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O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, advertiu que seus países vizinhos seriam os próximos alvos de Pequim se a China se apoderar da ilha que reivindica como parte de seu território. Lai insistiu na necessidade de que Taipei reforce drasticamente as suas defesas.
Em sua primeira entrevista a uma agência internacional de notícias desde que assumiu o cargo, em maio de 2024, Lai disse que está confiante de que o Parlamento aprovará um orçamento adicional de US$ 40 bilhões para financiar compras cruciais para a segurança da ilha, incluindo armas dos Estados Unidos.
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O presidente chinês, Xi Jinping, advertiu Washington para que não venda armamento a Taiwan, mas Lai argumentou que o país norte-americano apoiará a ilha e não a utilizará como uma “moeda de troca” com Pequim.
A China considera Taiwan parte de seu território e ameaçou, inclusive, utilizar a força para tomar essa ilha autônoma, uma potência na fabricação de semicondutores.
Lai afirmou que, se a China anexar Taiwan, ficará “mais agressiva, minando a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico e a ordem internacional baseada em regras”.
– Se Taiwan for anexada pela China, as ambições expansionistas de Pequim não vão parar por aí – alertou durante a entrevista exclusiva realizada na terça-feira (10), na sede do Gabinete Presidencial, em Taipei.
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– Os próximos países ameaçados seriam Japão, Filipinas e outros da região do Indo-Pacífico, com repercussões que acabariam chegando à América e Europa – afirmou.
‘Esforço de consolidação da paz’
Taiwan considera que sua localização no centro da denominada “primeira cadeia de ilhas da Ásia-Pacífico”, que se estende do Japão às Filipinas, é fundamental para a segurança regional e o comércio global.
Tóquio e Manila também mantêm disputas territoriais com Pequim e o Estreito de Taiwan, que separa a ilha da China continental, é uma artéria-chave do transporte marítimo.
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A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, cujo país abriga várias bases e 60 mil soldados americanos, sugeriu em novembro que Tóquio poderia intervir militarmente se a China atacar Taiwan, o que provocou uma resposta irada de Pequim.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos, também advertiu que seu arquipélago, onde as tropas americanas têm acesso a nove bases militares, seria arrastado “inevitavelmente” para uma guerra por Taiwan.
– Neste mundo em constante transformação, as nações pertencem a uma comunidade global: a situação de um país afetará inevitavelmente os outros – afirmou Lai.
Com vistas à reunião programada entre o presidente americano, Donald Trump, e Xi em Pequim, em abril, o líder taiwanês deu respaldo a qualquer diálogo que ajude a manter o ‘status quo’.
– Acreditamos que o presidente Trump está realizando um difícil esforço de consolidação da paz, o que implica salvaguardar os interesses americanos e dissuadir o expansionismo chinês no curto prazo – disse.
Lai acrescentou que os Estados Unidos não precisam “utilizar Taiwan como moeda de troca em nenhuma discussão com a China”.
– No contexto da competição comercial entre Estados Unidos e China, a China busca muito mais dos Estados Unidos do que os Estados Unidos da China – considerou.
‘Dissuadir a agressão’
Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas formais com Taipei em 1979, em favor de Pequim, mas continuam sendo o principal garantidor de segurança e fornecedor de armas de Taiwan.
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No entanto, os analistas apontam que Washington mantém uma “ambiguidade estratégica” no que diz respeito ao envio de tropas para defender a ilha.
A pressão militar chinesa sobre Taiwan se intensificou sob o mandato de Xi.
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O gigante asiático posiciona navios de guerra e aviões de combate no entorno da ilha quase todos os dias, e lançou seis rodadas de exercícios de grande escala desde 2022, a última em dezembro.
Uma onda recente de expurgos de generais de alta patente promovida por Xi também gerou especulações sobre o que isso poderia significar para o cronograma de um potencial ataque de Pequim a Taiwan. Alguns funcionários americanos sugeriram que isso poderia ocorrer em 2027.
Lai assinalou que a destituição de tantos generais chineses é “uma situação incomum”, mas indicou que isso não muda a necessidade de preparação de Taiwan.
– Devemos ter a capacidade de dissuadir a agressão – afirmou. – Queremos garantir que, para a China, nunca haja um bom dia para invadir Taiwan.
Relações com EUA
Os esforços de Trump para obrigar os fabricantes de chips taiwaneses a aumentarem sua capacidade de produção nos Estados Unidos e sua insistência para que Taipei gaste mais em defesa alimentaram as preocupações sobre sua vontade de proteger a ilha.
Taiwan investiu bilhões de dólares para modernizar seu exército e ampliar sua indústria militar. Mas suas forças seriam superadas em número e armamento em um eventual conflito com a China.
Diante da pressão de Washington, Lai se comprometeu a aumentar o gasto em defesa de Taiwan até mais de 3% do PIB este ano e até 5% em 2030.
– Taiwan é responsável por proteger nosso próprio país – afirmou Lai, ao insistir que as relações entre os Estados Unidos e a ilha são “sólidas como uma pedra”.
Também manifestou sua esperança de uma maior cooperação com a Europa em matéria de indústria de segurança nacional.
Para alcançar o objetivo, seu governo propôs aumentar o gasto em defesa em US$ 40 bilhões por oito anos para financiar, entre outras coisas, um sistema de defesa aérea de múltiplas camadas denominado “T-Dome”.
No entanto, a legislação para permitir esse aumento foi bloqueada dez vezes desde dezembro pela oposição, que conta com maioria parlamentar e a utiliza para obstruir a agenda de Lai.
Senadores democratas e republicanos dos Estados Unidos criticaram os legisladores opositores taiwaneses e pediram que trabalhassem “de boa-fé, acima das diferenças partidárias”.
Apesar dos adiamentos, Lai mostrou-se otimista sobre a aprovação do orçamento.
– Em uma sociedade democrática, todos os partidos políticos são, em última instância, responsáveis perante o povo. Portanto, tenho certeza de que este orçamento contará com o seu apoio – frisou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta quarta-feira (11) que o Pentágono compre eletricidade de centrais térmicas de carvão, em uma nova tentativa de relançar uma indústria em declínio, que contribui de forma significativa para o aquecimento global.
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Trump assinou o decreto durante uma cerimônia na Casa Branca, rodeado de mineradores. O texto instrui o Pentágono a assinar acordos de longo prazo para o fornecimento de eletricidade gerada a partir do carvão, “a fim de garantir que instalações militares e os locais essenciais da defesa contem com um fornecimento ininterrupto”, segundo o Executivo americano.
O governo Trump é um opositor ferrenho das energias renováveis, particularmente a eólica, que considera pouco confiáveis. O carvão é “essencial para a segurança nacional”, afirmou o presidente, durante a cerimônia.
A produção de carvão diminuiu consideravelmente nos Estados Unidos nos últimos 15 anos, à medida que essa fonte de energia foi progressivamente substituída por gás natural e energias renováveis, mais baratas e limpas.
Bombardeiros, caças, mísseis e submarinos com capacidade nuclear. Apenas no último ano, analistas documentaram dezenas de ocasiões em que a Rússia exibiu esse arsenal de poder militar no Ártico. Agora, forças da OTAN estão combinando suas operações já em andamento na região para rastrear com mais rapidez e, se necessário, conter o que autoridades descreveram nesta quarta-feira como uma Rússia agressiva e uma presença chinesa crescente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A Marinha mexicana e a Guarda Costeira dos EUA apreenderam 188 pacotes de cocaína, em uma “operação coordenada” no Oceano Pacífico, informou a Secretaria da Marinha mexicana nessa terça-feira.
Essa operação conjunta incomum ocorre em meio a tensões entre os dois países após os alertas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre atacar os cartéis de drogas em terra e após os ataques aéreos de Washington contra embarcações supostamente usadas para o tráfico de drogas no Caribe.
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Reprodução / Redes Sociais
A operação foi realizada “no âmbito da cooperação bilateral” e “além da Zona Econômica Exclusiva”, ou seja, fora das águas territoriais do México, explicou a Marinha mexicana, sem especificar a quantidade de cocaína apreendida.
O presidente dos EUA, Donald Trump, realizará uma reunião de cúpula com lideranças alinhadas da América Latina em Miami, no dia 7 de março, afirmou um funcionário da Casa Branca à AFP nesta quarta-feira. Sem dar detalhes sobre o que estará à mesa, ele indicou que o convite deve ser feito aos presidentes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras em um momento complexo das relações entre a Casa Branca e o continente. O governo americano e os países citados não se pronunciaram.
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No começo de dezembro passado, a nova estratégia de segurança nacional dos EUA trazia uma ênfase poucas vezes vista em tempos recentes, retomando conceitos da Doutrina Monroe (“América para os americanos”) e sinalizando que a tolerância à influência de forças consideradas hostis (especialmente a China) ou a dissidências seria pequena.
Isso foi visto na Venezuela, onde a pressão militar — a maior em décadas no Caribe — culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, citado como líder cartel do narcotráfico,ataques a barcos acusados de transportarem drogas e ameaças a outros líderes, como o presidente colombiano, Gustavo Petro (a quem Trump recebeu depois na Casa Branca).
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Após a queda de Maduro, seus aliados chavistas permaneceram no poder, mas agora com uma pauta alinhada à Casa Branca e que tem na exploração do petróleo um grande protagonista. Os americanos passaram a supervisionar a venda do produto e esperam impulsionar o ritmo de extração. Por outro lado, cortaram o suprimento a Cuba, um regime visto como hostil por Washington, provocando uma grave crise energética.
Entre os convidados, não são esperadas críticas a seu novo corolário. Nayib Bukele, líder de El Salvador, é aliado do republicano em sua política migratória, recebendo centenas de imigrantes em sua megaprisão, o Cecot, onde denúncias de maus tratos se acumulam. No Equador, Daniel Noboa,outro líder alinhado ao trumpísmo, tentou viabilizar a instalação de bases militares americanas, mas a proposta foi derrotada em referendo no ano passado.
No Paraguai, Santiago Peña se refere com frequência ao republicano, e na Argentina, Javier Milei é mais do que um aliado, mas um fã de Donald Trump, que desempenhou um papel direto nas eleições legislativas do ano passado. E há os recém-chegados ao posto, como Nasry Asfura, que tinha como plataforma de campanha o fortalecimento dos laços de Honduras com os Estados Unidos, e Rodrigo Paz, cuja eleição marcou o fim de mais de 20 anos de domínio da esquerda na Bolívia.
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Embora a Casa Branca não tenha divulgado a pauta da reunião de Miami (ou tampouco confirmado o encontro), é certo que ela incluirá a imigração, tema prioritário para o republicano mas que hoje se demonstra espinhoso devido à violência dos agentes federais nos EUA. Enquanto Bukele aceitou receber e enclausurar os deportados por Trump, não há muitos candidatos a seguir seu exemplo: no ano passado, Noboa disse que só aceitaria equatorianos vindos dos Estados Unidos. Mas no mês passado, o jornal New York Times revelou que a Argentina negocia o recebimento de imigrantes de outros países da América do Sul — tal como Trump, uma das bandeiras de Milei é a imigração.
Dos convidados para Miami, três países (Argentina, Paraguai e El Salvador) foram chamados e aceitaram fazer parte do Conselho da Paz, uma iniciativa de Trump inicialmente pensada para resolver o conflito na Faixa de Gaza, mas que pretende se tornar uma espécie de “espelho” do Conselho de Segurança da ONU. A primeira reunião está marcada para a semana que vem, em Washington. O Brasil foi convidado, mas ainda não disse se fará parte.
Washington começará, “em algumas semanas”, a desembolsar os bilhões de dólares que deve às Nações Unidas, ao mesmo tempo em que continuará pressionando por reformas no organismo, disse nesta quarta-feira o embaixador dos Estados Unidos na ONU. A entidade enfrenta problemas orçamentários crônicos porque alguns Estados-membros não pagam integralmente suas contribuições obrigatórias ou o fazem com atraso.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu em janeiro sobre o risco de paralisação da organização caso os países não paguem o que devem. Segundo informes, Washington deve mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 10 bilhões) à ONU por sua participação no orçamento ordinário e quase o mesmo valor para o orçamento das operações de manutenção da paz.
“Vamos pagar”, afirmou o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, acrescentando que o dinheiro chegaria “em algumas semanas”, mas não deu detalhes sobre quanto Washington está disposto a desembolsar.
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Ele ressaltou, no entanto, que os Estados Unidos mantêm sua exigência de reformas dentro da ONU.
“Continuaremos pedindo a esses organismos que façam pelo menos a mesma quantidade, se não mais, com menos” recursos financeiros, acrescentou.
Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca há pouco mais de um ano, os Estados Unidos reduziram seu financiamento a alguns organismos da ONU, retiraram-se de outros (incluindo a Organização Mundial da Saúde) e rejeitaram ou adiaram certas contribuições obrigatórias. Houve ampla preocupação de que Washington esteja tentando minar o multilateralismo.
Waltz assegurou que o “Conselho da Paz” criada por Trump “não está destinada a substituir a ONU, mas a complementá-la”. Ele também descartou os apelos de alguns para que a ONU reavalie sua sede em Nova York após vários líderes terem seus vistos negados para participar da Assembleia Geral no ano passado.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um pedido de desculpas “todos os afetados” pela violência nos protestos contra o regime, iniciados no final do ano passado que que teriam, de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, deixado mais de seis mil mortos. Embora não tenha reconhecido o papel das forças de segurança na repressão, Pezeshkian se disse “envergonhado”, e pediu união em um momento de instabilidade nas ruas e de ameaça de nova ofensiva militar dos Estados Unidos.
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Em declarações no dia em que a República Islâmica marcou seu aniversário de 47 anos, o reformista Pezeshkian disse estar ciente do “grande sofrimento” sentido pela população desde o início dos distúrbios nas cidades iranianas. Ele, contudo, não mencionou a ação das forças de segurança, incluindo membros da Guarda Revolucionária, nas agressões, prisões e mortes.
— Estamos envergonhados perante o povo e temos a obrigação de auxiliar todos aqueles que foram afetados nesses incidentes. Não buscamos confronto com o povo — disse Pezeshkian, em discurso durante as celebrações, em Teerã. — Não tenho dormido muitas noites e estou muito triste por termos chegado a esta situação, mas não temos outra escolha senão ficar e reconstruir o país.
No final do ano passado, quando surgiram os primeiros protestos contra a deterioração das condições de vida, Pezeshkian adotou uma postura conciliadora, determinando que seus ministros e secretários ouvissem as demandas populares. O Irã enfrenta um cenário catastrófico, com a moeda local, o rial, derretendo diariamente, a inflação acima de 50% ao ano e um bloqueio financeiro ligado às sanções internacionais.
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Levantes centrados na economia são relativamente comuns no Irã, com episódios de violência envolvendo manifestantes e as forças de segurança. Mas neste ciclo, apesar das declarações apaziguadoras do presidente — que no sistema político local não tem tantos poderes —, o regime respondeu com uma fúria que não se via há décadas.
Segundo levantamento do serviço persa da rede BBC, foram empregados desde facões e porretes até metralhadoras de combate nas ruas. Em comunicado, a ONG Anistia Internacional acusou as autoridades ucranianas de “assassinatos ilegais em massa numa escala sem precedentes para esmagar o levante popular que exigia o fim do seu regime repressivo”, como parte de “uma repressão militarizada e coordenada para impedir novas dissidências e ocultar os seus crimes”.A agência de defesa dos direitos humanos HRANA, baseada nos EUA, estimou que mais de 6 mil pessoas morreram. Números independentes, citando autoridades locais, apontam para até 30 mil mortos.
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Nas declarações, Pezeshkian pediu união ao povo neste momento de dificuldades, talvez um dos mais delicados para a República Islâmica desde a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988: enquanto fogos de artifício em homenagem ao aniversário estouravam sobre Teerã, pessoas gritavam “Morte ao Ditador” de suas janelas, um ato direcionado ao líder supremo, Ali Khamenei.
— A ferida que foi criada na sociedade é uma ferida amarga, e o trabalho do médico é curá-la. Não é aprofundá-la e infeccioná-la. Inimigos e estrangeiros estão tentando destruir nosso país — disse o presidente. — Estamos unidos em solidariedade diante de todas as conspirações contra nossa nação. Devemos continuar lado a lado.
No começo do ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, esteve perto de lançar um ataque militar contra o Irã, como forma de “apoiar os manifestantes”, e que teria entre seus objetivos enfraquecer o regime e abrir caminho para sua queda. Trump foi dissuadido por países da região a mudar de ideia, e agora sinaliza acreditar na diplomacia.
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Representantes dos EUA e do Irã negociam os termos de um novo acordo, centrado no programa nuclear do país, e chegaram a se reunir indiretamente na semana passada, em Omã. A Casa Branca levou à mesa uma proposta ampla, que inclui a suspensão do programa nuclear, acusado de ter fins militares, limites ao programa de mísseis balísticos e o fim da rede de milícias aliadas a Teerã no Oriente Médio. Os iranianos, ao menos publicamente, dizem estar dispostos apenas a discutir o programa nuclear, e se mostraram abertos ao envio de material enriquecido ao exterior e a diluir seu urânio enriquecido.
— Se as negociações em curso com os Estados Unidos forem bem-sucedidas, poderão ser expandidas e estendidas a outras áreas também. No entanto, neste momento, não posso afirmar com certeza se esse caminho levará a negociações sobre outras disputas com os Estados Unidos ou não — afirmou o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, à rede al-Jazeera, durante visita ao Catar.
Duas das principais companhias aéreas da Rússia, Rossiya e Nordwind, anunciaram nesta quarta-feira a suspensão de seus voos para Cuba, após iniciarem a retirada de turistas russos do país. A ilha enfrenta uma grave escassez de combustível em meio ao aumento da pressão econômica do presidente americano Donald Trump.
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Cuba se encontra em situação muito vulnerável desde que deixou de receber petróleo da Venezuela, depois que forças americanas detiveram no início de janeiro o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana.
Além disso, o governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas adicionais aos países que forneçam petróleo a Cuba. Segundo o jornal The Moscow Times, especialistas em monitoramento marítimo afirmam que, há semanas, nenhum navio estrangeiro transportando combustível ou petróleo atracou na ilha.
A Rossiya, filial da companhia nacional Aeroflot, e a Nordwind informaram separadamente no Telegram que, a partir de quinta-feira, realizarão apenas alguns voos de Cuba para a Rússia para repatriar cidadãos que se encontram na ilha comunista.
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Depois disso, cancelarão os voos, acrescentaram as companhias, sem precisar até quando.
As companhias aéreas também esclareceram que os clientes que deveriam viajar a Cuba poderão solicitar o reembolso das passagens.
No Telegram, a agência russa de aviação civil confirmou que as decisões se devem “às dificuldades de abastecimento de combustível” e que as autoridades russas e cubanas “buscam soluções alternativas para retomar o programa de voos em ambas as direções”.
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As companhias russas se somaram à Air Canada e às também canadenses Air Transat e WestJet, que já suspenderam seus voos para a ilha.
Outras empresas, como Air France, Iberia ou Air Europa, já anunciaram que farão uma escala para reabastecer suas aeronaves em outros países do Caribe a fim de manter as operações com Cuba.
O governo cubano anunciou medidas de emergência, incluindo a semana de trabalho de quatro dias para empresas públicas e restrições na venda de combustível.
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Na segunda-feira, o Kremlin denunciou os “métodos asfixiantes” dos Estados Unidos.
— Estamos discutindo possíveis soluções com nossos amigos cubanos, ao menos para oferecer a assistência que pudermos — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Rússia e Cuba mantêm estreita cooperação desde a era soviética e reforçaram seus laços desde que Moscou lançou sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia, em 2022.
(Com AFP)
A influenciadora de comida Emma Amit, 51 anos, morreu na última sexta-feira em decorrência de envenenamento por uma espécie de crustáceo altamente tóxica. Ela ingeriu o caranguejo durante a gravação de um vídeo para redes sociais, informaram autoridades locais nesta quarta-feira.
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Segundo a imprensa local, Amit havia coletado diversos frutos do mar com amigos em um manguezal próximo à sua casa na província de Palawan em 4 de fevereiro. No vídeo, ela e os colegas foram vistos cozinhando o item em leite de coco e provando o que acreditavam ser iguarias locais, incluindo o chamado “caranguejo do diabo”, um crustáceo venenoso cujo consumo pode ser fatal.
No dia seguinte à gravação, Amit começou a sentir mal-estar grave com convulsões e perda de consciência. Ela foi levada inicialmente a uma clínica e depois transferida para um hospital da região, mas não resistiu às complicações causadas pelos neurotoxinas presentes no crustáceo. Testemunhas relataram que seus lábios ficaram escuros antes de a influenciadora morrer.
O “caranguejo do diabo”, espécie encontrada em recifes do Indo-Pacífico, carrega toxinas que permanecem ativas mesmo após o cozimento e podem provocar paralisia e insuficiência respiratória em poucas horas. Especialistas ressaltam que não há antídoto conhecido, e que a única forma de tratamento é de suporte em ambiente hospitalar.
Laddy Gemang, chefe da vila de Luzviminda, afirmou estar surpreso com o incidente, considerando que Amit e seu marido eram experientes como pescadores e deveriam reconhecer os perigos da espécie. Gemang reforçou um apelo à população para evitar o consumo de animais marinhos desconhecidos. Autoridades também monitoram as pessoas que participaram da coleta no mesmo dia em busca de sintomas semelhantes, enquanto a comunidade local lamenta a morte da influenciadora.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, estaria planejando realizar uma eleição presidencial e um referendo sobre um possível acordo de paz com a Rússia — ainda longe de ser concluído — ainda no primeiro semestre, afirmou o jornal Financial Times (FT). Apesar das leis ucranianas permitirem que siga no cargo mesmo após seu mandato ter expirado , sua legitimidade é questionada pelo Kremlin e já foi pelo líder americano, Donald Trump. Ao ser questionado, Zelensky disse que só realizará uma eleição se houver um cessar-fogo e “as garantias de segurança necessárias”.
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Citando fontes ucranianas e ocidentais, o FT afirma que o anúncio da votação estaria marcado para o dia 24 de fevereiro, quando a invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, completa quatro anos. Zelensky estaria nas cédulas, provavelmente contra nomes como o ex-comandante das Forças Armadas, Valery Zalujny, mais popular do que o atual presidente e que conta com o apoio de países europeus, dizem fontes diplomáticas. Pelo plano, a eleição seria marcada para o dia 15 de maio.
Segundo diplomatas e funcionários de governos ouvidos pela publicação, a relativa pressa em convocar um processo eleitoral em um país ainda em meio a um conflito de grande porte tem um motivo: a pressão da Casa Branca por um fim rápido à guerra. Caso não realize a votação até maio, afirmam as fontes, Trump abandonaria a proposta de fornecer garantias de segurança contra uma futura invasão russa, pilar das demandas ucranianas à mesa de negociações.
Na semana passada, Zelensky disse que Trump quer um acordo de paz acertado e firmado até junho — nas entrelinhas, o ucraniano relacionou a pressa às eleições de meio de mandato nos EUA, quando a Câmara e parte do Senado serão renovadas. O republicano prometia acabar com a guerra em 24 horas, e expõe a impaciência com a falta de um desfecho para sua lista de “vitórias diplomáticas”.
— Eles farão de tudo para acabar com a guerra e querem um cronograma claro de todos os eventos — afirmou Zelensky na semana passada ao comentar o “ultimato”.
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Nesta quarta-feira, o presidente ucraniano negou que pretenda realizar eleições em maio, e que as urnas só serão abertas “quando todas as garantias de segurança necessárias estiverem em vigor”, e quando um cessar-fogo for atingido. Segundo o FT, ele quer submeter, na mesma votação, um plano de paz que ainda não foi concluído, e que provavelmente incluirá algumas das demandas maximalistas de Putin, como a concessão de territórios ocupados e seu reconhecimento internacional. Na última rodada de negociações, em Abu Dhabi, os dois lados não chegaram a grandes consensos.
Um ponto nas conversas envolvendo russos e ucranianos é a alegação, vinda de Moscou, de que Zelensky não é um presidente legítimo. Seu mandato terminou em abril de 2024, mas como a Lei Marcial impede a realização de eleições em tempos de guerra, ele foi autorizado a permanecer no posto. Em novembro passado, Putin disse ser “sem sentido” assinar qualquer tipo de acordo com uma liderança “ilegítima”. Trump, que não esconde sua preferência pelos russos, chamou Zelensky de “ditador sem eleições” há quase um ano.
Ao se submeter às urnas (além do hipotético plano de paz), Zelensky receberia a legitimidade popular caso reeleito, ao menos imaginam assim os assessores em Kiev por trás dos planos eleitorais.
— Os ucranianos têm essa ideia fixa de que tudo precisa ser atrelado à reeleição de Zelensky — disse um funcionário de um governo ocidental ao FT.
Militar ucraniano durante um exercício de treinamento a região leste da Ucrânia por causa da continuação do conflito.
Tetiana Dzhafarova / AFP
Mas entre planejar uma votação em um país em guerra e realizá-la em algumas semanas há um longo caminho. A começar pela Lei Marcial, que impede eleições neste período: os parlamentares precisam encontrar brechas e passar projetos para viabilizar a votação em questão de semanas. Sem um cessar-fogo efetivo, milhares de soldados nas linhas de frente não poderiam votar, e os russos possivelmente atacaram zonas eleitorais para desestabilizar o processo.
Nas últimas semanas, bombardeios da Rússia contra cidades e instalações de energia deixaram milhares de pessoas sem luz e aquecimento, e Putin parece disposto a usar seu farto arsenal de mísseis, drones e bombas até que atinja seus objetivos, com ou sem eleições. O grande número de refugiados internos e no exterior impõe outro desafio logístico que talvez Kiev não tenha meios de enfrentar neste momento.
— Seis meses de preparação para as eleições não é o máximo [tempo necessário], é o mínimo — afirmou ao FT Olha Aivazovska, presidente do conselho da OPORA, um centro de estudos baseado em Kiev. — Nunca houve uma situação como esta. É completamente sem precedentes.
A especialista vê outro risco na pressa eleitoral.
— Se fizermos isso errado, se apressarmos isso, causaremos enormes danos à qualidade e à integridade futura do nosso processo democrático. E isso será visto como ilegítimo — declarou, se referindo a um país que, neste século, conviveu com resultados questionados, vitórias invalidadas e a derrubada de um presidente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o ex-comandante-em-chefe das Forças Armadas, Valeriy Zalujny
Divulgação / Presidência da Ucrânia
E há outro fator a ser considerado por Zelensky, dessa vez político. Embora sua popularidade siga alta, em torno de 67%, sua imagem sofreu arranhões com a extensão da guerra e com uma série de escândalos de corrupção envolvendo o alto escalão do governo. Uma pesquisa do Instituto Gallup, do final de 2025, mostra um país dividido sobre a aprovação da liderança. E apenas 42% dos consultados dizem ter plena confiança no processo eleitoral.
No mês passado, uma pesquisa do Instituto Ipsos, que ouviu 2 mil eleitores, mostrou que Zalujny, hoje embaixador ucraniano no Reino Unido, está à frente de Zelensky (23% a 20%). A rejeição ao ex-comandante das Forças Armadas é de 7%, enquanto a do atual presidente é de 27%.

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