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A cidade de Buenos Aires, na Argentina, avançou com a proibição total do uso de fogos de artifício com “efeito sonoro” em todo o seu território, com o objetivo de reduzir os danos que o ruído causa a menores, idosos e pessoas com autismo, bem como a animais e ao ecossistema urbano. A decisão, promovida pelo chefe de governo Jorge Macri, amplia uma restrição que até então era aplicada apenas em áreas específicas — como hospitais e reservas ecológicas — e estabelece um novo critério geral: a cidade se torna, de forma integral, uma “zona de calma”, livre de artifícios barulhentos.
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O anúncio foi feito por meio de uma mensagem publicada por Macri no X, onde ele detalhou os motivos da medida. “Fogos de artifício barulhentos afetam a saúde de idosos, pessoas com transtorno do espectro autista e bebês. Também causam danos a animais e ao ecossistema. Esta decisão também responde a um pedido que ouvimos repetidamente em reuniões de bairro”, escreveu o presidente.
A resolução instrui a Agência de Proteção Ambiental (APRA) a adaptar os regulamentos atuais e a estabelecer controles sobre o uso de dispositivos pirotécnicos e de ruído.
Nesse contexto, o primeiro artigo declara a cidade uma “zona livre de fogos de artifício” e proíbe expressamente qualquer dispositivo com “efeito sonoro”. Já o quarto artigo do regulamento estende a proibição a todos os eventos e espetáculos organizados pelo setor público de Buenos Aires.
Até então, o regulamento vigente — promulgado em 2020 — definia zonas de 100 metros de raio ao redor de áreas sensíveis, como as reservas ecológicas Costanera Norte e Sul, o Lago Lugano, o Ecoparque e hospitais. Com a nova disposição, essa abordagem excepcional é eliminada, e a restrição se estende a todos os bairros e distritos da cidade, sem exceção.
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O governo da cidade de Buenos Aires afirma que o impacto do ruído vai além do desconforto momentâneo. Fogos de artifício barulhentos podem desencadear crises em pessoas com transtornos do espectro autista, afetar bebês e idosos, e causar episódios de estresse severo em animais domésticos e selvagens. Além disso, apontam que os resíduos gerados por esses dispositivos contribuem para a poluição ambiental.
Neste sábado, a legisladora portenha e ex-porta-voz do chefe de Governo, Laura Alonso, explicou a decisão em entrevista à Radio Mitre e destacou a vida cotidiana na cidade.
— Temos 500 mil cães e 360 mil gatos em lares portenhos. Estamos falando de uma cidade que tem níveis elevados de ruído, que por vezes se torna exaustiva. Queremos caminhar para uma cidade mais tranquila, que facilite a nossa vida e que proteja as pessoas, os animais e o ecossistema portenho da poluição gerada por esse tipo de pirotecnia barulhenta — afirmou.
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Alonso ressaltou que a proibição não se aplica a fogos de artifício sem som nem a elementos luminosos. “Tudo o que gera ruído é o que se proíbe. É possível utilizar fogos de luz ou shows sem estrondo. Não há proibição para as estrelinhas nem para os jogos de luzes. Em grandes eventos, também existem alternativas visuais que não geram impacto sonoro”, esclareceu.
Ela ainda destacou a importância crucial da medida: “Esta é uma mudança histórica, porque antes só havia zonas calmas ao redor de hospitais ou reservas ecológicas”.
A normativa, no entanto, prevê algumas exceções específicas. Ficam excluídos da proibição os artefatos utilizados para emitir sinais de socorro, aqueles destinados às Forças de Segurança e Defesa Civil, e os casos em que seu uso seja estritamente necessário por razões operacionais ou de segurança.
O Executivo portenho destacou ao “La Nacion” que a medida também se baseia no marco constitucional local. O artigo 26 da Constituição portenha estabelece que “o ambiente é patrimônio comum e toda pessoa tem direito a usufruir de um ambiente saudável, assim como o dever de preservá-lo e defendê-lo, em benefício das gerações presentes e futuras.” Com base nesse princípio, a proibição da pirotecnia sonora busca modificar práticas arraigadas e avançar para uma convivência urbana com menos ruído e maior cuidado com o meio ambiente.
O Telescópio Espacial Fermi, da NASA, realizou um descobrimento inédito ao detectar, pela primeira vez, uma emanação de gás vindas de um aglomerado de estrelas jovens na nossa galáxia, manifestada na forma de uma bolha de raios gama. Esse achado, crucial para a compreensão da evolução do universo, tem origem no superaglomerado estelar Westerlund 1, localizado a cerca de 12 mil anos-luz de distância, na constelação de Ara.
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Westerlund 1, o superaglomerado estelar mais próximo, mais massivo e mais luminoso da Via Láctea, permanece oculto por densas nuvens de poeira. Sua emanação se estende abaixo do plano galáctico e contém partículas de alta velocidade conhecidas como raios cósmicos. A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications e foi liderada por Marianne Lemoine-Goumard, da Universidade de Bordeaux, na França, junto com Lucia Härer e Lars Mohrmann, do Instituto Max Planck de Física Nuclear, em Heidelberg, na Alemanha.
Lemoine-Goumard afirmou que “compreender as emanações de raios cósmicos é crucial para entender melhor a evolução de longo prazo da Via Láctea”. Segundo a astrofísica, “essas partículas transportam grande parte da energia liberada dentro dos aglomerados e podem contribuir para impulsionar os ventos galácticos, regular a formação estelar e distribuir elementos químicos dentro da galáxia”.
Superaglomerados estelares como Westerlund 1 são colossais, com mais de 10 mil vezes a massa do Sol e um número excepcional de estrelas massivas e raras. Cientistas acreditam que as explosões de supernovas e os ventos estelares dentro desses aglomerados expulsam o gás ao redor, acelerando os raios cósmicos a velocidades próximas à da luz. Essas partículas, em sua maioria núcleos de hidrogênio, são difíceis de rastrear diretamente devido à sua carga elétrica e à interação com campos magnéticos.
Com uma imagem ilustrativa, foi revelada a localização de Westerlund 1 em relação ao nosso Sol
Divulgação | Nasa
É nesse ponto que reside a importância dos raios gama. Como a forma de luz de maior energia, eles viajam em linha reta e são produzidos quando os raios cósmicos interagem com a matéria. Isso os torna indicadores-chave da atividade dos raios cósmicos. A proximidade e o brilho de Westerlund 1 o tornam “um objeto de estudo excepcional”, apesar de a maioria das observações de raios gama em aglomerados estelares ter resolução limitada.
Em 2022, o Sistema Espectroscópico de Altas Energias, na Namíbia, já havia detectado um anel distinto de raios gama ao redor de Westerlund 1, com energias bilhões de vezes superiores à da luz visível. Esse achado motivou a equipe de Lemoine-Goumard a analisar quase duas décadas de dados do Telescópio Espacial Fermi, da NASA, que observa energias ligeiramente menores, de milhões a bilhões de vezes a energia da luz visível.
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A sensibilidade e a resolução do Fermi permitiram aos pesquisadores filtrar outras fontes de raios gama, como pulsares, radiação de fundo e a emissão do próprio superaglomerado estelar. O resultado foi a revelação de uma bolha de raios gama que se estende por mais de 650 anos-luz a partir do aglomerado, projetando-se abaixo do plano da Via Láctea. Esse fluxo de saída é cerca de 200 vezes maior do que o próprio Westerlund 1.
Os pesquisadores o descreveram como um fluxo de saída nascente ou em estágio inicial, gerado recentemente pelas estrelas massivas jovens do aglomerado. Ele se expande de forma assimétrica, seguindo o caminho de menor resistência em direção a uma região de menor densidade abaixo do disco galáctico, e espera-se que, com o tempo, flua em direção ao halo galáctico.
Tamanho massivo de Westerlund 1 gera expectativa entre os pesquisadores
Divulgação | Nasa
Lucia Härer apontou os próximos passos da pesquisa: “Um dos próximos passos é modelar como os raios cósmicos viajam por essa distância e como criam um espectro de energia de raios gama em transformação”. Ela acrescentou o interesse em “buscar características semelhantes em outros aglomerados estelares”, embora tenha reconhecido a sorte de contar com Westerlund 1 por ser “muito massivo, brilhante e próximo”.
Elizabeth Hays, cientista do projeto Fermi no Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, destacou a relevância da missão: “Desde que começou a operar, há 17 anos, este telescópio espacial continua avançando na nossa compreensão do universo ao nosso redor. O céu de raios gama continua a nos surpreender”.
Homens armados mataram nove pessoas e feriram outras dez em um ataque a um povoado próximo a Joanesburgo, informou a polícia sul-africana neste domingo (21).
Segundo o comunicado, cerca de 12 homens atacaram um bar em Bekkersdal, uma região de mineração de ouro situada a cerca de 40 quilômetros ao sul de Joanesburgo. O grupo abriu fogo pouco antes da 1h da manhã (23h de sábado no horário GMT).
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— Algumas pessoas foram baleadas aleatoriamente nas ruas por homens armados não identificados — afirmou a polícia.
As autoridades relataram que os suspeitos, que chegaram em dois veículos, “atiraram contra clientes de um bar e continuaram disparando após entrar no estabelecimento”.
Entre os mortos está o motorista de um táxi que estava do lado de fora do bar, disse o comissário provincial da polícia, o major-general Fred Kekana, à emissora estatal SABC. A polícia iniciou uma operação de busca pelos suspeitos.
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O tiroteio ocorreu próximo a um bar informal em Bekkersdal, onde, segundo as autoridades, álcool era vendido ilegalmente.
A África do Sul, país com cerca de 63 milhões de habitantes, enfrenta índices elevados de violência, incluindo uma das maiores taxas de homicídios do mundo.
A Coreia do Norte afirmou neste domingo que as ambições nucleares do Japão “devem ser contidas a qualquer custo”, após uma autoridade japonesa ter sugerido que o país deveria possuir armas atômicas.
Segundo a agência Kyodo News, um funcionário próximo à primeira-ministra do Japão teria dito recentemente: “Acredito que devemos ter armas nucleares”, acrescentando que “no fim das contas, dependemos apenas de nós mesmos” — comentário que, segundo Pyongyang, revelaria abertamente a intenção japonesa de cruzar uma “linha vermelha”.
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Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, o diretor do Instituto de Estudos Japoneses do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano afirmou que o Japão “deve ser impedido a qualquer custo”, alegando que a eventual aquisição de armamento nuclear por Tóquio resultaria em “um grande desastre para a humanidade”.
O funcionário, cujo nome não foi revelado, alertou ainda que, caso o Japão avance nessa direção, “os países asiáticos sofrerão um horrível desastre nuclear”.
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O comunicado não faz referência ao próprio programa nuclear norte-coreano. A Coreia do Norte, que há décadas desenvolve ogivas nucleares, sustenta que o arsenal é necessário para dissuadir o que considera ameaças militares dos Estados Unidos e de seus aliados.
O incansável atacante japonês Kazuyoshi Miura, de 58 anos, se prepara para disputar a terceira divisão do futebol japonês, dando início à 41ª temporada de sua carreira profissional, informaram veículos locais neste domingo (21).
Conhecido mundialmente como King Kazu, Miura deve reforçar o Fukushima United por empréstimo de um ano, após atuar pelo Atlético Suzuka, da quarta divisão, na última temporada.
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Embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito, a confirmação tem sido especulada para às 11h11 do dia 11 de janeiro, um gesto recorrente em referência ao número da camisa do veterano.
O ex-atacante da seleção japonesa completa 59 anos em fevereiro. Na última temporada, disputou sete partidas pelo Suzuka, equipe que acabou rebaixada às ligas regionais após terminar na vice-lanterna e perder o playoff do descenso.
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Miura iniciou a carreira profissional em 1986, no Santos, no Brasil, e passou também por clubes da Itália, Croácia, Austrália e Portugal. Sua trajetória foi fundamental para a popularização do futebol no Japão, especialmente com a criação da J-League em 1993.
Pela seleção japonesa, estreou em 1990 e marcou 55 gols em 89 partidas. Curiosamente, apesar do protagonismo, ficou fora da primeira participação do Japão em uma Copa do Mundo, em 1998, na França.
Embora a retórica usada durante a campanha eleitoral de 2024, na qual o republicano Donald Trump venceu com folga a democrata Kamala Harris, já prenunciasse uma presidência ainda mais explosiva do que a que ele liderou entre 2017 e 2021, poucos — exceto talvez seu círculo mais próximo — anteciparam o quão retumbante seria seu retorno à Casa Branca. Em seus 11 meses no cargo de presidente dos Estados Unidos, Trump, como um rolo compressor, reconfigurou alianças históricas, desmantelou setores inteiros, conduziu os EUA por um caminho que muitos consideram autoritário e apagou — com uma canetada — os alicerces que sustentavam o comércio internacional. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
No quarto ano de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá alguns objetivos centrais em sua agenda de política externa, entre eles — e com destaque — dar continuidade aos esforços para distensionar a relação com os Estados Unidos de Donald Trump. Esse será, na avaliação de especialistas ouvidos pelo GLOBO, um dos temas mais desafiadores para Lula, que, em paralelo, deverá, segundo fontes oficiais, “realizar uma enfática defesa de que a América Latina continue sendo uma zona de paz”.
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Depois de superar a crise bilateral desencadeada pela aplicação do tarifaço de Trump ao Brasil, “ainda há passivos do tarifaço que vão nos ocupar”, explicou uma das fontes oficiais consultadas. Sem previsão para um novo encontro entre Lula e Trump, o governo brasileiro, já em clima de campanha eleitoral para tentar uma nova reeleição, terá de buscar um equilíbrio que evite novos sobressaltos no vínculo com a Casa Branca.
Questões como os questionamentos de Lula à presença militar americana na região, a cada vez mais profunda relação do Brasil com a China e a participação ativa do país no Brics podem, a qualquer momento, contaminar negativamente as relações com Washington.
— Para o Brasil, é importantíssima a visão de um mundo multipolar, essa deve ser nossa tônica na diplomacia. Penso não apenas na China, mas na Índia, nos países africanos, na América Latina e na Europa — aponta José Pio Borges, presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
Chefes de Estado e governo do Brics, além de países associados, antes de plenária durante reunião no Rio de Janeiro
Pablo PORCIUNCULA / AFP
Lula fará uma visita oficial à Coreia do Sul e à Índia, que presidirá o Brics em 2026, em fevereiro — e poderia fazer uma segunda viagem ao país para participar da cúpula de líderes do grupo, ainda sem data marcada.
— A Ásia já representa 50% do total do comércio brasileiro, e essa nova realidade vai se expandir. A atenção dada pelo governo ao Brics e aos países asiáticos em geral é correta — enfatiza Borges.
Exibir uma política externa autônoma, que respeite princípios elementares da tradição diplomática brasileira, entre eles a defesa do multilateralismo e da América Latina como zona de paz, pode gerar embates com Trump. A imprevisibilidade será permanente, admite Flávia Campos Mello, professora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu), num mundo no qual a política externa e interna estão cada vez mais inter-relacionadas.
— Temas como o Brics permeiam campanhas políticas. É preciso avaliar as implicações de cada tema da agenda internacional em termos de impacto para as bases e os embates ideológicos — diz Campos Mello, lembrando que as ações de Trump na América Latina buscam, essencialmente, “atender demandas dos eleitores da Flórida”.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente do Paraguai, Santiago Peña; o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo, posam para uma foto oficial durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, Brasil, em 20 de dezembro de 2025.
Evaristo Sa / AFP
Numa América Latina desintegrada e na qual opções de direita vêm ganhando terreno em países como Argentina, Equador, Paraguai e Chile, não há espaço para pensar em projetos de integração regional. Essa era uma das metas de Lula para seu terceiro mandato, mas a situação regional impediu seu cumprimento — assim como outros fracassos, como a recuperação da democracia na Venezuela.
A volta de Trump ao poder terminou de enterrar qualquer possibilidade de articulação regional, com cada vez mais países alinhados com a Casa Branca. Com esse pano de fundo, são esperadas posições cautelosas do Brasil em temas regionais, e um foco maior em sua agenda bilateral com os EUA. Mas o Brasil não abrirá mão da defesa da paz, posição que ficou clara com o recente telefonema de Lula ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Diante da ameaça de um ataque americano ao território venezuelano, Lula decidiu entrar em campo.
— Manter a América do Sul como uma zona de paz é ao mesmo tempo a prioridade e o maior desafio da política externa brasileira em 2026 — assegura Pedro Silva Barros, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que ressalta a importância de “evitar alinhamentos profundos e automáticos dos vizinhos a polos externos e dissuadir ingerências”. — O pior cenário seria alguns vizinhos submissos aos EUA e outros à China, tornando nosso entorno palco de conflitos extrarregionais. A prioridade do Brasil deve ser evitar esse quadro.
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O ano de 2026 não será o momento de abrir novas frentes na política externa, mas, sim, de consolidar o que foi feito pelo Brasil nos últimos três anos, como as cúpulas do G20, Brics e a COP30, avalia Haroldo Ramanzini Junior, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). Apostar em fortalecer iniciativas como a Aliança Global contra a Fome, o Fundo de Florestas Tropicais (o TFFF), as negociações para conseguir mais apoio para o mapa sobre eliminação dos combustíveis fósseis, entre outras cruzadas lançadas pelo Brasil, seria uma maneira de buscar agendas positivas num mundo cada vez mais hostil.
— A iniciativa sobre defesa da democracia e combate aos extremismos que o Brasil lançou junto à Espanha é outra frente positiva — afirma Ramanzini Junior.
Na relação com os EUA, diz o professor, “é preciso manter uma agenda de negociação”.
Porta-aviões USS Gerald R. Ford, os maiores do mundo, chegam ao Caribe, em meio à mobilização de tropas americanas na região
Reprodução / Comando Sul dos EUA
Todos os cenários, concordam os especialistas, poderiam ser alterados em caso de uma ação militar americana na Venezuela — ou em qualquer outro país da região. Se houver ataque, uma eventual mediação do Brasil entraria na agenda, e poderia se tornar o maior desafio da política externa em 2026.
A preocupação maior é a Venezuela, mas também países como Colômbia e México, onde há décadas o narcotráfico tem importantes bases operacionais. Em momentos em que não existe uma governança regional sólida, o assédio inédito dos EUA de Trump à América Latina pode trazer surpresas e obrigar o Brasil a ter uma atuação mais firme — arriscando consequências negativas na relação bilateral.
A China, importante aliada comercial da grande maioria dos países da região, divulgou recentemente seu documento de política externa sobre a América Latina e o Caribe. É o terceiro documento sobre o tema neste século — o anterior fora publicado há nove anos. Pequim rejeita a ideia de que a América Latina seja tratada como quintal dos EUA, e trata a região como parte do Sul Global, num esforço para se apresentar como parceiro de longo prazo, não interessado apenas nos recursos naturais.
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Num eventual cenário de conflito bélico, a China provavelmente se colocará do lado dos países que rejeitarão um hipotético ataque militar americano a um país latino-americano. A tensão poderia se elevar a níveis complicados, exigindo da política externa brasileira esforços redobrados, em meio a pressões e ameaças de grandes potências. Instabilidade e incerteza estão no horizonte.
Quando Seymour Hersh revelou o massacre cometido, em 1968, por soldados americanos em My Lai contra civis vietnamitas, inclusive bebês, o jornalista foi acusado de atentar contra o interesse nacional. Penou para publicar a reportagem. Os horrores lhe renderam muitas noites sem dormir e um Pulitzer. Em 2004, denunciou torturas e abusos sofridos por prisioneiros em Abu Ghraib após a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. As Forças Armadas chiaram novamente. De seus pares, recebeu o epíteto de “aquele que faz o poder tremer”. Teimosamente na ativa aos 88 anos, ele é a razão de ser de “Seymour Hersh: em busca da verdade”, documentário de Laura Poitras e Mark Obenhaus, pré-indicado ao Oscar e disponível a partir de sexta-feira na Netflix.
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Lá se vão duas décadas desde que Poitras, após devorar os textos de Hersh na New Yorker sobre a Guerra ao Terror do governo George W. Bush, quis cooptá-lo para o filme. Perfilá-lo, defendia, seria ideal para escancarar o ciclo de abuso de poder em Washington desde os anos 1960. À época, o jornalista justificou sua negativa com a necessidade de proteger suas fontes.
Há três anos, a morte de informantes, a insistência de Poitras e os filmes por ela dirigidos no período garantiram sua bênção ao projeto. “Em busca da verdade” foi finalizado com Donald Trump de volta à Casa Branca, quando a reflexão sobre o precário estado da democracia americana, a propagação de fake news e o cerco de Washington a uma imprensa em crise está na pauta do dia.
— Hoje são mais nítidas as consequências da impunidade dos crimes cometidos pelos governantes. Desgraçadamente, a escala do que eu queria mostrar aumentou. Por outro lado, o posicionamento do filme se fortaleceu — afirmou a diretora ao GLOBO, por videochamada.
Soldados americanos no Vietnã, no fim dos anos 1960
Divulgação/Netflix
Quando abordou Hersh em 2005, Poitras, então com 41 anos, acabara de dirigir seu primeiro longa, “My country, my country”, passado no Iraque ocupado. Uma década depois receberia o Oscar por “Cidadãoquatro”, a partir das revelações de Edward Snowden sobre programas secretos de vigilância da Agência de Segurança Nacional dos EUA. Depois mergulhou no WikiLeaks e em Julian Assange para seu “Risk”. E no ano passado recebeu o Leão de Ouro em Veneza por “Toda beleza e carnificina”, sobre o ativismo político da fotógrafa americana Nan Goldin.
Hersh viu os filmes. E tomou nota dos riscos envolvidos no trabalho de uma das fundadoras da plataforma Intercept, da qual depois se desligaria.
— A obra do Sy [como é conhecido pelos amigos] é tão impressionante que não cogito me colocar no patamar dele. Identifico, sim, paralelos, no interesse por narrativas não-oficiais, no questionamento dos limites do poder. E sei que o respeito mútuo pesou para ele finalmente me dizer “sim” — afirmou Poitras.
“Em busca da verdade” persegue a trajetória de Hersh com o objetivo de reforçar a importância, para a saúde das democracias, de se detectar e enfrentar o câncer da impunidade. Ao GLOBO, Poitras comparou como as instituições, nas duas maiores democracias das Américas, têm lidado com a doença. Classificou como “bom sinal” o julgamento e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, até o momento, “arca com as consequências de seus atos”:
— Isso jamais aconteceu nos EUA, e não só com Trump. [O vice-presidente] Dick Cheney normalizou a tortura e não morreu na prisão. [O presidente] Richard Nixon renunciou e foi perdoado. Por outro lado, o assassinato de mais de uma centena de pessoas na operação policial no Rio mês passado atesta que ações de acobertamento ainda alimentam o ciclo de impunidade aí.
Vice-presidente dos EUA, Dick Cheney
Saul LOEB / AFP
Nos EUA, não foram poucos os críticos que, ao elogiarem “Em busca da verdade”, questionaram se os feitos de Hersh seriam possíveis hoje, em um cenário de mídia fragmentado e com o ciclo ininterrupto de notícias. Poitras crê que documentaristas vêm suprindo lacunas deixadas pelo jornalismo profissional.
— Destaco o trabalho de Petra Costa, que, com “Democracia em vertigem” e “Apocalipse nos trópicos” [também pré-indicado ao Oscar] trata do tema com maestria, a partir da realidade brasileira. Ela é genial — disse ao GLOBO.
Um dos trunfos de “Em busca da verdade” é o uso cirúrgico das imagens de arquivo. Hersh ofereceu, pela primeira vez, e com enorme relutância, acesso ilimitado a seu robusto e caótico baú, das notas do fim dos anos 1960 às conversas com fontes de Gaza nos últimos dois anos. Imagens, rascunhos, documentos e áudios do Vietnã, da queda de Nixon, do golpe no Chile, e de investigações pela CIA ilustram a enormidade do trabalho.
Prisioneiro em Abu Ghraib preso por aramado em cima de uma caixa
Governo dos EUA
Hersh conta no filme como ter deixado seu número de telefone em entrevista a uma rádio o levou à fonte que lhe forneceu as imagens de Abu Ghraib. A maneira como a mulher encontrou as fotos é outra pequena joia do documentário. O filme também apresenta novas informações sobre a saída do repórter do New York Times, em 1979, quando investigava o crescente poder das corporações e teria esbarrado em interesses não só dos donos do jornal, mas do comando do jornalismo. Após passar pela New Yorker e colaborar com a London Review of Books, ele hoje publica no Substack, na página “É pior do que você pensa”, com mais de 200 mil assinantes.
Então ditador da Síria, Bashar al-Assad, ao lado da primeira-dama, Asma al-Assad, vota em referendo constitucional em 2012
SANA/AFP
Um dos momentos mais saborosos do documentário se dá na reprodução da conversa de Nixon com seu secretário de Estado, Henry Kissinger, quando classificam Hersh de “aquele filho da puta, que sempre está certo”. Mas o filme prova que não era sempre o caso. O repórter também errou. Em um dos equívocos mais célebres, Hersh reconhece ter questionado a denúncia de opositores do regime de Bashar al-Assad de que ele ordenara, como depois comprovado, uso de gás tóxico contra a população. Sua fonte, com quem falava amiúde, era o próprio ditador.
— No início, Sy ficou reticente em tratar do tema. Mas depois entendeu que só buscávamos algo especialmente caro a ele, a precisão — disse o codiretor Mark Obenhaus.
Em 27 de outubro, Javier Milei subiu ao palco. Um silêncio se fez, e ele cantou um verso de uma canção de festa à capela. Houve um discurso motivacional, e então ele começou seu pronunciamento. “Se vocês pudessem ver como a Argentina é linda. E como o roxo fica lindo nela”, disse ele. Essas foram as primeiras palavras do presidente logo após a confirmação de sua vitória nas eleições de meio de mandato, nas quais metade dos deputados e um terço dos senadores são eleitos. Ele pintou o país de roxo, a cor do partido que fundou, A Liberdade Avança (LLA). Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, anunciou neste domingo (21), horário local, que ordenou uma revisão abrangente das forças policiais e dos serviços de inteligência após o massacre ocorrido na praia de Bondi.
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Em comunicado, o governo afirmou que irá analisar se o país dispõe dos poderes, instrumentos e estruturas adequados “para manter os australianos em segurança após o horrível ataque terrorista e antissemita na praia de Bondi”.
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A investigação deve verificar eventuais falhas na prevenção e na resposta ao ataque, além de propor aprimoramentos nos mecanismos de segurança nacional.

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