Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Mesmo antes da guerra no Irã, país já atingido por sanções, a inflação estava próxima de 50% e a indignação com a economia alimentava protestos antigovernamentais em massa. Após mais de cinco semanas de conflito, os problemas só aumentaram. Além do medo diário de ataques, o efeito mais imediato da guerra tem sido mais uma espiral ascendente nos preços de tudo, desde bens básicos – alimentos, bebidas, remédios ou fraldas – até almoços em cafés da moda na cidade.
45 mil soldados e 20 anos: Custo para tirar do Irã o controle do Estreito de Ormuz tem papel central em decisão de Trump por cessar-fogo
Tensão: ataques no Líbano expõem fragilidade da trégua entre Estados Unidos e Irã
Entenda: plano de 10 pontos divulgado pelo Irã e principais impasses com os EUA após o cessar-fogo
Amir, um iraniano de 40 anos dos subúrbios de Teerã, contou recentemente à AFP como o preço da marca de torrada que costuma comprar subiu repentinamente de 700.000 rials para 1.000.000 (cerca de R$ 3,83). Um amigo dele teve que pagar 180 milhões de riais (cerca de R$ 689) por um comprimido para tratamento de câncer que custava cerca de três milhões antes dos ataques dos EUA e de Israel ao país, que começaram em 28 de fevereiro.
“E eles têm que comprar um tablet a cada 20 dias”, explicou ele.
Kaveh, um artista da capital, explicou como o popular café Dobar, no centro de Teerã, “aumentou os preços em 25% em todos os itens em um único dia”. Mesmo no noroeste do Irã, região geralmente bem abastecida com importações da vizinha Turquia, “alguns produtos custam três vezes o preço normal”, disse uma mulher de 50 anos a um jornalista da AFP.
Em um sinal da inflação galopante, o banco central introduziu uma nova nota de dez milhões de riais em meados de março, a mais recente e de maior denominação em circulação. No mês anterior, havia lançado uma nota de cinco milhões, um valor recorde na época, refletindo a forte queda no valor da moeda, que despencou desde a primeira guerra com os EUA e Israel em junho passado.
As dificuldades econômicas e a desvalorização do rial foram fatores-chave por trás dos maiores protestos antigovernamentais da história recente, no início do ano, que começaram com greves de comerciantes no famoso bazar de Teerã. Segundo grupos de direitos humanos, milhares de pessoas foram mortas na repressão que se seguiu.
‘Um desastre’
Embora os recentes aumentos de preços tenham pressionado ainda mais os orçamentos domésticos, muitas pessoas também se viram desempregadas. A guerra levou muitas empresas a fecharem as portas, deixando os funcionários em situação de incerteza e sem saber se receberão seus salários. Os bazares em todo o país restringiram seus horários de funcionamento, enquanto as construtoras demitiram trabalhadores em massa, muitos deles migrantes do Afeganistão.
“Quando a guerra começou, as oportunidades de emprego se tornaram raras e as pessoas pararam de construir”, disse à AFP Faizullah Arab, um pintor desempregado de 23 anos, ao retornar ao Afeganistão no último fim de semana, vindo de Teerã. “Os empregadores foram para o exterior e os negócios pararam”, acrescentou seu compatriota Walijan Akbari, um operário de 42 anos.
Qualquer pessoa que dependa da internet ou administre um negócio de comércio eletrônico também tem enfrentado dificuldades com mais de cinco semanas de um apagão de comunicações que deixou apenas a limitada rede nacional do Irã em funcionamento.
“Estou sinceramente muito assustada com o nosso futuro, especialmente do ponto de vista econômico”, disse à AFP na semana passada uma mulher de 35 anos que trabalha no setor financeiro no centro de Isfahan. “A situação está um desastre agora. Demissões em massa, paralisações generalizadas […] tudo parece insuportável.”
Os ataques aéreos contra a indústria siderúrgica do Irã — vital para uma ampla gama de setores — bem como contra instalações petroquímicas, pontes e estradas, também devem ter um impacto a longo prazo na economia nacional.
Problemas bancários
Adnan Mazarei, ex-alto funcionário do Fundo Monetário Internacional especializado no Oriente Médio, disse à AFP que o setor bancário no pós-guerra também seria uma grande área de preocupação.
“Antes do início desta guerra com Israel, os EUA e o Irã, o sistema bancário estava em uma situação difícil, muito vulnerável em geral, com balanços frágeis”, disse ele à AFP.
Ele afirma que o setor sofrerá um novo impacto com a guerra, devido à incapacidade de consumidores e empresas de pagar seus empréstimos. Durante a guerra, foram impostos limites aos caixas eletrônicos para evitar saques em massa, mas, de modo geral, os cartões e os serviços bancários online funcionaram durante a maior parte do conflito.
A falência bancária mais recente envolveu o Ayandeh Bank, um dos maiores bancos privados do país, que entrou em colapso no final do ano passado devido ao peso de empréstimos inadimplentes e perdas equivalentes a US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 26,52 bilhões). Mazarei suspeita que mais resgates possam ser necessários, com o banco central sendo forçado a imprimir dinheiro para salvá-los.
“É claro que isso aumentará a oferta de moeda, o que levará, por sua vez, a uma maior inflação”, acrescentou.
De acordo com a agência de estatísticas do Irã, a inflação anual foi de 47,5% em fevereiro.
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 383/17, que garante recursos federais mínimos para o Sistema Único de Assistência Social (Suas), é um passo decisivo na proteção das camadas mais vulneráveis da população.

“Alguns podem achar pouco a vinculação de 1% da receita corrente líquida, dada a imensa desigualdade em nosso país. Mas é inegável que a decisão da Câmara é um avanço incomparável em nossa história recente”, afirmou.

O texto estabelece transição ao longo de três anos, até atingir 1% da receita corrente líquida.

Segundo Motta, a falta de recursos, muitas vezes, leva as prefeituras a fecharem as portas dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). “Isso não vai acontecer mais. Trazer estabilidade e proteção orçamentária para políticas sociais é manter a porta do Cras aberta, e o Creas recebendo pessoas que tiveram seus direitos violados”, disse o presidente.

Investimento
Motta ressaltou que a medida não deve ser encarada como despesa, mas sim como investimento. “Uma família acompanhada adoece menos, ou seja, gera menos gastos ao SUS [Sistema Único de Saúde]. Como médico, não tenho dúvida, o recurso investido na assistência retorna sobre outras formas”, defendeu.

De acordo com Motta, a previsão dos recursos para a assistência social na Constituição transforma, na prática, políticas públicas como o Bolsa Família em política de Estado. “O que está na Constituição não fica sob os humores dos governos de plantão”, disse o presidente da Câmara, ao defender que a medida garante que milhões de brasileiros não estejam mais sujeitos a incerteza ou ao uso eleitoral desses programas.

Hugo Motta disse que já conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para os senadores também votarem o texto ainda este ano.

A proposta precisa ainda ser aprovada em segundo turno pela Câmara, em votação prevista para a próxima quarta-feira (15).

Saiba mais sobre a tramitação de propostas de emenda à Constituição

A frágil trégua entre o Irã e os Estados Unidos mostrou sinais de desmoronamento nesta quinta-feira, quando Teerã ameaçou retomar as hostilidades em resposta aos ataques israelenses ao Líbano e Washington anunciou que manterá sua presença militar até que um “acordo real” seja alcançado. Washington e Teerã haviam comemorado o acordo de cessar-fogo de duas semanas e as negociações para encerrar a guerra, que deixou milhares de mortos no Oriente Médio e desencadeou turbulências econômicas globais, como uma vitória.
Entenda: o plano de 10 pontos divulgado pelo Irã e os principais impasses com os EUA após o cessar-fogo
Negociação: Irã anuncia duas rotas marítimas alternativas em Ormuz ao alegar possível presença de ‘minas’
Leia também: Trump ataca a Otan após reunião privada com o chefe da aliança e critica falta de apoio no Irã
No entanto, o presidente Donald Trump anunciou na noite desta quarta-feira que as forças militares dos EUA “permanecerão em posição no Irã e em suas proximidades até que o ACORDO REAL seja totalmente implementado”.
Pelo menos 182 pessoas foram mortas e quase 900 ficaram feridas nesta quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel após acusá-lo de violar o cessar-fogo, firmado na noite de terça-feira.
Pelo menos 182 pessoas foram mortas e quase 900 ficaram feridas nesta quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel após acusá-lo de violar o cessar-fogo, firmado na noite de terça-feira.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os ataques israelenses no Líbano colocavam o cessar-fogo em “grave risco”. Israel já havia advertido que sua luta contra o movimento libanês não fazia parte do cessar-fogo.
Mas o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, questionou o cessar-fogo ao publicar um artigo no jornal X, afirmando que três princípios do acordo já haviam sido violados: os ataques ao Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio.
Em resposta, Qalibaf afirmou que as negociações com os Estados Unidos eram “irrazoáveis”. Para enfraquecer ainda mais o cessar-fogo, um alto funcionário americano afirmou que o plano de 10 pontos do Irã não inclui as mesmas condições que a Casa Branca aceitou para interromper a guerra.
Horror epânico em Beirute
No Líbano, os bombardeios repentinos em Beirute desencadearam pânico.
“As pessoas começaram a correr e a fumaça subia”, relatou Ali Younes, que esperava sua mulher perto da Corniche al-Mazraa, uma das áreas atingidas.
Mais de 1.700 pessoas morreram no Líbano desde que Israel iniciou ataques aéreos e uma invasão terrestre no mês passado, segundo autoridades locais. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o exército ideológico do Irã, alertou que “cumpriria seu dever e responderia” se Israel não cessasse seus ataques, enquanto o Hezbollah alegou ter o “direito” de retaliar.
Entenda: cessar-fogo foi anunciado como vitória por EUA e Irã, mas é possível apontar um vencedor?
Negociações: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã, enquanto Paquistão diz que violações afetam processo de paz
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país permanece preparado para confrontar o Irã, se necessário, pois ainda tem “objetivos a cumprir”.
Alto Risco
A retórica beligerante surgiu antes das negociações de alto risco agendadas para sexta-feira no Paquistão, e depois que o Irã concordou temporariamente em reabrir o Estreito de Ormuz após a ameaça de Trump de aniquilar a “civilização” iraniana. O Irã anunciou rotas alternativas para navios que transitam pelo estreito nesta quinta-feira, citando o risco de minas marítimas na principal via de navegação. Mas permanecia incerto se Teerã estava permitindo a passagem de navios pela hidrovia.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país intermediou o cessar-fogo, pediu a todas as partes que exercessem “moderação”. Apesar da trégua, a mídia estatal iraniana anunciou novos “ataques com mísseis e drones” nesta quarta-feira contra os países do Golfo aliados a Washington, em retaliação ao bombardeio de suas instalações petrolíferas. Em Teerã, as ruas estavam mais tranquilas do que o normal, com várias lojas fechadas após uma onda de ansiedade devido aos temores de um ataque maciço dos EUA.
“Agora todos estão calmos”, disse Sakineh Mohammadi, uma dona de casa de 50 anos que afirmou sentir-se “orgulhosa” de seu país.
“Esperança Viva”
Nesta quarta-feira, os líderes de diversos países europeus, do Canadá e do Reino Unido afirmaram que um “fim rápido e duradouro para a guerra” deve ser negociado, enquanto o Papa Leão XIV saudou o acordo como um “sinal de esperança viva”.
Mas as exigências de Teerã em relação ao enriquecimento de urânio — um processo pelo qual, segundo os países ocidentais, o Irã busca adquirir uma arma nuclear —, às sanções econômicas e ao futuro controle do Estreito de Ormuz permanecem em desacordo com as de Washington.
O acordo provocou uma queda acentuada nos preços do petróleo nesta quarta-feira, que haviam disparado durante a guerra, mas os preços se recuperaram nesta quinta-feira. Enquanto isso, Trump criticou duramente a Otan, que, segundo ele, falhou em fornecer assistência durante o conflito.
“A OTAN não estava presente quando precisamos dela, e não estará presente se precisarmos dela novamente”, publicou em suas redes sociais.
O badminton vai testar petecas sintéticas em torneios de nível inferior, com o objetivo de potencialmente utilizá-las no nível de elite, informou a entidade que rege o esporte, devido à escassez de penas de pato e ganso. O aumento vertiginoso dos custos das matérias-primas na China fez com que os preços das petecas mais que dobrassem no ano passado.
Argentina: congresso debate flexibilização da proteção de geleiras para promover mineração
Mundo: escassez de hélio ameaça produção global de chips em meio à guerra no Oriente Médio
A Federação Mundial de Badminton (BWF) já havia afirmado que esse era um problema, mas que a escassez ainda não havia atingido um nível crítico. A BWF afirmou que usará petecas sintéticas em eventos selecionados, incluindo torneios internacionais juvenis.
“Esta iniciativa faz parte da abordagem de longo prazo da BWF para avaliar petecas de penas sintéticas para uso potencial no nível de elite”, afirmou em comunicado. “O teste incluirá a coleta de dados de desempenho do fabricante, juntamente com o feedback de jogadores, oficiais técnicos e organizadores de eventos.”
“Esta informação apoiará a avaliação contínua da BWF e orientará as decisões futuras sobre o potencial uso de petecas sintéticas em torneios de alto nível.”
A escassez de petecas pode ser atribuída, em parte, à mudança nos hábitos de consumo na China. A produção de petecas depende muito do fornecimento de penas de pato e ganso. Uma peteca de alta qualidade requer 16 penas cuidadosamente selecionadas, geralmente provenientes das asas de patos ou gansos.
A produção de petecas de pato e ganso na China, líder mundial na produção de petecas, diminuiu drasticamente nos últimos anos. Fabricantes disseram à AFP que também há uma crescente demanda por petecas devido à popularidade do badminton na China.
O Irã tornou público um plano de dez pontos para encerrar o conflito com os Estados Unidos, um dia após a entrada em vigor de um cessar-fogo temporário de duas semanas, acordado na noite de terça-feira. A proposta foi considerada pelo presidente Donald Trump como “uma base viável para negociar”, mas inclui exigências que entram em choque direto com posições já defendidas por Washington, especialmente sobre o programa nuclear iraniano e a presença militar americana no Oriente Médio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ponto central das negociações sobre um cessar-fogo temporário e, provavelmente, dos termos para o fim da guerra no Irã, a reabertura completa do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% das exportações de petróleo do mundo, é um desejo de boa parte da comunidade internacional, e chegou a ser citada na publicação em que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a trégua. Um alívio para as centenas de embarcações que aguardam o momento de cruzar a área e chegar a seus portos.
Entenda: Cessar-fogo foi anunciado como vitória por EUA e Irã, mas é possível apontar um vencedor?
Impasse: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã, enquanto Paquistão recebe denúncias de violações
Mas se depender de Teerã, o cenário pré-Operação Fúria Épica não será retomado tão cedo. Ao longo dos 39 dias de conflito, o regime aplicou com sucesso uma estratégia planejada por décadas para o estreito, virtualmente bloqueou a passagem e agora quer exige poderes para controlar a rota, decidindo quem pode transitar e quanto deve pagar pelo “privilégio”. Uma pequena amostra do “dedo no gatilho”, usando uma expressão da Guarda Revolucionária, veio nesta quarta-feira, quando o tráfego foi interrompido após ataques israelenses contra o Líbano, que deixaram mais de 200 mortos.
Entenda por que a reabertura total e irrestrita do Estreito de Ormuz será tão difícil a curto prazo.
Controle militar (com ajuda do terreno)
Há décadas o Irã ameaça fechar Ormuz diante de riscos externos, como a Guerra Irã-Iraque, mas até o dia 28 de fevereiro eram apenas palavras e exercícios militares. Mas no início de março, a Guarda Revolucionária colocou em prática a estratégia defensiva. Com drones, mísseis, minas navais, lanchas e mensagens ameaçadoras por rádio, o tráfego de navios caiu quase a zero, provocando um congestionamento histórico em águas próximas e causando um choque do petróleo de grande porte.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
A costa extensa deu aos iranianos uma ampla plataforma de lançamento contra quem desafiasse o bloqueio. O controle de ilhas como Qeshm — a maior do Golfo Pérsico, e nos últimos anos transformada em uma fortaleza — garantiu locais avançados de controle, observação e intimidação. Em seu trecho mais estreito, as duas margens estão a menos de 40 km de distância, e as águas mais rasas do lado iraniano restringem ainda mais as rotas. Ao contrário de outros pontos de travessia pelo mundo, não há um plano B para quem quer chegar ao interior do Golfo.
Garantias de segurança
Dentro do conceito de defesa do Irã, o Estreito de Ormuz passou a ser um elemento crucial de segurança contra ameaças externas, ao lado de seu arsenal de mísseis e drones. Ao fechar a passagem, Teerã coletivizou e maximizou os custos da guerra dos EUA e Israel, em uma tentativa de pressionar a comunidade internacional por um cessar-fogo. Deu certo: Trump fez três ultimatos exigindo a reabertura, e ameaçou eliminar a civilização iraniana no último deles.
A duas horas do fim do prazo, o americano piscou, anunciou a trégua e até republicou em suas redes sociais a declaração do governo iraniano de que iria controlar o estreito durante a pausa nos combates. Como disse Danny Citrinowicz, ex-chefe do departamento do Irã da inteligência de defesa israelense, ao Wall Street Journal, “o Estreito de Ormuz definitivamente se tornou tão importante para eles quanto os mísseis e o programa nuclear”, cujo controle “é imprescindível”. Os iranianos, especialmente a Guarda Revolucionária, também entendem que desarmar o sistema montado na área exigiria uma operação de tal porte que poucos ousariam se aventurar.
— Na tentativa de impedir o Irã de desenvolver uma arma de destruição em massa, os EUA entregaram ao Irã uma arma de perturbação em massa — explicou Ali Vaez, diretor do Projeto Irã do International Crisis Group, à agência Reuters. .
Fonte bilionária de renda
Em meio ao choque provocado pelo bloqueio, os iranianos sinalizaram que navios autorizados a trafegar por Ormuz precisariam pagar um pedágio, que poderia chegar a até US$ 2 milhões em determinados casos. Segundo o portal Lloyds List, desde o dia 13 de março, ao menos 26 navios trafegaram pela rota aprovada pela Guarda Revolucionária — as regras incluem o envio de documentos, lista de tripulantes e uma “checagem de risco geopolítico”, uma verificação se a embarcação pertence a algum país “hostil”, como Israel e EUA. O pagamento pode ser feito em riais iranianos, yuanes chineses ou em criptomoedas, jeito eficaz para evitar sanções. Um projeto para oficializar a cobrança está em fase final no Parlamento, e prevê uma tarifa de US$ 1 por barril de petróleo. Alguns petroleiros têm capacidade para até dois milhões de barris. Caso implementado sem percalços, o esquema poderá gerar até US$ 500 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.
— O Irã aprendeu a manter a economia global como refém — disse Petras Katinas, pesquisador do think tank Royal United Services Institute, ao jornal britânico Telegraph.
Vantagem em disputas
Pouco depois do anúncio da trégua, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, estipulou que Teerã determinaria o ritmo da reabertura do estreito, ao contrário da retomada plena do tráfego, como a existente antes de Trump decidir lançar a “Operação Fúria Épica”. Nas primeiras horas de cessar-fogo, o Irã interrompeu a passagem por Ormuz como resposta aos bombardeios israelenses contra o Líbano — teoricamente incluido no plano — e prometeu manter o bloqueio caso os ataques continuem. Nas negociações previstas para começar na sexta-feira, analistas esperam que o controle sobre a passagem seja usado para obter concessões generosas, ignorando as queixas dos países árabes que não quererem pagar mais por suas exportações. Mais do que uma arma de combate ou econômica, a supremacia (ao menos momentânea) sobre Ormuz deu a Teerã uma potente ferramenta política.
“Hoje, o controle sobre o Estreito de Ormuz oferece um tipo diferente de influência”, escreveu Hamidreza Azizi, pesquisador visitante do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, em uma análise nos últimos dias. “Uma influência que é imediatamente visível nos mercados globais, continuamente exercitável e menos dependente de ciclos prolongados de negociação e processos diplomáticos.”
A legalidade (ou não) do fechamento
Mas a estratégia iraniana deve enfrentar questionamentos legais. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em seu Artigo 17, garante a embarcações que não ameacem áreas consteiras o direito da “passagem inocente”, aquela considerada contínua e rápida por águas territoriais internacionais. Ao estipular a cobrança de pedágio, o Irã rompe com a ideia de que o mar não pertence a ninguém. Philippe Delebecque, professor e especialista em direito marítimo da Universidade Sorbonne, em Paris, disse à Associated Press que “e liberdade de navegação sempre foi reconhecida, inclusive especificamente em estreitos”, e questionou o que aconteceria se os países que margeiam os estreitos de Gibraltar e Malaca também começassem a cobrar. Irã e EUA não ratificaram a Convenção do Mar, o que não os isenta de cumprir a lei internacional ou as regras estabelecidas pelo direito internacional costumeiro.
Se fosse um manual, o título está dado: “Como implodir seu próprio governo em seis semanas.” De forma reservada, um estrategista político americano dos mais austeros sintetizou assim ao GLOBO os 39 dias de ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Ele o fez após o anúncio, na noite desta terça-feira, do cessar-fogo entre Washington e Teerã para as próximas duas semanas e que, de acordo com Tel Aviv, exclui o teatro de guerra do Líbano, onde segue o conflito com o Hezbollah. O veterano de pleitos desde os anos 1990 jamais trabalhou para o Partido Democrata e não é uma voz isolada no flanco da direita. Desastre já é palavra usada por governistas, e cada vez menos apenas à boca miúda, para traduzir “a aventura de Donald Trump no Irã”.
Entenda: Cessar-fogo foi anunciado como vitória por EUA e Irã, mas é possível apontar um vencedor?
Contexto: O que se sabe sobre o cessar-fogo no Irã e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz
A maior parte o faz, pelo viés ideológico, de olho no legado da segunda passagem do republicano pela Casa Branca e na cada vez maior percepção da base trumpista de estelionato eleitoral cometido em 2024, quando o então candidato presidencial denunciou as “guerras sem fim nos cafundós do planeta”, com bilhões desviados do bem-estar dos cidadãos americanos. Se mostram especialmente contrariados com a previsão ao Orçamento de US$ 1,5 trilhão pela Casa Branca para despesas militares pós-Irã enquanto o custo de vida, a gasolina, os fertilizantes para o agro e o preço dos planos de saúde disparam.
Os mais oportunistas centram seu desgosto na perda de seus cargos, com a derrota maior do que a esperada para a oposição nas eleições de novembro após os passos em falso no Irã. Não é coincidência o Comitê de Campanha ao Senado do Partido Republicano anunciar investimento inédito de US$ 342 milhões nas disputas majoritárias, com socorro gordo de dólares a estados que votam majoritariamente na direita há décadas, entre eles Alasca e Ohio.
Trégua frágil: Por ataques de Israel no Líbano, Irã suspende trânsito de petroleiros em Ormuz após permitir passagem de dois navios
E os governistas menos tacanhos alertam ainda para o que já consideram ser, mesmo com fim inconcluso da transformação em curso no Oriente Médio, o maior erro geopolítico de Washington desde a Guerra do Vietnã. Destacam a falta de confirmação do fim da ameaça militar do Irã e da capacidade do país de produzir armas atômicas, além do controle por Teerã do estratégico Estreito de Ormuz. Nenhum deles compra a inverdade de Trump de que houve mudança de regime em Teerã e que o novo comando, como o cessar-fogo indicaria, estaria interessado em “colaborar com Washington”. Não têm ilusão de estarem às voltas com uma nova Caracas de Delcy Rodriguez.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Capacidade de Trump em xeque
As ameaças, por escrito, de Trump, de destruir “toda uma civilização” em apenas uma noite, afastaram ainda mais a opinião pública americana da Casa Branca, com recordes de narizes torcidos para o governo. Pesquisas internas do Partido Republicano constataram o tamanho do tombo destes 40 dias, especialmente entre os independentes, com a aprovação estacionada em um dígito. Como não votam diligentemente em um dos dois lados do bipartidarismo ianque, tendem a ser os mais decisivos. Mais desperto do que o costume, o Partido Democrata percebeu a oportunidade, e vozes de peso da oposição passaram a cobrar o secretariado trumpista e o vice-presidente, JD Vance, a debaterem a aplicação da 25ª emenda da Constituição dos EUA, instituída em 1967. Ela prevê que a maioria do Gabinete e o vice têm o dever de enviar, em conjunto, ao Congresso, declaração por escrito se constatarem a incapacidade do presidente de comandar o país.
Isso jamais aconteceu, o Legislativo atual é dos mais submissos ao Executivo da História americana, e os auxiliares mais próximos do republicano se dividem entre os que dizem sim, e sim, senhor, ao líder. Foi o que reforça reportagem do New York Times ao detalhar o encontro na Casa Branca que resultou no convencimento do republicano, pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre o ataque conjunto ao Irã. Alguns até questionaram a credibilidade da projeção do linha-dura israelense da queda veloz do regime após a eliminação do aiatolá Ali Kamenei, de revolta popular de monta e da minoria curda pegando em armas, mas ninguém se interpôs de fato ao impulso de Trump. Ainda assim, a discussão pública da incapacidade do político de 79 anos de seguir no comando do país, por si só, atesta a fragilidade inédita do Trump 2.0.
Jornal: Israel foi informado tardiamente de negociações de cessar-fogo com Irã e se incomodou por não ter sido consultado
Fraturas começam a ser percebidas até nas Forças Armadas. A Fundação Militar para Liberdade Religiosa, organização independente fundada dois anos após a invasão do Iraque pelos EUA, que defende soldados e oficiais americanos às voltas com discriminação, informou ter recebido, desde o início do ataque ao Irã, mais de 200 reclamações formais de proselitismo coercitivo. O uso da religião, especialmente pelo Secretário de Defesa, Pete Hegseth, com a apresentação do ataque ao Irã como uma cruzada contemporânea, ainda causa atritos. E a ameaça, pelo presidente, de cometer o que poderiam ser qualificados como crimes de guerra, inclusive o mais grave deles, o genocídio, fez com que pelo menos um oficial da reserva tratasse reservadamente da dificuldade dos comandantes de cumprirem missões percebidas como desumanas e/ou ilegais.
É consenso que Trump reage de forma ainda mais inconsequente quando se percebe sem saída. Mas, no Irã, até republicanos avaliam que ele extrapolou, ao desafiar, sem exceções, todas as instituições do país. E o fez às vésperas da celebração dos 250 anos da democracia americana, em julho, e no momento em que poderia colher frutos do sucesso e do fascínio gerado pela missão Ártemis II.
Ao ignorar a necessidade de o Congresso aprovar uma guerra, dar de ombros aos aliados internacionais em meio a uma crise econômica global e aplicar tom vulgar às ameaças a Teerã, inclusive com a sugestão não explícita do uso de armas nucleares, o presidente teria, temem os republicanos, extrapolado sua irresponsabilidade e aumentado a probabilidade de a revolução ultraconservadora do Trump 2.0 começar a ser interrompida já no próximo semestre. Curiosamente, boa parte desses críticos de ocasião não se alarmaram há pouco mais de uma década, quando o então candidato à Presidência afirmou, em evento político, que sua base lhe era tão fiel a ponto de ele poder atirar a esmo em alguém na Quinta Avenida, em Nova York, e eles ainda votarem nele. Miraram nos votos e deixaram para depois a sugestão de crime.
A polícia da Etiópia anunciou a prisão de um dos principais líderes de uma rede internacional de tráfico humano responsável por mais de 3 mil vítimas, em um caso que envolve mortes, abusos e atuação em diversos países.
Golpes virtuais: Brasileiros são vítimas de tráfico humano no Camboja após falsas ofertas de emprego
Dez vítimas: Família brasileira foge e denuncia tráfico humano em Portugal
Segundo autoridades, o principal suspeito e ao menos nove cúmplices foram detidos na região de Tigré, no norte do país. O grupo é acusado de comandar um esquema ativo desde 2018, que recrutava principalmente jovens em situação de vulnerabilidade em países do nordeste africano.
As investigações indicam que a organização criminosa traficou milhares de pessoas para destinos como a Líbia, onde as vítimas eram mantidas em cativeiro. De acordo com a polícia, migrantes ficavam presos em armazéns, submetidos a violência, extorsão e abusos sistemáticos.
O grupo também é responsabilizado pela morte de mais de 100 pessoas e pela exploração sexual de pelo menos 50 mulheres, segundo informações oficiais.
Esquema internacional e lucro milionário
A rede atuava em vários países, incluindo Sudão, Somália, Quênia e nações europeias, utilizando múltiplas identidades para dificultar a ação das autoridades.
As autoridades estimam que o esquema movimentou mais de 3 bilhões de birres etíopes (cerca de US$ 19 milhões), valor obtido por meio do tráfico e da extorsão de vítimas e familiares.
Relatos colhidos durante a investigação apontam que os migrantes eram atraídos com promessas de emprego no exterior, mas acabavam sequestrados e obrigados a pedir dinheiro a parentes para serem libertados.
Cooperação internacional e próximos passos
A operação é resultado de uma investigação transnacional, com compartilhamento de informações entre autoridades de diferentes países e organismos regionais de combate ao tráfico de pessoas.
Segundo a polícia etíope, o caso já foi encaminhado à Justiça para processamento dos suspeitos. Além disso, bens e contas ligadas ao grupo foram bloqueados, como parte das medidas para desarticular a organização criminosa.
A ação ocorre em um contexto em que a Etiópia é considerada uma das principais rotas de origem de migrantes na África, cenário frequentemente explorado por redes de tráfico humano que prometem melhores condições de vida no exterior.
O principal suspeito dos assassinatos de Gilgo Beach, Rex Heuermann, declarou-se culpado na quarta-feira (8) e deve agora receber a sentença de prisão perpétua no próximo mês de junho, depois de 30 anos de investigação sobre o caso. Segundo a sua confissão, ele teria matado oito mulheres em Nova York, com requintes de crueldade, incluindo desmembramento dos corpos.
Veja também: Musgo microscópico ajuda FBI a desvendar esquema de violação de túmulos nos EUA
Oriente médio: Parentes de Soleimani são presas pelo ICE após ostentarem vida de luxo nos EUA enquanto exaltavam o regime iraniano; entenda
Heuermann, de 62 anos, confessou os sete homicídios pelos quais era formalmente acusado, além de um oitavo crime que ainda não havia sido oficialmente imputado. Ele compareceu ao tribunal do condado de Suffolk para o que seria uma audiência de rotina antes do julgamento previsto para o outono.
As vítimas de Heuermann, em sentido horário, a partir da linha superior: Shannan Gilbert, Maureen Brainard-Barnes, Melissa Barthelemy, Valerie Mack, Amber Lynn Costello e Megan Waterman
Reprodução: Condado Policial de Suffolk
Vestido com terno escuro, camisa branca e gravata azul estampada, ele afirmou ao juiz Timothy P. Mazzei que estava fazendo a confissão de forma voluntária e que abria mão do direito de recorrer e de testemunhar em sua própria defesa.
“Você sente que é do seu interesse se declarar culpado?”, perguntou o juiz.
“Sim, sinto”, respondeu Heuermann, assentindo com a cabeça.
Vídeo: Dançarina ‘pega fogo’ durante apresentação na China e corre para rio para sobreviver
O promotor do condado de Suffolk, Raymond A. Tierney, citou uma a uma as vítimas e questionou o réu sobre como havia causado suas mortes. “Estrangulamento”, respondeu Heuermann repetidamente.
A faixa de areia de Gilgo Beach, em Nova York
SPENCER PLATT / GETTY IMAGES VIA AFP
Ele afirmou que contratava mulheres como acompanhantes, as matava, amarrava seus corpos com estopa e os abandonava ao longo da Ocean Parkway, via da orla que gerou a alcunha do criminoso.
Durante a confissão, Heuermann manteve comportamento calmo, como se estivesse em uma conversa cotidiana. A audiência, realizada diante de uma sala lotada, durou cerca de 20 minutos.
Após o depoimento, o advogado de defesa, Michael Brown, disse que a decisão de assumir a responsabilidade partiu do próprio cliente.
“Houve um momento nesta defesa em que Rex disse: ‘Quero me declarar culpado’”, afirmou Brown. Segundo ele, Heuermann foi motivado pelo desejo de poupar as famílias das vítimas de um julgamento “sensacionalista” e de “evitar que sua própria família passasse por esse sofrimento”. Questionado se o cliente demonstrava arrependimento, respondeu: “Espero que sim”.
A investigação teve início em 2010, quando a polícia encontrou quatro corpos em Gilgo Beach, na costa sul de Long Island. Ao longo dos anos, os restos mortais de 16 pessoas foram localizados na região, incluindo uma mulher assassinada ainda na década de 1990. Desde o começo, parte dos investigadores suspeitava da atuação de um assassino em série, mas o caso foi prejudicado por falhas internas, desorganização e episódios de corrupção.
As autoridades acreditavam que o criminoso escolhia mulheres que anunciavam serviços em sites como Craigslist, utilizava tiras de estopa para amarrá-las e fazia contato por celulares descartáveis, difíceis de rastrear. Dados de torres de telefonia indicavam que ele poderia se deslocar entre Long Island e Manhattan.
Apesar dessas pistas, a polícia levou anos para identificar um suspeito. A virada ocorreu apenas em julho de 2023, com a prisão de Heuermann.
Durante todo esse período, familiares das vítimas pressionaram as autoridades por respostas e questionaram se o ritmo da investigação teria sido diferente caso as mulheres não fossem trabalhadoras do sexo.
Na audiência desta quarta-feira, os nomes das vítimas foram lembrados em voz alta: Megan Waterman, 22 anos; Melissa Barthelemy, 24; Amber Lynn Costello, 27; Maureen Brainard-Barnes, 25; Valerie Mack; Jessica Taylor, 20; Sandra Costilla, 28; e Karen Vergata, 34.
O movimento libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, afirmou, nesta quinta-feira (no horário local), que lançou foguetes contra Israel em resposta à “violação” do cessar-fogo pactuado entre Estados Unidos e Irã. Em comunicado, o Hezbollah informou que, “em resposta à violação do acordo de cessar-fogo por parte do inimigo”, atacou “a região de Manara [do outro lado da fronteira com Israel] com uma chuva de foguetes às 2h30 de quinta-feira”, 20h30 desta quarta-feira em Brasília.
Recuo: por ataques de Israel no Líbano, Irã suspende trânsito de petroleiros em Ormuz após permitir passagem de dois navios
Negociação: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã, enquanto Paquistão diz que violações afetam processo de paz
Cessar-fogo no Irã: o que se sabe e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz?
O grupo libanês não havia reivindicado nenhum ataque contra Israel desde o anúncio da trégua na terça-feira (horário de Washington), depois de 39 dias de guerra. Poucas parte do Líbano permanecem intocados pela guerra. Vilarejos inteiros foram esvaziados depois que Israel emitiu alertas de evacuação em larga escala para quase todo o sul do país.
Ataques aéreos israelenses destruíram casas, romperam pontes e arrasaram partes de cidades. As forças terrestres israelenses avançaram cada vez mais, entrando em confronto com militantes do Hezbollah em terrenos acidentados e montanhosos.
A guerra trouxe grande incerteza para o sul do país, uma área predominantemente muçulmana xiita e dominada pelo Hezbollah durante décadas. Nos últimos dias, autoridades israelenses apresentaram um plano para ocupar uma faixa do sul, da fronteira até o rio Litani, após o fim da invasão terrestre. Isso corresponde a cerca de 10% de todo o país. Israel afirma que pretendem estabelecer uma “zona de segurança” para impedir que o território seja usado para atacar seu território.
Na última terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que as centenas de milhares de libaneses deslocados que fugiram do sul não poderão retornar às suas casas até que a “segurança dos residentes do norte de Israel seja garantida”.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, antes de reunião com ministros das Relações Exteriores do Reino Unido e da França, em Jerusalém, em 16 de agosto de 2024
Kobi Wolf/Bloomberg
O governo do Líbano condena a campanha militar de Israel e apela à comunidade internacional para que intervenha. Na semana passada, o primeiro-ministro Nawaf Salam alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o risco de Israel anexar o território ao sul do rio Litani.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress