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O Exército mexicano matou no domingo (22) Nemesio Oseguera “El Mencho”, fundador e líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), o traficante mais poderoso do México e por quem os Estados Unidos ofereciam 15 milhões de dólares (R$ 78 milhões).
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Oseguera, de 59 anos, ficou ferido em um confronto com militares na localidade de Tapalpa, em Jalisco (oeste). Ele morreu pouco depois, quando era transferido por via aérea para a Cidade do México.
O CJNG reagiu de forma violenta, com bloqueios de rodovias e incêndio de veículos em Jalisco – sede do cartel – e em outros estados do país. Células do cartel incendiaram estabelecimentos comerciais e provocaram terror entre a população.
A reação após a operação evidenciou o amplo poder que o cartel mantém em diferentes regiões do México, com presença tanto em atividades legais quanto ilegais. Também mostrou sua ampla estrutura e capacidade de mobilização. A resposta brutal do cartel reacendeu dúvidas sobre o futuro da organização criminosa e os possíveis cenários que podem se abrir após este episódio. As principais questões são abordadas a seguir:
O que é o Cartel Jalisco Nova Geração e quão poderoso é?
O “Mencho” fundou este cartel em 2009 e, segundo especialistas, trata-se de uma das organizações do narcotráfico mais poderosas do México. O chefe do tráfico morto era um dos principais responsáveis pelo envio de heroína, cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos, segundo o governo americano.
“É certamente uma das organizações mais poderosas no México em termos de capacidade militar, de recrutamento e de armas”, disse à AFP David Mora, especialista do centro de análise Crisis Group.
Os negócios do cartel se expandiram para outras atividades criminosas, como extorsão, roubo de combustível e tráfico de pessoas, segundo a agência antidrogas americana (DEA), crimes que lhe garantem forte renda e grande capacidade econômica. O CJNG se caracterizou por se mostrar “sempre disposto a desafiar o governo mexicano”, afirma.
Em diversas ocasiões, divulgou imagens de seus pistoleiros exibindo armamento e veículos blindados, além de ter atentado em 2020 contra o atual secretário de Segurança Pública, Omar García Harfuch, quando este era chefe da polícia na capital. Também esteve por trás, em novembro, do assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo.
“Em sua narrativa, eles sempre estão muito dispostos a desafiar e a mostrar sua capacidade operacional (…). Não hesitam em realizar ataques muito políticos como o de García Harfuch”, disse Mora.
Por que a reação foi tão violenta em vários estados do México?
A reação violenta após a operação contra Oseguera destacou o poder do cartel no México. Os bloqueios e o incêndio de lojas e estabelecimentos também se estenderam ao balneário de Puerto Vallarta, ao estado vizinho de Michoacán e aos estados de Puebla (centro), Sinaloa (noroeste), Guanajuato (centro) e Guerrero (sul).
É a organização criminosa predominante em vários estados, mas em outros está em conflito com outros grupos criminosos. “O que vimos hoje é justamente uma demonstração de onde operam e onde podem infligir violência”, disse Mora.
Por sua vez, o analista de segurança nacional Gerardo Rodríguez afirmou que as autoridades tinham “calculado sua reação”; o que “não estava no radar era que (a reação) tivesse alcance nacional” e que ativassem células aliadas em todo o país. Apesar disso, Rodríguez destacou que, com suas ações, o cartel não conseguiu impedir que Oseguera fosse morto e que seu corpo fosse transferido pelas autoridades para a Cidade do México.
“Em termos táticos e operacionais, é uma operação muito bem-sucedida do governo da República”, disse Rodríguez.
O que acontecerá com o cartel sem o “Mencho” à frente?
Nemesio Oseguera era um líder criminoso ao estilo de Joaquín “Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada, presos nos Estados Unidos. Tinha presença dominante no CJNG e não contava com sucessores claros.
Segundo especialistas, o CJNG havia se fortalecido após o enfraquecimento do Cartel de Sinaloa por suas guerras internas. Seu filho mais velho, conhecido como “El Menchito”, foi condenado no ano passado nos Estados Unidos à prisão perpétua.
Os possíveis cenários são que o cartel continue operando sem seu líder ou que entre em uma guerra interna pelo comando. Em caso de conflito interno, “teríamos um aumento da violência homicida”, disse o especialista em segurança David Saucedo.
“Ao não haver uma sucessão direta, cria-se um vazio de poder que abre a possibilidade de gerar rearranjos violentos dentro da organização”, explicou o analista do Crisis Group.
A polícia britânica prendeu nesta segunda-feira Peter Mandelson — ex-embaixador do Reino Unido em Washington e um dos principais articuladores do governo do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair — por implicações nos arquivos do financista Jeffrey Epstein. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, a detenção está relacionada com o mesmo crime do qual é acusado o ex-príncipe Andrew: má conduta em cargos públicos.
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Segundo documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em janeiro, o falecido criminoso sexual enviou £ 10.000 (cerca de R$ 69,8 mil, na cotação atual) em transferências bancárias para o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva. Os dados publicados mostram Avila enviou um e-mail para Epstein em 7 de setembro de 2009, cerca de dois meses após Epstein cumprir uma pena de 13 meses em regime semiaberto, pedindo uma ajuda financeira.
No e-mail, Reinaldo detalha os custos de um curso de osteopatia, fornece seus dados bancários e agradece ao financista por “qualquer ajuda que você possa me dar”. Epstein responde algumas horas depois, dizendo que transferiria o valor do empréstimo. No dia seguinte, o brasileiro, que se casou com lorde britânico em 2023 após um relacionamento de 30 anos, responde com um agradecimento.
“Enviei-lhe alguns e-mails na semana passada sobre as despesas do meu curso de osteopatia, incluindo taxas, modelos anatômicos e laptop, caso possa me ajudar com isso. Espero que os tenha recebido”, escreveu Reinaldo a Epstein, à época.
Em abril de 2010, Reinaldo enviou outra mensagem a Epstein, compartilhando seus dados bancários, conforme mostram os novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Epstein, de acordo com o Financial Times, encaminhou o e-mail para seu contador, acrescentando: “envie 13 mil dólares”.
Em correspondências subsequentes, Epstein instrui seu contador, Rich Kahn, a “enviar 2 mil dólares por mês para Reinaldo”. Kahn, então, pergunta se isso é “além dos 13 mil dólares” e confirma se a moeda é dólares americanos. Epstein responde que “após repensar, envie apenas 4 mil dólares”.
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Em setembro do ano passado, uma pessoa próxima a Mandelson ouvida pelo Financial Times afirmou que “não havia nenhum relacionamento” entre Reinaldo e Epstein, e que os dois não se davam bem. Essa pessoa negou que Mandelson tivesse recebido dinheiro de Epstein, seja diretamente ou por meio de seu marido.
Epstein e o lorde
Os documentos mais recentes levantaram novas questões sobre a relação de Epstein com Mandelson, que foi demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington quando detalhes de seu apoio ao financista vieram à tona, em setembro do ano passado.
Em outro conjunto de e-mails, o lorde Mandelson pede para se hospedar em uma das propriedades de Epstein. Essas mensagens são de 16 de junho de 2009, quando Epstein ainda cumpria pena de 13 meses por aliciar uma menor para prostituição. Durante grande parte de sua sentença, o financista tinha permissão para trabalhar em seu escritório durante o dia e retornava à prisão todas as noites.
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Mandelson afirmou repetidas vezes que se arrepende de sua amizade com Epstein e que nunca presenciou nenhuma irregularidade, mas “acreditou em suas mentiras”. Ele chegou a pedir desculpas, durante o programa Newsnight, às vítimas de Epstein.
Ainda de acordo com o Financial Times, os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça revelam outros aspectos da relação entre Mandelson e Epstein, incluindo o político britânico pedindo conselhos sobre a compra de um apartamento no Brasil.
Em março de 2011, quando Mandelson dirigia a Global Counsel, uma empresa de consultoria londrina, ele escreveu ao financista sobre um esquema para minimizar impostos, que envolvia a criação de uma empresa offshore no Panamá que faria parceria com uma nova empresa brasileira administrada por Reinaldo.
Sete pessoas morreram quando um avião fretado para prestar serviços médicos caiu no estado oriental indiano de Jharkhand, informaram as autoridades nesta terça-feira.
A Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) informou que o avião Beechcraft C90, que operava um “voo de evacuação médica”, caiu na segunda-feira na região de Kasaria, no estado de Jharkhand.
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Equipes médicas e de resgate se apressaram até o local do acidente, que, segundo a mídia local, fica em uma área de floresta e é de difícil acesso.
“A equipe de médicos os localizou e os declarou mortos”, disse a jornalistas a autoridade administrativa local, Keerthishree G, sobre as pessoas que estavam no avião.
Ela especificou que dois dos sete mortos eram tripulantes.
A DGAC informou na noite de segunda-feira que o avião havia “solicitado um desvio (de sua rota) devido ao clima e perdeu contato com o radar de tráfego aéreo após 23 minutos”.
O órgão de investigação de acidentes aéreos da Índia enviou uma equipe ao local do acidente.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse nessa segunda-feira (23) que o país está de braços “abertos” para receber quem “quiser voltar” sob uma histórica lei de anistia promulgada na última quinta-feira, que abrange momentos-chave dos 27 anos de chavismo.
Delcy assumiu o poder interinamente após a deposição forçada e subsequente captura do então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante invasão militar norte-americana ao país sul-americano.
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A mandatária promove uma agenda que inclui libertações de presos políticos, reformas legislativas e uma recém-promulgada anistia geral que representa um passo rumo a “uma Venezuela mais democrática”, segundo a própria Delcy Rodríguez.
“As portas da Venezuela, os braços do povo da Venezuela estão abertos para quem quiser retornar neste processo de cura do ódio”, disse ela em um discurso televisionado.
Cerca de sete milhões de venezuelanos fugiram de seu país nos últimos anos por causa da crise política e econômica, entre eles muitos dirigentes opositores que vivem no exílio.
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A lei de anistia não é automática. Especialistas em direitos humanos a classificam de excludente e insuficiente. Centenas de detidos, como militares acusados de atividades “terroristas”, podem ficar de fora.
Delcy agradeceu as “manifestações genuínas de apoio” à lei de anistia, mas acusou “alguns setores” de não estarem “fazendo a leitura correta do que está ocorrendo no país”.
“Eles já têm planos e, no devido momento, vou revelá-los ao país para que se saiba quem, de um hotel luxuoso nos Estados Unidos ou na Europa, pretende sabotar este processo, pretende atrapalhar o caminho da tranquilidade e da paz na Venezuela”, disse a mandatária em seu pronunciamento.
Delcy governa sob forte pressão dos Estados Unidos, que afirmam estarem no comando do país e da comercialização do petróleo venezuelano.
Na semana passada, ela se reuniu em Caracas com o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), um encontro que também contou com a presença dos ministros da Defesa e do Interior, Vladimir Padrino e Diosdado Cabello, respectivamente.
“Tive que me sentar ao lado dos carrascos de nossos heróis e heroínas de 3 de janeiro. E o fiz pela Venezuela”, disse a presidente encarregada nesta segunda.
A Venezuela pede a libertação “imediata” de Maduro e de sua esposa Cilia Flores, ambos presos em Nova York onde enfrentam um julgamento por narcotráfico. O agora ex-governante se declara um “prisioneiro de guerra”.
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol recorreu da sentença condenatória por insurreição devido à sua decretação da lei marcial em 2024, informaram seus advogados nesta terça-feira.
Yoon foi sentenciado a prisão perpétua após ser declarado culpado de liderar uma insurreição ao tentar “paralisar” a Assembleia Nacional com a declaração da lei marcial.
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“Acreditamos que temos a responsabilidade de registrar claramente o problema com essa decisão, não apenas nos autos do processo, mas também perante o julgamento da história no futuro”, declarou a defesa de Yoon, em comunicado.
Na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon apareceu na televisão para anunciar a suspensão do controle civil e o início de um comando militar, citando ameaças difusas de influência norte-coreana e perigosas “forças antiestatais”.
A lei marcial foi suspensa seis horas mais tarde, depois que os legisladores conseguiram entrar na sede do Parlamento para uma votação de emergência que revogou a medida.
Yoon foi deposto em abril do ano passado e o atual presidente, Lee Jae Myung, foi eleito em junho, em eleições antecipadas.
O ex-embaixador e ministro britânico Peter Mandelson foi libertado, sob fiança, na manhã desta terça-feira (hora local), após ser detido sob acusações relacionadas ao caso do falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
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“Um homem de 72 anos detido sob suspeita de má-conduta em cargo público foi libertado sob fiança enquanto as investigações continuam”, anunciou a polícia de Londres, em um comunicado, sem especificar sua identidade, como é de praxe no Reino Unido.
O homem libertado é Peter Mandelson, informou a agência de notícias britânica Press Association, citando uma fonte policial.
A polícia de Londres havia anunciado em 3 de fevereiro a abertura de uma investigação contra Mandelson, com base em documentos dos arquivos de Epstein, divulgados no final de janeiro pelas autoridades em Washington.
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Peter Mandelson e Jeffrey Epstein
Reprodução
De acordo com esses arquivos, o ex-embaixador teria repassado a Epstein informações que poderiam influenciar os mercados, particularmente durante seu período como ministro no governo de Gordon Brown (2008-2010).
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Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. O rico financista nova-iorquino, cuja morte foi considerada suicídio, havia sido condenado em 2008 por aliciar uma menor para prostituição.
Suas extensas conexões com políticos, celebridades e acadêmicos do mundo todo, especialmente após sua libertação em 2009, tornaram-se politicamente explosivas globalmente.
Diante de uma situação de alto risco, com navios de guerra e caças americanos se concentrando em suas costas, o Irã se recusa a ceder às exigências de Donald Trump sobre seu programa nuclear e seu arsenal — uma postura que tem deixado perplexas as autoridades americanas, incluindo o próprio presidente americano. Os clérigos autoritários que governam o Irã veem essas concessões — que, em sua visão, poderiam comprometer sua ideologia central e soberania — como uma ameaça maior à sua sobrevivência do que o risco de guerra.
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Uma perigosa discrepância de percepções é o motivo pelo qual os esforços para negociar um acordo sobre as capacidades nucleares e militares do Irã parecem cada vez mais frágeis, dizem especialistas, e um novo conflito regional parece quase inevitável.
— Evitar a guerra é, de fato, uma alta prioridade, mas não a qualquer custo — disse ao New York Times Sasan Karimi, cientista político da Universidade de Teerã que atuou como vice-presidente adjunto de estratégia no governo anterior do Irã. — Às vezes, um Estado político, especialmente um ideológico, pode dar tanta importância ao seu lugar na História quanto, ou até mais do que, à sua sobrevivência imediata.
Negociadores dos EUA e do Irã estão tendo dificuldades para superar um impasse sobre suas respectivas linhas vermelhas.
O governo Trump afirma querer que o Irã concorde com o enriquecimento nuclear zero para garantir que o país não possa construir uma arma nuclear. Autoridades americanas também têm insistido, por vezes, em limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos e em acabar com o apoio do país a milícias aliadas na região.
Por sua vez, para o Irã, que afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, o enriquecimento de urânio é um direito defendido pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e que seus oficiais não podem abandonar. Além disso, o Irã considera a posse de mísseis capazes de atingir até Israel como crucial para sua autodefesa.
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Arte/O GLOBO
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Autoridades americanas e iranianas devem se reunir em Genebra nesta quinta-feira para negociações consideradas uma última tentativa de encontrar um acordo antes que Trump ordene um ataque. De acordo com pessoas a par das deliberações internas do governo, os dois lados irão considerar uma proposta que oferece uma saída para a guerra: permitir que o Irã mantenha um programa limitado de enriquecimento nuclear para fins civis.
Autoridades regionais afirmaram que o governo Trump considera Teerã tão frágil que deveria aceitar as exigências dos EUA.
Em junho passado, o Irã sofreu duros golpes durante uma guerra de 12 dias iniciada por Israel e que contou com a breve participação de aviões de guerra dos EUA. Esse conflito, aliado às severas sanções internacionais, mergulhou a economia iraniana em uma crise ainda mais profunda.
Em janeiro, as autoridades usaram força letal para reprimir protestos em todo o país que exigiam a destituição do aiatolá Khamenei. Alguns protestos menores ressurgiram no fim de semana, demonstrando a hostilidade de muitos iranianos em relação aos seus líderes.
Além disso, o governo em Teerã enfrenta um grande aumento do poderio militar dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo dois grupos de ataque de porta-aviões e uma concentração de jatos de reconhecimento e reabastecimento em todo o Oriente Médio.
O principal negociador de Trump com o Irã, Steve Witkoff, descreveu o presidente como “curioso para saber por que eles não cederam”, em uma entrevista à Fox News no fim de semana.
O vice-presidente, JD Vance, disse à Fox News na semana passada que, apesar da ameaça de guerra, os iranianos “ainda não estão dispostos a reconhecer e resolver” as exigências do presidente. No entanto, é justamente essa percepção de fraqueza do Irã que, segundo especialistas, motiva Teerã a resistir.
Diante das ameaças do presidente americano, que disse na quinta-feira que o Irã tinha no máximo 10 dias para fechar um acordo ou “coisas ruins” poderiam acontecer, o Ministério das Relações Exteriores de Teerã reiterou nesta segunda-feira que qualquer ataque, mesmo que limitado, “seria considerado um ato de agressão”.
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— Para o Irã, submeter-se aos termos dos EUA é mais perigoso do que sofrer outro ataque americano — disse Ali Vaez, diretor do International Crisis Group para o Irã. — Eles não acreditam que, uma vez que cedam, os EUA aliviarão a pressão. Acreditam que isso apenas encorajaria os EUA a atacar o ponto fraco.
O aiatolá Khamenei tem reiteradamente enfatizado sua opinião de que o objetivo final de Washington é derrubar o sistema de governo do Irã.
— A energia nuclear não é o problema, nem os direitos humanos; o problema dos Estados Unidos é a própria existência da República Islâmica — disse ele em um discurso em 2024.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, discursa em encontro com apoiadores em Teerã, em 17 de janeiro de 2026
KHAMENEI.IR / AFP
Danny Citronowicz, especialista do Atlantic Council e ex-chefe da divisão iraniana da Inteligência de Defesa de Israel, afirmou que, além de cálculos estratégicos como os mísseis balísticos, o aiatolá Khamenei insiste no enriquecimento de urânio como “um pilar do próprio regime”. Se os líderes iranianos cederem nesses pontos, “eles estarão, na verdade, minando a própria existência do regime”, disse ele.
— Acho que eles não têm outra escolha a não ser apostar no lado militar — acrescentou.
Duas das principais questões que se colocam antes de um possível confronto são se um ataque dos EUA chegaria ao ponto de tentar derrubar o sistema político iraniano e se Teerã seria capaz de retaliar o suficiente para tornar o conflito doloroso também para Trump.
Segundo Farzin Nadimi, analista de defesa especializado no Irã do Instituto de Washington para Política do Oriente Médio, um centro de estudos, Teerã provavelmente buscará absorver ataques limitados e restringir sua retaliação a ataques contra bases americanas no Oriente Médio, como fez em junho passado.
Caso Trump opte por ir mais longe, as forças americanas, provavelmente com a ajuda de Israel, teriam que agir rapidamente nos primeiros dias para neutralizar o máximo possível das capacidades militares do Irã, a fim de impedir uma tentativa de retaliação muito mais feroz e abrangente. Isso exigiria “um esforço extenso tanto dos EUA quanto de Israel — não apenas do poder aéreo, mas também de forças terrestres — para garantir que sua ameaça de mísseis seja neutralizada”, disse Nadimi.
Especialistas regionais afirmam que o Irã, por sua vez, tentaria replicar o sucesso da milícia Houthi, sua aliada no Iêmen. Em 2025, os houthis frustraram uma campanha militar dos EUA que visava impedir os ataques do grupo contra navios internacionais no Mar Vermelho. O grupo atacou persistentemente drones americanos e embarcações internacionais, incluindo um porta-aviões dos EUA.
O impasse de 31 dias custou a Washington bem mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), e Trump acabou fechando um acordo em vez de arriscar um prolongado envolvimento militar.
Analistas disseram que o Irã poderia tentar criar um confronto prolongado e mortal que poderia prejudicar Trump em um ano de eleições de meio de mandato.
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Uma incógnita é se o Irã poderia lançar ataques contra petroleiros que transitam por rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, ou se seus aliados houthis atacariam embarcações no Mar Vermelho, afirmou Mohammad Ali Shabani, analista do Irã e editor do site de notícias regional Amwaj.media. Segundo ele, se um novo conflito elevasse o preço da gasolina em um ou dois dólares por galão, isso poderia ser muito arriscado para Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro.
As forças americanas e israelenses poderiam desferir um golpe rápido e devastador, como fizeram em junho passado, quando uma série de altos funcionários militares iranianos foram mortos em questão de horas e as instalações nucleares e militares do Irã foram atingidas. Mas Teerã aprendeu lições com essa guerra, dizem autoridades iranianas e regionais, e preparou várias camadas de liderança para substituir qualquer pessoa morta. Isso visa garantir que o sistema sobreviva ao conflito, mesmo que o aiatolá Khamenei e outros líderes não sobrevivam.
Autoridades regionais que falaram com Teerã e Washington disseram que, se Trump optar por atacar, seu objetivo provavelmente será abalar a liderança iraniana com força suficiente para forçá-la a retornar à mesa de negociações em seus termos. Mas vários especialistas afirmaram que o Irã se recusou a ceder aos termos dos EUA após a última guerra e que, se sobrevivesse a outra, provavelmente se recusaria novamente.
— Pensar que uma guerra a cada vez torna o Irã mais flexível ou facilita a diplomacia não passa de uma ilusão — disse Vaez.
Políticos republicanos no estado americano do Texas começaram a deixar de lado os ataques à questão migratória, centrais nas últimas eleições, e passaram a se concentrar na crescente população muçulmana, com uma retórica que ecoa o período imediatamente após os ataques de 11 de Setembro de 2001. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Diante dos indícios de que os Estados Unidos estariam prestes a lançar um ataque americano contra o Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um raro momento de neutralidade, ao ser questionado sobre o tema na Coreia do Sul. Lula concluiu a visita ao país asiático na manhã desta terça (noite de segunda no Brasil) com uma rápida conversa com jornalistas brasileiros, antes de seguir viagem para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU).
A possibilidade de um ataque poderia ter consequências graves para os EAU e outros países da região que têm bases militares americanas. Em Abu Dhabi, Lula deve se encontrar com o presidente do país, o xeque Mohamed bin Zayed Nayan, também conhecido como MBZ. Apesar da alta temperatura em torno do assunto, Lula disse que a ameaça dos EUA ao Irã não está na pauta.
— Eu não vou discutir a guerra com o Irã. Não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre o Brasil e os Emirados Árabes, disse Lula. — Nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento, que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo. Eu não estou preocupado com o que os Estados Unidos vão fazer com o Irã. Estou preocupado em saber o que o Brasil vai fazer com os Emirados Árabes.
Foi uma mudança em relação à postura do governo brasileiro. No ano passado, o Itamaraty e o próprio Lula não pouparam críticas aos EUA e a Israel pelos ataques lançados contra o Irã. Desta vez, o presidente optou pela cautela, num sinal de cautela para não comprometer o encontro com o presidente americano, Donald Trump, previsto para o mês que vem.
Questionado pelo GLOBO se pretende conversar sobre as tensões entre Irā e Estados Unidos com Trump, Lula indicou que também em Washington essa não será uma prioridade para ele. Em 2010, o presidente ajudou a mediar junto com a Turquia um acordo para limitar o programa nuclear iraniano, mas ele não foi à frente por falta de apoio da Casa Branca, na época chefiada por Barack Obama. Desta vez, Lula não quis falar sobre a possibilidade de o Brasil se envolver numa intermediação.
— Não sei. É porque se a gente ficar falando com muita antecedência o que vai acontecer na reunião [com Trump], não precisa ter reunião. Ou seja, eu tenho uma pauta com o presidente Trump, que é uma pauta eminentemente de interesse do Brasil, tem uma outra que é de interesse do multilateralismo, tem uma outra que é de interesse da democracia, e isso eu vou conversar com ele. Agora, ele também tem a pauta dele para mim. Só posso aguardar a reunião, ainda não está marcada.
Lula sinalizou que a reunião com Trump deve ocorrer no dia 16 de março, “ou próximo a essa data”. O presidente reiterou que no alto de sua pauta estará o combate ao crime organizado.
— Estou preparando um debate sobre a questão do combate ao crime organizado e o narcotráfico. Ele sabe que quando eu for aos Estados Unidos eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, vou levar a Receita Federal, vou levar o Ministério da Fazenda, vou levar o Ministério da Justiça, e vou mostrar para ele que se ele quiser de verdade combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal. Ele sabe que o nosso desejo é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício.
Uma ONG em El Salvador que defendia mulheres presas por abortar anunciou nesta segunda-feira o encerramento de suas atividades após duas décadas de atuação, em meio ao aumento das restrições ao trabalho de associações civis no país.
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A Agrupación Ciudadana por la Despenalización del Aborto conseguiu que cerca de 80 mulheres “criminalizadas” por interromper a gravidez fossem libertadas, recordou a organização em comunicado.
A entidade também promoveu, sem sucesso, mudanças na lei que pune o aborto com prisão, além de impulsionar condenações internacionais contra o Estado salvadorenho, acrescentou a ONG, que denuncia um ambiente “hostil” para seu funcionamento legal.
O aborto é punido em El Salvador com penas de dois a oito anos de prisão, mas, em alguns casos, a Justiça o enquadra como homicídio qualificado, o que eleva a pena para até 50 anos de cárcere.
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A associação lembrou que, em 2025, o Congresso, alinhado ao presidente de direita Nayib Bukele, aprovou uma lei de agentes estrangeiros semelhante às vigentes na Rússia e na Nicarágua, que estabelece um imposto de 30% sobre os recursos ou doações recebidos do exterior por ONGs.
Coletivos de direitos humanos denunciam que essa norma busca silenciar críticas ao governo de Bukele, acusado de cometer abusos no contexto de sua guerra contra as gangues.
Por esse motivo, a reconhecida organização Cristosal e outras entidades humanitárias encerraram suas operações no país em 2025 e passaram a atuar no exílio.
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Apesar do que considera um “contexto adverso e de perseguição”, o coletivo anunciou que continuará seu ativismo em El Salvador com enfoque regional.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou, em dezembro de 2024, o Estado salvadorenho por ter impedido, em 2013, o aborto de uma mulher de 22 anos conhecida pelo pseudônimo de Beatriz, embora sua vida estivesse em risco e o feto apresentasse uma malformação congênita.

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