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A próxima audiência do líder chavista Nicolás Maduro, capturado na madrugada de sábado em uma megaoperação dos EUA em Caracas, foi agendada para o dia 17 de março, em um tribunal federal em Manhattan, em Nova York. O presidente venezuelano se declarou inocente ao se apresentar nesta segunda-feira à corte, na primeira etapa de um processo judicial em território americano, que deve se prolongar por meses. Ele e a esposa, Cilia Flores, foram formalmente apresentados às acusações que incluem alegações de “narcoterrorismo” e conspiração para importação de cocaína para os EUA — em um caso jurídico que se apresenta complexo à luz do direito internacional e da justiça americana, e que alguns especialistas consideram inconsistente.
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Pouco após se apresentar à corte, o juiz pediu a Maduro que se identificasse. Segundo o New York Times, Maduro o fez, em espanhol, chamando a si mesmo de presidente da República da Venezuela e dizendo que estava ali “sequestrado”. Maduro compareceu vestindo uma camisa azul-marinho de manga curta sobre um uniforme laranja de presidiário e fones de ouvido, provavelmente para tradução, assim como sua esposa, também ré no processo.
— Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente, ainda sou presidente do meu país — disse Maduro após ser perguntado sobre sua declaração de culpa ou inocência.
Depois de Maduro, o juiz se dirigiu à esposa do chavista, que também se declarou inocente das acusações:
— Inocente, completamente inocente — disse ela.
Ainda segundo o NYT, o advogado de Maduro, Barry Pollack, disse que poderá apresentar moções relativas ao papel de Maduro como chefe de um Estado soberano e acrescenta que “existem dúvidas sobre a legalidade do seu sequestro militar”.
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A apresentação perante um juiz federal nesta segunda-feira foi uma obrigação perante o sistema legal americano, e como tal, não havia espaço para pronunciamentos longos ou discussões sobre o mérito do caso. O procedimento todo durou em torno de meia hora, com o juiz federal Alvin K. Hellerstein, para quem o caso foi atribuído, informando ao fim que todos comparecerão ao tribunal no dia 17 de março para a próxima audiência.
Ao ser conduzido para fora do tribunal, Maduro disse em espanhol:
— Sou um prisioneiro de guerra.
A audiência judicial coincidiu com a posse do novo Parlamento em Caracas, que manifestou apoio a Maduro, e com uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York sobre a Venezuela.
Maduro chega de helicóptero para a primeira audiência em tribunal de Nova York
Maduro e Cilia chegaram aos EUA ainda no sábado, a bordo do USS Iwo Jima, parte da frota naval que o presidente americano, Donald Trump, deslocou para o Caribe em sua iniciativa contra o narcotráfico. O líder venezuelano está detido no Centro Metropolitano de Detenções do Brooklyn, única unidade federal da cidade, conhecida por más-condições de funcionamento, e por ter abrigado figuras ilustres, como o rapper Sean “Diddy” Combs e o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. Imagens dele desembarcando perto do tribunal, escoltado por forças de segurança americanas, vestido com um uniforme cáqui e tênis laranja, foram divulgadas pouco antes das 10h (em Brasília).
O processo contra Maduro deve seguir como qualquer outro procedimento jurídico nos EUA. Espera-se que o caso, por se tratar de acusação criminal, seja levado a um tribunal do júri, formado por cidadãos comuns de Nova York. Apesar disso, especificidades envolvendo a legalidade da captura de Maduro e os limites estabelecidos pelo direito internacional, a posição do acusado como presidente de um país estrangeiro — embora tenha a legitimidade questionada por Washington —, e a acusação montada contra ele tornam as circunstâncias do caso únicas.
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Entenda os pontos centrais do processo contra Maduro nos EUA:
Quais são as acusações contra Maduro e Cilia?
O Departamento de Justiça dos EUA protocolou no sábado uma acusação formal contra Maduro, Cilia Flores, um filho do casal, duas autoridades venezuelanas e um suposto líder do Tren de Aragua, organização criminosa que Trump designou como terrorista no ano passado. Os crimes citados na peça são narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os EUA.
A acusação tornada pública no sábado concentra-se quase inteiramente no papel da Venezuela, ao longo de décadas, no tráfico de cocaína. Ela acusa Maduro e seus cúmplices de trabalharem em estreita colaboração com alguns dos maiores grupos de narcotráfico da região, na Colômbia e no México. Entre eles, estão grupos também designados pelos EUA como organizações terroristas.
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Especialistas afirmam que a Venezuela não é uma grande produtora de drogas, e descrevem o país como uma rota de trânsito de cocaína de menor importância, com a maior parte seguindo para a Europa. Acredita-se que a maior parte da cocaína destinada aos EUA não passe pelo Caribe, mas sim pelo Pacífico, de acordo com dados da Colômbia, dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
Em participação no programa BBC Breakfast, da emissora pública britânica, a professora de estudos de jurídicos na Universidade Liverpool John Moores, Julia Buxton, afirmou que a noção da participação venezuelana na exportação de drogas que matam cidadãos americanos nos EUA foi construída sobre “bases muito frágeis”.
— Não há fentanil saindo da Venezuela — disse a professora. — O que o governo Trump teve que fazer foi meio que inventar essa noção de Maduro como um narcoterrorista para poder implementar políticas de mudança de regime.
A extração de Maduro violou o direito internacional?
Tudo indica que viola a Carta das Nações Unidas, um tratado ratificado pelos EUA. Sob o Artigo 2(4) da carta, uma nação não pode usar a força no território soberano de outro país sem o seu consentimento, uma justificativa de autodefesa ou a autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Na maioria das vezes, quando os EUA usam a força no exterior sem a aprovação da ONU — como em alguns ataques de drones contra o terrorismo —, o fazem com a permissão do governo anfitrião ou sob alegação de autodefesa.
Prender alguém para que seja julgado, no entanto, é uma operação de aplicação da lei, não de autodefesa. Em 1989, a maioria do Conselho de Segurança da ONU votou pela condenação da invasão do Panamá, embora os EUA tenham vetado a resolução. A Assembleia Geral da ONU votou (75 a 20) por considerar o ato “uma violação flagrante do direito internacional e da independência, soberania e integridade territorial dos estados”.
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A proibição da ONU importa sob a lei dos EUA?
É aqui que as coisas ficam mais complicadas. A Constituição americana torna os tratados ratificados parte da lei suprema do país, e também exige que os presidentes “zelem para que sejam fielmente executadas”. No entanto, advogados do Poder Executivo apresentaram teorias de que a Constituição, às vezes, autoriza os presidentes a ignorarem legalmente os limites do direito internacional no uso da força no exterior.
Na intervenção no Panamá, por exemplo, um parecer do Gabinete de Aconselhamento Jurídico (OLC) do Departamento de Justiça alegou que Bush tinha poder constitucional inerente para enviar o FBI ao exterior para prender um fugitivo de acusações criminais dos EUA, mesmo que tal operação violasse o direito internacional. O parecer foi assinado pelo futuro procurador-geral William P. Barr.
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O raciocínio de Barr — quando veio a público posteriormente — atraiu críticas significativas de juristas. Brian Finucane, ex-advogado sênior do Departamento de Estado, argumentou em um artigo de 2020 que o memorando de Barr confundiu erroneamente duas questões.
Uma é uma questão mais específica: se e quando um tribunal dos EUA pode aplicar um tratado ratificado, caso o Congresso não tenha promulgado separadamente uma lei que repita seus termos. A outra é se todos os tratados ratificados contam como o tipo de lei que os presidentes são constitucionalmente obrigados a obedecer, “independentemente de os tribunais poderem ou não aplicá-la”, disse Finucane em entrevista.
Ele e outros afirmam que os presidentes estão vinculados à Carta da ONU — e entendia-se que assim estavam no momento em que ela foi ratificada — mesmo que nenhum tribunal possa ordenar que o presidente a obedeça. Mas não há uma decisão definitiva da Suprema Corte sobre a questão da Carta da ONU.
Os tribunais dos EUA se importarão com as circunstâncias da captura?
Provavelmente não. Mesmo que Maduro consiga argumentar que sua prisão foi ilegal sob a Carta da ONU, os tribunais dos EUA ainda parecem ter jurisdição para supervisionar seu processo por acusações de violação da lei doméstica.
Vários casos, incluindo em 1886, 1952 e 1992, rejeitaram contestações de réus criminais que alegavam ter sido levados ilegalmente sob custódia do tribunal onde estavam sendo julgados. O princípio é que o que importa é a presença do réu, não como ele chegou lá.
Maduro tem imunidade como chefe de Estado?
É um princípio de longa data do direito internacional que chefes de Estado possuem imunidade em tribunais estrangeiros. A Suprema Corte reconheceu essa restrição em um parecer de 1812, que afirma que “a pessoa do soberano” está isenta de prisão ou detenção em território estrangeiro.
Se Maduro tem direito a tal imunidade — como seus advogados de defesa certamente argumentarão — pode depender da diferença potencial entre ser apenas o líder de fato de um país e ser seu chefe de Estado politicamente reconhecido — e quem decide qual é qual.
Repetidamente, Rubio declarou que Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela, devendo ser visto, em vez disso, como o líder de uma organização de tráfico de drogas disfarçada de governo.
No caso histórico de Noriega, o ditador panamenho invocou a imunidade como chefe de Estado estrangeiro, mas o governo Bush argumentou que ele não tinha direito a ela. Um juiz de um tribunal distrital decidiu contra Noriega, e um tribunal de apelações manteve a decisão.
Esse raciocínio não se baseou apenas no fato de Bush ter se recusado a reconhecer Noriega como chefe de Estado do Panamá. Também se baseou na própria lei do Panamá: sua Constituição estabelecia que o chefe de Estado era um presidente eleito, enquanto Noriega era um líder militar e nunca afirmou ser o presidente.
O status de Maduro é mais complexo. Ex-vice-presidente da Venezuela, ele se tornou presidente interino após a morte de seu antecessor, Hugo Chávez. Maduro venceu então uma eleição apertada em 2013. Os EUA o reconheceram por anos como presidente da Venezuela.
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou formalmente Maduro vencedor das eleições em 2018 e 2024. Mas os resultados foram amplamente vistos como marcados por fraude e, desde 2019, Washington — tanto sob Trump em seu primeiro mandato quanto sob o Joe Biden — não reconheceram Maduro como líder legítimo.
Citando um precedente da Suprema Corte de 2015 que afirma que os presidentes têm autoridade absoluta para reconhecer governos estrangeiros, a professora Rebecca Ingber, professora da Cardozo School of Law e ex-advogada sênior do Departamento de Estado dos EUA, previu que “a Suprema Corte provavelmente decidirá que Trump tem o poder de negar o reconhecimento a Maduro para fins de imunidade de chefe de Estado”.
Com NYT.
Líderes de vários países procuraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da crise na Venezuela, desencadeada após a ação militar dos Estados Unidos no fim de semana. Entre eles estão o francês Emmanuel Macron, o colombiano Gustavo Petro e o espanhol Pedro Sánchez, informam interlocutores do governo brasileiro. As conversas devem ocorrer assim que Lula retornar a Brasília.
O presidente está no Rio de Janeiro e a expectativa é que volte à capital federal entre esta terça e quarta-feira, quando dará início a uma rodada de contatos diplomáticos sobre a situação venezuelana.
Lula conversou no sábado com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, logo após a ação americana. Além dos líderes europeus e latino-americanos, há a possibilidade de uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Donald Trump. Até o momento, porém, não há nada confirmado.
As articulações ocorrem após o ataque realizado por Washington à Venezuela no sábado passado, quando forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos, onde responderão a acusações de narcotráfico e outros crimes. A operação provocou reação imediata de países da região e reacendeu o debate sobre os limites da atuação unilateral de Washington.
O Brasil está entre os governos que condenaram a ação. Neste domingo, Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta na qual expressam “profunda preocupação e rejeição” às iniciativas militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as ações violam princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas.
A posição desses países contrasta com a adotada por governos de orientação mais à direita na região, como Argentina e Peru, que não subscreveram a declaração conjunta. No Itamaraty, a avaliação é que a crise exige coordenação política e diplomática para evitar novos desdobramentos e reduzir os impactos regionais de um episódio considerado de alta gravidade.
Ao iniciar os contatos internacionais, o governo brasileiro busca articular uma resposta política que reforce o multilateralismo e a defesa do direito internacional, ao mesmo tempo em que mantém canais abertos de diálogo diante de um cenário ainda marcado por incertezas sobre os próximos passos dos Estados Unidos e da Venezuela.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou, na manhã de sábado, com a então vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez. A ligação foi feita da base das Forças Armadas na Restinga da Marambaia, no Rio, e ocorreu horas depois da operação militar dos Estados Unidos que capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Agora, Delcy é a presidente interina da Venezuela.
De acordo com um integrante do governo familiarizado com o assunto, a ligação tratou principalmente da conjuntura naquele momento quando as informações ainda estavam desencontradas. Aliada histórica de Maduro e importante membro do regime venezuelano, Delcy Rodríguez conseguiu o apoio das Forças Armadas locais e a anuência do governo de Donald Trump para se manter no poder momentaneamente.
Lula está desde o dia 26 de dezembro na Restinga da Marambaia e deve retornar a Brasília na terça-feira. O presidente cogitou antecipar o retorno do período de descanso, mas decidiu permanecer no litoral do Rio. Do local, participou por videoconferência de duas reuniões no sábado com ministros e assessores sobre a situação na Venezuela.
No próprio sábado, Trump descartou que a líder da oposição María Corina Machado, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em dezembro de 2025, pudesse assumir o governo interinamente. Em seguida, afirmou que Delcy Rodríguez era a presidente interina. Na mesma ocasião, o presidente dos EUA disse que os americanos iriam “administrar temporariamente” a Venezuela.
O governo Trump não consultou e, consequentemente, não teve o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas nem do próprio Congresso americano sobre a operação militar por meio da qual derrocou Maduro, o que caracteriza a ação unilateral como ilegal. O ditador venezuelano foi preso em Caracas e imediatamente trasladado a Nova York, onde enfrenta julgamento por supostamente ser o líder do cartel de Los Soles, organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas. Maduro se diz inocente.
Colaborou Ivan Martínez-Vargas
Um dia depois de capturar Nicolás Maduro, o presidente americano, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela e emitiu alertas contundentes a outros países que podem ser seus próximos alvos. Apesar de Delcy Rodriguez ter sido nomeada como presidente interina, Trump afirmou, em entrevista à revista The Atlantic, que “se ela não fizer a coisa certa, pagará um preço muito alto”, sugerindo que Washington recorreria mais à pressão e à coerção sobre a Venezuela do que ao controle direto do país. Enquanto isso, a população permanece em casa, dividida entre a incerteza sobre o futuro político do país e o alívio pela queda de Maduro.
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Assim como muitos venezuelanos, José, um empresário radicado na Cidade do México, votou contra Nicolás Maduro nas eleições de 2024. O homem de 35 anos ficou consternado quando Maduro se manteve no poder, em meio a acusações de fraude e protestos da oposição em todo o país. Ao acordar no último sábado com a notícia de que Maduro havia sido deposto em uma megaoperação militar dos EUA em Caracas, teve uma mistura de sentimentos entre pavor, alegria e incerteza.
— É uma sensação agridoce — classificou José, que preferiu não revelar seu sobrenome por medo de represálias do governo contra sua família na Venezuela. — A primeira coisa que me vem à mente é: “Somos livres e estou muito feliz, mas o que acontecerá amanhã?” Maduro é apenas uma peça de uma máquina muito maior.
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Maduro, de fato, era um líder profundamente impopular e foi acusado de fraudar as eleições de 2024. Na época, uma pesquisa de boca de urna independente e uma apuração dos votos pela oposição pareciam indicar que ele sofreu uma derrota decisiva , com 66% dos votos contra 31%.
Assim como muitos outros venezuelanos, José deseja a saída definitiva de Maduro, mas se preocupa com o futuro político do país. Ele teme que, sem um plano claro dos EUA para a transição de poder, a Venezuela possa mergulhar no caos — com grupos guerrilheiros disputando território e facções rivais lutando entre si.
Jorge, outro venezuelano que mora perto de Caracas, disse à rede britânica BBC que, embora esteja grato por ter “um bom apoio de Trump e dos Estados Unidos”, imagina que os próximos dias não sejam fáceis.
— Agora que estão levando [Maduro] embora, o que vai acontecer? Isso não nos garante nada. Há um pouco de incerteza. Não sabemos o que os próximos dias nos reservam — afirmou Jorge, acrescentando que também está preocupado com a influência de Diosdado Cabello, aliado de Maduro e ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela. — Ele é uma pessoa muito má. Não sei quantas pessoas ele tem do lado. Espero que o Exército fique do lado do povo e que ele perca um pouco do controle.
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Dina, uma moradora de Caracas, disse à BBC que, por enquanto, também estava grata aos EUA por “terem tirado Maduro daqui”, porque “pelo menos agora consegue ver uma luz no fim do túnel”, mas que não está depositando muita fé em Trump.
— Ele diz uma coisa hoje e amanhã muda de ideia. Quer dizer, não estou acostumada a levar as palavras dele a sério — afirmou ela.
O futuro com Delcy, pelo menos por enquanto
Em entrevista à rede americana CNN, Olga Jimenez contou que finalmente saiu de casa no domingo, depois de ter ficado confinada o sábado inteiro. Com Maduro ou sem Maduro, disse Jimenez, ela não espera que muita coisa mude na Venezuela.
— Estou vidrada na TV para ver o que está acontecendo, e o que existe é incerteza. Você não sente uma mudança de governo porque tudo continua igual. A única coisa é que não sabemos de nada — disse a mulher.
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Muitos venezuelanos que se opõem a Maduro também desconfiam de Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários de Trump com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.
— Esse tem sido meu medo desde o primeiro dia: que Trump pensasse que seria fácil, que uma vez que Maduro saísse, seria como pó de fada, arco-íris e todos estariam felizes — disse Brian Naranjo, que atuou como chefe adjunto da missão na Embaixada dos EUA em Caracas, à CNN.
Uma professora da cidade de Maracaibo, que também concedeu entrevista à CNN sob condição de anonimato, disse ter chorado de alegria ao saber da deposição de Maduro. Mas sua alegria durou pouco, terminando quando soube que Rodríguez permaneceria no comando.
Reação contida
Em comparação com a euforia que saudou as tropas americanas nas ruas de Bagdá, no Iraque, após a queda do ditador Saddam Hussein em 2003, as ruas de Caracas estavam assustadoramente silenciosas no domingo, um dia depois da captura de Maduro, com exceção de algumas pequenas manifestações organizadas pelo governo para protestar contra a deposição.
O perigo de se manifestar contra Maduro ainda é real na Venezuela, já que a Assembleia Nacional – dominada por apoiadores de Maduro – aprovou uma lei que declara “traidor” qualquer pessoa que expresse apoio aos bloqueios navais dos EUA.
Trump mal falou sobre democracia desde que as forças americanas capturaram Maduro e tampouco apresentou um plano de transição detalhado. Ele foi, porém, enfático ao afirmar que o governo receberá um acordo mais lucrativo para o petróleo venezuelano.
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Para muitos venezuelanos e analistas, o foco do presidente americano nas reservas de petróleo traz semelhanças com a invasão americana do Iraque. O então presidente George W. Bush declarou “missão cumprida” apenas seis semanas após a invasão — e o Iraque mergulhou em uma brutal guerra civil que matou milhares de cidadãos e soldados americanos.
— Qual é o plano? Figuras-chave do regime ainda estão em seus cargos. Essa incerteza favorece o regime que se opõe à democracia, e não a oposição que a abraçou — concluiu Naranjo.
(Com The New York Times)
O governo de Israel declarou que o cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza não justifica a permissão para que jornalistas estrangeiros entrem no território palestino, defendendo a continuidade da proibição por motivos de segurança. A posição está registrada em um documento encaminhado ao Supremo Tribunal israelense, que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto. 
Veja: ONU e outros países pedem que Israel reverta decisão de revogar licença de ONGs que atuam em Gaza
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“Apesar de uma mudança na situação factual no terreno, a entrada de jornalistas (tanto estrangeiros quanto não estrangeiros) na Faixa de Gaza sem escolta (…) não deve ser autorizada. Isso se deve a motivos de segurança, segundo a posição das autoridades militares, que consideram que ainda existe um risco à segurança”, avalia o procurador que representa o governo no documento encaminhado ao tribunal e obtido pela AFP. 
A Associação da Imprensa Estrangeira em Jerusalém (FPA, na sigla em inglês), que representa centenas de veículos internacionais que atuam em Israel e nos Territórios Palestinos, recorreu à Justiça em 2024 para pedir acesso imediato e independente à Faixa de Gaza. Após sucessivos adiamentos processuais, o governo tinha prazo até esta segunda-feira para responder formalmente à solicitação. 
Após o ataque do grupo islâmico palestino Hamas em território israelense, em outubro de 2023, as autoridades de Israel barram a entrada independente de jornalistas estrangeiros na região afetada pela guerra em Gaza. Israel permitiu que apenas um grupo limitado de jornalistas acompanhasse suas forças no território palestino, que continua sob bloqueio israelense. 
Ao longo do processo judicial, a FPA acusou Israel de adotar “táticas protelatórias” para impedir a presença da imprensa estrangeira em Gaza. Segundo a associação, o governo israelense impede que os jornalistas “cumpram seus deveres jornalísticos” e viola “o direito do público à informação”. 
Apesar do acordo de cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, os disparos continuam sendo registrados diariamente na Faixa de Gaza. Desde então, ao menos 420 palestinos morreram, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas. O Exército israelense informou a morte de três soldados.
O Brasil condenou de forma contundente, nesta segunda-feira, a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, durante discurso do embaixador brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Ao se dirigir ao Conselho de Segurança, o embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Sergio Danese, classificou a ação como uma violação grave da Carta da ONU e do direito internacional, além de um precedente considerado extremamente perigoso para a ordem global.
— O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional — afirmou o embaixador. Segundo ele, o bombardeio do território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável e constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela.
No discurso, o diplomata ressaltou que a Carta da ONU estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas no próprio texto.
— A aceitação de ações dessa natureza levaria inexoravelmente a um cenário marcado pela violência, desordem e erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais — disse.
O embaixador citou dados globais para ilustrar os efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança internacional, como o número recorde de 61 conflitos armados ativos desde a Segunda Guerra Mundial, os 117 milhões de pessoas enfrentando crises humanitárias e o aumento dos gastos militares globais, que se aproximam de US$ 2,7 trilhões. Ele mencionou ainda crimes contra a humanidade, como o genocídio em Gaza, como reflexo da escalada de guerras, deslocamentos forçados e violações graves de direitos humanos.
Ao reforçar a posição brasileira, o representante afirmou que as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais, não admitindo exceções baseadas em interesses políticos, ideológicos, geopolíticos ou econômicos.
— Não permitem a exploração de recursos naturais ou econômicos para justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo — afirmou.
O diplomata também rechaçou o argumento de que os fins justificariam os meios, alertando para os riscos de legitimar a imposição da vontade dos mais fortes sobre os mais fracos.
— Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até mesmo de desconsiderar a soberania nacional — disse. — O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência.
No discurso, Danese destacou ainda o compromisso histórico da América Latina e do Caribe com a paz.
— A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível — afirmou o embaixador, acrescentando que o uso da força na região evoca capítulos do passado que se acreditava superados e ameaça o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados.
O representante brasileiro na ONU lembrou que intervenções armadas anteriores tiveram consequências profundamente negativas e duradouras, resultando em regimes autoritários e graves violações de direitos humanos.
— Contrariamente à liberdade e à democracia, essas intervenções deixaram um saldo trágico de milhares de mortos, presos políticos, vítimas de tortura e desaparecidos, cujas famílias ainda buscam justiça e reparação — disse.
Ao se referir diretamente ao episódio na Venezuela, o embaixador afirmou tratar-se de um evento sem precedentes recentes na América do Sul.
— Pela primeira vez, ocorreu uma agressão armada externa com o envio de tropas e bombardeios em um país vizinho ao Brasil, com o qual compartilhamos mais de 2.000 quilômetros de fronteira — declarou.
O discurso ocorre em meio a uma ofensiva diplomática do governo brasileiro. Nos últimos dias, líderes internacionais procuraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da crise venezuelana, entre eles o francês Emmanuel Macron, o colombiano Gustavo Petro e o espanhol Pedro Sánchez, segundo interlocutores do governo. As conversas devem ocorrer assim que Lula retornar a Brasília, o que está previsto entre esta terça e quarta-feira.
Há ainda a possibilidade de contatos telefônicos com a recém-empossada presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora, até o momento, não haja agendas confirmadas.
A mobilização diplomática se intensificou após a ação realizada por Washington no sábado, quando forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, que foram levados aos Estados Unidos para responder a acusações de narcotráfico e outros crimes.
O Brasil também subscreveu, no domingo, uma nota conjunta com Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, na qual os governos expressam profunda preocupação e rejeição às ações militares unilaterais em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as iniciativas violam princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas.
No encerramento de sua fala, o embaixador brasileiro afirmou que agressões contra a soberania de qualquer país afetam toda a comunidade internacional e defendeu uma resposta firme do Conselho de Segurança.
— Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito — afirmou.
Segundo ele, o Brasil confia que o futuro da Venezuela será construído pelo próprio povo venezuelano.
— O futuro da Venezuela deve ser definido por meio do diálogo, sem interferência externa e no âmbito do direito internacional — concluiu.
A Groenlândia precisa estar preparada para todos os cenários devido às ameaças preocupantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira Aaja Chemnitz, deputada que representa o território autônomo do Ártico no Parlamento dinamarquês. Os Estados Unidos mantêm uma base militar na Groenlândia, uma vasta ilha com 57 mil habitantes e recursos minerais significativos, em sua maioria inexplorados.
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Na noite deste domingo, Trump declarou mais uma vez que “precisa da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”.
“Nos ocuparemos da Groenlândia em cerca de dois meses (…). Falaremos sobre a Groenlândia daqui a 20 dias”, acrescentou o presidente americano a bordo do Air Force One.
Donald Trump reclamou que navios russos e chineses estão “por toda parte” na costa da Groenlândia. Para a deputada Aaja Chemnitz, “tudo isso é muito preocupante”.
“Precisamos estar preparados para todos os cenários, seja um cabo de comunicação rompido ou as ameaças de Trump. Os groenlandeses precisam se preparar”, disse ela à AFP. “Ele está espalhando mentiras sobre a presença desses navios. É muito preocupante”, insistiu.
Assim como seu homólogo groenlandês Jens Frederik Nielssen, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, condenou as recentes declarações de Trump, que há mais de um ano repete que deseja tomar a Groenlândia.
“Peço aos Estados Unidos que cessem suas ameaças contra um aliado histórico e contra um território e um povo que deixaram claro que não estão à venda”, afirmou a primeira-ministra em um comunicado. “É completamente absurdo dizer que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia”, acrescentou.
Aaja recomenda que as declarações de Trump sejam levadas “mais a sério do que antes”. Líderes europeus manifestaram apoio à Dinamarca e à Groenlândia nesta segunda-feira. A União Europeia espera que seus parceiros respeitem os princípios da soberania e da integridade territorial, afirmou a Comissão.
A representação palestina inaugurou de forma oficial, nesta segunda-feira (5), a sua embaixada no Reino Unido, em um ato que seu principal responsável diplomático em Londres classificou como um “momento histórico”. A abertura do órgão diplomático em Londres ocorre mais de três meses depois de o governo britânico reconhecer o Estado da Palestina.
— Hoje nos reunimos para assinalar um momento histórico: a inauguração da embaixada no Reino Unido, com status diplomático e plenas atribuições — comemorou o embaixador, Husam Zomlot, que anteriormente detinha o título de chefe da missão diplomática palestina.
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A abertura desta embaixada “marca um passo importante nas relações britânico-palestinas, no longo caminho do povo palestino rumo à liberdade e à autodeterminação”, acrescentou.
Após suas palavras, o novo embaixador revelou uma placa com a inscrição “Embaixada do Estado da Palestina”, colocada no edifício situado em Hammersmith, no oeste de Londres.
— Para gerações de palestinos em Gaza, na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e nos campos de refugiados, bem como em toda a diáspora, esta embaixada representa a prova de que a nossa identidade não pode ser negada — defendeu Zomlot.
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O embaixador insistiu na “promessa” de “continuar uma paz justa e duradoura, baseada no direito internacional e nos valores universais”.
O representante do rei britânico Charles III, Alistair Harrison, também declarou que este é “um momento histórico para a Palestina” e “o início de uma mudança importante nas relações bilaterais”, que, em sua opinião, já são “muito estreitas”.
O Reino Unido reconheceu oficialmente o Estado da Palestina em setembro, quase dois anos após o início da devastadora guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, havia afirmado que, com a decisão de reconhecer a Palestina, quer “reviver a esperança de paz e de uma solução de dois Estados”.
A decisão do Reino Unido, coordenada com outros países, foi criticada por Israel, cujo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, denunciou que se trata de “um prêmio ao terrorismo”.
Dois jovens que faziam uma transmissão ao vivo no TikTok acabaram registrando, de forma inesperada, bombardeios em Caracas na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. O vídeo, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, já soma mais de 10 milhões de visualizações e cerca de 1 milhão de curtidas.
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A gravação ocorreu durante uma jornada descrita como histórica na Venezuela, marcada por uma operação militar de grande escala atribuída aos Estados Unidos. A ação, identificada como Operação Lança Sul, teria culminado na captura do líder do chavismo, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. Imagens divulgadas em plataformas como X e TikTok mostram colunas de fumaça, intensos bombardeios, sobrevoo de aeronaves em diferentes pontos do país e focos de incêndio.
Um dos vídeos mais compartilhados é o do tiktoker conhecido como “Chuo”, que tem cerca de 7 mil seguidores e estava ao vivo no momento das detonações. A transmissão começou com um sorteio, mas logo mudou de tom quando ele e um acompanhante passaram a observar, em silêncio e visivelmente assustados, o que acontecia no céu.
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Pouco depois, um deles usou expressões para indicar medo, enquanto uma terceira pessoa se aproximava para ver a cena. Em meio à confusão, Chuo afirmou: “Os chineses se meteram aqui!”, atribuindo o ataque ao país asiático.
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Apesar da enorme repercussão, parte dos internautas criticou o fato de o jovem não ter mostrado diretamente o que via à frente da câmera. Em resposta, ele justificou: “Em pleno bombardeio, não me ocorreu virar a câmera, mas correr para me proteger. Acho que é algo para se pensar, não é?”.
As expressões de espanto dos jovens também renderam memes. Uma usuária comentou que o episódio poderia ser classificado como “a pior experiência”, ao que o autor do vídeo respondeu de forma irônica: “Não recomendo”.

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