse de seus inimigos em Kharg. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste fim de semana que ampliará o foco da campanha de bombardeios no Oriente Médio para além dos alvos militares e nucleares, sugerindo que novas “áreas e grupos de pessoas” poderão ser incluídos no radar — o que lança luz sobre a estratégia de longo prazo da Casa Branca para a região. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A escolha do novo líder supremo do Irã no fim de semana, com a ascensão de Mojtaba Khamenei ao cargo que era de seu pai, Ali Khamenei , foi um sinal contundente de resiliência do regime, diante dos maiores bombardeios desde a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980. Mas a troca no poder também confirmou o que analistas viam como o cenário mais provável para o conflito: hoje, a Guarda Revolucionária dita os rumos do país, e tem em Mojtaba não apenas um aliado, mas um caminho para consolidar o domínio no Irã.
Pressão retórica: EUA dizem que Irã será levado à rendição ‘quer queira ou não’, afirma secretário de Defesa
Após petróleo ultrapassar US$ 100: Trump diz que preços cairão quando ‘ameaça nuclear iraniana for eliminada’
Mojtaba fez parte das fileiras da Guarda Revolucionária quando tinha apenas 17 anos, e lutou em algumas operações de grande porte no conflito com o Iraque e começou a montar sua rede de contatos dentro da organização.
No batalhão onde serviu, o Habib ibn Mazaher, muitos dos combatentes foram alçados a posições de destaque no aparato de segurança, e o status de seu pai, à época presidente, lhe deu respaldo adicional. Nos anos seguintes, exerceu autoridade direta sobre a máquina de repressão da Guarda Revolucionária — as milícias Basij — e se aproveitou dos tentáculos financeiros da organização para acumular bens no exterior. Segundo a agência Bloomberg, seu patrimônio é equivalente a R$ 700 milhões, espalhados por Suíça, Reino Unido e Golfo Pérsico.
Milhares se reúnem em Teerã para jurar lealdade ao novo líder do Irã
Antes da guerra contra EUA e Israel, Mojtaba não era o favorito da elite política para suceder o pai, que por décadas o preparou para o posto. A pouca clareza sobre seus pensamentos e planos, a falta de experiência política e repulsa à ideia da hereditariedade do posto de líder supremo, que vai contra os ideais revolucionários de Ruhollah Khomeini, pesavam contra. Mas os cálculos mudaram após os bombardeios, e especialmente depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, vetou seu nome da lista de líderes “aceitáveis”.
Uma liderança sem o mesmo carisma de Khomeini, sem o mesmo poder de Khamenei, mas que parece moldada à perfeição para a Guarda Revolucionária, que controla o Irã desde o início da guerra: Mojtaba é alguém pouco disposto a contrariar os comandantes em tempos de crise, e que não deve implementar grandes mudanças (leia-se reformas estruturais) na República Islâmica.
— A Guarda Revolucionária não está lutando apenas por grupos aliados ou mísseis, está lutando pela sua própria existência. O cartel que eles criaram, um polvo com tentáculos em quase todos os aspectos da sociedade iraniana, da economia à mídia e à religião, subjugou todos os outros atores e facções da República Islâmica — disse um analista iraniano à revista Time, em condição de anonimato.
Países têm acordo de defesa: Putin promete ‘apoio inabalável’ ao novo líder supremo do Irã após morte de Khamenei em ataques
Ao contrário das Forças Armadas, encarregadas de proteger a soberania nacional, a Guarda Revolucionária tem como tarefa defender a Revolução Islâmica, indo além de um papel paramilitar.
Na guerra contra o Iraque, unidades combatiam nas linhas de frente e criavam um novo programa de mísseis balísticos. Ao fim do conflito, assumiram os esforços de reerguer do país, fincando posição no lucrativo mercado de engenharia civil. As sanções internacionais serviram de terreno fértil para a criação de uma rede de contrabando de produtos de todos os tipos, desde tapetes até petróleo. Através de empresas de fachada ou fundações, originalmente com finalidades religiosas, a Guarda controla setores como o energético, transporte, bancário, de telecomunicações e imobiliário.
— Eles são extralegais e, na prática, um Estado paralelo. Agora controlam cerca de 50% da economia iraniana — afirmou em entrevista à rádio pública americana NPR Arash Azizi, pesquisador na Universidade Yale. — Eles costumam ser muito pragmáticos. O que eles querem é a preservação de seus próprios privilégios e de sua própria riqueza.
Vídeo: Israel visa economia do Irã com ataques à infraestrutura petrolífera; Trump cogita envio de tropas para confiscar urânio
Logo depois que os primeiros ataques aéreos mataram Ali Khamenei e membros dos altos escalões do governo, a Guarda Revolucionária pressionou a Assembleia dos Especialistas, responsável pela escolha do líder supremo, a acelerar o processo e superar questões sobre a aptidão de Mojtaba Khamenei. Para a milícia, um processo rápido e reconhecido de sucessão mostraria ao mundo que o regime estava funcional, mesmo que, na prática, os aiatolás não mandem mais como antes — agora, decisões cruciais de defesa são tomadas por membros da Guarda, e autoridades como o presidente, Masoud Pezeshkian, são meramente ilustrativas.
— O que resta do regime é a Guarda Revolucionária. E ela será o último vestígio do regime até que ele seja reformulado, seja internamente ou por forças externas — afirmou à rede NBC News Afshon Ostovar, especialista em Irã da Escola de Pós-Graduação Naval da Califórnia. — Assim que a poeira baixar, se não houver uma mudança completa de regime, as pessoas que estarão no comando do Irã estarão associadas ou farão parte do comando direto da Guarda.
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita interceptam drones iranianos
Nesta segunda-feira, o Irã lançou novos ataques contra países do Golfo Pérsico, dias depois de Pezeshkian afirmar que eles não aconteceriam mais, declaração prontamente refutada pela Guarda Revolucionária. Houve relatos de interceptações e impactos na Arábia Saudita, Catar — cujo premier chamou o Irã de “traidores” — e Emirados Árabes Unidos. Na Turquia, um segundo míssil foi abatido pelas defesas aéreas da Otan, e os destroços caíram perto da fronteira com a Síria. A Chancelaria protestou, mas sem sugerir que o país vai retaliar militarmente.
Após um fim de semana de bombardeios contra o setor energético iraniano, Teerã alertou EUA e Israel para que não ataquem a Ilha de Kharg, chave para as exportações de petróleo do país. Segundo um porta-voz do governo, a ilha é um “cemitério de estrangeiros”, e uma ação traria mais incerteza sobre os impactos ao mercado petrolífero global. Com o Estreito de Ormuz virtualmente fechado, o preço do barril superou os US$ 100 nesta segunda-feira, alta de 30% desde o início do conflito. A cotação, contudo, despencou 11% depois de Trump afirmar à rede CBS News que “a guerra está quase completa”, e que está pensando em tomar Ormuz.
— Isso vai acabar em breve — disse em entrevista coletiva no fim da tarde. — E se recomeçar, eles (iranianos) serão ainda mais afetados.
Em resposta, a Guarda Revolucionária disse que “nós decidiremos o fim da guerra”
“A situação e o futuro da região agora estão nas mãos de nossas Forças Armadas. As forças americanas não acabarão com a guerra”, acrescentou um porta-voz da milícia, em comunicado.
Uma nuvem de fumaça sobe de um incêndio em curso após um ataque aéreo durante a noite à refinaria de petróleo de Shahran, no noroeste de Teerã, em 8 de março de 2026
AFP
Também há incerteza sobre os planos de Trump de mandar tropas ao Irã. No fim de semana, o presidente americano afirmou que poderia enviar forças de elite para confiscar estoques de urânio enriquecido do Irã. Em entrevista à rede CBS, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que seria “imprudente” afastar a hipótese, Nesta segunda, Trump disse que nenhuma decisão foi tomada.
Para especialistas, uma invasão terrestre de grande porte seria a única forma de eliminar o regime, apresentado como um dos objetivos da guerra, e mesmo com todo o poderio militar de EUA e Israel esse não seria um desfecho garantido. Os bombardeios eliminaram parte da liderança iraniana, mas a escolha de Mojtaba Khamenei serviu como um sinal de continuidade. A Guarda Revolucionária demonstrou coesão interna e resiliência. Não há sinais de deserções nas forças de segurança, de levantes populares ou insurreições internas — no sábado, Trump afastou a possibilidade de apoiar uma ofensiva de forças curdas iranianas, baseadas no Iraque.
— Você pode eliminar todos os elementos que tornam um Estado uma ameaça e dificultar, ou até mesmo impossibilitar, a realização de operações futuras por parte dele — disse o coronel aposentado da Força Aérea, John Warden, ao Wall Street Journal. — Agora, se você quer que um novo governo assuma o poder, alguém de dentro precisa tomar a iniciativa e assumir o controle.
Subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, ficam destruídos após ataque israelense
AFPTV / AFP
Em outra frente da guerra, no Líbano, o número de mortos desde o início da ofensiva israelense passou de 500, com mais de 600 mil deslocados, afirmou o presidente Joseph Aoun. Houve confrontos entre militares de Israel e do Hezbollah no sul do país, além de novos bombardeios contra alvos associados ao grupo. Em comunicado, Aoun defendeu o início imediato de negociações com Israel e o desarmamento do Hezbollah, previsto pelo acordo que encerrou a guerra de 2024. Ele ainda criticou os lançamentos de mísseis contra Israel, que serviram como estopim para arrastar o Líbano a um novo conflito.
“Quem quer que tenha disparado os foguetes, desejava comprar o colapso do povo libanês, sob um ataque e caos, mesmo que isso significasse a destruição de dezenas de nossas aldeias e a morte de centenas de milhares de pessoas, tudo em prol dos cálculos do regime iraniano”, completou Aoun.
Em resposta, Mohamed Raad, parlamentar do Hezbollah, disse que o objetivo é “expulsar o inimigo de nossa terra ocupada” a qualquere custo, e que “claramente, não temos outra opção para preservar a honra, o orgulho e a dignidade senão a resistência”.
Em 10 dias, a escalada militar no Oriente Médio já deixou um rastro crescente de impacto sobre civis. No Líbano, pelo menos 600 mil pessoas foram deslocadas desde o início dos combates na semana passada, segundo o presidente libanês, Joseph Aoun. Até domingo, quase 500 pessoas haviam sido mortas no país, incluindo mais de 80 crianças, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. Ao mesmo tempo, moradores de Teerã descrevem cenas que chamam de “apocalípticas” após ataques israelenses contra depósitos de petróleo cobrirem a cidade com fumaça tóxica e fuligem. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress