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O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu na quarta-feira que a atividade militar israelense no Líbano coloca em “grave risco” a frágil trégua entre Irã e Estados Unidos, disse seu porta-voz em um comunicado.
“A atividade militar em curso no Líbano apresenta um grave risco ao cessar-fogo e aos esforços para alcançar uma paz duradoura e ampla na região. O secretário-geral reafirma seu apelo a todas as partes para cessar imediatamente as hostilidades”, indicou o porta-voz do chefe da ONU.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses realizados na quarta-feira deixaram 182 mortos e 890 feridos.
A declaração ocorre em meio à escalada de tensão na região, apesar do anúncio recente de trégua entre Irã e Estados Unidos, e amplia a pressão internacional por contenção do conflito.
A Espanha anunciou que reabrirá sua embaixada em Teerã, fechada em março em razão da guerra, após a trégua alcançada entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, que associou a decisão ao contexto de redução das tensões no Oriente Médio.
“Dei instruções ao nosso embaixador em Teerã para que retorne, para que volte a assumir a chefia e reabra a embaixada da Espanha”, explicou o ministro à imprensa, sobre uma decisão que pretende se unir, “a partir da própria capital do Irã, a esse esforço pela paz”.
A embaixada espanhola havia sido fechada em março, em meio à escalada do conflito na região. A reabertura ocorre após o anúncio de trégua envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã, em um movimento que sinaliza tentativa de retomada de canais diplomáticos.
(Em atualização)
O Exército de Israel comunicou, nesta quinta-feira, que realizou um ataque durante a noite na cidade de Beirute e afirmou ter matado Ali Yusuf Harshi, descrito como sobrinho e secretário pessoal de Naim Qassem, líder do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã.
Segundo os militares israelenses, a ação ocorreu na área de Beirute e teve como alvo direto Harshi, que mantinha relação familiar e profissional com Qassem, identificado como secretário-geral do Hezbollah.
Em comunicado oficial divulgado pela agência Reuters, as Forças de Defesa de Israel (IDF) declararam ter feito um ataque “na área de Beirute” e eliminado “Ali Yusuf Harshi, secretário pessoal e sobrinho do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem”.
(Em atualização)
A missão Artemis II já entrou para a história. Na cápsula Orion viajam os quatro astronautas que mais longe estiveram da Terra em toda a história. São as primeiras — e, por enquanto, únicas — quatro pessoas que viram o lado oculto da Lua com os próprios olhos.
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Agora, enquanto retornam à Terra — a aterrissagem está prevista para esta sexta-feira —, eles processam as fotos que tiraram com seus iPhones 17 Pro Max e câmeras Nikon D5 em computadores… de uma década atrás.
Por que a NASA, que investiu fortunas para oferecer à tripulação a tecnologia mais avançada disponível para uma viagem espacial, depende de computadores Microsoft Surface Pro com Windows 8, apresentado em 2012 e que deixou de receber suporte em 2023? (E que, inclusive, causaram problemas de acesso ao Outlook no primeiro dia em órbita).
Uma vista do interior da cápsula Orion da missão Artemis II mostra a tela de um dos tablets Microsoft Surface Pro de 2017 levados pela tripulação na viagem.
Demoras, certificações e orçamento
A explicação foi dada por Jason Hutt, gerente de engenharia e integração de sistemas da cápsula Orion para a Artemis II, em sua conta no Bluesky.
— Vamos falar sobre como isso funciona e por que temos dispositivos antigos. Quando comecei com a integração da cabine, lá em 2017, nossa data original de lançamento era 2020. Compramos os tablets que a tripulação usaria na Artemis II naquela época. Para não gastar demais, limitamos nossa escolha aos dispositivos que já faziam parte do catálogo da Estação Espacial Internacional (ISS) — explicou Hutt.
— Ao usar um dispositivo que a ISS já utilizava, economizaríamos dinheiro na certificação do hardware. Cada equipamento que voa precisa passar por uma série de testes, e esse processo exige tempo e dinheiro. Além disso, o software operacional do tablet foi desenvolvido em Windows para a ISS, então precisávamos de um com esse sistema. O lançamento de 2020 passou para 2022, depois 2024 e, finalmente, 2026; sabíamos que esses dispositivos estariam obsoletos quando voássemos. Mas já os tínhamos em mãos. Já estavam testados. O software já estava desenvolvido para essa plataforma. No fim, você toma a decisão de que é bom o suficiente — completou.
O astronauta Jeremy Hansen registra imagens do lado oculto da Lua com uma Nikon D5, câmera lançada em 2016.
O problema da conexão
Outro desafio dos dispositivos e softwares modernos é que eles pressupõem uma conexão permanente com a internet — algo impossível no espaço profundo.
— Enquanto a ISS está em órbita baixa da Terra e é possível estabelecer uma conexão viável com a internet, a Orion estará na Rede do Espaço Profundo (DSN), que tem limitações de largura de banda — detalhou. — Precisamos priorizar o que é enviado e recebido do ponto de vista de dados, porque não há largura de banda suficiente para toda a telemetria, vídeo, áudio e outros sistemas que permitiriam manter uma conexão constante.
Respondendo a questionamentos de seguidores, Hutt explicou que a durabilidade dos tablets após dez anos — ainda que com pouco uso — também é um fator de risco, sobretudo pela possibilidade de degradação das baterias (algumas unidades falharam antes mesmo do voo) e pelo impacto da radiação na eletrônica.
— Eles não são reforçados contra radiação, então sabemos que há uma probabilidade razoável de falharem simplesmente por estarem no ambiente espacial — afirmou. — É um equilíbrio entre custo, capacidade e risco.
Naufragado a cerca de 150 metros de profundidade no Atlântico Norte, um submarino nazista voltou ao centro do debate internacional não por razões históricas, mas por representar um risco ambiental crescente. Afundado pela Marinha britânica nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o U-864 transportava dezenas de toneladas de mercúrio e hoje é apontado como uma ameaça potencial ao ecossistema marinho na costa da Noruega. As informações foram divulgadas pela Deutsche Welle.
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O submarino integrava uma missão secreta do regime nazista, conhecida como Operação César. Em fevereiro de 1945, partiu de Bergen com destino ao Japão, aliado da Alemanha, levando a bordo cerca de 65 toneladas de mercúrio armazenadas em mais de 1,8 mil contêineres de aço, além de componentes tecnológicos e especialistas. A viagem, no entanto, foi interrompida após problemas mecânicos que facilitaram sua detecção. Em 9 de fevereiro daquele ano, próximo à Ilha de Fedje, o U-864 foi atingido por torpedos disparados pelo submarino britânico HMS Venturer. O episódio entrou para a história como o único caso confirmado de um submarino afundando outro enquanto ambos estavam submersos. Todos os 73 tripulantes morreram.
Dilema sobre o futuro do naufrágio
Durante décadas, a localização exata do naufrágio permaneceu desconhecida, até que os destroços foram encontrados em 2003. Desde então, autoridades norueguesas discutem como lidar com o local, que reúne restos humanos, munições ainda ativas e uma carga altamente tóxica. Entre as alternativas avaliadas estão o soterramento do submarino com areia e concreto, formando uma espécie de cápsula de contenção, ou a remoção completa da estrutura e dos materiais perigosos.
As duas opções envolvem riscos. A movimentação da estrutura pode provocar explosões devido à presença de torpedos ainda intactos. Por outro lado, cobrir o submarino também não elimina totalmente o perigo, já que uma eventual detonação poderia dispersar o mercúrio no mar. Além disso, o local é considerado um túmulo de guerra, o que adiciona uma dimensão ética à decisão.
Em janeiro de 2026, o Parlamento norueguês determinou a reavaliação da possibilidade de remoção completa do submarino, alternativa antes considerada inviável. Relatórios técnicos mais recentes indicam que o soterramento pode aumentar o risco de instabilidade no fundo do mar e favorecer a liberação descontrolada do material tóxico. Estudos já identificaram a presença de mercúrio em sedimentos e em organismos marinhos próximos ao local do naufrágio.
O metal, altamente tóxico, pode se transformar em metilmercúrio no ambiente marinho, uma substância que se acumula nos organismos vivos e se espalha pela cadeia alimentar, alcançando peixes consumidos por humanos. Casos históricos, como o desastre de Minamata, no Japão, demonstram o potencial devastador dessa contaminação, com impactos graves no sistema nervoso e no desenvolvimento fetal.
Embora grande parte da carga ainda esteja contida nos recipientes originais, especialistas alertam que a corrosão é inevitável com o passar do tempo. A deterioração dessas estruturas pode desencadear um vazamento progressivo, ampliando os riscos ambientais na região. O caso segue em debate no país e é acompanhado por autoridades e pesquisadores, segundo a Deutsche Welle.
O prolongamento da guerra na Ucrânia, já em seu quinto ano, tem impulsionado um fenômeno controverso na Rússia: o das chamadas “viúvas negras”, mulheres que se casam com militares com o objetivo de receber compensações financeiras em caso de morte no combate.
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A prática se sustenta em um sistema estatal que prevê indenizações elevadas às famílias de soldados mortos. Conhecido como grobovye, ou “dinheiro do caixão”, o benefício pode chegar a 13 milhões de rublos (cerca de 840 mil de reais), valor que, em regiões de baixa renda, representa uma transformação econômica significativa.
Mortalidade elevada amplia incentivos financeiros
Segundo o Euro News, estimativas indicam que o conflito já provocou mais de meio milhão de mortes, com mais de 200 mil baixas confirmadas entre militares russos, segundo levantamentos baseados em registros públicos e relatos familiares.
Nesse cenário, a alta probabilidade de morte no front, descrito por alguns como um “triturador de carne”, tem incentivado o uso do casamento como estratégia financeira. Há relatos de mulheres que firmaram múltiplos matrimônios com combatentes, acumulando compensações após sucessivas mortes.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Sergey Khandozhko, de 40 anos, que se casou e se alistou no dia seguinte. Ele morreu meses depois, e a esposa solicitou pensão mesmo sem convivência conjugal. A Justiça posteriormente classificou o casamento como fictício, destacando indícios de manipulação e interesse econômico.
Redes informais e alvos vulneráveis
Homens solitários, sem herdeiros diretos, são os principais alvos do esquema. Em diversas regiões russas, surgem relatos de redes que conectam mulheres a militares mobilizados, inclusive com apoio informal de agentes públicos.
Plataformas digitais e grupos em redes sociais funcionam como intermediários, enquanto denúncias apontam para a participação de funcionários de cartórios e até policiais na facilitação de casamentos suspeitos.
Desafios legais e impacto social
Apesar de o Estado russo manter tradição de assistência a famílias de militares, o fenômeno expõe fragilidades no sistema. Uma vez formalizado, o casamento garante direitos legais, mesmo quando há suspeita de fraude, especialmente se o soldado já tiver morrido e a indenização paga.
Diante da crescente incidência, propostas legislativas tentam endurecer punições para uniões simuladas, com penas que podem chegar a dez anos de prisão. Ainda assim, comprovar a intenção fraudulenta permanece um obstáculo jurídico relevante.
O avanço das “viúvas negras” reflete um contexto mais amplo de empobrecimento e economia de guerra, no qual o risco extremo no campo de batalha passa a ser visto, por alguns, como oportunidade de ascensão financeira, ainda que à custa da própria vida.
As indenizações pagas pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) a vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica não estão isentas de impostos e podem sofrer reduções significativas, chegando a cair para metade em alguns casos. A informação foi divulgada pela revista Sábado.
Os pagamentos, que somam mais de 1,6 milhão de euros (aproximadamente R$ 9,5 milhões), variam entre 9 mil e 45 mil euros (de R$ 53 mil a R$ 270 mil) por vítima. Segundo a legislação fiscal em vigor, os valores enquadram-se na categoria G — incrementos patrimoniais do Imposto de Renda — e não cumprem os critérios legais de isenção, ficando sujeitos à tributação.
O porta-voz da associação Coração Silenciado, António Grosso, criticou duramente a situação, classificando-a como “absurda” e “uma afronta”, ao destacar que as vítimas terão de pagar impostos sobre compensações destinadas a reparar danos sofridos.
“É a própria Igreja [Católica] a declarar, recorrentemente, que este processo é ‘a reparação possível’, que a compensação financeira é apenas simbólica, que não apaga os danos causados… E agora vão ser as vítimas, abusadas sexualmente, a ter de pagar impostos? Isto é inacreditável”, afirmou à revista.
De acordo com um fiscalista ouvido pela Sábado, as “indemnizações por danos não patrimoniais só não são taxadas quando fixadas por decisão judicial, quando resultam de acordo entre as partes envolvidas, homologado judicialmente por juiz ou quando são definidas no âmbito de tribunal arbitral” — o que não se verifica neste caso.
Além disso, o termo de recebimento exigido pela CEP prevê que os beneficiários aceitem a tributação e renunciem a qualquer reclamação futura contra a Igreja. Para António Grosso, a exigência configura pressão indevida: “A Igreja Católica está a exigir que nos calemos para sempre, que deixemos de poder expor ou reclamar os crimes cometidos. Com que direito? E só recebemos a compensação assim? Isto tem apenas um nome: coação. É o que a CEP está a fazer”.
Valores reduzidos em relação à proposta inicial
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas, afirmou que os valores das compensações foram definidos com base na jurisprudência dos tribunais portugueses e em exemplos europeus, ficando abaixo do inicialmente proposto pela comissão responsável.
“Nós tínhamos dito desde o início que não púnhamos um limite fixo numérico, mas que tínhamos algumas balizas e pontos de inspiração”, disse à agência Lusa, admitindo que a proposta original previa montantes superiores.
“Se houve uma diminuição dos valores apresentados? Sim, mas por estas razões que acabei de dizer”, acrescentou o também bispo de Leiria-Fátima.
Em Portugal, já foram aprovados 57 pedidos de compensação, com valores entre 9 mil e 45 mil euros. Segundo Ornelas, os montantes estão em linha com práticas de outros países, como França e Alemanha, onde as indenizações variam entre 5 mil e 50 mil ou 60 mil euros, respectivamente.
“Tendo em conta a diferença de nível de vida”, a opção em Portugal é “acima desse contexto”, afirmou.
A associação de vítimas já havia criticado os critérios adotados, afirmando que “a tabela de preços do sofrimento anunciada pela CEP é uma afronta”.
Processo independe de ações judiciais
As compensações resultam de uma iniciativa da própria Igreja, uma vez que muitos dos casos estão prescritos ou os autores já morreram. Ainda assim, as vítimas mantêm o direito de recorrer à Justiça.
“Quem quiser pode avançar com uma queixa e as pessoas podem sempre recorrer aos tribunais” e “posso aceitar que alguém ache pouco”, disse Ornelas, ressaltando que a Igreja procurou adotar “critérios objetivos”.
“Na maioria dos casos, as pessoas que tinham cometido esses abusos já tinham falecido ou então os casos já tinham prescrito” e “foi um processo complexo que procuramos pegar com os pontos importantes”, explicou.
O presidente da CEP reconheceu, no entanto, que nenhuma compensação financeira é capaz de reparar integralmente os danos causados: “Esta ajuda que damos não é para pagar a dor, porque isso é um montante que não se paga, mas é para que ajude de facto o seu processo na superação das dificuldade e [possa] refazer a sua vida”.
No mês de dezembro, um vídeo viralizou ao chamar a atenção de internautas. Uma praia com ondas de um vermelho denso rodou a web. Era a Ilha de Ormuz, que fica no Estreito de Ormuz, atualmente no centro do conflito no Oriente Médio e peça de negociação para o cessar-fogo na região. Espantados, internautas duvidaram das imagens e houve aqueles que citaram “chuva de sangue” da Bíblia.
Aquilo, no entanto, não era um prenúncio de que uma guerra estava para se iniciar ali pouco mais de dois meses depois. Mas sim um fenômeno comum na ilha, que é conhecida como uma raridade geológica pela quantidade de formações rochosas e minérios encontrados na região. Na ocasião, houve uma chuva forte no local, o que levou uma quantidade grande de óxido de ferro de seu solo para o mar, segundo explicou o portal Daily Mail, na ocasião.
A Ilha de Ormuz chama mesmo a atenção de seus visitantes pelo show de cores que promove em solo e também no mar. Ela fica a 8 km da costa do Irã e tem apenas 41 quilômetros quadrados e ainda é pouco conhecida na região como rota turística. Um dos fenômenos que acontece ali deixa as águas vermelhas, e seu solo repleto de colinas fica colorido, em meio a cavernas de sal, além de construções em formato de ovos em meio a uma área deserta.
A Ilha de Ormuz, território do Irã
Reprodução/Instagram/@iran
O show de cores é explicado por camadas de rocha vulcânicas, sal e minerais, como o óxido de ferro. Segundo influenciadores que postam sobre o destino nas redes, é possível atravessá-la em 40 minutos com uma scooter. Embora ainda seja relativamente pouco explorada, em comparação a outros destinos próximos, mesmo com o anúncio de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, alerta oficiais não recomendam que se viaje para a ilha.
Um dos locais que mais chama atenção por lá é o Vale do Arco-Íris, onde há faixas de areia em verde, laranja, roxo, rosa e vermelho. Perece até feito por inteligência artificial, mas ela existe e proporciona belas fotos a seus visitante. Já no Vale do Açafrão, as cores predominantes são o amarelo brilhante e o dourado. Moradores locais acreditam que a areia rica em diferentes minerais tem propriedades curativas.
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Há ainda cavernas de sal, onde camadas de sal ficam presas nas rochas e também há uma variedade de cores.
Por lá ainda é possível visitar a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, construída pelos portugueses no século XVI, época das grandes navegações europeias.
Para se chegar até a Ilha de Ormuz, o caminho não é fácil. É preciso viajar da capital Teerã até a cidade de Bandar Abbas, em um voo que dura aproximadamente duas horas, seguido de 45 minutos de travessia de barco até a Ilha de Ormuz.
Praia na Ilha de Ormuz
Reprodução/Instagram/@monkey.inc
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Pessoas visitam a Ilha de Ormuz, no Estreito do Golfo de Ormuz, próximo à cidade portuária iraniana de Bandar Abbas, em 29 de abril de 2019
Atta Kenare/AFP
Mesmo antes da guerra no Irã, país já atingido por sanções, a inflação estava próxima de 50% e a indignação com a economia alimentava protestos antigovernamentais em massa. Após mais de cinco semanas de conflito, os problemas só aumentaram. Além do medo diário de ataques, o efeito mais imediato da guerra tem sido mais uma espiral ascendente nos preços de tudo, desde bens básicos – alimentos, bebidas, remédios ou fraldas – até almoços em cafés da moda na cidade.
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Amir, um iraniano de 40 anos dos subúrbios de Teerã, contou recentemente à AFP como o preço da marca de torrada que costuma comprar subiu repentinamente de 700.000 rials para 1.000.000 (cerca de R$ 3,83). Um amigo dele teve que pagar 180 milhões de riais (cerca de R$ 689) por um comprimido para tratamento de câncer que custava cerca de três milhões antes dos ataques dos EUA e de Israel ao país, que começaram em 28 de fevereiro.
“E eles têm que comprar um tablet a cada 20 dias”, explicou ele.
Kaveh, um artista da capital, explicou como o popular café Dobar, no centro de Teerã, “aumentou os preços em 25% em todos os itens em um único dia”. Mesmo no noroeste do Irã, região geralmente bem abastecida com importações da vizinha Turquia, “alguns produtos custam três vezes o preço normal”, disse uma mulher de 50 anos a um jornalista da AFP.
Em um sinal da inflação galopante, o banco central introduziu uma nova nota de dez milhões de riais em meados de março, a mais recente e de maior denominação em circulação. No mês anterior, havia lançado uma nota de cinco milhões, um valor recorde na época, refletindo a forte queda no valor da moeda, que despencou desde a primeira guerra com os EUA e Israel em junho passado.
As dificuldades econômicas e a desvalorização do rial foram fatores-chave por trás dos maiores protestos antigovernamentais da história recente, no início do ano, que começaram com greves de comerciantes no famoso bazar de Teerã. Segundo grupos de direitos humanos, milhares de pessoas foram mortas na repressão que se seguiu.
‘Um desastre’
Embora os recentes aumentos de preços tenham pressionado ainda mais os orçamentos domésticos, muitas pessoas também se viram desempregadas. A guerra levou muitas empresas a fecharem as portas, deixando os funcionários em situação de incerteza e sem saber se receberão seus salários. Os bazares em todo o país restringiram seus horários de funcionamento, enquanto as construtoras demitiram trabalhadores em massa, muitos deles migrantes do Afeganistão.
“Quando a guerra começou, as oportunidades de emprego se tornaram raras e as pessoas pararam de construir”, disse à AFP Faizullah Arab, um pintor desempregado de 23 anos, ao retornar ao Afeganistão no último fim de semana, vindo de Teerã. “Os empregadores foram para o exterior e os negócios pararam”, acrescentou seu compatriota Walijan Akbari, um operário de 42 anos.
Qualquer pessoa que dependa da internet ou administre um negócio de comércio eletrônico também tem enfrentado dificuldades com mais de cinco semanas de um apagão de comunicações que deixou apenas a limitada rede nacional do Irã em funcionamento.
“Estou sinceramente muito assustada com o nosso futuro, especialmente do ponto de vista econômico”, disse à AFP na semana passada uma mulher de 35 anos que trabalha no setor financeiro no centro de Isfahan. “A situação está um desastre agora. Demissões em massa, paralisações generalizadas […] tudo parece insuportável.”
Os ataques aéreos contra a indústria siderúrgica do Irã — vital para uma ampla gama de setores — bem como contra instalações petroquímicas, pontes e estradas, também devem ter um impacto a longo prazo na economia nacional.
Problemas bancários
Adnan Mazarei, ex-alto funcionário do Fundo Monetário Internacional especializado no Oriente Médio, disse à AFP que o setor bancário no pós-guerra também seria uma grande área de preocupação.
“Antes do início desta guerra com Israel, os EUA e o Irã, o sistema bancário estava em uma situação difícil, muito vulnerável em geral, com balanços frágeis”, disse ele à AFP.
Ele afirma que o setor sofrerá um novo impacto com a guerra, devido à incapacidade de consumidores e empresas de pagar seus empréstimos. Durante a guerra, foram impostos limites aos caixas eletrônicos para evitar saques em massa, mas, de modo geral, os cartões e os serviços bancários online funcionaram durante a maior parte do conflito.
A falência bancária mais recente envolveu o Ayandeh Bank, um dos maiores bancos privados do país, que entrou em colapso no final do ano passado devido ao peso de empréstimos inadimplentes e perdas equivalentes a US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 26,52 bilhões). Mazarei suspeita que mais resgates possam ser necessários, com o banco central sendo forçado a imprimir dinheiro para salvá-los.
“É claro que isso aumentará a oferta de moeda, o que levará, por sua vez, a uma maior inflação”, acrescentou.
De acordo com a agência de estatísticas do Irã, a inflação anual foi de 47,5% em fevereiro.
A frágil trégua entre o Irã e os Estados Unidos mostrou sinais de desmoronamento nesta quinta-feira, quando Teerã ameaçou retomar as hostilidades em resposta aos ataques israelenses ao Líbano e Washington anunciou que manterá sua presença militar até que um “acordo real” seja alcançado. Washington e Teerã haviam comemorado o acordo de cessar-fogo de duas semanas e as negociações para encerrar a guerra, que deixou milhares de mortos no Oriente Médio e desencadeou turbulências econômicas globais, como uma vitória.
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No entanto, o presidente Donald Trump anunciou na noite desta quarta-feira que as forças militares dos EUA “permanecerão em posição no Irã e em suas proximidades até que o ACORDO REAL seja totalmente implementado”.
Pelo menos 182 pessoas foram mortas e quase 900 ficaram feridas nesta quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel após acusá-lo de violar o cessar-fogo, firmado na noite de terça-feira.
Pelo menos 182 pessoas foram mortas e quase 900 ficaram feridas nesta quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde libanês. Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes contra Israel após acusá-lo de violar o cessar-fogo, firmado na noite de terça-feira.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os ataques israelenses no Líbano colocavam o cessar-fogo em “grave risco”. Israel já havia advertido que sua luta contra o movimento libanês não fazia parte do cessar-fogo.
Mas o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, questionou o cessar-fogo ao publicar um artigo no jornal X, afirmando que três princípios do acordo já haviam sido violados: os ataques ao Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio.
Em resposta, Qalibaf afirmou que as negociações com os Estados Unidos eram “irrazoáveis”. Para enfraquecer ainda mais o cessar-fogo, um alto funcionário americano afirmou que o plano de 10 pontos do Irã não inclui as mesmas condições que a Casa Branca aceitou para interromper a guerra.
Horror epânico em Beirute
No Líbano, os bombardeios repentinos em Beirute desencadearam pânico.
“As pessoas começaram a correr e a fumaça subia”, relatou Ali Younes, que esperava sua mulher perto da Corniche al-Mazraa, uma das áreas atingidas.
Mais de 1.700 pessoas morreram no Líbano desde que Israel iniciou ataques aéreos e uma invasão terrestre no mês passado, segundo autoridades locais. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o exército ideológico do Irã, alertou que “cumpriria seu dever e responderia” se Israel não cessasse seus ataques, enquanto o Hezbollah alegou ter o “direito” de retaliar.
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Negociações: Trump afirma que Líbano não faz parte de cessar-fogo com o Irã, enquanto Paquistão diz que violações afetam processo de paz
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país permanece preparado para confrontar o Irã, se necessário, pois ainda tem “objetivos a cumprir”.
Alto Risco
A retórica beligerante surgiu antes das negociações de alto risco agendadas para sexta-feira no Paquistão, e depois que o Irã concordou temporariamente em reabrir o Estreito de Ormuz após a ameaça de Trump de aniquilar a “civilização” iraniana. O Irã anunciou rotas alternativas para navios que transitam pelo estreito nesta quinta-feira, citando o risco de minas marítimas na principal via de navegação. Mas permanecia incerto se Teerã estava permitindo a passagem de navios pela hidrovia.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país intermediou o cessar-fogo, pediu a todas as partes que exercessem “moderação”. Apesar da trégua, a mídia estatal iraniana anunciou novos “ataques com mísseis e drones” nesta quarta-feira contra os países do Golfo aliados a Washington, em retaliação ao bombardeio de suas instalações petrolíferas. Em Teerã, as ruas estavam mais tranquilas do que o normal, com várias lojas fechadas após uma onda de ansiedade devido aos temores de um ataque maciço dos EUA.
“Agora todos estão calmos”, disse Sakineh Mohammadi, uma dona de casa de 50 anos que afirmou sentir-se “orgulhosa” de seu país.
“Esperança Viva”
Nesta quarta-feira, os líderes de diversos países europeus, do Canadá e do Reino Unido afirmaram que um “fim rápido e duradouro para a guerra” deve ser negociado, enquanto o Papa Leão XIV saudou o acordo como um “sinal de esperança viva”.
Mas as exigências de Teerã em relação ao enriquecimento de urânio — um processo pelo qual, segundo os países ocidentais, o Irã busca adquirir uma arma nuclear —, às sanções econômicas e ao futuro controle do Estreito de Ormuz permanecem em desacordo com as de Washington.
O acordo provocou uma queda acentuada nos preços do petróleo nesta quarta-feira, que haviam disparado durante a guerra, mas os preços se recuperaram nesta quinta-feira. Enquanto isso, Trump criticou duramente a Otan, que, segundo ele, falhou em fornecer assistência durante o conflito.
“A OTAN não estava presente quando precisamos dela, e não estará presente se precisarmos dela novamente”, publicou em suas redes sociais.

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