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Pouco antes das 19h, a sala principal do Salão de Concertos do Palácio dos Órgãos de Lviv já estava cheia. Todos ali esperavam pela chegada da Orquestra e Coro Homin, grupo bastante conhecido na maior cidade do oeste da Ucrânia. Ao entrarem no salão, os cantores subiram ao palco, todos de branco com exceção do maestro. Nada no local lembra que o país está em guerra e neste mesmo dia sofreu um pesado ataque com mais de 650 drones e dezenas de mísseis disparados pela Rússia. A apresentação, ontem, marcou uma das primeiras celebrações oficiais do Natal deste ano segundo o calendário reformado em 2023, após a invasão do país no ano anterior. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O governo do Equador restringiu, a partir desta quarta-feira (24), a circulação em suas fronteiras com a Colômbia e o Peru, mantendo abertos apenas dois postos internacionais por “razões de segurança nacional”, segundo comunicado oficial divulgado nas redes sociais.
De acordo com a nota, permanecerão em funcionamento apenas os postos de Rumichaca, na fronteira com a Colômbia, e de Huaquillas, na divisa com o Peru — considerados as principais portas comerciais do país com seus vizinhos. As demais passagens legais foram temporariamente fechadas, sem prazo informado para reabertura.
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Situado entre os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador compartilha cerca de 600 quilômetros de fronteira com a Colômbia, ao norte, e aproximadamente 1.500 quilômetros com o Peru, ao sul, regiões marcadas por extensas áreas de selva, rios e difícil fiscalização.
As fronteiras equatorianas são consideradas altamente permeáveis e contam com inúmeros acessos ilegais, frequentemente utilizados para o contrabando de drogas, armas e explosivos, segundo autoridades locais.
O governo informou ainda que a decisão foi comunicada previamente às autoridades da Colômbia e do Peru, e que os dois postos autorizados serão, por ora, os únicos canais oficiais de trânsito entre os países.
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O Equador enfrenta uma ofensiva contra grupos criminosos ligados ao narcotráfico e a cartéis internacionais. A disputa violenta entre essas facções transformou o país em um dos mais violentos da América Latina.
Segundo dados do Observatório Equatoriano de Crime Organizado, o país deve encerrar o ano com a maior taxa de homicídios da região, estimada em 52 mortes por 100 mil habitantes.
O conservador Nasry Asfura foi proclamado nesta quarta-feira presidente eleito de Honduras, encerrando formalmente — mas não politicamente — um processo eleitoral marcado por semanas de atrasos, problemas técnicos, disputas internas no órgão eleitoral e denúncias de fraude. A eleição presidencial ocorreu em 30 de novembro, mas só teve um vencedor declarado após um escrutínio prolongado e caótico que mergulhou o país centro-americano em um clima de incerteza institucional.
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De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 99,9% das cédulas apuradas, Asfura, candidato do Partido Nacional e apoiado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, obteve cerca de 40,2% dos votos. O liberal Salvador Nasralla ficou em segundo lugar, com aproximadamente 39,5%, enquanto a candidata do partido governista LIBRE, Rixi Moncada, terminou em um distante terceiro lugar.
A diferença mínima entre os dois primeiros colocados, somada às falhas do sistema de apuração, levou à necessidade de uma recontagem manual de cerca de 15% das atas eleitorais — quase 3 mil documentos — em um processo conhecido como “escrutínio especial”. Esse recálculo, voto a voto, deveria ter começado em 13 de dezembro, mas sofreu sucessivos atrasos, interrupções e entraves logísticos atribuídos à dificuldade dos partidos em registrar seus representantes e a recorrentes “problemas técnicos”.
A proclamação do vencedor ocorreu sem consenso entre os três integrantes do CNE, órgão composto por representantes das principais forças políticas do país. A decisão foi tomada com o aval de duas conselheiras — a liberal Ana Paola Hall, presidente do conselho, e a conservadora Cossette López — e de um suplente. O terceiro conselheiro, Marlon Ochoa, ligado ao partido governista LIBRE, rejeitou a decisão e não participou do anúncio oficial.
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Em reação à proclamação, Ochoa afirmou que se dirigia ao Ministério Público para denunciar o que classificou como um “golpe de Estado eleitoral”. Segundo ele, a decisão de declarar um vencedor violaria a legalidade do processo. Já López declarou que o CNE estava sob ataque por cumprir sua função constitucional e alertou para tentativas de forçar “outros cenários” fora da autoridade do órgão eleitoral.
A tensão política foi amplificada por protestos de centenas de apoiadores do LIBRE, que acusam o CNE de ignorar irregularidades e denunciam fraude em larga escala. O presidente do Congresso hondurenho, Luis Redondo, também do LIBRE, rejeitou formalmente a proclamação de Asfura, afirmando nas redes sociais que a decisão “não tem valor” e está “completamente fora da lei”.
Nasralla, que liderou por momentos a contagem preliminar, declarou que a proclamação representa “uma grave traição à vontade popular”. Antes mesmo do anúncio oficial, ele divulgou imagens de apoiadores celebrando uma suposta vitória e acusou o CNE de se recusar a revisar quase 10 mil urnas que, segundo ele, concentram mais de 2 milhões de votos. Para o liberal, a ausência de uma revisão ampla configura uma violação da lei e um atentado à democracia hondurenha.
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O processo eleitoral também foi marcado por forte ingerência externa. Donald Trump declarou apoio explícito a Asfura ainda antes da votação, chamando-o de “o único amigo verdadeiro da liberdade em Honduras” e pedindo votos para o candidato conservador. Durante a apuração, Trump voltou a se manifestar, alegando fraude sem apresentar provas e advertindo que haveria um “inferno” caso os resultados preliminares fossem alterados.
Além disso, o presidente americano ameaçou cortar o apoio financeiro dos Estados Unidos a Honduras se Asfura não vencesse a eleição e concedeu perdão ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, também do Partido Nacional, que cumpria uma pena de 45 anos nos EUA por tráfico de drogas e armas.
Na reta final do impasse, os Estados Unidos elevaram o tom da pressão diplomática. Através do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, Washington advertiu que haveria “consequências” caso as autoridades eleitorais não concluíssem o processo e declarassem um vencedor. O comunicado afirmou ser “profundamente preocupante” a atuação de partidos e candidatos que estariam obstruindo o trabalho do CNE e destacou que o povo hondurenho “esperou tempo demais” por um desfecho transparente e crível.
Após a confirmação do resultado, Asfura afirmou estar pronto para governar. Em publicação na rede X, agradeceu ao CNE e declarou: “Honduras, estou preparado para governar. Não vou decepcionar vocês”. A mensagem, no entanto, não dissipou as acusações de ilegitimidade nem encerrou o debate político em torno de uma das eleições mais conturbadas da história recente do país.
Sete meses após o início de seu pontificado, o Papa Leão XIV celebrou na noite desta quarta-feira a Missa da Noite de Natal na Basílica de São Pedro, no Vaticano, dando início, pela primeira vez como Pontífice, aos ritos do Natal. A celebração, presidida às 22h (horário local), ocorreu após uma aparição inesperada do Papa na Praça São Pedro, onde ele saiu para cumprimentar os fiéis que acompanhavam a cerimônia por telões, sob chuva e baixas temperaturas.
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Antes de entrar na basílica, Leão XIV agradeceu aos presentes por permanecerem no local apesar do mau tempo, afirmando: “Obrigado por terem vindo mesmo com a chuva. Feliz Natal a todos”. Em seguida, declarou que o Natal é uma celebração de paz e de amor, desejando proteção e bênçãos às famílias reunidas. Centenas de fiéis acompanharam a celebração do lado de fora, diante de telões instalados na praça.
A missa marcou oficialmente o primeiro “Natal da paz” de Leão XIV, expressão adotada pelo próprio Pontífice em mensagem divulgada pela Prefeitura da Casa Pontifícia por ocasião das festas natalinas e do Jubileu da Esperança. No texto, o Papa cita uma frase de São Leão Magno — primeiro Pontífice a levar o nome Leão — segundo a qual “o Natal do Senhor é o Natal da Paz”. A imagem que acompanha a mensagem é um mosaico do artista italiano Alberto Salietti, criado em 1955 para o apartamento pontifício.
A celebração na Basílica de São Pedro contou com a participação de cerca de 250 cardeais, bispos e sacerdotes, que celebraram a liturgia solene no altar central da Confissão. Durante a procissão inicial, dez crianças com flores acompanharam o Papa até o presépio da basílica. Elas vieram da Coreia do Sul, Índia, Moçambique, Paraguai, Polônia e Ucrânia, em um gesto simbólico de universalidade da Igreja.
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O apelo pela paz tem sido uma das marcas centrais do pontificado de Leão XIV desde sua eleição. Na véspera do Natal, ao responder a perguntas de jornalistas em frente à Villa Barberini, em Castel Gandolfo, o Papa pediu “ao menos um dia de paz” na data em que cristãos celebram o nascimento de Jesus. Ele voltou a mencionar a necessidade de uma paz “desarmada e desarmante”, expressão que já havia usado em sua primeira aparição pública após ser eleito sucessor de Pedro.
As celebrações seguem nos próximos dias. Nesta quinta-feira, festa de Santo Estêvão, o Papa rezará o Angelus na Praça São Pedro, o que se repetirá no domingo, dia 28. No encerramento do ano, em 31 de dezembro, Leão XIV presidirá a audiência geral e, à tarde, as Primeiras Vésperas e o Te Deum em ação de graças pelo ano de 2025.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta semana a descoberta de mais de um milhão de documentos adicionais potencialmente relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, ampliando de forma significativa o volume de material que deve vir a público no âmbito da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. Segundo a pasta, o novo conjunto de arquivos foi localizado pelo gabinete do procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York e pelo FBI e já foi encaminhado para revisão jurídica, processo que pode levar “mais algumas semanas” devido à dimensão do acervo.
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Em comunicado divulgado na rede social X, o Departamento de Justiça afirmou que advogados trabalham “24 horas por dia” para analisar os documentos e realizar as supressões legalmente exigidas, com o objetivo de proteger as identidades das vítimas e cumprir determinações judiciais. A pasta reiterou que continuará “cumprindo integralmente a lei federal e a orientação do presidente Trump” para a liberação dos arquivos.
A descoberta ocorre após uma série de divulgações intermitentes iniciadas na semana passada, quando o Departamento de Justiça começou a tornar públicos milhares de documentos ligados às investigações sobre Epstein, em cumprimento à nova legislação aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Donald Trump. A lei determina a divulgação integral do material mantido pelo governo federal sobre o caso, permitindo edições apenas em situações específicas, como a proteção de vítimas ou a preservação de investigações criminais em andamento.
Os arquivos já liberados somam dezenas de milhares de páginas e incluem relatórios, depoimentos, registros de viagens e outros documentos produzidos ao longo de anos de apurações. Muitos deles, no entanto, vieram a público com extensas tarjas, ocultando nomes e informações sensíveis. Entre os trechos suprimidos estão referências a pessoas que o FBI aparentemente descreve como possíveis co-conspiradores de Epstein.
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O volume de edições gerou críticas de parlamentares de ambos os partidos, que questionam se o Departamento de Justiça estaria indo além do que a lei permite ao ocultar informações. Autoridades do órgão sustentam que as supressões são necessárias para evitar a exposição de vítimas e reduzir riscos legais adicionais.
Mesmo antes do anúncio sobre o novo milhão de documentos, a pasta já enfrentava dificuldades para cumprir os prazos estabelecidos pela legislação. Reportagens da imprensa americana indicaram que a cúpula do Departamento de Justiça chegou a pedir voluntários em um gabinete de promotores no sul da Flórida para ajudar no trabalho de revisão e edição dos arquivos.
Referências a Trump
As divulgações mais recentes também reacenderam controvérsias políticas. Entre os documentos liberados nesta semana há referências ao presidente Donald Trump, incluindo registros de que promotores federais reuniram, em 2020, evidências de que ele teria voado diversas vezes no avião particular de Epstein nos anos 1990, além de uma intimação ao clube Mar-a-Lago antes do julgamento de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein, em 2021. Trump nunca foi acusado por autoridades de envolvimento nos crimes do financista e nega qualquer irregularidade.
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Outros arquivos trouxeram imagens inéditas do ex-presidente Bill Clinton com Epstein, incluindo fotos em uma piscina ao lado de Maxwell e em uma banheira de hidromassagem com uma mulher cujo rosto foi ocultado. Clinton também nunca foi acusado de participação nos crimes e, por meio de seu porta-voz, afirmou ter rompido relações com Epstein antes de as acusações se tornarem públicas.
A forma fragmentada das divulgações tem provocado desconforto dentro da própria Casa Branca, segundo a imprensa americana, ao prolongar um tema sensível e manter o caso em destaque no noticiário. Parlamentares e sobreviventes dos abusos cometidos por Epstein também criticam tanto o excesso de edições quanto episódios de divulgação insuficientemente cuidadosa, que teriam exposto dados de vítimas.
Após o anúncio da descoberta dos novos documentos, o deputado democrata Ro Khanna, um dos autores do projeto de lei que obrigou a abertura dos arquivos, afirmou que continuará pressionando o Departamento de Justiça para garantir o cumprimento integral da legislação. O gabinete do procurador do Distrito Sul de Nova York, de onde partiu parte do material recém-localizado, foi o responsável pela acusação formal contra Epstein em 2019 e pela posterior condenação de Ghislaine Maxwell por tráfico sexual, em 2021.
Sem detalhar o conteúdo dos novos arquivos ou como eles foram encontrados, o Departamento de Justiça afirmou apenas que todo o material sob sua guarda será divulgado, conforme exige a lei, após a conclusão da revisão jurídica.
O Palácio de Kensington atiçou a curiosidade do público ao divulgar, na manhã da véspera de Natal, um vídeo misterioso que mostrava apenas mãos repousando sobre as teclas de um piano, em um ambiente decorado para as festas. A gravação, publicada na conta conjunta do príncipe e da princesa de Gales na rede X, vinha acompanhada da legenda: “Um dueto especial…”. Pouco antes, o casal real já havia compartilhado uma imagem enigmática de um piano decorado com velas e uma árvore de Natal, descrita pelo palácio como uma pequena “provocação” para algo “empolgante”.
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A surpresa fez parte do concerto natalino anual de Kate, “Royal Carols: Together at Christmas”, exibido pela rede britÂnica ITV às 19h25 (15h25 no horário de Brasília) da véspera de Natal. O programa começou justamente com o momento aguardado: a princesa de Gales ao piano ao lado da filha, a princesa Charlotte, de 10 anos.
Mãe e filha interpretaram juntas Holm Sound, do compositor escocês Erland Cooper, cuja obra é inspirada pela natureza e pela conexão entre as pessoas — temas caros a Kate e que, segundo o palácio, são músicas que ambas gostam de tocar em casa.
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O dueto foi gravado na semana anterior no Salão Interno do Castelo de Windsor e contou com a presença do próprio compositor, que orientou as gravações. O trecho foi descrito como um “momento muito especial” e abriu oficialmente o concerto exibido pela ITV1.
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A apresentação foi acompanhada por uma narração da princesa de Gales, que leu a carta enviada aos convidados do culto natalino realizado na Abadia de Westminster e a representantes de 15 iniciativas comunitárias pelo Reino Unido.
Na mensagem, Kate destacou o espírito do período natalino. “Em um momento em que a vida pode às vezes parecer fragmentada ou incerta, a temporada de Natal nos convida a lembrar do poder de estender a mão uns aos outros com generosidade de coração, compreensão e esperança”, disse.
Em outro trecho, afirmou: “Este serviço de canções oferece um momento de união coletiva, uma oportunidade de celebrar o espírito de comunidade e serviço e de honrar os laços visíveis e invisíveis que nos unem”.
Esta foi a segunda vez que Kate tocou piano em seu concerto anual. Em 2021, ela emocionou o público ao acompanhar o cantor Tom Walker na canção For Those Who Can’t Be Here, durante um serviço à luz de velas na Abadia de Westminster, apesar de ter se sentido “bastante nervosa”, conforme relatos da época. A apresentação rendeu elogios e comparações com a princesa Diana, que surpreendeu espectadores com uma performance ao piano em 1988, na Austrália.
O concerto deste ano contou ainda com a narração da atriz Vicky McClure e a exibição de dois filmes comunitários: um sobre um artista de Fleetwood, em Lancashire, que organiza um jantar de Natal para pessoas que passam a data sozinhas, e outro com estudantes da Platinum Performing Arts, de Londres, que também se apresentaram no serviço. Os vídeos mostraram os homenageados recebendo cartas da própria princesa, convidando-os para o evento.
Já consolidado no calendário da família real, o serviço de canções natalinas teve como tema, em 2024, “celebrar o amor em todas as suas formas” e incluiu leituras do príncipe de Gales, de Kate Winslet e de Chiwetel Ejiofor, reforçando a proposta de união e solidariedade que marcou o “dueto especial” revelado pelo Palácio de Kensington.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, detalhou nesta semana um novo plano de paz para o fim da guerra com a Rússia que inclui a criação de zonas desmilitarizadas no leste do país, a possibilidade de estabelecer uma zona econômica livre no Donbass e garantias de segurança internacionais para evitar uma nova invasão russa. A proposta faz parte de um documento de 20 pontos negociado por enviados ucranianos e americanos durante reuniões realizadas no fim de semana na Flórida e é tratada por Kiev como a principal base, até agora, para um eventual encerramento do conflito.
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Segundo Zelensky, a Rússia deve apresentar uma resposta após conversas diretas com representantes dos Estados Unidos. O presidente ucraniano afirmou que o plano propõe garantias de segurança fornecidas por Washington, pela Otan e por países europeus, prevendo uma resposta militar coordenada caso Moscou volte a atacar o território ucraniano. O texto também reafirma a soberania da Ucrânia e propõe um pacto de não agressão entre os dois países, acompanhado por um mecanismo internacional de monitoramento.
No centro das discussões está o futuro do Donbass, região estratégica no leste da Ucrânia, palco de combates desde 2014 e parcialmente ocupada pela Rússia. Zelensky afirmou que uma “zona econômica livre” é uma das alternativas em análise. De acordo com ele, negociadores americanos trabalham com duas opções principais: a criação de uma zona desmilitarizada ou de uma zona econômica especial. Qualquer retirada de tropas ucranianas, frisou, teria de ocorrer sob condições claras, com manutenção do controle administrativo e policial por parte de Kiev.
— Há duas opções: ou a guerra continua, ou algo terá de ser decidido em relação a todas as possíveis zonas econômicas — disse o presidente, ressaltando que a Ucrânia é contrária a uma retirada simples de suas forças e que qualquer área desocupada por tropas ucranianas continuaria sendo policiada pelo próprio país, e não por forças russas.
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O plano de 20 pontos é visto como uma atualização de um documento anterior, com 28 pontos, negociado semanas atrás pelo enviado americano Steve Witkoff com representantes russos. Esse texto inicial foi amplamente interpretado como favorável às exigências do Kremlin, incluindo demandas territoriais. A nova versão, segundo Zelensky, reforça as garantias de segurança à Ucrânia e estabelece parâmetros mais claros para a questão militar.
A Rússia insiste que a Ucrânia retire suas tropas de quase um quarto do território da região de Donetsk que ainda está sob controle de Kiev, como condição para um acordo de paz. O restante da área já se encontra sob ocupação russa. Zelensky reconheceu que temas sensíveis, como fronteiras e status territorial, teriam de ser resolvidos “em nível de líderes”, mas afirmou que o novo rascunho assegura à Ucrânia a manutenção de uma força militar de até 800 mil soldados em tempos de paz.
Limitações políticas
Parte significativa do plano reflete discussões recentes realizadas em Berlim, que envolveram Witkoff e Jared Kushner, além de líderes ucranianos e europeus. As negociações continuaram em Miami, onde a equipe do presidente Donald Trump se reuniu separadamente com o enviado russo Kirill Dmitriev e, em seguida, com representantes da Ucrânia e da Europa.
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De acordo com Zelensky, houve avanços sobretudo na definição de propostas territoriais, embora não tenha sido possível alcançar um consenso pleno entre ucranianos e americanos. O presidente explicou que, caso a Ucrânia aceite recuar suas forças pesadas em cinco, 10 ou até 40 quilômetros em áreas de Donetsk que ainda controla — cerca de 25% da região — para viabilizar uma zona econômica praticamente desmilitarizada, a Rússia teria de realizar um recuo equivalente.
Atualmente, forças russas estão posicionadas a cerca de 40 quilômetros a leste das cidades de Sloviansk e Kramatorsk, consideradas parte do chamado “cinturão de fortalezas” ucraniano, após a captura da cidade de Siversk. Apesar disso, Zelensky reconheceu que o presidente russo, Vladimir Putin, dificilmente aceitará concessões desse tipo. Neste mês, Putin afirmou que a Rússia tomará todo o leste da Ucrânia pela força caso as tropas ucranianas não se retirem.
Ainda assim, o presidente ucraniano argumenta que Moscou enfrenta limitações políticas e diplomáticas para rejeitar abertamente o plano patrocinado pelos Estados Unidos.
— Eles não podem dizer ao presidente Trump que são contra uma solução pacífica — afirmou, indicando que uma eventual obstrução russa poderia levar Washington a ampliar significativamente o apoio militar à Ucrânia e a impor novas sanções.
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Forças internacionais
O plano também prevê a presença de forças internacionais ao longo da atual linha de frente, que passaria a delimitar a zona econômica ou desmilitarizada, com o objetivo de impedir infiltrações russas. Moscou, no entanto, já rejeitou uma proposta europeia para que um eventual acordo de paz fosse fiscalizado por uma chamada “Coalizão dos Dispostos”, classificando a iniciativa como uma ameaça.
Outro ponto sensível diz respeito à usina nuclear de Zaporizhzhia, ocupada por tropas russas desde 2022. Zelensky afirmou que o plano prevê a criação de uma zona econômica especial ao redor da central e a retirada das forças russas do local. A proposta americana sugere uma operação conjunta da usina por Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, mas Kiev se opõe a esse modelo.
Além disso, Zelensky disse que a Rússia teria de retirar suas tropas de outras quatro regiões ucranianas: Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Sumy e Kharkiv. O texto também propõe que qualquer acordo final seja submetido a um referendo nacional, incluindo a decisão sobre a criação de uma zona econômica livre no Donbass.
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Adesão à UE
No campo político e institucional, o plano reafirma o direito da Ucrânia de buscar integração europeia e prevê a adesão do país à União Europeia (UE), com uma data definida de ingresso. Embora Kiev já seja candidata ao bloco, outros países, como a Albânia, são considerados prioritários no processo de ampliação. Não há, na nova versão do documento, nenhuma cláusula que proíba a Ucrânia de aderir à Otan, uma exigência recorrente da Rússia que constava do plano original de 28 pontos.
O texto também prevê a criação de um fundo de investimentos para a Ucrânia, estimado em cerca de US$ 200 bilhões, com participação dos Estados Unidos e de países europeus. Ainda estão em discussão propostas americanas para receber compensações financeiras em troca das garantias de segurança oferecidas a Kiev, tema que, segundo Zelensky, ainda não foi incluído formalmente no documento.
Entre os pontos finais, o plano estabelece que a Ucrânia deverá realizar eleições o mais rápido possível após a assinatura de um acordo de paz. Tanto a Rússia quanto os Estados Unidos defendem a realização de um pleito, apesar de o país estar sob lei marcial desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
O Parlamento de Israel (Knesset) aprovou nesta quarta-feira, em votação preliminar, um projeto de lei apoiado pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que cria uma comissão de inquérito de caráter político para investigar o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, o mais letal da história do país. A proposta avançou em meio a protestos dentro do plenário, manifestações nas ruas e duras críticas de familiares das vítimas, que acusam o governo de tentar controlar as conclusões da investigação.
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O texto foi aprovado por 53 votos a 48. Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, não participaram da sessão, por estarem presentes na cerimônia de formatura de um curso de pilotos da Força Aérea. A iniciativa prevê a criação de uma comissão cujos integrantes seriam escolhidos por meio de um processo político, e não por uma comissão estatal independente, como defendem a oposição e familiares das vítimas.
Durante o debate no Parlamento, pais de pessoas mortas no ataque acompanharam a sessão da galeria destinada ao público e interromperam os discursos com gritos de “vergonha” e “quem está sob investigação não pode nomear os investigadores”. Parlamentares da oposição compareceram vestidos de preto, em sinal de protesto, e alguns foram retirados do plenário após erguerem cartazes ou gritarem palavras de ordem. Deputados do partido Yesh Atid e o líder do Ra’am, Mansour Abbas, rasgaram cópias do projeto durante a votação.
— Para garantir que um desastre como esse nunca volte a acontecer, todos os sistemas precisam ser investigados — disse o autor da proposta, o deputado Ariel Kallner, do Likud, acrescentando que o objetivo é examinar todas as falhas do Estado.
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Antes da votação, o vice-ministro Almog Cohen falou em nome do governo e fez ataques ao sistema judicial, ao presidente da Suprema Corte, Isaac Amit, e a ex-dirigentes das forças de segurança, incluindo o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), Herzl Halevi, o ex-chefe da Inteligência Militar, Aharon Haliva, e o ex-diretor do Shin Bet, Ronen Bar.
A sessão também foi marcada por ausências relevantes. Além de Netanyahu e Katz, não compareceram outros integrantes da coalizão, como Zeev Elkin, Yuli Edelstein, Sharren Haskel e Avi Maoz. Lideranças de partidos ultraortodoxos, como Arye Dery, do Shas, e Yitzchak Goldknopf, do Judaísmo Unido da Torá, também ficaram fora da votação. Na oposição, alguns parlamentares igualmente não participaram.
‘Marca da vergonha’
Antes do início dos trabalhos no plenário, pais de jovens mortos no ataque de 7 de outubro e na guerra em Gaza pediram aos deputados que rejeitassem o projeto. Ao longo do dia, familiares de reféns mantidos em Gaza e manifestantes realizaram atos em frente às casas de ministros, em Jerusalém, Tel Aviv e outras cidades, exigindo a criação de uma comissão estatal de inquérito, como previsto na legislação israelense para casos de grande impacto nacional.
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Em uma coletiva organizada pelo chamado Conselho de Outubro, grupo que reúne familiares das vítimas, Ruby Chen, pai do soldado Itay Chen — morto no dia do ataque e cujo corpo foi levado para Gaza —, fez um discurso duro contra a proposta.
— Qualquer parlamentar que levantar a mão a favor de uma comissão criada para acobertar e esconder carregará uma marca de vergonha por toda a vida — afirmou. — Eles querem decidir quem investiga, o que será investigado e quais serão as conclusões. Querem que nunca saibamos a verdade.
Outro pai, Rafi Ben Shitrit, cujo filho Shimon Alroy Ben Shitrit também morreu em 7 de outubro, dirigiu-se diretamente aos eleitores da direita israelense. Morador de Beit She’an, cidade tradicionalmente alinhada ao Likud, ele afirmou que apoiar uma comissão política em vez de uma investigação estatal significaria repetir erros que podem ter consequências futuras.
— Se continuarem apoiando uma comissão de acobertamento, vocês serão os próximos a estar ao redor desta mesa — disse.
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Entenda a proposta
Pelo texto aprovado, a coalizão governista teria ampla margem para influenciar a composição da comissão. A proposta concede ao presidente do Knesset o poder de escolher os integrantes do órgão em “consulta” com representantes da coalizão e da oposição, sujeitando a lista final à aprovação de ao menos 80 deputados. Caso esse número não seja alcançado, o presidente da Comissão da Casa da Knesset indicaria três membros, enquanto o líder da oposição nomearia outros três. Se uma das partes se recusasse a fazer as indicações, caberia ao presidente do Parlamento preencher as vagas.
Enquanto a votação ocorria, protestos se espalharam pelo país. Em Jerusalém, manifestantes se concentraram diante da residência privada de Netanyahu; em Tel Aviv, atos foram registrados em frente à casa do presidente do Knesset, Amir Ohana, e de outros ministros. Houve confrontos pontuais entre policiais e manifestantes durante tentativas de dispersão. Um ativista conhecido foi detido em Tel Aviv após protestar perto da residência de Ohana.
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Familiares das vítimas também participaram de atos menores em outras cidades. Em Nes Tziona, ao sul de Tel Aviv, Dana Prinz, mãe de Hadar, assassinada no festival de música Nova, segurava a foto da filha diante da casa do chanceler Gideon Sa’ar. Cartazes exibidos por manifestantes questionavam decisões tomadas antes do ataque, como a autorização de eventos perto da fronteira com Gaza e alertas ignorados por unidades de vigilância do Exército.
O avanço do projeto ocorre dias depois de um comitê de ministros ter aprovado sua tramitação. Segundo fontes ouvidas pela imprensa israelense, Netanyahu afirmou que a comissão controlada pelo governo também investigaria temas como os Acordos de Oslo, assinados nos anos 1990, e os protestos de reservistas contra a reforma judicial proposta pelo governo em 2023 — um escopo que críticos veem como indício de politização da apuração.
A proposta ainda precisa passar por novas votações e debates no Knesset antes de se tornar lei, mas a etapa inicial já aprofundou a divisão política e a tensão entre o governo, a oposição e as famílias afetadas diretamente pelo ataque de 7 de outubro.
Ao som de tambores e passos marcados, jovens palestinos desfilaram nesta quarta-feira pelas ruas de Belém, dando início às celebrações do primeiro Natal com caráter festivo na cidade após dois anos profundamente marcados pela guerra na Faixa de Gaza. O cenário contrasta com os Natais recentes, vividos sob luto, restrições e silêncio em um dos lugares mais simbólicos do cristianismo.
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Relatório internacional: Disseminação da fome em Gaza foi contida, mas risco ainda existe em todo o enclave
Desde o ataque terrorista do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, e a ofensiva israelense que se seguiu, Belém — localizada na Cisjordânia ocupada — optou por reduzir drasticamente as comemorações natalinas, em solidariedade a Gaza e diante do impacto regional do conflito. Agora, com um cessar-fogo em vigor desde outubro, as celebrações voltaram a ocupar as ruas, ainda que sob a sombra de uma trégua considerada frágil.
Cristãos de todas as idades se reuniram na Praça da Manjedoura, em frente à Igreja da Natividade, enquanto moradores acompanhavam o desfile das varandas do edifício municipal. Centenas de pessoas seguiram o tradicional cortejo do grupo escoteiro salesiano pela estreita Rua da Estrela. Ao lado da basílica do século IV — construída sobre a gruta onde, segundo a tradição cristã, Jesus teria nascido há mais de dois mil anos —, uma grande árvore de Natal iluminava a praça.
— Você sente que o Natal chegou de verdade — disse Milagros Anstas, de 17 anos, vestindo o uniforme azul e amarelo. — É um dia repleto de alegria, porque antes não conseguíamos celebrar por causa da guerra.
O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, esteve em Belém para conduzir a tradicional Missa do Galo na Basílica da Natividade. Dias antes, o religioso visitou Gaza e celebrou uma missa de Natal na paróquia da Sagrada Família, na Cidade de Gaza — um gesto simbólico em uma comunidade cristã drasticamente reduzida e duramente atingida pela guerra.
Frágil cessar-fogo
A retomada das celebrações em Belém ocorre enquanto a realidade em Gaza permanece marcada pela devastação. Embora o cessar-fogo tenha interrompido os combates em larga escala, centenas de milhares de pessoas continuam deslocadas, muitas vivendo em tendas improvisadas durante o inverno do hemisfério norte. Ataques não cessaram por completo, e Israel e Hamas seguem trocando acusações de violações da trégua, cuja segunda fase ainda não foi implementada.
Na terça-feira, o Papa Leão XIV pediu uma trégua global de um dia por ocasião do Natal. A partir da residência de Castel Gandolfo, perto de Roma, o Pontífice renovou seu apelo a “todas as pessoas de boa vontade” para que “respeitem um dia de paz, pelo menos na festividade do nascimento do nosso Salvador”.
Em Gaza, cristãos celebraram o Natal de forma discreta, em meio a perdas humanas, destruição e deslocamento. Ataques durante o conflito atingiram complexos religiosos que abrigavam civis, incluindo igrejas católicas e ortodoxas, matando fiéis e ferindo religiosos. Líderes comunitários relatam que, mesmo com a trégua, o sentimento predominante é de luto e incerteza, e muitos optaram por limitar as comemorações a orações e rituais religiosos.
— Não há festa — disse à Associated Press Shadi Abo Dowd, cristão ortodoxo que celebra o Natal em 7 de janeiro. — As coisas estão difíceis. A ferida ainda está aberta. O sofrimento e a dor ainda estão aqui. Ainda estamos vivendo em um estado de nem paz nem guerra.
A guerra começou quando o Hamas invadiu Israel em 2023, matando cerca de 1,2 mil pessoas e fazendo 250 reféns. A ofensiva israelense que se seguiu matou quase 71 mil palestinos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território, que não faz distinção entre civis e combatentes, mas afirma que cerca da metade das vítimas eram mulheres e crianças. O ministério, que opera sob o governo controlado pelo Hamas, é composto por profissionais de saúde e mantém registros detalhados considerados, em geral, confiáveis pela comunidade internacional.
A ofensiva israelense em Gaza também provocou destruição em larga escala e deslocou a grande maioria dos cerca de 2 milhões de habitantes do território. Um exemplo das inúmeras dificuldades e necessidades do enclave e de sua população foram as chuvas torrenciais recentes, que alagaram campos de deslocados e derrubaram prédios já danificados.
— Eu sempre digo aos meus filhos: ‘Deus só dá as batalhas mais difíceis aos seus soldados mais fortes’ — disse Abo Dowd, que comemorará o primeiro Natal desde a morte da mãe, atingida em julho por um ataque israelense no complexo da Igreja da Sagrada Família. — Estamos nos agarrando à nossa fé cristã e ao nosso país, e amamos o nosso país.
Após o ataque de julho, Israel divulgou comunicados expressando pesar e afirmou que o episódio foi um acidente. Segundo Abo Dowd, seu filho ficou ferido na ofensiva, que também atingiu o pároco da igreja. Ele e outras pessoas sabem de muitos cristãos que fugiram de Gaza durante a guerra, além de outros que esperam sair se tiverem oportunidade. Ele teme o impacto sobre a presença cristã e sobre o tecido social de Gaza.
— É uma tragédia — afirmou, acrescentando que seus filhos gostariam de estudar no exterior. — Eles são jovens. O que vão ficar fazendo aqui? Não há futuro.
Sinal de esperança
Em Belém, por outro lado, onde a economia depende quase inteiramente do turismo religioso, a volta das celebrações é vista também como um sinal de esperança para a cidade. Nos últimos meses, peregrinos cristãos começaram lentamente a retornar, após um período de forte retração provocado pela guerra e pela instabilidade regional.
— É um lugar muito especial — disse George Hanna, morador de Beit Jala, cidade vizinha a Belém. — Precisamos transmitir essa mensagem ao mundo inteiro. E, afinal, o que é o Natal sem a celebração?
Enquanto as luzes voltam a brilhar na Praça da Manjedoura, a alegria em Belém convive com a consciência de que a paz permanece incerta — e de que, a poucos quilômetros dali, comunidades inteiras ainda tentam sobreviver aos escombros da guerra.
(Com AFP)
Especialistas da ONU denunciaram nesta quarta-feira o bloqueio naval ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os navios petroleiros sancionados que partam ou sigam para a Venezuela, medida que consideraram um “ataque armado” contrário ao direito internacional.
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Desde agosto, o governo dos Estados Unidos mantém um dispositivo militar no Caribe, oficialmente para combater o narcotráfico, e ataca supostas lanchas do tráfico na região e no Pacífico oriental, com um balanço até o momento de 105 mortos. Além disso, o presidente Trump ordenou o bloqueio de todos os petroleiros sancionados que entrem e saiam da Venezuela. Ao menos dois navios foram apreendidos e um terceiro navio estaria em fuga em direção à África do Sul.
“Não existe direito de impor sanções unilaterais por meio de um bloqueio armado”, afirmaram os especialistas, com mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas que não se expressam em nome da organização. “É um uso tão grave da força que também está expressamente reconhecido como agressão armada ilegal na Definição de Agressão adotada pela Assembleia Geral em 1974”.
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Washington acusa Caracas de utilizar a venda de petróleo para financiar “o narcoterrorismo, o tráfico de pessoas, os assassinatos e os sequestros”. O governo americano estabeleceu um preço pela captura do presidente Nicolás Maduro — US$ 50 milhões (R$ 276 milhões) de recompensa por qualquer informação que facilite sua detenção —, sob a acusação de que o líder chavista dirige o Cartel de los Soles. A Venezuela nega qualquer envolvimento no tráfico de drogas e considera que Washington quer derrubar Maduro para assumir o controle das reservas petrolíferas do país, as maiores do planeta.
Os especialistas também criticaram os ataques de Washington a embarcações supostamente usadas tráfico, em particular porque não foram apresentadas evidências de que as lanchas transportavam drogas. Eles também afirmam que o Congresso dos Estados Unidos deveria intervir para evitar novos ataques e suspender o bloqueio
“Segundo os relatos, nenhuma das pessoas assassinadas representava uma ameaça imediata que justificasse o uso de força letal”, apontaram. “Os assassinatos constituem violações do direito à vida. Devem ser investigados e os responsáveis levados à Justiça. Trata-se de um ataque armado nos termos do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que a princípio concede ao Estado vítima o direito à legítima defesa”.
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Na terça-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança, Rússia e China criticaram duramente a pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos sobre a Venezuela, que chamaram de “comportamento de caubói” e “intimidação”.
— Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós, venezuelanos, abandonemos nosso país e o entreguemos — afirmou o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, ao Conselho de Segurança.

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