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O conceito therian explodiu no início de janeiro de 2026 e, desde então, não há quem não fale sobre o tema. No entanto, como toda tendência, ele tem sua precursora: Judith Bustos — a mítica Tigresa do Oriente — decidiu reivindicar seu trono ao se proclamar a “primeira therian da história”, muito antes de o assunto se tornar viral; e seu nome voltou a circular entre os internautas. A artista peruana conquistou o público com sua participação em 2017 no programa de televisão argentino Showmatch, exibido pela eltrece).
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— Admito, meus tigrinhos, eu sou a primeira therian — escreveu em um vídeo compartilhado em sua conta no Instagram, onde acumula 340 mil seguidores.
Na publicação, ela relacionou sua figura pública e a imagem inspirada em tigre. O post provocou repercussão entre os usuários, que demonstraram orgulho diante da declaração. “Tigresa, você está aproveitando muito bem todas as tendência”; “Visionária, Tigresa. O Peru é fundamental”; “Sempre à frente do seu tempo. Grande, Tigres’; foram algumas das mensagens deixadas pelos seguidores. Mas qual foi a trajetória dessa mulher antes de o “animal print” e os looks extravagantes se tornarem sua marca registrada?
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Judith Bustos nasceu em 22 de novembro de 1945 na localidade peruana de Constancia. Quinta entre 16 irmãos, sua infância foi marcada pela precariedade da selva de Loreto. Em plena época da febre da borracha, seu pai trabalhava como operário, enquanto a família, liderada por sua mãe, Juana Virginia Ahuite, lutava para seguir em frente em meio à pobreza extrema.
Esse contexto não a desanimou na busca por um futuro melhor. Aos 12 anos, mudou-se para a casa de uma tia que vivia em Lima, onde concluiu o ensino secundário e conseguiu seu primeiro emprego como empregada doméstica. O trabalho lhe permitiu pagar um curso de cosmetologia, o mesmo que a levaria aos bastidores de várias emissoras de televisão.
— Um dado curioso da minha vida é que, antes de ser a Tigresa do Oriente, fui por muitos anos maquiadora e caracterizadora de diversos personagens de Carlos Álvarez [ator cômico, apresentador de televisão e político peruano] em vários canais da TV peruana. Sempre estive conectada com a arte cênica. Depois coloquei as botas e o traje de tigre e hoje sou o que sou — afirmou em outra publicação, na qual compartilhou uma fotografia antiga que mostra Judith antes da fama, período em que deixou seu talento em rostos icônicos da televisão local.
Judith Bustos, a Tigresa do Oriente, no filme “Mi crimen al desnudo” (2001).
Reprodução
Judith não demorou a conquistar o carinho dos colegas, que a incentivaram a deixar os pincéis de lado para se aventurar no mundo artístico. E assim foi: em 1999, iniciou-se no huayno, gênero musical e de dança mais popular da região andina, no qual também começou a escrever suas próprias canções. Pouco depois, criou o grupo “Las Tigresas del Oriente” ao lado de Elizabeth Alegría, conhecida como “Tigresa da Amazônia”, para interpretar cúmbia amazônica. O projeto ganhou ainda uma integrante chamada Araceli, mas o grupo se dissolveu pouco tempo depois, abrindo caminho para que Judith seguisse carreira solo.
Ela não encontrou paixão apenas no canto, mas também nos sets de gravação. Em 2001, estreou como atriz ao interpretar a jornalista Magaly Medina em “Mi crimen al desnudo”, filme sobre Mario Poggi, psicólogo peruano condenado por assassinar um suposto serial killer. Enquanto dava seus primeiros passos na atuação, uma música de seu primeiro disco, “La Tigresa vuelve a rugir” (2005), explodiu em visualizações no YouTube — e sua vida nunca mais foi a mesma.
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A era “Therian”
“Anaconda”, “Nuevo Amanecer”, “El Baile de la Tigresa” e “Frazada de Tigre” foram alguns de seus marcos. No entanto, “En tus tierras bailaré”, colaboração com Wendy Sulca e Delfín Quishpe — considerada por muitos veículos como “bizarra” — lhe deu status internacional. A canção permitiu que ela deixasse o Peru e fosse convidada para programas em toda a região, abrindo caminho para que a Argentina também voltasse os olhos para ela.
Em 2017, sua vitalidade e seu histrionismo chamaram a atenção de Marcelo Tinelli, que a convidou para o famoso “Bailando por un sueño”. Aos 71 anos, ela fez uma apresentação cheia de plumas e lantejoulas que não passou despercebida. Judith participou como uma das figuras internacionais da edição, acompanhada pelo bailarino Iván Anriquez. A festa, porém, durou pouco: uma semana após a estreia, a artista perdeu o primeiro duelo da competição televisiva e retornou ao Peru.
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Longe da Argentina, o espetáculo continuou. Desta vez, porém, foi uma sequência triste no plano amoroso que a levou a protagonizar um dos momentos mais surrealistas da televisão peruana. Ela estava prestes a se casar com Elmer Molocho, 45 anos mais jovem, no que foi chamado de “casamento do ano”, que seria transmitido ao vivo. No entanto, minutos antes de dizer “sim”, o noivo fugiu ao revelar que tinha outra família.
— Isso não me afeta, eu sou uma tigresa — declarou na ocasião e, pouco tempo depois, transformou a dor no lançamento da música “La pendejada”.
A pandemia e a reinvenção nas redes sociais
Em 2020, a artista contraiu Covid-19.
— Estou mal, não posso falar — disse ao jornal La República, confirmando o diagnóstico. — Sim, tenho coronavírus. Agora estou mal, estou com dor de cabeça. Estou de cama, mas graças a Deus com todos os cuidados necessários. Apesar da minha idade, me sinto forte. Sei que vou sair dessa, vou vencer o coronavírus. Sou uma mulher guerreira e sempre consegui seguir em frente na vida.
A Tigresa do Oriente em turnê como DJ sendo a “rainha dos therians”
Reprodução | Instagram @tigresadeloriente
Após se recuperar, reinventou-se com a ajuda das plataformas digitais. A Tigresa não apenas se tornou especialista em TikTok, como também quebrou tabus geracionais ao entrar em plataformas como o OnlyFans, onde defendeu que sensualidade e desejo não têm prazo de validade.
Assim, deixou de ser apenas uma lembrança dos primórdios do YouTube para se transformar em um ícone da Geração Z. Ao se autoproclamar “a rainha dos therians”, hoje promove uma turnê internacional na qual pretende levar seu talento como DJ a milhares de pessoas. Aos 80 anos, a maquiadora que um dia retocou o rosto de grandes divas acabou se tornando a estrela que se recusa a parar de rugir.
Quando a monarquia iraniana caiu em 1979, a família real Pahlavi deixou o país sem saber que nunca mais voltaria. O xá Mohammad Reza Pahlavi e sua esposa, a imperatriz Farah Diba, iniciaram um longo exílio que os levou por diferentes países antes de se estabelecerem definitivamente no Ocidente.
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Quase meio século depois, o sobrenome Pahlavi continua despertando interesse dentro e fora do Irã. E grande parte dessa atenção hoje se concentra em uma nova geração: Noor, Iman e Farah, as três netas do último xá, filhas do pretendente ao trono iraniano, que tem o mesmo nome do pai, Reza.
Quando a revolução expulsou sua família do Irã, Reza vivia no Texas. Tinha 18 anos e estava se formando como piloto militar. Assim como sua mãe, Farah, que nunca voltou ao país, ele vive desde então nos Estados Unidos, onde formou sua própria família: casou-se com Yasmine Etemad-Amini, também de uma família iraniana exilada no país, com quem teve três filhas. Apesar de nunca ter retornado ao Irã, ele continua sendo uma das principais vozes ligadas à antiga monarquia iraniana, que muitos consideram os legítimos herdeiros do trono. Isso faz com que Noor, Iman e Farah sejam vistas como uma espécie de princesas.
A “princesa” influencer
A mais velha das três irmãs é Noor Pahlavi, que graças às redes sociais se tornou um dos rostos mais visíveis da família. Ela nasceu em Washington em 3 de abril de 1992 e, segundo a ordem dinástica da família, é considerada herdeira dos direitos de seu pai ao trono que um dia foi ocupado por seu avô
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Reprodução
Estudou Psicologia e fez um MBA na Universidade de Georgetown. Atualmente trabalha no setor financeiro, especificamente na empresa American Express, embora sua imagem pública tenha se expandido muito além desse campo.
Quase como uma influencer, soma dois milhões de seguidores no Instagram. Ali compartilha imagens de sua vida cotidiana e inúmeras mensagens de ativismo político. Em especial, costuma se pronunciar sobre a situação dos direitos humanos no Irã e sobre os protestos que vêm sacudindo o país desde o ano passado.
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Sua publicação mais recente, por exemplo, foi em fevereiro, e evidencia esse uso político das redes. Ela compartilha uma conversa que teve com Mandana Dayani, empresária, advogada e ativista iraniano-americana. O diálogo girou em torno do regime islâmico e de seus impactos para os cidadãos iranianos, a segurança, o futuro e a vida no país. Como capa do vídeo, utilizou a frase: “Se você se preocupa com os direitos das mulheres, deveria se preocupar com o Irã”.
Durante a conversa, Dayani perguntou qual seria o impacto global de um Irã democrático com seu pai, Reza Pahlavi, à frente de um governo de transição.
— Isso não se trata apenas de libertar os iranianos, mas de remover um ponto de pressão que distorceu a política mundial por quase meio século. Trata-se de saber se o mundo está disposto a enfrentar uma ideologia que foi exportada por meio da violência, coerção e medo ou se vamos permitir que ela se fortaleça ainda mais.
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Liberdade de crença, igualdade, um Irã livre e democrático, menos guerras e mercados globais mais fortes foram alguns dos pontos destacados pela influencer ao falar sobre a queda do regime islâmico e a possível chegada da democracia com seu pai.
Embora suas aparições públicas hoje girem principalmente em torno da política, a “herdeira” também ampliou sua presença no mundo da moda, aparecendo em capas de revistas internacionais e colaborando com marcas — algo que levou muitos observadores a compará-la com sua avó, Farah Diba. Isso também a ajudou a conquistar as redes com seu estilo.
Uma fusão de culturas
Iman é a segunda filha do casamento entre Reza e Yasmine. Nasceu pouco depois de Noor, em setembro de 1993, também nos Estados Unidos. Além da pequena diferença de idade, as duas compartilham muitas coisas, inclusive a formação: Iman também estudou Psicologia e vive em Nova York.
Assim como Noor, é ativa nas redes sociais e reúne quase 200 mil seguidores no Instagram. Em sua última foto, publicou um texto que, seguindo os passos da irmã, demonstra seu engajamento político com o Irã. A mensagem diz: “O que está acontecendo com o Irã é um democídio”, e explica: “Democídio se refere ao assassinato intencional de pessoas desarmadas ou previamente desarmadas por seu próprio governo ou por uma agência governamental, atuando em sua autoridade conforme uma política estatal ou ordem superior”.
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Talvez o aspecto mais marcante da irmã do meio tenha sido seu casamento, em 2025, com o empresário de tecnologia Bradley Sherman. A revista Vogue Arabia cobriu o evento e escreveu na ocasião:
— A celebração do fim de semana simbolizou não apenas a união de duas pessoas, mas também uma comovente fusão de culturas, gerações e influências globais.
A relação entre Bradley e Iman representa um vínculo inter-religioso, já que o noivo tem origem judaica. Em meio às tensões entre Israel e Irã, o casamento acabou sendo visto como um símbolo de amor e união.
Paraquedismo, esqui e shows
A mais nova das irmãs leva o nome da avó paterna, Farah. Assim como as outras, ela conquista seguidores nas redes com seu estilo — algo que muitos interpretam como herança da própria Farah Diba. Nascida em 2004, é uma influencer com forte presença digital, onde, além de compartilhar sua rotina, também se manifesta sobre o Irã.
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Ela costuma repostar mensagens de Noor e Iman para seus quase 500 mil seguidores, ao mesmo tempo em que mostra sua vida glamorosa nos Estados Unidos, na universidade ou viajando pelo mundo.
Mesmo assim, não deixa de participar das mobilizações contra o regime islâmico iraniano e manifesta apoio ao pai, Reza, como herdeiro do trono. Em fevereiro, por exemplo, publicou um vídeo mostrando pessoas carregando retratos dele durante grandes manifestações. Na legenda, agradeceu à imprensa “por amplificar as vozes do povo iraniano”.
Também compartilhou uma foto de Assal Shafei, de 21 anos, que, segundo ela, foi “assassinada pelo regime”. Junto à imagem, republicou a última mensagem de Shafei, publicada em janeiro: “Como feminista radical, devo dizer: longa vida ao xá”.
Por outro lado, e em contraste, Farah leva uma vida privilegiada — algo que não esconde. Além de aparecer em viagens pela Europa visitando museus, ela publica registros praticando paraquedismo, esqui ou assistindo ao torneio de tênis Roland Garros. Passeios de barco, shows — como o de Taylor Swift em 2024 —, estadias no Four Seasons Resort, no Egito, e diferentes eventos e destinos completam um cotidiano marcado por luxo constante, exibido para milhões de seguidores.
A parceria entre corvos e lobos remonta à mitologia nórdica – as aves de Odin exploravam o terreno à frente e levavam presas aos caninos do deus, uma relação que fornecia alimento para todos. O mito tem alguma base na realidade: quando lobos realizam uma caça bem-sucedida, os corvos costumam ser observados primeiro na cena – e uma nova pesquisa publicada na última quinta-feira (12) na revista Science colocou a lenda à prova.
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As conclusões do estudo sugerem que as aves estão fazendo mais do que apenas seguir os caçadores: elas estão usando técnicas de navegação e memória espacial para se alimentar de carniça com sofisticação.
Embora “os corvos já sejam bem conhecidos por sua inteligência”, disse à AFP o autor principal Matthias-Claudio Loretto, observar essas capacidades cognitivas “se manifestarem em uma escala muito maior na natureza” produziu resultados surpreendentes.
Os corvos não estavam apenas seguindo os lobos — estavam registrando padrões de abate e criando mapas mentais para apoiar futuras buscas por alimento.
A equipe internacional de pesquisa prendeu pequenos rastreadores de GPS em 69 corvos — um número impressionante considerando o trabalho minucioso necessário para capturar essas aves particularmente observadoras.
— Mesmo pequenas mudanças no ambiente podem deixá-los desconfiados — disse Loretto, que trabalha na Universidade de Medicina Veterinária de Viena e iniciou a pesquisa no Instituto Max Planck de Comportamento Animal.
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A equipe também tinha dados de movimento de 20 lobos com coleiras de rastreamento no famoso Parque Nacional de Yellowstone, uma vasta área protegida no oeste dos Estados Unidos onde os lobos foram reintroduzidos em meados da década de 1990 após 70 anos de ausência.
O parque era particularmente adequado para o estudo.
— Esse trabalho não teria sido possível em nenhum outro lugar além de Yellowstone — disse o coautor e cientista da vida selvagem John Marzluff, da Universidade de Washington.
Como o ambiente é aberto, em vez de densamente arborizado, tanto as aves quanto os lobos são relativamente fáceis de observar a longas distâncias, explicou ele à AFP.
Cognição animal “sofisticada”
Ao longo de dois anos e meio de monitoramento, os pesquisadores ficaram intrigados ao encontrar apenas um caso de um corvo seguindo um lobo por mais de uma hora – mesmo assim, as aves ainda conseguiam chegar rapidamente ao local de uma morte.
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Uma análise mais profunda mostrou que os corvos, na verdade, estavam revisitando locais onde os lobos costumam derrubar presas – animais como veados, alces ou bisões – sugerindo que as aves estavam criando e memorizando uma “paisagem de recursos”.
Alguns pássaros voavam até 160 quilômetros em um único dia, procurando lugares onde pareciam esperar encontrar presas abatidas por lobos.
Era “uma área muito maior do que eu jamais imaginei”, disse Marzluff.
Sinais de curto alcance ainda importam: os corvos podem seguir indícios como uivos de lobos para encontrar abates recentes a distâncias menores.
Mas, de modo geral, os pesquisadores disseram que os corvos estavam contando com sua memória para orientar a busca.
As mortes provocadas por lobos não estão distribuídas ao acaso, disse Loretto, ocorrendo com mais frequência em terrenos mais planos ou em vales abertos, onde perseguições são mais prováveis.
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Os corvos podem lembrar de refeições anteriores ou notar sinais indiretos, como ossos, ao estabelecer seus mapas mentais.
“A cognição animal na natureza às vezes pode ser mais sofisticada do que tendemos a supor”, afirmou Loretto.
Um acordo desigual
A relação entre lobos e corvos às vezes é descrita na cultura popular como harmoniosa, mas Marzluff disse que, no fim das contas, ela é bastante desigual.
Lobos já foram observados espantando as aves, chegando até a designar um membro da alcateia para ficar de guarda.
Os corvos brigam ruidosamente por seu banquete roubado, o que pode servir de pista para outros animais necrófagos.
E um único corvo pode carregar cerca 220 gramas de carne. Quando chegam às dezenas, isso pode fazer até um bisão abatido desaparecer rapidamente, disse Marzluff.
— Os corvos tiram muito mais proveito desse acordo do que os lobos — acrescentou.
O cientista disse esperar que pesquisas futuras se concentrem em como as aves jovens desenvolvem esse conhecimento.
— Os corvos fascinam as pessoas há muito tempo — disse Marzluff, observando que as aves já foram consideradas desde “criadoras e trapaceiras” até “pragas oportunistas”.
Mas “nunca imaginamos ou esperamos, acho eu, que fossem capazes de manter em seus cérebros, que não são muito maiores que o polegar de um homem, informações sobre milhares de quilômetros quadrados”, disse.
— Nós os subestimamos.
Um sapo-da-areia “gigante” (Rhinella arenarum) foi encontrado na cidade turística de Piriápolis, no deparamento de Maldonado, no Uruguai. Ele se assemelha a um sapo-cururu da região norte, uma espécie que pode atingir cerca de 20 centímetros de comprimento, segundo a Alternatus Uruguay, uma organização especializada no resgate de anfíbios e répteis.
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“Os sapos-da-areia podem atingir 12 centímetros de comprimento, mas neste caso, seu tamanho é simplesmente enorme”, afirmou Alternatus. Além disso, este espécime em particular “produz sons divertidos” e “é fundamental para o ecossistema”. “Eles são aliados dos humanos porque controlam a população de animais considerados pragas, como mosquitos, besouros, formigas e outros”, explicaram.
Por outro lado, esses animais servem de alimento para outros, como pássaros e cobras. Eles são bioindicadores da saúde do ecossistema, uma vez que sua presença significa que a região está saudável.
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Gênero Rinella
Rhinella é um gênero com pelo menos 92 espécies em todo o mundo, distribuídas pelas Américas, dos Estados Unidos à Argentina. Vale ressaltar que as espécies deste gênero foram incluídas no gênero Bufo até a primeira década dos anos 2000.
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Atualmente, este gênero é representado por 4 espécies no Uruguai, sendo a mais amplamente distribuída o sapo-de-jardim (Rhinella dorbigny), que pode ser encontrado em todo o país, o sapo-comum (Rhinella arenarum), cuja distribuição está localizada principalmente na área costeira, o sapo-cururú (Rhinella diptycha), que se caracteriza por ser o maior, e o sapo-de-acaval ou achavalito das serras (Rhinella achavali).
Como indica seu epíteto específico “a renarum” , alude à sua afinidade ou preferência por solos arenosos; por essa razão, é geralmente encontrado principalmente na faixa costeira, bem como ao longo da orla. É um sapo de porte médio a grande (até 112 mm), sua pele apresenta muitas granulações (verrugas) e é de coloração acinzentada, verde-oliva ou acastanhada com manchas escuras. Possui glândulas parotoides sem coloração marcante ou distintiva.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, denunciou nesta segunda-feira um possível bombardeio realizado pelo Equador no lado colombiano da fronteira, onde operam grupos de narcotráfico, e alertou que aguarda os resultados de uma investigação para evitar “uma guerra”. O líder de esquerda, que trava uma disputa comercial com seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, afirmou que seu governo possui evidências de um ataque com uma “bomba” lançada de um avião próximo à fronteira.
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Argentina: investigação contra Milei por suposto golpe com criptomoedas é retomada
“Eles estão nos bombardeando do Equador, e não são os grupos armados ilegais”, disse ele durante uma reunião televisionada com seus ministros.
Petro acrescentou que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “tome providências” em relação a esse suposto bombardeio.
“Pedi a ele que ligasse para o presidente do Equador porque não queremos uma guerra”, acrescentou o presidente colombiano, que não especificou quando o suposto ataque ocorreu, mas está sendo investigado para que “decisões possam ser tomadas”.
A Colômbia e o Equador estão em guerra comercial desde fevereiro, quando Noboa impôs tarifas ao seu vizinho, criticando Petro por supostamente não fazer o suficiente para combater o narcotráfico na fronteira.
Petro respondeu com a mesma medida, e, apesar de vários esforços diplomáticos, a crise persiste. As forças equatorianas lançaram no domingo uma ofensiva antidrogas de duas semanas com o apoio dos EUA.
Noboa é muito próximo de Washington, e seu país faz parte do chamado “Escudo das Américas”, uma aliança recente de 17 países das Américas para enfrentar ameaças à segurança. A Colômbia não faz parte desse acordo anunciado por Trump, que passou de inimigo de Petro a aliado a ele após uma reunião na Casa Branca em 3 de fevereiro.
O escândalo em torno de um suposto golpe com criptomoedas promovido pelo presidente argentino Javier Milei em 2025 na rede social X ganhou novo fôlego nesta segunda-feira com a reativação de uma comissão parlamentar para investigar novas revelações da imprensa que implicam o líder libertário. Em meados de fevereiro de 2025, Milei promoveu um projeto de criptomoeda chamado LIBRA na rede X e apagou o tweet logo em seguida. Enquanto isso, o valor da moeda desconhecida disparou e despencou, causando prejuízos de pelo menos US$ 100 milhões para argentinos e estrangeiros.
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Na época, Milei negou ter promovido a criptomoeda, explicando que “não estava familiarizado com os detalhes do projeto”. Mas, em novembro, uma comissão parlamentar presidida pela oposição concluiu que a divulgação de dados da LIBRA no X poderia constituir fraude e atribuiu responsabilidade política pelo caso a Milei e sua irmã Karina, Secretária-Geral da Presidência.
O deputado da oposição Maximiliano Ferraro anunciou nesta segunda-feira a formação de uma “comissão ad hoc” de congressistas para investigar as últimas revelações sobre o caso.
“O lançamento e a promoção da $LIBRA não foram de forma alguma improvisados ​​ou acidentais por parte do presidente. Foi uma operação planejada, coordenada e premeditada”, disse Ferraro, que presidiu a comissão parlamentar que analisou o caso no ano passado.
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A imprensa local publicou na semana passada os supostos resultados de uma perícia no celular de um associado próximo de Milei, que revela uma rede de ligações e mensagens entre o presidente, sua irmã e os criadores e promotores da criptomoeda.
Segundo relatos da imprensa local, a perícia no celular do empresário do ramo de criptomoedas Mauricio Novelli, identificado como lobista do governo, revelou que ele teria conversado com Milei pelo menos cinco vezes nos minutos que antecederam o lançamento da criptomoeda.
A imprensa também publicou um suposto rascunho de acordo entre Milei e o americano Hayden Davis — a figura pública do projeto — que estipula o pagamento de cinco milhões de dólares ao presidente em troca da promoção da criptomoeda.
“O que essa evidência revela é claro: um esquema de coordenação direta entre operadores do mundo cripto — operadores muito marginais — e pessoas próximas ao presidente”, acrescentou o congressista.
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Ferraro, acompanhado por congressistas da oposição, anunciou que apresentará uma denúncia contra o procurador Eduardo Taiano, que investiga o caso LIBRA, perante um tribunal disciplinar “por obstrução da investigação” e “possível acobertamento”, e que exigirá que o presidente e Karina Milei “prestem esclarecimentos” perante o Congresso.
“A MÁFIA DA MÍDIA. Fim”, escreveu Milei no X neste domingo, respondendo a um tweet da deputada governista Juliana Santillán, no qual ela acusava o jornal Clarín de realizar uma “ofensiva coordenada” contra o governo.
As férias finais do Ramadã começaram mais cedo para estudantes universitários em Bangladesh, em 9 de março, mas pelos motivos errados. As principais universidades do país anunciaram que as aulas estavam canceladas, com efeito imediato, até o fim do mês. O governo fechou os campi para economizar eletricidade, uma resposta drástica à crise global de energia provocada pela guerra no Golfo Pérsico.
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— Não parece férias para mim — diz Abdullah Al Mahmud Mehedi, de 23 anos, que cursa mestrado em ciências sociais na Universidade de Daca.
Assim como outros países, Bangladesh está preocupado com o abastecimento de petróleo bruto e gás natural. O acesso ao gás é motivo de especial preocupação. Cerca de metade da eletricidade do país é gerada em usinas que queimam gás. Quase um terço desse gás vem do Catar, e a guerra no Golfo praticamente bloqueou seu fluxo.
Além de fechar as universidades, o governo também começou a impor apagões temporários e outras medidas para economizar energia. Se o gás acabar, acaba também a eletricidade que mantém as luzes acesas e alimenta as fábricas essenciais para a economia exportadora de Bangladesh.
Tudo isso ocorre em meio à delicada situação política do país. Bangladesh elegeu um novo governo há apenas um mês, o primeiro desde a queda do regime de Sheikh Hasina, em agosto de 2024. O novo primeiro-ministro, Tarique Rahman, tomou posse em fevereiro declarando que sua vitória “pertence à democracia”, mas alertando que o país “inicia essa jornada” com uma economia frágil.
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Hasina foi derrubada após 15 anos no poder por um movimento liderado por estudantes, que canalizou uma profunda insatisfação popular diante de uma crise financeira. O modelo econômico de Bangladesh combina forte dependência da indústria de vestuário, responsável por quase 85% das exportações, com a importação de combustíveis e outros bens essenciais.
Esse modelo expõe o país a forças externas. Quando a Invasão da Ucrânia pela Rússia interrompeu o comércio global e elevou os preços de alimentos e petróleo, a economia de Bangladesh sofreu fortes abalos. Ainda assim, o setor têxtil sobreviveu à crise e ao caos político subsequente, assim como havia se reinventado após o colapso de uma fábrica em 2013, que matou 1.134 trabalhadores e afastou compradores estrangeiros.
Agora, a resiliência das fábricas de Bangladesh enfrenta um novo teste.
Mohiuddin Rubel, ex-diretor da Bangladesh Garment Manufacturers and Exporters Association e proprietário de várias fábricas, atribui a vulnerabilidade do país à sua falta de diversificação econômica.
— Os bangladeshianos são muito bons em fazer uma única coisa, como roupas prontas — afirma. — Não somos diversificados.
Segundo ele, o mesmo acontece com a rede elétrica do país, que faz pouco uso de energia renovável.
Shafiqul Alam, analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis em Daca, disse estar preocupado com a iminente escassez de gás e com a necessidade de manter as fábricas funcionando.
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Bangladesh já utiliza o chamado load shedding, ou apagões programados, normalmente de algumas horas, para reduzir a pressão sobre usinas sobrecarregadas. Esses apagões são um grande problema para fábricas modernas, que não podem simplesmente deixar milhares de trabalhadores parados. Muitas mantêm enormes geradores movidos a diesel prontos para cobrir eventuais falhas no fornecimento.
Esses geradores são uma alternativa cara às usinas térmicas movidas a gás, mas Bangladesh possui fontes alternativas para importar diesel, incluindo Singapura e Malásia.
Outro motivo de preocupação é o calor do verão, que chega cedo ao país. O governo pode ter de iniciar apagões programados já em abril, quando a demanda máxima de eletricidade deve ultrapassar 18 mil megawatts, segundo Alam.
— Mas isso precisa ser planejado adequadamente para que o setor industrial não seja prejudicado — acrescenta.
Uma forma de fazer isso, disse Alam, é incentivar a população a economizar energia em casa. Segundo ele, as residências consomem o dobro de eletricidade de todas as fábricas juntas.
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— O governo precisa aumentar a conscientização pública sem causar pânico — afirma. Por exemplo, poderia mostrar quanto dinheiro uma casa com ar-condicionado economizaria ao ajustar o termostato de 24°C para 25°C.
A crise também pode abrir uma oportunidade diplomática. As relações entre Bangladesh e sua vizinha Índia estão tensas desde 2024, quando Hasina se refugiou em Nova Délhi. Ainda assim, segundo Aninda Islam Amit, autoridade do Ministério da Energia de Bangladesh, “em média, 15 mil toneladas de diesel devem chegar da Índia todos os meses”.
— Apoiar um vizinho durante uma crise é uma questão de cortesia — disse Amit.
No principal polo industrial de Bangladesh, a Daca Export Processing Zone, o fornecimento de eletricidade é garantido — e as fábricas de Rubel ocupam uma posição privilegiada dentro da área. A zona, criada em 1993, é um exemplo da prioridade que o país dá à indústria do vestuário. As máquinas de costura ali seriam as últimas a sofrer com um apagão.
Mas Rubel sabe que muitos bangladeshianos, incluindo colegas empresários, estão muito mais expostos à escassez de energia. Todos mantêm geradores a diesel.
— Fora da zona, as pessoas precisam deles com frequência — diz.
A ascensão de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã pode ter parecido sucinta, até predestinada. Na verdade, não foi nenhuma das duas hipóteses. Ele chegou ao posto depois de uma guerra interna, que guarda semelhanças com a série “Game of Thrones”: um trono vazio, um conselho de clérigos e duas dinastias — Khamenei e Khomeini — competindo entre si. Políticos agiram nos bastidores, comandantes defenderam seus quinhões e um ex-espião conhecido por planejar assassinatos entrou em campo.
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Mesmo em tempos de paz, encontrar o terceiro líder supremo do Irã, um homem que representa Deus na Terra e tem autoridade sobre militares e políticos, teria sido desafiador. Afinal, Ali Khamenei, que morreu nos primeiros momentos do conflito, ocupava o posto desde 1989.
Mas em meio à guerra contra EUA e Israel, essa escolha para um posto vitalício se tornou um teste de sobrevivência para a teocracia. Segundo fontes de diferentes cargos e níveis hierárquicos no Estado iraniano, Mojtaba Khamenei provavelmente não seria eleito se seu pai tivesse morrido de causas naturais — o aiatolá havia dado a seus assessores três nomes para sucedê-lo, e seu filho não estava entre eles.
Encontros secretos
No dia 3 de março, a Assembleia dos Especialistas, um órgão composto por 88 clérigos que tem entre suas funções escolher o líder supremo, realizou um encontro secreto e virtual para iniciar o processo de votação. Para que um novo líder seja confirmado, ele precisa de dois terços dos votos. Naquele mesmo dia, Israel bombardeou escritórios da Assembleia em Qom, matando alguns funcionários administrativos.
Desde a morte de Khamenei, no dia 28 de fevereiro, facções políticas rivais e comandantes da Guarda Revolucionária atuaram para fortalecer seus candidatos e proteger suas bases. A linha-dura do regime preferiu enfrentar os chamados internos e externos por mudança de regime, se pautando pela continuidade das políticas de governo. Facções moderadas queriam um rosto novo, com um estilo renovado de liderança e o fim das hostilidades com os EUA.
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Mojtaba Khamenei tinha aliados poderosos ao seu lado: a Guarida Revolucionária e seu novo chefe, Ahmad Vahidi; Ali Aziz Jaffari, estrategista da Guarda Revolucionária na atual guerra; e Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda. Hossein Taeb, ex-chefe da unidade de inteligência da Guarda e responsável por assassinatos em outros países, também estava na linha de frente pró-Mojtaba.
A oposição ao filho do aiatolá morto veio de lugares inesperados. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional e que na prática comanda o Irã hoje, disse a membros da Assembleia dos Especialistas acreditar que o país precisava de um líder moderado e unificador, e que Mojtaba seria uma figura polarizadora. Masoud Pezeshkian, o moderado presidente iraniano, além de outros clérigos e funcionários do governo, se juntaram ao coro, segundo fontes.
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Este campo tinha dois candidatos em potencial: o ex-presidente Hassan Rouhani, que comandou as negociações para o acordo internacional sobre o programa nuclear do país, em 2015; e o neto de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, Hassan Khomeini, alinhado a partidos reformistas. Outro nome foi o de Alireza Arafi, acadêmico e jurista, era encarado como um nome com sólidas credenciais religiosas, mas considerado de fácil gerenciamento.
Em meio aos debates na Assembleia, a revolta contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, deu força ao discurso de enfrentamento da linha dura, jogando os moderados para as margens. O interesse dos clérigos estava mais interessado na reencarnação de seu líder martirizado para vingar sua morte do que em resgatar um país em crise profunda.
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Mojtaba foi eleito na primeira rodada de votações, no dia 3 de março, confirmando que a Guarda Revolucionária hoje dá as cartas no país, e rapidamente foi dada a ordem para que a imprensa oficial anunciasse o nome do novo líder no dia seguinte.
Mas o processo só estava começando.
Larijani cancelou o anúncio, dizendo que seria um risco à vida de Mojtaba, no momento em que Trump e o governo de Israel ameaçaram eliminar qualquer sucessor. Ele sugeriu que esperassem até o fim da guerra. No dia 6 de abril, Israel usou bombas antibunker contra o complexo do líder supremo em Teerã, que ficou em ruínas. Mojtaba não estava lá.
A pausa no anúncio deu aos moderados uma última oportunidade para pressionar a Assembleia dos Especialistas, mas conseguir uma nova eleição exigiria razões sólidas.
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Larijani, aliado próximo de Ali Khamenei, argumentou que a votação virtual foi inválida, uma vez que a Constituição exige que a decisão seja feita de maneira presencial. A Assembleia também foi informada que Mojtaba, que se recuperava de ferimentos sofridos no primeiro dia da guerra, não queria o cargo. Por razões de segurança, contatá-lo diretamente era impossível.
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Mas outros disseram que recusar o posto era uma mera formalidade.
— Quando contaram a Mojtaba que fora eleito, ele disse “não quero aceitar, escolham outra pessoa” — afirmou Abdolreza Davari, um político próximo ao novo líder supremo, em entrevista por telefone de Teerã. — Essa recusa é costume entre os clérigos xiitas, uma forma de dizer “não estou atrás do poder”, mas eles eventualmente aceitam .
Os moderados afirmaram ter descoberto uma ordem nova e importante de Ali Khamenei, e pediram uma reunião presencial com a mesa diretora da Assembleia. No encontro, dois assessores do aiatolá morto testemunharam que ele não queria que seu filho, ou qualquer membro da família, o sucedesse.
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Eles ainda alegaram que a sucessão hereditária vai contra a essência da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia, e pediram que a votação inicial fosse anulada.
A ofensiva deixou os clérigos atordoados, e eles pediram tempo para consultas mais amplas. A Guarda Revolucionária, que defende Mojtaba,
Os generais
No dia 7 de março, Pezeshkian anunciou o fim dos ataques contra as nações árabes no Golfo Pérsico e pediu desculpas. Ele afirmou que a decisão veio de um conselho de transição, composto por três pessoas e do qual faz parte, e que era responsável por comandar o país até que um novo líder supremo fosse eleito.
Os generais da Guarda Revolucionária ficaram ultrajados. Vahidi, o comandante da Guarda, e Jaffari exigiram que a Assembleia dos Especialistas se reunisse para uma votação final e para anunciar Mojtaba Khamenei como novo líder. Taeb, o ex-espião, ligou para os 88 membros e pediu que apoiassem o Mojtaba, alegando que se tratava de um dever moral, religioso e ideológico.
A Assembleia se reuniu novamente no dia 8 de março, de forma virtual, e debateu as questões dos moderados. Alguns disseram que deveriam honrar os desejos de Ali Khamenei e descartar seu filho. Outros apontaram que a Constituição não exige que tomem decisões com base nos desejos do antecessor, e que têm a autoridade de votar de forma independente. Todos concordaram que, em tempos de guerra, a votação virtual seria legítima.
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Cada um dos clérigos escreveu um nome em um pedaço de papel, dobrou em um envelope e selou com cera. Mensageiros levaram pessoalmente as cédulas a uma comissão responsável por contar e validar os votos.
Mojtaba Khamenei recebeu 59 dos 88 votos, superando a marca dos dois terços, mas deixando evidente que não é unanimidade. Pouco antes da meia-noite, a mídia estatal anunciou o novo líder supremo, e as parabenizações e declarações de lealdade rapidamente surgiram, mesmo de pessoas que votaram contra ele. Ao menos publicamente, o regime está com Mojtaba, que não é visto desde o início da guerra.
Em apenas duas semanas de conflito, mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Líbano, pressionando cidades que já enfrentavam uma grave crise econômica e acolhiam mais de 1 milhão de refugiados sírios. No Vale do Beeka, uma das regiões afetadas pelos bombardeios e também destino de milhares de deslocados, a chefe do escritório de campo do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) em Zahle, Raquel Trabazo, acompanha de perto o agravamento da crise humanitária. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um juiz americano impôs, nesta segunda-feira, um revés ao governo de Donald Trump ao bloquear a aplicação de mudanças importantes na política de vacinação promovidas pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., duramente criticadas por muitos médicos. O tribunal federal de Massachusetts interrompeu a reforma que Kennedy, cético em relação às vacinas, vem implementando ao longo do último ano e também suspendeu as decisões apresentadas pelo painel encarregado de formular as recomendações de imunização.
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Sob a direção de Kennedy, o Departamento de Saúde anunciou alterações drásticas no calendário de vacinação pediátrica, reduzindo o número de injeções recomendadas de forma universal, inclusive contra doenças como gripe e hepatite A. Além disso, o secretário de Saúde de Trump faz parte de um importante painel consultivo sobre imunização, ao lado de figuras com visões contra as vacinas semelhantes às suas.
Diversas organizações médicas, entre elas a Academia Americana de Pediatria e o Colégio Americano de Médicos, contestaram as mudanças de política, e, nesta segunda-feira, o juiz Brian Murphy afirmou que elas eram efetivamente “arbitrárias e caprichosas”, como alegava a ação.
“Existe um método pelo qual historicamente essas decisões têm sido tomadas: um método de natureza científica, consagrado na lei por meio de requisitos de procedimento”, escreveu o juiz. “Lamentavelmente, o governo ignorou esses métodos e, com isso, minou a integridade de suas ações.”
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O Departamento de Saúde “espera que a decisão deste juiz seja revogada”, declarou à AFP seu porta-voz, Andrew Nixon. A Academia Americana de Pediatria qualificou a decisão como “histórica e bem-vinda” e afirmou em comunicado que a reforma havia “semeado o caos e a confusão entre pais e pediatras”.
É quase certo que o Departamento de Saúde apelará da decisão, o que colocará as principais organizações médicas em confronto com o governo federal enquanto a questão sobre quem tem a última palavra na definição das políticas de imunização percorre os tribunais.

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