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A Justiça da Flórida retomou nesta semana o julgamento da pena de Harrel Braddy, de 76 anos, condenado pelo sequestro e assassinato de uma menina de cinco anos deixada em uma área infestada por jacarés nos Everglades. A seleção do júri começou nesta segunda-feira (5) no Tribunal do Circuito de Miami-Dade, após alterações recentes na lei estadual reabrirem a possibilidade de aplicação da pena de morte.
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Braddy foi condenado em 2007 por homicídio em primeiro grau e sentenciado à morte pelo assassinato de Quatisha Maycock, ocorrido em novembro de 1998. Segundo o Miami Herald, o caso voltou à Justiça porque decisões posteriores da Suprema Corte dos Estados Unidos e da Suprema Corte da Flórida invalidaram sentenças impostas sem unanimidade do júri, exigindo um novo julgamento apenas sobre a pena.
Crime brutal nos Everglades
De acordo com os autos, Braddy conheceu Quatisha e a mãe da criança, Shandelle Maycock, em uma igreja. Após ter investidas românticas rejeitadas, ele sequestrou mãe e filha. Shandelle foi levada a um canavial isolado, onde foi estrangulada até perder a consciência e abandonada; ela sobreviveu ao conseguir pedir ajuda a um motorista.
A menina foi deixada viva nas proximidades da Interestadual 75, em um trecho conhecido como Alligator Alley, no condado de Broward. Braddy afirmou aos detetives que temia que a criança o identificasse e admitiu, segundo documentos judiciais, que “sabia” que ela provavelmente morreria. O corpo de Quatisha foi encontrado dois dias depois em um canal por pescadores.
A autópsia indicou que a criança sofreu mordidas de jacaré no peito e na cabeça enquanto ainda estava viva, embora possivelmente inconsciente. O braço esquerdo, ausente quando o corpo foi localizado, teria sido arrancado após a morte. O laudo concluiu que a causa do óbito foi traumatismo craniano contuso no lado esquerdo da cabeça.
No julgamento original, o então juiz Leonard E. Glick descreveu o crime como “uma traição às responsabilidades mais básicas dos adultos”, afirmando que “os adultos devem proteger as crianças dos monstros — não ser os monstros”.
Agora, Braddy pode novamente enfrentar a pena capital com base na lei estadual de 2023, que permite a condenação à morte com o voto de ao menos oito dos 12 jurados.
O ex-ministro das Finanças de Gana, Ken Ofori-Atta, considerado foragido pela Justiça ganesa, foi preso e colocado em detenção pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). A informação foi confirmada nesta quarta-feira por seus advogados em Gana.
Segundo comunicado do escritório Menka-Premo, Osei-Bonsu, Bruce-Cathline and Partners, Ofori-Atta foi detido na terça-feira, 6 de janeiro de 2026, em razão do status de sua permanência nos Estados Unidos. A defesa informou que a equipe jurídica americana do ex-ministro já está em contato com o ICE e espera que a situação seja resolvida “de forma expedita”.
Ele é alvo de 28 acusações de corrupção e crimes relacionados, apresentadas à revelia pelo Office of the Special Prosecutor. Ele vinha evitando a prisão em Gana e chegou a ser oficialmente declarado procurado pelas autoridades do país.
O Ministério Público de Gana já entrou com um pedido formal de extradição junto ao governo dos Estados Unidos, que aguarda resposta das autoridades americanas. Paralelamente, Ofori-Atta teve o nome incluído em um alerta vermelho da Interpol, medida que ele contesta judicialmente.
De acordo com seus advogados, o ex-ministro possui um pedido pendente de ajuste de status migratório, mecanismo que, pela legislação americana, permite a permanência legal no país mesmo após o vencimento do visto original. A defesa sustenta que esse procedimento é comum nos Estados Unidos.
Uma consulta ao sistema oficial de localização de detidos do ICE indica que Kenneth Nana Yaw Ofori-Atta está custodiado no ICE Caroline Detention Facility, localizado em Bowling Green, no estado da Virgínia.
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, ficaram feridos durante a incursão militar realizada pelos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro com o objetivo de capturá-los, afirmou nesta quarta-feira o ministro do Interior, Justiça e Paz venezuelano.
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De acordo com Diosdado Cabello, os dois sofreram ferimentos durante a operação.
“Naquele momento, Cilia foi ferida na cabeça e sofreu uma pancada no corpo, [e] o irmão Nicolás foi ferido em uma perna. Felizmente, eles estão se recuperando, mas as consequências do ataque traiçoeiro permanecem: 100 pessoas” mortas, disse o ministro em seu programa semanal de televisão.
Ministro ameaçado
Após a captura de Maduro, o governo dos Estados Unidos avisou a Cabello, que ele poderia estar no topo da lista de alvos de Washington caso não coopere com a presidente interina Delcy Rodríguez e não a ajude manter a ordem no país. A informação foi confirmada à agência Reuters por três pessoas familiarizadas com o assunto.
Considerado um dos principais nomes da ala dura do chavismo, Cabello controla as forças de segurança acusadas de abusos generalizados de direitos humanos. Apesar de ter sido acusado pela Justiça dos EUA de conspiração para o narcoterrorismo e de uso de armas para proteger o tráfico, o venezuelano ainda é um dos poucos leais a Maduro nos quais o presidente Donald Trump decidiu se apoiar para manter a estabilidade durante um período de transição.
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Raul ARBOLEDA / AFP
No entanto, autoridades americanas estariam especialmente preocupadas com a possibilidade de Cabello sabotar o processo, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy. Ao mesmo tempo, o governo americano também estaria avaliando maneiras de, mais adiante, afastá-lo do poder e empurrá-lo para o exílio, acrescentou a fonte. Cabello teria sido avisado que, se desafiar os EUA, poderá ter um destino semelhante ao de Maduro — levado às pressas para Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo — ou correr risco de vida.
A eventual neutralização de Cabello, porém, é vista como arriscada porque poderia motivar grupos pró-governo a ir às ruas, desencadeando o caos que Washington deseja evitar. Dias após a detenção de Maduro, manifestantes já se reuniram na Venezuela exibindo bandeiras e símbolos da propaganda do governo. Na segunda, apoiadores do chavista marcharam até os arredores do Parlamento, onde Delcy era empossada como interina, para exigir a libertação dele.
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Cabello, de 62 anos, até agora sinalizou unidade, participando da cerimônia de posse de Delcy, que reuniu diferentes facções do partido socialista governista da Venezuela. Mas, naquela noite, Cabello apareceu empunhando um fuzil e incitando forças de segurança de uniforme preto antes de elas patrulharem Caracas para impedir que cidadãos protestassem. Ao grupo armado, o venezuelano afirmou: “Duvidar é traição. Agora, à batalha nas ruas pela vitória!”.
Sob o estado de emergência declarado pelo governo após a captura de Maduro, as forças de segurança receberam ordens para caçar simpatizantes dos EUA, segundo o Diário Oficial, onde o governo venezuelano publica novas leis e decretos. Segundo o Wall Street Journal, moradores da capital relataram novos bloqueios nas vias da cidade, nos quais homens armados e mascarados checavam os celulares de venezuelanos comuns em busca de mensagens antigoverno.
Autoridades da Cidade do México apreenderam, nesta quarta-feira, mais de 900 animais — a maioria cães — durante uma operação de grande porte em um estabelecimento que funcionava como abrigo. Segundo a Promotoria local, os animais viviam amontoados, com pouca ventilação e sem acesso à luz natural.
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O resgate mobilizou ao menos 200 policiais e integra um plano do governo da capital mexicana voltado à proteção animal, que inclui medidas como a proibição da morte de touros em touradas e a limitação da venda de animais de estimação em mercados populares.
Dos 936 animais encontrados no local, 708 “apresentavam condições compatíveis com maus-tratos”, afirmou, em entrevista coletiva, a promotora da Cidade do México, Bertha Alcalde.
“As inspeções permitiram constatar condições de superlotação extrema, com espaços reduzidos, gaiolas sem ventilação ou sem cobertura, acúmulo de fezes e urina, falta de luz natural”, informou a Promotoria em comunicado.
Os responsáveis pelo Refúgio Franciscano, onde os animais estavam, tentaram impedir a entrada da polícia, posicionando-se na porta do imóvel por várias horas. Simpatizantes do abrigo chegaram a bloquear a avenida Reforma, uma das principais vias do centro da capital.
Às 21h30 (horário local; 03h30 GMT), o traslado dos animais ainda estava em andamento.
“A narrativa de maus-tratos é falsa”, afirmou o abrigo em um comunicado publicado em sua conta na plataforma X, no qual também classificou a operação como “totalmente desproporcional”.
O imóvel já havia sido alvo de intervenção em meados de dezembro, quando a Justiça local determinou sua entrega a uma fundação que reivindicava a propriedade.
Desde então, 21 animais morreram “em consequência do grave estado de saúde em que se encontravam”, acrescentou a Promotoria.
A instituição informou ainda que, “devido à gravidade de seu estado de saúde”, 20 animais permaneciam hospitalizados na terça-feira. Após a operação, o número subiu para 57.
Segundo Bertha Alcalde, a investigação contra o abrigo teve início a partir de “múltiplas denúncias de cidadãos” sobre as condições em que os animais eram mantidos.
Entre as ações adotadas pela prefeitura da capital para proteger a fauna está a proibição da venda de animais no Mercado de Sonora, tradicional centro de comércio de animais de estimação da cidade. Legisladores locais também reformaram o Código Civil para regulamentar a guarda de animais de estimação em casos de divórcio.
Um policial iraniano morreu após ser esfaqueado durante protestos perto de Teerã, informou nesta quinta-feira a agência Fars, no 12º dia de um movimento contra o aumento do custo de vida no país.
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Shahin Dehghan, policial do condado de Malard, a oeste da capital iraniana, morreu “poucas horas depois de ter sido esfaqueado enquanto participava dos esforços para controlar os distúrbios” na região, segundo a agência. As autoridades abriram uma investigação para identificar os responsáveis pelo ataque.
As manifestações no Irã começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram um protesto contra a alta dos preços e o colapso do rial, a moeda nacional. O ato inicial desencadeou protestos semelhantes em outras cidades do país.
Segundo um levantamento da AFP com base em declarações oficiais e na imprensa local, os protestos já alcançaram 25 das 31 províncias iranianas e deixaram dezenas de mortos, entre eles integrantes das forças de segurança.
O atual movimento é considerado o mais grave na República Islâmica desde os protestos de 2022–2023, desencadeados pela morte sob custódia de Mahsa Amini, presa por supostamente violar o rígido código de vestimenta imposto às mulheres.
As manifestações, no entanto, não atingiram a dimensão dos protestos de 2022–2023 nem das mobilizações em massa de 2009, realizadas após as eleições presidenciais.
Ainda assim, representam um desafio relevante para o governo iraniano, em meio a uma profunda crise econômica e no contexto posterior à guerra de 12 dias com Israel, ocorrida em junho do ano passado.
O Exército libanês anunciou nesta quinta-feira a conclusão da “a primeira fase” de seu plano para desarmar o movimento pró-Irã Hezbollah na região situada entre a fronteira com Israel e o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte.
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Em comunicado oficial, a instituição militar afirmou ter alcançado “os objetivos da primeira fase” da operação, que deverá ser posteriormente estendida a outras áreas do território libanês.
Segundo o Exército, as forças armadas agora “controlam” a área ao sul do rio Litani, “com exceção dos territórios e posições ainda ocupados por Israel” nas proximidades da fronteira.
A nota informa ainda que as operações militares prosseguirão ao sul do Litani “para concluir o tratamento das munições não detonadas” e para inspecionar os túneis escavados pelo Hezbollah. As autoridades também prometeram adotar medidas para “impedir definitivamente que os grupos armados reconstruam suas capacidades”.
O Hezbollah saiu enfraquecido da guerra com Israel, encerrada por uma trégua em vigor desde novembro de 2024.
Apesar disso, o movimento pró-Irã se recusa a entregar suas armas no restante do país. Israel, por sua vez, mantém a ocupação de cinco posições próximas à fronteira, mesmo após o acordo de cessar-fogo que previa sua retirada do território libanês.
Desde novembro de 2024, o Exército israelense realizou centenas de ataques contra alvos do Hezbollah e acusa o grupo de tentar se rearmar. Autoridades israelenses também têm manifestado dúvidas quanto à eficácia da operação de desarmamento conduzida pelas forças libanesas.
O governo do Líbano enfrenta forte pressão dos Estados Unidos para avançar no desarmamento da organização pró-Irã.
No domingo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, elogiou, em publicação na rede social X, os “esforços” do governo e do Exército libaneses, mas afirmou que eles “estão longe de ser suficientes”.
O que terremotos escondidos sob quilômetros de água gelada têm a ver com o oxigênio que respiramos? Uma pesquisa publicada em dezembro na revista Nature Geoscience revela que tremores registrados no fundo do Oceano Antártico podem desencadear grandes florações de fitoplâncton na superfície meses depois, conectando movimentos da crosta terrestre à saúde dos oceanos e ao clima do planeta.
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O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Stanford, mostra que a atividade sísmica próxima à Dorsal Meso-Sul da Antártica durante o inverno influencia diretamente a intensidade das florações de fitoplâncton no verão seguinte. Esses organismos microscópicos são a base da cadeia alimentar marinha e desempenham papel central na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, além de contribuírem para a produção de oxigênio.
Segundo os cientistas Casey Schine e Kevin Arrigo, da Escola de Sustentabilidade Doerr, o principal fator que determina o tamanho dessas florações é o número de terremotos ocorridos nos meses anteriores ao período de crescimento. A conclusão veio após a análise de imagens de satélite e registros sísmicos entre 1997 e 2024. Em anos com tremores de magnitude cinco ou superior, as florações atingiram proporções excepcionais — em 2014, cobriram cerca de 266 mil quilômetros quadrados, área comparável à da Nova Zelândia.
A explicação está no fundo do mar. Os terremotos abrem fissuras em fontes hidrotermais localizadas a cerca de 1.800 metros de profundidade, permitindo a liberação de fluidos ricos em ferro e outros nutrientes. Como o ferro é escasso no Oceano Antártico e limita o crescimento do fitoplâncton, esse aporte extra funciona como um gatilho para a explosão de vida microscópica.
Até então, acreditava-se que esses nutrientes levariam décadas para alcançar a superfície. O estudo, porém, indica que o transporte pode ocorrer em semanas ou meses, desafiando modelos tradicionais sobre a circulação oceânica. Jens-Erik Lund Snee, sismólogo e coautor da pesquisa, confirmou a correlação entre terremotos e aumento da produtividade biológica, enquanto Joseph Resing, da Universidade de Washington, destacou que os dados reforçam o papel da atividade sísmica na intensificação das fontes hidrotermais.
Os efeitos vão além do microscópico. As florações alimentam o krill e pequenos crustáceos, base da dieta de baleias, focas e pinguins. Schine lembra que já foi documentado que baleias-jubarte se concentram nessas áreas logo após grandes terremotos, evidenciando como um evento geológico pode repercutir por toda a cadeia alimentar.
Ao capturar carbono, o fitoplâncton também ajuda a mitigar as mudanças climáticas. Arrigo afirma que compreender esses mecanismos pode levar a previsões mais precisas sobre quanto carbono os oceanos são capazes de absorver. Se o aporte de ferro for tão rápido quanto o observado, os modelos atuais podem estar subestimando o papel do Oceano Antártico na regulação do clima.
Embora a pesquisa tenha foco em uma região específica, especialistas apontam que processos semelhantes podem ocorrer em outras áreas com intensa atividade sísmica, como o Anel de Fogo do Pacífico. Em artigo na revista Science, a pesquisadora Sophie Bonnet alertou que o impacto global ainda é incerto, dada a dificuldade de estudar essas zonas remotas. Novas expedições científicas, como a realizada em dezembro de 2024, buscam ampliar esse entendimento e mapear como tremores no fundo do mar podem influenciar a vida — e o clima — na superfície do planeta.
Como se organizam o gás e a poeira que dão origem a planetas gigantes? Uma resposta começa a surgir com a observação de um dos maiores discos protoplanetários já registrados, revelado com notável clareza pelo radiotelescópio ALMA, segundo o Observatório Nacional de Radioastronomia. O sistema, conhecido como Hambúrguer de Gómez (GoHam), oferece uma oportunidade rara de estudar a origem dos planetas e a dinâmica desses ambientes em larga escala.
A pesquisa, apresentada em janeiro durante a reunião anual da Sociedade Astronômica Americana e ainda em processo de publicação, mostrou o potencial do ALMA para mapear camadas sobrepostas de gás e poeira que orbitam uma estrela jovem. Por estar quase de perfil em relação à Terra, o disco permitiu aos astrônomos localizar grãos de poeira milimétricos e diferentes moléculas de gás em níveis específicos, algo pouco comum em observações desse tipo.
No interior do GoHam, foram identificadas duas formas de monóxido de carbono e compostos de enxofre, como o monóxido de enxofre. O monóxido de carbono-12, mais leve, ocupa as regiões mais afastadas do plano central, enquanto o carbono-13 aparece em uma camada inferior. Já o monóxido de enxofre está concentrado ainda mais próximo do eixo do disco, onde a poeira forma uma faixa fina, em contraste com o gás, que se estende por centenas de unidades astronômicas acima e abaixo.
O tamanho do sistema impressiona. A emissão de monóxido de carbono-12 alcança quase mil unidades astronômicas de raio, com grande expansão vertical, colocando o GoHam entre as maiores regiões conhecidas onde a formação planetária pode ocorrer. A massa total de poeira, muito acima da média observada em sistemas semelhantes, reforça o potencial para o surgimento de planetas gigantes e até de um futuro sistema multiplanetário, de acordo com o Observatório Nacional de Radioastronomia.
As observações também revelaram assimetrias marcantes. Há um desequilíbrio norte-sul na emissão de poeira milimétrica, com um dos lados do disco mais brilhante e extenso, possivelmente associado a um vórtice que concentra material sólido e favorece a formação de planetas. No hemisfério norte, uma fraca emissão de monóxido de carbono em regiões externas é compatível com um vento gerado pela radiação da estrela, capaz de dispersar gás no espaço.
Outro destaque é a detecção de uma estrutura em arco de monóxido de enxofre em uma das bordas externas do disco, alinhada a um aglomerado denso conhecido como “GoHam b”. Esse objeto pode representar o núcleo de um planeta massivo em formação, oferecendo um raro vislumbre de estágios iniciais do nascimento planetário em regiões distantes da estrela central.
Para Charles Law, investigador principal do projeto e bolsista Sagan do NHFP na Universidade da Virgínia, o sistema se tornou um referencial. “GoHam nos proporciona uma perspectiva excepcional da estrutura vertical e radial de um disco em grande escala”, afirmou, segundo o Observatório Nacional de Radioastronomia, destacando o valor do objeto para testar simulações e teorias sobre a evolução de discos e a formação de planetas.
Instalado no deserto do Atacama, no Chile, o ALMA — uma colaboração internacional — foi essencial para a obtenção de dados de alta resolução. A combinação entre o tamanho do disco, as assimetrias detectadas e os indícios de formação planetária faz do Hambúrguer de Gómez um laboratório natural para compreender como planetas gigantes surgem e remodelam o ambiente ao seu redor nas regiões mais externas de seus sistemas.
O que são, afinal, os enigmáticos pontos vermelhos que surgem nas imagens mais profundas do universo? Uma nova análise baseada em observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) indica que essas fontes compactas e extremamente luminosas podem representar um estágio decisivo na formação dos primeiros buracos negros supermassivos. O estudo foi apresentado por astrônomos do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian (CfA) durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Phoenix, e publicado no servidor arXiv no fim de dezembro.
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Conhecidos como Pequenos Pontos Vermelhos, esses objetos estão entre os mais distantes já detectados. Observados inicialmente pelo telescópio Hubble, surgiam apenas como manchas avermelhadas no limite do universo observável, resultado da expansão do cosmos, que estica a luz para comprimentos de onda mais longos. Essa característica dificultava a identificação de sua natureza física.
Da dúvida ao modelo físico
A virada ocorreu com as primeiras “imagens profundas” do Webb, em 2022. Sensível ao infravermelho, o telescópio permitiu observar esses pontos com muito mais nitidez, reacendendo o debate sobre sua origem. Hipóteses iniciais envolviam cenários complexos, como buracos negros cercados por discos de acreção e nuvens densas de poeira.
O novo estudo, liderado por Devesh Nandal, astrônomo do CfA, propõe uma explicação mais direta. Pela primeira vez, os pesquisadores desenvolveram um modelo físico detalhado de uma estrela supermassiva rara, pobre em metais, com crescimento rápido e massa cerca de um milhão de vezes superior à do Sol. As características previstas — luminosidade extrema, espectro em formato de “V” e emissão incomum de hidrogênio — coincidem com as observadas nos Pequenos Pontos Vermelhos pelo Webb.
Segundo Nandal, a identidade desses objetos tem sido motivo de controvérsia desde a descoberta. “Os pequenos pontos vermelhos têm sido fonte de debate intenso”, afirmou. Para ele, os novos modelos indicam que há “uma única estrela gigantesca envolta em uma fina camada”, capaz de explicar de forma consistente os dados obtidos pelo JWST.
A análise espectral sugere que apenas as estrelas mais massivas atingem o brilho necessário para corresponder às observações atuais. O grupo avalia que, caso futuras campanhas identifiquem pontos menos luminosos e menos massivos, será possível compreender melhor como esses objetos se formam e evoluem.
Mais do que resolver um mistério observacional, o estudo abre uma janela inédita para os primórdios do cosmos. “Se nossa interpretação estiver correta, não estamos apenas inferindo a existência das sementes dos buracos negros massivos. Estamos observando o nascimento de algumas delas em tempo real”, disse Nandal. No artigo, os autores destacam que a rápida formação dos primeiros buracos negros supermassivos exige núcleos muito pesados, sendo as estrelas supermassivas seus principais progenitores teóricos.
Os cientistas esperam que os resultados apresentados pela equipe do CfA sirvam de base para novas observações com o Webb e outros instrumentos, permitindo identificar variantes desses objetos e avançar na compreensão dos processos físicos que deram origem aos primeiros buracos negros e às galáxias no início do universo.
Um filhote de labrador retriever resgatado no Reino Unido está a caminho de se tornar um dos poucos cães do mundo capazes de identificar uma infecção pulmonar potencialmente fatal. Chilli, um labrador amarelo nascido no abrigo Battersea Dogs and Cats Home, no sul de Londres, passou a integrar oficialmente a equipe de cães de detecção biológica da organização Medical Detection Dogs (MDD) e iniciou o treinamento especializado para detectar a bactéria Pseudomonas aeruginosa (Pa), associada a infecções pulmonares multirresistentes e a danos nos pulmões de pessoas com fibrose cística.
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Após passar por uma triagem em dezembro de 2025, Chilli foi selecionado entre uma ninhada de filhotes resgatados enviados ao programa da MDD como potenciais cães de detecção. O desempenho chamou a atenção dos treinadores pela confiança e pelo faro apurado. Ao longo do último ano, o filhote passou por treinamento básico de identificação de odores, criou vínculos com os treinadores e viveu em lares voluntários, ganhando segurança em diferentes ambientes. Agora, começa a fase avançada, focada exclusivamente na detecção da bactéria.
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Reprodução: X (@MedDetectDogs)
A Pseudomonas aeruginosa afeta cerca de 60% dos aproximadamente 10 mil pacientes com fibrose cística no Reino Unido. Um estudo científico realizado em 2019, em parceria entre a MDD, o Imperial College London e a Cystic Fibrosis Trust, mostrou que cães treinados conseguem identificar concentrações extremamente baixas da bactéria, com sensibilidade de 94,2% e especificidade de 98,5%, oferecendo um método rápido, preciso e não invasivo de diagnóstico.
“Estamos muito felizes que Chilli agora seja um membro oficial da nossa equipe de Bio Detection”, afirmou Chris Allen, chefe de fornecimento e treinamento de filhotes da MDD, em comunicado. “Ele é cheio de personalidade, confiante e adora usar o faro, características que buscamos em um cão de detecção biológica”.
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Em vídeo divulgado recentemente pela organização, Chilli aparece em treinamento farejando grandes blocos de concreto para localizar o odor-alvo apresentado pelos treinadores, demonstrando atenção intensa e comportamento assertivo ao sinalizar a presença — ou ausência — do cheiro. “Ele precisa ser confiante o suficiente para nos dizer quando encontrou o odor-alvo e quando ele não está presente — e será recompensado por ambas as decisões”, explicou Allen. “Ele adora a vida em nosso centro de treinamento, onde chega pela manhã e é buscado no fim do dia”.
O abrigo Battersea Dogs and Cats Home celebrou o avanço do filhote. Em nota, um porta-voz afirmou: “Todos em Battersea ficaram emocionados ao saber que Chilli passou em sua avaliação final e agora ajudará a fazer uma diferença real na vida das pessoas como um cão de detecção biológica. Embora acreditemos que cada cão e gato sob nossos cuidados seja especial, mesmo quando filhote sabíamos que Chilli tinha algo a mais. Somos muito gratos à Medical Detection Dogs e às outras instituições parceiras por reconhecerem o potencial de nossos animais e oferecerem a eles vidas extraordinárias”.
Quando concluir o treinamento, Chilli deverá atuar ao lado de outros cães no apoio a diagnósticos mais rápidos e precisos, ampliando o uso do faro canino como ferramenta inovadora na área da saúde.

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