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Em uma escalada militar sem precedentes na América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã deste sábado (3) que forças americanas capturaram e retiraram da Venezuela o mandatário Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A operação foi caracterizada como um “ataque a larga escala” que atingiu alvos estratégicos em diversas cidades venezuelanas durante a madrugada.
Ataques contra a Venezuela: Acompanhe a cobertura completa
Veja também: Governo da Venezuela denunciou ‘agressão militar dos EUA’ e pediu reação da comunidade internacional
Através de sua rede social, Truth Social, Trump confirmou a ofensiva bem-sucedida. “Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, junto a sua esposa, capturado e retirado do país”, escreveu o republicano.
Forte Tiuna, maior complexo militar da Venezuela, é visto com fogo após série de explosões em Caracas
Luis JAIMES / AFP
Os ataques começaram por volta das 02h00 locais (03h00 de Brasília). Moradores de Caracas relataram pelo menos sete grandes explosões e o som de aeronaves voando a baixa altitude. Relatos indicam que pontos icônicos do chavismo foram atingidos.
Veja o que se sabe sobre o ataque dos EUA à Venezuela:
A Captura e o destino de Maduro
De acordo com o presidente Donald Trump, Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram detidos por unidades de elite e transportados para fora do território venezuelano por via aérea.
Julgamento em solo americano: Informações de bastidores do Senado dos EUA indicam que Maduro será levado a tribunal para responder por acusações criminais federais.
A Captura e o destino de Maduro: O Departamento de Estado ainda não tenha emitido um comunicado detalhado, interlocutores republicanos confirmam que o objetivo central da incursão era a extração do líder chavista.
Vídeo mostra helicópteros de operações especiais sobrevoando caracas
Reprodução
O Impacto dos ataques e vítimas
O Ministério da Defesa da Venezuela descreveu a ofensiva como uma “invasão brutal” realizada com mísseis e foguetes disparados, em parte, por helicópteros de combate.
Alvos atingidos: As detonações ocorreram em áreas densamente povoadas de Caracas e em regiões estratégicas como Miranda e La Guaira. O Forte Tiuna, sede do comando militar venezuelano, foi um dos principais focos de incêndio.
Baixas relatadas: A vice-presidente Delcy Rodríguez confirmou que a incursão deixou um saldo de mortos e feridos que inclui oficiais das Forças Armadas, funcionários do governo e civis.
Incertezas e Exigências do Governo Venezuelano
Em pronunciamento oficial, a cúpula remanescente do governo venezuelano afirmou estar em um “vácuo de informações” sobre a integridade física de seus líderes.
Prova de vida: A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu publicamente que a administração Trump apresente garantias de que Maduro e Flores estão vivos e em boas condições de saúde.
Estado de Emergência: O país permanece sob decreto de emergência nacional, com a promessa de uma “resistência massiva” contra o que classificam como o maior ultraje da história da nação.
Situação atual em Caracas
Após horas de intenso barulho de turbinas e disparos de artilharia antiaérea, o cenário em Caracas é de um silêncio tenso.
Céu limpo: Jornalistas locais relatam que a movimentação aérea cessou nas últimas duas horas.
Infraestrutura: Setores da capital ainda enfrentam quedas no fornecimento de energia e instabilidade nas redes de comunicação, dificultando o balanço exato dos danos materiais.
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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as forças norte-americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro ocorre semanas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se colocado publicamente à disposição para atuar como mediador e defender, em declarações a jornalistas, que a crise deveria ser resolvida por via diplomática.
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Na manhã deste sábado, Trump afirmou que Maduro e a esposa foram “capturados e retirados do país por via aérea” após a operação. O governo americano não divulgou, até aqui, detalhes sobre o destino do líder venezuelano nem a base legal da captura. Em Brasília, o governo brasileiro reuniu equipes para apurar informações antes de se posicionar, diante da gravidade e do potencial impacto regional do episódio.
Em 18 de dezembro, Lula afirmou que já havia oferecido a Trump e a Maduro a mediação do Brasil para evitar uma escalada militar e disse que pretendia voltar a falar com o presidente americano antes do Natal. Na ocasião, o petista declarou que estava “à disposição” de ambos os governos e afirmou que buscaria contribuir para “um acordo diplomático e não uma guerra fratricida”.
Na mesma fala, Lula relatou ter dito a Trump que “as coisas não se resolveriam dando tiro” e que não via clareza sobre quais interesses estariam motivando a pressão americana sobre Caracas, mencionando, como hipóteses, petróleo e minerais estratégicos. Também afirmou que cobrou de Maduro objetividade sobre o que esperaria do Brasil, caso aceitasse uma tentativa de mediação.
Dois dias depois, em 20 de dezembro, Lula voltou a abordar o tema e afirmou que uma intervenção na Venezuela poderia produzir uma catástrofe humanitária, reiterando a intenção de conversar novamente com Trump e relatando ter orientado o chanceler Mauro Vieira a acompanhar de perto a evolução do cenário.
A disposição do Planalto para atuar como ponte foi acompanhada, nos bastidores, por alertas sobre o risco de a escalada militar arrastar a região para um conflito prolongado. Em 8 de dezembro, o assessor especial Celso Amorim disse que uma invasão poderia gerar algo semelhante ao Vietnã, com potencial de transformar a América do Sul em zona de guerra.
Houve, ainda, contatos diretos com Caracas durante o período de tensão. Lula e Maduro fizeram uma conversa telefônica breve em 2 de dezembro para tratar da situação política e de segurança no Caribe e na América do Sul, em meio ao aumento da presença militar americana na região.
O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência na manhã deste sábado para discutir o ataque de grande escala anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a prioridade neste momento é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer posicionamento público.
A avaliação interna é de que ainda há lacunas relevantes sobre as circunstâncias do ataque e, sobretudo, sobre a base legal da captura anunciada pelo presidente americano Donald Trump. Por essa razão, a orientação no governo é de cautela, evitando manifestações precipitadas enquanto os fatos seguem sendo apurados por canais diplomáticos.
A reunião contará com representantes da área diplomática e de outros setores do governo envolvidos no acompanhamento da crise. Até o momento, não há definição sobre o teor nem sobre o horário de uma eventual nota oficial. Interlocutores afirmam que qualquer manifestação dependerá da consolidação das informações recebidas ao longo da manhã e da avaliação conjunta feita após o encontro.
O episódio ocorreu durante a madrugada, quando explosões foram registradas em Caracas e em outros estados venezuelanos. Pouco depois, Trump afirmou em sua rede social, a Truth Social, que os Estados Unidos haviam realizado uma ofensiva militar de grande escala e que Maduro e a esposa teriam sido capturados e retirados do país por via aérea. Washington, no entanto, não informou para onde o presidente venezuelano foi levado nem sob qual base legal ocorreu a operação.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando a capital venezuelana e colunas de fumaça em diferentes pontos da cidade. Relatos de moradores e de veículos internacionais indicam interrupções no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas e explosões próximas a instalações militares. As informações ainda não foram confirmadas de forma independente.
A escalada ocorre após semanas de aumento da presença militar americana no Caribe. Nos últimos dias, os Estados Unidos haviam anunciado o envio de uma frota naval para a região e intensificado ações sob o argumento de combate ao narcotráfico. O anúncio da captura de Maduro elevou a tensão diplomática na América do Sul e gerou reações imediatas de governos e lideranças políticas da região.
Países condenam ataques
Diferentes autoridades mundiais reagiram ao ataque americano à Venezuela na madrugada deste sábado, que capturou o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenaram a ação dos Estados Unidos, enquanto o mandatário argentino, Javier Milei, celebrou a operação.
“O Governo da República da Colômbia observa com profunda preocupação os relatos sobre ataques e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, assim como o consequente aumento de tensão na região”, afirmou Petro em publicação na rede social X.
Já o chefe de Estado cubano disse, também em postagem na plataforma, que “Cuba denuncia e demanda URGENTE reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA contra a Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente assaltada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra Nossa América”.
Por outro lado, Milei, aliado de Trump e crítico ao líder venezuelano, comemorou os ataques ao reproduzir uma notícia da captura de Maduro com a frase “A liberdade avança”, que é também o nome do seu partido.
Quando o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (1999-2012) adoeceu de um câncer terminal e teve que se afastar do poder, a escolha de seu sucessor provocou debates dentro e fora da Venezuela. Muitos apostaram num nome do mundo militar e, nesse caso, o mais cotado era Diosdado Cabello, que participou de tentativas de golpe de Estado ao lado de Chávez no início da década de 1990 e, desde então, ocupou lugares de destaque no círculo do líder bolivariano. Mas a opção de Chávez foi por um civil e nela pesaram dois elementos centrais: lealdade absoluta e entrega a um projeto de poder que nasceu nos quartéis e, após dois levantes fracassados, migrou para a política. Nicolás Maduro venceu a disputa pela sucessão não apenas por escolha do ex-presidente, mas, também, do poder cubano, peça central da autoproclamada revolução bolivariana na Venezuela.
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Desde sua chegada ao Palácio Miraflores, em janeiro de 1999, Chávez consultou permanentemente o poder da ilha, primeiro com Fidel Castro, seu grande mentor na política, e depois com os que o sucederam. Cuba sempre foi um apoio indispensável para Chávez que, já doente, preferiu tratar-se em Havana e não em hospitais de países da Europa ou de vizinhos como o Brasil. A confiança nos cubanos era total, e contar com essa confiança era essencial para ter poder dentro do chavismo. Maduro a conquistou, Cabello — que faz poucas visitas à ilha — não.
Chávez anunciou sua decisão de entregar o comando do país a Maduro em 8 de dezembro de 2012, com uma frase que passou para a História: “Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável, absoluta, total é que em caso de que, como manda a Constituição, devam ser convocadas novas eleições presidenciais, vocês escolham Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela. Peço isso do fundo do coração.”
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Maduro fora vice-presidente de Chávez e ministro das Relações Exteriores, na fase mais importante de sua participação no governo, quando o líder bolivariano ainda estava vivo. Ambos se conheceram nos anos em que Chávez esteve preso, após as duas tentativas fracassadas de golpe de Estado. Cília Flores, segunda esposa de Maduro, era uma das advogadas do já famoso tenente-coronel. Nas visitas à prisão, Maduro, na época um jovem sindicalista que trabalhara no metrô de Caracas e iniciaria sua carreira política na esquerda venezuelana, ficou fascinado com as ideias de Chávez. Nascia o movimento bolivariano, que depois levou ao surgimento do Movimento Quinta República, o partido com o qual Chávez venceu as eleições de 1998, com 56,2% dos votos.
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Maduro esteve desde o primeiro momento junto ao tenente-coronel, que, após fracassar com as armas e ser indultado pelo governo de Rafael Caldera, chegou ao poder através das urnas. Eram outros tempos, e a Venezuela ainda era uma democracia plena.
O presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, e sua esposa, Cilia Flores, durante uma marcha pró-governo em Caracas
Alejandro Cegarra/New York Times
Com Chávez vivo, Maduro era uma figura sem brilho no governo chavista. Foi um chanceler que seguiu fielmente os desejos de seu presidente, entre eles a entrada da Venezuela no Mercosul — bloco do qual o país foi formalmente expulso em 2016, por violação da cláusula democrática. Como vice-presidente, era a sombra de Chávez.
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Disciplina como virtude
Amigos de infância e ex-companheiros da vida política de Maduro afirmam que o presidente chegou aonde chegou porque “sempre fez o que lhe pediram, sem questionar”. Suas negociações dentro do chavismo foram, principalmente, com a ala militar. Com o passar dos anos, Maduro se tornou uma figura de confiança da cúpula militar, que admitia sua capacidade de resistência a ofensivas externas. Ao longo dos anos, a Venezuela chegou a enfrentar mais de mil sanções internacionais, terminando com seu próprio presidente sendo considerado o líder de um cartel de drogas, o Cartel de los Soles, por parte dos Estados Unidos de Donald Trump. Ao passar a integrar a lista de organizações terroristas identificadas pela Casa Branca, Maduro sofreu seu golpe final.
Com um país isolado, asfixiado economicamente, cercado militarmente e sem a menor condição de se defender, o chavismo finalmente sucumbiu. O esperado ataque dos EUA ao território venezuelano encerrou anos de perseguição a um líder que, uma vez no poder, tornou-se um ditador. Em aliança com o chavismo duro e os militares, Maduro sufocou a oposição e expulsou do país milhões de venezuelanos.
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Todos na Venezuela sabiam que um segundo governo de Trump significaria uma ameaça de vida ao chavismo. Resistir foi a palavra de ordem, em sintonia com o que faz Cuba há décadas. Mas o fim chegou. Os ataques letais a barcos de supostos traficantes na região — e posteriormente também no Pacífico — deram sequência ao avanço militar americano na região, algo inédito na América do Sul.
Maduro, que disputou pela primeira vez a Presidência da Venezuela em 2013, acabou sendo derrotado pelo poder bélico americano. Durante todo o tempo em que o líder venezuelano permaneceu no poder, o país viveu numa permanente montanha-russa, com ondas de protestos e repressão, que custaram a Maduro denúncias de violações dos direitos humanos por parte das Nações Unidas, uma investigação no Tribunal Penal Internacional (TPI) e mais de mil sanções por parte dos Estados Unidos e outros países. O chavismo argumenta que as sanções, defendidas por setores da oposição — que também promoveram a intervenção estrangeira —, asfixiaram a Venezuela e impediram o presidente de governar. A realidade é que Maduro não conseguiu garantir nem estabilidade política, nem prosperidade econômica, como esperava Chávez.
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Trajetória no chavismo
Nicolás Maduro Moros nasceu em 23 de novembro de 1962, na cidade de Caracas, capital da Venezuela. É filho de Nicolás Maduro García e Teresa de Jesus Moros. Pertenceu a uma família de classe média da capital venezuelana, e sua juventude foi marcada pela militância sindicalista e de esquerda. A amizade com Chávez foi o trampolim para a grande política, na qual nunca se destacou pela oratória ou outras habilidades. Maduro fazia o que lhe pediam, essa era sua principal característica.
Em 1983, foi guarda-costas do candidato presidencial José Vicente Rangel, que depois se tornaria vice-presidente de Chávez e uma figura de proa dos anos de glória do chavismo. Anos depois, participou da Assembleia Constituinte que redigiu a Constituição Bolivariana de 1999. No ano seguinte, foi eleito para a Assembleia Nacional, o Parlamento venezuelano. Na sequência, foi porta-voz da Casa nos anos de 2005 e 2006, antes de se tornar ministro das Relações Exteriores entre 2006 e 2013.
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Como chanceler, Maduro manteve uma relação muito próxima com os governos do PT no Brasil. Costumava fazer consultas ao então chanceler brasileiro Celso Amorim, sempre por indicação de Chávez. “Fale com Celso”, costumava dizer o ex-presidente da Venezuela, que tinha admiração por Lula e pelo embaixador brasileiro. O Brasil, naqueles anos, tinha um papel de enorme importância na Venezuela. Era uma influência forte, talvez a mais forte ao lado de Cuba.
Primeiros mandatos
A primeira vitória de Maduro nas urnas, em abril de 2013, um mês após a morte de Chávez, foi contestada pela oposição — sua vantagem em relação ao político Henrique Capriles foi inferior a 2 pontos percentuais. Três dias após o resultado, o presidente da Suprema Corte venezuelana decidiu que uma recontagem manual dos votos seria inconstitucional. Até hoje, a oposição acusa Capriles de não ter “cobrado” essa recontagem. A decisão enterrou praticamente a carreira política do dirigente opositor, que já havia disputado a Presidência com Chávez em 2012.
Henrique Capriles, em visita ao Brasil em busca de apoio internacional em 2016
André Coelho / O Globo
Os governos de Maduro estiveram marcados por teorias de conspiração, perseguição feroz a opositores, denúncias de violações dos direitos humanos e deterioração da situação econômica e social do país. Em seu primeiro ano de governo, o sucessor de Chávez anunciou a expulsão de três diplomatas americanos da Venezuela, alegando que eles estiveram envolvidos em um apagão generalizado ocorrido no início de setembro. Foram épocas de ondas de manifestações (mais de 168 mortos em 2014 e 2017), repressão, concentração do poder presidencial e isolamento internacional. Com o afastamento do Brasil, já sem o PT no poder, países como Rússia, China, Irã e Turquia passaram a ser importantes aliados.
A segunda eleição, em maio de 2018, também foi contestada e não contou com a participação de grande parte da oposição. À época, a reeleição de Maduro não foi reconhecida por mais de 60 países. Em 2019, os Estados Unidos impuseram um embargo ao petróleo da Venezuela.
Ameaças internas
Para permanecer no poder, Maduro endureceu. Conseguiu manter coeso o governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e as Forças Armadas, apesar de frequentes tentativas de rebelião dentro dos quartéis. Centenas de militares foram presos e alguns morreram na prisão. Nessa luta, um aliado central para Maduro foi o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, no cargo há quase dez anos.
O apoio militar a Maduro foi crucial quando, em janeiro de 2019, Juan Guaidó, então líder da Assembleia Nacional controlada pela oposição, se autoproclamou presidente legítimo, alegando que a reeleição fora fraudulenta e havia no país um vazio de poder. As expectativas da oposição de que Guaidó tomaria o palácio presidencial foram rapidamente frustradas, com todas as principais instituições permanecendo sob firme controle do governo e dominadas por aliados do presidente.
Em 2019, o primeiro governo Trump reconheceu Juan Guaidó, então líder da oposição, como presidente da Venezuela
Meridith Kohut/New York Times
Desconfiado de influências externas, Maduro criou um círculo íntimo de poder, formado por um grupo seleto de políticos de confiança. Entre esses aliados está Delcy Rodríguez, que já atuou como ministra de Comunicações e de Relações Exteriores e, mais recentemente, como vice-presidente; e seu irmão, Jorge Rodríguez, que terminou como presidente da Assembleia Nacional e foi o enviado de Maduro para as principais negociações com os Estados Unidos.
Nova eleição contestada
Em 28 de julho de 2024, em meio a mais uma eleição contestada pela oposição e por grande parte da comunidade internacional, Maduro, já com 61 anos, foi anunciado como vencedor de um pleito que se transformou num divisor de águas no país. Conforme o CNE, Maduro obteve 51,21% dos votos, enquanto seu principal rival, o embaixador aposentado Edmundo González Urrutia — que tinha María Corina Machado como candidata a vice na chapa — recebeu 44,2%. A oposição nunca aceitou o resultado, e o país mergulhou numa onda de repressão brutal. Milhares de pessoas foram presas sem justificativa, lideranças da oposição, entre elas o próprio González Urrutia, rumaram para o exílio, e a Venezuela não conseguiu contar com o apoio sequer dos vizinhos Brasil e Colômbia, antes seus aliados.
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Na cerimônia em que foi oficialmente proclamado como presidente eleito, Maduro acusou os opositores e a “extrema direita” no exterior de tentarem desestabilizar o país.
— Não é a primeira vez que enfrentamos o que enfrentamos hoje. Está sendo feita uma tentativa de impor um golpe de Estado na Venezuela, novamente. De natureza fascista e contrarrevolucionária — disse Maduro, apontando que estariam em curso os “primeiros passos” para desestabilizar o país.
Disputa com os EUA
Desde o início da escalada de tensão com o segundo governo de Trump, Maduro respondeu às acusações de narcoterrorismo e disse estar disposto a resistir às “forças imperialistas dos EUA”, alegando que os ataques eram uma tentativa de provocar uma mudança de regime. O líder venezuelano liderou a campanha contra a ofensiva de Trump, ao lado das principais figuras do governo.
A propaganda do chavismo funcionou o mais rápido possível. Nos meses prévios ao ataque americano, Maduro anunciou exercícios militares e treinamentos armados para civis. Em outubro, após Trump confirmar que havia autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a conduzir ações secretas na Venezuela, citou os “golpes de Estado orquestrados pela CIA” na América Latina. Alguns dias mais tarde, afirmou que havia “desmantelado uma célula criminosa” patrocinada pela agência americana.
Cartaz do Departamento de Estado com oferta de recompensa por captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
Reprodução
A tensão se elevava dia após dia. Os EUA subiram a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões (R$ 270 milhões) sob acusações de “narcoterrorismo”. Em paralelo, as investigações no Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes de lesa-humanidade cometidos pelas forças de segurança chavista continuam. A ação sempre foi uma enorme dor de cabeça para Maduro e seus aliados, e um dos motivos que o chavismo tinha para não deixar o poder. O risco de as principais figuras do regime terminarem na prisão era motivo de tormento para todos.
Nos anos em que Maduro esteve no pode,r o chavismo, em suas próprias palavras, se tornou um regime cívico, militar e policial. Amparado por esse regime, foram feitos negócios milionários, nasceu a chamada burguesia bolivariana, associada a parceiros do mundo que continuaram apoiando a Venezuela. Russos, árabes, iranianos e turcos fizeram parte desses negócios, asseguram lideranças opositoras. Maduro construiu um império, enquanto milhões de venezuelanos continuaram vivendo na pobreza. Os erros permanentes da oposição deram ainda mais vida ao chavismo, que acabou caindo pela intervenção de um poder estrangeiro.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse desconhecer o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e exigiu uma “prova de vida” de ambos após o ataque dos Estados Unidos ao país na madrugada deste sábado. Segundo fontes do exército americano ouvidas pela emissora CBS News, o líder venezuelano foi capturado por equipes da Delta Force, uma espécie de “tropa de elite” das Forças Armadas dos EUA.
— Diante desta situação brutal e diante deste ataque brutal, nós desconhecemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores (…) Exigimos uma prova de vida imediata por parte do governo do presidente Donald Trump sobre as vidas do presidente Maduro e da primeira-dama — declarou em uma chamada de áudio à emissora estatal VTV Venezuela.
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Vice-presidente da Venezuela pede ‘prova de vida’ de Nicolás Maduro
Ela acrescentou que o ataque dos EUA teria deixado mortos, entre eles autoridades, militares e civis em todo o país. Minutos antes da sua fala, o presidente americano, Donald Trump, confirmou o ataque e afirmou que as Forças Armadas dos EUA capturaram e retiraram Maduro e sua esposa da Venezuela após lançar um “ataque em grande escala”.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”, escreveu em declaração na sua plataforma Truth Social.
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Reações: Presidentes de Cuba e Colômbia condenaram ataque dos EUA à Venezuela
O presidente americano não informou para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura, mas afirmou que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
De acordo com os oficiais do exército ouvidos pela emissora americana CBS News, integrantes da Delta Force, a principal unidade de missões especiais do Exército dos EUA, conduziram a operação que capturou o presidente venezuelano. A unidade foi também a responsável pela missão de 2019 que matou o ex-líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi.
Os Estados Unidos prenderam o líder venezuelano, Nicolás Maduro, para que ele seja julgado em Washington, de acordo com um senador republicano que afirma ter conversado com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, neste sábado. Além disso, o senador assesgurou que Washington concluiu a ofensiva na Venezuela, dizendo que Rubio “não prevê mais ações, agora que Maduro está sob custódia”. As informações foram reveladas pela rede americana CNN.
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“[Rubio] me informou que Maduro foi preso por agentes americanos para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética que vimos esta noite foi empregada para proteger e defender aqueles que executavam o mandado de prisão”, publicou o senador republicano de Utah, Mike Lee, nas redes sociais. “Essa ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, conforme o Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente”.
Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em sua plataforma Truth Social. O presidente americano afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
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“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo. Há anos, o governo Trump afirma que Maduro é um criminoso e busca processá-lo por meio do sistema jurídico dos EUA.
Em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, Maduro foi acusado no Distrito Sul de Nova York por “narcoterrorismo”, conspiração para importar cocaína e acusações relacionadas.
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O governo Trump chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 80 milhões) pela prisão do líder venezuelano. Essa recompensa foi aumentada para US$ 25 milhões (R$ 132 milhões) nos últimos dias do governo do ex-presidente americano Joe Biden, no início de janeiro do ano passado, e para US$ 50 milhões (mais de R$ 260 milhões) em agosto do mesmo ano, após Trump assumir o segundo mandato e designar o Cartel de los Soles como uma organização terrorista estrangeira. Washington alega que Maduro é o líder desse grupo.
— Essa afirmação de que o regime de Maduro é uma organização narcoterrorista não se baseia em conversa política ou especulação. Ela se baseia em provas apresentadas a um júri do Distrito Sul de Nova York que resultou em uma acusação formal — disse Rubio em uma coletiva de imprensa no mês passado.
O ataque
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
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Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
‘O céu ficou vermelho’: Moradores relatam explosões e pânico durante ataque dos EUA na Venezuela
As explosões ocorrem depois Trump enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Na capital venezuelana, o clima, segundo uma das fontes, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.
— Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional da Comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano. Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.
— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 115 mortes. Em paralelo, Washington mobilizou o maior destacamento militar no mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis, em 1962, com o maior porta-aviões do mundo, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.
Um morador de Higueroteda, uma cidade no litoral da Venezuela, disse que foi acordado na madrugada deste sábado pelo que inicialmente pensou serem fogos de artifício, antes de ouvir mais explosões por toda a cidade, com o céu ficando vermelho e os vizinhos gritando. A cidade fica ao leste de Caracas, a cerca de 85 quilômetros, onde foram relatados ao menos sete explosões provenientes do ataque dos Estados Unidos. Em sua plataforma Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, confirmou que Washington realizou um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro.
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— A princípio, pensei que fosse algo parecido com um fogo de artifício — disse o homem de 23 anos , pedindo anonimato por motivos de segurança, em entrevista à rede americana CNN. — Então, veio outra explosão e o chão começou a tremer. Foi nesse momento que percebi que era algo mais sério. Meus vizinhos começaram a gritar e correr pela rua. Quando saí de casa, vi uma enorme parede de fumaça.
O morador de Higueroteda disse que “o céu ficou vermelho de repente e, alguns segundos depois, um som alto cortou o ar”.
— Ficou tudo em silêncio por cerca de 20 minutos e então pudemos ouvir aviões novamente, e depois, mais duas explosões. Depois disso, tudo tremeu. As explosões pareciam controladas, mas dava a impressão de que tinham destruído todo o aeroporto — acrescentou o homem.
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Imagens, verificadas pela CNN, mostram um grande incêndio e explosões em um aeroporto em Higuerote. Várias bolas de fogo podem ser vistas cruzando o céu acima do incêndio, que parece ser um sistema de defesa aérea atuando contra o bombardeio americano. Este é pelo menos o segundo aeroporto venezuelano atingido pela ofensiva dos EUA durante a madrugada.
Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
Reprodução
— O barulho me acordou e, quando olhei pela janela, vi colunas de fumaça indo em direção a La Carlota — disse um morador de Las Mercedes. La Carlota abriga a Base Aérea Generalíssimo de Miranda e um aeroporto militar.
Em comunicado, o governo venezuelano afirmou que, além de Caracas, os ataques americanos atingiram também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Vídeos aos quais a AFP teve acesso mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da faixa costeira de La Guaira.
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— Senti que [as explosões] me levantaram da cama pela força do impacto e, naquele instante, pensei: “Meu Deus, chegou o dia”, e chorei — contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de La Guaira, de 58 anos.
Na capital venezuelana, o clima, segundo uma das fontes ouvidas pelo GLOBO, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.
— Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional da Comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.
Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que mora em um bairro próximo ao Forte Tiuna disse que ouviu explosões desde as 2h.
— Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora — disse. — As janelas tremeram e eu me escondi em um quarto sem janelas.
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Também perto do Forte Tiuna, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador de El Valle, disse:
— Parece uma metralhadora, como se estivessem se defendendo de bombardeiros — afirmou, acrescentando: — Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.
O ataque
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados na madrugada deste sábado, por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois”, escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.
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As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
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gundo uma fonte que está em Caracas, “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”. O Forte Tiuna é uma espécie de Pentágono venezuelano, onde, segundo se comentou nos últimos tempos, estaria morando Maduro com sua família.
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano. Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.
— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.
Desde setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico, resultando em pelo menos 115 mortes. Em paralelo, Washington mobilizou o maior destacamento militar no mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis, em 1962, com o maior porta-aviões do mundo, mais de 15 mil militares e diversos navios de guerra.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.
(Com AFP e colaboração de Janaína Figueiredo)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em sua plataforma Truth Social. O presidente americano não informou, no entanto, para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
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“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante ataques que, segundo o governo venezuelano, atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados na madrugada deste sábado, por volta das 2h, em Caracas. De acordo com fontes locais, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna.
Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois”, escreveu a correspondente da CNN em Caracas, Osmary Hernandez.
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As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
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gundo uma fonte que está em Caracas, “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”. O Forte Tiuna é uma espécie de Pentágono venezuelano, onde, segundo se comentou nos últimos tempos, estaria morando Maduro com sua família.
Na capital venezuelana, o clima, segundo uma das fontes, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.
— Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional da Comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.
Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que mora em um bairro próximo ao Forte Tiuna disse que ouviu explosões desde as 2h.
— Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora — disse. — As janelas tremeram e eu me escondi em um quarto sem janelas.
Também perto do Forte Tiuna, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador de El Valle, disse:
— Parece uma metralhadora, como se estivessem se defendendo de bombardeiros — afirmou, acrescentando: — Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.
Na cidade costeira de La Guaira (norte), separada da capital apenas por uma montanha que delimita o vale de Caracas, também foram relatadas explosões por volta das 2h. Vídeos obtidos pela AFP mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da costa.
Na última segunda-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.
Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na última quinta-feira.
— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o líder venezuelano.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.
Com AFP e colaboração de Janaína Figueiredo
Governo Maduro acusa EUA de atacarem a Venezuela Além de ataque à base da Força Aérea e forte militar em Caracas, outros três estados foram alvos das explosões, segundo o governo local
Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados nessa madrugada por volta das 2h deste sábado em Caracas. De acordo com fontes locais, um dos alvos teria sido a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna. Em comunicado, o governo venezuelano acusou os Estados Unidos pelos ataques, afirmando que, além de Caracas, também atingiram os estados Miranda, Aragua e La Guaira.
Reação: Governo da Venezuela denuncia ‘agressão militar dos EUA’ e pede reação da comunidade internacional
Cerco: Rússia pede aos Estados Unidos que parem de perseguir petroleiro em fuga
Segundo uma equipe da rede americana CNN, algumas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica. “Uma delas [explosões] foi tão forte que minha janela tremeu depois”, disse a correspondente da CNNE, Osmary Hernandez.
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As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionou a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmou que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam contados.
Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora sem elementos que permitam identificar a localização exata das explosões, que parecem estar ocorrendo no sul e leste da cidade. Ainda, porém, não é possível verificar sua autenticidade.
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gundo uma fonte que está em Caracas, “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”. O Forte Tiuna é uma espécie de Pentágono venezuelano, onde, segundo se comentou nos últimos tempos, estaria morando Maduro com sua família.
Na capital venezuelana, o clima, disse a fonte, “é de pânico pelas imagens de explosões ao redor da cidade”.
— Eu estava dormindo quando minha namorada me acordou e disse que estavam bombardeando. Não vi as explosões, mas ouvi os aviões — disse à AFP Francis Peña, um profissional de comunicação de 29 anos que mora na zona leste de Caracas.
Sob condição de anonimato, uma aposentada de 67 anos que mora em um bairro próximo ao Forte Tiuna disse que ouviu explosões desde as 2h.
— Há pausas, depois recomeçam. Ainda consigo ouvi-las agora — disse. — As janelas tremeram e eu me escondi em um quarto sem janelas.
Também perto do Forte Tiuna, Emmanuel Parabavis, de 29 anos, morador de El Valle, disse:
— Parece uma metralhadora, como se estivessem se defendendo de bombardeiros — afirmou, acrescentando: — Ouvimos muitas explosões e tiros; imaginamos que sejam contra os aviões que estão sobrevoando a região.
Na cidade costeira de La Guaira (norte), separada da capital apenas por uma montanha que delimita o vale de Caracas, também foram relatadas explosões por volta das 2h. Vídeos obtidos pela AFP mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da costa.
Trump afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.
Maduro, por sua vez, expressou confiança em uma entrevista transmitida na quinta-feira.
— O sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios — disse o presidente.
Trump acusa Maduro de chefiar uma vasta rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo.
Com AFP e colaboração de Janaína Figueiredo

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