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Em sua primeira mensagem após assumir a liderança suprema do Irã, Mojtaba Khamenei afirmou ter visto o corpo do pai, o líder supremo Ali Khamenei, após o que chamou de “martírio”. Segundo ele, o corpo transmitia “uma montanha de firmeza” e sua mão “permanecia cerrada em punho”. Ele também falou sobre o desafio da sucessão.
Mojtaba Khamenei: Novo líder do Irã diz estudar abertura de novas frentes de guerra contra inimigos
Saiba quem é Mojtaba Khamenei: Político sucede o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã
A declaração faz parte de um longo comunicado divulgado nesta quinta-feira, no qual Mojtaba presta homenagem ao pai e reconhece a dificuldade de assumir o cargo ocupado por ele durante mais de três décadas.
“Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão intacta permanecia cerrada em punho” afirmou.
No texto, o novo líder diz que ocupar o posto que foi de Khamenei e do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, representa um enorme desafio.
“Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil”, escreveu.
Segundo ele, o pai se tornou uma figura histórica após mais de 60 anos de atuação política e religiosa.
“Sua vida e também a forma de sua morte foram marcadas por grandeza e dignidade decorrentes da confiança em Deus”, afirmou.
Apelo ao povo
Grande parte da mensagem é dedicada ao papel da população iraniana nos acontecimentos recentes no país. Mojtaba afirma que, nos dias em que o Irã ficou sem liderança formal, a mobilização popular teria garantido a estabilidade do sistema.
“A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança e coragem, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força”, afirmou.
Ele defendeu a manutenção da unidade nacional e pediu que a população continue presente na vida pública, participando de atividades políticas, sociais e culturais.
O novo líder também mencionou o conflito atual, afirmando que o país foi “injustamente atacado” e elogiando a atuação das forças armadas iranianas.
Segundo ele, os militares conseguiram bloquear o avanço do inimigo e impedir que o país fosse dominado ou dividido. Mojtaba também citou medidas estratégicas que podem continuar sendo usadas caso o conflito se prolongue, como o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Ele agradeceu ainda aos aliados da chamada “frente de resistência”, mencionando grupos e países da região que, segundo ele, prestaram apoio ao Irã.
Perdas familiares
No comunicado, Mojtaba também afirmou compartilhar o sofrimento das famílias afetadas pelo conflito recente. Ele disse que, além da morte do pai, outros membros de sua família também morreram.
“Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha esposa, minha irmã, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã”, afirmou.
Ao final da mensagem, o novo líder pediu orações durante o mês do Ramadã pela vitória do Irã no conflito atual e pela prosperidade da população. Ele encerrou o texto com uma saudação tradicional islâmica desejando paz e bênçãos ao povo iraniano.
Leia o comunicado na íntegra:
“Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
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Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão intacta permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco”.
Novo líder está ferido
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos leves, mas segue exercendo suas funções, informaram autoridades iranianas à agência de notícias Reuters.
A emissora americana CNN, citando fontes próximas ao caso, detalhou que Khamenei teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a mesma reportagem, uma fonte israelense afirmou que o líder iraniano foi ferido durante uma tentativa de assassinato ocorrida na semana passada, o que alimentou rumores que circulam há dias sobre seu estado de saúde.
Desde que foi anunciado como novo líder supremo do país, Khamenei não havia aparecido em público nem feito pronunciamentos, o que intensificou as especulações.
Na manhã de quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse ter recebido informações de que o aiatolá havia sido ferido, mas que estava fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele afirmou que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A confirmação de que Khamenei teria sido ferido também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei?
Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
— Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
O filho do aiatolá nunca se candidatou a um cargo político no Irã e, apesar das eleições no país não serem consideradas livres, com a repressão sobre a oposição crescendo a cada dia, a falta de algum respaldo de sua popularidade pode pesar contra ele, considerando que o sistema político-religioso do Irã depende do apoio das massas pelo país que o sustentam.
Outra resistência ao nome de Mojtaba pode surgir das raízes da Revolução Iraniana de 1979. Uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi era justamente o combate à hereditariedade do antigo regime. Emplacar o filho do atual líder supremo para sucedê-lo pode ser visto como um golpe às bases da revolução.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira que o país estuda a possibilidade de abrir novas frentes de confronto contra seus adversários, ampliando o conflito regional que se intensificou após os recentes ataques envolvendo Estados Unidos e Israel.
Mojtaba Khamenei se pronuncia pela primeira vez e pede que o povo do Irã se una ‘contra o inimigo
Saiba quem é Mojtaba Khamenei, que sucede o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã
A declaração foi feita na primeira mensagem pública de Khamenei desde que assumiu a liderança suprema iraniana. No pronunciamento, divulgado pelo canal oficial do líder no Telegram e reproduzido por meios de comunicação estatais, ele afirmou que análises estratégicas estão em andamento para ampliar a pressão militar sobre os inimigos do país.
“Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue”, afirmou em comunicado.
No discurso, Khamenei elogiou diretamente esses aliados e afirmou que a cooperação entre eles será fundamental para enfrentar o que chamou de “conspiração sionista”. Ele citou especificamente a atuação de combatentes no Iêmen e no Iraque, além do apoio do Hezbollah ao Irã.
Segundo meios de comunicação estatais iranianos, Khamenei também divulgou uma imagem com sua própria caligrafia, em referência aos líderes que o antecederam no comando da República Islâmica. A imagem mostra uma lista com os nomes dos líderes supremos do Irã: Mojtaba Khamenei, o seu pai, Ali Khamenei, e o seu antecessor e primeiro homem a ocupar o cargo, Ruhollah Khomeini.
Abaixo da lista, encontra-se a breve mensagem: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”. A frase denota novos começos: entre outros usos, é utilizada no início da maioria dos capítulos do Alcorão.
Mensagem na íntegra:
““Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco.”
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, divulgou nesta quinta-feira sua primeira mensagem desde que assumiu o cargo, por meio de seu canal oficial no Telegram. No pronunciamento, ele afirmou que medidas como a pressão sobre o Estreito de Ormuz podem “pressionar o inimigo”, inclusive ao provocar uma alta nos preços do petróleo.
Saiba quem é Mojtaba Khamenei, que sucede o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã
Segundo meios de comunicação estatais iranianos, Khamenei também divulgou uma imagem com sua própria caligrafia, em referência aos líderes que o antecederam no comando da República Islâmica. A imagem mostra uma lista com os nomes dos líderes supremos do Irã: Mojtaba Khamenei, o seu pai, Ali Khamenei, e o seu antecessor e primeiro homem a ocupar o cargo, Ruhollah Khomeini.
Abaixo da lista, encontra-se a breve mensagem: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”. A frase denota novos começos: entre outros usos, é utilizada no início da maioria dos capítulos do Alcorão.
Mensagem na íntegra:
““Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco.”
Contexto
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos leves, mas segue exercendo suas funções, informaram autoridades iranianas à agência de notícias Reuters.
A emissora americana CNN, citando fontes próximas ao caso, detalhou que Khamenei teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a mesma reportagem, uma fonte israelense afirmou que o líder iraniano foi ferido durante uma tentativa de assassinato ocorrida na semana passada, o que alimentou rumores que circulam há dias sobre seu estado de saúde.
Desde que foi anunciado como novo líder supremo do país, Khamenei não havia aparecido em público nem feito pronunciamentos, o que intensificou as especulações.
Na manhã de quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse ter recebido informações de que o aiatolá havia sido ferido, mas que estava fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele afirmou que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A confirmação de que Khamenei teria sido ferido também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei
Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
— Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
O filho do aiatolá nunca se candidatou a um cargo político no Irã e, apesar das eleições no país não serem consideradas livres, com a repressão sobre a oposição crescendo a cada dia, a falta de algum respaldo de sua popularidade pode pesar contra ele, considerando que o sistema político-religioso do Irã depende do apoio das massas pelo país que o sustentam.
Outra resistência ao nome de Mojtaba pode surgir das raízes da Revolução Iraniana de 1979. Uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi era justamente o combate à hereditariedade do antigo regime. Emplacar o filho do atual líder supremo para sucedê-lo pode ser visto como um golpe às bases da revolução.
O Estreito de Ormuz seguirá bloqueado segundo o novo aiatolá do Irã, Mojtaba Khamenei. A informação foi confirmada no primeiro pronunciamentodo chefe de estado, divulgado pelos canais oficiais da República Islâmica nesta quinta-feira.
Entenda o caso: Mojtaba Khamenei se pronuncia pela primeira vez e pede mais ataques; ‘Pressionar o inimigo’
Três mensagens e sete tópicos: o que se sabe do pronunciamento divulgado por Mojtaba Khamenei
Primeira mensagem de Mojtaba Khamenei é uma imagem que relembra os antecessores
Reprodução
‘Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz’, disse Mojtaba Khamenei no documento. “Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam”, concluiu.
No texto, divido em três partes na rede social, o filho de Ali Khamenei enumera sete pontos e traz trechos do Alcorão, incluindo a frase “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, que denota novos começos: entre outros usos, é utilizada no início da maioria dos capítulos do livro sagrado.
“Povo do Irã de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo”, pediu ele. Além disso, revelou a sua caligrafia em uma imagem que relembrava antecessores, segundo informações dos meios de comunicação estatais iranianos.
*Esta matéria está em atualização
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, divulgou sua primeira mensagem desde a nomeação, nesta quinta-feira, em seu canal oficial no Telegram. No texto, divido em três partes na rede social, o filho de Ali Khamenei enumera sete pontos e traz trechos do Alcorão, incluindo a frase “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, que denota novos começos: entre outros usos, é utilizada no início da maioria dos capítulos do livro sagrado.
Comunicado: Estreito de Ormuz ‘certamente’ seguirá bloqueado, diz novo aiatolá do Irã em primeiro pronunciamento
Mojtaba Khamenei: Novo líder do Irã diz estudar abertura de novas frentes de guerra contra inimigos
“Povo do Irã de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo”, pediu ele. Além disso, revelou a sua caligrafia em uma imagem que relembrava antecessores, segundo informações dos meios de comunicação estatais iranianos.
A imagem publicada na conta oficial do Instagram do líder supremo, em novo perfil criado nesta quinta-feira, mostra uma lista com os nomes dos líderes supremos do Irã: Mojtaba Khamenei, o seu pai, Ali Khamenei, e o seu antecessor e primeiro homem a ocupar o cargo, Ruhollah Khomeini. Os nomes, segundo a CNN, foram escritos na caligrafia do aiatolá.
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Minutos depois, outra mensagem foi publicada no Instagram, em que Mojtaba Khamenei dá detalhes sobre o funeral do pai. O trecho também está presente na mensagem publicada no canal do Telegram.
“Tive a honra de poder ver (visitar) o corpo dele após o seu martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza e dignidade, e ouvi dizer que seu punho, da mão ainda intacta, estava cerrado…”, diz o texto da imagem.
Mensagem do Telegram na íntegra:
“Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco.”
Contexto
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos leves, mas segue exercendo suas funções, informaram autoridades iranianas à agência de notícias Reuters.
A emissora americana CNN, citando fontes próximas ao caso, detalhou que Khamenei teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a mesma reportagem, uma fonte israelense afirmou que o líder iraniano foi ferido durante uma tentativa de assassinato ocorrida na semana passada, o que alimentou rumores que circulam há dias sobre seu estado de saúde.
Desde que foi anunciado como novo líder supremo do país, Khamenei não havia aparecido em público nem feito pronunciamentos, o que intensificou as especulações.
Na manhã de quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse ter recebido informações de que o aiatolá havia sido ferido, mas que estava fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele afirmou que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A confirmação de que Khamenei teria sido ferido também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei
Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
— Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.
Mojtaba Khamenei
Reprodução
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
O filho do aiatolá nunca se candidatou a um cargo político no Irã e, apesar das eleições no país não serem consideradas livres, com a repressão sobre a oposição crescendo a cada dia, a falta de algum respaldo de sua popularidade pode pesar contra ele, considerando que o sistema político-religioso do Irã depende do apoio das massas pelo país que o sustentam.
Outra resistência ao nome de Mojtaba pode surgir das raízes da Revolução Iraniana de 1979. Uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi era justamente o combate à hereditariedade do antigo regime. Emplacar o filho do atual líder supremo para sucedê-lo pode ser visto como um golpe às bases da revolução.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, divulgou sua primeira mensagem desde a nomeação, nesta quinta-feira, em seu canal oficial no Telegram. “Povo do Irã de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo”, pediu ele. Além disso, segundo a CNN, revelou a sua caligrafia em uma imagem publicada nas redes sociais que relembrava antecessores.
Saiba quem é Mojtaba Khamenei, que sucede o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã
Mojtaba Khamenei: Novo líder do Irã diz estudar abertura de novas frentes de guerra contra inimigos
A imagem mostra uma lista com os nomes dos líderes supremos do Irã: Mojtaba Khamenei, o seu pai, Ali Khamenei, e o seu antecessor e primeiro homem a ocupar o cargo, Ruhollah Khomeini.
Abaixo da lista, encontra-se a breve mensagem: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”. A frase denota novos começos: entre outros usos, é utilizada no início da maioria dos capítulos do Alcorão.
Mensagem na íntegra:
““Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco.”
Contexto
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos leves, mas segue exercendo suas funções, informaram autoridades iranianas à agência de notícias Reuters.
A emissora americana CNN, citando fontes próximas ao caso, detalhou que Khamenei teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a mesma reportagem, uma fonte israelense afirmou que o líder iraniano foi ferido durante uma tentativa de assassinato ocorrida na semana passada, o que alimentou rumores que circulam há dias sobre seu estado de saúde.
Desde que foi anunciado como novo líder supremo do país, Khamenei não havia aparecido em público nem feito pronunciamentos, o que intensificou as especulações.
Na manhã de quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse ter recebido informações de que o aiatolá havia sido ferido, mas que estava fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele afirmou que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A confirmação de que Khamenei teria sido ferido também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei
Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
— Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
O filho do aiatolá nunca se candidatou a um cargo político no Irã e, apesar das eleições no país não serem consideradas livres, com a repressão sobre a oposição crescendo a cada dia, a falta de algum respaldo de sua popularidade pode pesar contra ele, considerando que o sistema político-religioso do Irã depende do apoio das massas pelo país que o sustentam.
Outra resistência ao nome de Mojtaba pode surgir das raízes da Revolução Iraniana de 1979. Uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi era justamente o combate à hereditariedade do antigo regime. Emplacar o filho do atual líder supremo para sucedê-lo pode ser visto como um golpe às bases da revolução.
As Forças Armadas de Israel anunciaram nesta quinta-feira um bombardeio ao complexo de Taleghan, uma suposta instalação do programa nuclear iraniano na qual o Estado judeu afirma que o regime dos aiatolás estaria desenvolvendo atividades para a obtenção de armas atômicas. O anúncio veio após os militares declararem que ataques em “larga escala” estavam em curso no Irã neste 13º dia de conflito. O regime iraniano nega perseguir armas nucleares, embora autoridades internacionais tenham denunciado o enriquecimento de urânio no país a níveis acima do uso civil desde a saída unilateral dos EUA, durante o primeiro mandato de Donald Trump, do último acordo nuclear vigente.
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“A Força Aérea de Israel, agindo sob orientação precisa da Inteligência Militar (Aman), atingiu um alvo adicional do programa nuclear iraniano, o complexo Taleghan, que era utilizado pelo regime para promover capacidades críticas no desenvolvimento de armas nucleares”, afirma o comunicado militar. “O local foi utilizado nos últimos anos para o desenvolvimento de explosivos avançados e para a realização de experimentos sensíveis no âmbito do projeto “Amad”, o programa secreto para o desenvolvimento de armas nucleares nos anos 2000″.
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A instalação referida pelos militares israelenses como complexo Taleghan provavelmente se refere a uma instalação em Parchin, a sudeste de Teerã. O Instituto para a Ciência e Segurança Internacional, organização com sede nos EUA que tem monitorado o programa nuclear do Irã, afirmou recentemente que a República Islâmica realizava atividades militares secretas no local.
O programa nuclear iraniano, que o regime afirma ter fins pacíficos, é um dos aspectos centrais que os aliados israelenses e americanos usaram para justificar o ataque de 28 de fevereiro, referindo-se como uma ameaça existencial. Centrais nucleares já haviam sido bombardeadas em 2025, durante a Guerra de Doze dias, mas não interrompeu o programa como um todo. O destino dos quilos de urânio que o Irã enriqueceu a níveis próximos do uso bélico ainda é um ponto de preocupação internacional.
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EUA e Irã chegaram a engajar em negociações sobre o programa nuclear, embora as demandas nunca tenham se aproximado. Trump, de acordo com fontes americanas, estava buscando o encerramento das atividades nucleares iranianas, enquanto Teerã oferecia garantias de um programa para fins civis, submetido a fiscalização internacional. Washington também tentou incluir na negociação questões envolvendo o programa de mísseis e a rede de alianças regionais iranianas, o que foi rejeitado.
No início deste mês, o Exército israelense anunciou que havia atingido uma instalação nuclear subterrânea no Irã, que acusou de estar sendo usada por cientistas para desenvolver “secretamente” um componente fundamental para armas nucleares.
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“A inteligência das FDI continuou a acompanhar as atividades dos cientistas e localizou sua nova localização (…) o que permitiu um ataque preciso”, disseram os militares na época, exibindo um mapa que mostrava a instalação na periferia leste de Teerã.
Apesar de ataques confirmados a instalações nucleares até o momento, a AIEA afirmou que “não há provas” de que a ofensiva tenha tido um “impacto radiológico”. (Com AFP)
O novo guia supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, vai divulgar “nos próximos instantes” sua primeira mensagem desde a nomeação, anunciou nesta quinta-feira seu canal oficial no Telegram, sem especificar em qual formato.
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De acordo com a agência estatal IRNA, o pronunciamento, descrito como “estratégico”, será divulgado em sete partes e marcará a primeira comunicação oficial do novo líder desde que assumiu o posto após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei.
A mensagem abordou “o líder mártir da revolução”, Ali Khamenei, morto no primeiro dia do ataque lançado por Israel e Estados Unidos, além de tratar “do papel e dos deveres do povo, das forças armadas, dos órgãos executivos, da frente de resistência, bem como dos países da região e da forma de lidar com os inimigos”.
A comunicação também deverá mencionar o chamado “Eixo da Resistência”, nome dado por Teerã ao conjunto de aliados e grupos armados alinhados ao Irã no Oriente Médio, que inclui organizações e movimentos presentes em países como Líbano, Síria, Iraque e Iêmen.
Um nadador de resgate da Guarda Costeira dos Estados Unidos morreu na noite de quinta-feira (5) após sofrer ferimentos graves durante uma operação de evacuação médica no Oceano Pacífico, a cerca de 120 milhas náuticas da costa do estado de Washington. Antes de falecer, o militar foi homenageado em duas cerimônias emocionantes no hospital, que incluíram uma condecoração por heroísmo e um pedido de casamento realizado em seu nome por familiares.
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Tyler Jaggers integrava a tripulação de um helicóptero MH-60 Jayhawk da Estação Aérea de Astoria, no Oregon. A equipe havia sido acionada em 27 de fevereiro para resgatar um tripulante que sofria um acidente vascular cerebral a bordo do navio mercante Momi Arrow, segundo a Guarda Costeira.
Homenagens no hospital
Durante a internação, Jaggers recebeu a Cruz de Voo Distinto, uma das mais altas condecorações militares por atos de heroísmo em voo, além de uma promoção por mérito ao posto de suboficial de segunda classe. A cerimônia ocorreu com a presença de familiares e colegas de equipe.
“O técnico de sobrevivência em aviação Jaggers representava o que há de melhor em nossa corporação”, afirmou o almirante Kevin Lunday, comandante da Guarda Costeira dos EUA, em comunicado divulgado na sexta-feira (6). Segundo ele, o militar demonstrou “heroísmo extraordinário diante do perigo” ao cumprir a missão de salvar vidas.
De acordo com Rick McElrath, fundador da Associação de Nadadores de Resgate de Helicóptero da Guarda Costeira, Jaggers se feriu ao cair enquanto era descido do helicóptero para o convés da embarcação durante a operação. A agência não confirmou os detalhes e informou que a investigação sobre as circunstâncias do acidente ainda está em andamento.
Após o incidente, o militar foi levado inicialmente ao Hospital Geral de Victoria, na Colúmbia Britânica, no Canadá, e depois transferido para o Centro Médico do Exército Madigan, na Base Conjunta Lewis-McChord, no estado de Washington, onde morreu.
Horas antes de sua morte, a companheira de Jaggers, Cassandra Weaver, relatou nas redes sociais que aceitou um pedido de casamento feito simbolicamente pela família do militar ao lado de seu leito hospitalar. Segundo ela, Jaggers havia contado recentemente a amigos próximos que planejava pedi-la em casamento.
Jaggers ingressou na Guarda Costeira em janeiro de 2022 e servia na base de Astoria desde abril de 2024. Antes disso, havia sido reconhecido pelo Departamento de Segurança Interna por seu desempenho durante operações no Caribe a bordo do navio patrulha Legare. A vítima do AVC foi posteriormente evacuada pela Guarda Costeira canadense.

O Brasil alcançou o seu melhor desempenho da história no índice da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que avalia a efetividade das políticas governamentais de dados abertos.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (11) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O resultado consta na última edição do OURData Index (Open, Useful and Re-usable Data Index), o ranking que mede o grau de abertura, acessibilidade e reutilização de dados públicos entre países membros e parceiros da organização.

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Entre 41 países analisados, o Brasil obteve 0,70 ponto em uma escala de 0 a 1, alcançando a 8ª melhor nota do mundo. Trata-se da melhor pontuação da América Latina e um resultado 32% superior à média dos países da OCDE, segundo o governo. O desempenho também coloca o país à frente de nações reconhecidas pelas políticas digitais de dados abertos, como Reino Unido e Canadá, e consolida o Brasil como referência regional e internacional na agenda de abertura de dados.

O índice OURData Index analisa três dimensões principais das políticas de dados abertos: disponibilidade, acessibilidade e suporte ao reuso das informações públicas.

O Brasil apresentou resultados especialmente expressivos nos dois primeiros pilares. No critério disponibilidade de dados, a pontuação foi 0,78 ponto, enquanto em acessibilidade dos dados atingiu 0,74. No pilar suporte ao reuso, a nota foi ficou em 0,57, mas ainda superior à média da OCDE, de 0,40.

“Os resultados refletem avanços do governo do Brasil na publicação proativa de dados governamentais em formatos abertos e reutilizáveis, além do fortalecimento de instrumentos que ampliam o acesso e o uso dessas informações por cidadãos, pesquisadores, jornalistas, empreendedores e pela sociedade em geral”, destacou nota do governo brasileiro.

O reconhecimento internacional também foi destacado pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho. Segundo ele, o resultado reflete a consolidação da política brasileira de dados abertos e o compromisso do governo atual com o fortalecimento da transparência.

“Esse resultado comprova o avanço do Brasil na agenda de transparência e Governo Aberto. Ao ampliar o acesso às informações públicas, fortalecemos o controle social, estimulamos a inovação e contribuímos para o aprimoramento das políticas públicas”, afirmou em nota divulgada pela Secom.

Política Nacional

A Política Nacional de Dados Abertos, coordenada pela CGU, completa 10 anos em maio deste ano e tem como ferramenta fundamental o Portal Brasileiro de Dados Abertos, a principal plataforma de publicação e acesso a dados governamentais no país.

Atualmente, o portal reúne mais de 15 mil conjuntos de dados produzidos por órgãos federais e parceiros subnacionais, disponibilizados em formatos abertos e legíveis por máquina. As informações podem ser utilizadas pela sociedade civil e setores privado e público em variados tipos de iniciativas, como pesquisas acadêmicas, reportagens, desenvolvimento de aplicativos, criação de novos negócios e políticas baseadas em dados, entre outras possibilidades.

Entre 2022 e 2025, o número de conjuntos de dados publicados cresceu cerca de 50%, passando de 10.447 para mais de 15 mil bases. No mesmo período, o portal ampliou o alcance e já conta com mais de 100 mil usuários, segundo o governo federal.  

O fortalecimento da cultura de dados abertos no governo brasileiro também foi impulsionado por iniciativas de capacitação e integração entre órgãos públicos.

Desde 2023, o governo federal, por meio da CGU e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), realiza a Semana Dados BR, evento que já levou conhecimento sobre o uso de dados para mais de 40 mil pessoas. Em 2024, as duas pastas lançaram o Catálogo Nacional de Dados, iniciativa que reúne, em um único ambiente, os conjuntos de dados produzidos pelo Poder Executivo Federal.

No início deste ano, o governo do Brasil assumiu a copresidência da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership – OGP), iniciativa internacional que reúne 73 países e organizações da sociedade civil para promover transparência, participação social, responsabilidade e responsividade na gestão pública. A copresidência é exercida pela CGU, em parceria com a advogada queniana Steph Muchai.

O que é a OCDE

Criada em 1961, e com sede em Paris, a OCDE é uma organização internacional formada atualmente por 37 países, incluindo algumas das principais economias desenvolvidas do mundo, como Estados Unidos (EUA), Japão e países da União Europeia. O Brasil, que desde 2007 é considerado um parceiro-chave ativo da organização, formalizou o interesse em tornar-se membro pleno em 2017, durante o governo de Michel Temer.

O processo de adesão teve desdobramentos no fim de 2022, mas desde então, segue sem avanços. 

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