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Um juiz federal nos EUA declarou que a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil (R$ 520 mil) para a obtenção de um visto destinado a profissionais em funções especializadas, o H-1B, é ilegal, em uma derrota para o governo do presidente Donald Trump.
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Na decisão, o juiz Leo Sorokin aponta que a medida viola regras administrativas e a Constituição, uma vez que não se trata da criação de uma multa ou outro tipo de penalidade, como alega o governo, mas sim de uma nova taxa, algo que depende da autorização do Congresso para sair do papel. A ação foi movida por 20 promotores de estados governados por democratas.
A cobrança foi oficializada em setembro, e a Casa Branca alega que ela é necessária para conter o “abuso” na emissão de vistos H-1B, que prejudicaria trabalhadores americanos. A categoria é reservada a profissionais que desempenham funções específicas, com algo grau de conhecimento teórico e prático, e é limitado a 85 mil emissões por ano. Os vistos são concedidos através de um sistema de sorteio, e são válidos por até seis anos.
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Na época em que a taxa foi anunciada, vários setores — desde o Vale do Silício até produtores rurais — alertaram que os valores proibitivos cobrados pelo visto causariam impactos econômicos, inclusive em áreas onde o presidente Trump tem apoio político. Em dezembro do ano passado, uma magistrada de Washington havia declarado que a cobrança era legal.
“A taxa de US$ 100.000 torna os vistos H-1B proibitivos para as empresas, especialmente para as pequenas e médias empresas, que são as que menos podem arcar com esse custo”, disse Daryl Joseffer, vice-presidente executivo e conselheiro-chefe da Câmara de Comércio, em um comunicado em setembro passado.
Até setembro do ano passado, os valores cobrados pelo visto variavam entre US$ 2 mil (R$ 10,3 mil) e US$ 5 mil (R$ 26 mil). E de acordo com o serviço de Imigração, apenas 85 aplicantes pagaram o valor reajustado da taxa até o início de fevereiro. A Casa Branca não se pronunciou sobre a decisão.
A disputa para saber quem será o nono presidente do Peru em uma década continua indefinida na tarde desta segunda-feira, com a apuração dos votos indicando agora uma margem mínima de vantagem para o candidato de esquerda Roberto Sánchez em relação à candidata de direita Keiko Fujimori — filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000). Com pouco mais de 93% das seções eleitorais apuradas, Sánchez, que passou o restante da apuração atrás de Keiko por uma margem pequena de votos, abriu nesta tarde uma vantagem inferior a meio ponto percentual: 50,01% a 49,98% dos votos.
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Com a apuração acirrada, aliados de Sánchez demonstram otimismo com o fato de a apuração ainda estar em andamento em zonas rurais, onde o esquerdista tem sua base eleitoral. Para declarar um vencedor, também será necessário revisar atas impugnadas que contêm quase 400 mil votos, um processo que pode demorar muitos dias.
Milhares de simpatizantes se reuniram em dois pontos da capital peruana no domingo para comemorar antecipadamente os resultados de seus candidatos. Mas, em suas declarações, os candidatos evitaram antecipar anúncios de vitória.
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Em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, Keiko pediu paciência a seus apoiadores, afirmando que “teremos dias longos pela frente”. Já Sánchez disse a seus eleitores que a disputa estava em “empate técnico” e que tudo ainda estava em aberto. Pesquisas de boca de urna e contagens rápidas também indicavam ser impossível apontar um vencedor claro.
— O resultado reflete as divisões do país — afirmou à AFP Paulo Vilca, analista político do Instituto de Estudos Peruanos. — Quem vencer terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar.
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Muitos eleitores esperam que a eleição acabe com a criminalidade que assola o país e coloque um ponto final em anos de caos político, período em que uma série de presidentes foi presa, destituída ou sofreu impeachment. A votação de domingo, para a qual foram convocados 27 milhões de eleitores, aconteceu sem incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno de abril.
Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela ao legado ambivalente do pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a Humanidade.
— Estou feliz porque sei que ela vai fazer um bom governo. Por quê? Porque ela quer limpar a imagem do pai — afirmou Gladys Silva, dona de casa de 56 anos, durante o evento do partido de Fujimori em Lima.
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Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado camponês do ex-mandatário Pedro Castillo, que foi destituído e preso após uma tentativa fracassada de autogolpe de Estado em 2022. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou do ex-presidente e promete indultá-lo.
— Queremos mudança porque estamos cansados da corrupção, do fujimorismo que administra o país como se fosse sua chácara — disse Marlene Veramendi, de 46 anos.
‘Legitimidade frágil’
Sob a palavra “ordem”, Keiko prometeu prosperidade e advertiu sobre o perigo do “comunismo”. Por sua vez, Sánchez moderou seu discurso, que pregava “mudança radical” no primeiro turno, distanciou-se de ultranacionalistas e disse querer uma relação “respeitosa” com Washington.
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O esquerdista acusa Keiko de integrar uma “ditadura” do Congresso, que tem derrubado presidentes de forma reiterada. O próprio Sánchez observa a perspectiva de ter que travar embates com os deputados peruanos, à sombra de uma denúncia por supostas anomalias financeiras em seu partido. Se eleito, ele terá imunidade, mas ficará vulnerável diante de um Parlamento inclinado à direita.
— O eleito terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar — disse Vilca.
O vencedor substituirá a partir de 28 de julho o presidente interino José María Balcázar.
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Criminalidade
Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.
Para enfrentar a violência, Fujimori sugere uma abordagem linha-dura: militarizar as prisões e as zonas de conflito e expulsar migrantes para acabar com a “criminalidade” com a “mesma força” — segundo ela — com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990. Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na justiça, diante do que denuncia ser uma cumplicidade das elites políticas com os criminosos.
Sua base social está na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou entre 2020 e 2025, chegando a 23 por 100.000 habitantes.
Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos. Sánchez prometeu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, ao dizer que vai manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central. O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.
(Com AFP)
Depois de um dos mais tensos fins de semana desde o início da trégua no conflito no Golfo Pérsico, Irã e Israel concordaram em suspender novos ataques, ao menos temporariamente, enquanto um acordo final está sendo costurado. Mas as ações deixaram mais do que estragos de lado a lado. Ao lançar seus mísseis, Teerã exibiu um novo apetite pelo enfrentamento, ligado à mudança no comando do país e ao abandono da doutrina da “paciência estratégica”. Ao agir sob justificativa de apoio ao Hezbollah, os iranianos enviam uma mensagem poderosa aos aliados regionais e pressionam Donald Trump por uma solução que inclua a frente libanesa.
“Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a ‘paz’ estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem. O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um ‘acordo final’ seja alcançado”, escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
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De acordo com o jornal New York Times, Israel decidiu suspender os ataques após o ultimato de Trump, que nos últimos dias vem demonstrando a insatisfação com a resistência israelense a um acordo de paz com o Irã e com a expansão da guerra no Líbano — em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o republicano disse que é ele quem dá as cartas, e que o premier israelense, Benjamin Netanyahu, “não terá escolha” a não ser aceitar um cessar-fogo firmado pelos EUA. Os dois conversaram por telefone no domingo.
Pelo lado iraniano, o fim dos ataques foi anunciado em comunicado, no qual Teerã afirma que a operação ocorreu “em resposta às atrocidades do regime selvagem sionista” no sul do Líbano e no distrito de Dahiyeh, em Beirute, áreas dominadas pelo Hezbollah.
— Na nova onda de operações contra alvos importantes e sensíveis nos territórios ocupados, o inimigo sofreu uma ofensiva bem-sucedida, recebendo golpes pesados, direcionados, inteligentes e custosos das poderosas forças da República Islâmica do Irã — disse Ebrahim Zolfaghari, comandante da Guarda Revolucionária.
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Além de deixarem a trégua firmada em abril por um fio, os ataques do fim de semana confirmaram uma mudança estratégica dentro da República Islâmica: a doutrina da “paciência estratégica”, cunhada por Ruhollah Khomeini, parece ter chegado ao fim.
Por décadas, o Irã evitou enfrentamentos diretos contra Israel e EUA, recorrendo à sua rede de milícias aliadas na região, o Eixo da Resistência, ao mesmo tempo em que ampliava seu arsenal de mísseis e, especialmente, drones. O maior defensor da estratégia era Ali Khamenei, o longevo líder supremo que morreu no primeiro dia do atual conflito.
A “paciência estratégica” começou a mostrar fissuras em 2024, quando Israel atacou o consulado iraniano em Damasco — à época comandada pelo aliado Bashar al-Assad —, e forçou uma resposta militar de Teerã. Os dois conflitos que se seguiam, o de junho de 2025 e a guerra atual, impuseram aos iranianos uma nova realidade, na qual se sentar à margem ou recorrer às armas de aliados não eram mais escolhas viáveis. O “novo” regime, no qual os militares têm mais poder do que os aiatolás, está mais disposto a correr riscos e agir imediatamente, como ficou nítido no fim de semana.
— A falta de reação seria um sinal de fraqueza —disse Ali Vaez, analista sênior do Irã no International Crisis Group, em entrevista ao New York Times.
Outro ponto de virada foi o anúncio de que os ataques contra Israel eram em resposta aos bombardeios contra o sul do Líbano e contra o distrito de Dahiyeh, a “base” do Hezbollah em Beirute. Até agora, eram os aliados que saíam em defesa de Teerã, e não o contrário.
— O ataque do Irã em defesa do Líbano não foi meramente uma resposta militar; foi a declaração formal de uma doutrina estratégica — disse Sadegh Larijani, presidente do poderoso Conselho de Expediência, órgão que assessora o líder supremo. —Se qualquer componente do Eixo da Resistência for atacado, a resposta se estenderá além das fronteiras geográficas e alterará o equilíbrio de poder regional.
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Ao projetar poder além de suas fronteiras, o Irã busca romper o processo liderado por EUA e Israel para remodelar o Oriente Médio — hoje em pausa por causa da guerra —, demonstrar suas capacidades militares mesmo depois de 40 dias de bombardeios e garantir ganhos estratégicos. A pouca disposição de Trump em reiniciar o conflito serve como um incentivo a mais para deixar o comedimento de lado.
— Eles não acham que Trump vá entrar em guerra — disse Farzan Sabet, analista do Irã no Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra, ao New York Times. — Mas mesmo que ele entre em guerra, eles estão bastante confiantes de que conseguirão lidar com a situação.
Em termos imediatos, o ataque contra Israel demonstrou em termos militares algo que os diplomatas e políticos iranianos dizem há meses: não haverá solução viável para a guerra sem a inclusão do Líbano (e do Hezbollah) em um acordo ainda a ser finalizado.
— O objetivo do cerco de pressão criado no Líbano não é apenas o Hezbollah, mas sim contra nossas barreiras de proteção e para enfraquecer as nossas atividades regionais — disse o analista político Mostafa Najafi, em comentários na TV estatal iraniana. — Não se pode separar a questão do Hezbollah e do Líbano da questão do Irã, porque eles têm uma ligação ideológica e geopolítica significativa; fazem parte de um mesmo modelo geopolítico.
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Os israelenses, já avessos ao cessar-fogo decretado em abril, sequer cogitam discutir o fim da ofensiva centrada no sul do país árabe. Suas tropas controlam 20% do território libanês, e Netanyahu declarou que a intenção é criar uma “zona tampão” na fronteira, além de derrotar o Hezbollah.
— Em primeiro lugar, [as tropas] estão afastando o inimigo da fronteira — disse o premier em abril, durante uma reunião de Gabinete. — Nós falamos de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previne o perigo de invasão e distancia a ameaça dos mísseis antitanque.
Trump tenta separar os dois cenários nas negociações, evitando, por exemplo, impor uma pausa completa nos combates no Líbano como parte de um acordo com Teerã, mas até ele dá sinais de impaciência, como na tensa conversa telefônica com Netanyahu. Desde março, 3,6 mil pessoas morreram e mais de um milhão fugiram para áreas mais seguras no território libanês.
— Ele (Netanyahu) está usando a guerra no Líbano para dificultar ainda mais que Trump chegue a um entendimento com os iranianos —disse Guy Laron, historiador na Universidade Hebraica, ao Washington Post. — É por isso que Trump está tão furioso.
O partido do primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, venceu as eleições legislativas, segundo os primeiros resultados divulgados nesta segunda-feira, consolidando a guinada do país do Cáucaso em direção ao Ocidente, apesar das ameaças da Rússia. O chefe de governo vem tentando reduzir a dependência da ex-república soviética em relação a Moscou, ao mesmo tempo em que intensifica as relações com a União Europeia e os Estados Unidos.
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Pashinian celebrou a “vitória histórica” de seu partido, que “garantirá a eternidade e o desenvolvimento da Armênia”.
Ele prometeu prosseguir com a “aproximação com o Ocidente” e, ao mesmo tempo, desenvolver as relações de Erevan com Moscou.
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A Rússia, acusada de interferência na votação, denunciou as “pressões” sobre a oposição e a “interferência” da União Europeia nas eleições.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou na rede social X que a UE estava “ao lado da Armênia”, que, segundo ela, “se aproxima cada vez mais” do bloco.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que visitou Erevan no mês passado para transmitir uma mensagem veemente pró-Europa, também expressou o desejo de acompanhar a “aproximação” da Armênia da Europa.
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O partido de Pashinian, Contrato Civil, recebeu 49,8% dos votos nas eleições de domingo, com ampla vantagem sobre a aliança Armênia Forte, do bilionário russo-armênio Samvel Karapetian (23,3%), informou a Comissão Eleitoral Central.
O Parlamento será completado por outras duas forças de oposição: a aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kocharian (9,9%), e o partido Armênia Próspera (4%).
A taxa de participação na eleição foi de 59%, informou a comissão.
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Samvel Karapetian chamou a eleição de “vergonhosa” e denunciou irregularidades e repressão, alegando que dezenas de membros de sua equipe de campanha foram detidos.
O Comitê de Investigação da Armênia informou que abriu 59 processos penais por supostas violações eleitorais — incluindo voto múltiplo — e anunciou a detenção de nove pessoas.
Ressentimento e ameaças
Oficialmente, Armênia e Rússia, unidas por dois séculos de história em comum dentro do império russo e da União Soviética, continuam aliadas, mas Pashinian se distanciou de Moscou nos últimos anos.
O pequeno país de maioria cristã segue abalado por sua derrota militar para o Azerbaijão em 2020 e pela perda da região de Nagorno-Karabakh em 2023, que provocou o êxodo de dezenas de milhares de armênios do território montanhoso disputado há décadas.
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O primeiro-ministro armênio critica a Rússia, que tem forças de manutenção da paz na região, por não ajudar a Armênia e por não evitar a tomada de Nagorno-Karabakh, preocupada em preservar suas relações com o Azerbaijão.
Diante desse cenário, Pashinian congelou a participação armênia em uma aliança regional liderada por Moscou e buscou reforçar os laços com Bruxelas e Washington, chegando inclusive a mencionar uma possível adesão de seu país à UE.
A Rússia reagiu com irritação diante da possível perda de mais um aliado no que considera sua área de influência.
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Em maio, o presidente russo, Vladimir Putin, fez uma ameaça velada.
— Todos vemos o que está acontecendo agora com a Ucrânia. Como tudo começou? Com a tentativa da Ucrânia de aderir à UE — afirmou.
Na véspera das eleições, surgiram acusações de que o Kremlin tentou influenciar a votação.
Além disso, nas semanas que antecederam a votação, a Rússia proibiu a importação de vários produtos da Armênia, medida interpretada como uma tentativa de exercer pressão econômica sobre o país.
Alunos de uma escola em Digos, no sul das Filipinas, correram para se proteger quando uma estrutura externa desabou durante o terremoto de magnitude 7,8 que atingiu a costa da ilha de Mindanao. Em vídeos registrados no momento do tremor, crianças aparecem assustadas e é possível ouvir gritos enquanto o chão balança. A escola informou, em comunicado publicado no Facebook, que ninguém ficou ferido e agradeceu a funcionários e estudantes por “permanecerem calmos e organizados durante toda a situação”.
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O abalo, um dos mais fortes registrados recentemente no país, deixou ao menos 32 mortos e mais de 130 feridos, segundo relatos iniciais de autoridades locais. Os números ainda precisam ser verificados pela agência nacional de desastres, responsável por consolidar os dados enviados por diferentes fontes regionais.
O terremoto teve epicentro no mar, perto de Mindanao, a 35 quilômetros de profundidade, de acordo com o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS). Mais de 130 tremores secundários foram registrados após o abalo principal, com magnitudes entre 1,3 e 6,7.
Em diferentes cidades da região, casas e prédios desabaram. “Vários edifícios desabaram, algumas casas também desabaram”, declarou o sargento Robert Dagon, da polícia da Cidade de General Santos, na província de Mindanao. Vídeos publicados no Facebook mostraram ainda uma lanchonete desabando e outro prédio escolar atingido em Malita, na província vizinha de Davao Ocidental.
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As autoridades filipinas disseram que ainda verificavam relatos de novas vítimas. Em Sarangani, Benjie Ancheta, chefe de polícia da cidade de Alabel, relatou à Reuters que o prédio da polícia apresentou rachaduras logo após o tremor.
— Este é o terremoto mais forte que já vivenciamos — afirmou Ancheta, por telefone.
Diante do risco de ondas gigantes, o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico advertiu para possíveis tsunamis “nas próximas horas” ao longo das costas das Filipinas, Indonésia, Palau, Taiwan e Papua-Nova Guiné. O alerta foi cancelado cerca de três horas depois.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos, ordenou a suspensão das aulas nas áreas afetadas de Mindanao e pediu que moradores deixassem as regiões costeiras.
“Sigam para áreas elevadas. Não esperem. A vida de vocês é mais importante do que qualquer coisa que deixem para trás”, declarou Marcos.
Após o terremoto, o Japão também emitiu alerta de tsunami para a costa do Pacífico. A Agência Meteorológica do país informou que ondas de até um metro poderiam atingir diferentes regiões do arquipélago a partir das 23h30, no horário de Brasília. O Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos também alertou para ondas de um a três metros ao longo da costa das Filipinas e de 0,3 metro a um metro na Indonésia e na Malásia. Japão, Taiwan, Papua-Nova Guiné e outras regiões poderiam ser atingidos por ondas menores, de até 0,3 metro.
Terremotos são frequentes nas Filipinas, arquipélago localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma região de intensa atividade sísmica que se estende do Japão ao Sudeste Asiático e à costa do Pacífico.
Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, os novos confrontos com o Irã trouxeram ganhos políticos claros — pelo menos no curto prazo. A ofensiva mostrou a sua base política, cada vez mais inquieta, que ele estava disposto a enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia repreendido Israel no domingo pelos bombardeios nos arredores de Beirute e defendido moderação após a República Islâmica responder aos ataques com o lançamento de mísseis contra território israelense.
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Resistir a Trump — ou ao menos demonstrar que o fazia, já que não está claro exatamente o que os dois líderes discutiram em uma conversa telefônica na noite de domingo — era vital para Netanyahu, que aparece atrás nas pesquisas de opinião às vésperas de uma difícil disputa pela reeleição.
Apenas uma semana antes, Trump o havia constrangido em uma ligação marcada por irritação e palavrões, na qual, segundo o próprio presidente americano confirmou posteriormente, chamou Netanyahu de “louco”.
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Netanyahu também teme que o acordo que o governo Trump busca negociar com o Irã seja prejudicial para Israel, pois poderia, entre outras consequências, limitar sua liberdade de ação contra o Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã que domina o Líbano. Se a troca de ataques aéreos com o Irã corre o risco de evoluir para uma guerra em larga escala, ela também pode dificultar a concretização de um acordo mais amplo.
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Alguns analistas israelenses sugeriram que alguns dias de ataques de Israel poderiam ajudar o país a obter condições mais favoráveis nas negociações com o Irã, ao impor novos danos e custos ao regime iraniano.
— Agora tudo depende do que os iranianos fizerem — afirma Eyal Hulata, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Israel e atualmente pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies.
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Segundo Hulata, a postura triunfalista adotada por Teerã após o conflito — ao afirmar que venceu a guerra contra os EUA e Israel por ter resistido aos ataques e por assumir o controle do Estreito de Ormuz — esconde os danos significativos sofridos pelo país.
— Presumo que eles queriam demonstrar força, não passar algumas semanas vendo caças israelenses sobrevoando seus céus. Eles parecem fortes, mas isso não significa que sejam fortes — destaca.
Veja: Israel amplia presença militar e atinge maior nível de ocupação territorial em quatro décadas
Sem boas opções
Apesar dos possíveis benefícios de curto prazo, outros analistas alertam que a escalada pode trazer consequências negativas para Israel. Embora o governo israelense considere inevitável responder aos ataques, isso pode colocá-lo em rota de colisão com Trump mais cedo ou mais tarde.
— Não há boas opções aqui — diz Danny Citrinowicz, ex-oficial da inteligência militar israelense especializado em assuntos iranianos.
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Segundo ele, se Trump permitir que Israel amplie a ofensiva, o Irã poderá expandir sua resposta por meio de aliados regionais. Além do Hezbollah, no Líbano, e dos houthis do Iêmen — que lançaram dois mísseis contra Israel na segunda-feira e ameaçaram embarcações ligadas ao país no Mar Vermelho — milícias xiitas no Iraque também podem ser arrastadas para o conflito.
Por outro lado, se Trump exigir que Israel recue, isso poderá consolidar uma dinâmica estratégica que o Irã tenta estabelecer há anos. Na prática, reforçaria uma ligação direta entre os cenários iraniano e libanês, permitindo que ataques israelenses contra o Hezbollah em Beirute ou seus arredores sejam respondidos por ataques iranianos contra Israel.
— E a realidade estratégica será pior para Israel — conclui Citrinowicz.
A retomada dos confrontos entre Israel e Irã expõe a preocupação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com o acordo que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta negociar com Teerã. Para analistas israelenses, a escalada militar pode servir para aumentar a pressão sobre a República Islâmica nas negociações e dificultar um entendimento que, na visão de Israel, poderia limitar sua capacidade de agir contra adversários como o Hezbollah, grupo armado pró-iraniano que domina o Líbano.
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Netanyahu teme que um eventual acordo entre Washington e Teerã acabe restringindo a liberdade de ação israelense na região. Se a troca de ataques entre Israel e Irã corre o risco de evoluir para uma guerra em larga escala, ela também pode tornar mais difícil a concretização de um pacto mais amplo defendido pela Casa Branca.
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Alguns analistas israelenses avaliam que alguns dias de ataques podem fortalecer a posição de Israel nas negociações ao impor novos custos ao Irã.
— Agora tudo depende do que os iranianos fizerem — afirma Eyal Hulata, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Israel e atualmente pesquisador sênior da Foundation for Defense of Democracies.
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Segundo Hulata, a postura triunfalista adotada por Teerã após o conflito — ao afirmar que venceu a guerra contra os EUA e Israel por ter resistido aos ataques e por assumir o controle do Estreito de Ormuz — esconde os danos significativos sofridos pelo país.
— Presumo que eles queriam demonstrar força, não passar algumas semanas vendo caças israelenses sobrevoando seus céus. Eles parecem fortes, mas isso não significa que sejam fortes — destaca.
Cálculo político
A retomada dos ataques também trouxe ganhos políticos imediatos para Netanyahu.
A ofensiva mostrou a sua base eleitoral que ele está disposto a desafiar Trump, que no domingo criticou Israel pelos bombardeios nos arredores de Beirute e, após a resposta iraniana com mísseis, defendeu que os israelenses agissem com moderação.
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Demonstrar independência em relação ao presidente americano tornou-se especialmente importante para Netanyahu, que enfrenta uma disputa eleitoral difícil pela reeleição e aparece atrás nas pesquisas de opinião.
A relação entre os dois líderes também atravessa um momento delicado. Apenas uma semana antes, Trump havia repreendido duramente o premier israelense em uma conversa telefônica marcada por irritação. Posteriormente, o presidente americano confirmou ter chamado Netanyahu de “louco”.
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Sem boas opções
Apesar dos possíveis benefícios de curto prazo, especialistas alertam que a escalada pode trazer consequências negativas para Israel.
— Não há boas opções aqui — diz Danny Citrinowicz, ex-oficial da inteligência militar israelense especializado em assuntos iranianos.
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Segundo ele, se Trump permitir que Israel amplie a ofensiva, o Irã poderá expandir sua resposta por meio de aliados regionais. Além do Hezbollah, no Líbano, e dos houthis do Iêmen — que lançaram dois mísseis contra Israel e ameaçaram embarcações ligadas ao país no Mar Vermelho — milícias xiitas no Iraque também podem ser arrastadas para o conflito.
Por outro lado, se a Casa Branca pressionar Israel a recuar, isso poderá consolidar uma dinâmica estratégica que o Irã busca estabelecer há anos: a de que ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano possam ser respondidos diretamente por ações iranianas contra Israel.
— E a realidade estratégica será pior para Israel — conclui Citrinowicz.
O grupo rebelde Houthi, aliado do Irã no Iêmen como parte do “Eixo da Resistência”, anunciou nesta segunda-feira ter disparado mísseis contra Israel e que passaria a impedir a circulação de navios do Estado judeu no Mar Vermelho — ameaçando aprofundar o conflito regional e dificultar a navegação em uma rota comercial global crucial. O anúncio acende um alerta sobre um possível bloqueio no Estreito de Bab al-Mandab, que fica na extremidade da Península Arábica oposta a Ormuz — via marítima já afetada pela guerra.
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Expansionismo: Israel amplia presença militar e atinge maior nível de ocupação territorial em quatro décadas
Os Houthis estiveram ausentes de grande parte da guerra entre a aliança EUA-Israel contra o Irã, porém a ameaça feita nesta segunda-feira parece indicar uma mudança de postura que pode causar ainda mais perturbações aos mercados de energia e transportes marítimos. O porta-voz militar houthi Yahya Saree declarou em uma publicação nas redes sociais que um bloqueio naval parcial entraria em vigor imediatamente, e afirmou que o grupo havia lançado uma “salva de mísseis” contra Israel em resposta à agressão contra Irã, Líbano, os palestinos e outros alvos.
Houthis controlam rota alternativa do petróleo no Mar Vermelho
Editoria de Arte / O Globo
Não ficou claro o que a ameaça contra navios israelenses significaria na prática. O território controlado pelos rebeldes no Iêmen está localizado ao lado de Bab al-Mandab, uma estreita passagem marítima que conecta a extremidade sul do Mar Vermelho. Navios de carga que não conseguem atravessar essa área precisam contornar o extremo sul da África para viajar entre a Ásia e os mercados da Europa e das Américas, aumentando significativamente o tempo de viagem. Muitas empresas de navegação já vinham evitando a região.
Durante a guerra de Israel em Gaza, os Houthis atacaram regularmente embarcações no Mar Vermelho, alegando que buscavam pressionar Israel a encerrar seus bombardeios contra o enclave palestino. Desde que EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, o Mar Vermelho tornou-se uma importante rota alternativa para a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, alcançar os mercados internacionais evitando Ormuz.
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Mohammed al-Bukhaiti, alto dirigente político houthi, afirmou que o grupo atacaria apenas navios ligados a Israel, mas advertiu outros países, como a Arábia Saudita, a não intervirem, afirmando em uma entrevista por telefone que “qualquer país que se envolver será alvo”.
Segundo Farea al-Muslimi, pesquisador especializado no Iêmen da organização britânica Chatham House, não seria necessário muito esforço para que os Houthis prejudicassem o transporte marítimo ao aumentar os riscos para navios que transitam pelo Mar Vermelho, o que também elevaria os custos dos seguros para as empresas de navegação.
Principais rotas de abastecimento global de petróleo
Editoria de Arte / O Globo
— Eles podem simplesmente enviar um sinal, e basta que ocorra um único ataque para provocar um choque em todo o setor de seguros — afirmou al-Muslimi. — Não ficarei surpreso se houver um bloqueio conjunto de Ormuz e Bab al-Mandab.
Rashid al-Haddad, analista econômico baseado no Iêmen, afirmou que, caso as Forças Armadas dos EUA ou de outros países fossem mobilizadas para o Mar Vermelho para enfrentar os Houthis, toda a via marítima poderia se transformar em um “teatro de confronto militar”.
— Isso também elevaria os custos dos seguros marítimos e desviaria uma parcela significativa do comércio global — disse o analista. — Se as hostilidades se intensificarem, os Houthis recorrerão ao fechamento total do estreito.
Pelo menos 32 pessoas morreram e mais de 130 ficaram feridas após um forte terremoto de magnitude 7,8 atingir o sul das Filipinas, provocando desabamentos de casas e prédios e levando autoridades a emitir alertas de tsunami em países banhados pelo Pacífico. O epicentro do tremor foi localizado no mar, a cerca de 24 quilômetros a oeste da ilha de Mindanao, uma das principais regiões do arquipélago filipino.
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“Vários edifícios desabaram, algumas casas também desabaram”, declarou o sargento Robert Dagon, da polícia da cidade de General Santos, em Mindanao. Vídeos publicados no Facebook mostraram uma lanchonete desabando na cidade, enquanto outro registro exibiu a queda de um prédio escolar em Malita, na província vizinha de Davao Ocidental.
Veja imagens dramáticas durante terremoto de magnitude 7,8 registrado nas Filipinas
Segundo o Centro Geológico dos Estados Unidos, o USGS, o terremoto ocorreu a 35 quilômetros de profundidade, perto de Mindanao. Nas horas seguintes, vários tremores secundários atingiram a região, sendo o mais forte deles de magnitude 6,5.
A intensidade do abalo foi descrita por moradores e autoridades locais como incomum. Em entrevista à agência Reuters, Benjie Ancheta, chefe de polícia da cidade de Alabel, em Sarangani, afirmou que o prédio da polícia apresentou rachaduras logo após o tremor.
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— Este é o terremoto mais forte que já vivenciamos — informou em chamada por telefone.
Entenda a escala Richter
Para entender a dimensão de um terremoto como o registrado nas Filipinas, é preciso compreender o que representa a chamada Escala Richter. Criada em 1935 pelo sismólogo americano Charles F. Richter, ela foi desenvolvida para medir a magnitude dos terremotos a partir dos dados registrados por sismógrafos, aparelhos que detectam movimentos no solo e captam as ondas sísmicas geradas por falhas geológicas.
Terremoto de magnitude 7,8 é registrado na costa sul das Filipinas, deixa 15 mortos e gera alerta de tsunami; vídeos
Reprodução: AFP
A principal característica da escala é seu funcionamento logarítmico. Isso significa que cada ponto a mais na magnitude representa um aumento de dez vezes na amplitude das ondas sísmicas registradas. Em termos de energia liberada, a diferença é ainda maior: um terremoto de magnitude 8 libera cerca de 32 vezes mais energia do que um de magnitude 7. Por isso, pequenas variações nos números podem representar diferenças enormes no potencial de destruição.
Embora a expressão “graus na Escala Richter” ainda seja amplamente usada, muitos sismólogos utilizam hoje a Escala de Magnitude de Momento, considerada mais precisa para medir grandes terremotos. Na prática, porém, a ideia central permanece a mesma para o público: quanto maior a magnitude, maior tende a ser a energia liberada pelo abalo.
A magnitude, no entanto, não é o único fator que determina a gravidade de um terremoto. A profundidade do hipocentro, a distância em relação a áreas povoadas, a qualidade das construções e a infraestrutura local também influenciam diretamente o número de vítimas e o tamanho dos danos. Um terremoto de magnitude 7,0, por exemplo, pode ser devastador se ocorrer perto da superfície e atingir uma cidade vulnerável, como ocorreu no Haiti em 2010.
Nas Filipinas, o risco também é ampliado pela localização geográfica. O país fica no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa área de intensa atividade sísmica e vulcânica que vai do Japão ao Sudeste Asiático e à costa oeste das Américas. Por isso, terremotos são frequentes no arquipélago.
Terremoto de magnitude 7,8 atinge a costa sul das Filipinas
Captura de tela/USGS
Alerta nas Filiipinas
Após o tremor, o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico advertiu para possíveis ondas “nas próximas horas” ao longo das costas das Filipinas, Indonésia, Palau, Taiwan e Papua-Nova Guiné. O alerta foi cancelado cerca de três horas depois.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos, ordenou a suspensão das aulas nas áreas afetadas de Mindanao e orientou moradores de regiões costeiras a buscar locais mais altos.
“Sigam para áreas elevadas. Não esperem. A vida de vocês é mais importante do que qualquer coisa que deixem para trás”, declarou Marcos.
O Japão também emitiu alerta de tsunami para a costa do Pacífico. A Agência Meteorológica do país informou que ondas de até um metro poderiam atingir diferentes regiões do arquipélago a partir das 23h30, pelo horário de Brasília. O Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos também divulgou comunicado, prevendo ondas de um a três metros ao longo da costa das Filipinas e de 0,3 metro a um metro na Indonésia e na Malásia. Japão, Taiwan, Papua-Nova Guiné e outras regiões poderiam ser atingidos por ondas menores, de até 0,3 metro.
O Papa Leão XIV pediu nesta segunda-feira, em um discurso no Congresso dos Deputados em Madri, uma resposta mundial ao “trágico drama migratório”, principal tema de sua visita à Espanha, e alertou para os riscos do rearmamento na Europa. Na mesma agenda, o Pontífice também classificou os abusos sexuais cometidos por membros do clero como uma “praga” e defendeu que a Igreja continue ajudando as vítimas com “escuta, verdade, justiça e reparação”. Durante os discursos, Leão XIV ainda voltou a defender a proteção da vida “desde a concepção”.
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— Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio desta magnitude. Por isso, é indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhida e oportunidades reais de integração — disse o Pontífice diante dos parlamentares espanhóis.
Leão XIV, que encerra sua visita à Espanha nas Ilhas Canárias, uma das principais portas de entrada da imigração na Europa, fez da questão migratória o eixo central de sua passagem pelo país. Na quinta e na sexta-feira, ele participará de homenagens aos milhares de migrantes que morreram tentando chegar ao continente europeu.
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O discurso, que foi muito aplaudido pelos parlamentares ao final, com direito a gritos de “Viva o Papa”, teve como principal tema a dignidade do ser humano, com referências históricas aos juristas da Universidade de Salamanca, a Dom Quixote e a Miguel de Unamuno.
— Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida de sua concepção até o seu ocaso natural — afirmou. — Quando esta certeza se obscurece, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas.
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O sumo Pontífice fez o apelo no momento em que o governo de esquerda do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deseja que o direito ao aborto seja incluído na Constituição, após aprovar uma lei de eutanásia em 2021.
O Papa também afirmou que “as armas podem impor um silêncio temporário, mas nunca poderão edificar uma paz autêntica e duradoura”.
— Por isso, preocupa que, em diversos lugares do mundo, e também na Europa, volte a apresentar-se o rearmamento como resposta quase inevitável diante da fragilidade do cenário internacional — completou.
Abusos sexuais
No terceiro dia de sua visita à Espanha, Leão XIV voltou a abordar os abusos sexuais cometidos por integrantes do clero. Ao falar sobre “aqueles que foram feridos justamente por quem deveria cuidar deles”, o Pontífice afirmou que a comunidade eclesial deve responder ao problema com “escuta, verdade, justiça e reparação”.
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O Papa defendeu ainda “um compromisso cada vez mais firme com a prevenção e a cultura do cuidado” para que as vítimas encontrem “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais de cura”.
Segundo a imprensa espanhola, Leão XIV também deverá se reunir nesta segunda-feira, a portas fechadas, na Nunciatura Apostólica, em Madri, com vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero.
No entanto, várias associações de vítimas que há anos denunciam a falta de transparência da Igreja sobre o tema lamentaram não ter sido convidadas e se reuniram diante da sede da Nunciatura para manifestar seu descontentamento.
— Acredito que o Papa está perdendo uma oportunidade de ouro para se comprometer com as vítimas na Espanha e deixa o país com uma visão muito parcial da situação — disse Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação Infancia Robada.
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Durante o voo que o levou a Madri no sábado, o Papa, de 70 anos, afirmou que “os abusos ainda são uma ferida aberta” para a Igreja.
De acordo com um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo da Espanha, mais de 200 mil menores podem ter sofrido abusos cometidos por religiosos católicos desde 1940. Em março, o governo espanhol e a Igreja firmaram um acordo para indenizar vítimas desses crimes.
A visita de Leão XIV à Espanha, sua primeira desde a eleição ao papado, começou no sábado e terminará na próxima sexta-feira. Após passar por Madri e Barcelona, ele seguirá para Gran Canaria e Tenerife, duas das Ilhas Canárias, onde se encontrará com migrantes que realizaram a perigosa travessia marítima a partir da África em embarcações precárias.

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