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Um professor aposentado de 76 anos foi multado pela Câmara Municipal de Nottingham por supostamente jogar uma bituca de cigarro pela janela do carro, mesmo estando a cerca de 708 quilômetros do local da infração. Ray Weatherburn estava na Normandia, na França, quando recebeu a notificação, embora o órgão municipal afirmasse que o ato teria ocorrido em Nottingham, no centro da Inglaterra.
Segundo Weatherburn, em entrevista nos últimos dias, seu carro estava imobilizado em sua segunda residência, em Berwick-upon-Tweed, no norte do país, no período citado pela autuação. Ainda assim, ele recebeu em 9 de setembro uma multa fixa de 100 libras, cerca de 750 reais, com a advertência de que poderia ser levado à Justiça caso não efetuasse o pagamento.
Após ser novamente contatado pela prefeitura, o ex-professor reuniu documentos para contestar a acusação, incluindo carimbos de passaporte e recibos de combustível, comprovando que não estava no Reino Unido no momento do suposto descarte irregular de lixo. Diante das evidências, a autoridade local arquivou o caso e posteriormente enviou um pedido formal de desculpas pelo “inconveniente”.
Em entrevista ao Telegraph, Weatherburn afirmou nunca ter fumado na vida e disse que, apesar de a matrícula indicada estar correta, o veículo não se encontrava em Nottingham. Ex-campeão dos 800 metros rasos, ele mora em Berwick-upon-Tweed, mas mantém uma segunda residência no bairro de Wollaton, em Nottingham.
O aposentado relatou ainda que as notificações mencionavam o nome de um homem que ele não reconhece, o que levantou suspeitas de fraude de identidade. Após contatos telefônicos com a prefeitura, ele recebeu uma terceira carta, convidando-o a aderir ao programa Justiça Imediata, iniciativa de trabalho comunitário para evitar processos judiciais — correspondência que, segundo a câmara municipal, foi enviada por erro técnico.
Weatherburn disse à imprensa que a polícia levantou a possibilidade de clonagem da placa do veículo, hipótese que ainda o preocupa. “Não sei se alguém está dirigindo por aí com a minha placa clonada. É tudo muito confuso e não consigo obter nenhuma explicação clara”, afirmou, acrescentando que a situação lhe causou ansiedade e noites sem dormir.
A filha do líder norte-coreano Kim Jong-un fez sua primeira visita pública ao mausoléu onde repousam os restos mortais de seu avô e de seu bisavô, informou nesta sexta-feira (data local) a imprensa estatal, o que reforça a posição de Kim Ju-ae como sucessora de seu pai.
A família Kim governa a Coreia do Norte com mão de ferro há décadas. O culto à figura dos membros da chamada “linha de sangue Paektu” domina a vida cotidiana do país isolado e hermético.
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Kim Jong-un é o terceiro na cadeia de sucessão, do que é considerada a única monarquia comunista do mundo, depois de seu pai, Kim Jong Il, e de seu avô, Kim Il Sung.
Os dois homens, apelidados de “líderes eternos” na propaganda estatal, estão enterrados no Palácio do Sol de Kumsusan, um vasto mausoléu no centro de Pyongyang.
A agência estatal de notícias coreana KCNA informou que Kim visitou o palácio escoltado por altos funcionários. As imagens mostravam sua filha Ju-ae acompanhando o grupo.
A agência de espionagem da Coreia do Sul afirmou, no ano passado, que ela é a primeira na linha de sucessão para governar a Coreia do Norte, depois de ter acompanhado o pai em uma visita de alto nível à China.
Ju-ae foi apresentada ao mundo em 2022, quando acompanhou Kim no lançamento de um míssil balístico intercontinental.
Desde então, os meios de comunicação estatais norte-coreanos passaram a se referir a ela como “a filha querida” e “hyangdo”, em coreano, um termo geralmente reservado aos principais dirigentes e a seus sucessores.
Enquanto a contagem para a chegada de 2026 começava, um oficial ucraniano olhava as telas à sua frente. No ar, vários drones procuravam tropas russas e estavam prontos para atacar. Pode ter sido o começo de um novo ano, mas para aqueles na linha de frente, era apenas um dia como outro qualquer.
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Para muitos soldados em seu batalhão, conhecido como “Lobos Da Vinci”, não era momento para fazer votos ou resoluções. As forças russas estão avançando, as recentes negociações de paz não chegaram a conclusões, e eles não veem a guerra perto do fim. Para o novo ano, um soldado disse que o objetivo era apenas sobreviver.
— É difícil fazer planos — concordou o oficial, que atende ao nome de guerra de Sam.
Este será o quarto ano da invasão russa. Poucos soldados no leste ucranianos acreditam que seja o último.
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No começo de 2025, o então presidente eleito dos EUA Donald Trump dizia que poderia encerrar a guerra em 24 horas. Em fevereiro, Trump humilhou o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, ameaçando cortar a ajuda e exibindo o que muitos em Kiev veem como simpatia declarada a Moscou.
Os meses seguintes foram de altos e baixos. Negociações começaram e terminaram sem sucesso. A relação entre EUA e Ucrânia teve momentos bons e ruins. Ao mesmo tempo, a guerra estava mudando. Drones dominaram o campo de batalha, tornando movimentos de tropas mais perigosos. Forças russas passaram a usar agrupamentos menores em seus ataques. A Ucrânia, mesmo em minoria, foi forçada a se adaptar e a se manter na defensiva.
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A linha de frente se moveu a passos lentos, sem os mesmos holofotes da diplomacia. De maneira arrastada e sangrenta, o cálculo favorecia as forças russas, que começaram a avançar mais rapidamente nos últimos meses. Isso, segundo analistas, convenceu o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que tinha a mão mais forte na mesa de negociações.
Ele repetiu que a Ucrânia deveria se curvar às suas demandas antes que a guerra se tornasse ainda pior. Entre elas, a cessão dos territórios que Kiev ainda controla no leste, um objetivo prioritário do Kremlin.
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As forças russas no leste marcharam em direção a Pokrovsk. Os ucranianos se entricheiraram, usando forças para defender a cidade e áreas próximas, que ainda seguem sob seu controle. Analistas dizem que o movimento deu aos russos uma abertura para avançar mais rapidamente em outras áreas, como a região de Zaporíjia, no sul. O mesmo aconteceu em Dnipro, disse um soldado de uma brigada que atuou na área no último dia de 2025.
— Eles dizem que só precisam da região de Donetsk, mas veja quanto conquistaram em Dnipro — disse o soldado, que se identificou apenas pelo nome de guerra Dyak, se referindo aos russos.
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Perto de um pequeno fogão, Dyak disse que seu Ano Novo, o quinto nas Forças Armadas, não parecia um feriado, mas apenas “o fim do mês”. Ele não se mostrou confiante nos recentes esforços de paz, afirmando que a guerra se arrastará por pelo menos mais dois anos.
— Se Trump pode encerrar a guerra, então que o deixem fazer isso mais rápido — acrescentou.
O chefe da inteligência militar ucraniana, Kyrylo Budanov, alertou na semana passada que o objetivo russo para 2026 é a conquista completa das regiões de Donetsk e Zaporíjia. Moscou também quer avançar o máximo possível na região de Dnipro, afirmou o militar ao portal Suspline.
Soldados russos erguem bandeira do país no centro de Pokrovsk, cidade estratégica na Ucrânia
Ministério da Defesa da Rússia / AFP
Na véspera do Ano Novo, as equipes de drones comandadas por Sam, na direção de Novopavlivka, tentavam impedir isso. Por volta das 19h, houve muita atividade, com ataques e transporte de suprimentos. Ao lado do oficial havia outros quatro militares, trabalhando em turnos de 12 horas. Quando um deles chegou ao fim de seu dia de trabalho, seu colega perguntou sobre o ambiente.
— Não está muito bom — respondeu. — Te vejo ano que vem.
Pouco depois, a longa mesa no centro de comando se viu livre das armas e computadores. Pequenos pratos de peixe em conserva, salsichas, queijo, repolho e outros pratos ucranianos foram servidos, ao lado de xícaras e uma garrafa de vinho espumante sem álcool.
Serhii Filimonov, o comandante do batalhão, disse que embora a refeição não substitua uma ceia com amigos ou parentes, ele quis levar algum conforto ao posto de comando. Afirmou que foi um ano duro para os militares ucranianos, e que “estamos todos cansados”.
Militares ucranianos em posto de comando no leste acompanham discurso do presidente Volodymyr Zelensky, na noite de Ano Novo
Cassandra Vinograd/The New York Times
Mesmo assim, disse que era importante lembrar que a Rússia não atingiu seus principais objetivos em 2025, como a captura de Pokrovsk e outras cidades.
— Quando vemos o estado do inimigo e suas ações, nos dá a fé de que tudo ficará bem — afirmou.
Mas ele não queria fazer resoluções, dizendo que elaborar planos de longo prazo em meio à guerra era um “tema doloroso” para os ucranianos. Filimonov tem dois filhos, um menino de oito anos e uma menina de dois, que estão “crescendo sem ele”.
— Minha única esperança é que a guerra acabe antes que meu filho cresça, para que assim não tenha que lutar.
Duas mães, duas décadas de distância, uma mesma ferida. A israelense Elana Kaminka, de 51 anos, perdeu o filho Yannai, de 20, integrante de uma unidade de busca e resgate do Exército de Israel, durante os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas deixou quase 1,2 mil mortos em Israel, desencadeando a resposta militar em Gaza. No outro lado do conflito, a palestina Layla Alsheikh, de 48 anos, carrega uma perda anterior no tempo, mas também reflexo da divisão local: a de seu bebê Fossey, de seis meses, morto após quatro horas de espera em um ponto de controle na Cisjordânia ocupada para seguir para um hospital em 2002. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, evitou em uma entrevista nessa quinta-feira confirmar ou negar um suposto ataque a uma instalação ligada ao narcotráfico que, segundo Donald Trump, os Estados Unidos teriam executado em território venezuelano. Ao mesmo tempo, Maduro se mostrou aberto ao diálogo com Washington.
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No início da semana, Trump afirmou que os Estados Unidos haviam destruído uma área de atracação de embarcações supostamente usadas para transportar drogas na Venezuela, o que teria sido o primeiro ataque de Washington em território venezuelano.
“Isso pode ser um tema que conversemos em alguns dias”, disse Maduro ao jornalista espanhol Ignacio Ramonet, que pediu detalhes após lembrar que o governo venezuelano “não confirmou nem desmentiu essa informação”.
Os Estados Unidos mobilizaram uma flotilha militar no Caribe em agosto e bombardearam cerca de trinta embarcações, com um saldo de mais de 100 mortes. Caracas denuncia que as manobras buscam derrubar o governo de Maduro.
Trump advertiu desde novembro que iniciaria ataques terrestres contra a Venezuela e chegou inclusive a autorizar operações da CIA no país caribenho.
“O que posso te dizer é que o sistema defensivo nacional garantiu e garante a integridade territorial, a paz do país e o uso e o desfrute de todos os nossos territórios. Nosso povo está seguro e em paz. Posso adiantar algo por aí”, afirmou Maduro na entrevista.
Diante da ausência de detalhes por parte dos Estados Unidos sobre a localização da operação, especulou-se nas redes sociais que um incêndio em armazéns da empresa Primazol, atacadista de produtos químicos, em Maracaibo (oeste), poderia ter relação com o ataque.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, alimentou esses rumores ao afirmar que “Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo” na qual, segundo ele, “misturam a pasta de coca para fazer cocaína”.
“Presidente Petro, aqui não empacotamos nem fabricamos nenhum tipo de narcótico”, respondeu o chefe da empresa, Eduardo Siu.
Diálogo e acordos?
Maduro reiterou que está disposto a dialogar com os Estados Unidos, após confirmar que não falou com Trump desde uma conversa telefônica que mantiveram em 21 de novembro, a qual classificou como “cordial e respeitosa”.
Os detalhes daquela ligação não foram divulgados por nenhuma das partes, mas desde então Trump aumentou a pressão com o fechamento informal do espaço aéreo da Venezuela, a aplicação de mais sanções e a ordem de apreensão de navios sancionados carregados com petróleo venezuelano.
“Acho que foi até agradável essa conversa, mas as evoluções pós-conversa não foram agradáveis. Esperemos”, comentou.
Maduro reafirmou que está disposto a chegar a acordos com os Estados Unidos, especialmente nas áreas petrolífera, migratória e de combate ao narcotráfico.
“Se quiserem conversar seriamente sobre um acordo de combate ao narcotráfico, estamos prontos”, sustentou, para em seguida propor um acordo petrolífero “para investimentos norte-americanos como com Chevron”: “Onde quiserem e como quiserem”, afirmou.
Também propôs a reativação de um acordo para a deportação de venezuelanos indocumentados em voos diretos dos Estados Unidos para Venezuela, que, segundo Maduro, foi cancelado unilateralmente por Washington há três semanas.
“Eles falam do tema da migração, mas eles mesmos suspenderam o acordo migratório (…) Se algum dia houver racionalidade e diplomacia, isso poderia perfeitamente ser conversado”, afirmou.
Excarceramentos
Horas antes da entrevista, o Ministério do Serviço Penitenciário anunciou a libertação de 88 detidos nos protestos pós-eleitorais de 2024, classificados como fraudulentos pela oposição, que reivindicou a vitória de seu candidato, Edmundo González Urrutia.
A reeleição de Maduro desencadeou protestos que deixaram 28 mortos e 2.400 presos, dos quais cerca de 2 mil já foram libertados, segundo registros oficiais.
A esse grupo de 88 somam-se outros 99 que o governo libertou com medidas cautelares em 25 de dezembro, embora organizações não governamentais como Foro Penal, que atua na defesa judicial de “presos políticos”, só tenham conseguido verificar cerca de 61 casos naquele momento.
Estima-se que ainda haja mais de 700 detidos por motivos políticos no país. Essas libertações coincidem com um aumento da pressão por parte dos Estados Unidos.
“Apesar do contexto de permanente cerco contra a nação, o Estado venezuelano garante às pessoas privadas de liberdade um tratamento digno, o respeito a seus direitos humanos e a atenção integral”, alega o Ministério do Serviço Penitenciário, em comunicado.
Ao discursar pela primeira vez como prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, um democrata socialista que surpreendeu o meio político dos EUA no ano passado, disse que sua administração será “um exemplo para o mundo”, e que governará “de forma abrangente e audaciosa”. Primeiro muçulmano a comandar a maior cidade dos EUA, Mamdani é um dos expoentes da ala progressista do Partido Democrata, que tenta ganhar terreno antes de importantes eleições para a Câmara e o Senado em novembro.
— Embora só a ação possa mudar mentalidades, prometo-lhes o seguinte: se você é nova-iorquino, eu sou o seu prefeito. Independentemente de concordarmos ou não, eu o protegerei, celebrarei com você, lamentarei ao seu lado e jamais, nem por um segundo, me esconderei de você — disse Mamdani nesta quinta-feira.
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Com uma campanha focada no custo de vida em Nova York, especialmente no preço dos aluguéis, Mamdani apostou em um diálogo direto e franco com os eleitores, e surpreendeu os caciques do Partido Democrata. Nas primárias, derrotou o ex-governador de Nova York, Andrew Cuomo, e foi esnobado por lideranças da sigla. Na eleição, enfrentou e venceu novamente Cuomo, que recebeu o apoio do presidente Donald Trump, um republicano.
A posse formal ocorreu na noite de quarta-feira, mas nesta quinta ele discursou a uma pequena multidão na sede da prefeitura, apesar das temperaturas nada convidativas de inverno. Ali, prometeu restaurar a qualidade na prestação de serviços públicos, e disse que trabalhará para reduzir as disparidades econômicas locais.
— Vamos dar o exemplo para o mundo. Se o que [Frank] Sinatra disse é verdade, vamos provar que qualquer um pode ter sucesso em Nova York, e em qualquer outro lugar também — afirmou Mamdani. — Vamos provar que, quando uma cidade pertence ao povo, não há necessidade pequena demais para ser atendida, ninguém doente demais para ser curado, ninguém sozinho demais para sentir que Nova York é seu lar.
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Nascido em Uganda, Mamdani ressaltou o papel das comunidades de imigrantes e sua importância na formação da identidade da cidade. Durante a campanha, expoentes do Partido Republicano exigiram que sua nacionalidade americana fosse retirada, apontando supostas fraudes no processo, mas sem apresentar provas. O próprio Trump — que se reuniu de forma cordial e amistosa com ele em novembro na Casa Branca — reverberou as alegações.
— Muitas dessas pessoas foram traídas pela ordem estabelecida. Mas, em nossa administração, suas necessidades serão atendidas. Suas esperanças, sonhos e interesses serão refletidos de forma transparente no governo. Elas moldarão nosso futuro — disse, se referindo aos imigrantes.
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Mais do que o prefeito da maior cidade americana, Zohran Mamdani é encarado como um dos símbolos de uma ala do Partido Democrata que deseja quebrar com o domínio dos caciques alinhados ao centro e à centro-direita. E ele entende que o sucesso ou fracasso de sua administração poderá ser usado pelos dois lados do espectro partidário americano: em novembro, os EUA renovarão a Câmara e parte do Senado. Embora pesquisas indiquem uma leve vantagem à oposição democrata, deslizes em Nova York poderão dar força ao trumpismo, que ainda sonha em manter o controle do Congresso.
— O que conquistarmos juntos terá impacto nos cinco distritos e repercutirá muito além deles. Muitos estarão observando. Eles querem saber se a esquerda é capaz de governar — afirmou. — O trabalho continua, o trabalho perdura, o trabalho, meus amigos, está apenas começando.
Ao menos três pessoas morreram em uma tentativa de invasão de uma mina no norte do Peru na véspera do Ano Novo, informou, nesta quinta-feira, a promotoria de Pataz, militarizada desde 2024 pela violência provocada pela “febre do ouro”.
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Pataz é uma província localizada a 900 km de Lima e se encontra em estado de emergência desde fevereiro de 2024 devido à escalada da violência provocada pela extração de ouro. Em maio de 2025, 13 trabalhadores de uma grande empresa de mineração foram mortos após serem sequestrados em uma mina aurífera.
A promotoria de Pataz anunciou, em um comunicado, que “iniciou uma investigação preliminar sobre o crime de homicídio de três pessoas, cujos corpos foram encontrados com impactos de bala na entrada da mina ‘Papagayo'”. No local, a polícia encontrou 11 cartuchos de bala, acrescentou a promotoria.
O prefeito de Pataz, Aldo Mariño, tinha dito ao canal N de televisão que, “segundo a informação recebida do capitão da Polícia do Peru, ontem (quarta-feira), aproximadamente às 11h da noite, tinham na Delegacia três pessoas assassinadas”. Mariño mencionou que sete pessoas estariam desaparecidas.
Embora a Polícia não tenha confirmado a informação, veículos de imprensa locais noticiaram que aqueles que tinham sido inicialmente reportados como desaparecidos já foram localizados.
De acordo com o site Peru21, o crime ocorreu em uma zona de extração de ouro de Petaz momentos antes da meia-noite, quando um grupo de pessoas tentou invadir a jazida e foi repelido no acesso ao local por guardas privados.
Com cerca de 88.000 habitantes, Pataz é o epicentro de uma escalada de violência provocada pela febre do ouro, metal que tem se valorizado nos mercados internacionais. O Peru é o décimo produtor mundial do metal e o segundo na América Latina, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
No país, coexistem três modalidades de mineração: a formal, amparada pela lei; a informal, em processo de legalização; e a ilegal, que se concentra especialmente na exploração de ouro e devasta a Amazônia.
Com dúvidas cada vez mais numerosas sobre sua saúde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as hematomas em suas mãos são causados pelo consumo de doses diárias de aspirina, e negou ter dormido em eventos públicos na Casa Branca em seu segundo mandato. Aos 79 anos, Trump foi a pessoa mais velha a assumir a Presidência, mas repete, sempre que perguntado, que tem a saúde “perfeita”.
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Em entrevista ao Wall Street Journal (WSJ), publicada nesta quinta-feira, Trump disse que usa aspirina diariamente para “afinar o sangue” e evitar a formação de coágulos, mas que consome uma dosagem acima da recomendada por seus médicos. Este tipo de utilização do ácido acetilsalicílico (nome genérico do medicamento) enfrenta resistências dentro da comunidade médica, embora seja difundido popularmente há décadas.
— Dizem que a aspirina é boa para afinar o sangue, e eu não quero sangue grosso circulando pelo meu coração — disse Trump. — Eu quero sangue fino e agradável circulando pelo meu coração. Faz sentido?
Segundo ele, essa é a razão das manchas em suas mãos — os médicos dizem receitar aspirina como forma de “prevenção cardíaca”.
— Eles preferem que eu tome a [dose] menor — declarou o presidente. — Eu tomo a maior, mas faço isso há anos, e o que acontece é que causa hematomas.
Ao WSJ, o presidente afirmou que sempre que bate a mão, passa maquiagem no local para disfarçar. Trump relembrou um episódio em que houve um sangramento, causado pelo contato acidental com o anel de sua secretária de Justiça, Pam Bondi, um episódio que deixou em alerta alguns de seus assessores.
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Desde seus tempos de empresário e celebridade de reality shows na TV, Trump jamais foi conhecido como alguém que se preocupa com a saúde. No primeiro mandato, ele mantinha um botão em sua mesa no Salão Oval para que lhe entregassem seu refrigerante favorito, e consumia grande quantidade de gordura e alimentos calóricos. Ao ser diagnosticado com Covid-19, escondeu a gravidade dos sintomas, mesmo quando precisou ser internado. Com exceção do golfe, não é um entusiasta de exercícios físicos ou da prática esportiva.
— Eu simplesmente não gosto. É entediante — afirmou ao WSJ. — Andar ou correr na esteira por horas a fio, como algumas pessoas fazem, não é para mim.
Na campanha para retornar à Casa Branca, em 2024, não economizou nos comentários sobre a aptidão física e mental de seu antecessor, Joe Biden. Mas ao longo de 2025, foi a saúde do republicano que esteve em primeiro plano.
Segundo o Wall Street Journal, o presidente demonstra dificuldade para ouvir comentários e perguntas de assessores, doadores e jornalistas, e não raro seus interlocutores precisam falar mais alto. Em um episódio, em setembro, pediu ajuda à primeira-dama, Melania, para entender o que um repórter havia perguntado em uma entrevista coletiva, mas agora reagiu de forma jocosa ao ser questionado.
— Não consigo te ouvir. Não consigo te ouvir. Não consigo entender uma palavra do que você está dizendo — disse, em tom de deboche, ao WSJ.
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Em julho, médicos apontaram que ele sofria de insuficiência venosa crônica, quando as veias dos membros inferiores não conseguem bombear sangue de maneira suficiente para o coração, fazendo com que se acumule, dando a aparência de inchaço. Trump chegou a usar meias de compressão, mas afirmou ao WSJ que “não gostava delas”. Assessores garantem que ele tenta ficar menos tempo sentado como parte do tratamento.
Em vários momentos da entrevista, Trump disse que sua saúde era perfeita, inclusive quando foi perguntado sobre os “cochilos” que teria tirado em eventos públicos: em mais de uma ocasião, o presidente foi flagrado fechando os olhos em reuniões de Gabinete e atos na Casa Branca, mas ele negou que estivesse dormindo.
— Eu simplesmente fecho os olhos. É muito relaxante para mim — disse Trump ao WSJ. — Às vezes, eles tiram uma foto minha piscando, piscando, e me pegam no momento exato da piscada.
Mas ele reconheceu que tem dificuldades para dormir: assessores disseram ao jornal que não é incomum receber mensagens de madrugada do presidente, e que Trump costuma fazer piada de funcionários que dormem ao seu lado. Em alguns casos, os funcionários fazem “trocas de turno” para garantir que possam descansar ao menos algumas horas.
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram ao menos seis mortos no Irã, reportou nesta quinta-feira a imprensa local, no contexto dos protestos contra o alto custo de vida que sacodem o país. Outros 30 foram presos pelas autoridades iranianas em Teerã, acusados de crimes contra a ordem pública, informou nesta quinta-feira a agência de notícias Tasnim, após dias de protestos contra os altos preços que, em alguns momentos, se tornaram mortais.
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“Após uma operação coordenada dos serviços de segurança e de inteligência, 30 pessoas acusadas de perturbar a ordem pública no distrito de Malard, no oeste de Teerã, foram identificadas e presas na noite passada”, afirmou o comunicado.
A mobilização começou no domingo na capital, Teerã, onde comerciantes fecharam suas lojas para protestar contra a hiperinflação, a desvalorização da moeda e a estagnação econômica, antes de se estender a universidades e outras regiões do país.
A República Islâmica sofre há anos com o encarecimento e a escassez desenfreada de produtos básicos e uma desvalorização crônica de sua moeda. Em dezembro, os preços aumentaram, em média, 52% em comparação com o ano anterior, segundo o Centro de Estatísticas.
Na quinta-feira, foram registrados confrontos em cidades médias com dezenas de milhares de habitantes. Em Lordegan (sudoeste), dois civis morreram, informou a agência de notícias Fars, que relatou confrontos, pedradas e atos de vandalismo nessa cidade situada a 650 quilômetros de Teerã. A agência também mencionou “danos significativos” e a detenção de várias pessoas.
Em Azna, cidade da província do Lorestão, também no oeste, outras três pessoas morreram em confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes, reportou a Fars.
“Um grupo de agitadores aproveitou um protesto […] para atacar uma delegacia de polícia. Três pessoas morreram e outras 17 ficaram feridas nos confrontos”, noticiou a agência, aparentemente se referindo a civis.
Além disso, um membro das forças de segurança morreu em confrontos em Kuhdasht, também no oeste. Membro do Basij, com 21 anos, ele “defendia a ordem pública”, reportou a TV estatal, citando o governador local, que mencionou “pedradas” que deixaram 13 policias feridos. O Basij é uma milícia paramilitar integrada por voluntários, afiliados à Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica.
‘No inferno’
Até o momento, o movimento é menos expressivo do que as grandes manifestações que abalaram o Irã no fim de 2022 após a morte sob custódia da jovem iraniana Mahsa Amini.
Seu falecimento, após ser detida por supostamente infringir o rigoroso código de vestimenta do país, provocou uma onda de indignação na qual morreram centenas de pessoas, incluindo dezenas de membros das forças de segurança.
Diante da mobilização atual, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez uma advertência ao governo nesta quinta-feira. “De um ponto de vista islâmico […], se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”, disse ele em um discurso transmitido pela TV.
O governo tem tentado enviar mensagens tranquilizadoras, admitindo as “demandas legítimas” da população devido às dificuldades econômicas.
‘Resposta firme’
No entanto, o procurador-geral da República Islâmica, Mohammad Movahedi-Azad, alertou que “qualquer tentativa” de transformar os protestos “em um instrumento de insegurança, de destruição de bens públicos ou da instalação de cenários concebidos no exterior será inevitavelmente seguida de uma resposta […] firme”, segundo declarações suas citadas pela TV estatal.
Na noite de quarta-feira, a agência de notícias Tasnim noticiou que sete pessoas foram detidas por pertencerem a “grupos hostis à República Islâmica radicados nos Estados Unidos e na Europa”.
A Tasnim acusou essas pessoas de tentarem “transformar as manifestações em violência”, mas não informou nem onde, nem quando ocorreram as detenções.
A moeda nacional, o rial, perdeu no último ano mais de um terço de seu valor perante o dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos corrói há anos o poder aquisitivo dos iranianos.
Quando o dia amanheceu nas ruas próximas do bar Constellation, no resort suíço de Crans-Montana, a tragédia que ali ocorrera horas antes começou a ganhar seus contornos mais visíveis. O número de mortos é estimado em 40, mas dezenas de feridos no incêndio seguem internados em estado grave. As causas ainda estão sendo investigadas, e as autoridades locais falam em “múltiplas hipóteses”, sem esconder a consternação que tomou conta da Europa.
— Essa foi uma das piores tragédias que nosso país já vivenciou […]vmuitas vidas, em sua maioria jovens, foram perdidas — disse o presidente suço, Guy Pamelin, prometendo investigações detalhadas para descobrir o que aconteceu ali. — Essa tragédia ocorreu em um lugar que é naturalmente associado à vida e à alegria. Que contraste terrível, que ironia cruel.
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O fogo começou por volta de 1h30 desta quinta-feira, pelo horário local (noite de quarta-feira no Brasil), e inicialmente foi reportado como uma explosão. Contudo, Stephane Ganze, chefe de segurança do cantão (região) de Valais, onde fica o resort de Crans-Montana, descartou essa hipótese. Beatrice Pilloud, procuradora-geral da região, disse que o foco da investigação é descobrir as causas do desastre, e não achar culpados, ao menos por agora. O uso de fogos de artifício é tratado como causa possível da tragédia.
— Não temos suspeitos — disse ela. — Foi iniciada uma investigação, não contra ninguém, mas para esclarecer as circunstâncias que envolvem este trágico incêndio.
Dos mais de 100 feridos, muitos estão em estado grave, com queimaduras e lesões nos pulmões causadas pela inalação de fumaça. Cerca de 60 estão internados em Sion, enquanto outros foram levados para outras cidades suíças e países vizinhos: em Milão, um hospital especializado no tratamento de vítimas de incêndios deve receber três pacientes, e um médico disse ao New York Times que eles têm “queimaduras em até 40% do corpo”.
— Era uma chama real saindo de lá. Estava saindo e… na verdade, as pessoas estavam correndo por entre as chamas — disse Alexis, de 18 anos, que escapou do incêndio relativamente intacto, à rede suíça RTS. — Dava para ver as sombras. As pessoas estavam tentando quebrar o vidro com cadeiras no bar.
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Outro sobrevivente, Alex, de 21 anos, contou à RTS que viu uma pessoa correndo apenas de roupas íntimas, e que foi quando percebeu “que definitivamente havia algo errado”.
— [Havia um] cheiro de gás, de plástico derretido, uma mistura muito desagradável. E então, meia dúzia de pessoas queimadas saíram — relatou. — Senti um arrepio na espinha ao pensar que possivelmente ainda havia cinquenta pessoas presas lá dentro.”
De acordo com o governo italiano, há 19 cidadãos de seu país desaparecidos — as autoridades suíças afirmam que o reconhecimento dos corpos das vítimas será demorado — e 5 feridos. O chanceler, Antonio Tajani, irá a Crans-Montana na sexta-feira “para estar perto dos nossos concidadãos que aguardam notícias”. Na rede social X, a premier, Giorgia Meloni, expressou solidariedade às autoridades do país vizinho.
“Em meu nome e em nome do Governo, expresso as minhas mais profundas condolências pelo trágico incêndio ocorrido em Crans-Montana, na Suíça”, escreveu Meloni, na rede social X. “Estou acompanhando de perto a situação para reunir todas as informações sobre o incidente e o possível envolvimento de cidadãos suíços. Agradeço aos recursos da Defesa Civil já mobilizados e expresso a minha solidariedade às famílias das vítimas, aos feridos, às instituições e ao povo suíço.”
Pessoas fogem em desespero enquanto as chamas tomam conta do bar na Suíça
Reprodução de vídeo
Também no X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, se disse “rofundamente consternada com o incêndio em Crans-Montana”.
“Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todos os afetados. Estamos em contato com as autoridades suíças para fornecer assistência médica às vítimas por meio do Mecanismo de Proteção Civil da UE (União Europeia)”, escreveu. “A Europa se solidariza plenamente com a Suíça.”
Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou que está “profundamente comovido” com o incêndio, e que seus pensamentos estão “com as famílias enlutadas e os feridos”.
“O número de vítimas é devastador. Nossos pensamentos estão com as famílias. Nossas equipes diplomáticas e consulares estão monitorando a situação e prestando a assistência necessária aos nossos compatriotas afetados por esta tragédia”, afirmou. “A França está tratando os feridos em seus hospitais e está pronta para prestar toda a assistência necessária.”
Em comunicado, o Itamaraty disse que “o governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação, do incêndio ocorrido em 1º. de janeiro em um bar em Crans-Montana, Suíça, que deixou elevado número de vítimas fatais e feridos graves”, expressando “seu pesar às vítimas e a seus familiares” e manifestando, “sua solidariedade ao povo e ao governo suíços”. O ministério confirmou que, até o momento, não há informações sobre cidadãos brasileiros entre as vítimas.

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