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O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, instou os Estados Unidos a “pararem com a chantagem” que visa obter o controle direto da Groenlândia, em entrevista publicada neste sábado por diversos veículos de imprensa europeus. Barrot afirmou que “não acredita” em uma intervenção militar dos EUA para tomar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, como sugeriu o presidente Donald Trump, acrescentando que “nada a justificaria”.
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“A Groenlândia é um território europeu, sob proteção da OTAN […]. Eu acrescentaria que os europeus têm meios muito poderosos para defender seus interesses. Essa chantagem deve parar”, acrescentou Barrot na entrevista publicada pelo Ouest-France, pelo veículo de imprensa alemão Funke e pelo polonês Gazeta Wyborcza.
Trump disse na sexta-feira que a Rússia ou a China estão esperando para “ocupar a Groenlândia”, dizendo que “é isso que farão se não fizermos nada”. Durante uma reunião com executivos da indústria petrolífera focada na exploração de petróleo na Venezuela, Trump advertiu que cumpriria seu objetivo na Groenlândia “por bem ou por mal”.
Essa declaração teve resposta dos líderes dos cinco partidos no Parlamento da Groenlândia naquela mesma sexta-feira à noite: “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”.
Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia, rica em recursos minerais e transformada em uma rota marítima estratégica pelo derretimento do gelo ártico, conquistou sua autonomia 26 anos depois. Desde 1951, existe um acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Dinamarca, que praticamente concede carta branca às forças americanas em território groenlandês, mediante notificação prévia às autoridades locais.
O proprietário francês do bar que pegou fogo na Suíça, matando 40 pessoas na véspera de Ano Novo, disse aos investigadores que uma “porta de serviço” estava trancada por dentro. A maioria dos mortos eram adolescentes, e outras 116 pessoas ficaram feridas na tragédia.
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Questionado pela promotoria de Valais, Jacques Moretti, um dos dois proprietários do bar Le Constellation, na estação de esqui suíça de Crans-Montana, disse que, ao chegar ao bar logo após o incêndio, “forçou a porta” porque estava “trancada por dentro”, segundo trechos do processo judicial publicados por diversos veículos de imprensa franceses e suíços, cuja autenticidade foi confirmada à AFP por uma fonte próxima ao caso.
Moretti, que está em prisão preventiva desde sexta-feira após a audiência, disse aos investigadores que se tratava de uma “porta de serviço” e que não estava sinalizada “como saída de emergência”.
O incêndio teria sido causado por sinalizadores colocados em garrafas de champanhe, segundo as investigações iniciais. Há também questionamentos sobre a presença e o acesso a extintores de incêndio, bem como sobre a segurança das rotas de fuga do bar.
“Costumamos colocar um sinalizador no bar quando servimos uma garrafa”, explicou Jessica Moretti, mulher do proprietário e coproprietária do estabelecimento, que foi liberada após a audiência na sexta-feira. “Fazemos isso há dez anos e nunca houve problema”, afirmou o marido.
Segundo ele, “não é impossível” que os sinalizadores tenham causado o incêndio, mas acredita que “deve haver algo mais”. Ele acrescentou que os sinalizadores “não eram potentes o suficiente para inflamar a espuma acústica” e afirmou: “Fiz testes”.
O casal é suspeito de “homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio criminoso culposo”. Após a investigação, o Ministério Público do Valais decidirá se arquiva o caso ou apresenta uma denúncia para possível julgamento.
As forças americanas e aliadas realizaram ataques em “grande escala” contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria neste sábado, informou o Exército dos EUA, na mais recente resposta a um ataque ocorrido no mês passado que deixou três americanos mortos. Washington afirmou que um atirador solitário do grupo militante realizou o ataque de 13 de dezembro em Palmira — cidade que abriga ruínas antigas listadas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e que já foi controlada por combatentes jihadistas —, que matou dois soldados americanos e um intérprete civil americano.
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“Os ataques de hoje tiveram como alvo o Estado Islâmico em toda a Síria” e fizeram parte da Operação Ataque Hawkeye, lançada “em resposta direta ao ataque mortal do Estado Islâmico contra as forças americanas e sírias em Palmira”, disse o Comando Central dos EUA (Centcom) em um comunicado sobre o X, usando uma sigla para o grupo jihadista.
Os Estados Unidos e a Jordânia realizaram uma rodada anterior de ataques como parte da mesma operação no mês passado, atingindo dezenas de alvos do grupo Estado Islâmico.
O ataque em Palmira foi o primeiro incidente desse tipo desde a queda do antigo governante da Síria, Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
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Os militares americanos que foram alvejados estavam apoiando a Operação Resolução Inerente, o esforço internacional para combater o Estado Islâmico, que tomou vastas áreas do território sírio e iraquiano em 2014.
Os jihadistas foram finalmente derrotados pelas forças terrestres locais, apoiadas por ataques aéreos internacionais e outros tipos de suporte, mas o Estado Islâmico ainda mantém presença na Síria, especialmente no vasto deserto do país.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, sempre se mostrou cético em relação à presença de Washington na Síria, tendo ordenado a retirada das tropas durante seu primeiro mandato, mas, no fim das contas, mantendo as forças americanas no país.
Em abril, o Pentágono anunciou que os Estados Unidos reduziriam pela metade o número de militares americanos na Síria nos meses seguintes, enquanto o enviado dos EUA para a Síria, Tom Barrack, afirmou em junho que Washington eventualmente reduziria suas bases no país para apenas uma.
O Instituto Nobel esclareceu neste sábado que o Prêmio Nobel da Paz não pode ser transferido, compartilhado ou revogado depois de ser concedido, e que decisão de premiar alguém é final e permanente. A declaração foi feita após a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, sugerir em entrevista que poderia ceder ou compartilhar seu prêmio com o presidente dos EUA, Donald Trump, em agradecimento pelo papel do país na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado.
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“Uma vez anunciado, o Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para terceiros”, declararou o Comitê Norueguês do Nobel e o Instituto Norueguês do Nobel. “A decisão é final e irrevogável.” O instituto também destacou que os comitês Nobel não comentam as ações ou declarações dos laureados depois da premiação.
María Corina fez as declarações em entrevista à Fox News na segunda-feira, e Trump disse que ficaria “honrado” em aceitar o prêmio se fosse oferecido por ela. Ela já havia dedicado o prêmio ao republicano.
— Ouvi dizer que ela queria isso. Seria uma grande honra — afirmou o mandatário republicano.
“Amo o povo venezuelano e já estou trabalhando para tornar a Venezuela próspera e segura novamente. Parabéns e obrigado a todos que estão tornando isso possível!”, escreveu o presidente na Truth Social neste sábado.
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María Corina liderou uma campanha eleitoral bem-sucedida em 2024 contra Maduro e tinha a maior legitimidade popular para liderar a nação, mas Trump disse que ela não tem o apoio ou o respeito necessários dentro da Venezuela para governá-la.
Mesmo antes de invadir a capital da Venezuela, Trump já havia decidido o que aconteceria depois que Maduro saísse de cena. Ele não daria seu apoio a María Corina. Nos bastidores, o americano chegou a essa conclusão com base em vários fatores decisivos, incluindo avaliações de inteligência americana, o desgaste da relação entre María Corina e autoridades em Washington e, segundo fontes próximas à Casa Branca, até mesmo a decisão dela de aceitar o Prêmio Nobel da Paz, honraria que Trump cobiça abertamente.
O magnata frequentemente reivindica o crédito por ter encerrado várias guerras desde que assumiu o cargo em janeiro e assumiu o crédito pela libertação de presos políticos em andamento na Venezuela. Em alguns casos, as partes em conflito lhe atribuíram o mérito de promover a paz ou acalmar as hostilidades. Em outros, seu papel é contestado ou menos claro, ou os combates foram retomados.
Receber o Nobel da Paz é uma obsessão antiga de Trump, que o acompanha desde seu primeiro mandato, mas que ganhou força em seu retorno à Casa Branca, com o discurso de grande pacificador e uma longa de controversa lista de conflitos resolvidos: segundo ele, foram oito até hoje, incluindo uma guerra de 12 dias entre Israel e Irã, que terminou após bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas. Trump também se gaba de ter conduzido as negociações para um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas constantes violações da trégua e a demora no estabelecimento de planos para o futuro do enclave põem em xeque a iniciativa.
Com agências internacionais.
Meses antes da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump tentou construir uma saída negociada para o líder venezuelano. Nesse esforço, o empresário brasileiro Joesley Batista, dono da processadora de carnes JBS, teria atuado como interlocutor informal em uma missão para convencer Maduro a deixar o poder de forma pacífica, segundo apurou o jornal americano Washington Post em reportagem publicada neste sábado.
Procurada pelo GLOBO, a J&F, grupo controlado pelos irmãos Batista ao qual pertence a JBS, negou pedidos de comentário.
No início do ano passado, o então enviado especial de Trump, Richard Grenell, teria liderado tentativas diplomáticas de negociação, com apoio ocasional do Catar e contatos diretos com figuras centrais do governo venezuelano, como Jorge Rodríguez, ex-ministro da Informação e atual presidente da Assembleia Nacional do país. As propostas americanas para a saída de Maduro, no entanto, foram rejeitadas por ele, segundo a reportagem.
Com as tentativas de negociações formais frustradas e o aumento da pressão dentro da Casa Branca por medidas mais duras, empresários teriam passado a preencher o espaço deixado pela diplomacia oficial.
Um desses empresários teria sido Joesley Batista, que teria ido a Caracas no fim de novembro, levando uma proposta que incluía a renúncia de Maduro e a possibilidade de exílio em países como a Turquia, além de outras condições consideradas estratégicas pelos Estados Unidos.
Entre os pontos discutidos por eles estariam a exigência de acesso americano a minerais críticos e ao petróleo, além do rompimento com Cuba, aliada histórica da Venezuela, segundo fontes do jornal americano que estavam a par do encontro.
Batista, que teria interesses comerciais tanto nos Estados Unidos quanto na Venezuela, já havia aproveitado sua influência global anteriormente para atuar como intermediário em negociações sobre tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros.
Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o empresário não atuou oficialmente a pedido dos Estados Unidos, mas suas informações foram levadas em consideração pelo governo Trump.
Apesar das tratativas, Maduro e sua esposa teriam reagido negativamente às propostas, encerrando a possibilidade de uma transição negociada. Pouco depois, Trump concluiu que os esforços diplomáticos haviam se esgotado, abrindo caminho para a ação militar que culminou na captura do presidente venezuelano.
Uma série de protestos tem sido registrados em diversos pontos do Irã e resistindo à forte opressão do governo ao longo das últimas duas semanas. Desencadeadas por conta da crise financeira que o país enfrenta, as manifestações resultaram até mesmo no bloqueio da rede de internet no país, o que não impediu que uma série de registros feitos por manifestantes fossem divulgados e circulassem nas redes sociais.
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Segundo a ONG Human Rights Activist, ao menos 65 pessoas foram mortas e mais de 2.300 presas ao longo destas duas semanas de protestos, organizados em ao menos cem cidades de todas as 31 províncias do Irã.
“Se o ímpeto desses protestos de rua em massa for mantido, a repressão se tornará muito mais difícil, senão insuficiente”, afirmou Ali Fathollah-Nejad, diretor do Centro para o Oriente Médio e a Ordem Global (CMEG) em Berlim.
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Esses novos protestos, que chegaram ao 14º dia consecutivo neste sábado, foram desencadeados, principalmente, pelo agravamento da crise econômica e alimentados pela raiva popular contra o regime iraniano.
Na quinta-feira, o país mergulhou num apagão de internet — ordenado pelo governo como forma de repressão —, à medida que as manifestações se espalhavam pela maioria das cidades do país, incluindo a capital, Teerã.
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Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde o último sábado.
Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
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A economia iraniana vem, de fato, sofrendo pressão constante há anos, em grande parte como resultado das sanções americanas e europeias relacionadas às suas ambições nucleares. Essa situação foi agravada pelas tensões regionais, incluindo uma guerra de 12 dias com Israel em junho do ano passado, que drenou ainda mais os recursos financeiros do Irã.
A forte desvalorização da moeda iraniana afetou duramente os negócios dependentes de importações, irritando os lojistas e pressionando os orçamentos familiares. A moeda perdeu aproximadamente metade do seu valor em relação ao dólar em 2025. Comerciantes e estudantes universitários realizaram dias de protestos, fechando os principais mercados e promovendo manifestações nos campi universitários. Em resposta, as autoridades praticamente paralisaram grande parte do país.
Os protestos têm se concentrado cada vez mais no próprio governo e no regime autoritário dos clérigos islâmicos do país. Nas redes sociais e em emissoras de televisão, manifestantes têm sido vistos entoando slogans como “Morte ao ditador”, em referência ao líder supremo do país, Ali Khamenei, e “Iranianos, levantem suas vozes, reivindiquem seus direitos”.
A principal coalizão venezuelana informou neste sábado que 17 presos políticos foram libertados em meio ao lento processo de soltura de prisioneiros anunciado pelo governo sob pressão dos Estados Unidos após a captura do presidente Nicolás Maduro no último sábado. A Plataforma Unificada publicou a contagem em sua conta X, sem especificar nomes. Outras ONGs relatam 12 pessoas entre um total de 800 a 1.200 detidos.
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Há dois dias, dezenas de famílias dormem em frente a centros de detenção como El Rodeo I, nos arredores da capital, aguardando notícias. Os guardas alegam não saber de nada.
“Exigimos que os processos de libertação sejam acelerados para que o sofrimento dos presos políticos e de suas famílias finalmente cesse”, declarou a Plataforma Unificada em comunicado.
A Venezuela anunciou na quinta-feira a libertação de um “número significativo” de detidos, incluindo estrangeiros. Mas, 48 ​​horas depois, pouco progresso foi feito. O governo ainda não respondeu às insistentes mensagens da imprensa internacional sobre o assunto.
Entre os primeiros libertados estavam o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi solto juntamente com o ativista Biagio Pilieri. Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania, foi libertada junto com outros quatro espanhóis e viajaram para Madri.
Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024, ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi detido em janeiro de 2025, e Juan Pablo Guanipa (ex-governador de Zulia e líder do partido ¨Primer Justicia¨) figuram na primeira lista de libertos pelo chavismo
Arte O GLOBO
A ONG Foro Penal informou a libertação, no estado de Bolívar (sul), do Dr. Virgilio Valverde, coordenador da juventude do partido da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. “Ele nunca deveria ter estado atrás das grades!”, escreveu a organização política nas redes sociais.
E de Didelis Corredor, também preso desde julho de 2023.
A ONG Justiça, Encontro e Perdão exigiu que as autoridades publiquem a lista completa das pessoas libertadas, incluindo nomes, local de detenção e condições de libertação, e “que quaisquer anúncios futuros sejam feitos de forma verificável e sem gerar falsas expectativas”.
O governo Lula comunicou à Argentina a decisão de deixar de administrar a embaixada do país na Venezuela. A gestão de Delcy Rodríguez, presidente interina do país caribenho, também foi avisada. O Brasil havia assumido a representação diplomática, a pedido de Javier Milei, em agosto de 2024, após o então presidente venezuelano Nicolás Maduro expulsar os diplomatas argentinos do país.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores não se manifestou. Fontes do Itamaraty, no entanto, confirmam que a decisão de fato partiu do Brasil. A mudança ocorre em meio a divergências do país com a Argentina na posição sobre a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela realizada na semana passada, que capturou Maduro. O governo Lula acondenou a ação militar e tem feito articulações com outros governos da região para reforçar a defesa da autodeterminação dos povos e da soberania nacional dos países em meio à ação dos EUA. Já Milei saudou a ação militar ordenada pelo presidente americano, Donald Trump.
A decisão do Brasil de não assumir a representação diplomática da Argentina em Caracas foi noticiada pelo La Nación e confirmada pelo GLOBO. O jornal argentino diz que o comunicado foi transmitido à chancelaria argentina na sexta-feira, mesmo dia em que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia avançou ao ser aprovado pelo Conselho Europeu, em Bruxelas.
O La Nación afirma que a Itália, hoje governada pela direitista Georgia Meloni, vai assumir a embaixada da Argentina na Venezuela no lugar do Brasil, a pedido do governo de Milei.
O jornal argentino menciona como uma das razões que motivaram a decisão do Itamaraty a postagem de um vídeo nas redes sociais de Milei em que o presidente argentino aparece elogiando as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, intercalando as falas com imagens do presidente Lula. O La Nación afirma que “o que causou a ira brasileira foi que o post terminava com uma imagem de Lula e Maduro abraçados”.
No Itamaraty, no entanto, uma pessoa familiarizada com o tema afirma que a avaliação da diplomacia brasileira foi de que o Brasil já havia cumprido com a missão que lhe cabia e que, na atual conjuntura da Venezuela, outros países poderiam representar os interesses da delegação argentina.
No período em que esteve na custódia da embaixada argentina em Caracas, o Itamaraty autou na defesa de seis opositores venezuelanos que colaboravam com María Corina Machado e estavam abrigados na representação diplomática argentina.
Os opositores fizeram parte da campanha presidencial de Edmundo González Urritia, que disputou as eleições de 2024 contra Maduro. De acordo com observadores internacionais, o regime venezuelano fraudou as eleições para manter-se no poder. Os seis oposicionistas receberam asilo da embaixada argentina em março de 2024 e só deixaram o país rumo aos Estados Unidos em maio de 2025, com o auxílio da diplomacia brasileira. Magalli Meda, Claudia Macero, Pedro Urruchurtu, Omar González e Humberto Villalobos tinham contra si ordens de prisão por “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização” da Venezuela.
O Brasil também fez gestões junto ao regime venezuelano para que libertasse Nahuel Gallo, militar argentino preso em dezembro de 2024 na Venezuela, acusado pelo regime de Maduro de vinculação com “atividades terroristas”. O militar, no entanto, segue preso, embora haja a expectativa de que seja libertado após o anúncio de Jorge Rodríguez, irmão da presidente venezuelana Delcy Rodríguez e presidente da Assembleia Nacional do país, de que “um número importante” de presos políticos será libertado.
Em manifestação oficial assinada pelo irmão após ser liberada pelo governo da Venezuela, a ativista e advogada Rocío San Miguel creditou sua saída da prisão à atuação direta do governo da Espanha e, especificamente, do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Em comunicado divulgado neste sábado, a família de San Miguel revelou que a transferência para Madri foi fruto de negociações diplomáticas que se estenderam por meses.
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O texto, assinado por José Manuel San Miguel, irmão e único porta-voz autorizado da ativista, destaca o agradecimento aos governos da Venezuela e da Espanha, mas dá ênfase especial ao papel do político socialista espanhol.
“Agradecemos (…) ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, assim como aos atores que participaram nos recentes diálogos e conversas entre Venezuela e Estados Unidos, cujas gestões foram determinantes para que ocorressem estas excarcerações”, diz o comunicado.
San Miguel, que possui cidadania espanhola e venezuelana, foi detida em fevereiro de 2024 sob a acusação de conspiração, num movimento que, à época, foi interpretado como um endurecimento de Maduro contra a sociedade civil antes das eleições presidenciais.
Segundo a nota oficial, a ida da ativista para a Europa não deve ser interpretada como um banimento forçado, mas como uma solução diplomática construída nos bastidores. O texto cita que a presença dela na Espanha ocorreu “especialmente graças às gestões sustentadas durante mais de um ano pelo ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, a quem Rocío San Miguel expressou seu profundo agradecimento”.
Liberdade restrita e silêncio imposto
Apesar de estar fora da prisão e em território europeu, a situação jurídica de San Miguel ainda é delicada. A nota da família faz questão de esclarecer, com “absoluta responsabilidade jurídica”, que a ativista não recebeu liberdade plena. Trata-se de uma medida cautelar substitutiva.
Como parte das condições impostas por Caracas para sua soltura, San Miguel está sob uma espécie de “lei da mordaça”. Ela mantém medidas de proibição de declarar publicamente, o que impede que ela mesma narre as condições de seu cárcere ou emita opiniões políticas.
“Nenhuma pessoa está autorizada, desde o momento de sua excarceração, a emitir declarações em seu nome, atribuir-lhe opiniões, posições (…) nem interpretar sua situação pessoal, legal, de saúde, nem as condições que viveu na reclusão”, reforça o documento.
Sobre seu estado de saúde, a família informou que ela se encontra bem, mas segue em reabilitação de um problema no ombro, tendo passado por cirurgias em abril e outubro de 2025.
A ‘dama de ferro’ dos quartéis
A prisão de Rocío San Miguel em 2024 gerou comoção internacional devido ao seu perfil técnico e respeitado. Presidente da ONG Control Ciudadano, ela não era vista como uma radical política, mas como a acadêmica que melhor conhecia as entranhas do mundo militar venezuelano.
Fontes relataram ao GLOBO no ano passado que sua detenção foi um recado claro ao setor de defesa dos direitos humanos. Diferente de outros opositores, a “arma” de San Miguel era a informação privilegiada sobre a movimentação nos quartéis, algo que incomodava profundamente o Palácio de Miraflores.
Sua trajetória de embate com o chavismo é antiga. Em 2004, quando trabalhava no Ministério das Relações Exteriores, foi demitida após assinar a “Lista Tascón”, um abaixo-assinado pedindo a revogação do mandato de Hugo Chávez. San Miguel levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos e, em 2018, obteve uma vitória histórica com a condenação do Estado venezuelano por violação de direitos civis — uma derrota que o chavismo jamais digeriu.
Agora em Madri, a ativista manifestou, através do irmão, a esperança de que sua soltura seja apenas o primeiro passo de um “processo amplo de reconciliação nacional”, desejando a liberdade plena para todos os detidos por razões políticas na Venezuela.
Mais ativistas soltos
A Foro Penal, uma organização sem fins lucrativos, afirmou nesta sexta-feira (9) ter confirmado que nove presos políticos foram libertados na Venezuela desde o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na quinta-feira (8).
Rodríguez pontuou que o governo soltaria “um número significativo” de presos políticos. Agora, neste sábado, Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, compartilhou no X que a ativista venezuelana Didelis Raquel Corredor também foi solta.
Uma pessoa morreu e outras sete estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação com migrantes no Mar Egeu, neste sábado (10), próximo à costa da Turquia. Segundo informações da guarda costeira turca, os passageiros estavam a bordo de um bote inflável que começou a afundar antes do amanhecer perto da cidade de Dikili. Ao todo, 37 foram resgatados com vida.
“As operações de busca continuam para encontrar os sete imigrantes irregulares desaparecidos”, afirmou a guarda costeira.
A cidade de Dikili é uma pequena região a cerca de 20 km da ilha grega de Lesbos. Os naufrágios são comuns na região, devido ao perigo das travessias para a Grécia, porta de entrada para a União Europeia.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, cerca de 1.900 migrantes desapareceram ou foram se afogaram no Mediterrâneo em 2025.

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