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O Departamento de Estado dos EUA acusou o governo cubano de facilitar o recrutamento de cinco mil pessoas para lutar ao lado das tropas da Rússia na Ucrânia. De acordo com um documento obtido pelo portal Axios, os cubanos já são identificados como um dos maiores contingentes estrangeiros nas linhas russas, apesar das autoridades locais não incentivarem oficialmente o recrutamento. A revelação ocorre em meio a uma severa crise entre Havana e Washington, que envolve um bloqueio quase total e pedidos por mudança de regime.
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Pelo relatório de cinco páginas enviado ao Congresso, “os registros públicos não comprovam que Havana tenha enviado oficialmente todos os combatentes cubanos”, mas “existem indícios significativos de que o regime tolerou, permitiu ou facilitou seletivamente esse fluxo de forma consciente”, como demonstração de “apoio diplomático e político a Moscou”.
“Os cidadãos cubanos aparecem como um dos maiores grupos identificáveis ​​de combatentes estrangeiros que apoiam as operações militares russas na Ucrânia”, afirma o relatório, enviado ao Congresso no dia 8 de abril. “As estimativas variam, mas a maioria das informações de fontes abertas sugere que entre 1.000 e 5.000 cidadãos cubanos estão lutando na Ucrânia […] e fontes da inteligência ucraniana estimam que vários milhares estejam destacados diretamente na linha de frente.”
Além dos cubanos, as tropas russas lutam ao lado de combatentes vindos da Coreia do Norte — com aval de Pyongyang —, Índia, Nepal, Sri Lanka e Quênia, muitas vezes atraídos por promessas de dinheiro ou por ofertas falsas de empregos longe das linhas de frente. Segundo levantamentos independentes, cerca de 3,3 mil estrangeiros morreram do lado russo desde 2022. A Ucrânia também mantém sua legião estrangeira, com apoio estatal, que atraiu milhares de recrutas, inclusive do Brasil.
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A presença de recrutas cubanos na Ucrânia foi revelada pela primeira vez em 2023 pelo jornal The Moscow Times. Na época, a publicação revelou que recrutadores atraíam os potenciais combatentes com promessas de dinheiro, realocação e a cidadania russa para eles e seus parentes.
Há um considerável número de cubanos na Rússia, resquício dos tempos da União Soviética, e eles se tornaram os primeiros “alvos”. Publicações em grupos usados pela comunidade no Facebook traziam ofertas de salários de 204 mil rublos (R$ 13 mil), além da cidadania russa. Em outra frente, os representantes do Exército entravam contato com civis em Cuba dispostos a lutar na guerra — cidadãos cubanos não precisam de visto para a Rússia, e há voos regulares entre os dois países.
— Muitos jovens vêm direto de Cuba para ganhar dinheiro aqui. Eles não são cubanos locais. Não ficam em Moscou, assinam contratos imediatamente e vão lutar”, disse um tradutor que trabalha com diáspora cubana, em entrevista ao Moscow Times, em 2023. — E depois desaparecem. Seus parentes tentam encontrá-los através da diáspora cubana ou das redes sociais. Mas não temos nada a ver com isso. Muito provavelmente, foram mortos.
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Na ocasião, o governo cubano anunciou o desmantelamento de uma rede de recrutamento e a abertura de processos contra 40 pessoas. Mas na opinião do Departamento de Estado, “o sistema judicial opaco do regime torna essas afirmações inverificáveis”.
As acusações engrossam a ofensiva contra o governo de Cuba, alvo de um bloqueio econômico e sob ameaça direta de uma intervenção destinada à mudança de regime, propagandeada pelo presidente Donald Trump. Desde o início do ano, petroleiros e navios com outros bens essenciais são proibidos de atracar em portos cubanos, agravando a crise energética e econômica na ilha. Algumas das poucas exceções foram concedidas à Rússia, que obteve permissão para atracar um petroleiro no final de março e que anunciou um novo carregamento de petróleo.
— Enviamos o primeiro navio-tanque com 100 mil toneladas (700 mil barris) de petróleo para Cuba. Claro que isso provavelmente durará alguns meses, não sou especialista — disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, em entrevista coletiva na China nesta quarta-feira, acrescentando esperar que os EUA não retornem aos tempos das “guerras coloniais”.
Indultos em xeque
Nesta quarta-feira, a Anistia Internacional exigiu mais transparência no processo de soltura de prisioneiros iniciado no começo do ano e viabilizado após negociações com o Vaticano.
Na última rodada de libertações, durante a Semana Santa, 2.010 pessoas receberam indulto, mas a ONG criticou a ausência de uma lista dos beneficiados, e pediu que Havana “deixe de usar a liberdade como moeda política”, acrescentando que nenhum dos identificados pela Anistia como “presos de consciência” foram soltos. Na terça-feira, a ONG Cubalex relatou que 24 presos políticos, quase todos detidos nos protestos de julho de 2021, ganharam a liberdade recentemente.
“Chegou a hora de substituir os anúncios parciais, obscuros, revogáveis ​​e sem garantias pela libertação imediata e incondicional de todas as pessoas presas unicamente por exercerem seus direitos humanos”, disse Ana Piquer, diretora da Anistia Internacional para as Américas.
Recentemente, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que não há presos políticos no país.
(Com AFP)
Pilotos foram flagrados emitindo sons de animais — como miados e latidos — durante comunicação por rádio com a torre de controle, em um episódio ocorrido nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, no último domingo. O caso viralizou nas redes sociais após a divulgação do áudio, que mostra a repreensão imediata de um controlador de tráfego aéreo.
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A gravação, com cerca de 12 segundos, registra a troca de sons entre os pilotos em uma frequência compartilhada com outros profissionais da aviação. Em determinado momento, um controlador intervém e cobra postura: “vocês precisam ser profissionais”, afirma, segundo o áudio divulgado.
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O aeroporto tem enfrentado maior atenção em relação à segurança nos últimos anos devido à congestão das pistas, a incidentes de quase colisão e às consequências contínuas da colisão aérea fatal ocorrida em 2025 sobre o rio Potomac, envolvendo um jato regional da American Eagle e um helicóptero do Exército dos Estados Unidos.
Frequência exige comunicação objetiva
As comunicações entre pilotos e controladores seguem regras rígidas e devem se limitar a informações operacionais essenciais, justamente para evitar ruídos e garantir a segurança do tráfego aéreo. Interferências desnecessárias podem comprometer instruções críticas e a consciência situacional dos envolvidos.
Ainda não há confirmação oficial sobre a identidade dos pilotos envolvidos, nem se pertencem a companhias aéreas específicas. Empresas como American Airlines e Delta Air Lines informaram que estão cientes do caso e avaliam internamente o ocorrido.
Até o momento, autoridades como a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) não anunciaram a abertura formal de investigação ou punições. No entanto, condutas consideradas inadequadas podem resultar em advertências, treinamentos adicionais ou sanções mais severas, dependendo da avaliação de risco operacional.
Uma associação internacional de meios de comunicação acusou líderes do exército israelense de tentar difamar um jornalista libanês morto no mês passado ao divulgar uma imagem gerada por inteligência artificial na qual o repórter aparece vestido com o uniforme do Hezbollah.
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Três jornalistas libaneses, entre eles Ali Shoeib — destacado correspondente da emissora Al Manar, afiliada ao movimento xiita Hezbollah — morreram em um ataque israelense no Líbano em 28 de março.
O exército israelense afirmou que matou Shoeib e justificou a ação dizendo que o repórter “operava dentro da organização terrorista Hezbollah sob a cobertura de ser jornalista”.
Apesar de não apresentar provas que sustentem essa acusação, a força militar publicou na rede X uma imagem que mostra uma foto editada de Shoeib: em uma metade, ele aparece com um colete de imprensa; na outra, veste o uniforme do Hezbollah.
O exército acrescentou a mensagem: “Resultado que o ‘chale de imprensa’ não foi mais do que uma tapadera para o terrorismo”.
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Fadel Itani/AFP
Um dia depois, o porta-voz militar, o tenente-coronel Nadav Shoshani, publicou no X outra imagem, de baixa qualidade, que supostamente mostra Shoeib com uniforme ao lado de um tanque, com a mensagem: “Publicamos esta manhã esta foto sem retocar o terrorista Ali Shoeib vestido com o uniforme do Hezbollah”. Posteriormente, o próprio exército reconheceu que a primeira imagem havia sido “retocada”.
A Associação de Imprensa Estrangeira (FPA), que representa centenas de repórteres em Israel e nos Territórios Palestinos, afirmou que o exército divulgou uma imagem “falsa” em 28 de março para “desacreditar o jornalista”.
“Durante as guerras recentes desacreditar os jornalistas e lembrar a duda difundindo informações inexatas e lançando acusações sem aportar testes de claras tem sido uma prática habitual do exército israelense”, acrescentou.
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Mais de 200 jornalistas palestinos foram mortos por fogo israelense desde outubro de 2023, segundo a FPA.
“Israel afirma que alguns foram combativos, mas em numerosos casos relatados ocasionalmente ou nenhuma tentativa que respaldou esta afirmação”, sinalizou a associação, criticando o que descreve como o “uso inadequado da IA” no caso de Shoeib.
Em resposta a um pedido de comentários sobre a declaração da FPA, o exército enviou à AFP a publicação de Shoshani no X, datada de 29 de março.
Desde o início de uma rodada anterior de hostilidades entre Israel e Hezbollah em 2023, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) documentou a morte de pelo menos 11 jornalistas e profissionais da imprensa mortos por Israel no Líbano.
A escalada do conflito envolvendo o Irã, após ataques dos Estados Unidos e de Israel, ampliou as tensões na região. Em 2 de março, o Hezbollah, aliado de Teerã, lançou projéteis contra território israelense.
Israel respondeu com bombardeios em larga escala em diferentes regiões do Líbano e iniciou uma incursão terrestre no sul do país.
A mulher mais rica da Austrália, Gina Rinehart, sofreu uma derrota na Justiça de seu país nos últimos dias. Com um patrimônio estimado em 27 bilhões de dólares (mais de R$ 134 bilhões na atual cotação), ela terá que se desfazer de parte desta fortuna. Nesta quarta-feira (13), a Suprema Corte do país decidiu que ela deverá pagar royalties passados ​​e futuros a outros herdeiros, que reivindicavam os valores. No entanto, os direitos de mineração permanecerão com ela, segundo a BBC.
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Ela herdou um império de mineração de ferro de seu pai, ainda em 1992. Ele havia desenvolvido minas de ferro em Pilbara, uma região rica em minerais da Austrália Ocidental. O que estava sendo cobrado na Justiça eram os lucros de Hope Downs, um dos maiores e mais lucrativos projetos de minério de ferro da Oceania. A ação era movida por dois de seus filhos e os herdeiros do sócio de Lang Hancock, pai da magnata.
A corte analisou o acordo feito entre o pai de Rinehart e seu sócio, Peter Wright, pioneiros da mineração de minério de ferro na Austrália Ocidental. A decisão vem depois de 13 anos de disputa judicial. A mina é operada em conjunto com a Rio Tinto, uma gigante global de mineração. No ano passado, o projeto contribuiu com quase US$ 596 milhões (quase R$ 3 bilhões) para a empresa de Rinehart.
A juíza do caso, Jennifer Smith, determinou que metade dos 2,5% dos royalties que a Rio Tinto paga a Hancock Prospecting fossem para os herdeiros que cobram os seus valores.
Já Bianca Rinehart e John Hancock, filhos de Gina Rinehart, afirmaram que o avô pretendia compartilhar a fortuna pelas minas do projeto Hope Downs com os dois. No entanto, a mãe teria feito uma manobra para impedir que o dinheiro chegasse a eles, já que havia transferido direitos lucrativos de mineração de um fundo fiduciário familiar para uma filial da empresa à qual eles não tinham acesso.
Um youtuber americano foi condenado a seis meses de prisão na Coreia do Sul após protagonizar uma série de atos considerados ofensivos e ilegais, incluindo gestos de desrespeito a uma estátua que homenageia vítimas de escravidão sexual durante a Segunda Guerra Mundial.
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Conhecido como Johnny Somali, o influenciador — cujo nome real é Ramsey Khalid Ismael — foi sentenciado por um tribunal de Seul por crimes como perturbação da ordem pública e obstrução de atividades comerciais. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, e ele foi detido imediatamente após o julgamento por ser considerado risco de fuga.
Segundo as autoridades, o criador de conteúdo ficou conhecido por realizar transmissões ao vivo com comportamentos provocativos em locais públicos, muitas vezes com o objetivo de gerar engajamento e lucro nas redes sociais. Entre os episódios mais criticados está um vídeo em que ele aparece realizando atos considerados desrespeitosos diante de uma estátua que simboliza as mulheres, em sua maioria coreanas, forçadas à escravidão sexual pelo Exército japonês durante a guerra.
O caso provocou forte indignação no país asiático, onde esses monumentos têm grande peso histórico e simbólico. Estima-se que até 200 mil mulheres tenham sido vítimas desse sistema durante o conflito, tema que ainda gera tensões diplomáticas na região.
Além do episódio com a estátua, o influenciador também foi acusado de assediar pessoas em espaços públicos, causar tumultos em estabelecimentos comerciais e divulgar conteúdos ofensivos, incluindo material manipulado digitalmente.
Durante o processo, promotores chegaram a pedir uma pena de até três anos de prisão, mas o tribunal optou por uma condenação mais branda. Ainda assim, a Justiça destacou que os atos foram repetidos e deliberados, com o objetivo de obter ganhos financeiros por meio da exposição online.
Após cumprir a pena, o americano ainda deverá enfrentar restrições adicionais, como impedimento de trabalhar com menores e registro como infrator sexual por um período determinado, conforme a legislação local.
O Papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira que sua visita à África leva uma mensagem de unidade e paz “que o mundo precisa ouvir”, ao mesmo tempo em que pediu às autoridades de Camarões que examinem sua “consciência” e rompam “as correntes da corrupção”. As declarações foram feitas em meio às críticas que o Pontífice vem recebendo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do vice-presidente JD Vance por sua posição sobre a guerra no Irã.
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Depois de ser recebido por multidões nas ruas, o Pontífice nascido nos Estados Unidos adotou um tom incomumente direto em seu primeiro discurso no país africano, diante de autoridades locais, incluindo o presidente Paul Biya, de 93 anos, que governa o país desde 1982. O Papa afirmou que a segurança deve ser exercida com respeito aos direitos humanos e defendeu que o poder público não seja fonte de divisão.
— A segurança é uma prioridade, mas deve ser sempre exercida com respeito aos direitos humanos — disse o Papa, acrescentando que as autoridades devem servir como pontes, “mesmo quando a insegurança parece prevalecer”.
Em resposta, Biya disse às autoridades e diplomatas reunidos na capital, Yaoundé, que “o mundo precisa da mensagem de paz” trazida por Leão. Sob o comando de Biya, Camarões tem sido há muito tempo assolado por desvio generalizado de recursos, ocupando a 142ª posição entre 182 países no Índice de Corrupção de 2025 da Transparency International.
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Nos últimos anos, o líder multiplicou suas viagens ao exterior, seja para tratamento médico ou férias em um luxuoso hotel em Genebra, onde a oposição o acusa de gastar dinheiro dos contribuintes. Um consórcio internacional de jornalistas investigativos, o OCCRP, estimou em 2018 que a duração total de suas estadias privadas no exterior foi de 4,5 anos ao longo de três décadas e meia, com custo de 65 milhões de dólares.
Na véspera da visita do Pontífice, grupos da sociedade civil em Camarões haviam denunciado um “período sem precedentes de repressão” desde as eleições presidenciais de outubro e pediram a libertação de presos políticos, alguns detidos sem base legal. Entre os 2.782 prisioneiros registrados pelas organizações, 2.630 não foram condenados, segundo o ativista Herve Nzouabet Kweto, da ONG Source de vie.
— É hora de examinar nossa consciência e dar um salto ousado para frente. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção devem ser quebradas — afirmou o Pontífice.
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Mais cedo, durante o voo entre Argélia e Camarões, Leão XIV voltou a defender a convivência entre religiões e destacou sua visita à Grande Mesquita de Argel, a maior da África, além do local de nascimento de Santo Agostinho de Hipona, figura cristã que inspirou sua vocação sacerdotal. Segundo ele, o encontro com a diversidade religiosa reforça a necessidade de coexistência pacífica.
— Temos crenças diferentes, formas diferentes de culto e maneiras distintas de viver, mas podemos viver juntos em paz. Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje — declarou.
Tensões com Trump
A turnê do Papa por quatro países da África começou em meio a declarações de Trump de que ele “não era um grande fã” de Leão, após o Pontífice nascido nos EUA pedir paz no Oriente Médio. O presidente e seu Vance fizeram declarações duras ao longo da semana contra o líder da Igreja Católica, o que fez o Pontífice afirmar que não tem “medo da administração Trump” e que seguirá “firme contra a guerra”.
Poucas horas antes da viagem do Papa, Trump disse ser “inaceitável” que o Irã possua uma bomba nuclear e criticou diretamente o Pontífice. O presidente também divulgou uma imagem em que aparecia como uma figura semelhante a Jesus, posteriormente apagada: “Alguém poderia, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes nos últimos dois meses?”, escreveu.
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Vance, que é católico, também questionou o Pontífice em um evento do Turning Point USA na terça-feira, afirmando que o Papa deveria ser “cuidadoso” ao tratar de teologia e colocando em dúvida sua interpretação da teoria da Guerra Justa, conceito desenvolvido por pensadores católicos ao longo de séculos. Um dos principais formuladores dessa doutrina foi Santo Agostinho, homenageado por Leão XIV durante sua passagem pela Argélia.
O Papa, por sua vez, afirmou que o pensador continua sendo uma referência importante e destacou seu apelo à busca da verdade e à construção de comunidades baseadas na unidade entre os povos.
— Seu convite para buscar Deus e a verdade é algo de que precisamos muito hoje. Ele oferece à Igreja e ao mundo uma visão de construção de comunidade e respeito entre todos os povos, apesar das diferenças.
Em Camarões, o Pontífice também deve abordar o conflito entre o governo francófono e separatistas anglófonos e participar de um encontro pela paz. Segundo a agência AP, grupos separatistas anunciaram uma pausa de três dias nos combates para permitir uma “viagem segura” do Papa e a divulgação de sua mensagem. A viagem do líder católico à África inclui ainda visitas a Angola e à Guiné Equatorial e está prevista para terminar em 23 de abril. (Com AFP)
O Azerbaijão e a Rússia anunciaram, nesta quarta-feira, que chegaram a um acordo sobre o acidente fatal envolvendo um avião da Azerbaijan Airlines, que prevê o pagamento de indenizações e reconhece o papel das defesas aéreas russas.
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O anúncio representa um passo significativo na redução das tensões entre os dois países, após Baku acusar Moscou de responsabilidade pelo acidente.
Avião da Embraer caiu no Cazaquistão com 67 pessoas a bordo
O avião Embraer 190 da AZAL caiu no Cazaquistão em dezembro de 2024, deixando 38 mortos entre as 67 pessoas a bordo.
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As relações entre Baku e Moscou se deterioraram depois que o presidente Ilham Aliyev exigiu que a Rússia assumisse a responsabilidade por ter disparado acidentalmente contra a aeronave, quando ela tentava pousar no Aeroporto de Grozny, no sul do país.
Nesta quarta-feira, os ministérios das Relações Exteriores dos dois países informaram, em um comunicado conjunto, que o acidente foi causado pela “ação não intencional” de um sistema de defesa aérea no espaço aéreo russo e confirmaram um acordo para o pagamento de indenizações, sem divulgar detalhes.
Segundo o comunicado, o acordo foi alcançado após rodadas anteriores de conversas entre Aliyev e o presidente russo, Vladimir Putin.
Uma filhote de elefante asiático, espécie ameaçada de extinção, fez sua primeira aparição para a imprensa antes de estrear oficialmente para o público no Smithsonian National Zoo, nos Estados Unidos. Batizada de Linh Mai, a elefanta de dois meses será apresentada aos visitantes a partir de 22 de abril, data em que se celebra o Dia da Terra.
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Nascida em 2 de fevereiro, Linh Mai é a primeira elefanta a nascer no zoológico em quase 25 anos e apenas a terceira em mais de um século de história da instituição. O nascimento é considerado um marco para programas de conservação da espécie, cuja reprodução em cativeiro é complexa e envolve gestação de até 22 meses.
Com cerca de 210 quilos ao nascer e atualmente pesando mais de 460 quilos, a filhote ganha entre 11 e 13 quilos por semana e já apresenta comportamento ativo e curioso.
Apesar da evolução, o início da vida de Linh Mai foi marcado por desafios. A mãe biológica, Nhi Linh, apresentou comportamento agressivo, o que impediu o vínculo inicial e a amamentação natural. Diante disso, a equipe do zoológico passou a alimentar a filhote manualmente e contou com a ajuda de outra elefanta do grupo, Swarna, que assumiu um papel de “mãe substituta”.
A jovem elefanta também enfrentou problemas de saúde, como episódios de diarreia, tratados com sucesso por meio de transplante de microbiota fecal — procedimento ainda pouco comum, mas considerado eficaz no caso.
Desde o nascimento, o espaço dos elefantes permaneceu fechado para garantir adaptação e fortalecimento dos laços sociais. A abertura ao público ocorre agora como parte de uma estratégia de educação ambiental e conscientização sobre a preservação da espécie.
Atualmente, o zoológico abriga sete elefantes e aposta no nascimento de Linh Mai como um avanço importante na diversidade genética e na sobrevivência dos elefantes asiáticos em risco crítico de extinção.
Após mais de um mês de guerra, um cessar-fogo de uma semana pode ser anunciado nesta quarta-feira no Líbano, cenário de uma ofensiva militar israelense que deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de um milhão de pessoas. Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah, a trégua seria resultado da pressão do Irã, mas representantes do governo israelense ainda analisam a proposta. Na véspera, diplomatas israelenses e libaneses se reuniram em Washington e concordaram em estabelecer um diálogo para um acordo de paz de longo prazo.
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Segundo uma fonte dos serviços de segurança do Irã (aliado do Hezbollah), citada pela al-Mayadeen, “diante da pressão do Irã, um cessar-fogo será declarado no Líbano a partir desta noite (de quarta-feira)”, acrescentando que a trégua “vai durar uma semana, e se estenderá até o fim do período de cessar-fogo entre Irã e EUA”. O iraniano se referia a uma trégua de duas semanas, anunciada na semana passada pelo presidente americano, Donald Trump, que permitiu o início de negociações diretas entre Washington e Teerã”.
Ouvidos pela agência Reuters, membros do governo libanês dizem que há conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionam Israel para que suspenda os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos.
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O Gabinete de segurança israelense se reunirá nesta quarta-feira para discutir a suspensão nos combates, a pedido dos EUA, e a fonte no governo iraniano ouvida pela al-Mayadeen afirmou que o premier Benjamin Netanyahu tentará “sabotar o plano”.
— Mas nós lidaremos com Washington como o parceiro aliado da força de ocupação (Israel) e como o responsável por conter Netanyahu — disse o iraniano à TV libanesa.
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Iniciada em paralelo à guerra contra o Irã, a ofensiva israelense no Líbano tem como alvo declarado o Hezbollah, que lançou mísseis e foguetes contra Israel nas últimas semanas, como parte de sua aliança com Teerã. Em resposta, as Forças Armadas israelenses deram início a um intenso bombardeio centrado no sul libanês, onde o grupo tem forte presença, provocando o êxodo de centenas de milhares de pessoas rumo a áreas mais seguras. As bombas também atingiram subúrbios de Beirute, como Dahiyeh, “base” do Hezbollah, e provocaram estragos em áreas civis.
Mas com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão (mediador do diálogo) afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo.
Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024.
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As informações sobre o potencial cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos.
Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano.
— Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo.
Enquanto a trégua não é declarada, Israel afirmou ter atacado mais de 200 alvos no Líbano em 24 horas, alegando ter destruído estruturas “terroristas, estruturas militares e cerca de 20 lançadores (de foguetes)”. Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra.
— As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um pronunciamento em defesa ao Papa Leão XV após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz ataques ao pontífice que tem feito críticas a guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
“Quero manifestar minha mais profunda solidariedade ao Papa Leão XV, ao longo da história da humanidade, defensores da paz e dos oprimidos, tem sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a serem adorados pelos simples mortais. A mesma história tem demonstrado que mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro”, disse Lula em vídeo publicado nas redes sociais.
No domingo, Trump foi à redes sociais responder aos apelos por paz do papa com críticas ao primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos. Na publicação, Trump reivindicar para si o mérito pela ascensão de Leão ao papado:
— Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante — escreveu Trump em uma longa publicação na noite de domingo. — Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.
As críticas do Papa à guerra com o Irã tornaram-se mais incisivas à medida que o conflito avançou e autoridades americanas passaram a invocar argumentos teológicos para justificar a ofensiva ordenada por Trump sem autorização do Congresso, apoio popular ou adesão de aliados. O presidente também acusou o pontífice de “agradar a esquerda radical” e aconselhou que ele se concentrasse em “ser um grande Papa, não um político”.
Lula também fez menção direta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e destacou o papel na defesa da democracia e no enfrentamento à ditadura militar:
“Quero fazer uma saudação especial à CNBB, por ocasião de sua sexagésima segunda assembleia-geral. E reafirmar meu respeito e admiração por uma instituição que, nos momentos mais dolorosos da nossa história recente, esteve na linha de frente em defesa da democracia. A CNBB enfrentou a ditadura. Defendeu os perseguidos pelo regime militar. Apoiou as greves dos trabalhadores urbanos e a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra”, disse ainda Lula no vídeo de três minutos.
O presidente também afirmou que a Igreja Católica, ao longo de dois séculos, “vem atuando de forma extraordinária na sustentação aos mais necessitados, com a iniciativa que permanece como referência na construção de políticas públicas e de inclusão social. social. Hoje, a defesa intransigente da dignidade da vida renova e inspira a relação entre o governo do Brasil e a CNBB”, afirmou Lula.
Lula também defendeu o estado laico e a garantia da “plena de liberdade religiosa”:
“Quero terminar reafirmando o nosso compromisso com o estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa. Desejo todo sucesso essa Assembleia Geral e que a CNBB seja sempre aliada do povo brasileiro na construção de um país mais justo, mais fraterno e mais feliz. Que Deus ilumina o Brasil e o povo brasileiro”, disse o presidente.

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