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O Japão mobilizou mísseis de longo alcance em uma região do sudoeste próxima à China, informou nesta terça-feira seu ministro da Defesa, em um momento em que as relações com Pequim estão no nível mais baixo dos últimos anos.
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Os projéteis foram instalados em Kumamoto, na ilha de Kyushu, em uma tentativa do Japão de reforçar sua resposta militar diante do aumento da atividade naval chinesa no mar da China Oriental.
“As capacidades de defesa à distância nos permitem neutralizar a ameaça de forças inimigas que tentam invadir nosso país (…), ao mesmo tempo em que garantimos a segurança do nosso pessoal”, afirmou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi.
Alcance dos mísseis e reforço militar
Esse sistema de mísseis guiados terra-mar tem alcance de cerca de mil quilômetros, o que coloca partes do território continental chinês ao seu alcance. Por exemplo, Xangai fica a cerca de 900 quilômetros de Kumamoto.
Koizumi também afirmou que foi mobilizado em Shizuoka, outra área costeira mais próxima de Tóquio e voltada para o Pacífico, um projétil hipersônico projetado para defender ilhas remotas contra forças inimigas.
Por sua vez, a China vem reforçando suas forças armadas e está envolvida em uma série de disputas territoriais com outros países da região, incluindo o Japão, pelas ilhas Senkaku, conhecidas como Diaoyu na China.
As relações entre Japão e Pequim se deterioraram nos últimos meses depois que a primeira-ministra Sanae Takaichi sugeriu, em novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque a Taiwan, uma ilha de regime democrático que a China reivindica e não descarta tomar pela força.
Para Fatemeh, uma moradora de Teerã, o breve trajeto até seu café habitual é o melhor momento do dia em uma cidade mergulhada na guerra há mais de um mês, com ataques diários dos Estados Unidos e de Israel.
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— Quando me sento à mesa do café, mesmo que por alguns minutos, quase consigo acreditar que o mundo não acabou — diz a auxiliar de dentista de 27 anos: — É como sair dessa maldita guerra e entrar em um dia normal, ou ao menos imaginar um mundo que não esteja cheio do medo constante de perder a vida, ou em que você está vivo, mas perdeu um ente querido ou tudo o que tem — afirma.
Rotina fragmentada sob bombardeios
Moradores descrevem uma cidade que tenta manter parte da rotina, com cafés e restaurantes abertos e sem relatos de escassez generalizada. Ainda assim, a normalidade é frágil diante do ritmo constante de bombardeios desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Há postos de controle em ruas antes tranquilas, restrições severas à internet e medidas improvisadas, como janelas cobertas com fita adesiva para reduzir danos em explosões. Por medo de represálias, entrevistados falaram apenas sob anonimato parcial.
— Nestes dias, fico quase sempre em casa e só saio se for absolutamente necessário. O único resto da minha rotina de antes da guerra, que me ajuda a manter o ânimo, é cozinhar — relata Shahrzad, de 39 anos: — Às vezes percebo que estou chorando no meio de tudo isso. Sinto falta dos dias normais (…). De uma vida em que não precisasse pensar o tempo todo em explosões, na morte ou em perder meus entes queridos.
Entre tentativas de normalidade e sensação de impotência
Mesmo com o cenário de guerra, moradores tentaram celebrar o Nowruz, o Ano-Novo persa, ainda que sem clima festivo.
— Não há escassez, há de tudo. Os cafés estão abertos e seguimos indo a eles — diz Shayan, fotógrafo de 40 anos: — Mas todos temos uma sensação de impotência. Não sabemos o que fazer e, na verdade, não há nada que possamos fazer — afirma.
Segundo relatos, cresce também o número de mulheres que circulam sem o véu obrigatório, em um contexto de mudanças sociais que antecedem o conflito.
Vida reduzida à sobrevivência
Elnaz, pintora de 32 anos, relata a perda das atividades mais simples do cotidiano.
— Sentimos falta das coisas mais simples, sair à noite ou simplesmente poder ir a outra parte da cidade. E, acima de tudo, sinto falta de dormir tranquila à noite — diz.
Ela afirma que, em algumas madrugadas, os ataques são tão intensos que parece que “toda Teerã treme”.
— Tudo se resume a um único estado: sobreviver. Pensar apenas em continuar viva junto de todas as pessoas que amo — resume.
Kaveh, artista visual de 38 anos, relata que um fragmento de míssil caiu a cerca de 50 metros de sua casa, destruindo janelas e cobrindo o ar de poeira.
Nas ruas, convivem demonstrações de apoio ao regime e forte presença de segurança, enquanto imagens de vítimas e prédios destruídos reforçam o clima de tensão.
— No fim, para muitas pessoas, a principal preocupação é o futuro do Irã e de seu povo, e o que realmente poderia melhorar a situação — afirma Kaveh.
O que acontece quando o solo começa a secar e aquecer ao mesmo tempo, ele segura carbono ou passa a liberá-lo? Uma pesquisa de longa duração indica que a resposta pode ter impacto direto no ritmo das mudanças climáticas globais.
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Publicado no início de março na revista Nature Climate Change, um experimento de 12 anos conduzido em Oklahoma, nos Estados Unidos, mostra que microrganismos do solo desempenham um papel decisivo na liberação ou retenção de carbono, elemento que o solo armazena em volumes até três vezes maiores do que a própria atmosfera.
Ao longo do estudo, cientistas monitoraram 48 parcelas de pastagem sob diferentes cenários de temperatura e umidade. Em parte das áreas, a temperatura foi elevada em 3°C, enquanto outras foram submetidas a simulações de seca ou aumento de chuvas, permitindo observar como o solo reagia a condições climáticas extremas.
Os resultados apontam uma diferença significativa no comportamento do carbono. Em ambientes mais quentes e úmidos, o solo chegou a ganhar 6,7% de carbono. Já sob calor combinado com seca, houve perda de 12,2%, incluindo frações consideradas antigas e estáveis — antes vistas como pouco suscetíveis à liberação.
Segundo os autores do estudo, a explicação está na atividade microbiana. Em períodos secos, esses organismos aumentam o metabolismo e passam a consumir reservas mais profundas de carbono para sobreviver, acelerando sua liberação na forma de dióxido de carbono. Em condições úmidas, o processo se inverte: os microrganismos priorizam o crescimento, ajudando a manter o carbono armazenado.
Para os pesquisadores, citados na Nature Climate Change, essas respostas ajudam a entender como o aquecimento global pode ser intensificado por mecanismos ainda pouco considerados nos modelos climáticos. O estudo alerta que mudanças na umidade do solo podem ser determinantes para o futuro equilíbrio do carbono no planeta — e, consequentemente, para a velocidade do aquecimento global.
Um homem que se tornou proprietário de uma ilha deserta nas Seychelles já chegou a recusar uma oferta de US$ 50 milhões para vendê-la após conduzir um processo de recuperação ambiental que transformou o local em uma área preservada. A ilha, chamada Moyenne, foi comprada em 1962 pelo jornalista britânico Brendon Grimshaw, então com 37 anos, por 8 mil libras — valor equivalente hoje a cerca de R$ 1,4 milhão.
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Quando comprado por Grimshaw, o território estava desabitado havia aproximadamente 50 anos. Ele conheceu as Seychelles durante férias, quando ainda trabalhava como editor em um importante jornal do continente africano. Após a visita, decidiu mudar de vida e se dedicar à natureza. Escolheu uma das 115 ilhas do arquipélago, abandonada desde 1915.
Recuperação ambiental ao longo de décadas
Moyenne é uma das menores ilhas da região, com cerca de 0,4 km de comprimento e 0,3 km de largura, e altura máxima de 61 metros acima do nível do mar. A vegetação era extremamente densa, o que dificultava a circulação e até a queda de cocos no solo.
O processo de recuperação foi conduzido com a ajuda de René Antoine Lafortune, filho de um pescador local. Ao longo dos anos, eles identificaram espécies nativas para reintrodução, podaram a vegetação excessiva, abriram trilhas, controlaram ratos e promoveram o reflorestamento, com o objetivo de preservar a ilha da exploração humana e garantir a conservação do ecossistema.
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Reprodução/Instagram
Em cerca de 40 anos, mais de 16 mil árvores nativas foram plantadas, com funções específicas como recuperação da umidade, melhoria do solo e oferta de abrigo e alimento. A fauna também foi reintroduzida, com cerca de 120 tartarugas, incluindo exemplares gigantes de Aldabra. A ilha passou a abrigar mais de 200 espécies de aves.
Recusa de ofertas e proteção do território
Com a valorização do território, Grimshaw recebeu diversas propostas de compra. Entre elas, uma oferta de US$ 50 milhões feita por um príncipe saudita, que foi recusada, assim como outras tentativas de aquisição.
Após a morte de Lafortune, a ilha foi declarada parque nacional em 2009, consolidando seu status de área protegida. Grimshaw morreu em 2012.
Brendon Grimshaw
Reprodução/Instagram
Atualmente, Moyenne possui um cemitério, uma igreja e um restaurante, e tem visitação controlada, com limite de 50 turistas simultaneamente e nunca mais de 300 visitantes por dia.
A ilha também é cercada por elementos culturais e lendas, incluindo relatos de um suposto tesouro enterrado por piratas e histórias de aparições de fantasmas.
Em um Japão onde quase 30% da população tem mais de 65 anos e o número de idosos que vivem sozinhos cresce, mulheres que entregam bebidas probióticas passaram a exercer um papel que vai além da venda: ajudam a reduzir a solidão e a manter conexões sociais.
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Conhecidas como Yakult Ladies, elas realizam entregas domiciliares e mantêm contato frequente com clientes, criando vínculos regulares. Embora oficialmente atuem como vendedoras, fazem parte de uma rede informal de apoio social presente em diversas comunidades.
O trabalho envolve visitas diretas às casas, com rotinas previsíveis. Muitas utilizam bicicleta, carro ou se deslocam a pé, e parte atua de forma autônoma. A constância é central para o impacto.
— Faço entregas às segundas, terças, quintas e sextas — diz Satoko Furuhata, que exerce a função há 25 anos, e, em cada dia, realiza entre 40 e 45 visitas.
Suporte emocional
Para os clientes, o contato tem valor que ultrapassa o produto. Uma cliente de 83 anos, que não foi identificada, afirma que alguém vai visitá-la semanalmente “é um grande conforto”.
— Segunda-feira é meu “dia de recarregar energia”. Podem parecer conversas simples, mas me fazem sentir que não estou sozinha — diz.
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Yakult
O modelo surgiu em 1935, quando a Yakult foi criada, e ganhou forma em 1963 com a “Rede de Vendas por Entrega Feminina”. Inicialmente voltado à distribuição do produto, o sistema evoluiu com o tempo para incorporar um papel social mais amplo.
As profissionais também observam mudanças no comportamento e na saúde dos clientes.
— Não somos apenas vendedoras. Somos observadoras. Percebemos pequenas mudanças na saúde ou no comportamento — diz Asuka Mochida.
Em situações de risco, por exemplo, podem alertar familiares ou buscar ajuda.
O contexto demográfico amplia a relevância dessa atuação. O Japão enfrenta envelhecimento acelerado, com projeções de quase 11 milhões de idosos vivendo sozinhos até 2050. O fenômeno da solidão extrema é conhecido como “kodokushi”, termo que descreve mortes solitárias. Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 40.913 casos. O governo chegou a criar um “Ministro da Solidão” e uma força-tarefa para lidar com o problema.
Impactos na saúde e expansão do modelo
A relação entre isolamento e saúde também aparece em estudos.
— A solidão está associada a menor diversidade do microbioma, possivelmente também devido ao estresse que ela provoca — explica a cientista Emily Leeming.
A própria cliente de 83 anos associa os efeitos positivos à combinação entre produto e interação:
— Acredito que seja por beber Yakult há anos. Mas não é só a bebida… as visitas também fazem parte da minha rotina de saúde.
Atualmente, mais de 31 mil Yakult Ladies atuam no Japão, e o modelo se expandiu para outros países, com cerca de 50 mil mulheres em locais como China, Indonésia, Malásia, Brasil e México.
Descritas como figuras próximas e confiáveis, essas trabalhadoras combinam habilidades de escuta, atenção e presença constante.
— Para idosos ou pessoas que vivem sozinhas, ver um rosto conhecido traz segurança — diz Mochida.
O contato breve durante uma entrega passa a ter impacto significativo. A atuação dessas mulheres ultrapassa a função comercial e transforma um serviço cotidiano em ferramenta de conexão social.
Em junho de 2016, um cachorro de rua caiu em um canal do reservatório de Sayran, no Cazaquistão. O fato foi visto por um jovem que caminhava pela região e que, longe de ignorar a situação, arriscou a própria vida para salvar o animal.
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Enquanto essa pessoa se empenhava no resgate, outros transeuntes se solidarizaram e formaram uma espécie de corrente humana, segurando-se pelos braços, para conseguir salvar o cachorro. Como o local era íngreme, foi necessária a força coletiva para trazer o resgatista de volta à terra firme e alcançar o objetivo, que foi aplaudido por todos os presentes, tornando-se um ato altruísta que ganhou repercussão mundial.
Dez anos depois desse momento, que ficou marcado na memória de grande parte dos cazaques, o artista Erbosyn Meldibekov decidiu eternizar a cena ao criar uma estátua com várias figuras de pessoas de braços dados, com força suficiente para sustentar o resgatista e o cachorro.
A instalação da obra sobre o rio Grande Almatinka ocorreu no último dia 22 de março, com grande público. Antes de ser exibida, a escultura esteve coberta por um tecido violeta. Após uma contagem regressiva, a peça foi revelada, e a emoção se misturou aos aplausos.
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Segundo o veículo cazaque Kursiv, o projeto foi aprovado pelo Departamento de Desenvolvimento de Espaços Públicos de Almaty e contou com o apoio do ForteBank, que financiou a obra do escultor Meldibekov.
— O conceito que inspira a instalação baseia-se na ideia de apoio mútuo, solidariedade e união. A composição apresenta figuras de pessoas unidas em uma corrente, simbolizando o apoio e a ação coletiva para superar desafios. Inspira-se em uma imagem que marcou profundamente o público e reflete valores muito apreciados por todos os moradores — destacou o comunicado do Departamento de Desenvolvimento de Espaços Públicos, publicado no site Kursiv.
A partir da história do resgate e da homenagem, usuários nas redes sociais celebraram ambos os gestos e exaltaram a atitude da pessoa que, de forma desinteressada, se lançou ao canal para salvar o animal.
Ao término do primeiro dia da Conferência de Ação Política Conservadora, a plateia dentro do enorme salão de baile, do tamanho de um hangar de aviões, havia diminuído à medida que Nick Shirley, o palestrante principal, murmurava suas palavras. Shirley, um criador de conteúdo de 23 anos e celebridade recente da direita, havia sido escolhido pelos organizadores da conferência para injetar uma dose de energia jovem no evento.
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Mas os jovens em si, e sua energia conservadora, não estavam em lugar nenhum entre as fileiras de cadeiras vazias, enquanto Shirley fazia uma referência hesitante ao discurso de Theodore Roosevelt, “O Homem na Arena”.
Do lado de fora do salão, jovens na faixa dos 20 anos, com ternos amarrotados, estavam reunidos em grupos, debatendo os méritos de uma invasão terrestre no Irã, a reação conservadora contra aqueles que eram “J-pilled” (gíria da extrema direita para ceticismo em relação à influência israelense), os custos exorbitantes da vida americana e o que eles consideravam o lento declínio da era Trump.
— A maioria de nós não vem necessariamente a esse tipo de evento pelos palestrantes, porque geralmente eles repetem a mesma ladainha sem parar — disse Jack Moore, de 19 anos, membro da diretoria dos Jovens Republicanos da Geórgia.
Eles vieram na esperança de escapar brevemente da política de suas redes sociais e interagir diretamente com o aparato conservador na conferência deste ano, que antes era um evento de destaque no calendário conservador. O encontro do ano passado teve um tom triunfal, com Elon Musk acionando uma motosserra cromada no palco e o presidente Trump relatando com entusiasmo a história de seu retorno à política. Mas, nos últimos anos, um público mais jovem declarou o evento ultrapassado.
Na conferência de quatro dias em Grapevine, Texas, na semana passada, — em que Flávio Bolsonaro fez um discurso —os jovens conservadores dispostos a arriscar participar desse encontro se viram isolados em uma reunião apática e, com exceção de Shirley, composta principalmente por apoiadores mais velhos de Trump: figuras de segunda linha do movimento MAGA que preferiam evitar os debates acalorados sobre o futuro do partido.
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Esses oradores, em grande parte, seguiram um roteiro moderado — manifestando seu apoio à guerra do presidente no Irã, incitando reações de guerra cultural sobre temas como a lei da Sharia e denunciando as disputas internas fomentadas por figuras proeminentes do movimento MAGA.
Até mesmo Stephen K. Bannon, ex-conselheiro de Trump conhecido por seus ataques inflamados contra outros conservadores, aludiu apenas indiretamente aos problemas gritantes que pairavam sobre a conferência. Em um breve discurso na quinta-feira, Bannon minimizou o abandono, por parte de Trump, de sua promessa de campanha de “nenhuma nova guerra” e a fraca presença conservadora na conferência, que, notavelmente, não contou com a participação de Trump.
Apesar de toda a conversa sobre brigas internas e divisões dentro do MAGA, inclusive sobre assuntos como a investigação de Jeffrey Epstein e Israel, muitos jovens presentes pareciam sentir que a divisão mais acentuada no partido era geracional.
— Existe uma divisão entre os jovens e os mais velhos no partido — disse Aiden Hoffses, de 19 anos, que viajou do Maine para participar de sua primeira CPAC. — Continuamos ouvindo esses argumentos de que estamos todos unidos e no mesmo movimento. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Sinto que, neste momento, tenho opiniões mais próximas das dos liberais do que das dos conservadores.
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Essas opiniões, observou Hoffses, giravam em torno de questões como educação e saúde.
— Não é justo que alguém se forme na faculdade e fique com uma dívida de 100 mil dólares — disse ele. — Estamos enviando bilhões de dólares para outros países. Por que não podemos ajudar nosso próprio povo?
Ao evitar os eventos programados e ao se esquivar das multidões de conservadores mais velhos com trajes temáticos do MAGA, Hoffses encontrou alguns colegas desiludidos ao longo do caminho.
Um deles era Joseph Bolick, um veterano do Exército que usava um boné azul brilhante com a inscrição “America First”, um símbolo chamativo em espaços conservadores de que a pessoa apoia Nick Fuentes, o nacionalista branco de 27 anos conhecido por fazer comentários racistas e antissemitas.
— Aqui tem um clima de culto — disse Bolick, de 30 anos, que estava participando da CPAC pela primeira vez. — Parece que a geração baby boomer está totalmente imersa nessa onda do Trump — acrescentou.
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Após conversar com outros jovens participantes da conferência, Hoffses disse que a maioria parecia estar alinhada com Fuentes, que se tornou um pária dentro do movimento conservador por, entre outros motivos, sua recente declaração de que os jovens conservadores deveriam expressar seu descontentamento com os ataques militares de Trump ao Irã votando nos democratas.
— Eu diria que pelo menos 60% dos jovens aqui são fãs do Nick — disse Hoffses.
O tema da guerra no Irã — motivo de preocupação para muitos jovens na plateia — foi abordado superficialmente no palco principal e, de resto, relegado a artifícios típicos de pavilhões de exposições, como medir o apoio ao conflito com pilhas de feijão-carioca.
Matt Gaetz, ex-congressista da Flórida, protagonizou um dos momentos de discordância mais veementes com Trump durante a sessão oficial do evento.
— Uma invasão terrestre do Irã tornará nosso país mais pobre e menos seguro — disse Gaetz, que agora apresenta um programa noturno na rede conservadora One America Network. — Significará preços mais altos da gasolina, preços mais altos dos alimentos. E não tenho certeza se acabaríamos matando mais terroristas do que criando.
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O discurso, no entanto, teve uma reação morna da multidão, e alguns permaneceram frustrados.
— Essas conversas simplesmente não estão acontecendo aqui — disse Samantha Cassell, uma estrategista republicana de 27 anos. Ela usava um boné com a inscrição “Fishback for Florida” em apoio ao candidato a governador da Flórida, conhecido por seu discurso inflamado, que mobilizou uma coalizão de jovens eleitores naquele estado. — Não há nenhuma discussão séria acontecendo. É tudo muito apático. Já participei de muitos desses eventos, a Convenção Nacional Republicana, a Convenção Nacional Democrata, e este é provavelmente o pior de todos.
Alguns na extrema-direita viram nessa divisão geracional uma oportunidade de reivindicar uma geração jovem em busca de uma válvula de escape. Joel Webbon, um influenciador digital que promove um nacionalismo disfarçado de cristianismo, escreveu que sua presença na CPAC na semana passada revelou uma descoberta importante: “A juventude é nossa”, escreveu ele em uma postagem no X.
Elijah Schaffer, um comentarista de extrema-direita que foi visto circulando pelos corredores da CPAC na sexta-feira vestindo um terno preto, escreveu no X que “a CPAC 2026 me deu esperança para a juventude americana. Todos os jovens aqui estão radicalizados/influenciados”.
Entre os jovens republicanos, houve casos de pessoas que expressaram formas de otimismo cauteloso (em relação às próximas eleições de meio de mandato) e apoio provisório (à decisão abrupta do presidente de atacar o Irã), mas essas opiniões foram expressas, em sua maioria, por participantes com aspirações profissionais de trabalhar em círculos do Partido Republicano.
A profunda alienação compartilhada pelos jovens conservadores da CPAC também se estendia àqueles com gostos mais moderados. Assim como seus pares mais radicais, esses conservadores tradicionais expressaram exaustão com as provocações da guerra cultural promovidas pelo MAGA, a propensão de Trump ao caos e a nova geração de criadores de conteúdo, como Shirley, que, na visão deles, ofereciam um conservadorismo mais superficial.
— Eles precisam ir tocar na grama — disse Jack Greenberg, de 23 anos, que participa de encontros sociais organizados pelo clube Jovens Republicanos de Dallas.
Greenberg, um apoiador de Trump que trabalha como incorporador imobiliário, expressou consternação com o fato de que políticas públicas haviam sido amplamente abandonadas em favor de discursos inflamados. Ele riu ao relatar seu encontro com um jovem criador de conteúdo na CPAC que alegava ter se infiltrado na Antifa.
— Só quero que a política volte a ser chata — disse Greenberg, com ar pesaroso.
Um dos assuntos discutidos por muitos jovens presentes foi como o Turning Point USA e seu encontro anual, o AmericaFest, pareciam ter substituído a CPAC como o principal palco do movimento para debater o futuro do partido.
O evento do ano passado, realizado em Phoenix, foi palco de intensas disputas internas entre influenciadores conservadores sobre temas que variavam da influência de Israel ao papel do nativismo dentro do partido. Embora muitos dos jovens participantes do AmericaFest tenham achado essas brigas igualmente perturbadoras, os participantes da CPAC ansiavam por um pouco daquela energia.
Sem isso, pessoas como Cassell sentiram que só havia uma conclusão óbvia a se chegar sobre o estado do movimento conservador de Trump após a última semana.
— Acho que o movimento MAGA está morrendo — disse ela. — Acho mesmo.
A crise energética em Cuba, agravada pelas restrições ao fornecimento de combustível impostas pelos Estados Unidos, já impacta diretamente o sistema de saúde da ilha e pode estar contribuindo para a morte de pacientes, segundo relatos de médicos ouvidos pela reportagem. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ataques de Israel e dos Estados Unidos eliminaram líderes de alto escalão do Irã e atingiram alvos-chave em todo o país. Em meio à escalada e às ameaças do presidente americano, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética iraniana, é possível afirmar que, após um mês de confrontos, foi Teerã quem obteve a vitória estratégica mais relevante ao reforçar seu controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, normalmente, circulam cerca de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, além de grandes volumes de outras mercadorias. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em meio às incertezas militares, econômicas e políticas globais produzidas pela guerra de EUA e Israel contra o Irã, para a Coreia do Norte o conflito deu às lideranças locais uma certeza: a de que a sobrevivência do regime depende de seu arsenal nuclear. A desnuclearização, como querem EUA, Coreia do Sul e boa parte da comunidade internacional, não é mais opção em Pyongyang, e isso deve pautar futuras negociações, se elas acontecerem.
— A realidade atual demonstra claramente a legitimidade da escolha estratégica e da decisão de nossa nação de rejeitar as promessas vazias dos inimigos e garantir permanentemente a segurança de nosso arsenal nuclear — afirmou Kim Jong-un, líder norte-coreano, em discurso no dia 23 de março. — Afirmo que nossa nação não é mais um país sob ameaça: agora possuímos o poder de representar uma ameaça, se necessário.
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Estimativas apontam que a Coreia do Norte tem cerca de 50 ogivas operacionais (e os meios para lançá-las contra seus inimigos) e material suficiente para fabricar até 90 novos armamentos. Fora do Tratado de Não Proliferação (TNP) desde 2003, o país não se submete a inspeções internacionais e não vê qualquer incentivo para fazê-lo, especialmente ao observar o desfecho de décadas de pressão ocidental sobre o Irã.
— Nossa nação inaugurou uma nova era de conquista da segurança por meio da força e da salvaguarda da paz por meio da força, não por meio de declarações ou apelos — disse Kim Jong-un no discurso à Assembleia Popular Suprema. — A atual realidade global, na qual a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são impiedosamente pisoteados pela coerção unilateral e pela tirania, ensina-nos claramente o que realmente constitui a garantia genuína da existência e da paz nacional.
Esta foto, tirada em 11 de março de 2026 e divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA) em 12 de março de 2026, mostra o líder norte-coreano Kim Jong Un (C) e sua filha Kim Ju Ae (centro à esquerda) inspecionando a produção de um novo tipo de pistola em uma importante fábrica de munições subordinada ao Segundo Comitê Econômico
KCNA VIA KNS / AFP
Desde meados dos anos 1990, o regime em Teerã é acusado de tentar militarizar seu programa nuclear — algo que sempre negou —, e convive com sanções, assassinatos de cientistas e atos de sabotagem contra instalações cruciais. Os seguidos reveses diplomáticos, aliados à quebra de acordos, reforçaram a ideia de que nem sempre é possível confiar nas promessas ocidentais. E as novas lideranças, mais radicais do que as anteriores, lamentam não terem seguido o caminho da bomba.
— A opinião das elites, assim como a opinião pública, mudou drasticamente sobre isso, o que não deveria ser surpreendente, visto que o Irã foi bombardeado duas vezes em meio a negociações por os Estados com armas nucleares — disse Trita Parsi, especialista do Instituto Quincy, à rede CNN.
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As lições do Irã se somam a outros exemplos, como o do ditador líbio Muammar Kadhafi. Em dezembro de 2003, ele anunciou ao mundo que estava se livrando de suas armas de destruição em massa como parte de um acordo com o Ocidente. Cerca de sete anos depois, Kadhafi foi derrubado com o apoio de forças da Otan e morto por civis em Sirte, sua cidade natal, depois de ser descoberto em um cano de escoamento de água.
— Penso que [Kim] Jong-un percebeu a capacidade de barganha das nações que possuem armas nucleares, que têm um grande poder de dissuasão — disse o ex-senador Dan Coats, ex-diretor de Inteligência Nacional no primeiro governo do presidente dos EUA, Donald Trump, ao portal Intercept, em 2017. — A lição que aprendemos com a Líbia, que desmantelou seu programa nuclear, (…) foi infelizmente essa: se você tem bombas atômicas, nunca deve se desfazer delas. Se não tem, trate de obtê-las.
Ditador da Líbia, Muammar Kadafi (E), aperta a mão do presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante encontro em Tripoli
PATRICK KOVARIK/AFP
Mas a estratégia de sobrevivência do regime não se trata apenas de ter ogivas prontas para uso.
Nos últimos anos, a Coreia do Norte incrementou seus laços com outras duas potências nucleares, China e Rússia, em acordos centrados na parceria econômica e, especialmente, militar. No ano passado, durante uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, Kim afirmou que a amizade entre os dois países não mudaria, “independentemente de como a situação internacional se altere”. No sábado, Kim escreveu a Xi que as relações bilaterais estão “se elevando a um novo patamar, em resposta às aspirações e aos desejos de ambas as partes e dos povos dos dois países”.
Com a Rússia, a parceria foi mais ampla. Desde 2022, Pyongyang fornece munições e projéteis para a guerra de Vladimir Putin na Ucrânia. Em junho de 2024, os dois países firmaram um tratado estratégico, com garantias mútuas de segurança, que abriu caminho para o envio de tropas para lutar ao lado dos russos contra os ucranianos, acelerou o compartilhamento de conhecimentos militares e fortaleceu os cofres do Estado.
Desde então, entre US$ 5,6 bilhões e US$ 9,8 bilhões em dinheiro vindo de Moscou entraram no país, de acordo com levantamento da Fundação Friedrich Naumann para a Liberdade. Além de armamentos destinados às tropas do Kremlin, os norte-coreanos produzem novos navios, mísseis, drones com tecnologia de inteligência artificial, tanques e sistemas de defesa aérea para uso próprio.
“A modernização convencional da Coreia do Norte não deve ser vista como um afastamento de sua busca por dissuasão nuclear. Na verdade, ela pode reforçá-la, oferecendo à Coreia do Norte opções que não exigem uma escalada nuclear”, escreveu Khang Vu, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política do Boston College, em artigo para o Instituto Lowy.
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A estratégia também se reflete na visão sobre seus adversários. No discurso à Assembleia Popular Suprema, Kim Jong-un formalizou o status de Seul como um “Estado hostil”, em mais um golpe contra qualquer tipo de política de reunificação. Em tom de ameaça, afirmou que se houver “qualquer ato da Coreia do Sul contra nossa república, os faremos pagar o preço sem piedade, sem qualquer hesitação ou consideração”.
Sobre os Estados Unidos, Kim os acusou de cometerem “atos de terrorismo estatal e agressão”, sem mencionar o Irã ou o nome de Trump. O líder americano não esconde o desejo de se reunir com o norte-coreano, com quem dizia manter uma amizade próxima, e diplomatas sugeriram que uma reunião poderia acontecer em abril, durante uma viagem do republicano à China (adiada por conta da guerra). No mês passado, Kim declarou que se os EUA “abandonarem sua política de confronto com a Coreia do Norte e respeitarem nosso status [nuclear] atual, não há razão que nos impeça de manter uma boa relação”.
Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko (E), faz brinde com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante encontro em Pyongyang
KCNA VIA KNS / AFP
Pelo cálculo do líder norte-coreano, suas ogivas, a amizade com Moscou e Pequim e a simpatia de Trump lhe dariam margem para obter concessões ou um compromisso de que não será atingido pelas bombas americanas, sem tocar na palavra “desnuclearização”. Na semana passada, ele se reuniu com o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, que teria se oferecido como mediador com Washington. Mas diante da imprevisibilidade do presidente americano, essa é uma aposta de longo prazo, sem chances garantidas de sucesso.

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