Com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos ao Irã nos próximos dias, em meio à escalada das ameaças do presidente Donald Trump, cresce a incerteza sobre os desdobramentos de uma eventual ação militar. Embora os alvos mais prováveis, como bases da Guarda Revolucionária, instalações nucleares e pontos estratégicos, sejam conhecidos, o impacto político e regional permanece imprevisível. Segundo a BBC, especialistas apontam ao menos sete cenários possíveis, que vão desde uma ofensiva limitada até um conflito de grandes proporções no Oriente Médio.
Entre bombardeiros, caças, mísseis e drones: quais armas e alvos os EUA podem considerar em um novo ataque ao Irã
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1. Ataques pontuais e tentativa de mudança de regime
Em um cenário considerado otimista, forças aéreas e navais dos EUA realizariam ataques cirúrgicos contra alvos militares e nucleares do Irã, como bases do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), com impacto limitado sobre a população civil.
A aposta seria que um regime já fragilizado entrasse em colapso, abrindo caminho para uma transição política e, no longo prazo, para um sistema mais democrático. Analistas, porém, lembram que experiências recentes no Iraque e na Líbia mostram que intervenções externas raramente produzem transições estáveis.
Vale lembrar que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln e sua escolta já foram deslocados para o Golfo Pérsico.
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2. Regime resiste, mas muda de postura
Outra hipótese é a de que a República Islâmica sobreviva ao ataque, mas seja forçada a moderar suas políticas. Isso incluiria reduzir o apoio a milícias aliadas na região, limitar programas de mísseis e aliviar a repressão aos protestos no país.
Esse cenário é visto como pouco provável, diante da resistência histórica da liderança iraniana a pressões externas.
3. Queda do regime e ascensão de um governo militar
Avaliado por muitos analistas como o desfecho mais plausível, esse cenário prevê o colapso do regime civil e sua substituição por um governo militar liderado por integrantes do IRGC.
Apesar da impopularidade do governo, o aparato de segurança segue coeso e disposto a usar força extrema para preservar o poder, o que reduz as chances de uma transição civil imediata.
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4. Retaliação direta contra forças dos EUA e aliados
O Irã já sinalizou que responderia a qualquer ataque, afirmando estar “com dedo no gatilho”. Mesmo sendo inferior militarmente aos EUA, o país dispõe de mísseis balísticos e drones capazes de atingir bases americanas no Golfo, especialmente no Bahrein e no Catar.
Nesse contexto, também haveria risco para países considerados cúmplices da ofensiva, além de infraestruturas estratégicas, como instalações de energia.
5. Bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz
Uma das maiores preocupações globais é a possibilidade de o Irã minar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo e parte significativa do gás natural liquefeito (GNL).
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Dentro dessa hipótese, um bloqueio, mesmo temporário, teria impacto imediato nos preços da energia e no comércio internacional.
6. Afundamento de um navio americano
Uma suposição extrema, mas considerada possível, envolve ataques assimétricos iranianos, com drones e embarcações rápidas, contra navios da Marinha dos EUA no Golfo.
Nessas circunstâncias, especialistas ouvidos pela BBC afirmam que o afundamento de um navio de guerra americano poderia ser acompanhado ainda pela captura de sobreviventes entre a sua tripulação, o que seria uma enorme humilhação para o país.
Este cenário representaria uma escalada dramática do conflito e forte pressão política sobre Washington.
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7. Colapso do Estado e caos interno
O risco mais temido por países vizinhos é o de um colapso total do Estado iraniano. Além da possibilidade de guerra civil, tensões étnicas envolvendo curdos, baluchis e outras minorias poderiam explodir em meio a um vácuo de poder.
Com cerca de 93 milhões de habitantes, um Irã mergulhado no caos teria potencial para gerar uma crise humanitária e de refugiados de grandes proporções.
O principal temor agora é que o presidente Donald Trump, após concentrar forças militares na região, opte por agir para não demonstrar fraqueza política. O resultado poderia ser um conflito sem objetivos bem definidos e com consequências imprevisíveis para todo o Oriente Médio.