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Em algum lugar no Golfo de San Matías, cuja localização exata jamais será revelada, centenas de tubarões-cobre foram gravadas pelo cinegrafista e ambientalista Maximiliano Cartes Salas nadando no mar, cuja transparência é garantida pelas águas rasas.
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— Esta deve ser a primeira vez que isso foi filmado no litoral argentino — afirmou Alejo Irigoyen, biólogo especializado em ecologia marinha do Centro de Estudos de Sistemas Marinhos (Cesimar-Conicet).
Dois motivos explicam isso: esses animais são mais comuns em águas profundas do que em áreas costeiras e, segundo o especialista, muito pouco se sabe sobre tubarões na Argentina.
— Sabemos que eles migram entre o Brasil e a Argentina a cada temporada e que se deslocam em cardumes como esse. Mas não sabemos muito mais — acrescentou Irigoyen. De acordo com diversos estudos analisados, esses tubarões chegam ao golfo devido à temperatura da água e à rica biodiversidade da região, considerada um “ponto crítico de biodiversidade”.
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Os tubarões-cobre são cosmopolitas e migratórios. Sua distribuição na região do Atlântico se estende ao longo das costas do Brasil, Uruguai e Argentina, mas também são encontrados na Austrália, África, Peru e Chile. Na Argentina, tendem a se concentrar em áreas ao longo da costa da província de Buenos Aires e entre Chubut e Río Negro.
Sua pele tem uma cor prateada acobreada, podem medir mais de três metros da barbatana ao focinho e pesar 300 quilos. Alimentam-se de peixes e pequenos animais marinhos. Embora existam relatos em todo o mundo de humanos feridos por esta espécie, entre os dois, os humanos são os verdadeiros predadores do tubarão-cobre. Por essa razão, Cartes Salas decidiu manter em segredo a localização exata do cardume que encontrou.
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De acordo com estudos científicos, sua população global diminuiu entre 30% e 50%. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) os classificou como uma espécie vulnerável. Há dez anos, foi alertado que essa tendência global estava se repetindo na Argentina. Os pesquisadores argentinos Santiago Barbini, Luis Lucifora e Daniel Figueroa demonstraram, em 2015, uma tendência de declínio ao longo das últimas quatro — agora cinco — décadas para esta e outras três espécies de tubarão.
Este estudo utilizou uma revista popular de pesca recreativa como fonte de dados para analisar as tendências de abundância das quatro espécies de tubarão de grande porte mais comuns na costa de Buenos Aires entre 1973 e 2008. Tanto naquela época quanto agora, os registros de pesca fornecem uma fonte mais contínua de informações sobre o tubarão-de-pontas-brancas.
— Um dos principais impactos que essa espécie tem aqui e em todo o mundo é, sem dúvida, a pesca esportiva — afirmou Irigoyen, acrescentando: — Existe um programa chamado “Conservando Tubarões da Argentina”, administrado pela WCS [Sociedade de Conservação da Vida Selvagem], que está trabalhando extensivamente com pescadores para aumentar a conscientização e colaborar na marcação desses tubarões.
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Um fato que Cartes Salas destacou é que essa espécie de tubarão se reproduz lentamente.
— Uma fêmea de tubarão-cobre leva quase 20 anos para ter seu primeiro filhote. Seu crescimento é tão lento que qualquer perda hoje tem um impacto do qual a natureza levará um quarto de século para se recuperar. Protegê-los é uma necessidade urgente — alertou.
Além disso, o cinegrafista informou que o vídeo foi adquirido pelo Grupo Condros, uma organização científica especializada em peixes cartilaginosos, vinculada ao Centro de Pesquisa Aplicada e Transferência de Tecnologia em Recursos Marinhos (Cimas), “para contribuir com a pesquisa em nosso Golfo de San Matías”, acrescentou.
Atualmente, diversos grupos científicos trabalham para destacar a importância biológica da região do Golfo de San Matías devido aos grandes projetos de exploração de hidrocarbonetos que se avizinham. Até recentemente, essas atividades eram proibidas na área por uma lei provincial que foi revogada há alguns anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou minimizar o impacto da alta nos preços da gasolina provocada pela guerra contra o Irã, afirmando que o aumento “não nos afeta realmente”. O encarecimento do combustível, porém, já preocupa aliados republicanos, que temem efeitos negativos para o discurso econômico do partido às vésperas das eleições legislativas de novembro. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não está sendo travada por terra, mas no céu — e também a partir dele. O confronto reúne um arsenal que vai de bombas planadoras guiadas por GPS e munições de precisão utilizadas por caças e navios americanos a mísseis balísticos capazes de percorrer mais de 1.900 km e drones de baixo custo lançados por Teerã. Veja a seguir um guia das principais armas que cada lado está utilizando para atingir seus objetivos no conflito.
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Estados Unidos e Israel
Eles iniciaram esta guerra enviando dois porta-aviões da Marinha dos EUA — juntamente com dezenas de caças, bombardeiros e aviões de reabastecimento da Força Aérea americana — para a região. Três contratorpedeiros escoltam cada porta-aviões, armados com uma variedade de mísseis ofensivos e defensivos.
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Quando a guerra começou, a primeira onda de bombardeios utilizou armas, como a bomba planadora AGM-154, que podiam ser lançadas muito além do alcance das defesas do Irã.
Bomba planadora AGM-154
Editoria de Arte O Globo
O que faz: Quando uma bomba planadora é lançada de um avião como um F/A-18 Super Hornet, as asas da munição se abrem, proporcionando sustentação para um voo longo e silencioso até o alvo. Aletas traseiras giratórias utilizam GPS para direcionar a bomba. Alguns modelos podem atingir alvos em movimento.
Qual é o seu alcance: Mais de 128 km.
Como é utilizada: Uma variante é uma arma de fragmentação que cobre locais de defesa aérea inimigos com bombas menores. Outra versão contém uma ogiva com o equivalente a cerca de 90 kg de TNT.
Quem a fabrica: Raytheon.
Quanto custa: US$ 578.000 (mais de R$ 2,9 bilhões) a US$ 836.000 (mais de R$ 4,3 bilhões).
Quantos os EUA possuem: a Marinha comprou 3 mil delas há quase duas décadas.
Agora, o Departamento de Defesa afirma que as forças armadas destruíram a defesa aérea do Irã e passarão a usar bombas “de uso geral” muito mais baratas, que são lançadas muito mais perto de seus alvos. Elas vêm em três tamanhos: 226, 453 e 907 kg.
Munição conjunta de ataque direto
Editoria de Arte O Globo
O que faz: Cai e explode coisas. É guiada por sinais de GPS e pode ser programada para explodir logo acima do alvo ou no impacto.
Qual o alcance: Dependendo da altitude da aeronave que a lança, esta arma pode viajar até 24 km.
Como é utilizada: Dos três tamanhos de ogivas disponíveis, a versão de 226 kg é a mais utilizada. Projetada para funcionar em todos os tipos de clima e custar cerca de metade do preço das bombas guiadas a laser, a Joint Direct Attack Munition tornou-se a ferramenta preferida do Pentágono para ataques aéreos durante as guerras pós-11 de setembro. Essas bombas caem a cerca de 9,1 km de seus alvos com aproximadamente 90 kg de explosivos.
Quem a fabrica: Paligen Technologies e Boeing.
Quanto custa: a ogiva custa cerca de US$ 1.000 (R$ 5,1 mil) e o kit de orientação custa cerca de US$ 38 mil (R$ 195 mil).
Quantas os EUA têm: provavelmente centenas de milhares.
Irã
Os comandantes locais estão revidando com mísseis e drones em toda a região. Eles não têm mais muitas defesas aéreas nem uma força aérea. Suas principais armas ofensivas são mísseis balísticos de médio alcance, como o Shahab-3.
Shahab-3
Editoria de Arte O Globo
O que faz: É lançado do solo e voa até 402 km acima da superfície da Terra, onde há menos resistência aerodinâmica. Em seguida, desce em arco e cai em direção ao seu alvo.
Qual é o seu alcance: Mais de 1900 km.
Como é utilizado: Esses mísseis têm como alvo cidades em Israel e infraestruturas em todo o Golfo — refinarias, radares de defesa aérea e edifícios militares. Acredita-se que o Shahab-3 tenha uma precisão de aproximadamente 45 m e transporte uma ogiva de 680 kg.
Quem o fabrica: Organização de Indústrias Aeronáuticas do Irã. É baseado no míssil Nodong da Coreia do Norte.
Quanto custa: Desconhecido.
Quantos o Irã possui: Desconhecido, mas agências de inteligência dos EUA afirmam que o arsenal de mísseis balísticos de médio alcance do Irã é “substancial”.
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Para evitar as contramedidas que interceptam e destroem seus mísseis, os iranianos também utilizam drones. O principal deles é o Shahed-136.
Shahed-136
Editoria de Arte O Globo
O que faz: É essencialmente um míssil de cruzeiro rudimentar, movido a hélice.
Qual é o seu alcance: Até 680 kg.
Como é utilizado: O Shahed-136 é lento (cerca de 115 milhas por hora), mas voa a baixa altitude, tornando-o difícil de ser detectado pelo radar. O drone utiliza GPS para localizar seu alvo, e a ogiva de 40,8 kg explode com o impacto.
Quem o fabrica: Iran Aircraft Manufacturing Company.
Quanto custa: US$ 35.000 (R$ 180 mil), segundo analistas.
Quantos o Irã possui: Provavelmente milhares.
Depois que um míssil Tomahawk destruiu uma escola para meninas no sul do Irã e matou dezenas de alunas, o presidente Trump disse que a arma poderia ser do Irã. Mas apenas alguns países possuem o Tomahawk, e a República Islâmica não é conhecida por ser um deles.
Países do Golfo Pérsico e Israel
Esses países estão na mira dos ataques retaliatórios do Irã, então têm trabalhado para derrubar drones — a tecnologia para isso está evoluindo rapidamente — e mísseis. Sua ferramenta mais confiável é o sistema Patriot.
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Sistema Patriot
Editoria de Arte O Globo
O que faz e como funciona: Uma bateria Patriot consiste em uma van de controle e um ou mais lançadores de mísseis e radares. Quando o radar detecta uma ameaça, os soldados decidem se devem disparar ou não, com base na direção em que ela se dirige.
Contra o que defende: O Patriot pode abater aviões, helicópteros e mísseis até uma altitude de 24 km. Existem três mísseis Patriot diferentes para diferentes tipos de alvos. (Não se utiliza a mesma arma para atingir uma aeronave que voa lentamente e um míssil balístico que se move a cinco vezes a velocidade do som.)
Como é utilizado: Os Patriots criam uma bolha de proteção — com um raio de até 160 km em qualquer direção — em torno de locais de alto valor, como prédios governamentais, instalações militares e usinas de energia.
Quem o fabrica: Raytheon.
Quanto custa: US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) a US$ 4 milhões (R$ 20 milhões) por míssil.
Quem os possui: Na região do Oriente Médio, Bahrein, Israel, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
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Para se defender dos ataques do Hamas e do Irã, Israel desenvolveu a rede de defesa aérea mais robusta do Oriente Médio — grande parte dela projetada e fabricada internamente. O Pentágono chegou a comprar um sistema israelense, chamado Iron Dome, para seu próprio uso.
Um homem armado com um rifle jogou seu veículo contra uma das maiores sinagogas reformistas dos Estados Unidos, localizada em um subúrbio de Detroit, no Michigan, e foi morto por seguranças na quinta-feira. A ofensiva não deixou feridos para além de um agente de segurança que foi atingido pelo carro e perdeu a consciência, sem risco de morte. Ainda assim, a ocorrência chamou a atenção: ela se soma a uma série de ataques e ameaças feitos contra alvos judeus e americanos em diferentes partes do mundo desde o início da guerra iniciada por Washington e Tel Aviv contra o Irã no fim de fevereiro. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Minas navais, armas simples e de baixo custo, podem se tornar uma das ferramentas mais perigosas do Irã no atual cenário de tensão no Golfo Pérsico. De acordo com o Wall Street Journal, autoridades dos Estados Unidos afirmaram que Teerã teria instalado minas no Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Segundo estimativas do Institute for the Study of War, cerca de dez minas teriam sido lançadas na região. Nesta quinta-feira, porém,, o vice-chanceler iraniano, Mayid Tajt Ravanchi, negou que o país já tenha lançado minas no estreito. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na tarde da última segunda-feira, quando foi confirmado que a Comissão Nacional para Refugiados (Conare) da Argentina, órgão vinculado ao Ministério do Interior do país, concedera o status de refugiado político a Joel Borges Correa, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos e 6 meses de prisão por sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, uma fonte diplomática disse à coluna, de forma taxativa: “Brasil e Argentina vivem o pior momento de suas relações desde a redemocratização de ambos os países.”
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Não se trata apenas do pior momento no vínculo entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. O buraco é bem mais embaixo e ecoa na região. Desde dezembro de 2023, quando Milei assumiu o poder, o governo brasileiro trabalha para tentar preservar um mínimo de relação entre dois países vizinhos que já foram parceiros estratégicos, lideraram a fundação do Mercosul há mais de 30 anos, enfrentaram juntos iniciativas como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) — lançada pelos Estados Unidos e derrubada definitivamente numa cúpula no balneário argentino de Mar del Plata em 2005 — e que, até hoje, são sócios comerciais importantíssimos. Hoje, a sensação entre fontes oficiais brasileiras é de que o pior está por vir.
Não há confirmação de interferência política de Milei na decisão da Conare, mas as justificativas dadas pela comissão deixam dúvidas no ar. Os advogados de Correa, que cumpria regime de prisão domiciliar na Argentina e usava tornozeleira eletrônica, segundo confirmaram fontes diplomáticas, convenceram a comissão argentina de que há “fundado temor de perseguição política”. A decisão pode se tornar um precedente favorável para outros condenados pelo STF.
Até segunda-feira, o governo brasileiro apostava, segundo fontes, “numa atuação profissional e séria da Conare, sem envolvimento do governo Milei”. Agora ninguém sabe o que esperar. Em palavras de uma fonte em Brasília, “de Milei, nada nos surpreende”.
O governo Lula vem tentando estabelecer relações pragmáticas com a direita latino-americana. Na próxima segunda-feira, o presidente brasileiro receberá em Brasília seu par da Bolívia, Rodrigo Paz. Em janeiro, Lula foi até o Panamá participar de um foro econômico onde se reuniu com o então presidente eleito do Chile, o conservador José Antonio Kast, entre outros.
A estratégia de Lula tem chances de funcionar no âmbito econômico. Os governos da região têm interesse em manter boas relações com o Brasil em matéria comercial e de investimentos. Paz vai colocar sobre a mesa a necessidade de que a Petrobras volte a investir na Bolívia, e de que seu país amplie as exportações de gás para o mercado brasileiro.
Mas quando o assunto é política, está ficando claro que Lula está cercado de adversários. Milei talvez seja o caso mais delicado, pela importância da relação bilateral. Mas ele não está só. Em Santiago, o novo presidente empossado quarta passada disse ao senador Flávio Bolsonaro que “temos muito trabalho a fazer no Peru e na Colômbia”. O primeiro terá eleições presidenciais em abril e o segundo, em maio. Em ambos, a direita tem chances de vencer.
Não restam dúvidas de que Milei e os demais presidentes latino-americanos de centro-direita e direita terão um papel nas eleições presidenciais de 2026, inclusive a brasileira. E por trás de todos estará o americano Donald Trump.
Um militar francês morreu e outros cinco ficaram feridos em um ataque com drones em uma base usada em conjunto com forças curdas no Iraque, confirmou o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira. Foi a primeira morte de militares do país europeu desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e EUA, e ocorre em meio a mobilizações “defensivas” de Paris na região.
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“O sargento Arnaud Frion, do 7º Batalhão de Caçadores Alpinos em Varces, morreu lutando pela França durante um ataque na região de Erbil, no Iraque. À sua família e aos seus camaradas de armas, expresso as mais profundas condolências e a solidariedade da nação”, escreveu Macron na rede social X. “Este ataque contra as nossas forças, que estão engajadas na luta contra o Estado Islâmico desde 2015, é inaceitável.”
Centenas de militares franceses estão baseados na região como parte da coalizão internacional criada contra o grupo terrorista Estado Islãmico, que chegou ao seu auge por volta de 2015, mas que hoje se resume a bolsões no Iraque e Síria, sem o mesmo poder de outrora.
“A presença deles no Iraque se dá estritamente no âmbito da luta contra o terrorismo. A guerra no Irã não justifica tais ataques”, escreveu Macron.
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Forças italianas também estão nos arredores de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, participando de treinamentos e orientação técnica — uma instalação usada por elas na região foi atacada na quarta-feira, sem deixar feridos, em uma ação que a Itália considerou ser “deliberada”. Desde o início da guerra, bases usadas pelos EUA e países europeus na área, além de estruturas de milícias curdas iranianas, têm sido bombardeadas com frequência pelo Irã e por grupos armados aliados.
Ao mesmo tempo em que demonstra preocupação com os impactos da guerra e condena as retaliações iranianas contra as monarquias do Golfo Pérsico, Macron destaca que a França terá um “papel defensivo” no conflito, com o objetivo de defender os cidadãos francerses e proteger os aliados de Paris na região. Para tal, mobilizou embarcações da Marinha, com destaque para o porta-aviões Charles de Gaulle, para o Mediterrâneo Oriental, Mar Vermelho e para os arredores do Estreito de Ormuz, hoje virtualmente fechado pelo Irã.
A primeira visita internacional da presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, desde que assumiu o cargo, foi cancelada abruptamente nesta quinta-feira, poucas horas antes de sua chegada programada à Colômbia. O presidente colombiano, Gustavo Petro, e Rodríguez deveriam se encontrar nesta sexta-feira para discutir o crescente tráfico de drogas, bem como a compra de gás venezuelano e outras áreas de cooperação, em meio à pressão de Washington sobre ambos os governos.
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“Tudo foi cancelado”, disse um funcionário do Ministério das Relações Exteriores em Bogotá à AFP, enquanto autoridades começavam a desmontar o palco montado para o encontro em uma das pontes que ligam a cidade colombiana de Cúcuta ao estado venezuelano de Táchira.
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela explicou em um comunicado que a reunião foi adiada “devido a força maior”. “Os dois governos decidiram adiar o encontro presidencial para uma data posterior”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, no Telegram.
A ponte onde os dois líderes se encontrariam estava bloqueada para o tráfego, e tudo estava pronto para a primeira viagem internacional de Rodríguez desde a queda e captura de seu antecessor, Nicolás Maduro, em uma operação militar dos EUA em janeiro. Para Jairo Jaimes, um motorista de 63 anos que transporta passageiros na fronteira, “seria bom” se os líderes marcassem outra data para consolidar um “diálogo” entre os dois países.
“Eles precisam resolver as coisas para nós, pobres mortais, que estamos esperando que as coisas mudem”, disse ele à AFP.
Uma fonte da presidência disse à AFP que o cancelamento se deu por ameaças à segurança, embora não tenha especificado se os problemas estavam do lado colombiano ou venezuelano. Numerosos grupos operam ao longo da fronteira. Grupos armados financiados pelo narcotráfico, como o Exército de Libertação Nacional (ELN), o grupo guerrilheiro mais antigo do continente, com 60 anos de atividade.
Um funcionário do gabinete do governador de Norte de Santander, departamento cuja capital é Cúcuta, disse à AFP que as autoridades não receberam “nenhum tipo de alerta de segurança”.
“Aliados Funcionais”
Rodríguez e Petro têm agendas diferentes com Washington, mas nenhum dos dois escapa ao escrutínio de Donald Trump, segundo especialistas consultados. Vicente Torrijos, analista político e ex-conselheiro presidencial para as relações entre Colômbia e Venezuela, disse à AFP que Trump pode estar por trás do encontro, com seu interesse em “transformar antigos adversários em aliados funcionais”.
Rodríguez está promovendo reformas para reativar a indústria petrolífera e favorecer os interesses dos EUA nesse setor no país com as maiores reservas do mundo. A ex-vice-presidente de Maduro também está tentando se distanciar de aliados históricos como China, Rússia e Irã. Por outro lado, Trump exige que Petro adote uma postura mais dura contra os cartéis de cocaína. Embora tenham amenizado as diferenças durante uma reunião na Casa Branca em fevereiro, trocaram insultos e ameaças.
Petro deveria “ficar de olho”, alertou o republicano, que levou Maduro à justiça nos Estados Unidos. Mais cedo, Petro e Trump conversaram por telefone por meia hora, a segunda vez desde que assumiram o cargo.
“Trump desejou boa sorte ao presidente Petro em seu encontro com a Venezuela”, disse a presidência colombiana pouco antes do cancelamento.
Em campanha
O encontro marcou uma virada para Petro, cinco meses antes de deixar a presidência e iniciar sua campanha para manter a esquerda no poder. Outrora adversário de Trump e próximo de Maduro, o presidente tenta estreitar laços com o novo governo da Venezuela, cuja ascensão abalou a América Latina.
Após o encontro, Petro intensificou a luta contra o narcotráfico, depois de tentativas frustradas de negociar a paz com grupos guerrilheiros e paramilitares. O presidente tenta apaziguar Washington e manter-se fiel à sua ideologia, mesmo com a esquerda sendo a favorita nas eleições presidenciais de 31 de maio.
Inicialmente, ele chamou a prisão de Maduro de “sequestro”, mas mudou de opinião depois de admitir que temia uma operação dos EUA contra ele. Durante o governo de Maduro, o crime organizado usou o território venezuelano como refúgio ao longo de sua fronteira porosa de 2.200 km, uma rota para a migração venezuelana.
Um avião de reabastecimento americano KC-135 caiu no oeste do Iraque nesta quinta-feira, enquanto uma segunda aeronave envolvida no incidente pousou sem problemas, informou o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas forças americanas no Oriente Médio. O comunicado acrescenta que mais informações serão disponibilizadas “conforme a situação se desenvolva”.
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“O incidente ocorreu em espaço aéreo amigo durante a ‘Operação Fúria Épica’, e os esforços de resgate estão em andamento. Duas aeronaves estiveram envolvidas no incidente. Uma delas caiu no oeste do Iraque, e a segunda pousou em segurança”, disse o Exército dos EUA em uma postagem nas redes sociais.
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O KC-135 é ao menos a quarta aeronave militar americana perdida durante o conflito, depois que três F-15 foram abatidos por fogo amigo sobre o Kuwait.
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O segundo avião-tanque envolvido no incidente pousou no Aeroporto Ben Gurion no início da noite. A aeronave enviou o código transponder 7700, um sinal internacional de emergência, de acordo com dados de rastreamento de voos, segundo noticiou o veículo Times of Israel.
Incêndio em porta-aviões
Ainda nesta quinta-feira, um incêndio atingiu a lavanderia do USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo, enquanto o porta-aviões dos Estados Unidos realizava uma operação no Oriente Médio, deixando dois marinheiros feridos, segundo o Comando Central da Marinha americana.
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Um dia antes, o porta-aviões estava operando na parte norte do Mar Vermelho, próximo à costa de Al Wajh, na Arábia Saudita, de acordo com um observador naval. O Ford e três de seus navios de escolta — o USS Mahan, o USS Bainbridge e o USS Winston S. Churchill — transitaram pelo Canal de Suez na semana passada.
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Com tripulação de 4.550 pessoas e capacidade de transportar até 75 aeronaves, o USS Gerald R. Ford foi enviado para a costa da Venezuela no final do ano passado como parte das operações militares americanas contra o tráfico de drogas e o contrabando de petróleo. Em fevereiro, no entanto, o porta-aviões foi direcionado para a região do Golfo Pérsico para reforçar a mobilização aérea e naval na área em decorrência da guerra travada contra o Irã e os recentes bloqueios da nação persa sobre o Estreito de Ormuz.
De acordo com as informações divulgadas pelo comando central, o fogo foi controlado e não afetou a sala de máquinas ou o armamento do navio.
“A causa do incêndio não foi relacionada a combate e está controlada. Não houve danos ao sistema de propulsão do navio, e o porta-aviões permanece totalmente operacional. Os dois marinheiros estão recebendo atendimento médico e estão em condição estável”, afirmou o Comando Central da Marinha americana, em comunicado.
A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou, nesta quinta-feira, uma reunião extraordinária nos dias 18 e 19 de março para analisar as repercussões da guerra no Oriente Médio no transporte marítimo, “em particular no Estreito de Ormuz”.
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“A sessão extraordinária foi convocada a pedido de vários membros do conselho”, indicou a agência da ONU responsável pela segurança do setor marítimo. A reunião foi solicitada por Egito, Emirados Árabes Unidos, França, Marrocos, Catar e Reino Unido.
O conselho é o órgão executivo da OMI, composto por 40 membros eleitos em assembleia, mas a sessão será aberta aos demais países, organizações governamentais e ONGs. Desde o início da guerra, após os ataques israelenses e americanos contra o Irã, a navegação está praticamente paralisada no Estreito de Ormuz, situado entre Omã e Irã.
Essa situação provoca perturbações importantes no fornecimento de petróleo em nível mundial e pode afetar o crescimento econômico global. A Guarda Revolucionária do Irã prometeu nesta quinta-feira manter o estreito fechado, após um pedido do novo guia supremo, Mojtaba Khamenei.
“Definitivamente, a carta do bloqueio do Estreito de Ormuz deve ser utilizada”, insistiu Mojtaba Khamenei.
O Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã foram classificados na semana passada como “zona de operações de guerra” pelo setor marítimo. Até o momento, a OMI registrou cerca de quinze incidentes envolvendo navios na região, provocando a morte de vários marinheiros e trabalhadores do setor.

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