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Os gastos globais com armas nucleares atingiram um recorde de quase US$ 119 bilhões (cerca de R$ 615 bilhões) em 2025, segundo um estudo que alerta para “uma nova corrida armamentista nuclear” que pode “durar décadas”. Os nove países com esse tipo de armamento aumentaram seus gastos com os arsenais em quase US$ 17 bilhões (R$ 88 bilhões), aponta um relatório da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican).
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Em um momento de tensão geopolítica crescente, “uma nova corrida armamentista nuclear se aproxima, cujos próprios responsáveis se preparam para que dure décadas”, adverte o documento. Susi Snyder, diretora de programas da Ican e coautora do relatório, alertou que essa escalada, somada ao medo de que a inteligência artificial possa aumentar o risco do uso de armas nucleares, é profundamente alarmante. “Estou apavorada”, disse à AFP.
Em um estudo sobre o mesmo tema divulgado nesta segunda-feira, o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri) alerta que “o nível de perigos e riscos nucleares está aumentando”. Segundo a pesquisa, o número total de ogivas nucleares no mundo se manteve em queda nas últimas décadas, atingindo 12.187, mas o número de munições disponíveis para uso subiu para 9.745.
‘Desconexão da realidade’
O estudo revela que todos os Estados com armas nucleares — Reino Unido, China, França, Índia, Israel, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia e Estados Unidos — aumentaram seus gastos nucleares no ano passado. Os Estados Unidos gastaram mais do que todos os países juntos, com um investimento de US$ 69,2 bilhões (R$ 358 bilhões) em 2025, segundo o relatório. Em seguida, vieram China (US$ 13,5 bilhões / R$ 70 bilhões), Reino Unido (US$ 12,6 bilhões / R$ 65,14 bilhões) e Rússia (US$ 9,5 bilhões / R$ 49 bilhões).
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A Ican, ganhadora do Nobel da Paz em 2017, ressaltou que esses nove países gastaram US$ 470 bilhões (R$ 2,43 trilhões) com seus arsenais nos últimos anos, e previu que esse gasto siga aumentando.
A organização citou como exemplo as projeções de crescimento de gastos a longo prazo de Reino Unido, França e Estados Unidos, que revelam planos de investimento de bilhões de dólares no desenvolvimento e na manutenção desses sistemas de armas até o próximo século. Outros países também estão introduzindo novos sistemas de armas com longa vida útil.
O relatório aponta que se espera que os novos mísseis balísticos intercontinentais Sentinel previstos pelos Estados Unidos permaneçam operacionais para além de 2100, e que o aumento da produção de núcleos de plutônio naquele país indica que suas ogivas vão durar até 2120, o que vai exigir investimentos significativos.
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Projeta-se que os gastos dos Estados Unidos com armas nucleares apenas na década entre 2025 e 2034 se aproxime do trilhão de dólares, segundo o relatório. Os pesquisadores destacam que essas grandes somas são especialmente impressionantes em um momento no qual o sistema humanitário mundial enfrenta cortes drásticos de financiamento.
“O que esses países gastaram em 2025 poderia ter financiado 32 anos do orçamento operacional da ONU”, disse Susi.
O valor gasto em armas nucleares em apenas um dia no ano passado poderia ter proporcionado segurança alimentar para mais de 2 milhões de pessoas. Em vez de fornecer ajuda ou garantir serviços essenciais às suas populações, os Estados com armas nucleares investem em “um arsenal que eles mesmos sabem que não podem usar sem cometer um crime de guerra”, ressaltou a diretora.
“Parece haver uma desconexão total da realidade.”
As autoridades chilenas apreenderam mais de 100 toneladas de cocaína e cetamina escondidas em carregamentos de madeira destinados à Europa, uma apreensão recorde de drogas, informou o governo chileno nesta segunda-feira. A operação, na qual não houve prisões, ocorreu nos portos de San Antonio e Valparaíso, no centro do Chile, e no porto de Arica, no norte.
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“Esta é a maior apreensão da história do país”, afirmou a Alfândega chilena em comunicado.
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Caso as drogas tivessem chegado ao seu destino, teriam que ser extraídas utilizando “processos químicos avançados que exigem laboratórios especializados”, acrescentou o comunicado. Segundo a instituição, as drogas apreendidas poderiam ter gerado lucros criminosos superiores a US$ 8,334 bilhões nos mercados europeus.
As autoridades informaram que ainda há mais contêineres a serem inspecionados, portanto, a quantidade total de drogas apreendidas pode ser maior.
Quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã no final de fevereiro, alguns opositores iranianos da República Islâmica esperavam que isso pusesse fim a décadas de regime teocrático que consideravam opressivo. Agora, após ataques devastadores e em meio a um cessar-fogo instável, essas esperanças foram frustradas. Sentimentos de desilusão e desespero tomaram o seu lugar, impulsionados por um número estimado de 1.700 civis mortos, destruição em larga escala e um colapso econômico que tornou o cotidiano uma luta. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quando a Fifa anunciou, em abril, a lista de árbitros escalados para a Copa do Mundo 2026, o nome de Omar Artan foi especialmente celebrado: ele seria o primeiro somaliano a apitar no principal torneio de futebol do planeta. Mas na segunda-feira, o Ministério dos Esportes da Somália disse que Artan, mesmo com um visto válido, foi barrado na imigração dos EUA. A Fifa emitiu nota dizendo que “não se envolve nos processos de imigração dos países-sede, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento”. Esse não foi um caso isolado em uma Copa já marcada por polêmicas antes mesmo do primeiro toque na bola.
— Negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar partidas agendadas prejudica não apenas a sua pessoa, mas também mina o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito do jogo limpo — disse Clise Aden Abshir, conselheiro do Ministério dos Esportes somaliano, à AFP.
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Segundo Abshir, Artan retornou a Istambul, onde obteve o visto, após ter sido barrado. Ele faz parte do quadro da Fifa desde 2018, e no ano passado recebeu o prêmio de melhor árbitro do continente africano. O governo americano não apresentou razões para a decisão. No passado, não se tem registro de problemas semelhantes com outros países-sede.
Outra vítima do sistema migratório americano foi a seleção do Iraque. No fim de semana, um fotógrafo que viajava com a delegação foi barrado em Chicago — segundo o serviço de fronteiras (CBP), Talal Saleh “foi considerado inadmissível e teve sua entrada negada devido a informações confidenciais, de acordo com a legislação dos EUA”. No mesmo voo, o principal atacante da equipe, Aymen Hussein, foi retido por sete horas por agentes da imigração antes de ser liberado.
Na semana passada, o meia haitiano Woodensky Pierre foi recebido com festa no aeroporto internacional de Miami, depois de finalmente conseguir o visto para entrar nos EUA e se juntar a seus colegas em um centro de treinamento na Flórida. Na seleção, ele é o único atleta que atua no Haiti, e percorreu uma verdadeira corrida de obstáculos para obter o documento. De acordo com a federação do país, há outros membros da delegação que ainda não sabem quando ou se receberão os vistos.
Pierre Woodensky, do Haiti
Reprodução / Instagram / @woodensky06
O presidente dos EUA, Donald Trump, encara a Copa do Mundo como um elemento crucial de sua agenda de celebrações dos 250 anos da independência do país, que incluem obras na capital, Washington, e um evento de MMA nos jardins da Casa Branca. E ao mesmo tempo em que promete realizar o maior Mundial de todos os tempos, suas pegadas políticas se confundem com um evento que faz de tudo para ao menos parecer apolítico.
— Vejo a Copa do Mundo de 2026 na interseção de duas realidades muito marcantes — disse Ashleigh Huffman, que foi chefe de diplomacia esportiva do Departamento de Estado, em entrevista à Associated Press..— Tudo o que está acontecendo tem o poder de nos unir, mas também está forçando conversas sobre acessibilidade, direitos humanos, imigração e quem será incluído nesta celebração.
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Agentes da polícia migratória americana, o ICE, participarão da segurança do evento, e muitos temem uma onda de prisões de estrangeiros nos estádios, uma hipótese que não foi descartada pelo Departamento de Segurança Interna. As restrições à emissão de vistos afetam, em graus diferentes, sete países classificados para a Copa — dois deles, Irã e Haiti, estão em uma lista de nações cujos cidadãos têm a entrada nos EUA praticamente proibida.
— Os Estados Unidos estão bem preparados para receber viajantes legítimos de todo o mundo para a maior e melhor Copa do Mundo da FIFA da História — disse um representante do Departamento de Estado ao site The Athletic. — Ao mesmo tempo, o governo não hesitará em defender a lei americana e os mais altos padrões de segurança nacional e pública na condução do nosso processo de vistos.
Nenhum caso é tão extremo como o do Irã. Em fevereiro, Trump lançou, ao lado de Israel, um conflito de grande porte contra o país, que transformou o Oriente Médio e provocou efeitos em escala global.
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AFP
Quando as bombas começaram a cair sobre Teerã, o “Team Melli” já estava classificado, e autoridades chegaram a anunciar que a equipe não viajaria à América do Norte, alegando razões de segurança. Em março, no auge da guerra, o presidente americano disse que a seleção iraniana era bem vinda nos EUA, mas que não acreditava “ser apropriado que eles estejam lá, para a própria segurança e integridade física dos participantes”.
“Os EUA estão privando a seleção nacional do Irã do seu direito de participar da Copa do Mundo em condições normais e sem pressão e estresse desnecessários”, escreveu em comunicado a Embaixada do Irã em Ancara. “Esta é a pior forma possível de interferência política no esporte.”
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De acordo com o Departamento de Estado, os vistos para os jogadores já foram emitidos, mas as regras impostas são, no mínimo, peculiares. A delegação ficará baseada em Tijuana, no México, e viajará para os EUA na véspera (primeiro jogo) e na antevéspera (segundo e terceiro jogos). Todos precisarão sair do país no mesmo dia das partidas, e não está claro se serão submetidos ao mesmo tratamento dispensado aos iraquianos.
— Não sabemos até onde o obstrucionismo dos americanos vai continuar —disse Mehdi Taj, presidente da federação iraniana, à agência semiestatal Isna. —O que os Estados Unidos estão fazendo reflete malícia e falta de igualdade entre as equipes.
Se a chegada aos EUA foi uma corrida de obstáculos para os protagonistas da Copa, para muitos torcedores e profissionais ligados ao esporte, a única opção viável é a televisão. Além das restrições a certos passaportes, o elevado índice de rejeição de vistos, os preços elevados dos ingressos e o temor de ser barrado na fronteira reduziram o interesse externo em acompanhar os jogos in loco.
Na semana passada, a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) escreveu uma carta à Fifa reclamando da rejeição de vistos para jornalistas do Irã e de países da África. Em resposta, a federação disse que a entrada nos países-sede é “em última análise, uma questão consular e de imigração”.
— O sistema de vistos é o guardião invisível da Copa do Mundo — diz Celine Atallah, advogada especializada em questões migratórias, em entrevista à rede BBC. — A Fifa pode vender um ingresso, mas o governo dos EUA decide quem recebe o visto, e a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) decide quem de fato entra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou nesta segunda-feira seu ex-advogado pessoal, Todd Blanche, para o cargo de procurador-geral, elevando um aliado leal e de confiança que, como procurador-geral interino, demonstrou disposição para atender às exigências mais rigorosas do líder republicano. O anúncio, insinuado por funcionários da Casa Branca na semana passada, ocorre em meio ao crescente escrutínio público sobre Blanche devido ao seu papel na iniciativa do governo de aprovar um fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhões), com dinheiro dos contribuintes, para indenizar aqueles que alegam ter sido vítimas de perseguição política por parte do governo durante o mandato do ex-presidente Joe Biden, incluindo, muito provavelmente, os manifestantes que atacaram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
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A nomeação foi divulgada em um comunicado publicado na segunda-feira no site da Casa Branca, informando que Trump havia enviado o nome de Blanche ao Senado. Ainda não está claro se o advogado, que promoveu uma visão expansiva do poder Executivo em detrimento do Legislativo, tanto como advogado de defesa de Trump quanto como segundo em comando do Departamento de Justiça, terá apoio suficiente no Senado para ser confirmado, em meio ao aumento das tensões entre a Casa Branca e os republicanos no Congresso.
Uma audiência de confirmação para Blanche pode representar um teste político delicado para os republicanos, enquanto o partido se prepara para as eleições de meio de mandato deste ano. Uma reunião recente a portas fechadas entre Blanche e senadores republicanos foi descrita como tensa, com dezenas de parlamentares criticando duramente o advogado em relação ao fundo de US$ 1,8 bilhão. Os senadores, no entanto, não conseguiram aprovar restrições a tais pagamentos, sugerindo que seu descontentamento com a Casa Branca pode ter diminuído.
Seu caminho para a nomeação permanente que tanto almeja também será complicado pela persistente mágoa — e por perguntas sem resposta — relacionadas à sua gestão da divulgação de milhões de páginas de arquivos investigativos referentes ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Nas últimas semanas, sua antecessora, Pam Bondi — que foi demitida em abril após Trump ter expressado publicamente sua frustração com os esforços dela para processar seus inimigos políticos — atribuiu a principal responsabilidade pela divulgação dos arquivos de Epstein a Blanche durante uma entrevista a uma comissão da Câmara.
Blanche, ex-procurador federal em Manhattan, abandonou sua reputação de voz moderada dentro do departamento ao buscar energicamente um cargo cujo principal pré-requisito, na visão de funcionários atuais e antigos, é nunca dizer não ao chefe.
Uma ampla gama de ex-funcionários da lei criticou duramente o tipo de justiça de Blanche, afirmando que ele usou o poder de acusação para punir os inimigos de Trump e, nesse processo, prejudicou gravemente a reputação do departamento perante os tribunais e o público.
Como procurador-geral interino, Blanche tomou uma série de medidas contra alvos de Trump, incluindo a autorização para indiciar James B. Comey, ex-diretor do FBI, por publicar nas redes sociais uma imagem de conchas dispostas de maneira a formar a frase “86-47”, que Blanche descreveu como uma ameaça crível de violência contra um presidente em exercício. Isso porque a expressão “86” é uma gíria que surgiu no jargão de restaurantes para significar jogar algo fora, e “47” teoricamente se refere a Trump, o 47º presidente dos Estados Unidos.
Blanche chegou a expressar reservas internas sobre o plano bastante incomum de criação do fundo, que também incluía uma ampla proteção contra investigações fiscais para Trump, sua família e seus negócios, que poderiam valer mais de US$ 100 milhões (R$ 520 milhões).
Mas o ex-advogado pessoal do presidente e um de seus principais assessores, Stanley Woodward Jr., aprovaram o plano, ao contrário de alguns nomeados de primeiro mandato de Trump que renunciaram ou ofereceram forte resistência quando confrontados com exigências que consideravam questionáveis. O plano foi imediatamente atacado como um fundo político ilícito por democratas e republicanos.
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Em depoimento perante os parlamentares na semana passada, Blanche disse que o Departamento de Justiça estava desistindo do plano para o fundo, mas manteria a proteção de Trump contra investigações fiscais. Mais tarde, o presidente americano questionou o abandono do fundo, dizendo: “Eu adoro isso”.
— Todd Blanche nunca deixou de agir como advogado pessoal de Donald Trump — disse Stacey Young, fundadora da Justice Connection, uma organização de ex-funcionários do departamento que inclui muitos procuradores de carreira forçados a sair por Blanche, que buscava remodelar o departamento ao gosto de Trump. — Ele usou sua posição de destaque no departamento para fazer um acordo corrupto com o presidente e sua família, promover processos vingativos, demitir ilegalmente funcionários de carreira, difamar denunciantes e atacar o Judiciário.
O fundo foi resultado de negociações secretas entre os advogados particulares de Trump e funcionários que trabalhavam para Blanche, como forma de resolver um processo de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) que Trump havia movido contra o governo devido ao vazamento de suas declarações de imposto de renda, e reivindicações não relacionadas de cerca de US$ 230 milhões (R$ 1,19 bilhões) que Trump havia apresentado contra o Departamento de Justiça e o FBI por investigações e processos anteriores.
Blanche e sua equipe buscaram criar um acordo que impedisse o governo de pagar dinheiro dos contribuintes a Trump, o que eles consideravam uma potencial catástrofe ética, legal e política. Em seu depoimento aos senadores na última terça-feira, Blanche insistiu que a proteção de Trump e de sua família contra auditorias ou investigações fiscais não seria afetada pela retirada da proposta do fundo e permaneceria em vigor.
— Então, a imunidade total não é algo que o senhor vai revogar? — perguntou a deputada Rosa DeLauro, democrata de Connecticut, que acusou Blanche de priorizar os interesses financeiros do presidente em detrimento do bem público. — O senhor não deveria estar neste cargo.
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Mas Trump, que afirmou dever sua liberdade aos esforços jurídicos incansáveis ​​de Blanche em seu nome nos processos criminais contra ele, parece acreditar no contrário. Blanche conquistou a confiança do magnata enquanto o republicano estava fora do cargo, enfrentando múltiplas investigações e acusações.
Blanche tornou-se advogado de defesa de Trump em 2023 e o representou quando ele foi a julgamento um ano depois, na cidade de Nova York. Trump foi condenado por falsificação de documentos comerciais.
Desde que assumiu o cargo de vice-procurador-geral no início de 2025, Blanche implementou mudanças drásticas no Departamento de Justiça, onde descreveu com orgulho a demissão de mais de 200 agentes e promotores que trabalharam em casos envolvendo Trump ou seus aliados. Ele também falou sobre estar em guerra com os juízes federais.
O presidente argentino, Javier Milei, deu uma resposta, nesta segunda-feira (8), ao historiador israelense Yuval Noah Harari, que tinha questionado, em declarações ao jornal Financial Times, sua proposta de conceder personalidade jurídica a corporações operadas por inteligência artificial.
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Harari, autor do best-seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, respondeu a Milei, nesta segunda, em uma coluna intitulada “Não devemos outorgar personalidade jurídica a agentes de IA”, na qual alertou para os riscos de se reconhecer como sujeitos de direito corporações controladas por agentes não humanos.
O autor advertiu que conceder status legal a corporações controladas por agentes não humanos equivaleria a dar-lhes “uma chave mestra” para acessar sistemas financeiros, econômicos e políticos de forma perigosa.
“Os países que outorgarem personalidade jurídica às IA correm o risco de se tornarem algo para o qual o registro histórico não oferece analogia: não um Estado empresa, mas um Estado IA, um país cujos habitantes poderiam ser governados por corporações não humanas”, assinalou Harari, que reflete em obras como “Nexus: Uma Breve História das Redes de Informação, da Idade da Pedra à Inteligência Artificial” e “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”, sobre a história da informação e o futuro da humanidade.
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Milei agradeceu ao historiador, nesta segunda-feira, no X, por “participar deste debate fascinante e transcendental” e afirmou que a humanidade precisa construir um marco que lhe permita aproveitar as oportunidades da IA.
“Eu já estou preparando minha resposta para ver se podemos dissipar seus temores sobre o caminho que propus na semana passada!”, acrescentou.
A troca de mensagens começou na última quinta-feira, quando Milei publicou um artigo no jornal britânico, intitulado “A Argentina convida a IA a se liberar”, no qual anunciou que promoverá uma legislação que contemple a criação de “corporações não humanas” operadas por agentes de IA e robôs.
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O presidente ultraliberal argentino prometeu permitir que a IA se desenvolva “sem a mão mortal de uma regulação prematura e mal compreendida”.
No fim de maio, Milei enviou ao Congresso um projeto para uma nova “Lei de Sociedades”, no qual contempla a criação de “sociedades automatizadas”, capazes de operar de forma completamente autônoma mediante algoritmos ou IA, sem a necessidade de trabalhadores humanos.
O projeto de lei também contempla a criação das DAO (Organizações Autônomas Descentralizadas), que podem operar de forma total ou parcialmente autônoma e registrar suas operações em blockchain.
Os oceanos estão em uma “crise crescente” que exige ação global urgente. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira num importante relatório da ONU, que destaca o aquecimento e a elevação dos mares ocorrendo mais rapidamente, a cobertura de gelo diminuindo e os ecossistemas marinhos sob crescente pressão. O relatório de 1.352 páginas, resultado de cinco anos de trabalho de 600 cientistas internacionais, detalha o impacto crescente das mudanças climáticas, da poluição e da sobrepesca em nossos oceanos, que cobrem mais de 70% do planeta.
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“O oceano é a base da vida na Terra. Mas sua saúde está em grave risco, à medida que os ecossistemas e habitats se aproximam ou ultrapassam pontos de inflexão críticos”, afirmou a terceira Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA, na sigla em inglês) das Nações Unidas.
Os oceanos desempenham um papel fundamental para o planeta, regulando o clima e alimentando bilhões de pessoas. Mas a WOA alertou para “uma crise crescente, à medida que as mudanças climáticas, a poluição, a sobrepesca e a perda de biodiversidade colocam os sistemas oceânicos sob forte pressão”. As conclusões “exigem ação urgente, por meio de uma cooperação multilateral mais forte, maior ambição e decisões baseadas na melhor ciência disponível”.
A WOA saudou a entrada em vigor, em janeiro, de um tratado da ONU para proteger e utilizar de forma sustentável a vida marinha em águas internacionais, afirmando que ele “estabelece um marco histórico para a gestão dos oceanos e a cooperação multilateral”.
“Não podemos continuar tratando o oceano como ilimitado”, disse o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em um comunicado. “Precisamos construir uma nova relação com o oceano: fundamentada na ciência, enquadrada pelo direito internacional e construída sobre a responsabilidade compartilhada”.
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Aquecimento e elevação acelerados
O relatório, que abrange principalmente o período entre 2018 e 2023, pinta um quadro sombrio do estado dos oceanos. Cerca de 16% do aumento total no conteúdo de calor dos oceanos registrado desde 1955 ocorreu somente desde 2018, constatou a avaliação.
Os oceanos absorveram mais de 90% do excesso de calor e 30% do CO2 liberado na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis. Com o aquecimento das águas, elas se expandem, contribuindo para a elevação do nível do mar juntamente com o derretimento de geleiras e calotas polares.
“O nível do mar continua a subir a taxas crescentes”, ressalta o relatório, mais que dobrando de menos de 2,0 milímetros por ano antes de 2015 para 4,3 mm em 2023.
Embora milímetros possam parecer pouco, eles “se multiplicam muito rapidamente”, disse à AFP Ian Butler, ecologista marinho radicado na Austrália e coordenador do grupo de especialistas da WOA.
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Derretimento do gelo
— Estamos considerando seriamente a possibilidade de um Oceano Ártico sem gelo em partes do ano dentro de 10 ou 20 anos — afirmou Butler.
O Oceano Ártico poderá ficar sem gelo em setembro até meados do século, com as condições mais precoces possíveis na década de 2030, considerando todos os cenários de emissões, segundo o relatório.
O derretimento do gelo no Polo Norte também está remodelando a geopolítica, abrindo rotas de navegação antes inacessíveis e intensificando a competição entre as principais potências, incluindo Estados Unidos, Rússia e China. No Polo Sul, o gelo marinho da Antártida, que havia aumentado gradualmente entre 1979 e 2015, “diminuiu rapidamente” desde 2016.
Ecossistemas marinhos
As mudanças climáticas também estão remodelando a vida marinha, com algumas espécies de peixes migrando para águas mais frias ou profundas para sobreviver.
— Algumas não têm futuro algum porque não há para onde ir — alertou Butler.
Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ameaçados. Ondas de calor e tempestades marinhas repetidas “deixam pouco tempo para a recuperação e estão levando os recifes ao colapso”, afirmou o relatório.
Eventos de branqueamento desde 2018 causaram mortalidade generalizada de corais, e a WOA alerta que 90% dos recifes podem desaparecer se o aquecimento ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
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Poluição por plástico
O relatório pediu uma redução na produção de plásticos — uma questão que está paralisada nas negociações internacionais. A cada ano, 52,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejadas no oceano, contribuindo para uma estimativa de 24,4 trilhões de partículas de microplástico. Sabe-se agora que os microplásticos afetam mais de 4.000 espécies marinhas.
Mineração em águas profundas
O relatório destacou ainda as crescentes preocupações com a mineração em águas profundas e pediu uma resposta internacional coordenada. Embora essa exploração esteja bastante avançada, nenhuma empresa ou nação iniciou a produção em escala comercial.
Os críticos temem que isso sufoque a vida marinha com resíduos e que o ruído das máquinas pesadas interrompa as migrações oceânicas.
“Este relatório deve servir como um alerta urgente para que os governos ajam na proteção do oceano”, afirmou o grupo ambientalista Greenpeace em um comunicado.
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Cortes de Trump no oceano
O WOA surge em um momento em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, se prepara para remover centenas de instrumentos científicos em águas profundas, utilizados há uma década para monitorar os efeitos das mudanças climáticas nos ambientes marinhos.
— O sistema de monitoramento do oceano profundo é uma parte extremamente importante do nosso monitoramento e compreensão global do oceano — ressaltou Butler. — A sua remoção deixaria uma enorme lacuna em nossa ciência oceânica de longo prazo.
Um forte terremoto atingiu, nesta segunda-feira, a costa oeste de Cuba, e jornalistas da AFP em Havana relataram um tremor intenso que durou cerca de 20 segundos e levou moradores a deixar os edifícios. O abalo também foi sentido em áreas do estado americano da Flórida, segundo repórteres da agência no local.
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Trabalhadores verificam seus celulares após tremor causado por um terremoto de magnitude 6,5 em Havana, em 8 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) informou que o terremoto teve magnitude 6,1 e ocorreu a cerca de 100 quilômetros da extremidade oeste da ilha.
Não foram registrados feridos nem danos significativos.
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Pessoas se reuniram no centro de Havana, verificando seus celulares após o tremor, que, segundo as autoridades cubanas, foi sentido “em toda a região oeste do país”.
— No começo, achei que estava apenas tonta; não imaginei que fosse um terremoto, nunca tinha vivido algo assim — conta Carmel Delgado, economista de 47 anos que mora em Havana. — Mas, quando percebemos o que poderia ser, saímos rapidamente.
Trabalhadores descem as escadas correndo após um tremor causado por um terremoto de magnitude 6,1 em Havana, em 8 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
O Centro Nacional de Alerta de Tsunamis dos EUA descartou a possibilidade de um tsunami significativo após o terremoto.
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No entanto, o órgão informou que havia uma “possibilidade muito pequena” de formação de ondas de tsunami em áreas costeiras próximas ao epicentro.
Vista de Havana em 8 de junho de 2026 durante um tremor causado por um terremoto de magnitude 6,1
PABLO PORCIUNCULA / AFP
Francis Ruiz, ator de 41 anos, gravava uma radionovela em um estúdio localizado no quinto andar de um prédio no centro histórico de Havana quando sentiu o tremor.
— Estávamos gravando em um escritório e, de repente, a mesa se moveu. Todos nos olhamos — relata Ruiz. — O prédio balançou e, naquele momento, o caos começou. Todo mundo correu pelas escadas.
O estudante americano James “Weston” Higginbotham, de 20 anos, foi encontrado morto em uma área montanhosa nos arredores de Kyoto, no Japão, após dias de buscas iniciadas depois de seu desaparecimento durante uma viagem em família. A confirmação foi feita pela própria mãe, Nancy Higginbotham, em publicação no Facebook neste sábado. Publicações da People e do TMZ nesta segunda-feira afirmam que a causa da morte do jovem não será divulgada, mas que a polícia local não encontrou indícios de homicídio.
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Weston, aluno da Universidade de Auburn e estudante de engenharia de biossistemas, havia sido visto pela última vez em 29 de maio, quando imagens de segurança o registraram saindo de uma estação de trem na região de Yamashina, em Kyoto. Pouco depois, ele se afastou da família durante a viagem e não voltou a ser localizado.
Equipes de busca japonesas compostas por mais de 100 agentes, cães farejadores e helicópteros, voluntários e os próprios familiares participaram das operações ao longo de cerca de uma semana. O corpo foi encontrado por um grupo voluntário de resgate em área de relevo acidentado e vegetação densa na região montanhosa próxima a Kyoto.
As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas pelas autoridades japonesas. A investigação segue em andamento para determinar o que ocorreu no período entre o desaparecimento e a localização do corpo.
Em comunicado, a mãe do estudante afirmou que a família está devastada e agradeceu o apoio recebido durante as buscas, incluindo mensagens e mobilização de pessoas nos Estados Unidos, no Japão e em outros países.
— Somos eternamente gratos pelo tempo que tivemos com nosso querido e precioso Weston, mas não conseguimos sequer começar a compreender como será a vida sem ele. Somos profundamente gratos às inúmeras pessoas nos Estados Unidos, no Japão e em todo o mundo que compartilharam a história de Weston, oraram por nossa família, ofereceram apoio e ajudaram nos esforços de busca. A demonstração de bondade e apoio nos sustentou durante os dias mais sombrios de nossas vidas — escreveu Nancy.
Weston estava no Japão com os pais e o irmão para uma viagem em família quando desapareceu. Ele cursava engenharia e era descrito por pessoas próximas como alguém com experiência em atividades ao ar livre, o que havia levado inicialmente a família a acreditar que ele poderia ter ido caminhar em trilhas da região.
Antes de se afastar dos familiares, Weston teria tido um desentendimento com a mãe sobre o uso do ChatGPT para planejar a viagem, e decidiu passear sozinho. Usando um aplicativo de rastreamento de localização, os pais viram que Weston pegou um trem e visitou algumas lojas. Eles enviaram mensagens perguntando para onde ele estava indo, e a localização foi desativada pouco depois, o que, segundo a mãe, não era típico de seu comportamento.
Um juiz federal nos EUA declarou que a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil (R$ 520 mil) para a obtenção de um visto destinado a profissionais em funções especializadas, o H-1B, é ilegal, em uma derrota para o governo do presidente Donald Trump.
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Na decisão, o juiz Leo Sorokin aponta que a medida viola regras administrativas e a Constituição, uma vez que não se trata da criação de uma multa ou outro tipo de penalidade, como alega o governo, mas sim de uma nova taxa, algo que depende da autorização do Congresso para sair do papel. A ação foi movida por 20 promotores de estados governados por democratas.
A cobrança foi oficializada em setembro, e a Casa Branca alega que ela é necessária para conter o “abuso” na emissão de vistos H-1B, que prejudicaria trabalhadores americanos. A categoria é reservada a profissionais que desempenham funções específicas, com algo grau de conhecimento teórico e prático, e é limitado a 85 mil emissões por ano. Os vistos são concedidos através de um sistema de sorteio, e são válidos por até seis anos.
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Na época em que a taxa foi anunciada, vários setores — desde o Vale do Silício até produtores rurais — alertaram que os valores proibitivos cobrados pelo visto causariam impactos econômicos, inclusive em áreas onde o presidente Trump tem apoio político. Em dezembro do ano passado, uma magistrada de Washington havia declarado que a cobrança era legal.
“A taxa de US$ 100.000 torna os vistos H-1B proibitivos para as empresas, especialmente para as pequenas e médias empresas, que são as que menos podem arcar com esse custo”, disse Daryl Joseffer, vice-presidente executivo e conselheiro-chefe da Câmara de Comércio, em um comunicado em setembro passado.
Até setembro do ano passado, os valores cobrados pelo visto variavam entre US$ 2 mil (R$ 10,3 mil) e US$ 5 mil (R$ 26 mil). E de acordo com o serviço de Imigração, apenas 85 aplicantes pagaram o valor reajustado da taxa até o início de fevereiro. A Casa Branca não se pronunciou sobre a decisão.

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