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O paraense Adriano Silva, que atuava como voluntário integrado às forças ucranianas na guerra do Leste Europeu, foi morto após ser atingido por fogo de artilharia, segundo informações preliminares. A morte não ocorreu em combate corpo a corpo, mas em um ataque indireto — modalidade que tem se mostrado uma das mais letais do conflito.
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A informação foi publicada primordialmente em um grupo do Facebook chamado “Amigos da Ucrânia”, e posteriormente confirmada pelo GLOBO.
Morte de Adriano foi confirmada em grupo no Facebook
Reprodução/Redes Sociais
“A morte de Adriano Silva reforça a dura realidade vivida por combatentes que, longe de seus países de origem, se veem expostos a um ambiente marcado por alta letalidade, armamentos pesados e constante imprevisibilidade”, escreve Anderson Crepaldi no post.
O episódio evidencia a dinâmica da guerra moderna, marcada pelo uso intensivo de artilharia de longo alcance, bombardeios e mísseis, capazes de atingir alvos a grandes distâncias e com alto poder destrutivo. Nesse cenário, mesmo combatentes fora da linha direta de confronto permanecem expostos a riscos constantes.
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“Deixei o paraíso da Ilha Grande, no litoral fluminense, há pouco mais de cinco meses. Lá, era marinheiro mercante e surfista nas horas vagas. Troquei o azul do mar de Lopes Mendes pelo cinza das trincheiras e o branco da neve ucraniana, onde nesses últimos dias enfrentamos uma temperatura de -20°C. Muita gente acha que vim por aventura, mas foi uma decisão de muita consciência. Não conseguia ficar em casa, no conforto, sabendo que um povo inteiro estava sendo esmagado. Como servi no Exército, tinha algo a oferecer. Eu sentia que era meu dever moral dizer: “Vocês não estão sozinhos.”
Na guerra, meu nome é “Navy” (Marinha), assim está escrito na chapa que levo pendurada ao pescoço. É assim que me chamam no rádio. Tenho 39 anos e nasci na região serrana do Rio, em Teresópolis. Minha jornada até aqui foi silenciosa: saí de São Paulo, passei pela Turquia, Moldávia e, a partir dali, o mundo desapareceu. Fiquei incomunicável. Estava acompanhado de outros 12 soldados, todos experientes, cientes de que poderíamos não voltar. Só não posso revelar como foi feito o meu recrutamento, por questões de segurança.
Duas celebridades senegalesas — um apresentador de TV e um cantor — foram presas e acusadas de cometer “atos antinaturais”, crime que se refere ao sexo entre pessoas do mesmo sexo, informou a polícia do Senegal neste domingo.
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As celebridades — Pape Cheikh Diallo, um popular apresentador de TV, e Djiby Dramé, um músico — compareceram ao lado de outros 10 homens em um tribunal fora da capital, Dakar, na segunda-feira. A polícia afirmou em comunicado que o caso começou com investigações sobre um indivíduo com HIV que havia “confessado infectar conscientemente cerca de dez pessoas com quem teve contato, principalmente por meio de grupos de WhatsApp”.
Não estava claro qual dos 12 homens havia feito a confissão nem se Diallo e Dramé haviam sido acusados com a intenção de disseminar o vírus. Nenhum dos dois apresentou defesa. Um juiz senegalês foi designado para conduzir a investigação.
Um advogado de Diallo, Abdou Dieng, disse: “Muito do que está sendo dito na mídia sobre Pape Cheikh não é verdade”. Outros advogados presentes no tribunal se recusaram a comentar.
Repressão à homossexualidade
As prisões fazem parte de uma recente repressão à homossexualidade no país e ocorreram no momento em que muitos países africanos têm experimentado um aumento de leis e políticas anti-gays. Estes são os casos anti-gays de maior repercussão no Senegal sob um governo que chegou ao poder em 2024 com forte apoio da juventude.
O Senegal tornou-se cada vez mais intolerante com pessoas gays e de gênero fluido nas últimas décadas, dizem especialistas. A homossexualidade é punível com até cinco anos de prisão e multa superior a 2,7 mil dólares. No entanto, grupos de cidadãos têm feito campanha por punições mais severas.
— Este caso está acontecendo em um contexto muito carregado, política e culturalmente — disse Babacar M’Baye, professor da Kent State University que escreveu sobre sexualidade no Senegal: — Há grupos que deturpam a questão da homossexualidade como algo anormal. Os sentimentos homofóbicos são extremamente fortes.
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Diallo, de 42 anos, entrevista celebridades na TFM, o canal de televisão mais assistido do país, fundado pelo músico Youssou N’Dour. Com 3 milhões de seguidores no TikTok, Diallo é especialmente popular entre os jovens, e seu rosto é onipresente no Senegal, estampado em outdoors por todo o país da África Ocidental.
Dramé, que está na casa dos 40 anos e canta principalmente nos idiomas soninquê e bambara, é popular entre um público mais velho. Ele frequentemente se apresenta com sua esposa, a cantora Maman Chérie, e seus duetos são presença constante em casamentos senegaleses. Ele também é conhecido por organizar um gala anual da alta sociedade — uma celebração do bazin, um luxuoso tecido de algodão adamascado usado em ocasiões especiais em toda a África Ocidental.
Ambas as celebridades são vistas como homens altamente respeitáveis. M’Baye afirmou que a fama deles pode influenciar a forma como os fãs veem a homossexualidade.
— Vai haver alguma culpabilização da classe das celebridades, mas também aumento de conscientização — disse ele: — As pessoas podem se perguntar se não deveríamos ser mais tolerantes.
Um ataque a um carro-forte transformou, na manhã desta terça-feira (9), a estrada estadual 613, principal ligação entre as cidades Brindisi e Lecce, no sul da Itália, em um cenário de guerra. Imagens gravadas por motoristas e compartilhadas nas redes sociais registraram o momento em que criminosos armados bloquearam a via com veículos incendiados, detonaram explosivos e trocaram tiros com a polícia, pouco antes das 8h.
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As gravações feitas por celulares mostram uma densa coluna de fumaça preta, chamas tomando a pista e o carro-forte sendo arremessado após a explosão. Segundo as autoridades, o veículo blindado pertencia à empresa BTV, do Grupo Battistolli, especializada no transporte de valores em todo o país. O ataque foi realizado por um grupo de seis a dez homens mascarados, alguns disfarçados de policiais e usando carros com luzes azuis piscantes.
Assista o momento:
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Ataque ousado à luz do dia
Para forçar a parada do veículo, os suspeitos atravessaram um caminhão de pequeno porte e uma van na rodovia e atearam fogo nos automóveis, criando o que testemunhas descreveram como uma “parede de chamas”. O trânsito ficou completamente paralisado, e motoristas ficaram presos na estrada em meio ao pânico. Em seguida, os assaltantes detonaram um dispositivo explosivo no carro-forte, em uma cena registrada de vários ângulos por quem estava no local.
Apesar da força da explosão, um sistema de segurança acionado por espuma dentro da van impediu o acesso ao dinheiro, frustrando o roubo, de acordo com relatos da imprensa italiana. As imagens mostram que, mesmo com o veículo destruído, os criminosos não conseguiram concluir o assalto.
A chegada das patrulhas dos Carabinieri deu início a um intenso tiroteio. Armados com fuzis Kalashnikov e espingardas, os suspeitos usaram veículos como cobertura enquanto trocavam disparos com os policiais. Uma viatura foi atingida por três tiros, e um carro descaracterizado da polícia foi abalroado durante a perseguição. Não houve registro de feridos ou mortos, apesar da violência e da presença de civis no local.
Imagens da explosão circulam nas redes sociais
Reprodução/X/Crudeli45198835
Durante a fuga, segundo noticiou a imprensa local, os criminosos roubaram carros de motoristas que passavam pela rodovia e espalharam pregos de metal no asfalto para dificultar a perseguição policial. Mais tarde, os Carabinieri localizaram um Alfa Romeo abandonado em uma área rural. Dois suspeitos foram presos após tentarem fugir a pé, enquanto ao menos outros dois continuam foragidos.
A estrada estadual 613 foi interditada nos dois sentidos entre os quilômetros 8,3 e 12,8, nas proximidades de San Pietro Vernotico, na província de Brindisi. A empresa Anas desviou o tráfego para a antiga Rodovia Estadual 16, enquanto bombeiros removiam os destroços carbonizados e equipes forenses realizavam a perícia.
O canal Sky TG24 informou que os suspeitos seriam da região de Foggia, conhecida pela atuação de quadrilhas especializadas em ataques paramilitares a veículos blindados. Em nota, Nicola Magno, secretário-geral regional da associação Un Arma na Puglia, afirmou que os Carabinieri “mais uma vez estiveram na linha de frente de um ato criminoso extremamente violento e organizado” e destacou que o desfecho sem vítimas só foi possível graças ao “profissionalismo e ao senso de dever” dos policiais.
As autoridades seguem com uma operação de busca, com apoio de helicópteros, e reforçaram o policiamento e os bloqueios em toda a região. O assalto, apesar da ação espetacular registrada em vídeo, terminou sem que a quadrilha conseguisse levar qualquer quantia em dinheiro.
Neste domingo (8), um pastor encontrou uma caravana escondida em uma trilha na floresta abaixo do Monte Okolchitsa, no noroeste da Bulgária. Dentro do veículo estavam os corpos de dois homens e um adolescente de 15 anos, todos com ferimentos de bala na cabeça. A descoberta ocorreu seis dias após o desaparecimento do trio e transformou em um caso ainda mais complexo a investigação policial, que já apurava a morte de outros três homens, encontrados em 2 de fevereiro em uma cabana incendiada perto do Passo de Petrohan, a cerca de 16 quilômetros dali.
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Segundo a Direção-Geral da Polícia Nacional, os seis mortos estavam ligados a uma mesma organização ambiental. “Este é um caso sem precedentes em nosso país”, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (9) Zahari Vaskov, diretor da corporação. A promotora Natalia Nikolova, responsável pelo inquérito, disse que a investigação trabalha com duas hipóteses centrais: homicídio seguido de suicídio ou uma série de suicídios, cenário que abriu espaço para especulações e dividiu a opinião pública.
O incêndio na cabana e as primeiras vítimas
De acordo com a Reuters, o primeiro episódio ocorreu em 2 de fevereiro, quando bombeiros atenderam a um incêndio em uma cabana na região de Petrohan. No local, foram encontrados os corpos de Ivaylo Ivanov, advogado de 49 anos, Decho Vasilev, contador de 45, e Plamen Statev, instrutor de mergulho de 51, todos com tiros na cabeça, além de dois cães mortos no andar superior do imóvel parcialmente destruído pelo fogo. As vítimas integravam a Agência Nacional para o Controle de Áreas Protegidas, ONG que mantinha, desde 2022, um acordo-quadro com o Ministério do Meio Ambiente para monitoramento ambiental na região próxima à fronteira com a Sérvia.
Imagens de câmeras de segurança, divulgadas pela polícia, mostram que, em 1º de fevereiro, os seis homens se despediram em frente à cabana. Ivaylo Kalushev, apontado como líder da organização, deixou o local com Nikolay Zlatkov, de 22 anos, e o adolescente. Os três que permaneceram no abrigo foram vistos recolhendo os cães e, em seguida, incendiando o prédio. “Foi uma honra para mim”, diz uma das vozes registradas. Os corpos foram encontrados enfileirados.
A cabana funcionava como base operacional da ONG, cujos membros patrulhavam a área havia anos e chegaram a ser descritos por veículos locais como “guardas florestais” que auxiliavam a polícia de fronteira — função nunca reconhecida oficialmente. O acordo com o ministério foi rescindido em junho de 2025, após auditoria interna concluir que a entidade não tinha “propósito claro” nem “base legal”, segundo declarou o então ministro Manol Genov.
Perícias indicaram que as três vítimas de Petrohan morreram por ferimentos à queima-roupa, aparentemente autoinfligidos. No local, foram encontradas quatro cápsulas, duas pistolas e um rifle, com DNA compatível apenas com o das vítimas, de acordo com os investigadores. Na caravana em Okolchitsa, a polícia concluiu que os disparos partiram de dentro do veículo; dois corpos apresentavam tiros na cabeça, e a autópsia do terceiro seguia em andamento.
A versão do suicídio coletivo, no entanto, é contestada. Em entrevista a uma rádio local, Plamen Hristanov, ex-chefe da polícia de fronteira, afirmou que o grupo pode ter “visto algo terrível” durante as patrulhas e associou o caso às rotas de tráfico de drogas entre Sérvia e Bulgária, parte da chamada Rota dos Bálcãs, historicamente usada para o contrabando de drogas, migrantes e madeira ilegal.
A controvérsia ganhou contornos políticos. Nikolai Denkov, primeiro-ministro entre 2022 e 2023, acusou instituições de promoverem um “esforço coordenado para encobrir os fatos”. Já Denyo Donev, diretor da Agência Estatal de Segurança Nacional, afirmou que havia recebido, dois anos antes, informações sobre supostos crimes sexuais contra menores na cabana, sem explicar por que não houve providências — declaração que provocou reação de amigos das vítimas, que negam irregularidades e relatam ameaças recentes contra o grupo.
O pai do adolescente, identificado como Markulev, disse à televisão, enquanto o filho ainda estava desaparecido, que acreditava que o encontro com Kalushev seria “seguro” e sugeriu a atuação de um agente externo. As autoridades informaram que ele não colaborou com a investigação. Entre 27 e 31 de janeiro, Kalushev e dois acompanhantes estiveram no sul do país, perto da fronteira com a Turquia, em obras em uma propriedade ligada ao líder da ONG.
Até o momento, nenhuma substância ilícita foi encontrada nos locais. A polícia solicitou 18 perícias forenses, incluindo balística, incêndio e DNA, e ouviu ao menos 15 testemunhas. As autoridades afirmam que continuam apurando possíveis ligações com seitas religiosas, tráfico de pessoas e outras atividades criminosas, enquanto o país acompanha, sem respostas, um dos casos mais enigmáticos de sua história recente.
Uma loba-cinzenta percorreu mais de 800 quilômetros, cruzando cadeias de montanhas, o deserto e grandes rodovias em busca de um parceiro, até ser vista no condado de Los Angeles pela primeira vez em quase um século, no último sábado, em um sinal do avanço da recuperação da espécie na Califórnia.
O avistamento abriu um novo capítulo na recuperação da população de lobos-cinzentos da Califórnia — uma espécie nativa exterminada no estado por caçadores e armadilheiros na década de 1920.
“É um marco”, disse Axel Hunnicutt, principal biólogo de lobos do Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia.
“Os lobos obviamente retornaram à Califórnia”, afirmou ele no domingo. “Até ontem”, acrescentou, referindo-se ao condado de Los Angeles, “eles também retornaram ao condado mais populoso dos Estados Unidos”.
A loba, conhecida como BEY03F, nasceu em 2023 no condado de Plumas, no norte do estado, e acredita-se que tenha passado cerca de um ano em deslocamento rumo ao sul. Autoridades ambientais rastrearam sua localização por meio de uma coleira com GPS instalada em maio. Por volta das 6h de sábado, um mapa a situava próximo ao assentamento de Neenach, no noroeste do condado de Los Angeles, segundo Hunnicutt.
A loba BEY03F em abril de 2025
Reprodução/Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia
Séculos atrás, a América do Norte abrigava entre 250 mil e 2 milhões de lobos-cinzentos. A caça, a captura em armadilhas e a perda de habitat, porém, acabaram expulsando a espécie dos 48 estados contíguos.
A recuperação começou após a proteção garantida pela Lei de Espécies Ameaçadas, de 1973. Na década de 1990, lobos foram reintroduzidos no Parque Nacional de Yellowstone, que se estende por Wyoming, Montana e Idaho, onde a população voltou a crescer e se dispersar. Entre os primeiros indivíduos a retornar à Califórnia esteve o OR7, macho que percorreu o estado durante 15 meses a partir de dezembro de 2011.
Hoje, há nove alcateias confirmadas na Califórnia, segundo Hunnicutt.
Preocupação com rebanhos
A retomada tem sido amplamente celebrada como uma história de sucesso ambiental. Ao mesmo tempo, pecuaristas afirmam que é preciso avançar no manejo da espécie diante de ataques recentes a rebanhos. Algumas alcateias ganharam reputação negativa por predar gado.
“Há lobos bons e há lobos ruins”, disse Rick Roberti, pecuarista e presidente da Associação de Criadores de Gado da Califórnia.
Roberti afirmou que, onde os lobos praticamente não atacam o gado, não há motivo para removê-los. Em algumas comunidades, porém, ondas de ataques deixaram produtores desesperados. “É difícil para todo mundo”, disse.
No ano passado, quase 200 cabeças de gado foram mortas por lobos na Califórnia, segundo dados estaduais. Uma única alcateia, conhecida como Beyem Seyo, respondeu por cerca de 90 dessas mortes, de acordo com Hunnicutt.
Autoridades ambientais acabaram sacrificando quatro lobos desse grupo.
BEY03F, que chegou ao condado de Los Angeles no fim de semana, nasceu justamente na alcateia Beyem Seyo.
Não se sabe exatamente quando ela iniciou a jornada rumo ao sul, embora lobos costumem deixar suas alcateias de origem entre 1 e 3 anos de idade, ao atingir a maturidade sexual, em busca de novo território e de parceiros — frequentemente percorrendo grandes distâncias.
OR7 caminhou cerca de 6.400 quilômetros até encontrar uma parceira em Oregon, seu estado natal. Um de seus descendentes, OR-54, percorreu mais de 14 mil quilômetros em uma trajetória que o levou à bacia do Lago Tahoe.
BEY03F é o primeiro lobo-cinzento a alcançar latitudes tão ao sul desde a reintrodução da espécie em Yellowstone, afirmou Hunnicutt.
Roberti destacou que, com o crescimento das populações, ainda há muito a aprender sobre a convivência com os animais.
“Esta tem sido uma experiência nova para todos nós na Califórnia”, disse. “Para dizer a verdade, às vezes acordo pensando: ‘Isso é mesmo real?’”, acrescentou.
“Ainda não caiu a ficha”.
Pelo menos 15 pessoas morreram após o desabamento de dois prédios residenciais na cidade de Tripoli, no norte do Líbano, informaram autoridades locais neste domingo. As construções vieram abaixo no bairro de Bab al-Tabbaneh, uma das regiões mais pobres da cidade, provocando cenas de desespero entre moradores e equipes de resgate.
Arquivos de Epstein revelam vítima de 9 anos e reacendem acusações de acobertamento nos EUA
Justiça dos EUA bloqueia lei da Califórnia que proibia agentes migratórios de usar máscaras em operações
Segundo o jornal inglês The Sun, socorristas passaram horas vasculhando montanhas de concreto pulverizado em busca de sobreviventes. Testemunhas relataram o resgate de um menino de 13 anos, retirado com vida dos escombros — um dos oito sobreviventes levados às pressas para hospitais da região.
Os prédios que colapsaram eram vizinhos e formados por dois blocos de seis apartamentos cada. Segundo o chefe do conselho municipal de Trípoli, Abdel Hamid Karimeh, ainda não era possível confirmar quantas pessoas permaneciam desaparecidas. A Defesa Civil libanesa informou que 22 moradores viviam nos edifícios.
O episódio reacende o alerta sobre a precariedade das construções em Trípoli. Este foi o segundo desabamento fatal na cidade em apenas uma semana, segundo autoridades locais. Após a tragédia, protestos e carreatas de motociclistas tomaram as ruas durante a noite, além de manifestações em frente às casas de figuras políticas.
Karimeh declarou Trípoli como “cidade atingida por desastre”, afirmando que milhares de moradores vivem sob risco iminente.
— Anos de negligência colocaram nossa população em perigo. A situação ultrapassa a capacidade da prefeitura — disse.
De acordo com o prefeito, muitos prédios da cidade têm 60 a 70 anos, já ultrapassaram sua vida útil estrutural e nunca passaram por manutenção adequada. Entre os fatores apontados estão irregularidades na construção, fiscalização frágil, falta de investimentos e leis rígidas de controle de aluguel, que desestimulam proprietários a realizar reparos.
A análise de documentos não editados sobre o financista Jeffrey Epstein revelou a existência de uma vítima de apenas nove anos de idade, segundo relataram parlamentares americanos nesta semana. A informação veio à tona durante a revisão de milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e reacendeu críticas sobre suposto acobertamento de nomes influentes ligados ao esquema de abuso sexual comandado por Epstein.
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A revelação foi feita pelo deputado democrata Jamie Raskin, que afirmou ter identificado referências a vítimas cada vez mais jovens nos documentos analisados.
— Você lê sobre meninas de 15, 14, 10 anos. Hoje vi a menção a uma menina de nove anos. Isso é simplesmente escandaloso — disse Raskin a jornalistas, de acordo com o jornal inglês The Sun.
Segundo parlamentares, a revisão dos arquivos também indica que identidades de homens poderosos teriam sido protegidas sem justificativa clara. O deputado republicano Thomas Massie afirmou que um dos documentos cita um indivíduo que ocupa um cargo “bastante alto em um governo estrangeiro”, cujo nome teria sido ocultado.
Já o democrata Ro Khanna questionou por que rostos e imagens de pessoas públicas aparecem censurados, enquanto não há explicações formais para essas omissões.
Os parlamentares analisam cerca de três milhões de arquivos liberados pelo Department of Justice no mês passado. Estima-se, no entanto, que o governo americano ainda detenha outros três milhões de documentos relacionados ao caso.
Em resposta às críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que parte das censuras foi retirada recentemente. Segundo ele, os trechos ocultados envolviam, em muitos casos, nomes de vítimas, que permanecem protegidos por lei.
— Revelamos todos os nomes que não eram de vítimas. O Departamento de Justiça está comprometido com a transparência — disse Blanche, em publicação nas redes sociais.
O avanço das investigações ocorre em paralelo ao silêncio da ex-companheira e cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos por tráfico sexual. Convocada a depor sob juramento em uma prisão no Texas, Maxwell invocou a Quinta Emenda da Constituição dos EUA e se recusou a responder às perguntas do Comitê de Supervisão da Câmara.
Entre os documentos que tiveram censuras parcialmente removidas, um deles menciona um e-mail enviado a Epstein com a frase “adorei o vídeo de tortura”. O nome do remetente, segundo Blanche, aparece sem ocultação nos arquivos e seria do empresário emiradense Sultan Ahmed Bin Sulayem, que já havia sido citado anteriormente nos autos.
Uma juíza federal dos Estados Unidos bloqueou, nesta segunda-feira, a aplicação de uma lei da Califórnia que proibiria agentes federais — incluindo os de imigração — de cobrir o rosto durante operações. A magistrada, no entanto, determinou que esses agentes devem exibir identificação e número de placa.
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O uso de máscaras por integrantes fortemente armados do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), no contexto da política de repressão migratória do presidente Donald Trump, vinha sendo alvo de críticas de líderes locais em cidades governadas por democratas.
Na decisão, a juíza Christina Snyder considerou que a norma assinada em setembro, conhecida como “Lei contra a polícia secreta”, é discriminatória por não se aplicar também a agentes de segurança estaduais. Segundo ela, a proibição proposta “discrimina ilegalmente os agentes federais”.
Após o Departamento de Justiça contestar a lei, suspendendo sua entrada em vigor, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, comemorou a decisão nas redes sociais.
“Continuaremos lutando e vencendo nos tribunais pela agenda de lei e ordem do presidente Trump e sempre apoiaremos nossos grandes agentes federais”, afirmou em comunicado.
Apesar do bloqueio parcial, a juíza manteve a exigência de que os agentes exibam identificação visível. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, destacou esse ponto para reivindicar uma vitória parcial.
“Um tribunal federal acaba de manter a lei da Califórnia que exige que os agentes federais se identifiquem. A Califórnia continuará defendendo os direitos civis e nossa democracia” escreveu na rede social X.
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Na decisão, Snyder sugeriu que a proibição ao uso de máscaras poderia ser considerada constitucional caso fosse ampliada para incluir também forças de segurança estaduais. O senador democrata Scott Wiener, coautor da proposta, afirmou que pretende alterar o texto e apresentar uma nova versão que contemple todos os agentes estaduais.
Quase sete anos após a morte por suicídio em uma prisão de Nova York, o financista Jeffrey Epstein continua a comprometer carreiras e reputações de pessoas que mantiveram contato com ele. Membros da realeza europeia, diplomatas e ex-chefes de governo voltam ao centro de controvérsias que misturam poder, sexo e dinheiro. Alguns enfrentam investigações criminais; outros, ligados à elite corporativa americana e ao meio político, têm sido pressionados a prestar esclarecimentos.
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A menção na nova leva de cerca de 3,5 milhões de documentos, e-mails, fotos e vídeos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 30 de janeiro não implica, por si só, conduta ilícita, mas pode trazer danos reputacionais.
Crise no governo britânico
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta questionamentos sobre sua autoridade após ter nomeado, em 2024, Peter Mandelson como embaixador no país.
Mandelson aparece milhares de vezes nos documentos. Segundo os registros, ele manteve contato com Epstein depois de afirmar ter rompido relações e pode ter recebido transferências de dinheiro. Destituído do cargo de embaixador em setembro, ele passou a ser alvo de investigação policial e deixou a Câmara dos Comuns na semana passada.
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Na Eslováquia, Miroslav Lajčák renunciou ao posto de assessor de segurança nacional após vir à tona que, quando era chanceler, trocou mensagens com Epstein sobre mulheres.
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Desgastes na realeza
Andrew Mountbatten-Windsor, já privado dos títulos de príncipe e duque de York por seus vínculos com Epstein, volta a ser implicado nas novas revelações, entre elas uma fotografia em que aparece ajoelhado sobre uma mulher deitada.
Príncipe Andrew e o magnata Jeffrey Epstein
Reprodução
A polícia britânica também investiga possível má conduta relacionada ao vazamento de documentos confidenciais ao financista quando Andrew atuava como enviado comercial do governo. Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, surge novamente associada a Epstein.
Na Noruega, a princesa Mette-Marit, futura rainha e esposa do príncipe herdeiro Haakon, teve a reputação afetada pela revelação de centenas de e-mails íntimos trocados com Epstein entre 2011 e 2014, após a primeira condenação do financista por incitação à prostituição de menores.
“Lamento profundamente minha amizade com Jeffrey Epstein”, afirmou em comunicado. Pesquisas recentes indicam resistência de parte da população norueguesa à sua futura ascensão ao trono.
Renúncias e investigações
Autoridades norueguesas abriram investigação contra o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland por suspeita de corrupção agravada ligada a seus vínculos com Epstein, além da diplomata Mona Juul e de seu marido, Terje Rød-Larsen, por possível cumplicidade.
Os investigadores analisam a relação de Jagland com o financista quando presidia o Comitê do Nobel e exercia o cargo de secretário-geral do Conselho da Europa.
Juul, cujos contatos com Epstein remontam ao período em que atuava no Ministério das Relações Exteriores, deixou no domingo a embaixada da Noruega no Iraque e na Jordânia.
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O Fórum Econômico Mundial também apura mensagens e encontros entre seu diretor-geral, Børge Brende, e Epstein. Brende, assim como o ex-ministro francês da Cultura Jack Lang, afirma desconhecer as atividades criminosas do financista.
Lang renunciou à presidência do Instituto do Mundo Árabe, em Paris, enquanto sua filha, a produtora Caroline Lang, deixou a chefia de um sindicato do setor cinematográfico após a divulgação de seus vínculos com Epstein.
Na Suécia, Joanna Rubinstein deixou o cargo de responsável por captação de recursos do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) depois que se revelou uma viagem com a família à ilha de Epstein, no Caribe, em 2012.
Repercussão nos Estados Unidos
O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton aceitaram depor diante de um comitê do Congresso após ameaça de ação por desacato.
Bill Clinton nega qualquer conduta imprópria além de ter viajado no jato privado de Epstein. Hillary afirma não ter mantido contatos significativos com o financista.
Primeira parte dos documentos do caso Epstein teve destaque para o ex-presidente democrata Bill Clinton
Divulgação / Departamento de Justiça dos EUA
O presidente Donald Trump é citado milhares de vezes nos arquivos, mas sustenta ser vítima de uma “conspiração” e não ter sido acusado por nenhuma das vítimas.
Também mencionado com frequência, o fundador da Microsoft, Bill Gates, declarou lamentar “cada minuto” de convivência com Epstein. Sua ex-esposa, Melinda French Gates, afirmou que ele deve explicações após documentos indicarem que o financista teria organizado encontros com mulheres para o empresário.
O ex-secretário do Tesouro Larry Summers deixou a presidência da Universidade Harvard antes da divulgação dos documentos. Brad Karp renunciou à chefia do escritório de advocacia Paul Weiss, e David Ross deixou a direção do Museu de Arte Americana de Nova York.
O bilionário Elon Musk também aparece nos arquivos, mas afirma ter recusado convites de Epstein para visitar sua ilha no Caribe.
Em meio a alertas cada vez mais frequentes sobre a aceleração da extinção de espécies, uma iniciativa de escala inédita tenta responder a uma pergunta incômoda: o que ainda pode ser salvo se a natureza falhar? A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou a criação de um gigantesco repositório genético que vem sendo apelidado de “cofre do fim do mundo”, concebido para preservar material biológico de milhares de espécies animais.
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O projeto prevê o armazenamento de DNA, células vivas e tecidos de até 10 mil espécies, incluindo animais ameaçados de extinção e até espécies já desaparecidas da natureza. A proposta é funcionar como uma espécie de “backup da vida”, reunindo informações genéticas que, em tese, poderiam ser usadas no futuro para pesquisas científicas, programas avançados de conservação ou intervenções biotecnológicas ainda em desenvolvimento.
O cofre será instalado em Dubai, dentro do Museum of the Future, em parceria com autoridades dos Emirados Árabes Unidos. O local foi escolhido tanto pela infraestrutura tecnológica quanto pelo simbolismo: um museu dedicado ao futuro abrigando um projeto pensado para um cenário de colapso ambiental.
O que, exatamente, será preservado
Diferentemente de bancos tradicionais de sementes ou coleções zoológicas, o cofre da Colossal pretende reunir material genético em nível molecular. As amostras incluem sequências completas de DNA, células reprodutivas, tecidos congelados e dados genômicos associados a cada espécie.
Esses materiais serão mantidos em ambientes criogênicos, sob temperaturas extremamente baixas, e catalogados em um banco de dados digital. Segundo a empresa, o objetivo é criar um acervo acessível a pesquisadores e instituições de conservação ao redor do mundo, permitindo estudos comparativos, monitoramento genético e desenvolvimento de novas estratégias para preservar a biodiversidade.
A iniciativa parte de uma constatação pragmática: diante de fatores como mudanças climáticas, desmatamento, poluição e expansão urbana, nem todas as espécies conseguirão ser protegidas apenas com a preservação de seus habitats naturais.
Desextinção e controvérsia
O anúncio do cofre não pode ser dissociado do histórico da Colossal. A empresa ganhou projeção internacional ao investir em projetos ligados à chamada desextinção, um campo controverso que busca reintroduzir características genéticas de espécies extintas em animais vivos geneticamente próximos.
Entre os exemplos mais conhecidos estão pesquisas para recriar traços do mamute-lanoso a partir do DNA do elefante asiático, além de experimentos que simulam espécies pré-históricas por meio de edição genética. O novo cofre ampliaria significativamente o material disponível para esse tipo de pesquisa.
Especialistas, no entanto, fazem ressalvas. Para muitos cientistas, o termo “desextinção” é impreciso: os organismos criados até hoje não seriam réplicas fiéis de espécies extintas, mas híbridos geneticamente modificados que reproduzem apenas algumas de suas características originais.
É nesse ponto que o projeto desperta maior controvérsia. Críticos argumentam que iniciativas desse tipo podem transmitir a ideia de que a tecnologia será capaz de reparar, no futuro, os danos ambientais causados no presente. O temor é que grandes investimentos em biotecnologia acabem desviando recursos de ações consideradas mais urgentes, como a preservação de ecossistemas, o combate ao desmatamento e a redução das emissões de carbono.

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