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Há cerca de um ano, em entrevista à rede RT, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, louvou a bravura dos soldados da Buriácia, uma região do leste russo que serve como ar da minoria buriate, na Ucrânia, e a fala foi rapidamente replicada pela propaganda estatal na forma de slogans e de uma música perturbadoramente grudenta, “Os russos não se rendem, os buriates não correm”. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quatro meses após a última viagem à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a Índia e a Coreia do Sul depois do carnaval para cumprir um roteiro que, segundo interlocutores do governo, integra um esforço para reduzir a dependência da China como principal mercado de destino de produtos brasileiros. A intenção é ampliar o leque de parceiros estratégicos do Brasil em um momento de reorganização geopolítica e disputas comerciais acirradas. Entre os temas que devem ser tratados pela comitiva brasileira estão a regulação da inteligência artificial e a exploração de minerais críticos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Remédios em falta, cirurgias paralisadas, alta nos preços da comida, impactos nos transportes públicos, no turismo e no funcionamento de escolas e universidades. Nas últimas semanas, Cuba chegou a um novo ponto crítico de uma crise estrutural que se arrasta há décadas, após a interrupção do fornecimento regular de petróleo da Venezuela e o endurecimento da política dos Estados Unidos em relação às exportações de combustível para a ilha. O choque levou o governo a anunciar medidas emergenciais para conter um quadro já considerado crônico, no qual a falta de energia gera problemas que vão da insegurança alimentar ao aumento da pressão migratória, ao mesmo tempo em que especialistas alertam para uma eventual necessidade de assistência internacional em larga escala caso a situação se deteriore a ponto de colapsar. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma ONG palestina denunciou o que qualificou como um “ato de vingança israelense” após um vídeo mostrar o ministro de Segurança Nacional do Estado judeu, Itamar Ben Gvir, supervisionando abusos contra palestinos detidos em uma prisão militar.
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A poucos dias do mês sagrado muçulmano do Ramadã, Ben Gvir visitou a prisão de Ofer, na Cisjordânia ocupada, informou o Canal 7 de Israel. Nas imagens gravadas na sexta-feira, vê-se cerca de 20 agentes da polícia em um corredor que leva às celas da prisão, brandindo armas e disparando granadas de efeito moral.
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Em seguida, eles tiram cinco presos das celas, com as mãos atadas para trás, e os obrigam a deitar-se de bruços no chão. A operação ocorreu antes da votação final no Parlamento israelense de um projeto de lei que propõe a pena de morte para presos palestinos condenados por terrorismo.
— Tudo isso faz parte das exibições contínuas destinadas a se vingar dos detidos palestinos — disse no sábado Abdala al Zaghari, dirigente do Clube de Prisioneiros Palestinos, em entrevista à agência de notícias francesa AFP. — Tudo o que Ben Gvir e o governo de extrema direita fazem afeta não apenas o povo palestino e os presos nos campos de detenção, também impacta o sistema jurídico e de direitos humanos global.
Ben Gvir é conhecido por sua retórica incendiária. É considerado um dos membros mais intransigentes da coalizão governista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
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— É simplesmente motivo de orgulho: chegar a uma prisão como esta, uma prisão para terroristas, os mais abjetos dos abjetos, vê-los assim — disse Ben Gvir no vídeo. — Quero mais uma coisa: executá-los.
O Hamas classificou os comentários do ministro como um “novo crime de guerra e desafio flagrante ao direito internacional humanitário no que diz respeito aos prisioneiros”.
Grupos internacionais de direitos humanos denunciam abusos nas prisões israelenses desde o ataque brutal em território israelense por combatentes do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O filho do último xá do Irã, Reza Pahlevi, afirmou neste sábado que está pronto para liderar a transição política do país em direção a uma democracia durante um discurso em Munique, durante um ato que reuniu cerca de 250 mil pessoas na cidade alemã, que recebe alguns dos principais líderes mundiais para a principal conferência de segurança da Europa.
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— Estou aqui para garantir uma transição para um futuro democrático e secular — disse Reza Pahlevi a uma multidão reunida na praça Theresienwiese, um importante espaço público em Munique. — Comprometo-me a ser o líder dessa transição para que um dia possamos ter a oportunidade final de decidir o destino do nosso país por meio de um processo democrático e transparente, até as urnas.
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O ato na Alemanha foi convocado para aproveitar a presença de líderes mundiais na Conferência de Segurança de Munique. Manifestantes compareceram de diferentes partes da Europa, para levantar a voz contra a violenta repressão pelo governo teocrático de Teerã aos protestos populares ocorridos de dezembro a janeiro.
— Quando um governo mata seu próprio povo nas ruas, não é confiável — declarou Razieh Shahverdi, uma profissional de marketing iraniana de 34 anos que viajou de Paris para participar da manifestação.
Entre os presentes, muitos exibiam a bandeira iraniana com um leão e um sol, a mesma usada durante o período monárquico na nação persa, que durou até 1979, quando o pai de Reza, Mohamed Pahlevi, foi deposto pela Revolução Islâmica. O xá deposto se exilou no Egito. Reza vive em Nova York.
O filho do último xá do Irã, Reza Pahlevi, saúda manifestantes em Munique ao lado da esposa, Yasmin
Michaela Stache/AFP
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— É a melhor opção para o nosso país porque conhecemos a família Pahlevi — argumentou Riana, uma médica de 40 anos que vive na Alemanha e preferiu não revelar seu sobrenome por motivos de segurança.
A grande manifestação ocorre em um momento de particular pressão sobre o Irã, imposta pelos EUA. O presidente americano, Donald Trump, enviou dois porta-aviões e uma força naval significativa para o Oriente Médio, em meio às negociações de um novo acordo nuclear com Teerã. Trump fez ameaças de bombardear o país, motivo de controvérsia entre aliados.
Enquanto Pahlevi e setores da oposição iraniana esperam que Washington possa ajudar com uma mudança de regime, outros atores de interesse dos EUA apontam outros objetivos como prioridade. Em uma reunião na Casa Branca nesta semana, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, tentou convencer o presidente americano a ordenar um bombardeio contra instalações do programa de mísseis iraniano, vistos por Tel Aviv como a principal ameaça a partir de Teerã.
Muitos dos manifestantes em Munique carregavam bandeiras do período monárquico do Irã
Alexandra Beier/AFP
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Países árabes aliados dos EUA, como Arábia Saudita, Omã e Catar, apontaram como fatores indesejáveis de instabilidade o início de uma nova guerra na região e uma mudança de regime. Mesmo com posições antagônicas ao Irã, as monarquias do Golfo foram importantes atores para o processo diplomático em curso.
Em uma coletiva de imprensa à margem da Conferência de Segurança de Munique, Pahlevi voltou a fazer um apelo a Trump por uma intervenção no país.
— O povo iraniano ouviu você dizer que a ajuda está a caminho e confia em você. Ajude-os — disse o herdeiro do xá. — É hora de acabar com a República Islâmica. Essa é a exigência que ecoa desde o massacre dos meus compatriotas.
Em um gesto à população, no que foi lido por observadores como um reconhecimento incomum de culpa, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um pedido de desculpas a “todos os afetados” pela violência nos protestos contra o regime. Embora não tenha mencionado o papel das forças de segurança na repressão, Pezeshkian se disse “envergonhado”, e pediu união em um momento de instabilidade nas ruas e de ameaça de nova ofensiva militar dos Estados Unidos. (Com AFP)
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou neste sábado que Washington deseja ver “uma Europa mais forte” em um esperado discurso durante a Conferência de Segurança de Munique, maior evento anual sobre questões estratégicas em território europeu. Em meio aos atritos recentes com os aliados por uma série de questões — que vai da unidade da Otan à questão da Groenlândia — o chefe da diplomacia do governo Donald Trump enfatizou a “herança europeia” dos EUA, em um discurso que recebeu boa avaliação dos aliados — embora tenha repetido as críticas da Casa Branca sobre a política de imigração “em massa” do continente e abordado o risco de “apagamento da civilização”, tema que é bandeira da extrema direita europeia.
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— Não buscamos a separação, mas sim revigorar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade. Queremos uma aliança revitalizada e queremos que a Europa seja forte — disse Rubio na manhã deste sábado no principal painel da conferência.
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A sinalização guardou momentos de ambiguidade. Embora o secretário de Estado tenha dito que as duas guerras mundiais do século XX eram um lembrete de que “o destino da Europa e dos EUA está e sempre estará entrelaçado”, e tenha defendido que a conexão entre os aliados transatlânticos excede os campos militar e econômico — mencionando estarem ligados “espiritualmente” e “culturalmente” —, a cooperação ainda pareceu condicionada.
— [Washington agirá] guiado por uma visão de um futuro tão orgulhosa, soberana e vital quanto o passado da nossa civilização — disse o diplomata. — E embora estejamos preparados, se necessário, para fazê-lo sozinhos, preferimos e esperamos fazê-lo em conjunto com vocês, nossos amigos na Europa.
O posicionamento, porém, foi recebido com alívio por lideranças europeias, que aguardavam com apreensão a mensagem a ser transmitida por Washington, um ano após o discurso do vice-presidente JD Vance no mesmo palco. A fala, considerada disruptiva, incluiu críticas amplas à Europa, apontando sinais da decadência do continente, e um polêmico apelo à normalização da extrema direita na construção política do continente.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ter ficado “muito mais tranquila” após ouvir a mensagem passada pelo republicano, enquanto o presidente da conferência, Wolfgang Ischinger, mencionou um “suspiro de alívio” coletivo da plateia com os apontamentos do secretário de Estado. No começo da semana, Ischinger divulgou um relatório, em que classificava a política externa americana como uma “política de demolição” e um risco às estruturas internacionais.
Mesmo integrantes do Partido Democrata que viajaram até Munique, em um esforço da oposição nos EUA de mostrar aos europeus que as posições mais divisivas de Trump não são uma unanimidade no país, afirmaram que o discurso melhorou “o clima” em solo alemão. O deputado Jim Himes, principal representante da sigla na Comissão de Inteligência da Câmara, disse que a fala de Rubio “facilitou o trabalho” com as partes europeias. A ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi disse que a fala foi “muito melhor” que o discurso do ano anterior, embora tenha classificado a fala como “um pouco condescendente” com os europeus.
Críticas extensas
Apesar do aceno à cooperação, Rubio criticou as políticas climáticas — que, afirmou, “empobrecem nosso povo” —, a “loucura” do livre comércio que desindustrializou a Europa e os EUA “em benefício de concorrentes e adversários” e as políticas migratórias, cuja abordagem da atual administração dos EUA é similar àquela defendida pela extrema direita europeia. O secretário de Estado, de ascendência cubana, exaltou sua herança espanhola, mas criticou duramente a imigração.
— A imigração em massa é uma crise que está transformando e desestabilizando sociedades em todo o Ocidente — disse Rubio. — Devemos retomar o controle de nossas fronteiras. Não é xenofobia, não é ódio, é um exercício fundamental de soberania.
As críticas endereçadas pelo chefe do Departamento de Estado dos EUA também chegaram à ONU, que segundo ele estaria em declínio, junto das instituições criadas no pós-Segunda Guerra. Rubio criticou as Nações Unidas por não ter detido os conflitos em Gaza e na Ucrânia, o programa nuclear iraniano ou a ameaça representada pelo tráfico internacional de drogas.
— Nós, nos EUA, não temos interesse em sermos zeladores educados e ordeiros do declínio controlado do Ocidente — disse ele.
Embora o discurso tenha provocado alívio, líderes europeus também afirmaram que ele pouco mudou a percepção atual de que há necessidade da reequilibrar as relações com os EUA. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que seria um erro “entrar na banheira da complacência”, e defendeu que a Europa precisa se “sustentar por conta própria”. Em fala pouco depois da de Rubio, von der Leyen acompanhou a linha do premier britânico.
— O modo de vida europeu, nossas democracias, os fundamentos democráticos e a confiança de nossos cidadãos, está sendo desafiado de novas maneiras, em tudo, desde territórios a tarifas e regulamentações tecnológicas — disse a líder da UE, em uma referência pouco disfarçada às tensões sobre as regulamentações digitais da Europa e às ameaças de Trump de anexar a Groenlândia. — A Europa precisa se tornar mais independente — não há outra escolha. (Com NYT e AFP)
Cuba anunciou neste sábado (14) o cancelamento de seu Festival del Habano, evento da indústria de charutos, que gera alto rendimento graças a um reconhecido leilão, em um momento em que o país enfrenta uma grave crise energética.
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Em um e-mail enviado aos participantes, do qual a AFP obteve uma cópia, o comitê organizador anunciou o adiamento da edição prevista de 24 a 27 de fevereiro, sem informar uma nova data. Em 2025, o leilão de charutos e estojos de luxo permitiu arrecadar 16,4 milhões de euros (R$ 101,44 milhões). Oficialmente, esses recursos são transferidos ao sistema de saúde do país.
Entenda o caso
O sistema elétrico de Cuba, de fato, é obsoleto. Em dezembro do ano passado, uma falha crítica na linha de transmissão interrompeu temporariamente a ligação entre Havana e as principais usinas termelétricas do país caribenho, em Matanzas.
O problema dos apagões, porém, piorou agora em fevereiro, um mês depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — encorajado por sua campanha de pressão econômica e militar na Venezuela, que resultou na deposição do então presidente do país — impôs um bloqueio nos carregamentos de combustível que fornecem 60% dos cerca de 100 mil barris de petróleo bruto por dia necessários para alimentar seu sistema de energia.
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A disponibilidade de eletricidade, portanto, caiu drasticamente desde o início do ano. De acordo com uma análise de imagens de satélite da Bloomberg News, o problema afetou desproporcionalmente as áreas rurais e os centros urbanos. O nível de luz emitida à noite em grandes cidades do leste do país, como Santiago de Cuba e Holguín, caiu até 50% em comparação com a média histórica, segundo a Bloomberg.
A exceção é Havana, que abriga importantes áreas industriais e instalações militares, além da sede do governo. Embora os subúrbios da capital, Cojímar e Alamar, estejam significativamente mais escuros, os dados mostram que as luzes permaneceram acesas na maior parte da região central da cidade, onde vive um quinto dos cerca de 10 milhões de habitantes do país caribenho. Portanto, é natural que a administração do presidente Miguel Díaz-Canel a priorize em relação a outros lugares.
Ao menos 46 pessoas foram mortas no sábado após homens armados atacarem três vilarejos no estado de Níger, no centro-oeste da Nigéria, segundo informou uma fonte humanitária à AFP.
De acordo com a fonte, que pediu anonimato, “38 pessoas foram mortas a tiros ou degoladas” no vilarejo de Konkoso, “sete foram mortas em Tungan Makeri” e “uma pessoa foi morta em Pissa”. As três localidades ficam na área administrativa de Borgu, na fronteira com o estado de Kwara, onde mais de 160 pessoas foram massacradas por jihadistas no início de fevereiro.
A nova onda de violência ocorre em um contexto de recrudescimento de ataques letais e sequestros em massa no país. A escalada tem chamado a atenção internacional, especialmente dos Estados Unidos, que criticaram a incapacidade da Nigéria de conter a violência e restaurar a segurança nas regiões afetadas.
*Esta matéria está em atualização
A brasileira Juliana Peres Magalhães, 25 anos, que trabalhava como cuidadora de crianças nos Estados Unidos e se envolveu em um plano que resultou na morte de duas pessoas, foi condenada nesta sexta-feira a 10 anos de prisão pela Justiça americana, no condado de Fairfax, no estado da Virgínia. A sentença é o máximo previsto para o crime pelo qual ela se declarou culpada.
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Segundo o processo, Juliana conspirou com seu empregador Brendan Banfield, com quem mantinha um relacionamento extra-conjungal, para matar a mulher dele, Christine Banfield, e um homem chamado Joseph Ryan. O casal utilizou uma conta falsa em uma rede social de fetiches para atrair Ryan até a casa da família sob o pretexto de um encontro, em fevereiro de 2023.
De acordo com testemunhos, Banfield, então marido de Christine, atacou a mulher com facadas no quarto e atirou em Ryan. Inicialmente acusada de homicídio em segundo grau, Juliana fez um acordo com a promotoria: confessou a culpa por homicídio culposo e aceitou cooperar com os investigadores.
A juíza Penney S. Azcarate, responsável pelo caso, rejeitou a recomendação dos promotores de libertá-la imediatamente com base na confissão e na colaboração, impondo a pena máxima de 10 anos de prisão. Em sua decisão, a magistrada disse que a acusada “não merece nada além de encarceramento e uma vida de reflexão sobre o que fez às vítimas e às suas famílias”.
Banfield, ex-agente de uma agência fiscal americana, foi considerado culpado em julgamento separado pelo júri por homicídio qualificado pelas mortes de Christine e de Ryan, e pode receber cadeia perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Juliana permanecerá detida nos Estados Unidos para cumprir a pena, que inclui também liberdade condicional após o período de reclusão, antes de possível deportação ao Brasil ao término da pena.
Povos ancestrais da região Amazônica incorporaram uma arma química a suas técnicas de caça há séculos. Agora, essa mesma substância está no centro de uma investigação sobre um assassinato de alto-perfil na Sibéria. Cinco países europeus denunciaram neste sábado que o opositor russo Alexei Navalny, morto em 2024 sob custódia do sistema prisional russo, foi executado com o uso da toxina epibatidina, presente na pele de rãs-flecha — espécie nativa da América do Sul. A substância foi encontrada em amostras submetidas a exames laboratoriais.
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As rã-flechas formam um grupo de anfíbios que compõe a família dos dendrobatídeos. Reconhecidas por suas cores fortes e vibrantes, elas excretam através da pele um veneno poderoso como forma de defesa contra predadores, mas que há anos é usada por povos originários para auxiliar na caça. Etnias como os povos emberá, da Colômbia, extraiam o veneno para embeber dardos, que posteriormente eram disparados a partir de zarabatanas.
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A avaliação de que Navalny não foi atingido por nenhum dardo emberé ou teve contato direto com uma rã-flecha em sua cela no Ártico — região cujo clima polar é incompatível com a vida desses pequenos anfíbios de sangue-frio, que costumam ter de 2,5 cm a 5 cm, naturais das florestas tropicais das Américas Centra e do Sul — fez com que Alemanha, França, Holanda, Reino Unido e Suécia afirmassem neste sábado que a toxina letal foi empregada de forma proposital, pelo Estado russo.
“Sabemos que o Estado russo usou essa toxina letal para atingir Navalny por medo de sua oposição”, disseram os países em um comunicado conjunto apresentado neste sábado. “Apenas o Estado russo tinha os meios, um motivo e a oportunidade de utilizar essa toxina letal para atacar Navalny durante sua prisão em uma colônia penal russa na Sibéria, e o consideramos responsável por sua morte”.
Ativista russo Alexei Navalny é levado de delegacia de Khimki, na Rússia, após decisão judicial para prendê-lo após seu retorno à Rússia
Alexander NEMENOV / AFP
O veneno proveniente da espécie é estudado por pesquisadores ocidentais desde os anos 1970, e foi descoberto que o coquetel de substâncias presentes em sua composição tem um efeito similar ao de opióides. Algumas pesquisas apontam que apenas um indivíduo adulto de rã-flecha possui veneno suficiente para matar dez humanos adultos. Sintetizada em laboratório, a substância também produz analgésicos potentes.
Os pesquisadores descobriram, porém, que o veneno não é produzido pelas próprias rãs — ao menos não de forma independente. Quando as primeiras pesquisas foram realizadas, ainda na década de 70, percebeu-se que indivíduos retirados do habitat natural não tinham mais veneno. A conclusão foi de que a produção dependia da metabolização por esses animais das formigas dos quais se alimentam, que por sua vez ingerem plantas tóxicas.
Veja última aparição pública do líder da oposição russa Navalny
A identificação da toxina em Navalny fez com que os países europeus que anunciaram a descoberta denunciassem a Rússia perante a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).
Navalny já havia sido envenenado anteriormente com o agente nervoso Novichok em 2020, enquanto fazia campanha na Sibéria. Na época, ele foi levado para a Alemanha, onde passou meses em tratamento. O carismático ativista anticorrupção mobilizou centenas de milhares de pessoas em toda a Rússia em protestos contra o Kremlin. (Com AFP)

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