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Horas depois da confirmação de um ataque americano à Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, que será entregue à Justiça dos EUA, países da região condenaram a ação, acompanhados por aliados do chavismo, como Rússia e China, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que se tratava de um “precedente perigoso”. Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua primeira entrevista coletiva, disse que Washington assumiria as rédeas do processo de transição, sem dizer como, mas também sem esconder o interesse no petróleo venezuelano: o país tem as maiores reservas comprovadas do planeta.
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Em entrevista ao GLOBO, Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, enumera os motivos que permitem classificar o ataque de Trump como uma intromissão à soberania venezuelana, destaca os aspectos econômicos da operação trumpista e aponta como a operação para prender Maduro empodera países como Rússia e China.
Trump tratou a operação em Caracas em tons policiais, com Nicolás Maduro apresentado como um criminoso comum, e não sob argumento de defesa da democracia, como fizeram presidentes americanos em outras décadas. À luz do direito internacional, existe alguma diferença?
Isso não faz diferença alguma em termos de direito internacional. Houve uso de força armada em território de outro Estado sem autorização do Conselho de Segurança ou sem alegação de autodefesa, como previsto no Artigo 51 da Carta da ONU, que rege sobre o uso da força, por isso existe um ilícito internacional. O enquadramento do Trump, como sendo uma ação policial contra o narcoterrorismo, contra o crime organizado, pode até ser relevante no nível do direito humanitário, em termos de se garantir a proteção dos direitos humanos no contexto de guerra. Os EUA podem sustentar o argumento policial, se afastando da linguagem da guerra, mas na prática houve um ataque armado de um Estado contra um outro território. A discussão é justamente a partir da perspectiva de agressão armada no território estrangeiro. E apresentar a ação como um caso de polícia, de forma a reduzir o custo diplomático, acho questionável, porque houve uma nítida intromissão na soberania de outro Estado.
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Então podemos dizer que a ofensiva na Venezuela foi uma violação de soberania?
A soberania simplesmente não desaparece porque um governante é contestado, ou porque o governo não é considerado legítimo. Temos que lembrar que o Estado é composto por três elementos: povo, território e soberania. A soberania é o poder de autogestão, de autogoverno interno e também a possibilidade de reconhecimento internacional. Ainda que tenhamos um questionamento sobre a legitimidade do governo, um outro Estado não pode, perante o direito internacional, fazer essa intromissão porque existe uma proteção da integridade territorial e da independência política do Estado. A pergunta jurídica principal deveria ser: será que o consentimento foi dado para que houvesse essa entrada no Estado da Venezuela? Outra pergunta: houve mandato do Conselho de Segurança? Até agora não vemos uma justificativa internacional, tanto do Estado da Venezuela, bem como dessa perspectiva do Conselho de Segurança ter autorizado. Por isso, temos uma ilegitimidade e uma violação da soberania venezuelana, inclusive pela forma e pelo objetivo político da ação que vem a ser a questão atrelada a a utilização do petróleo venezuelano.
Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
Reprodução
Trump disse que os EUA irão comandar a Venezuela e liderar um processo de transição que ao menos em público, não foi delimitado. Essa não é exatamente uma receita de sucesso para países que sofreram intervenção americana…
Ele disse que fará transição, mas ele argumenta a partir de uma perspectiva de não ter um plano concreto para Venezuela e sabemos que essa política de transição a partir de um outro Estado se chama intervenção militar não autorizada, ou intervenção política não autorizada. Dentro dessa premissa, observamos um ponto crucial no direito internacional que é uma ingerência ilícita em outro território. Mais do que isso, é necessário lembrar que Trump reafirma com redundância que a intervenção vai ser política voltada para a economia, para a exploração do petróleo. Ou seja, ele quer de fato é criar um ambiente apto para que os Estados Unidos exerçam essa exploração de recursos sem qualquer intromissão.
No mês passado, os EUA anunciaram o chamado Corolário Trump, no qual a Casa Branca deixava claro que a América Latina é sua zona de influência. Ao invadir a Venezuela, Trump deixou claro que não se trata apenas de retórica….
Se a Casa Branca sustenta a que a América Latina é uma zona de influência, isso é politicamente inteligível, mais juridicamente problemático. Porque esfera de influência não é exceção reconhecida na Carta da ONU. Então, o saldo dessa retórica, na forma militar em Caracas, tende a reforçar a leitura de que a política externa vai pela lógica justamente de de que os Estados Unidos hoje querem retomar a sua busca por influência na América Latina, mas não para deixar a América Latina um lugar melhor para os latino-americanos, mas sim para que os interesses dos Estados Unidos sejam reservados dentro de recursos naturais, recursos minerais e principalmente a questão atrelada a essa vontade dos Estados Unidos em poder fazer o que bem entenderem na América Latina.
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Houve reações de condenação em boa parte dos países da América Latina. A senhora considera que há algo que as nações possam fazer diante de uma demonstração de poder como a que vimos na madrugada deste sábado contra qualquer um que seja visto como algoz de Washington?
Há ferramentas, mas nenhuma vai resolver o problema do custo político e jurídicoi mposto para esses países. A primeira é convocar reuniões na ONU e pressionar por debates no Conselho de Segurança. Mesmo com veto dos Estados Unidos, isso terá um custo reputacional. Existem ferramentas na Assembleia Geral e também a reunião de consulta de chanceleres na Organização de Estados Americanos, e o eventual acionamento de mecanismos de segurança coletiva regionais, ou a revisão de acordos sensíveis. Mas mas os Estados latino-americanos ainda dependem muito dos Estados Unidos. Medidas econômicas vão ser pouco eficazes, principalmente pensando que muitos ainda lutam contra o tarifaço. É possível reagir, mas a eficácia depende de coordenação regional e alianças estratégicas, mas acho pouco provável, especialmente porque China e Rússia também não querem que os EUA se intrometam em suas zonas de influência, respectivamente Taiwan e Ucrânia.
Trump confirma ‘ataque de grande escala’ à Venezuela e diz que Maduro foi capturado
Reprodução
Como a senhora acredita que outros países que volta e meia põem em xeque as regras do sistema internacional, como a Rússia, podem encarar essa ação militar? Seria, em sua opinião, um recado de que, com o argumento certo, vale tudo no cenário internacional?
A Rússia pode ler como uma legitimação por analogia, “Se os Estados Unidos fazem isso, porque eles não podem?”. E isso tende a aparecer também em discursos sobre a Ucrânia, na China sobre Taiwan. A normalização de justificativas flexíveis como narcoterrorismo, crime transnacional, proteção de nacionais, isso oode baixar o limiar do que seria aceito do que seria aceitável para os Estados. Então, existe um risco e um precedente que enfraqueça o multilateralismo e, principalmente, a segurança e paz internacionais advindo da Carta de São Francisco (Carta da ONU)
Imediatamente após o ataque sem precedentes dos EUA à Venezuela, que levou à captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, governos de todo o mundo reagiram em uma mescla de críticas à ação militar, apoio irrestrito à prisão do chavista e uma postura cautelosa, até pela incerteza dos dias que estão por vir.
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Na América Latina, as primeiras reações vieram da Colômbia e de Cuba, dois países ameaçados pelo presidente americano, Donald Trump, em entrevista coletiva na tarde de sábado. Na rede social X, Gustavo Petro, líder colombiano que está sob sanções americanas, não citou os EUA, mas declarou que seu governo “rechaça qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil”. Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, exigiu ação urgente da comunidade internacional contra um “criminoso ataque” à Venezuela.
Outras lideranças de esquerda da região também condenaram a ação. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse se tratar de uma “afronta gravíssima” à Venezuela, e uma “violação do direito internacional”. Tom similar ao de Gabriel Boric, presidente chileno que está perto do fim do mandato, e de Claudia Sheinbaum, presidente do México, que citou o trecho da Carta da ONU sobre agressões a outros Estados.
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No campo da direita, as palavras foram de celebração. Javier Milei, aliado de Trump na Argentina, usou seu jargão, “viva a liberdade”, acompanhado por um palavrão. Daniel Noboa, líder do Equador, afirmou que “chegou a hora dos narcochavistas”. Nayib Bukele, que abriga em El Salvador uma prisão usada por Trump para enviar imigrantes considerados indesejados pela Casa Branca, fez publicações irônicas na rede X.
A Venezuela é, há anos, um tópico quente, mas secundário, na América Latina, seja por questões ideológicas ou migratórias, como se viu recentemente no Chile. Em um ano com votações em cinco países — Brasil, Colômbia, Costa Rica, Haiti e Peru — a política externa pode ganhar tons inéditos em processos eleitorais.
As reações de políticos de direita sugerem que usarão o apoio a Trump (mesmo que não seja recíproco) como atestado de que estão “ao lado” da democracia e do combate ao crime, argumentos repetidos em Washington mesmo antes do retorno do republicano. Já o campo progressista parece apostar na defesa da soberania nacional e, no caso de Sheinbaum e de Lula, na manutenção de canais de diálogo com Trump para resolver questões que vão além da Venezuela, como o tarifaço. A possibilidade de uma intervenção de longo prazo, como prometida pela Casa Branca, também pesa no cálculo político, embora não se tenha muita ideia do que os EUA têm em mente.
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Na Europa, uma palavra resume as reações: cautela. Ao mesmo tempo em que ninguém saiu em defesa do regime de Nicolás Maduro, cuja eleição no ano passado não foi reconhecida pelo bloco, líderes de diferentes campos do espectro político expressaram ressalvas sobre como foi retirado do poder.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), defenderam uma transição pacífica de poder e pediram respeito à lei internacional e à Carta das Nações Unidas. Giorgia Meloni, premier da Itália, adotou um tom dúbio ao dizer que ações externas não são a melhor forma de acabar com regimes autoritários, mas que considera “legítima a intervenção defensiva contra ataques híbridos à sua segurança”. Friedrich Merz, chanceler alemão, foi ainda mais cauteloso, dizendo que “avaliação jurídica da intervenção dos EUA é complexa e exige uma análise cuidadosa”. Pedro Sánchez, premier espanhol, reiterou que não reconhecia Maduro, mas tampouco reconhecerá “uma intervenção que viola o direito internacional e empurra a região para um horizonte de incerteza e beligerância”.
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Entre as reações, as mais peculiares vieram da França. Emmanuel Macron, presidente, disse que o povo venezuelano deveria comemorar por ter se livrado da “ditadura de Maduro”, sem citar a invasão. Pouco antes, seu chanceler, Jean-Noël Barrot, questionou a legitimidade da operação militar, como também o fizeram Jordan Bardella, presidente do Reagrupamento Nacional, de extrema direita, e Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, de esquerda.
Ao longo da crise venezuelana, a Europa buscou um papel de protagonismo no diálogo entre os chavistas e a oposição, sem muito sucesso. Agora, também tenta evitar novos problemas com Donald Trump, um líder americano que jamais prezou pela relação transatlântica. Desde seu retorno à Casa Branca, os europeus o tratam com luvas de pelica e concessões, sejam elas econômicas ou de Defesa, como visto recentemente na Otan, a principal aliança militar do Ocidente. Outro ponto sensível é a Ucrânia: o republicano não esconde o desdém por Kiev, e pressiona Bruxelas para que gaste mais com a guerra. Por isso, ficar em cima do muro sobre Maduro parece uma opção mais segura ao continente.
Soltando a mão
Os principais aliados da Venezuela, Rússia e China, adotaram um tom crítico. A Chancelaria russa falou em “ato de agressão” e citou o direito à autodeterminação dos venezuelanos. Pequim, também por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, disse que o país “se opõe firmemente a esse comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional”.
Mas como dizem analistas há alguns meses, os dois países, que apoiam (ou apoiavam) militarmente e economicamente o regime chavista, devem ficar apenas nas palavras. Diante do aumento da presença militar americana no Caribe, Maduro chegou a pedir ajuda a seus aliados para fortalecer suas capacidades de defesa e controle dos céus, mas não teve a resposta esperada — em 2018, quando os EUA (também com Trump) não aceitaram a vitória de Maduro na eleição presidencial daquele ano, Moscou enviou centenas de membros da milícia Grupo Wagner e dois aviões com capacidade nuclear à Venezuela.
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Como os europeus, os dois parecem querer evitar novos problemas.
— Atualmente, não há motivos para defender a Venezuela, nem para a Rússia, nem para a China, considerando seus outros problemas, como a guerra da Rússia na Ucrânia e a China tentando conviver com o presidente Trump no cenário internacional — afirmou, em entrevista à BBC em dezembro, Fernando Reyes Matta, ex-embaixador chileno em Pequim. — Os endossos que ele (Maduro) teve no passado não estão mais disponíveis em termos reais, exceto por algumas declarações retóricas.
A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares americanos e a declaração do presidente Donald Trump de que os EUA vão “governar” o país — até que haja uma transição política — levantam uma série de questões jurídicas complexas, no limite entre o direito internacional e o poder presidencial em Washington. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O New York Times criticou a escalada militar dos EUA contra a Venezuela e a captura do líder chavista, Nicolás Maduro, em um contundente editorial publicano neste sábado. Embora reconheça o caráter autoritário e repressivo do regime venezuelano, a publicação afirma que a operação anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, é ilegal à luz da Constituição dos EUA e do direito internacional, e alerta que a iniciativa repete erros históricos da política externa do país, arriscando aprofundar ainda mais a instabilidade na região. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Maduro chega a Nova York após ser capturado em ataque militar dos EUA na Venezuela; acompanhe ao vivo Em pronunciamento, Trump diz que EUA vão administrar país e controlar reservas de petróleo
Horas depois de ser capturado em um ataque militar dos EUA contra a Venezuela, o líder chavista Nicolás Maduro chegou aos EUA no início da noite deste sábado, onde será processado por acusações de ligação com o tráfico de drogas e posse ilegal de armas. Na aeronave, além de agentes federais americanos, estava a mulher de Maduro, Cilia Flores, que também deve enfrentar a Justiça americana. Ao jornal New York Times, um integrante do governo venezuelano disse que 40 pessoas foram mortas na ação americana.
Em atualização
O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela provocou um caos aéreo no Caribe, em plena alta temporada e com muitos turistas americanos e europeus tentando voltar para casa após as férias de Natal.
O regulador americano de aviação (FAA) determinou, neste sábado, que as companhias aéreas registradas nos Estados Unidos deixassem de operar em todo o espaço aéreo do Caribe, “devido aos riscos para a segurança (…) vinculados à atividade militar em curso”.
Destinos turísticos populares como Barbados, Aruba, Porto Rico, Antígua e Barbuda e Trinidad e Tobago registraram centenas de cancelamentos de voos.
A autoridade de turismo de Porto Rico (ilha no Caribe que é um estado associado aos Estados Unidos) informou que seu espaço aéreo foi fechado pelo FAA por volta das 2h da manhã, e que pelo menos 361 voos já foram cancelados até agora. “O total de cancelamentos pode aumentar”, alertou a agência.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou em uma declaração na rede X que as restrições ao espaço aéreo seriam suspensas “quando apropriado”.
No aeroporto Luis Muñoz Marín, em San Juan (capital de Porto Rico), centenas de pessoas estavam acampadas ao redor do terminal — espalhadas sobre malas e reunidas perto de tomadas elétricas — sem saber como e quando conseguiriam voltar para casa. Alguns haviam sido informados de que as restrições de viagem poderiam ser suspensas à 1h da manhã de domingo e, por isso, decidiram esperar.
Irene Fernandez, de 45 anos, engenheira química da Espanha, foi informada no início do sábado de que seu voo das 21h para Madri havia sido cancelado. A companhia aérea se ofereceu para remarcá-la em um voo na terça-feira, o que significa que ela terá de faltar ao trabalho.
— Nos divertimos muito aqui, e esse atraso não vai estragar isso — disse ela. — Mas, neste momento, estou bastante irritada.
O Natal e o Ano-Novo são períodos de pico para visitar o Caribe, com turistas dos Estados Unidos e da Europa buscando clima quente e praias paradisíacas durante as festas.
A JetBlue Airways Corp. informou no sábado que cancelou cerca de 215 voos em toda a sua malha aérea como resultado do fechamento do espaço aéreo em várias partes do Caribe. A companhia observou, em um comunicado enviado por e-mail, que os voos para a República Dominicana e a Jamaica não foram afetados pelas restrições do governo.
Clientes cujos voos forem cancelados poderão remarcar a viagem ou solicitar reembolso, informou a JetBlue. A companhia opera voos para o Caribe a partir de várias cidades dos EUA, incluindo Nova York, Boston, Orlando e Fort Lauderdale, na Flórida.
O grupo American Airlines Inc. havia cancelado mais de 160 voos e atrasado outros 500 em toda a sua rede até as 15h52 (horário de Nova York), de acordo com o FlightAware. O Aeroporto Internacional de Miami, base de muitos voos da American para o Caribe, alertou os passageiros sobre possíveis interrupções em uma publicação na rede X.
A American informou que está “ajustando sua programação de voos para a região” como resultado do fechamento do espaço aéreo determinado pela FAA.
“Reconhecemos o transtorno que essas restrições causam aos nossos clientes e estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para atendê-los, inclusive oferecendo maior flexibilidade aos passageiros cujas viagens foram afetadas”, disse a American em comunicado à Bloomberg News.
A interrupção não se limita apenas aos voos de passageiros. A deputada Stacey E. Plaskett, que representa as Ilhas Virgens, afirmou em nota que o Serviço Postal dos Estados Unidos a informou de que nenhum pacote Priority ou Priority Express, tanto de entrada quanto de saída, chegará ou será entregue no sábado devido à restrição do espaço aéreo.
No Canadá, os voos para o Caribe operados pela Air Canada e pela Air Transat estavam funcionando normalmente. A WestJet cancelou os voos entre Toronto e Aruba no sábado “por excesso de cautela” e informou que os voos de domingo ainda serão avaliados.
A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) recomendou às companhias aéreas da região que evitem sobrevoar a Venezuela.
A embaixadora Maria Laura da Rocha, número 2 do Itamaraty, afirmou na tarde deste sábado que que o Brasil só deve entrar em contato com os Estados Unidos sobre a Venezuela em reunição do Conselho de Segurança da ONU, que ocorrerá na segunda-feira pela manhã.
A diplomata falou à imprensa neste sábado após participar de reunião coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a participação de outros integrantes do governo federal, para discutir os ataques à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro.
Ela acrescentou que, ausência de Maduro, o Brasil terá relações diplomáticas com a gestão da vice de Maduro Delcy Rodríguez.
— Faremos (contato com os Estados Unidos) durante a reunição do Conselho de Segurança. Não cabe a nós fazer nenhum tipo de contato — disse a secretária-geral do Itamaraty: — Nossa posição é a posição do presidente (Lula) que foi divulgada hoje de manhã. O Brasil continua a favor do direito internacional, contra qualquetr tipo de invasão territorial, pela soberania dos países. O que está na declaração do presidente hoje de manhã continua sendo a posição do Brasil e será apresentada no Conselho de Segurança.
Já o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou na tarde deste sábado que as fronteiras da Venezuela com o Brasil estão abertas.
—A situação na fronteira nunca foi tão tranquila como está hoje, movimentação mínima. Está tudo calmo, as fronteiras estão abertas.
Esse foi o segundo encontro do tipo neste sábado. Em reunião de emergência convocada mais cedo, Lula cobrou de seus auxiliares mais informações sobre a situação na Venezuela.
Ele também não tinha dado sinais de que anteciparia seu retorno a Brasília — o presidente está no Rio de Janeiro desde o dia 26.
Após a primeira reunião, um interlocutor do petista afirmou à reportagem que a palavra de ordem era de cautela para aguardar os desdobramentos do ocorrido e, sobretudo, o pronunciamento de Trump.
Esse auxiliar do presidente disse que Lula também reforçou no encontro a necessidade de o Brasil manter seus canais diplomáticos abertos e a importância do diálogo, além da defesa da soberania dos países.
No encontro, o presidente brasileiro seguiu a linha de comunicado divulgado mais cedo neste sábado, no qual condenou os ataques, e pediu para que o chanceler, Mauro Vieira, coordenar o diálogo com países da região.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que os atos “representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Ele não citou nominalmente a captura de Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, nem fez ataques ao governo dos EUA.
Em pronunciamento de quase uma hora à imprensa no começo da tarde, Trump disse que os americanos permanecerão na Venezuela e vão “essencialmente comandar” o país até que uma transição política ocorra, sem dar prazo para isso.
Ele afirmou ainda que as empresas americanas vão retomar posições na indústria de petróleo no país e não descartou a possibilidade de novos ataques.
A avaliação de aliados de Lula é que Trump escancarou nessa fala o desejo do americano em controlar o petróleo da Venezuela. Um interlocutor do petista diz que há também uma dimensão teatral da fala do americano e que é preciso entender os desdobramentos desses ataques antes de que o governo brasileiro tome qualquer decisão.
Nos últimos meses, Lula vinha tentando atuar como um mediador na escalada da crise entre EUA e Venezuela. Em conversa com jornalistas em 18 de dezembro, o presidente brasileiro defendeu “diálogo” para que se evitasse uma “guerra fratricida” na região
Outro auxiliar de Lula disse que a fala de Trump não surpreende, já que não havia uma expectativa de que o americano anunciasse uma transição imediata. Ele reconhece, no entanto, que o discurso de Trump acende um sinal de alerta em todo o mundo, sobretudo na Colômbia, já que o americano tem feito críticas ao presidente colombiano, Gustavo Petro, e voltou a atacá-lo neste sábado, e Cuba.
O ataque à Venezuela foi anunciado por Trump por meio de uma rede social, em mensagem na qual disse que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra o país sul-americano.
Bases militares em Caracas e ao menos outros três estados foram bombardeadas durante a madrugada, enquanto a divisão de elite realizava a infiltração para captura de Maduro. Líderes chavistas afirmaram que houve baixas civis, mas não se referiram a nenhum número em particular. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana.
As autoridades suíças anunciaram neste sábado a abertura de uma investigação criminal contra dois gerentes do bar incendiado na noite de Réveillon na estação de esqui de Crans-Montana, que deixou 40 mortos e 119 feridos.
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Os gerentes de nacionalidade francesa “são acusados de homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo”, informaram em comunicado a polícia e o gabinete da Procuradoria-Geral do cantão de Valais, sem mencionar prisão provisória.
Ao final dessa investigação, o Ministério Público decidirá se arquiva o caso ou se apresenta denúncia formal.
“A investigação foi aberta porque há suspeitas, mas enquanto não houver condenação, prevalece a presunção de inocência”, afirmou à imprensa a procuradora-geral do cantão do Valais, Béatrice Pilloud.
Quem são os suspeitos
Os proprietários do bar Le Constellation são um casal de franceses, Jacques Moretti e Jessica Moretti.
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Donos de quatro bares e restaurantes em Crans-Montana e arredores, eles foram interrogados no início da investigação “na condição de pessoas chamadas a prestar informações”, havia informado a promotora na sexta-feira.
Ela acrescentou que, segundo os primeiros elementos da apuração, o fogo teria começado “por velas acesas ou fogos de artifício tipo bengala colocados sobre garrafas de champanhe”, cujas chamas teriam incendiado o teto do porão do estabelecimento.
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Além do uso dessas velas, os investigadores analisam os acessos ao porão e a espuma — um isolante acústico — que reveste o espaço do bar, a qual parece ter pegado fogo rapidamente, segundo vídeos que circulam nas redes sociais.
“A investigação vai determinar se essa espuma está de acordo com as normas”, declarou Pilloud na sexta-feira.
A aeronave que transportou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após a sua captura pelas forças militares dos Estados Unidos, teria feito um pouso forçado na base aérea de Ramey, em Porto Rico, por conta de uma questão médica. A informação é da rede americana de TV em língua espanhola Telemundo 47 e partiu de uma fonte anônima do governo americano.
Não está claro que tipo de problema de saúde teria motivado a parada, mas ela foi curta e “seguiram logo pela marcha em alto-mar”, novamente segundo o canal de notícias. O destino era o navio USS Iwo Jima, de onde foi realizado o translado do ditador latino-americano até Nova York, onde será julgado sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico.
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Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que nenhum agente morreu durante a operação, apesar da resistência e de “muitos disparos” efetuados no abrigo de Maduro. Ele disse ainda que o presidente venezuelano tentou fugir para um “bunker” na casa, mas foi rendido antes que pudesse fechar a porta de aço.
Maduro teve a “fortaleza” invadida às duas horas da madrugada, no horário local, segundo o governo americano. As Forças Armadas do país foram surpreendidas por um comboio de caças, bombardeiros, drones e helicópteros que abriram caminho para a Delta Force, pelotão de elite, realizar a extração.
Trump publicou nas redes sociais uma foto de Maduro sob custódia no USS Iwo Jima. Ele anunciou que os Estados Unidos vão administrar o país durante a transição para um governo “justo e pacífico” e que lucrará com as reservas de petróleo como “compensação” a investimentos passados na infraestrutura.
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O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma “agressão militar” e afirma que irá resistir ao controle externo, que para o chavismo teria motivação econômica. A diplomacia brasileira também condenou a ação, classificando-a como uma afronta à soberania do país.

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