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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira que o país “não está subordinado nem submetido” depois que os Estados Unidos invadiram o país e depuseram seu líder, o chavista Nicolás Maduro. Ela ainda revelou que houve combate por parte das forças venezuelanas durante a incursão americana na capital Caracas e em outros estados.
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— Aqui ninguém se entregou. Aqui houve combate e houve combate por esta pátria — disse Delcy durante um ato em homenagem aos mortos durante a operação americana que deixou ao menos 100 vítimas fatais, segundos números oficiais. — Não somos subordinados nem somos submetidos. Temos dignidade histórica e temos compromisso e lealdade com o presidente Nicolás Maduro, que foi sequestrado.
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Antes, na terça-feira, Delcy garantiu que nenhum “agente externo” governa o país após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores na operação militar realizada na madrugada de sábado. Desde então, autoridades, especialistas e a imprensa internacional têm levantado especulações sobre quem estaria de fato no comando do país. Isso porque, ao detalhar a operação horas após os ataques à capital e três outros estados, o presidente americano, Donald Trump, disse em declaração a jornalistas que os EUA iriam administrar a Venezuela.
— O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela — declarou Rodríguez em um pronunciamento televisionado.
Delcy ainda prestou homenagem “aos mártires que deram suas vidas defendendo a Venezuela”. Pelo menos 55 militares venezuelanos e cubanos da equipe de segurança de Maduro morreram no ataque de 3 de janeiro, segundo dados oficiais.
— Este é um povo que não se rende, somos um povo que não desiste. Estamos aqui governando ao lado do povo — declarou a líder chavista.
Na noite de domingo, Delcy defendeu em uma publicação nas redes sociais uma relação equilibrada e respeitosa com Trump. Simultaneamente, o republicano afirmou a jornalistas, a bordo do Air Force One, que Washington está “no comando” do país sul-americano.
“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”, escreveu a presidente interina. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
O crescimento econômico global vai desacelerar um pouco em 2026, à medida que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump tenham um impacto mais pronunciado e as incertezas geopolíticas se espalhem, segundo uma avaliação anual das Nações Unidas.
A economia global deve crescer 2,7% neste ano, abaixo de uma estimativa de 2,8% em 2025, afirmou a ONU em seu estudo Situação e Perspectivas da Economia Mundial, divulgado hoje. Para 2027, a expectativa é de que o crescimento volte a subir para 2,9%.
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No ano passado, a economia internacional conseguiu absorver o choque das tarifas que Trump impôs em abril à maioria dos parceiros comerciais dos EUA, mas seus efeitos vão se tornar mais evidentes em 2026, segundo o relatório. O documento projeta que o crescimento do comércio global, estimado em 3,8% para 2025, desacelere para 2,2% neste ano.
Além das tensões comerciais, a ONU vê outros riscos, incluindo conflitos geopolíticos que podem reduzir as taxas de crescimento, compensando o aumento dos gastos dos consumidores e mercados de trabalho mais estáveis.
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— Uma combinação de tensões econômicas, geopolíticas e tecnológicas está remodelando o cenário global, gerando nova incerteza econômica e vulnerabilidades sociais — afirmou o secretário-geral António Guterres em comunicado.
A economia mundial vem crescendo, há vários anos, em um ritmo mais lento do que no período anterior à pandemia, quando o crescimento médio foi de 3,2%.
Uma exceção à desaceleração geral prevista para este ano são os Estados Unidos, onde os pesquisadores esperam que o crescimento avance para 2% — ante 1,9% em 2025 — sustentado por políticas fiscais e monetárias expansionistas.
Aliados como a União Europeia e o Japão, no entanto, devem registrar uma leve queda em suas taxas de crescimento, segundo a ONU. Na China, principal alvo das tarifas dos EUA, o crescimento deve desacelerar para 4,6%, ante 4,9%.
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, telefonou na tarde desta quinta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois líderes de esquerda discutiram a situação na Venezuela após uma operação militar dos Estados Unidos ter capturado o então presidente do país Nicolás Maduro. Na conversa, ambos saudaram o anúncio feito na tarde desta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez Gómez, irmão da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, de libertar presos políticos nacionais e estrangeiros.
Comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto afirma que os dois presidentes “manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela”.
Os dois líderes também “destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”, diz o texto.
Lula e Petro “concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”. Após capturar Maduro e encaminhá-lo preso para Nova York para ser julgado por supostamente fazer parte de uma associação criminosa que promove o narcotráfico, o governo dos Estados Unidos reconheceu a legitimidade de Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Delcy é aliada de longa data do regime chavista-madurista e era vice-presidente de Nicolás Maduro.
“O presidente Lula informou que, a pedido da Venezuela, está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos, de um total de 300 toneladas já arrecadadas, para reabastecer o estoque de produtos e soluções para diálise que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios do último dia 3 de janeiro”, diz o comunicado do governo Lula.
O texto diz, ainda, que Brasil e Colômbia “reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela” e ressalta “os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que (os dois países) têm acolhido nos últimos anos”.
O telefonema entre Lula e Petro ocorre um dia após o presidente colombiano ter conversado também com Donald Trump e distensionado a situação entre o país caribenho e os Estados Unidos.
No telefonema, Petro aceitou um convite de Trump para uma reunião em Washington. Nesta quinta-feira, o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti, disse que Petro e Trump concordaram em realizar ações conjuntas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), a principal guerrilha ainda em atividade na Colômbia, com atuação marcante na fronteira com a Venezuela.
Benedetti afirmou que Petro pediu a Trump “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela. Segundo o ministro colombiano, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana.
Em meio a protestos em, pelo menos, 25 das 31 províncias do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o país nesta quinta-feira, afirmando que Teerã poderá ser “atingido muito duramente” caso as autoridades iranianas passem a matar manifestantes. A declaração ocorre no mesmo dia em que a ONG Vigilância de Segurança Cibernética Netblocks informou que o regime impôs um corte de internet em “escala nacional”, no 12º dia de um movimento de protestos que desafia diretamente o poder da República Islâmica, acusado de intensificar a repressão.
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— Deixei claro para eles que se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante as manifestações, que eles têm muitas —, nós os atingiremos muito duramente — afirmou Trump durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.
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Trump já havia feito uma ameaça semelhante na semana passada, quando afirmou que os EUA estão “com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir”. Não se sabe até que ponto Trump está disposto a usar seu poderio militar — como quer um de seus maiores aliados , Israel — mas o resultado final pode não ser o esperado pela Casa Branca.
Manifestantes agitam bandeiras do Irã anteriores à Revolução Islâmica de 1979 durante um protesto contra a repressão do regime iraniano aos protestos no centro de Paris, em 4 de janeiro de 2026
BLANCA CRUZ / AFP
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social, na última sexta-feira, pouco mais de seis meses depois de bombardear instalações nucleares no país.
Após essas primeiras declarações, o chefe do Exército iraniano, general Amir Hatami, respondeu, dizendo que “considera a escalada da retórica inimiga contra a nação iraniana como uma ameaça”.
Já o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, pediu nesta quinta-feira “a máxima moderação” frente aos manifestantes, bem como o “diálogo” e a escuta às “reivindicações do povo”.
Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde último sábado.
Protestos já duram nove dias no Irã; manifestações começaram com o intuito de protestar pelo custo de vida. Agora, avançaram para questões políticas
UGC/AFP
Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 45 manifestantes morreram durante os protestos. A quarta-feira, por exemplo, foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, ainda de acordo com a ONG, que também indicou que “centenas” de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas. A agência de notícias francesa France-Presse (AFP), por sua vez, informou que o balanço seria de ao menos 21 mortos.
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A República Islâmica já havia classificado como “linha vermelha” e desestabilização regional uma possível intervenção americana no país após as primeiras ameaças de Trump. As declarações do republicano provocaram, inclusive, uma reação de dois assessores do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
“Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta”, escreveu Ali Shamkhani, conselheiro de Khamenei, em uma publicação no X. “A segurança do Irã é uma linha vermelha.” Já o também conselheiro Ali Larijani escreveu que “Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”: “Que tenha cuidado com seus soldados”, acrescentou.
De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou “Seyyed Ali será destituído”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.
A primeira grande libertação de prisioneiros na Venezuela desde a deposição do presidente Nicolás Maduro se deve à “pressão máxima” exercida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse a Casa Branca nesta quinta-feira. Mais cedo, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira a libertação de um “número significativo” de presos por razões políticas no país.
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“Este é um exemplo de como o presidente está usando toda a sua influência para fazer o que é certo para os povos americano e venezuelano”, disse a vice-secretária de imprensa Anna Kelly em um comunicado à AFP.
Trata-se das primeiras libertações sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações de narcotráfico.
De acordo com Jorge Rodríguez, a decisão foi tomada “para a convivência pacífica” e não envolveu negociação com outras partes. O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.
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— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou Delcy, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
Entre os presos estão a ativista e especialista em questões militares Rocío San Miguel, presa em 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez.
Na época em que Rocío foi detida, o procurador-geral do país, Tarek William Saab, afirmou que ela seria acusada de “traição à pátria, terrorismo e conspiração”. Diretora da ONG Controle Cidadão, ela foi considerada a presa política mais importante do governo de Maduro.
Já Márquez, figura relevante da oposição ao chavismo, também foi libertado nas últimas horas. Ele se opôs a reconhecer a vitória de Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024, e desde então estava preso. Segundo o El País, sua esposa aguarda instruções para ir ao encontro dele.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
Antes do pleito, havia 199 presos políticos, segundo registros da organização. Depois da eleição, mais 1.581 foram contabilizados em apenas um mês, aumentando para 2,4 mil no período subsequente. Desde então, mais de 2 mil foram liberados, segundo dados oficiais. Em dezembro passado, no dia do Natal, a Venezuela libertou 99 pessoas que haviam sido detidas durante os protestos contra a reeleição de Maduro, segundo o Ministério do Serviço Penitenciário.
Com AFP.
O agradecimento nominal feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela recente decisão de libertar um “número importante” de presos políticos é interpretado, em Brasília, como reflexo de uma demanda permanente do governo brasileiro em favor de gestos humanitários por parte de Caracas.
Segundo interlocutores envolvidos com o tema, desde o início do atual mandato de Lula o Brasil tem sustentado, de forma reiterada, que a libertação de presos por motivação política é condição essencial para qualquer processo de redução de tensões internas na Venezuela e para a normalização de suas relações com países vizinhos e com a comunidade internacional.
Integrantes do Itamaraty relatam que, ao longo desse período, o governo Lula tem buscado convencer o Palácio de Miraflores de que gestos dessa natureza são fundamentais para criar um ambiente mínimo de confiança política.
Os apelos se intensificaram em meados de 2024, quando Nicolás Maduro foi declarado presidente eleito da Venezuela, embora jamais tenha apresentado provas de sua vitória.
Essa posição foi defendida pelo Brasil em contatos bilaterais, em reuniões multilaterais e em iniciativas de mediação, “nas quais o país procurou se apresentar como um interlocutor disposto ao diálogo, sem abrir mão da defesa de princípios como direitos humanos, convivência pacífica e estabilidade regional”, resumiu um graduado embaixador.
O anúncio da libertação foi feito por Jorge Rodríguez nesta quinta-feira, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. Segundo ele, a decisão foi tomada “em prol da convivência pacífica” e de forma unilateral pelo governo bolivariano, sem negociação com outras partes. Rodríguez afirmou ainda que os processos de libertação “estão ocorrendo desde este preciso momento”.
Ao comentar a medida, o chefe do Parlamento venezuelano agradeceu nominalmente ao ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, ao presidente Lula e ao governo do Catar, que, segundo ele, “atenderam prontamente” a um pedido da presidente interina da Venezuela para contribuir com o processo.
— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou Rodríguez.
O anúncio ocorre em um contexto de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Por ordem do presidente Donald Trump, forças militares atacaram o país vizinho no último sábado e levaram o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores para serem julgados em território americano por narcotráfico e outros crimes.
Antes disso, já havia forte pressão internacional e de uma demanda antiga de organizações de direitos humanos e da oposição venezuelana pelo fim da prisão de opositores e críticos do governo.
Embora Rodríguez não tenha informado quantos presos serão libertados nem divulgado seus nomes, a iniciativa é vista como uma tentativa de reduzir tensões internas e externas.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os critérios adotados para a seleção dos presos beneficiados nem sobre o cronograma completo das libertações. Antes do anúncio, organizações como a ONG Fórum Penal estimavam que centenas de pessoas permaneciam detidas na Venezuela por motivos políticos.
O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, liderou nesta quinta-feira uma onda de críticas contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos de um tratado climático fundamental, classificando-a como um “gol contra colossal” que prejudicará o país. Trump emitiu um memorando presidencial na quarta-feira ordenando a retirada de seu país de 66 organizações e tratados internacionais — aproximadamente metade deles associados às Nações Unidas — por serem “contrários aos interesses dos Estados Unidos”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, “lamentou” a decisão.
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Uma delas é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), que serve de base para os principais acordos internacionais sobre o tema. A retirada americana desse organismo entra em vigor um ano após sua notificação oficial, que ainda não foi recebida pelas Nações Unidas.
Secretário-executivo da UNFCCC, Stiell afirmou que a decisão de Trump “apenas prejudicará a economia, o emprego e o nível de vida dos Estados Unidos”. “É um gol contra colossal que deixará os Estados Unidos menos seguros e menos prósperos”, afirmou em comunicado.
Críticos do presidente republicano advertiram que a medida isolará ainda mais Washington no cenário global ao transformá-lo no único membro da ONU que não faz parte do tratado.
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— É um erro estratégico que desperdiça a vantagem americana sem obter nada em troca — afirmou David Widawsky, diretor do centro de estudos World Resources Institute. — O acordo, com 30 anos de existência, é a base da cooperação internacional em matéria climática. Abandoná-lo não apenas marginaliza os Estados Unidos, como também os exclui completamente do âmbito internacional.
A medida gerou fortes críticas da União Europeia. A vice-presidente executiva para Transição Limpa, Justa e Competitiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, afirmou que “a Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas”. “Paz, justiça, cooperação ou prosperidade não estão entre suas prioridades”.
O responsável por políticas climáticas do bloco, Wopke Hoekstra, afirmou que a UNFCCC “fundamenta a ação climática global” e une as nações na luta coletiva contra a crise. “A decisão da maior economia do mundo e do segundo maior emissor de gases de efeito estufa de se retirar da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) é lamentável e infeliz”, declarou Hoekstra no LinkedIn.
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Ele acrescentou que “certamente continuaremos apoiando a pesquisa climática internacional como a base de nossa compreensão e de nosso trabalho. Também continuaremos trabalhando na cooperação climática internacional”.
‘Presente para a China’
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, crítico declarado de Trump e amplamente considerado como provável candidato à Presidência pelo Partido Democrata, declarou:
— Nosso presidente sem juízo está cedendo a liderança dos Estados Unidos no cenário mundial e enfraquecendo nossa capacidade de competir na economia do futuro, criando um vácuo de liderança que a China já está explorando — disse.
A China é o maior poluidor do mundo, mas também se tornou líder mundial em energias renováveis.
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O memorando de Trump também determina que os Estados Unidos se retirem do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU responsável por avaliar a ciência climática, juntamente com outras organizações como a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês), a ONU Oceanos e a ONU Água.
Desde que retornou à Casa Branca, há quase um ano, o republicano vem implementando sua ideologia “América Primeiro”, que vai além da questão climática.
Trump também cortou drasticamente a ajuda externa dos EUA, o que impactou gravemente os orçamentos de diversas organizações da ONU, que foram forçadas a reduzir suas atividades em campo, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
— Seja no clima, na proteção das crianças contra a violência ou nas questões de gênero, seguimos trabalhando com determinação — afirmou nesta quinta-feira o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
O Departamento do Tesouro americano anunciou também nesta quinta-feira a sua retirada do Fundo Verde para o Clima da ONU, o maior fundo multilateral para o clima do mundo.
— Nossa nação não financiará mais organizações radicais como o Fundo Verde para o Clima, cujos objetivos são contrários ao fato de que energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza — declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
A internet foi cortada em todo o território iraniano, informou uma ONG nesta quinta-feira, no 12º dia de um movimento de protestos que desafia o poder, que é acusado de intensificar a repressão contra os manifestantes.
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Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades.
Desde então, os atos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da AFP baseada em declarações oficiais e meios de comunicação locais, e deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou “Seyyed Ali será destituído”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.
O Irã está “atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional”, afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em “dados em tempo real” e referindo-se a “uma série de medidas de censura digital (…) contra as manifestações”.
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, voltou a pedir nesta quinta-feira “a máxima moderação” frente aos manifestantes, bem como o “diálogo” e a escuta às “reivindicações do povo”.
Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos.
A quarta-feira foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que “centenas” de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas.
Um levantamento da AFP baseado em informações oficiais divulgadas pela imprensa iraniana e pelas autoridades, o balanço seria de ao menos 21 mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Estas manifestações, inicialmente ligadas ao custo de vida, são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte, em 2022, de Mahsa Amini, presa por supostamente violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.
Três navios fretados pela petroleira americana Chevron seguem em direção aos Estados Unidos transportando petróleo venezuelano, nesta quinta-feira, de acordo com informações do portal de notícias AFP, baseadas em dados de rastreamento marítimo. A operação ocorre em meio às sanções impostas por Washington contra Caracas e a um bloqueio naval que afeta petroleiros vinculados ao governo venezuelano, mas não alcança embarcações contratadas pela empresa americana. 
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Outros dois petroleiros contratados pela empresa estavam ancorados no porto da refinaria de Bajo Grande, no oeste da Venezuela, na quinta-feira, enquanto seis outros se dirigiam ao país sul-americano, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg. No contexto de suas remessas regulares de petróleo para os Estados Unidos, a Chevron fretou esses navios, sendo a única empresa americana que atua na Venezuela. 
O presidente americano, Donald Trump, assegurou, na terça-feira, que Caracas entregaria aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “sob sanções”. 
O bloqueio naval imposto por Washington aos petroleiros sancionados vinculados à Venezuela provoca um acúmulo de petróleo nos tanques do país, advertiram analistas da plataforma especializada Kpler. O bloqueio não afeta os navios fretados pela Chevron. 
De acordo com a Bloomberg, um dos petroleiros contratados, o “Ionic Anassa”, foi avistado navegando em frente a Cuba, a caminho do porto de Pascagoula, no Mississippi, após ser carregado em Bajo Grande no dia 4 de janeiro. 
Na quinta-feira, o “Nave Photon” encontrava-se ao norte de Caracas, após ter chegado ao terminal de José, localizado no leste do país, no dia 5 de janeiro. O “Mediterranean Voyager” o acompanhava de perto. Ambos têm como destino o porto de Freeport, no Texas. E em Bajo Grande, estavam outros dois navios: o “Minerva Gloria” e o “Searuby”. E outros seis, aparentemente desocupados, seguiam para a Venezuela. 
De acordo com a mais recente estimativa da Kpler, fundamentada em imagens de radar do dia 30 de dezembro, as reservas de petróleo bruto na Venezuela ultrapassam os 22 milhões de barris, o que representa aproximadamente metade da capacidade de armazenamento do país. 
Os volumes de armazenamento chamados de “flutuantes” também crescem. De acordo com uma análise de satélite da Kpler, na quinta-feira havia mais de 16 milhões de barris de petróleo sob sanções armazenados em petroleiros usados como depósitos temporários. 
Ao ser questionada sobre o assunto, a Chevron não comentou sobre as suas operações.
Surgem os primeiros nomes de presos políticos que podem ser libertados pelo governo da Venezuela, segundo informações divulgadas pela mídia internacional. Entre eles estão a advogada Rocío San Miguel, principal especialista venezuelana em temas militares e diretora da ONG Controle Cidadão, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, ambos considerados detentos de alto perfil durante o governo de Nicolás Maduro. Também circulam relatos sobre a possível libertação de Juan Pablo Guanipa, ex-primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional, e do jornalista Roland Carreño.
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Uma fonte diplomática do Brasil em Caracas afirmou ao GLOBO que ainda não há confirmação oficial dos nomes, embora as redes de notícias mencionem San Miguel — presa em fevereiro de 2024 sob acusação de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe — e Márquez, detido em janeiro de 2025 sem acusação formal conhecida. Comentam-se ainda os nomes de Perkins Rocha, advogado de Maria Corina Machado, e Rafael Tudares, genro de Edmundo González Urrutia, entre os possíveis libertados.
Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, as solturas começaram “a partir deste exato momento”, sem que tenha sido informado o total de beneficiados. Trata-se das primeiras libertações sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu temporariamente após a operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão detidos em Nova York, onde respondem a diversos processos judiciais, incluindo acusações de narcotráfico.
De acordo com Jorge Rodríguez, a decisão foi tomada “para a convivência pacífica” e não envolveu negociação com outras partes. O chefe do Parlamento, no entanto, agradeceu a intermediação do ex-presidente do governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do governo do Catar, que, segundo ele, atenderam prontamente a um pedido da presidente interina. Ainda não está clara a participação desses governos na decisão.
— É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. — Considerem este gesto do governo bolivariano, com sua ampla intenção de buscar a paz, como a contribuição que todos devemos dar para garantir que nossa república continue sua vida pacífica.
Quem é Rocío San Miguel?
Pessoas que conhecem San Miguel — muitas das quais trabalharam com a ativista e defensora dos direitos humanos — afirmaram ao GLOBO em 2024, sob a condição de anonimato, que sua detenção é um recado de Maduro a outras ONGs e lideranças da sociedade civil, em plena negociação para a realização de eleições presidenciais este ano. Ela tem uma trajetória reconhecida dentro e fora do país e, apesar de ter questionado o chavismo com seus relatórios, análises e pesquisas sobre o mundo militar, não tem um perfil radical e jamais aceitou aliar-se a políticos de oposição. Sua arma contra Maduro era a informação privilegiada sobre o que acontece dentro dos quartéis venezuelanos.
Advogada e ativista de direitos humanos, Rocío San Miguel passou a ser a principal presa política da Venezuela
Ivan Reyes/AFP
No início de 2024, o Ministério Público venezuelano comunicou a ordem de detenção de duas mulheres, a jornalista Sebastiana Barraez, e Tamara Suju, também advogada a defensora dos direitos humanos. Ambas rumaram para o exílio na Europa, fugindo das pressões e ameaças permanentes que sofriam dentro de seu país. Barraez e Suju, como San Miguel, têm fontes militares e por isso, principalmente, incomodavam o Palácio de Miraflores. San Miguel, comenta-se em Caracas, tinha consciência de que poderia ser a próxima da lista, e talvez por isso organizou uma viagem para a Espanha, onde mora sua filha, Miranda, que a estava visitando na Venezuela.
San Miguel é formada em Direito na Universidade Central da Venezuela (UCV), onde também fez uma pós-graduação em Direito Internacional, Econômico e de Integração. A defensora dos direitos humanos, que já se envolveu pessoalmente em casos de prisões arbitrárias do governo Maduro, também estudou no Centro William J. Perry de Estudos de Defesa Hemisférica, Think Tank que expressou seu repúdio à detenção de sua ex-aluna.
Ela também é professora de Direitos Humanos da UCV, e considerada a acadêmica que melhor conhece em seu país toda a legislação referente ao mundo militar. Em situações que foram lembradas por pessoas que San Miguel ajudou, entre elas a jornalista Andreina Flores, que vive na França, a advogada enfrentou os militares com seu conhecimento sobre as leis que regem a segurança interna em seu país. Em 2016, a ativista, segundo lembrou Andreina em sua conta na rede social X (ex-Twitter), foi até o local onde a jornalista e outro colega estavam presos e exigiu a liberação de ambos com argumentos implacáveis, de uma pessoa que sabe perfeitamente como desmontar operações militares do chavismo.
“O militar de mais alta patente da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) foi cedendo pouco a pouco, e entregou a Rocío tudo o que ela pedia, sem reclamar. Eu a olhava com admiração e agradecimento”, escreveu a jornalista.
Quando Hugo Chávez já era presidente da Venezuela, em 2004, San Miguel trabalhava na Comissão de Fronteiras do Ministério das Relações Exteriores do país. Foi uma das das servidoras que assinou a famosa Lista Tascón, na qual os trabalhadores do Estado apoiaram a destituição de Chávez no referendo para revogar seu mandato, realizado naquele ano. O governo demitiu vários dos servidores que aderiram à Lista Tascón, e San Miguel, junto a outros, recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O caso chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em 2018 condenou o Estado venezuelano por violação de direitos civis. Uma vitória de San Miguel que o chavismo nunca digeriu.

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