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Um novo projeto de lei municipal que busca diminuir o impacto do descarte de plásticos no meio ambiente vem causando polêmica em Nova York. Ela obrigaria os estabelecimentos a servirem bebidas nos ecocopos ou recipientes levados pelos seus clientes. No entanto, isso não tem agradado especialmente as cafeterias, que costumam servir as bebidas em copos descartáveis que muitas vezes são de papel, mas com uma tampa plástica.
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As empresas e seus funcionários já estão prevendo que poderão haver discussões com os clientes, principalmente por conta da quantidade de bebida que eles terão. Para eles, algumas pessoas podem ser oportunistas e tentarem levar copos maiores do que a quantidade de bebida que compram.
“Não ganho o suficiente para brigar com eles. Isso pode se tornar um problema”, disse um funcionário ao site The New York Post, que reconheceu a importância de reduzir resíduos, ainda assim.
Mulher toma bebida em recipiente próprio
Freepik
Algumas cafeterias da cidade já têm uma política de sugerir que o cliente leve o seu copo. É o caso da Starbucks do Queens. O site ouviu uma cliente do local, que destacou que os copos térmicos são melhores para consumir os cafés.
“Acho que minha caneca mantém as bebidas mais quentes, então esse é o principal motivo pelo qual eu a troquei”, diz Yaneke Arrington, de 43 anos, à reportagem.
O objetivo da lei é reduzir a grande quantidade de lixo que é produzida na grande metrópole. Líder dos democratas na Câmara Municipal, Shaun Abreu defende a economia e a quantidade de descartes que são feitos diariamente na cidade.
“A cidade gasta centenas de milhões de dólares por ano com descarte de lixo, sendo que os plásticos descartáveis ​​representam uma parcela significativa. Este projeto de lei ajudará a reduzir os custos com o descarte de lixo. As empresas gastariam menos agora com a compra de copos plásticos”, avaliou o político ao site.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira que o Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido, uma das exigências impostas por Washington para firmar um acordo e cessar os ataques ao território iraniano. A Casa Branca e o Pentágono, bem como as autoridades israelenses, já reiteraram que o objetivo da guerra entre os EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem como principal objetivo impedir que o regime iraniano tenha acesso a armas nucleares.
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— Eles concordaram em nos devolver o pó nuclear — disse o presidente americano a repórteres na Casa Branca, usando seu termo para se referir aos estoques de urânio enriquecido, acrescentando: — Há uma grande chance de chegarmos a um acordo.
Washington e Teerã retomaram as negociações pelo fim do conflito com mediação do Paquistão após acordarem um cessar-fogo de duas semanas, anunciado publicamente por Trump na noite do dia 7 de abril e que entrou em vigor na manhã seguinte. Na ocasião, o presidente americano publicou o anúncio em sua rede social Truth Social horas após ameaçar “levar o inferno” para o Irã, diante do fim de mais um prazo pela reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado sob intimidação da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês).
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Novas ameaças
A declaração de Trump desta quinta-feira, sobre a possível cessão iraniana, aconteceu pouco depois de o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, renovar sua ameaça de atacar a infraestrutura elétrica do Irã caso o cessar-fogo entre os dois países fracasse — ou seja, termine sem um acordo de paz assinado.
*Em atualização
O deputado libanês Ibrahim al-Musawi, representante do braço político do movimento xiita Hezbollah, afirmou nesta quinta-feira que o grupo respeitará o cessar-fogo de 10 dias com Israel, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após negociação com o governo constituído de Beirute. O político confirmou a adesão do movimento — que é crítico das negociações diretas com o Estado judeu — em entrevista à agência de notícias francesa AFP.
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— Nós, do Hezbollah, aderiremos ao cessar-fogo com cautela, desde que haja uma cessação completa das hostilidades contra nós e que Israel não o utilize como oportunidade para realizar assassinatos — disse o parlamentar. — Agradecemos ao Irã por pressionar o Líbano a nosso favor.
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A adesão do Hezbollah ao cessar-fogo temporário é um indicador positivo em um cenário diplomático complexo. Israel aceitou negociações diretas com o governo do Líbano, que não participa diretamente da guerra travada sobretudo no sul do país — embora grandes cidades, incluindo Beirute, tenham sido bombardeadas com intensidade. Israel não aceita negociar com o Hezbollah, que considera um grupo terrorista, enquanto o movimento libanês condenou as conversas diretas entre o governo do país e a liderança do Estado judeu.
À medida que versões conflitantes sobre a organização de um possível diálogo entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, representantes do grupo de inspiração xiita se opuseram ao avanço das tratativas diretas. Também em entrevista à AFP, o deputado Hussein Hajj Hassan, também do Hezbollah, classificou o diálogo com a liderança do Estado judeu de “um grave erro”.
— Negociações diretas com o inimigo são um grave pecado e um grave erro… e não serve a nenhum interesse do país — afirmou Hassan, horas antes do anúncio do cessar-fogo.
A trégua total das hostilidades foi uma condição imposta pelo governo do Líbano para avançar com as conversas diretas com Israel — os dois países não mantêm relações diplomáticas e travaram guerras em lados opostos desde a fundação do Estado judeu em 1948. O governo israelense insistia por uma ordem inversa: avançar com as negociações que levassem a um desarmamento do Hezbollah, antes de interromper os ataques.
A ofensiva militar de Israel contra o território libanês, retomada em 2 de março após um longo período de trégua iniciado em 2024, matou mais de 2 mil pessoas e provocou o deslocamento interno de mais de 1,2 milhão. O impacto civil foi denunciado pelo governo libanês e por líderes políticos e religiosos ao redor do mundo. As Forças Armadas de Israel afirmam que os alvos atacados tem ligação com o Hezbollah, e que ações em áreas civis densamente povoadas ocorreriam em decorrência do grupo manter operações nessas áreas — uma alegação similar à utilizada para atacar o Hamas na Faixa de Gaza.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou nesta quinta-feira que um ataque horas antes do início do cessar-fogo matou ao menos 7 pessoas e feriu 33 na cidade de Ghazieh. A mídia estatal libanesa já classifica o episódio como um “massacre contra civis”, apontando que uma operação para a remoção de destroços e entulho ainda está em andamento, o que poderia fazer o número de vítimas subir ainda mais. (Com AFP)
Em 27/2, viajei a trabalho para Doha. O plano era passar o fim de semana na cidade, realizar reuniões na segunda-feira e retornar em seguida. Menos de 24 horas após minha chegada, porém, o contexto regional mudou abruptamente. EUA e Israel bombardearam o Irã, ainda durante negociações diplomáticas mediadas por Omã. A resposta de Teerã atingiu Israel e alvos militares em países do Golfo. O espaço aéreo do Catar foi então fechado, e minha saída só se concretizou em 13/3. Minha experiência, ainda que pontual, oferece um prisma para refletir sobre uma narrativa mais ampla: a ideia de que o Golfo teria se consolidado como um espaço de estabilidade em um Oriente Médio marcado por volatilidade.
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Nas últimas décadas, com o declínio do Levante — região profundamente conectada ao Brasil por fluxos migratórios de libaneses, sírios e palestinos —, os países do Golfo passaram a ocupar posição central na geopolítica e na economia regional, além de se afirmarem como novos polos de cultura e arte árabes. Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU) investem em diversificação econômica, buscando reduzir a dependência de hidrocarbonetos nas próximas décadas.
Cidades como Dubai, Abu Dhabi e Doha emergiram como hubs globais de aviação, finanças, tecnologia, turismo e hospitalidade. A realização de megaeventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2022 no Catar, consolidou a imagem da região como espaço estável e globalmente conectado. Essa construção não foi casual: trata-se de um projeto de inserção internacional sustentado por estabilidade política interna, capacidade de investimento e articulação com potências externas, como os EUA e, cada vez mais, a Ásia.
Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico
Sahar AL ATTAR / AFP
Os acontecimentos recentes, contudo, colocam essa narrativa em xeque e causam dano reputacional aos países mais ricos do Golfo. A escalada regional expõe uma vulnerabilidade estrutural: a dependência simultânea de garantias externas de segurança e da manutenção de relações funcionais com atores regionais. A presença militar estadunidense, historicamente vista como fator de dissuasão, passa também a representar risco, ao transformar territórios do Golfo em potenciais alvos.
Ao mesmo tempo, a crise evidencia assimetrias no sistema de alianças. Quando interesses estratégicos divergem em Washington, a prioridade atribuída a Israel tende a prevalecer sobre a influência dos parceiros do Golfo. Essa percepção ajuda a explicar a postura adotada até o cessar-fogo: contenção, ênfase em defesa e recusa em aderir diretamente à escalada militar. Não se trata apenas de cálculo tático de curto prazo. A geografia impõe limites claros: independentemente do desfecho do conflito, o Irã continuará sendo vizinho, exigindo, cedo ou tarde, algum nível de reacomodação diplomática.
Isso não significa, porém, que os países do Golfo não estejam repensando suas estratégias de segurança. Os EAU dispõem de capacidade para integrar eventuais ações militares contra o Irã, assim como a Arábia Saudita, em razão de seus robustos meios de poder aéreo. Ambos já atuaram conjuntamente no Iêmen.
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Paralelamente, Riad estreita laços de defesa com o Paquistão, enquanto os EAU aprofundam o diálogo estratégico com a Índia. Catar e Omã mantêm postura mais diplomática e mediadora, mas têm condenado de forma mais enfática ataques iranianos, especialmente contra infraestruturas e alvos civis. Além disso Arábia Saudita, EAU e Catar já buscam apoio da Ucrânia para se defender de drones iranianos.
Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz
Giuseppe CACACE / AFP
A questão do Estreito de Ormuz e a pressão iraniana sobre a cadeia energética global mostram como as implicações econômicas são igualmente relevantes. O modelo de desenvolvimento recente do Golfo pressupõe previsibilidade e segurança. Setores como aviação, mercado imobiliário, tecnologia financeira e infraestrutura digital são particularmente sensíveis a choques de confiança. A interrupção de rotas aéreas e o aumento da percepção de risco geopolítico tendem a gerar efeitos que extrapolam o campo militar. O interesse dos países do Golfo é, portanto, claro: uma rápida desescalada que permita o retorno da normalidade econômica.
Com o impasse nas negociações EUA–Irã mediadas pelo Paquistão durante o cessar-fogo de duas semanas, os países do Golfo parecem seguir apostando na resiliência de suas defesas aéreas e em uma saída diplomática para conter a escalada regional. Talvez fique claro que a sub-região não é mais tão excepcional em termos de segurança, mas resta acompanhar como conseguirá se manter próspera em meio à instabilidade.
* Mestranda em Relações Internacionais na Johns Hopkins University de Bolonha, Itália e integrante do Observatório do Golfo, grupo de pesquisa acadêmico liderado pelo IDP.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que Israel e o Líbano concordaram com um cessar-fogo temporário de 10 dias, após conversas com o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo o anúncio, feito por Trump em sua rede Truth Social, a trégua entrará em vigor nesta noite, enquanto o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio trabalharão com as duas partes para tentar alcançar uma “paz duradoura”.
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O acordo ocorre em meio à ofensiva militar israelense no Líbano, que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas. Apesar do histórico de confrontos, o atual conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, aliado ao Irã, teve início como extensão da guerra regional envolvendo Estados Unidos, Israel e a República Islâmica. Forças do Hezbollah lançaram ataques contra o território israelense em resposta aos bombardeios em Teerã que resultaram na morte do líder supremo iraniano, desencadeando a resposta militar de Israel, com bombardeios principalmente nos subúrbios ao sul da capital Beirute e uma incursão terrestre na região sul do Líbano, próxima à fronteira entre os dois países.
Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah — que antecipou a possibilidade do anúncio —, a trégua seria resultado da pressão iraniana. Representantes do governo israelense teriam analisado a proposta ao longo do dia e decidido pela adoção do cessar-fogo após uma reunião do Gabinete de segurança. Autoridades libanesas também já haviam adiantado ao Financial Times que o cessar-fogo provavelmente entraria em vigor “esta semana”, depois que as forças israelenses tomassem a província de Bint Jbeil, um reduto do Hezbollah.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o principal objetivo da negociação com o Líbano era garantir o “desmantelamento” do movimento islamista Hezbollah, que atua em paralelo ao Estado libanês.
— Nas negociações com o Líbano há dois objetivos fundamentais: em primeiro lugar, o desmantelamento do Hezbollah; em segundo lugar, uma paz sustentável (…) alcançada por meio da força — declarou o primeiro-ministro depois que os dois países realizaram as primeiras conversas diretas em décadas, sem a participação do grupo xiita.
Netanyahu afirmou que os Estados Unidos mantêm Israel constantemente informado sobre seus contatos com o Irã e que os dois países compartilham os mesmos objetivos, acrescentando que querem que o urânio enriquecido seja retirado do país, que sua capacidade de enriquecimento seja eliminada e que o Estreito de Ormuz seja reaberto. No mesmo dia, Trump declarou que “acolheria com satisfação” o fim do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, segundo um alto funcionário do governo americano informou à AFP.
— O presidente acolheria com satisfação o fim das hostilidades no Líbano como parte de um acordo de paz entre Israel e o Líbano — disse o funcionário, falando sob condição de anonimato. — Mas iisso não é algo que tenhamos solicitado, nem faz parte das negociações de paz com o Irã.
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Com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão, mediador do diálogo, afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo.
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Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa na terça-feira para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024.
O líder das negociações com os EUA e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, exaltou a participação do grupo xiita no conflito na quarta-feira e comentou sobre a possibilidade de um cessar-fogo, que classificou como “resultado da resistência e da luta firme do grande Hezbollah e da unidade do Eixo da Resistência”.
Em uma publicação no X, Ghalibaf escreveu que “os Estados Unidos devem cumprir o acordo. Resistência (grupo de aliados do regime autocrático de Teerã) e Irã são uma só alma, tanto na guerra quanto no cessar-fogo”. Ele acrescentou ainda que os EUA deveriam desistir do erro [de manter] “Israel Primeiro”, em referência aos laços estreitos entre Washington e Tel Aviv.
Antes do anúncio, membros do governo libanês ouvidos pela agência Reuters diziam que havia conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionavam Israel para que suspendesse os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos.
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Inclusão do Líbano no acordo
As informações sobre o cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos.
Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano.
— Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo.
Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra.
— As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, disse Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira. A declaração foi feita às vésperas de uma viagem do petista a Barcelona, onde se reunirá na sexta-feira com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, antes de participar de um fórum internacional de lideranças da esquerda, o Fórum Democracia Sempre.
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— No Brasil acreditávamos no desarmamento e promulgamos em 1988 uma Constituição que proíbe fabricar armas nucleares. O que aconteceu? Os EUA não se desarmaram, a Rússia também não, [nem] China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Estamos quase desprotegidos. Mas não quero investir em armas, quero investir em livros, alimentação, emprego — disse. — Já liguei para o presidente Xi Jinping, para o primeiro-ministro indiano, para Putin, para Macron, para todos, pedindo que nos reunamos. Porque Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país. Não foi eleito para isso e sua Constituição não permite.
Ao ser questionado sobre como definiria o líder americano, Lula afirmou que Trump está “jogando um jogo muito equivocado”, partindo da premissa de que “a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo”. Na avaliação do petista, ao agir assim, o republicano acaba criando problemas para os Estados Unidos, sem considerar que, ao atacar o Irã, por exemplo, “quem pagaria” a conta seria a própria população.
— Quando se é chefe de Estado, deve-se respeitar a soberania dos outros países — disse ele, citando ainda as tarifas americanas: — Me chamou a atenção que os argumentos de Trump para impor tarifas ao Brasil não eram verdadeiros. Decidi ter muita paciência e disse a ele: “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade”. [Também] disse a Trump que era importante definir que tipo de líder se quer ser. Prefiro ser um líder respeitado, não temido. Ninguém tem o direito de causar medo.
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Intervenção na América Latina
Diante da invasão americana na Venezuela, Lula foi perguntado sobre o possível cenário de mais intervenções na América Latina — e se temia essa possibilidade. O presidente, no entanto, disse que se sente seguro, citando que, pela primeira vez na história, o Brasil tem “um ex-presidente preso e quatro generais de quatro estrelas encarcerados”, indicando que, “aqui a democracia funciona [e é] um exemplo para os Estados Unidos”. Lula disse, ainda, que sua guerra “é a do argumento” e que deseja travá-la numa mesa de negociação.
— Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda — declarou, mencionando também a ideia de novas eleições no território venezuelano: — Isso é um problema da Venezuela, e não do Brasil. Mas, se eu fosse venezuelano e vice-presidente, e se tivesse ocorrido o que ocorreu, tomaria posse e convocaria eleições gerais. Teria que haver um processo eleitoral pactuado com a oposição para que o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz. O que não pode ser é que os EUA acreditem que podem administrar a Venezuela. Isso não é normal.
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Citando o regime das Nações Unidas, Lula disse sentir-se incomodado com a ideia de que o Conselho de Segurança, “criado para manter a paz, faça guerra”. Para ele, “é como se o mundo fosse um navio à deriva, sem nenhuma instituição que oriente o comportamento civilizatório das nações”. O presidente ressaltou que a situação é especialmente delicada porque nunca, desde a Segunda Guerra, houve tantos conflitos simultâneos. O dinheiro gasto com as guerras, disse, seria capaz de acabar com a fome de 630 milhões de pessoas.
— Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para dar credibilidade, porque, caso contrário, Trump tem razão. As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas. E por quê? Porque os cinco países do Conselho de Segurança que deveriam ter um comportamento exemplar não o tem. Os senhores da paz se transformaram em senhores da guerra — afirmou. — Na África há países com mais de 120 milhões de habitantes e nenhum está no Conselho. Tampouco Brasil, Alemanha, Índia. É preciso acabar com o direito de veto. A geopolítica de 1945 não serve para 2026.
‘O bolsonarismo não voltará a governar’
Quando perguntado sobre as pesquisas que apontam para um empate com Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais deste ano — com o senador aparecendo pela primeira vez frente do petista no cenário simulado de segundo turno —, Lula manteve o tom firme: disse ter a convicção de que “o bolsonarismo não voltará a governar” no Brasil porque “o povo prefere a democracia”. E acrescentou que, para ele, o fato de a sociedade brasileira estar dividida não é novidade:
— Nunca ganhei uma eleição no primeiro turno. E o mundo se polarizou ainda mais; a extrema direita ganha força com um discurso mentiroso e negacionista, utilizando as redes digitais como nunca antes, e agora com ajuda da inteligência artificial.
Na cidade de Bamenda, a Catedral de São José recebeu nesta quinta-feira o Encontro pela Paz, que reuniu chefes tradicionais, representantes da Igreja protestante, membros islâmicos e a comunidade católica, entre consagrados e leigos. Durante o evento, o Papa Leão XIV fez um duro apelo contra a violência e condenou o uso da religião para justificar conflitos.
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Relatos de moradores, entre eles uma religiosa sequestrada e uma família de deslocados internos, inspiraram o Pontífice a discursar sobre a região, descrita por ele como uma terra “atormentada”, “ensanguentada” e “ultrajada”.
— Ai daqueles que submetem as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objetivos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para o que há de mais sujo e tenebroso — afirmou. Veja vídeo do discurso:
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Em seguida, o Papa criticou os impactos da guerra e a falta de investimentos em reconstrução social. Segundo ele, trata-se de “um mundo ao contrário”, que “é destruído por poucos dominadores e é mantido de pé por uma miríade de irmãos e irmãs solidários”.
— Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir. Fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer.
Papa fala das guerras
O Papa Leão XIV tem proferido, nesta semana, discursos em tom firme contra as guerras. Durante o evento, afirmou que o mundo está “sendo devastado por um punhado de tiranos”. O tom incomumente duro do Pontífice ocorre em meio à escalada de críticas públicas trocadas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A fala do Papa foi proferida após Trump intensificar ataques contra o líder da Igreja Católica, motivados por posicionamentos reiterados do Vaticano sobre a guerra no Irã. Sem citar diretamente o presidente americano, Leão XIV também criticou governantes que recorrem à linguagem religiosa para justificar conflitos armados e defendeu uma “mudança decisiva de rumo” na condução da política internacional.
Troca de críticas públicas
Em resposta, Trump classificou o Pontífice como “uma pessoa muito liberal” e afirmou que ele seria “fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. As declarações foram dadas a jornalistas enquanto o presidente desembarcava do Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews.
O republicano também sugeriu que a eleição de Leão XIV ao papado teria sido influenciada por sua nacionalidade americana.
— Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano — disse. — Não acho que ele esteja fazendo um bom trabalho. Acho que ele gosta de crimes.
O presidente também criticou posições que atribui ao Papa, afirmando não apoiar “um Papa que diz que é aceitável ter uma arma nuclear” ou que considere o crime tolerável.
— Não sou fã do Papa Leão — declarou.
As declarações ampliam um embate raro entre a Casa Branca e o Vaticano, em um momento de tensão internacional.
O chefe do Estado-maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, disse nesta quinta-feira que o bloqueio imposto pela Marinha americana a portos iranianos se aplica “a todos os navios, independentemente de sua nacionalidade”, alertando que atividades de interceptação relacionadas ao descumprimento do bloqueio podem se expandir para muito além do Estreito de Ormuz. A declaração da liderança militar americana foi feita durante uma coletiva de imprensa no Pentágono, em que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio permaneceria “pelo tempo que for necessário”, um dia após o Irã ameaçar bloquear rotas marítimas no Mar Vermelho, caso Washington continue a interferir na navegação local.
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— Se não respeitarem esse bloqueio, faremos uso da força — afirmou Caine na coletiva de imprensa, ponderando que nenhuma embarcação precisou ser abordada fisicamente. — Até o momento, 13 navios tomaram a sábia decisão de dar meia-volta.
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O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) emitiu um comunicado na noite de terça-feira, indicando que o bloqueio aos portos iranianos anunciado por Donald Trump no fim de semana já estava em “plena aplicação”. As autoridades americanas afirmam que nenhum navio cruzou a via naval desde o início do bloqueio — embora observadores internacionais tenham apontado o aumento no uso de táticas por embarcações civis para escapar da fiscalização.
Analistas militares apontaram ao longo da semana que o bloqueio anunciado pelos EUA não se tratava de uma “barreira física” aos navios de Ormuz, alertando de que os meios militares americanos podem nem sequer estar nas águas de Ormuz ou do Golfo Pérsico. As capacidades militares destacadas para o Oriente Médio, porém, são mais do que suficientes para localizar, identificar, perseguir e interceptar qualquer embarcação civil — principalmente grandes navios-cargueiros e petroleiros. Caine indicou que mais recursos poderiam ser empregados para garantir a efetividade da medida.
— [Forças militares americanas, incluindo na região do Indo-Pacífico] perseguirão ativamente qualquer embarcação com bandeira iraniana ou qualquer embarcação que tente fornecer apoio material ao Irã — afirmou Caine no Pentágono, indicando uma ampliação territorial para aplicação do bloqueio.
Pressão americana em Ormuz: Bloqueio dos EUA aumenta as tensões no Oriente Médio
Arte/ O GLOBO
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A medida anunciada pelo presidente americano no fim de semana foi amplamente apontada como uma estratégia de Washington para sufocar financeiramente Teerã, cuja economia é extremamente dependente das exportações de petróleo, e de pressionar a China, que em meio ao aumento dos preços internacionais de combustíveis diante da instabilidade criada pela guerra, beneficiava-se das boas relações com o Irã para garantir alguma regularidade no abastecimento via Ormuz.
Trump mencionou a China em declarações recentes relacionadas à guerra no Oriente Médio, e chegou a ameaçar Pequim com uma taxação extra de 50% sobre produtos chineses, se o país enviasse armas para o Irã. Autoridades chinesas rejeitaram versões sobre o envio de equipamento bélico para Teerã, algo mencionado por Hegseth no Pentágono nesta quinta.
— A China nos garantiu que isso de fato não vai acontecer — afirmou Hegseth ao ser questionado por repórteres, mencionando uma ligação direta entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping.
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Ainda de acordo com o secretário de Defesa, as forças americanas estão prontas para retomar as ações militares imediatamente, se necessário, e afirmou que centrais elétricas do Irã estariam entre os alvos a serem atacados imediatamente — o que poderia configurar um crime de guerra, segundo as regras de direito internacional, que antes do cessar-fogo de duas semanas autoridades americanas disseram não temer descumprir. Hegseth recomendou ao Irã “aceitar a proposta” já enviada pelos EUA.
A janela para a diplomacia ainda permanece aberta por meio da mediação do Paquistão, que apesar das negociações frustradas realizadas em Islamabad, segue oferecendo um canal diplomático para os rivais. O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, se reuniu com o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador da nação persa nas tratativas diplomáticas, Mohammad Bagher Ghalibaf, nesta quinta-feira, em um esforço para realizar uma segunda rodada de negociações presenciais.
Enquanto a incerteza permeia o campo diplomático, o tráfego no Estreito de Ormuz permanece muito limitado, segundo empresas de monitoramento de dados marítimos. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, administrado pela Marinha Real Britânica, apontou que o nível de ameaça à segurança na rota naval por onde passava 20% do petróleo e gás natural do mundo antes do conflito permanece “crítico”. (Com NYT e AFP)
O Sri Lanka aproveitou o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã para repatriar mais de 200 marinheiros iranianos que estavam sob sua custódia desde o mês passado, após um submarino americano torpedear um navio de guerra iraniano próximo às suas águas.
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O cessar-fogo permitiu que a nação insular cumprisse suas obrigações perante o direito internacional sem abrir mão de sua neutralidade ou colocar em risco seus laços diplomáticos com as partes em conflito, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Vijitha Herath, em resposta ao jornal The New York Times.
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A libertação dos militares resolve um impasse diplomático entre o Sri Lanka e o Irã e retira o país de um conflito no qual foi envolvido indiretamente. Os marinheiros da Marinha iraniana estavam sob custódia desde o início de março, período em que o governo do Sri Lanka resistia aos pedidos de repatriação feitos por Teerã, temendo comprometer sua neutralidade na guerra envolvendo os EUA e Israel.
O Sri Lanka declarou reiteradas vezes ser uma parte neutra, com obrigações limitadas ao cumprimento das leis internacionais das quais é signatário. Uma dessas normas, a Terceira Convenção de Genebra, determina que prisioneiros de guerra devem ser libertados imediatamente durante uma “cessação das hostilidades ativas”.
A repatriação dos marinheiros durante o cessar-fogo não afeta “nossa posição neutra” em relação à guerra, afirmou Herath.
Os militares foram enviados de volta ao Irã via Turquia, em voos realizados no fim da terça-feira, informou o vice-ministro da Defesa, Aruna Jayasekara.
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Entre os repatriados estão 32 sobreviventes do navio Dena, destruído em um ataque dos EUA que deixou mais de 100 mortos. Segundo autoridades, 84 corpos já haviam sido recuperados e devolvidos ao Irã.
O voo também transportou 206 militares do Bushehr, outra embarcação que buscou refúgio em águas do Sri Lanka após o ataque ao Dena.
O Bushehr permanece ancorado em Trincomalee, com 15 marinheiros a bordo responsáveis pela segurança. A data de sua liberação será definida pelo Ministério das Relações Exteriores do país, em conformidade com o direito internacional, segundo um funcionário do governo.
Inicialmente, o Sri Lanka hesitou em autorizar a entrada do Bushehr, mas acabou permitindo após a embarcação relatar problemas mecânicos. Os marinheiros de ambas as embarcações receberam vistos de 30 dias por razões humanitárias e foram alojados em instalações militares próximas à capital, Colombo. Autoridades afirmaram que eles estavam em boas condições, embora sob vigilância.
Diplomatas da embaixada iraniana em Colombo mantiveram negociações diárias com o governo local sobre o destino dos militares. O Irã pressionava pela libertação, tratando o caso como uma questão bilateral entre países aliados, sem relação direta com o conflito envolvendo EUA e Israel, afirmou Alireza Delkhosh ao The New York Times no mês passado.
Inicialmente, o governo do Sri Lanka discordou dessa interpretação e avaliou o caso à luz dos acordos marítimos internacionais dos quais é signatário. O país, com cerca de 22 milhões de habitantes e localizado próximo à Índia, buscou agir com cautela para preservar relações tanto com Teerã quanto com Washington.
Em março, o jornal The Times informou que os Estados Unidos haviam solicitado autorização para pousar e estacionar duas aeronaves militares carregadas com armas e munições pouco antes do início do conflito com o Irã. O Sri Lanka recusou o pedido, citando sua posição de neutralidade.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, rejeitou um pedido dos Estados Unidos para realizar uma conversa telefônica direta com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou nesta quinta-feira uma fonte oficial libanesa à AFP.
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“O presidente libanês rejeitou uma conversa telefônica direta com Netanyahu” e informou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acrescentou a fonte, segundo a qual o governo dos Estados Unidos “entendeu a postura” do Líbano.
A recusa ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que os “líderes” de Israel e do Líbano conversariam nesta quinta-feira.
Conversa direta proposta por Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite de quarta-feira (madrugada de quinta em Brasília) que os líderes de Israel e Líbano participarão de uma conversa direta nesta quinta-feira, no que seria o contato de mais alto nível entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas desde a fundação do Estado judeu.
O anúncio de Trump, em uma publicação on-line que não ofereceu qualquer detalhe sobre o formato do diálogo, provocou respostas divergentes em Beirute e Tel Aviv — enquanto o governo israelense confirmou os planos para uma conversa telefônica entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente libanês, Joseph Aoun, autoridades libanesas disseram “não estar cientes” da tratativa, em um momento em que o país é alvo de intensos bombardeios das Forças Armadas israelenses.
Fontes militares de Israel afirmaram que uma ordem para um cessar-fogo a partir da noite desta quinta-feira teria sido encaminhada pelo comando político, o que atenderia à condição apresentada pelo governo libanês para progredir com as conversas.
O comunicado de Trump na Truth Social afirma que o diálogo entre as lideranças seria parte de uma tentativa de “criar um pouco de espaço para respirar entre Israel e Líbano”, países que aceitaram abrir um processo direto de diálogo com mediação americana, com um encontro entre diplomatas tendo sido realizado na terça-feira em Washington. O anúncio logo provocou manifestações distintas por parte de autoridades dos dois governos, que mostraram não estar na mesma página sobre a tratativa.
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A ministra de Ciência e Tecnologia de Israel e integrante do Gabinete de Segurança, Gila Gamliel, afirmou em uma entrevista à Rádio do Exército nesta quinta-feira que Netanyahu conversaria com Aoun, apontando a movimentação na frente político-diplomática como complementar às ações militares no solo.
— O primeiro-ministro vai conversar pela primeira vez com o presidente do Líbano após tantos anos de ruptura total do diálogo entre os dois países. Esperamos que a iniciativa conduza finalmente à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano como Estado — disse a ministra integrante do partido Likud, liderado por Netanyahu, acrescentando que o país vizinho precisaria de “assistência” para “atender à necessidade de desarmar o Hezbollah”.
Em Beirute, a reação foi adversa. Fontes do governo libanês ouvidas por agências internacionais ainda na manhã desta quinta-feira disseram não estar “cientes” da iminência de uma conversa entre Aoun e Netanyahu, negando qualquer comunicação oficial. O canal de TV libanês Al Jadeed chegou a noticiar que os preparativos para uma ligação telefônica estaria em curso, e incluiria o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Horas depois, meios de comunicação libaneses e israelenses publicaram que Aoun teria dito a Rubio que não falaria com Netanyahu
Em meio às especulações sobre as conversas diretas, o presidente libanês se manifestou nas redes sociais. Sem citar o possível diálogo com Netanyahu, afirmou que um cessar-fogo seria o “ponto de partida natural” para negociações diretas entre os países, em uma reiteração da principal demanda apresentada pelo governo de Beirute, que não se envolveu militarmente no conflito entre as forças israelenses e o movimento Hezbollah.
“O Líbano está empenhado em reduzir a tensão no sul e em todas as regiões libanesas, para que os ataques contra pessoas inocentes e indefesas – mulheres, homens e crianças – cheguem ao fim, e a destruição de casas em vilas e cidades libanesas cesse”, escreveu o presidente, acrescentando que as negociações seriam conduzidas “exclusivamente pelas autoridades libanesas”, excluindo uma participação do Hezbollah.
Embora o governo israelense tenha rejeitado ao longo da semana aceitar um cessar-fogo imediato no Líbano, antes do desarmamento do grupo armado de orientação xiita, fontes militares ouvidas pelo jornal israelense Haaretz indicaram que uma mudança de planos estaria em curso. Comandantes de alta patente teriam recebido instruções para preparar uma trégua no sul do país vizinho, segundo as fontes, a ser iniciada entre às 19h e 00h — um movimento que poderia destravar a resistência libanesa.
Apesar do governo libanês tenha se mostrado aberto a uma negociação, o cenário envolvendo o fim da ação militar israelense contra o país envolve um cenário mais complexo que um acerto entre as duas partes. O Hezbollah, cujo braço armado é amplamente apontado por especialistas em temas militares como mais poderoso que as Forças Armadas do Líbano, rejeita as negociações com Israel, que exige o total desarmamento do grupo — algo que Beirute não conseguiu garantir em oportunidades passadas.
Em entrevista à agência de notícias francesa AFP, o deputado Hussein Hajj Hassan, ligado ao Hezbollah — que como movimento político tem representação no Parlamento libanês — classificou a decisão do governo de negociar diretamente com Israel “um grave erro”, fazendo um apelo para que não houvesse concessões ao Estado judeu ou aos EUA.
— Negociações diretas com o inimiga são um grave pecado e um grave erro… E não serve a nenhum interesse do país, afirmou Hassan.
Outros obstáculos se apresentam quando o conflito no Líbano é inserido no contexto regional, em que Israel e EUA travam uma guerra com o Irã, principal patrocinador do Hezbollah. Teerã tenta associar as negociações por um cessar-fogo definitivo que garanta a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim dos ataques israelenses contra o território libanês — algo que Netanyahu já rejeitou publicamente, tentando dissociar as duas frentes. Beirute também já manifestou incômodo com a interferência iraniana nas questões envolvendo o país.

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