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Há semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem reiterado que o prazo para o Irã fechar um novo acordo nuclear está perto de se esgotar, ameaçando inicialmente que “coisas ruins” ocorreriam com a nação persa em caso de fracasso das tratativas diplomáticas. O termo vago evoluiu, na última sexta-feira, quando o republicano admitiu que estava avaliando “ataques limitados” contra o território iraniano — um plano que, segundo fontes ligadas ao governo americano, foi visto com ressalvas pelo chefe do Estado-maior do Pentágono, general Daniel Caine, mas cujo destino destino deve ser definido pela avaliação final da dupla de confiança de Trump: Jared Kushner, seu genro, e Steve Witkoff, seu principal negociador.
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O papel central da dupla nomeada para chefiar as negociações indiretas com o Irã na confirmação ou não do ataque foi apontado por fontes americanas ouvidas pelo jornal britânico The Guardian. Os dois deverão avaliar, após uma nova rodada de negociações mediadas por Omã nesta quinta-feira, se Teerã está de fato engajado em abrir mão de suas capacidades de enriquecer urânio para fechar um possível acordo ou se as tratativas são apenas uma forma de protelar. A opinião da dupla deve ser decisiva na tomada de decisão final por Trump.
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Kushner e Witkoff ocupam um lugar elevado na atual administração republicana, tendo atuado como representantes de Washington em uma série de negociações internacionais de alto-perfil, da América Latina à Rússia. Trump privilegiou a confiança nos aliados próximos em detrimento de profissionais de carreira, como diplomatas e funcionários públicos, em uma estratégia que expõe o valor dado pelo presidente às relações pessoais, flexibilidade política e lógica empresarial. Por outro lado, nunca uma participação dos escolhidos parece ter sido tão decisiva em tema de segurança e defesa — podendo entrar em conflito com a opinião técnica do comando militar.
Embora Trump tenha afirmado na segunda-feira que o chefe do Estado-maior conjunto das Forças Armadas americanas acredita que qualquer eventual ação ordenada contra o Irã seria “algo vencido com facilidade”, fontes ouvidas por jornais americanos como o New York Times e o Wall Street Journal afirmaram que o prenúncio de vitória fácil atribuído pelo republicano ao general Caine não corresponde ao exposto pelo militar em reuniões recentes a portas-fechadas.
Os interlocutores, que tiveram acesso às reuniões realizadas sobre o Irã, afirmaram que o general tem sido cuidadoso ao não expor suas opiniões pessoais ou a respeito da decisão política sobre a ação, limitando-se a apresentar os prós e contras de cada tomada de decisão, com base na configuração estratégica. Caine teria afirmado em um dos encontros recentes que a força concentrada pelos EUA ao redor do Irã seria suficiente para um ataque “pequeno ou médio porte”, mas que isso também abriria as portas para uma represália iraniana com possíveis impactos negativos.
Gen. Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, no Capitólio, em Washington, em 3 de setembro de 2025
Eric Lee/The New York Times
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As ressalvas apresentadas por Caine incluiriam o risco dos EUA ficarem presos a um conflito de longo prazo após a primeira agressão militar; a possível perda de vidas americanas, sobretudo diante de um cenário de falta de apoio firme entre os aliados para a ação; e na escassez de munição, sobretudo de artilharia antiaérea. Apesar do reforço reportado nos últimos dias, a reação contida do Irã após os bombardeios americanos em junho do ano passado forçaram o disparo de 30 mísseis Patriot para interceptar o contra-ataque — o maior uso individual desses mísseis na história dos EUA. As forças iranianas prometeram uma “resposta feroz” em caso de um novo ataque neste momento.
Em uma publicação nas redes sociais ainda na segunda-feira, Trump reputou como mentiras os relatos da imprensa americana sobre as advertências de Caine contra a intervenção militar no Irã. O presidente disse que o general “preferiria não ver uma guerra”, mas reafirmou que a avaliação do militar é de que seria “fácil vencer”.
“Ele não falou em não atacar o Irã, nem sequer sobre os falsos ataques limitados sobre os quais tenho lido; ele sabe apenas uma coisa, como VENCER e, se lhe disserem para fazê-lo, liderará a ofensiva”, escreveu o republicano.
Posição de meios militares dos EUA no Oriente Médio
Arte/ O GLOBO
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O presidente americano tem dado sinais de incômodo com a resistência iraniana em ceder às suas exigências, mesmo após o envio de uma “Armada” para a região próxima ao Oriente Médio que já superou em poder bélico a mobilização no Caribe, ordenada no ano passado. Tanto fontes ouvidas em anonimato quanto integrantes do governo em declarações públicas demonstraram o que parecem ser receios do republicano.
Fontes ouvidas pela CBS News nesta terça-feira afirmaram que Trump teria demonstrado frustração com a influência limitada exercida pela escalada militar que ele mesmo liderou. No fim de semana, o enviado especial Witkoff afirmou em entrevista à rede americana Fox News que o presidente estaria “curioso” sobre as razões do Irã não ter cedido à pressão.
Analistas apontam que o momento atual é visto como de ameaça existencial pelo regime teocrático do Irã. Os clérigos autoritários veriam possíveis concessões aos EUA como um fator a comprometer sua ideologia central e soberania — uma ameaça maior à sua sobrevivência do que o risco de guerra.
Teerã afirmou repetidamente que não tem interesse em desenvolver armas nucleares — embora tenha aumentado, antes dos ataques americanos no ano passado, o enriquecimento de urânio a níveis muito acima do necessário para programas nucleares de uso civil — e que a via diplomática é desejável. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, prometeu apresentar uma primeira versão de um acordo com os EUA. Espera-se que o texto seja discutido na quinta-feira. (Com AFP e NYT)
As autoridades belgas iniciaram uma investigação após encontrarem imagens de pornografia infantil na cela do conhecido pedófilo Marc Dutroux, condenado por sequestro, estupro e assassinato de meninas e adolescentes. Dutroux, considerado um dos piores criminosos da Bélgica, foi condenado em 2004 à prisão perpétua por sequestrar e estuprar seis meninas e adolescentes, e matar quatro delas. Ele deixou duas delas, Julie e Mélissa, morrerem de fome.
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Ele foi preso em 1996 e permanece em regime de isolamento desde então. O promotor de Brabante Valão, província belga onde fica a penitenciária de Nivelles, confirmou à agência de notícias Belga na noite desta segunda-feira a informação revelada pela revista Humo.
Durante uma inspeção na prisão em 2024, autoridades encontraram aproximadamente 200 fotos pornográficas na cela de Dutroux, apesar do regime de isolamento, segundo a Humo. De acordo com a revista, metade dessas fotos mostrava crianças nuas.
O criminoso se defendeu por meio de seu advogado. Ele alega ser vítima de “assédio” por outros detentos que teriam colocado as fotos em sua cela sem seu conhecimento, acrescenta a Humo. Seu advogado, Bruno Dayez, não comentou a notícia. Dayez tentou sua libertação em 2021, após 25 anos atrás das grades.
Um documento pericial extremamente negativo de 2020, porém, o impediu. Este laudo psiquiátrico alerta que Marc Dutroux deve sempre ser considerado um psicopata e que o risco de reincidência é muito alto.
A Guarda Revolucionária do Irã, o Exército ideológico da República Islâmica, iniciou exercícios militares no Golfo Pérsico, informou a televisão estatal nesta terça-feira, em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos, que mobilizaram recentemente uma força naval e aérea significativa na região e estão ameaçando atacar o país. Os exercícios “estão concentrados no litoral sul e nas ilhas” e incluem mísseis, artilharia, drones, forças especiais e veículos blindados, especificou a emissora.
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As manobras estão sendo realizadas “com base em ameaças existentes”, disse à televisão o comandante das forças terrestres da Guarda Revolucionária, Mohammad Karami.
Após ordenar ataques direcionados contra instalações nucleares no Irã em junho de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, não descarta o uso da opção militar novamente contra a República Islâmica caso as negociações em curso sobre o programa nuclear iraniano fracassem. Para exercer pressão, Washington mobilizou uma força naval e aérea significativa na região.
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Em uma mensagem publicada na segunda-feira em sua rede social Truth Social, o presidente dos EUA escreveu que preferia um acordo, mas que, caso contrário, “a situação ficaria muito ruim” para o Irã. Na quinta-feira, Trump disse que havia se dado “de dez a quinze dias” para decidir sobre um possível uso da força contra Teerã.
O Irã alertou na segunda-feira que qualquer ataque dos EUA, mesmo que limitado, provocaria uma resposta “feroz”.
— Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final — declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, em uma entrevista coletiva em Teerã. — Qualquer Estado reagiria fortemente a um ato de agressão em virtude de seu direito inerente à autodefesa, e é precisamente isso que faríamos.
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Em Genebra, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, alertou também na segunda-feira para o risco de uma “escalada” regional e pediu que “todos os países comprometidos com a paz e a justiça tomem medidas significativas” para evitá-la.
“Por excesso de cautela”, os Estados Unidos ordenaram a retirada de pessoal não essencial de sua embaixada em Beirute, enquanto o movimento libanês pró-Irã Hezbollah já havia anunciado que não permaneceria neutro caso Washington atacasse.
Nesse clima de tensão, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou na segunda-feira que Israel permanece “vigilante e preparado para qualquer cenário”.
Terceira rodada na quinta-feira
Os Estados Unidos e o Irã realizarão novas negociações indiretas em Genebra na quinta-feira, sob a mediação de Omã, após duas sessões desde o início de fevereiro, confirmaram os três países na segunda-feira.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chefe da delegação de negociação, disse no domingo que há “uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática vantajosa para ambos os lados”. Araqchi disse que espera entregar em breve “uma primeira versão” do texto à equipe americana, chefiada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.
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As negociações anteriores entre os dois países foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra iniciada por Israel contra o Irã, na qual Washington interveio bombardeando instalações nucleares da República Islâmica. Na época, Trump afirmou ter “aniquilado” o programa nuclear iraniano durante esses bombardeios, embora a extensão exata dos danos permaneça desconhecida.
Os países ocidentais temem que Teerã busque adquirir armas nucleares, enquanto o Irã insiste que deseja apenas desenvolver um programa nuclear civil.
Em troca de um acordo sobre seu programa nuclear, o Irã espera que os Estados Unidos suspendam as sanções que estão prejudicando sua economia.
Essas novas tensões entre Washington e Teerã aumentaram após a sangrenta repressão, em janeiro, a um amplo movimento de protesto antigovernamental no Irã, o que levou Trump a prometer “ajudar” o povo iraniano. Nos últimos dias, ocorreram novas manifestações contra o governo em diversas cidades.
O governo Trump deu à professora Nayda Alvarez cinco dias para decidir se permitirá que um muro na fronteira cruze seu quintal. Caso ela se recuse, dizem, sua casa às margens do Rio Grande, no Texas, será expropriada. O presidente republicano fará seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso nesta terça-feira, em um primeiro ano marcado por medidas anti-imigração e planos para reforçar a fronteira sul dos Estados Unidos com o México.
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Em Laredo, no Texas, uma cidade com mais de 250 mil habitantes predominantemente hispânicos, a comunidade cresceu às margens do Rio Grande, a fronteira natural entre os dois países. Casas, parques, trilhas para caminhada e ciclismo, áreas de pesca e até um cemitério familiar estão localizados às margens do rio, sem muros.
Mas, em fevereiro, pelo menos 60 proprietários receberam uma carta do governo federal com o seguinte aviso: “Aviso de Interesse: Propriedade próxima a projetos de construção na fronteira.” A casa de madeira do americano Antonio Rosales Jr., de 75 anos, fica nessa área: “Recebemos uma carta do governo dizendo que vão demolir parte da minha casa e que tenho cinco dias para assinar os papéis”, lamenta ele.
Para Édgar Villaseñor, ativista do Centro de Estudos Internacionais do Rio Grande, “o problema em Laredo e em todo o sul do Texas, e em todas as propriedades ribeirinhas, é que estão realizando uma apropriação de terras em larga escala”.
Governo Trump prepara expropriações para construir muro na fronteira com o México
Ronaldo Schemidt/AFP
O governo planeja construir um “muro inteligente” ao longo de seus mais de 3.000 km de fronteira com o México. Um terço dessa extensão já possuía muros antes do segundo mandato de Trump. O plano inclui mais muros físicos ou, dependendo da área, barreiras aquáticas, estradas de patrulha e tecnologia de detecção.
“Para alcançar o controle operacional da fronteira, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) deve, de acordo com a lei, construir a infraestrutura física necessária”, disse um porta-voz da agência à AFP. Portanto, “eles estão em processo de contato com proprietários de terras como parte do processo de aquisição das terras necessárias para acesso e/ou construção do muro”.
As opções
“No primeiro ano de mandato do presidente Trump, conquistamos a fronteira mais segura da história dos EUA”, disse a Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, no início de fevereiro.
Janeiro marcou o nono mês consecutivo sem a entrada de “imigrantes ilegais” nos Estados Unidos, afirmou Noem, que recentemente publicou uma foto sua assinando um contrato para a compra de aço para o muro.
“Esse muro passaria bem pelo meu quintal”, diz Álvarez, de 54 anos, em La Rosita, uma comunidade de cerca de 300 habitantes, a 140 km a sudeste de Laredo.
Em fevereiro, pelo menos 60 proprietários receberam carta do governo federal com aviso sobre alterações na região
Ronaldo Schemidt/AFP
O documento, datado de 13 de fevereiro, descreve três opções: “Eles te dão mil dólares para permitir o acesso à sua propriedade para que possam fazer o que precisam fazer, permitem que você negocie um acordo de compra ou servidão com o governo ou, se você não aceitar, eles expropriam sua propriedade”, explica ela. Ela ainda está avaliando o que fazer.
Em Laredo, a organização de Villaseñor apoia os afetados, ajudando-os a se informar antes de aceitar ou se preparar para se defender. Ela explica que alguns proprietários, devido à pressão, medo ou falta de informação, assinaram, mas que a maioria se opõe.
Danos ao Rio
O principal parque da cidade de Eagle Pass, a 180 km a noroeste de Laredo, foi militarizado em janeiro de 2024. Boias foram colocadas ao longo da margem do rio, e o acesso a ele foi bloqueado com cercas e arame farpado. Isso dizimou o negócio de Jessie Fuentes, de 65 anos, que oferece passeios de caiaque. A prioridade do governo “é apenas a segurança” e “eles não se importam com o fluxo da água, se permitem que os animais venham ao rio para beber água ou se a flora e a fauna prosperam”. “Tudo está morto atrás de mim”, diz ele por trás de uma cerca que bloqueia o acesso ao rio.
Perto dali, na cidade de Quemado, o governo Trump construiu muros em 2025. Ao pé do muro estão as sepulturas de migrantes cujos corpos foram encontrados na área nos últimos anos, a maioria deles não identificada. Para Villaseñor, a narrativa de que os migrantes vêm para causar danos não é verdadeira.
“A necessidade do muro é completamente falsa. Quem diz isso são pessoas de Washington, D.C. Quem vive às margens do rio não tem medo de nada.” Em Laredo, o que Rosales Jr. teme é perder sua casa. “Vai ser estranho para nós irmos embora depois de tantos anos, mas o governo é o governo e pode fazer o que quiser.”
A morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera representa muitas coisas: um produto da maior cooperação entre México e Estados Unidos, um motivo para uma possível trégua entre Donald Trump e Claudia Sheinbaum e a operação mais importante contra o crime organizado em anos. Mas, acima de tudo, será um teste para o Estado mexicano, relativamente pequeno, e para a sua capacidade de evitar mais uma espiral de violência em todo o país nas próximas semanas.
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A operação militar mexicana que resultou na morte de “El Mencho” foi apenas a mais recente ação decisiva contra o Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG), um dos principais alvos de segurança de Washington e um dos grupos criminosos designados como Organização Terrorista Estrangeira (FTO) pelo Departamento de Estado dos EUA.
Apenas dois dias antes, as forças mexicanas haviam capturado o chefe de recrutamento e treinamento do CJNG. Nos últimos meses, as autoridades mexicanas e americanas também impuseram restrições financeiras a instituições que facilitam a lavagem de dinheiro e prenderam importantes operadores financeiros ligados à organização. As autoridades mexicanas também detiveram outras figuras importantes — o que o governo Sheinbaum chama de “geradores de violência” — que eram fundamentais para as operações do grupo.
A morte de “El Mencho” não pode ser compreendida fora do contexto mais amplo das relações México-EUA. A estratégia de pressão máxima do governo Trump — que incluiu ameaças de ação militar unilateral em território mexicano — levou o México a alinhar sua política de segurança mais estreitamente com as prioridades de Washington. Esse alinhamento se traduziu em uma intensificação acentuada da cooperação bilateral e do compartilhamento de informações de inteligência.
Nesse contexto, a Força-Tarefa Interagências Conjunta de Combate aos Cartéis, envolvendo diversas agências americanas, foi formalmente lançada no início de 2026 para mapear as redes de cartéis em ambos os lados da fronteira. Segundo a agência Reuters, a força-tarefa desempenhou um papel crucial no trabalho de inteligência que levou à morte de “El Mencho”.
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Autoridades militares e civis mexicanas reconheceram que a operação foi conduzida em coordenação com agências americanas, enfatizando cuidadosamente que nenhum militar americano participou diretamente da ação. Autoridades americanas parabenizaram o México e confirmaram essa versão.
Em outras palavras, a operação proporciona à presidente Sheinbaum um valioso respiro em relação a Washington num momento particularmente delicado da relação bilateral, marcado por pressões políticas crescentes e pela iminente revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá. A morte de “El Mencho” fortalece sua posição na Casa Branca e entre os legisladores republicanos, que repetidamente classificaram os cartéis latino-americanos e mexicanos como organizações “narcoterroristas” responsáveis ​​pela crise do fentanil nos Estados Unidos.
Caminhões da polícia municipal ao lado de um ônibus em chamas, incendiado por grupos do crime organizado em resposta à morte de El Mencho
ULISES RUIZ / AFP
No âmbito interno, a operação também representa um impulso político. “El Mencho” havia escapado da captura por mais de uma década, e tentativas anteriores de prendê-lo terminaram em violência extrema e custosos reveses para as forças de segurança mexicanas.
Enquanto isso, o CJNG consolidou seu poder por meio de esquemas sistemáticos de extorsão e “taxação criminosa” nas economias locais, tornando-se uma das organizações mais temidas do país. Não surpreendentemente, os principais veículos de comunicação nacionais e figuras políticas proeminentes de todos os partidos elogiaram a ação do governo.
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Apesar das vitórias políticas imediatas para a presidente Sheinbaum, tanto no âmbito nacional quanto internacional, a captura de “El Mencho” acabará por testar a capacidade estrutural do Estado mexicano. No fim de semana, os primeiros sinais desse teste tornaram-se evidentes, com as autoridades lutando para conter a violenta reação imediata do CJNG.
No domingo, 25 membros da Guarda Nacional do México foram mortos durante as operações; 252 bloqueios de estradas foram relatados em todo o país; Guadalajara — a capital de Jalisco e um dos principais centros econômicos do México — tornou-se praticamente uma cidade fantasma ; lojas, postos de gasolina, bancos e empresas foram atacados ou incendiados em diversas regiões do país; e vários estados cancelaram as aulas na segunda-feira.
Embora a situação parecesse mais calma na manhã de segunda-feira, a reação do CJNG pode estar apenas começando. Como sugeriu o especialista em segurança Eduardo Guerrero, a organização provavelmente se comportará como uma “fera ferida”, lutando brutalmente pela sobrevivência.
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ULISES RUIZ / AFP
A experiência mostra que, quando uma organização criminosa é desmantelada, conflitos intra e intercartel frequentemente eclodem, à medida que facções rivais competem pelo controle de rotas, mercados e estruturas de comando internas. O caso recente do Cartel de Sinaloa — que permanece em constante turbulência desde a captura de El Mayo Zambada — é um lembrete contundente disso.
A situação é ainda mais complicada pela estrutura organizacional do CJNG. Ao contrário de grupos criminosos que dependem fortemente de um único líder carismático para integrar verticalmente a autoridade, o CJNG parece mais institucionalizado e entrincheirado regionalmente. Opera através de um sistema semifederalizado de “franquias” regionais, no qual os comandantes locais mantêm significativa autonomia operacional e financeira, embora permaneçam alinhados a um comando central. Isso levanta sérias questões sobre o quanto a organização foi realmente enfraquecida pela morte de “El Mencho”.
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Nesse contexto, emergem dois cenários amplos, ambos profundamente desafiadores para o Estado mexicano. Um deles é a continuidade: o CJNG continua operando sob seu modelo descentralizado, caso em que a morte de El Mencho representaria mais uma vitória simbólica e política do que um desmantelamento estrutural.
A outra é a fragmentação: a intensificação de disputas intra e intercartéis gera explosões localizadas de violência à medida que as facções competem por território e mercados. Tal cenário se assemelharia ao período de 2007 a 2011, um dos capítulos mais violentos da História recente do México, quando o presidente Felipe Calderón lançou uma “guerra às drogas” militarizada, centrada em uma estratégia de decapitação que desencadeou conflitos regionais em cascata entre organizações criminosas fragmentadas, cartéis rivais e forças estatais.
Em qualquer dos cenários, se este episódio for lembrado como um passo decisivo para a redução da violência ou como o início de uma “segunda guerra contra as drogas” dependerá da capacidade do Estado mexicano de conter a retaliação do CJNG e impedir que outros grupos criminosos se apoderem de territórios e mercados anteriormente sob seu controle.
Foto aérea mostra carros e caminhões queimados em uma rodovia perto de Acatlán de Juárez, estado de Jalisco, após morte de líder do cartel CJNG
Ulisses Ruiz/AFP
Essa capacidade, no entanto, é severamente limitada pelas fragilidades estruturais do México, entre elas a tributação cronicamente baixa. A arrecadação de impostos no México, como percentual do PIB, está entre as mais baixas da América Latina e representa apenas metade da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de nações majoritariamente desenvolvidas do qual o México é membro.
Isso deixa o governo perpetuamente com falta de recursos enquanto luta contra cartéis que, em contraste, estão repletos de dinheiro após a produção global de cocaína ter mais que triplicado na última década, o que lhes permite contratar mercenários e até mesmo construir seus próprios tanques.
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Outros desafios incluem a corrupção enraizada, o profundo envolvimento do crime organizado com as elites políticas e econômicas locais e um alinhamento de segurança com Washington que nem sempre coincide com as prioridades do próprio México. Por exemplo, para os EUA, a prioridade é combater as redes de fentanil, enquanto para o México a prioridade deveria ser reduzir os níveis de violência, homicídios, desaparecimentos e extorsão; para Washington, os “danos colaterais” são suportáveis, enquanto para o México representam danos físicos, econômicos e psicológicos para seus cidadãos.
Como me disse um colega acadêmico de Guadalajara: “Daqui, isso não parece uma vitória. As escolas estão fechadas. A cidade está paralisada. Meus pais têm mais de 70 anos e não podem nem sair para comprar remédios. As pessoas estão com medo, e o Estado parece incapaz de protegê-las. Enquanto analistas na Cidade do México e em Washington comemoram um golpe contra os cartéis, as pessoas comuns aqui estão pagando o preço.”
Se a morte de “El Mencho” marca uma virada ou o início de mais um ciclo de fragmentação e violência, dependerá, em última análise, não das manchetes em Washington ou na Cidade do México, mas da capacidade do Estado mexicano de proteger seus próprios cidadãos em todas as regiões do país.
O filhote de macaco japonês Punch, de sete meses, virou sensação nas redes sociais após ser filmado abraçando um orangotango de pelúcia no zoológico da cidade de Ichikawa, no Japão. Abandonado pela mãe logo após nascer, ele passou a carregar o brinquedo para todos os lados como uma espécie de figura materna, imagens que se espalharam pela internet e chamaram atenção do público.
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Diante da repercussão global, a fabricante sueca de móveis IKEA decidiu doar vários bichos de pelúcia ao zoológico. Em publicação no X (antigo Twitter), o prefeito de Ichikawa, Ko Tanaka, e a presidente da IKEA Japão, Petra Färe, apareceram juntos posando diante dos brinquedos que serão usados para ajudar a confortar animais que necessitam de cuidados semelhantes.
Confira:
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A história começou quando visitantes perceberam que Punch havia sido rejeitado pela mãe e alertaram os tratadores. Segundo o cuidador Kosuke Shikano, filhotes dessa espécie costumam se agarrar às mães para ganhar força muscular e sensação de segurança. A equipe testou alternativas como toalhas enroladas e outros brinquedos até escolher o orangotango laranja de olhos grandes vendido pela IKEA.
Corrida pelo brinquedo
O sucesso do vídeo provocou uma corrida inesperada pelo modelo de pelúcia nas lojas da marca ao redor do mundo. O brinquedo, vendido originalmente por cerca de US$ 16, esgotou em países como Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul, segundo relatos da imprensa local.
Na Austrália, a rede registrou aumento de mais de 200% nas vendas na última semana, com cerca de 990 unidades comercializadas — mais que o dobro da média semanal habitual. Apesar de ainda haver estoque em algumas lojas, a empresa informou que a reposição já está prevista.
Com a procura elevada, o item também passou a aparecer em plataformas de revenda por valores muito acima do original. Em anúncios recentes, o brinquedo chegou a ser ofertado por até US$ 126, cerca de R$ 650, no eBay.
Enquanto isso, Punch continua em processo de adaptação ao grupo de macacos do zoológico. De acordo com os tratadores, algumas interações mais duras fazem parte da aprendizagem social da espécie. O local também adotou restrições para visitantes após o aumento repentino de público motivado pela história do filhote.
Um raro momento de concordância entre Rússia e Ucrânia foi registrado nesta terça-feira, quando uma comunicação do Kremlin e uma declaração por vídeo do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmaram separadamente que Moscou não atingiu seus objetivos militares após quatro anos da guerra mais sangrenta em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Zelensky mencionou o fato como uma prova do insucesso do líder russo, Vladimir Putin, e para enaltecer a resistência de seu povo diante do inimigo, voltando a pedir apoio internacional contra a invasão. A Presidência russa, por outro lado, admitiu que ainda tem objetivos em aberto para justificar a continuidade das operações militares — prometendo não abandonar o campo-de-batalha até que cada um deles seja conquistado.
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— [Vladimir] Putin não alcançou seus objetivos. Não quebrou os ucranianos. Não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo o que for possível para conseguir a paz e para que se faça justiça — afirmou Zelensky em uma mensagem em vídeo, acrescentando que seu país está preparado para fazer “tudo” o que for possível para garantir uma paz sólida e duradoura.
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O posicionamento do Kremlin foi apresentado pelo porta-voz Dmitri Peskov, em resposta a uma pergunta da agência francesa AFP. O encarregado pelas comunicações públicas da Presidência russa afirmou que muitos objetivos do Kremlin na Ucrânia foram cumpridos, destacando que o principal objetivo de Moscou seria garantir “a segurança das pessoas” que vivem no leste da Ucrânia. Ele porém, admitiu que há metas em aberto.
— Os objetivos ainda não foram plenamente atingidos, por isso a operação militar continua — disse Peskov, afirmando que as atividades militares continuarão até que cada um dos objetivos seja atingido.
Os comentários oficiais na data em que a invasão russa ao território ucraniano completa quatro anos ocorrem em um momento em que Moscou e Kiev estão envolvidos em um lento processo diplomático mediado pelos EUA. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha tentado impor pressão para o avanço das negociações, a cessão de parte do território ucraniano à Rússia e as garantias exigidas pela Ucrânia para prevenir uma futura agressão russa permanecem como gargalos para qualquer acerto. Enquanto isso, o balanço dos prejuízos causados pela guerra só aumentam.
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Henry Nicholls/AFP
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Centenas de milhares de pessoas morreram desde a invasão, embora o número total de mortos seja impreciso. Zelensky admitiu no início de fevereiro que 55 mil de seus soldados morreram desde 2022. A Rússia mantém silêncio, mas estima-se que sejam mais de 117 mil, segundo o serviço russo da BBC e o veículo de mídia russo Mediazona, com base em dados disponíveis publicamente. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede nos EUA, citou até 325 mil soldados russos e entre 100 mil e 140 mil soldados ucranianos mortos.
A devastação nos territórios também é crítica. Ataques russos à infraestrutura energética devastaram a rede elétrica, privando milhões de pessoas de aquecimento e eletricidade. Cidades inteiras, onde a resistência ucraniana se concentrou, como Bakhmut, estão em ruínas. A ONU estima que cerca de 20% do território ucraniano esteja contaminado por minas terrestres.
A Rússia controla 20% da Ucrânia, incluindo áreas que já estavam sob o controle de forças russas ou pró-russas antes de 2022 — incluindo cerca de 83% da região de Donetsk, de acordo com uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês). O custo total de uma reconstrução do país é estimado em mais de US$ 558 bilhões na próxima década, segundo uma avaliação conjunta do governo ucraniano, da União Europeia, do Banco Mundial e da ONU.
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Demonstrações de apoio e cobrança
A invasão de Moscou à Ucrânia tornou-se desde seu primeiro momento uma pauta central na Europa, onde países ocidentais assumiram uma posição amplamente pró-Kiev e avessa a Moscou. Líderes de países do continente, incluindo o presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, chegaram à Ucrânia nesta terça-feira, em um marco pelos quatro anos de guerra.
“É com prazer que dou as boas-vindas aos líderes do grupo Nórdico-Báltico Oito, nossos verdadeiros e próximos aliados na defesa da liberdade, da justiça e da verdade” escreveu o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga em uma publicação no X.
Mesmo alguns líderes que não estiveram presentes em território ucraniano se pronunciaram sobre a data simbólica. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que “a guerra de Vladimir Putin contra a Ucrânia é um triplo fracasso para a Rússia”, enquanto o secretário-geral da Otan, o ex-premier holandês Mark Rutte, afirmou que os aliados ocidentais da Ucrânia devem intensificar a “ajuda militar, financeira e humanitária” para que Kiev prevaleça contra a Rússia.
— Esse apoio é essencial. A Ucrânia precisa de mais, porque uma promessa de ajuda não acaba com a guerra — disse Rutte em uma cerimônia na sede da Otan, acrescentando que o apoio ocidental era “imperativo” para permitir que a Ucrânia “se defenda do terror russo vindo do céu e mantenha as linhas de frente”. — A Ucrânia precisa de munição hoje e todos os dias até que o derramamento de sangue cesse.
Ao lado do secretário-geral, a embaixadora da Ucrânia junto à Otan, Alyona Getmanchuk, afirmou aos diplomatas e oficiais militares dos 32 Estados-membros que cada sistema adicional de defesa aérea, cada entrega de munição, cada míssil interceptor “não apenas salva vidas, como também fortalece a posição da Ucrânia na mesa de negociações”. A “Coalizão dos Dispostos”, iniciativa europeia de apoio à Ucrânia, se preparava para se reunir na terça-feira para marcar os quatro anos da invasão.
Embora a entrada na Otan tenha sido um aspecto chave, sobretudo no início do conflito — a Rússia justificou a invasão à Ucrânia como uma resposta ao avanço da aliança ocidental em direção ao seu território, enquanto Kiev apresentou a adesão ao grupo como única solução de segurança aceitável —, não há qualquer previsão de que a Ucrânia seja integrada militarmente. Rutte, porém, fez menção a “forças ucranianas fortes, prontas para dissuadir e defender, e com garantias de segurança efetivas por parte dos parceiros da Ucrânia” ao fim deste conflito.
Em um discurso por vídeo no Parlamento Europeu, Zelensky pediu que a União Europeia estabeleça um cronograma claro para a adesão do país ao bloco — uma forma de integração à Europa ocidental que se não oferece às garantias de segurança pretendidas, posicionaria Kiev sob uma economia pujante e uma aliança estratégica.
— É importante para nós recebermos uma data clara para a adesão à UE — disse Zelensky. — Se não houver essa garantia, [Putin] encontrará uma maneira de bloquear a Ucrânia por décadas, dividindo vocês, dividindo a Europa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou com a delegação que viajou a Kiev nesta terça-feira, resumindo o objetivo da visita em um vídeo:
— Ressaltar nosso compromisso duradouro com a luta justa da Ucrânia — afirmou. — [Enviar] uma mensagem clara, tanto ao povo ucraniano quanto ao agressor: não vamos ceder até que a paz seja restaurada. Paz nos termos da Ucrânia.
Impasse nas negociações
A Rússia bombardeia diariamente áreas civis e infraestruturas estratégicas ucranianas, o que provocou a pior crise energética no país desde o início da invasão, agravada por um inverno rigoroso no Hemisfério norte. Os aliados ocidentais de Kiev adotaram sanções fortes contra Moscou, o que obrigou a Rússia a redirecionar suas exportações de petróleo para novos mercados, sobretudo na Ásia.
Apesar do impacto das sanções, as tropas russas avançaram lentamente nos últimos meses, em particular na região leste do Donbass, epicentro de combates violentos e que Moscou deseja anexar. Ao mesmo tempo, as negociações continuam sob mediação dos Estados Unidos.
Zelensky insiste em suas exigências de garantias de segurança por parte de Washington antes de assinar qualquer acordo com Moscou. A Rússia rejeitou as propostas de Kiev sobre o envio de forças europeias à Ucrânia após um eventual acordo de cessar-fogo.
O presidente russo advertiu que alcançará seus objetivos pela força, caso a diplomacia fracasse. (Com AFP)
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky divulgou um vídeo nesta terça-feira mostrando pela primeira vez o bunker de onde a resposta à invasão russa de 2022 foi organizada, exatamente quatro anos atrás.
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“Foi neste escritório, nesta pequena sala no bunker na Rua Bankova [onde fica o palácio presidencial], que tive minhas primeiras conversas com líderes de todo o mundo no início da guerra”, diz Zelensky no vídeo de 19 minutos.
“Foi aqui que falei com Joe Biden e disse a ele que precisava de munição, não de um táxi”, relembra, referindo-se a uma declaração agora famosa feita quando o então presidente dos EUA sugeriu que seu homólogo ucraniano o evacuasse.
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As imagens mostram um grande bunker da era soviética, com túneis iluminados por luzes de néon, salas de reunião e áreas reservadas para cada ramo do governo: a presidência, o governo e o parlamento.
“As imagens mostram um grande bunker da era soviética, com túneis iluminados por néon, salas de reunião e áreas reservadas para cada ramo do governo: a presidência, o governo e o parlamento.” Localiza-se abaixo do complexo presidencial, composto por vários edifícios cercados por um muro, em meio a prédios residenciais e outras estruturas governamentais no centro da cidade.
Desde o início da invasão, o acesso a todo o distrito governamental está proibido e ele é cercado por múltiplas linhas de postos de controle militar. A sede presidencial, um edifício neoclássico monumental típico da era soviética e frequentemente descrito como “stalinista”, data da década de 1930, quando a Ucrânia fazia parte da União Soviética.
Desde o início de seu mandato presidencial em 2019, Zelensky, assim como vários de seus antecessores, planejava transferir sua administração para um local mais moderno. No entanto, com a eclosão da guerra, a infraestrutura herdada da era soviética provou ser surpreendentemente útil. Segundo o governo, Zelensky foi alvo de mais de dez tentativas de assassinato desde 2022.
O governo britânico enfrentou nesta terça-feira pedidos para divulgar documentos sobre o passado do ex-príncipe Andrew como enviado comercial, poucas horas após um político ter sido interrogado pela polícia no âmbito do crescente escândalo de Jeffrey Epstein. No mês passado, as autoridades americanas divulgaram milhões de arquivos relacionados ao falecido criminoso sexual Epstein, contendo revelações que abalaram os círculos políticos e da realeza britânica.
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Isso aumentou a pressão sobre o governo para que divulgasse seus próprios documentos de verificação e desencadeou duas investigações policiais distintas e de grande repercussão.
Os Liberais Democratas afirmaram que apresentarão uma moção no parlamento na terça-feira para obrigar o governo a divulgar os documentos de verificação da nomeação de Andrew Mountbatten-Windsor como enviado comercial, cargo que ocupou de 2001 a 2011. O ex-príncipe foi preso na semana passada sob suspeita de má conduta em cargo público.
“O público está, com razão, exigindo saber como Andrew Mountbatten-Windsor foi nomeado para representar nossa nação em um cargo de alto nível no setor comercial”, disse o líder liberal Ed Davey.
“Ninguém, independentemente do seu título ou dos seus amigos, deve estar acima do escrutínio do parlamento.”
O governo deverá divulgar em março o primeiro conjunto de documentos relativos à nomeação do ex-ministro Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington.
Mandelson, figura chave na política britânica há décadas e enviado do Reino Unido a Washington até setembro, foi preso na segunda-feira em uma investigação separada por má conduta em cargo público, também relacionada às suas ligações com Epstein.
A nomeação de Mandelson já desencadeou uma tempestade política, com a renúncia de dois dos principais assessores de Starmer em meio à polêmica. A divulgação de documentos relacionados ao ex-político e ao ex-príncipe pode representar mais uma dor de cabeça para o governo e para o Partido Trabalhista, que supervisionou ambas as nomeações.
Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Carlos III, que teve seus títulos cassados ​​no ano passado, está sendo investigado após alegações de que compartilhou documentos confidenciais com Epstein durante o período em que atuou como enviado.
O ex-príncipe, há muito envolvido em escândalos devido à sua amizade com o falecido criminoso sexual americano, negou qualquer irregularidade em relação a Epstein.
Parlamentares estão exigindo a divulgação dos documentos de verificação de antecedentes da nomeação de Andrew como enviado especial do então primeiro-ministro trabalhista Tony Blair. Mandelson foi, na época, uma figura crucial no partido, ajudando a garantir a vitória eleitoral de Blair e a derrotar os conservadores.
O biógrafo de Mountbatten-Windsor, Andrew Lownie, disse à AFP que Blair e Mandelson “forçaram a sua nomeação”.
‘Siga em frente’
A moção apresentada ao parlamento — chamada de “discurso humilde” — foi usada com sucesso neste mês para obrigar o primeiro-ministro Keir Starmer a divulgar documentos relacionados à nomeação de Mandelson como embaixador em Washington em 2024.
Um policial faz a guarda na entrada da Wood Farm, na propriedade da família real de Sandringham, em Norfolk, no leste da Inglaterra, em 22 de fevereiro de 2026, após a prisão do ex-príncipe Andrew, em 19 de fevereiro.
Mandelson foi demitido do cargo de principal enviado após apenas sete meses, devido às revelações sobre a profundidade de seus laços com Epstein.
A ministra do governo, Bridget Phillipson, disse à Sky News na terça-feira que o governo “seguiria em frente” com a publicação dos primeiros documentos de Mandelson no “início de março”, apesar de sua prisão na segunda-feira.
“Precisamos ter cautela com qualquer documento que publicarmos, dada a natureza da investigação policial em andamento”, disse Phillipson.
Starmer pediu desculpas às vítimas de Epstein por ter nomeado Mandelson e acusou o ex-enviado de mentir sobre a extensão de seus laços com o financista bilionário durante o processo de seleção para seu cargo em Washington.
Mandelson, que foi libertado sob fiança na manhã de terça-feira, já havia se desculpado por sua amizade com Epstein e insistido que não sabia dos crimes sexuais do financista, apesar da condenação de Epstein em 2008 por prostituição infantil.
Às vezes, um simples bicho de pelúcia vira celebridade mundial. Foi o que aconteceu com um orangotango de pano vendido pela rede sueca de móveis e decoração IKEA, que ganhou fama depois de ser adotado por um filhote de macaco japonês em um zoológico no Japão.
Vídeo: Filhote de macaco que comoveu internet agarrado a pelúcia é finalmente aceito por grupo em zoológico japonês
Entenda: Abandonado pela mãe e apegado a bichinho de pelúcia, macaco enfrenta dificuldades em se integrar a bando em zoológico
Tudo começou quando Punch, um macaco-japonês de sete meses, foi abandonado pela mãe logo após nascer no zoológico da cidade de Ichikawa. Quando um visitante percebeu a situação e alertou os tratadores, a equipe precisou agir rapidamente para reduzir o estresse do animal. Na natureza, os filhotes costumam se agarrar às mães para desenvolver força muscular e sensação de segurança.
Confira:
Apegado a bichinho de pelúcia, macaco enfrenta dificuldades em se integrar a bando em zoo
Após testar alternativas como toalhas enroladas e outros brinquedos, os cuidadores encontraram um substituto improvável: um orangotango de pelúcia laranja, vendido pela IKEA. O brinquedo passou a acompanhar Punch para todos os lados e ganhou até apelido — “Ora-mama”.
Vídeos virais e corrida às lojas
As imagens do filhote agarrado ao brinquedo rapidamente se espalharam pelas redes sociais e acabaram impulsionando visitas ao zoológico. A repercussão também teve impacto nas lojas da marca sueca, conhecida mundialmente por móveis de montagem simples e itens domésticos acessíveis.
Segundo relatos da mídia local citados pela Reuters, o modelo de pelúcia começou a desaparecer das prateleiras em diversos países. Em Singapura, por exemplo, funcionários informaram que o produto já estava completamente esgotado desde segunda-feira.
O brinquedo, chamado DJUNGLESKOG e vendido por cerca de US$ 16, também registrou alta demanda em mercados como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Na Austrália, um porta-voz da empresa afirmou ao site news.com.au que as vendas cresceram mais de 200% na última semana, com quase mil unidades comercializadas — mais que o dobro da média habitual.
Com a procura, os preços de revenda dispararam em plataformas online. Alguns anúncios chegaram a cerca de US$ 126, cerca de R$ 650, muito acima do valor original.
O brinquedo de pelúcia de orangotango que Punch carregava está sendo vendido por US$ 126 no eBay
Captura de tela/eBay
Zoológico impõe regras após fama repentina
A popularidade repentina também mudou a rotina do zoológico de Ichikawa. Vídeos recentes mostram Punch tentando interagir com outros macacos do grupo — às vezes levando pequenas broncas, algo considerado normal pelos tratadores no processo de socialização.
Apesar disso, os responsáveis dizem que o filhote está saudável, cheio de energia e se integrando gradualmente à tropa.
Punch, um macaco-japonês, se agarra a um brinquedo de pelúcia durante seu processo de adaptação
Reprodução / X / @heavensbvnny
Com o aumento do público interessado em ver o animal, o zoológico anunciou novas regras para evitar estresse nos bichos, incluindo áreas restritas para visitantes e orientações para manter silêncio e não usar equipamentos grandes de fotografia.
Em meio à repercussão global, a própria IKEA decidiu enviar vários brinquedos ao zoológico. Em uma imagem divulgada pela administração local, representantes da empresa aparecem ao lado de autoridades da cidade diante de uma pilha de orangotangos de pelúcia.

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