Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Após retornar da Lua, Christina Koch acordou de suas primeiras noites na Terra com a sensação de ainda estar flutuando. A tripulação da Artemis II ainda se reacostuma à gravidade, uma semana após o fim da missão. Apesar de vários contratempos, Christina considera a nave Orion segura e acredita que ela está em condições de retornar ao espaço. Os quatro astronautas da missão — três americanos e um canadense — fizeram algumas revelações nesta quinta-feira, no Centro Espacial Johnson, localizado na cidade americana de Houston.
Actígrafo: como funciona dispositivo desenvolvido na USP e usado pela Nasa para monitorar astronautas na missão Artemis II?
Veja imagens: Nasa divulga novas fotos da Terra e da Lua capturadas durante missão Artemis II
“Nos primeiros dias após o retorno, quando eu acordava, achava realmente que estava flutuando, e tinha que me convencer de que não”, descreveu Christina, que já havia participado, em 2019, de uma missão à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
“Mesmo depois de passar 328 dias no espaço durante minha missão anterior, nunca me ocorreu achar que um objeto fosse flutuar na minha frente. Por algum motivo, isso aconteceu neste retorno. Por exemplo, eu jogava uma camiseta para cima e me surpreendia”, descreveu a astronauta.
Galerias Relacionadas
A tripulação ainda passa por exames médicos e não teve tempo para relaxar ou refletir, disse o comandante da missão, Reid Wiseman.
Preocupações na nave
Wiseman contou que houve um vazamento na pressão dos sistemas de combustível da nave, além dos contratempos com o banheiro e com um detector de fumaça que ligava e desligava no penúltimo dia da missão, o que preocupou os astronautas.
“Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos, até conseguirmos reconfigurar as coisas. Mas o que martelamos em nossas cabeças antes do lançamento foi: nada de movimentos precipitados. Vamos avaliar esta máquina, ver o que a máquina e Houston estão nos dizendo, e então tomar uma decisão em conjunto”, descreveu o comandante.
Galerias Relacionadas
Wiseman elogiou o desenho da nave, que, embora “precise de melhorias, poderiam colocar a cápsula Orion da missão Artemis III na plataforma amanhã mesmo e lançá-la, e a tripulação estaria em excelentes condições”.
“Temos que estar dispostos a correr um pouco mais de risco do que estávamos dispostos no passado, e simplesmente acreditar que encontraremos a solução em tempo real”, acrescentou o canadense Jeremy Hansen.
Salto de um arranha-céu
O piloto Victor Glover descreveu a reentrada na atmosfera terrestre, onde o escudo térmico da nave os protegeu de temperaturas superiores a 2.700°C enquanto eles viajavam a 40.000 km/h, como “13 minutos e 36 segundos muito intensos”. Glover disse que se lembra de ter sentido um “efeito ioiô” no momento da abertura dos paraquedas.
“Nunca saltei de paraquedas, mas, se você se jogasse de costas de um arranha-céu, essa foi a sensação durante cinco segundos. Depois, os paraquedas principais se abriram e foi magnífico.”
A Artemis II foi a primeira missão tripulada do programa Artemis, da Nasa, cujo objetivo é levar americanos novamente à Lua, dessa vez para estabelecer uma base e se preparar para futuras missões a Marte. Os tripulantes expressaram confiança na capacidade da agência espacial americana de alcançar esse objetivo nos próximos anos. Os Estados Unidos trabalham para realizar um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.
“Se tivessem nos dado as chaves do módulo de pouso, teríamos aterrissado na Lua. É absolutamente factível”, afirmou Wiseman.
Durante a missão Artemis II, que deu a volta na Lua e bateu recorde de distância da Terra feita por uma missão tripulada, foi comum lermos e ouvirmos o termo astronauta para se referir aos quatro tripulantes da cápsula Orion. No entanto, esta palavra é usada apenas nas expedições espaciais da Nasa e dos Estados Unidos. Na Rússia, se usa cosmonauta. E, na China, eles são chamados de taikonautas. O motivo é simples: a “guerra de padrão linguístico” ou uma “batalha cultural” que corre paralelamente à corrida espacial.
‘1,08 bilhão de anos’: Estudo de pesquisadores ligados à Nasa antecipa prazo para o fim da vida na Terra
Artemis II: Nasa usou tecnologia brasileira desenvolvida na USP para monitorar sono de astronautas; conheça
No século XX, a disputa entre Estados Unidos e União Soviética pelas conquistas espaciais dominou o cenário político da Guerra Fria e foi usada para mostrar os poderes militares das duas potências. Por isso, o primeiro homem a ir para o espaço foi o cosmonauta Yuri Gagarin. Já o primeiro homem a pisar na Lua foi o astronauta Neil Armstrong. A briga também acontecia em outro universo, o linguístico, e era para pautar como os termos que seriam usados.
Artemis II: astronautas falam sobre impacto emocional e dizem ainda não ter assimilado viagem histórica à Lua; ‘Verdadeiro presente’
Nasa
O que é um cosmonauta?
O prefixo “cosmo” vem do grego, assim como “astro”. Enquanto o primeiro significa universo, o segundo se refere a estrelas. Já “nautas”, também do grego, é designado para falar de navegadores ou marinheiros, já que os antigos ainda não tinham a tecnologia da aviação, obviamente. Portanto, numa interpretação livre, os soviéticos brigaram para chamar estes agentes de “navegadores do universo”, enquanto os americanos preferiam “navegadores das estrelas”. Vale lembrar que os soviéticos partiram na frente e mantiveram a dianteira na corrida espacial durante bastante tempo, até os americanos equilibrarem o jogo com as missões Apollo.
O termo cosmonauta foi cunhado pelo engenheiro espacial soviético Mikhaíl Tikhonravov, que morreu ainda em 1974.
Cosmonautas no centro de treinamento Gagarin, em Moscou.
Gagarin Cosmonaut Training Center/AFP
O que é um taikonauta?
Já no século XXI, quem assumiu o lugar de principais adversários dos Estados Unidos na corrida espacial foi a China. Potência tecnológica também em outras áreas, os chineses começaram o seu programa espacial em 2003, quando tiveram também o seu primeiro taikonauta, Yang Liwei, que viajou a bordo da missão Shenzhou-5. Em chinês, taikong se refere a espaço. Portanto, os orientais também usam um termo próximo a “navegadores do espaço”, priorizando os seus fonemas.
Atualmente, a China tem um projeto espacial bastante ambicioso, no qual pretende ter uma base na Lua até o ano de 2030. Eles já apresentam conquistas como o fato de conseguirem um sinal de comunicação em cápsulas do lado escuro da Lua, algo que os americanos ainda não possuem. Como podemos ver, os astronautas da Artemis II ficaram por 40 minutos sem comunicação com a Terra, momento em que circundavam o astro.
Decolagem do Long March 2F levando a missão Shenzhou 16 com os taikonautas Jing Haipeng, Zhu Yangzhu, & Gui Haichao para a Estação Espacial Chinesa
Reprodução Twitter
O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial anunciaram nesta quinta-feira que restabeleceram suas relações com a Venezuela. Nos últimos dias, o Fundo consultou seus membros sobre se consideravam Delcy a dirigente legítima da Venezuela. O Banco Mundial seguiu rapidamente o FMI no reconhecimento do atual governo venezuelano.
Leia mais: petrolíferas retomam negócios na Venezuela; Repsol e Chevron fecham novos contratos
Reivindicações: manifestantes vão à Embaixada dos EUA na Venezuela para exigir eleições após queda de Maduro
“Guiada pelas opiniões dos membros do Fundo Monetário Internacional que representam a maioria do poder de voto total do FMI e, em consonância com a prática de longa data, a diretora-gerente, Kristalina Georgieva, anunciou hoje que o FMI passa agora a tratar com o governo da Venezuela, sob a administração da presidente interina Delcy Rodríguez”, indicou a organização em comunicado.
“Guiado pelo resultado do processo de consulta do FMI, o Grupo Banco Mundial anunciou hoje que retoma as suas negociações com o governo da Venezuela”, indicou. Horas depois, Delcy comentou a decisão: “Retomamos a representação da Venezuela neste organismo internacional. Estamos dando normalização a todos os processos que envolvem direitos da Venezuela no organismo”, acrescentou.
Galerias Relacionadas
O reconhecimento do governo de Delcy Rodríguez abre caminho para que o FMI comece a coleta formal de dados econômicos e possa oferecer apoio financeiro, caso a Venezuela o solicite. As relações entre essas duas instituições financeiras e a Venezuela foram rompidas em março de 2019, quando o FMI reconheceu a oposição — que controlava o parlamento — como o governo legítimo da nação sul-americana.
Delcy exercia a vice-presidência da Venezuela até o início de janeiro, quando forças dos Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro em uma operação noturna. Posteriormente, ela foi nomeada presidente interina.
O anúncio chega durante a reunião de primavera (no hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial em Washington. Nos bastidores do encontro de autoridades, economistas e investidores, os Estados Unidos pediram um maior engajamento com a Venezuela de Delcy Rodríguez.
Na terça-feira, Washington suavizou as sanções sobre o Banco Central da Venezuela. Nesse mesmo dia, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o FMI estava trabalhando “para reincorporar a Venezuela, para fazer com que se pareça mais com uma economia normal”.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos não fizeram “nenhum pedido novo” de ajuda relacionado ao Irã, após o presidente Donald Trump dizer que estava “insatisfeito com a Austrália”.
Mudança: Austrália aplica pela primeira vez lei contra pornografia deepfake; jovem de 19 anos se declara culpado
Leia também: mulher mais rica da Austrália terá que dividir parte da fortuna de R$ 134 bi por determinação da Justiça
Aliada de Washington em questões de segurança, Camberra ressaltou que não está envolvida no conflito com o Irã, mas que tem interesse na reabertura do Estreito de Ormuz para o envio de combustível.
Trump fez várias críticas à Austrália por não ajudar na guerra contra o Irã. Albanese disse que o presidente americano deixou claro que tem a situação sob controle no que diz respeito àquele país.
“Não houve absolutamente nenhum pedido novo.”
Galerias Relacionadas
A Austrália conversa com França, Reino Unido e Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, destacou nesta sexta-feira seu ministro da Defesa, Richard Marles.
No mês passado, Camberra recebeu um pedido de Washington para colaborar na defesa dos países do Golfo, e respondeu com o envio de um avião de vigilância e mísseis para proteger os Emirados Árabes, segundo autoridades australianas.
A cobrança de pedágios de cerca de US$ 2 milhões (o equivalente a aproximadamente R$ 9,98 milhões) por embarcação para garantir a travessia pelo Estreito de Ormuz colocou o Irã no centro de uma disputa legal e geopolítica, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, ameaçam interceptar navios que paguem a taxa enquanto impõe um bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a agência de notícias Reuters, a prática levanta questionamentos sobre o direito internacional marítimo e amplia o risco de escalada militar em uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ao mesmo tempo em que economistas tentam avaliar os efeitos da guerra de EUA e Israel contra o Irã à economia global, milhões de iranianos já enfrentam os efeitos de um conflito que, embora sob cessar-fogo temporário, parece longe do fim. Analistas dizem que o PIB pode ter contração de até 10% em 2026, a inflação está perto dos três dígitos, milhões de empregos estão em xeque, e os planos de contenção, apresentados como garantia a uma guerra prolongada, têm prazo de validade limitado.
Após fracasso em negociações: Trump ameaça destruir embarcações do Irã com ‘mesmo sistema de morte’ usado no Caribe após início de bloqueio no Estreito de Ormuz
Pressão sobre Pequim: China pede a EUA e Irã que ‘evitem reacender guerra’ após fracasso de negociações
Em artigo publicado na última segunda-feira pela Fundação Bourse & Bazaar, que estuda a economia do Irã, o economista Hadi Kahalzadeh afirma que os 39 dias de bombardeio danificaram 125 mil estruturas civis, incluindo 20 mil unidades industriais. Muitos negócios, incluindo aqueles que não têm relação direta com o aparato militar, foram fechados. Os setores mais afetados foram o siderúrgico, de construção civil, petroquímico e o de serviços, pilares da economia. Cadeias de suprimentos foram abaladas ou completamente interrompidas, impactando áreas como transportes e manufaturas.
Segundo economistas consultados pelo New York Times, a reconstrução civil pode custar entre US$ 300 bilhões e US$ 1 trilhão, e levar anos até ser concluída, prazo que se torna incerto se as sanções econômicas permanecerem em vigor.
— O caminho para o desenvolvimento econômico do Irã foi fechado por esta guerra — afirmou ao New York Times Esfandyar Batmanghelidj, diretor executivo do centro da Bourse & Bazaar. — A realidade é que o Irã terá muita dificuldade em reconstruir ou revitalizar infraestruturas críticas se permanecer sob sanções.
Initial plugin text
Muito antes do conflito, a economia do Irã se encontrava em frangalhos, resultado de anos de sanções, problemas estruturais e má gestão. A moeda local, o rial, é uma das mais desvalorizadas do planeta, e a inflação elevada, hoje em torno de 70% ao ano, reduz o já restrito poder de compra da população.
— É praticamente uma estagnação total — disse um vendedor de ferramentas no Bazar de Teerã à rede al-Jazeera. — Recebemos hoje novas listas de preços de alguns produtos dos atacadistas; tudo está cerca de 20% a 30% mais caro.
Semanas antes da “Operação Fúria Épica”, o descontentamento dos iranianos transbordou em uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos, que colocaram o regime nas cordas e que foram respondidas com violência desmedida, deixando dezenas de milhares de mortos. Com os bombardeios, a situação já crítica se tornou insustentável para muitos. Neil Shearing, pesquisador do centro de estudos Chatham House, destaca que o PIB pode ter retração de até 10% em 2026.
— Com ou sem guerra, parece que estamos mortos há muito tempo. Não só as nossas vozes são silenciadas, como temos de lutar para satisfazer as nossas necessidades básicas — disse à al-Jazeera um produtor de conteúdo iraniano, que preferiu não se identificar.
Israel ataca maior instalação petroquímica do Irã
Pelas projeções de Kahalzadeh, que por oito anos atuou na Organização de Seguridade Social do Irã, a destruição no setor metalúrgico e os problemas nas cadeias de suprimentos ameaçam 1,8 milhão de empregos na indústria e 3,8 milhões na construção civil.
— Não tivemos nenhuma venda desde o início da guerra; estamos produzindo e armazenando, mas não tenho certeza de quanto tempo conseguiremos sobreviver — disse Amir, sócio de uma fábrica de blocos de concreto, ao New York Times, sem revelar seu sobrenome.
Os danos a instalações petroquímicas e empresas farmacêuticas põem em risco outros 1,2 milhão de postos. A corrosão imposta pela inflação aos orçamentos familiares reduziu a demanda e fez com que setores ligados a bens de consumo reduzissem a produção, com demissões. O comércio, que emprega 17% da força de trabalho do país, cortou vagas, assim como empresas de tecnologia e comunicação, vitimadas também pelo prolongado bloqueio da internet.
— Esse apagão da internet reduziu praticamente a zero todas as nossas futuras rendas mensais e não sabemos o que vai acontecer — desabafou Sepehr, um músico que depende da internet para compartilhar músicas e vídeos, ao New York Times.
Repressão: Autoridades iranianas anunciam detenção de 460 pessoas por atividades desestabilizadoras na internet
Segundo Kahalzadeh, até 12 milhões de empregos, ou 50% da força de trabalho do Irã, estão em risco. E mesmo que um cenário relativamente otimista se concretize, com a perda de 3 milhões de vagas, já seria a maior contração no mercado de trabalho na História moderna, incluindo o período da guerra contra o Iraque (1980-1988).
“Essas estimativas sequer incluem os 22% dos lares iranianos que dependem de salários do setor público”, afirma o economista. “Como tantas vezes acontece em guerras, os custos mais altos recaem sobre aqueles menos protegidos pelos benefícios sociais do Estado.”
Oficialmente, as autoridades dizem que não há risco de escassez de produtos básicos (desde alimentos até insumos para a construção civil), e garantem ter planos de contingência para uma guerra de até seis meses. O modelo descentralizado de defesa distribuiu as capacidades de produção e uso de mísseis, drones e outros armamentos, em tese viabilizando uma operação prolongada contra EUA e Israel (e contra alvos no Golfo Pérsico). Uma frota de petroleiros longe do Golfo Pérsico, com cerca de 160 milhões de barris para pronta entrega, é apresentada como uma garantia de renda, ainda mais diante de um bloqueio dos portos iranianos anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Alerta a OCDE: Guerra no Irã será um choque duplo na economia global e terá forte impacto na inflação dos EUA
E há um arsenal econômico interno composto por incentivos fiscais, empréstimos a baixo custo e um seguro-desemprego equivalente a 55% do salário ou ao salário mínimo, hoje de 166,5 milhões de riais (R$ 640). Kahalzadeh questiona se, a curto prazo, o Estado conseguiria cumprir suas promessas diante de um cenário de rápida deterioração.
“Fornecer de 3 a 4 milhões de auxílios-desemprego por seis meses, por exemplo, exigiria quase 5 quatrilhões de riais (R$ 18,7 bilhões). Uma contração de 15% no mercado de trabalho também significaria uma queda de 25% a 30% na receita da Organização de Seguridade Social, o maior fundo de pensão do Irã”, explica. “No total, o ônus financeiro do desemprego induzido pela guerra consumiria pelo menos 20% do orçamento público do Irã, que já apresenta um grande déficit.”
Medida de risco: Entenda o que é um bloqueio naval e como os EUA devem implementá-lo no Estreito de Ormuz
No último fim de semana, uma maratona diplomática entre EUA e Irã terminou sem acordo, com o anúncio do bloqueio americano e a iminência da retomada dos bombardeios. Nas conversas, os iranianos tentaram obter um compromisso pelo fim das sanções e pela liberação de bilhões de dólares em bens e depósitos congelados no exterior. Não há previsão para novas conversas ou para um acordo de paz, deixando o futuro do país, e de seus 90 milhões de habitantes, em suspenso.
— Até agora, não sei quando poderei reabrir. Tudo depende de quando isso realmente terminar — disse Arash, dono de uma confecção em Tabriz que demitiu 12 funcionários e suspendeu a produção, à agência Reuters.
A China deve evitar pressionar o Irã, seu parceiro no Oriente Médio, mesmo diante da escalada da guerra e da crise energética global. Apesar do aumento da pressão internacional, há pouco que Pequim possa ou queira fazer para influenciar Teerã a aceitar termos que ponham fim ao conflito. Desde que os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, a estratégia chinesa tem sido manter distância de uma guerra à qual se opôs desde o início e sobre a qual tem capacidade limitada de intervenção. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na última semana, um drone de vigilância da Marinha dos Estados Unidos , o MQ-4C Triton, desapareceu quando sobrevoava o Estreito de Ormuz, zona estratégica na guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. Ele chegou a emitir um sinal de socorro antes de retornar à base de origem na Estação Aeronaval de Sigonella, na Itália. Um incidente semelhante com um drone do mesmo modelo aconteceu em fevereiro deste ano, mas com desfecho positivo para os americanos. Mas o que este equipamento militar de alto valor é capaz de fazer?
‘Você tem que ser boazinha’: 80 anos depois, a menina que sobreviveu ao Holocausto e teve a infância roubada conta sua história no Brasil
‘1,08 bilhão de anos’: Estudo de pesquisadores ligados à Nasa antecipa prazo para o fim da vida na Terra
De acordo com relatos do site The War Zone, no dia 9 de abril, a aeronave não tripulada pode chegar a custar US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) e só 20 unidades foram produzidas. O equipamento militar não foi projetado para ter poder de fogo, mas sim de monitoramento estratégico e agilidade no compartilhamento de informações.
Drone militar americano de R$ 1 bilhão desaparece após emergência sobre Estreito de Ormuz; entenda
Reprodução: Northrop Grumman
Capacidades do drone
Para além da tecnologia de ponta, uma das principais características dessa aeronave não tripulada é o seu valor — durante aquisição em 2024, a Marinha americana desembolsou US$ 187 milhões por drone (quase R$ 1 bilhão). Ainda assim, de acordo com a revista Forbes, seu custo de aquisição não representa o preço total que, em 2024, teve custo bruto estimado em US$ 243 milhões para cada MQ-4C (cerca de R$ 1,2 bilhão).
Criado pela americana Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é uma evolução do RQ-4C Global Hawk da Força Aérea americana. Foi projetado para missões estratégicas de vigilância de longa duração, especialmente em áreas sensíveis como rotas marítimas, em grandes altitudes.
Mapa de ação do drone americano MQ 4C desaparecido no golfo pérsico
Reprodução: FlightRadar
Vídeo: Libanesa de 13 anos registra fuga desesperada durante ataques de Israel na quarta, descritos como os piores desde 1982
Diferentemente de aeronaves convencionais, o modelo é capaz de operar por mais de 24 horas a altitudes superiores a 15 mil metros, com alcance de aproximadamente 13,7 mil quilômetros. Ele detecta, rastreia e classifica alvos e objetos de forma mais rápida, além de compartilhar essas informações com mais agilidade.
De acordo com o site da Northrop Grumman, um MQ-4C Triton pode oferecer quatro vezes mais a cobertura ISR (sigla em inglês para inteligência, vigilância e reconhecimento) do que outras aeronaves não tripuladas, sem perder altitude, alcance ou autonomia.
Até 2025, a Marinha dos EUA contava com cerca de 20 unidades do Triton, com planos de ampliar a frota. Apesar do valor atual, o Triton foi projetado originalmente para ser um auxiliar de baixo custo para plataformas tripuladas. Ele atua em conjunto, por exemplo, com aeronaves de patrulha P-8A Poseidon, fabricado pela Boeing, funcionando como plataforma de observação de grande altitude.
Galerias Relacionadas
O exército libanês acusou Israel, na sexta-feira, de cometer “atos de agressão” e bombardeios contra supostos alvos do Hezbollah no Líbano, violando o cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor à meia-noite no país. O Hezbollah, por sua vez, anunciou ter atacado soldados israelenses em retaliação.
Em sua conta no Twitter, o exército citou “diversas violações do acordo, com vários atos de agressão israelense registrados, além de bombardeios esporádicos que atingiram várias aldeias”. O movimento pró-Irã Hezbollah, por sua vez, anunciou que, em retaliação, “bombardeou uma concentração de soldados israelenses perto da cidade de Khiam”, no sul do Líbano.
Initial plugin text
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que Israel concordou com um cessar-fogo temporário de dez dias no Líbano, medida que pode retirar um grande obstáculo das negociações para um acordo de paz entre os EUA e o Irã. Segundo o anúncio, feito por Trump na rede Truth Social, a trégua entrará em vigor nesta noite, enquanto o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio trabalharão com autoridades israelenses e libaneses para tentar alcançar uma “paz duradoura”.
Em publicação separada, o líder americano acrescentou que o movimento xiita libanês Hezbollah está contemplado no acordo, enquanto o deputado libanês Ibrahim al-Musawi, representante do braço político do grupo xiita, disse à AFP que a organização respeitaria a trégua caso Israel interrompesse os ataques.
*Em atualização
Durante uma de suas pregações religiosas no Pentágono, na quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, falou sobre a operação de resgate dos pilotos cuja aeronave foi abatida no Irã, e mencionou uma oração que diz ser popular entre os aviadores. Mas a prece era praticamente igual à declamada em um momento nada pacífico do filme “Pulp Fiction” do cineasta Quentin Tarantino.
— Então a oração é CSAR 25:17 e diz, e orem comigo, por favor: “O caminho do aviador abatido é cercado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da camaradagem e do dever, guia o perdido pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o protetor das crianças perdidas — declamou Hegseth.
Nova doutrina: Sob Hegseth, Departamento de Defesa dos EUA deixa civis em segundo plano para priorizar ‘letalidade máxima’
O trecho foi apresentado como uma versão de passagem do Livro de Ezequiel, mas na verdade era uma cópia quase exata de uma fala do personagem Jules Winnfield, o matador de aluguel interpretado por Samuel L. Jackson em “Pulp Fiction”.
Secretário de Estado dos EUA ‘reza’ citando trecho de ‘Pulp Fiction’
Ao invés de um palco ou do interior de uma aeronave, Winnfield declamou sua “prece” antes de matar um homem, em uma das cenas mais emblemáticas do filme de 1994. Segundo a revista Variety, o monólogo foi adaptado não da Bíblia, mas de um trecho de um filme japonês de artes marciais — gênero marcante na obra de Tarantino — dos anos 1970, chamado “Guarda-costas Kiba”.
O vídeo da fala, ao lado do trecho de “Pulp Fiction”, rapidamente ganhou as redes, mas Pentágono tentou eximir o secretário de Defesa de culpa, embora reconheça a referência à obra de Tarantino. O cineasta, que no mês passado teve que desmentir a informação de que havia morrido em um bombardeio em Israel, não se pronunciou.
“O secretário Hegseth na quarta-feira compartilhou uma oração personalizada, referenciada como a oração CSAR, usada pelos bravos combatentes de Sandy-1 que lideraram a missão de resgate diurno de Dude 44 Alpha para fora do Irã, que obviamente foi inspirada pelo diálogo em Pulp Fiction”, escreveu o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, na rede social X.”Qualquer um que diga que o secretário errou na citação de Ezequiel 25:17 está vendendo notícias falsas e é ignorante da realidade.”
O trecho a que se refere Parnell fala da vingança divina contra os filisteus.
Dados ‘excessivamente otimistas’: Secretário de Defesa deu informações falsas a Trump sobre guerra com Irã, diz jornal
Um dos mais vocais membros do Gabinete de Donald Trump, Pete Hegseth impõe ao Departamento da Defesa (agora renomeado Departamento da Guerra) uma visão pautada pela religiosidade extrema, pela projeção da masculinidade e pela promoção da violência no campo de combate e contra qualquer um que veja como inimigo. Inclusive a imprensa, comparada por ele aos fariseus, povo que, segundo a Bíblia, rejeitou Jesus Cristo.
— Eu estava sentado na igreja e pensei: nossa imprensa é exatamente como os fariseus. Não todos vocês, não todos, mas a imprensa tradicional que odeia Trump. A animosidade política de vocês contra o presidente Trump praticamente os cega para o brilhantismo de nossos guerreiros americanos — disse Hegseth, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira. — Os fariseus examinavam cada boa ação em busca de uma violação.
Ouvido pelo portal The Hill, o ex-estrategista de Trump Steve Bannon recomendou que Hegseth modere as referências religiosas, especialmente sobre questões estratégicas, como a guerra no Irã.
— Tudo o que a grande mídia está cobrindo agora é o comentário inicial de Pete sobre o Evangelho de Marcos e a referência aos fariseus, o que eu acho ótimo. A questão é: quando você deve fazer isso (referências bíblicas)? Eu não faria, porque isso desvia a atenção do que é importante — disse Bannon. — Deveríamos moderar isso e focar, quando tivermos o Pentágono, no briefing militar.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress