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A pressão comandada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Venezuela — com a realização de ataques neste sábado — busca enviar um recado estratégico aos parceiros latino-americanos da China, em um momento que Washington vê o domínio do Hemisfério Ocidental como imperativo de sua própria segurança nacional. Essa é a avaliação do diplomata venezuelano Alfredo Toro Hardy que, em artigo recente, afirma que a disputa por trás da ofensiva americana contra Caracas é a competição com Pequim. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenaram os ataques desta madrugada dos Estados Unidos contra o território venezuelano.
“Cuba denuncia e demanda URGENTE reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA contra a Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente assaltada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra Nossa América”, escreveu o chefe de Estado cubano em sua conta na rede social X.
“O Governo da República da Colômbia observa com profunda preocupação os relatos sobre ataques e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, assim como o consequente aumento de tensão na região”, afirmou Petro, também na rede X.
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela realizado neste sábado marca uma vitória política para o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, principal incentivador das ações militares americanas na América Latina. Filho de imigrantes cubanos naturalizados americanos em 1975, Rubio age internamente no governo de Donald Trump pela derrubada do governo da Venezuela, para ele o capítulo inicial de uma eventual mudança de regime em Havana. Crítico das tratativas diplomáticas do enviado especial da Casa Branca a Caracas, Richard Grenell, Rubio foi decisivo para o estabelecimento pelo governo americano, ainda que sem provas, da conexão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, com o tráfico, cara ao cubano-americano. Ligação que ameaçaria a segurança nacional dos EUA e justificaria ações como os recentes ataques a embarcações e potencias incursões em território venezuelano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O governo da Venezuela emitiu um comunicado oficial nesta madrugada denunciando um “ataque imperialista” ao país e pedindo que a comunidade internacional se pronuncie sobre os acontecimentos.
“A República Bolivariana da Venezuela rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra território e população venezuelana nas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados Miranda, Aragua e La Guaira. Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a jurisdição do uso da força. Tal ameaça ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas”, diz o comunicado.
O texto afirma, ainda, que “o objetivo deste ataque não é outro senão se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação. Não o conseguirão”. “Uma tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma “mudança de regime”, em aliança com uma oligarquia fascista, fracassará como todas as intenções anteriores”, enfatiza o governo de Nicolás Maduro.
Notícia em atualização
Segundo uma fonte que está em Caracas, “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”. O Forte Tiuna é uma espécie de Pentágono venezuelano, onde, segundo se comentou nos últimos tempos, teria estado morando o presidente do país, Nicolás Maduro.
La Carlota é a principal base da Força Aérea venezuelana na capital do país, localizada muito perto de bairros de classe média e média alta da cidade. Em La Carlota operam aviões militares pequenos, na região leste de Caracas. A informação sobre o provável ataque a La Carlota foi confirmada por fontes diplomáticas.
Outro alvo teria sido, segundo fontes diplomáticas, a base militar de La Guaira, próxima do aeroporto internacional de Maiquetía.
Informação em atualização
Como porcos chegaram a ilhas tão distantes do Pacífico, como o Havaí, milhares de anos antes da era moderna? Uma pesquisa internacional ajuda a responder a essa pergunta ao rastrear a origem genética dos porcos domésticos e criados soltos que hoje vivem em ilhas espalhadas da Ásia ao Pacífico.
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O estudo indica que a maioria desses animais descende de porcos transportados por grupos de língua austronésia, que partiram do sudeste da China e de Taiwan há cerca de 4.000 anos. Eles viajaram junto com humanos em longas jornadas marítimas, em canoas, e se estabeleceram em novas ilhas à medida que essas populações migravam.
Publicado na revista Science, da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), o trabalho mostra que, após a chegada, esses porcos permaneceram geneticamente isolados. Segundo os pesquisadores, não houve cruzamento com espécies selvagens locais ao longo da rota austronésia, que inclui áreas como Filipinas e Sulawesi.
Uma linhagem preservada ao longo das ilhas
A exceção ocorreu em Wallacea, região insular entre a Ásia e a Austrália, onde alguns porcos que se tornaram selvagens acabaram cruzando com espécies locais. Fora desse contexto, os dados indicam uma notável preservação genética ao longo de séculos.
A pesquisa foi liderada por David W. G. Stanton, em colaboração com cientistas de instituições como a Queen Mary University of London, a Universidade de Oxford, a Universidade de Estocolmo e centros de pesquisa em mais de 15 países, incluindo Filipinas, Austrália e Indonésia.
Para reconstruir essa história, a equipe analisou 117 genomas de porcos modernos, antigos e de museu, além de mais de 700 dentes. O formato da dentição foi uma pista-chave, revelando características distintas nos porcos do Pacífico, associadas ao isolamento e à adaptação a novos ambientes insulares.
Os cientistas identificaram ainda um grupo genético específico, chamado de “Clado do Pacífico”, presente na maioria dos porcos desde Wallacea até o Havaí. Esse clado aparece principalmente a leste da Linha de Wallace, uma fronteira biogeográfica que separa a fauna asiática da australiana.
O estudo também detectou mudanças posteriores. Durante o período colonial, porcos europeus foram introduzidos em regiões como Papua-Nova Guiné e Nova Caledônia, o que levou a uma nova mistura genética. Ainda assim, a maior parte dos porcos do Pacífico mantém a linhagem original trazida pelos austronésios.
Os autores destacam que gargalos genéticos, isolamento prolongado e adaptações específicas marcaram essa dispersão. Para eles, a história desses animais ajuda a entender como as migrações humanas moldaram não apenas culturas, mas também a vida animal e os ecossistemas de ilhas remotas — um processo que futuras análises genômicas mais detalhadas ainda devem aprofundar.
Mais de 70 anos depois de serem descobertos, dois fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto classificados como “ilegíveis” finalmente tiveram seu conteúdo revelado. Conhecidos como Manuscritos Crípticos B, os fragmentos 4Q362 e 4Q363 continham um alfabeto desconhecido, o que levou especialistas a considerá-los, por décadas, impossíveis de decifrar. A reviravolta veio com o trabalho do pesquisador Emmanuel Oliveiro, da Universidade de Groningen, na Holanda.
Aceitando um desafio que muitos julgavam infrutífero, Oliveiro identificou que os símbolos enigmáticos correspondiam, de forma consistente, ao alfabeto hebraico. O processo levou cerca de dois meses. Em entrevista ao jornal Haaretz, o pesquisador contou que chegou a ouvir de amigos que poderia “ficar preso por 40 anos” sem conseguir avançar — expectativa que se mostrou equivocada.
Texto antigo, temas eternos
A decifração revelou que os fragmentos trazem conteúdos de natureza religiosa, com forte afinidade com temas bíblicos ligados ao fim dos tempos. Há menções ao julgamento divino, à vinda do Messias e ao destino de Israel, além de referências a nomes como Yisrael (Israel), Judá, Jacó e Elohim, outro termo para Deus.
O manuscrito 4Q362 contém trechos que evocam passagens conhecidas da Bíblia, como Jeremias 20:18 e Malaquias 2:12, embora não as cite diretamente. Expressões como “a tua glória” e “as tendas de Jacó” sugerem uma ligação com promessas de restauração após o julgamento e advertências sobre fidelidade à comunidade hebraica, temas recorrentes nas tradições proféticas.
Os fragmentos também mencionam datas e governantes, com referências ao “segundo ano” e ao “quinto mês”, possivelmente alinhadas a convenções históricas ou proféticas. Um elemento intrigante é a menção a uma sepultura misteriosa, descrita de forma que não encontra paralelo direto em outros textos bíblicos conhecidos, segundo o próprio Oliveiro.
O segundo manuscrito, 4Q363, apresentou maiores dificuldades de interpretação. Uma frase repetida pode se referir tanto a “suas filhas” quanto a “suas aldeias”, e o nome Benayahu — comum à época — dificulta a identificação precisa do personagem citado. Essas ambiguidades mantêm parte do conteúdo em aberto.
Os manuscritos foram produzidos pelos qumranitas, comunidade judaica que viveu próximo ao Mar Morto há mais de dois milênios e ficou conhecida por preservar textos religiosos. Escritos em couro hoje rachado, escurecido e fragmentado, os textos usam tinta preta e apresentam caligrafia irregular, com letras de proporções variáveis e correções visíveis, o que reforça a complexidade material do achado.
Para Oliveiro, a escolha por um alfabeto cifrado pode ter servido a um propósito ritual ou simbólico, restringindo o acesso a membros iniciados da comunidade, como elites sacerdotais. Apesar da aparência enigmática, o pesquisador afirma que não há mensagens ocultas ou místicas: a complexidade estava na forma, não no conteúdo. Feitos para parecer ilegíveis, os manuscritos atravessaram séculos em silêncio — até agora.
Pesquisadores e profissionais da aviação alertam que a frequência e intensidade de turbulências em voos comerciais podem triplicar até 2050, como consequência das mudanças climáticas causadas pela ação humana, que alteram padrões de vento e correntes de ar na atmosfera. Essa tendência já tem sido associada ao aumento de episódios de turbulência severa em rotas de longo curso, com relatos de passageiros e tripulantes feridos em voos recentes.
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Um exemplo é o caso do Boeing 787 da United Airlines, que enfrentou problemas enquanto sobrevoava as Filipinas. Em abril do ano passado, as fortes instabilidades causaram uma concussão e uma fratura no braço de uma comissária de bordo, que foi arremessada contra o teto. Outro episódio, de 2024, deixou os passageiros em choque ao presenciarem sangue no teto do avião da Singapore Airlines, ao sobrevoar o sul de Mianmar sob condições adversas.
Estudos meteorológicos apontam que o fenômeno conhecido como turbulência em céu claro (clear-air turbulence, ou CAT), que é imprevisível e invisível a radares, cresceu cerca de 55% desde 1979 e pode se tornar até três vezes mais comum nas próximas décadas se as tendências de aquecimento global persistirem. Essa forma de turbulência é causada por variações abruptas na velocidade dos ventos em altas altitudes, especialmente nas correntes de jato (jet streams), que são diretamente impactadas pelas mudanças climáticas.
O potencial aumento dos episódios de instabilidade no ar preocupa não apenas passageiros, mas também operadores e fabricantes de aeronaves. Mesmo quando associada sobretudo ao desconforto, a turbulência severa pode provocar lesões em pessoas que não estão com o cinto afivelado e gerar desgaste estrutural nos aviões, além de custos adicionais para as companhias aéreas.
Inovações tecnológicas
Para enfrentar esse cenário, a aviação tem investido em diferentes frentes tecnológicas. Entre elas estão sistemas de previsão meteorológica mais precisos, uso de inteligência artificial para simular e antecipar comportamentos das correntes de ar, sensores avançados e microfones de infrassom capazes de detectar turbulência à distância. Algumas soluções experimentais também incluem ajustes aerodinâmicos nas superfícies das asas para reduzir o impacto de rajadas de vento.
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Além desses avanços tecnológicos, companhias aéreas contam com softwares de planejamento de voo atualizados e programas de compartilhamento de dados entre aeronaves para otimizar rotas e evitar áreas de maior instabilidade. Aplicativos que disponibilizam informações de turbulência em tempo real a passageiros e tripulação também têm ganhado adesão, ampliando a capacidade de antecipação e mitigação dos efeitos do fenômeno.
Especialistas ressaltam que, mesmo com a perspectiva de aumento de turbulência, voar continua seguro, e os incidentes graves são raros. O uso contínuo de cintos de segurança durante todo o voo é apontado como a medida mais eficaz para evitar ferimentos decorrentes desses episódios.
Relatos de jornalistas da agencia France Presse indicaram nesta madrugada que aviões sobrevoaram a Caracas e explosões foram ouvidas a partir das 2 da madrugada no horário local. De acordo com fontes locais, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana.
Informação em atualização
O governo do presidente americano, Donald Trump, fechou nesta sexta-feira a maior biblioteca de pesquisa da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, uma instalação que abriga dezenas de milhares de livros, documentos e periódicos — muitos deles não digitalizados ou disponíveis em nenhum outro lugar. O fechamento da biblioteca no Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, em Greenbelt, Maryland, faz parte de uma reorganização mais ampla do governo Trump, que inclui o fechamento de 13 prédios e mais de 100 laboratórios de ciência e engenharia no campus de 514 hectares até março de 2026. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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